“E então verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória. E Ele enviará os Seus anjos, e ajuntará os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu” – Marcos 13:26,27
QUEM É QUE por este mundo afora – e que esteja cônscio de sua plena lucidez ou sanidade mental –, sente prazer em conviver em meio a tantas catástrofes fenomenais sejam de ordem natural ou mesmo moral, tipo tsunamis que nos arrastam sem volta por um despenhadeiro sem fim ou coisa parecida? Ou mesmo quem é que consegue sobreviver em meio a tanta violência, traição, mortes ocasionadas por doenças incuráveis, por assassínios, tantas guerras, quais terremotos ou erupções vulcânicas que vão dizimando tudo por onde vão passando, sem nenhum rastro de compaixão nem qualquer outra sensação de alívio ou outro tipo de sensibilidade qualquer, e tudo mais? Apesar de hoje em dia tudo isso ser um fato tão corriqueiro que nem nos assusta mais como se consumasse um efetivo desarranjo das coisas, não somente da natureza como um todo, mas também do próprio ser humano em geral, no seu íntimo, na sua ética, no seu próprio relacionamento com os demais semelhantes, e com o seu próprio meio ambiente, assim como na própria sociedade, consequentemente. Como se já estivéssemos acostumados com tantos absurdos, ainda hoje somos confrontados por crises das mais diversas, e outras calamidades, que nos agitam, assustam, e também abalam as nossas famílias e o mundo inteiro. Ainda hoje somos desafiados a acharmos uma saída honrosa para tudo isso que, assim, de pronto, somos os únicos responsáveis, mas que, muita vez, ainda procuramos um bode expiatório como se nada disso nos atingisse e não acontecesse com nenhum de nós. Só acontece com os outros. Como neste mundo dos homens a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, certo tipo de gente vive por aí como se fosse intocável, confiando em si mesma como se nada lhe atingisse, como se não vivesse neste mundo dos pobres e mortais pecadores, como se fosse um deus, sem nenhum temor do Deus vivo e verdadeiro. Como se todas as desgraças fossem os outros. “Eu? Não é comigo, não. Dá licença que eu quero passar! Nada disso me atinge. Dá licença aí, meu!”, esquiva-se, rápida e descaradamente. Ô, coitado! Quem é que ainda consegue dormir em paz em meio a tudo isso, a esta confusão toda, e em meio a tanta covardia, sem se arrostar diuturnamente com todos os sinais de um mundo que está sendo dominado pelo maligno? Este mundo, um dia, terá seu fim? Quando estaremos livres de tanta aflição? Não que tais constatações não sejam abomináveis, horríveis, destruidoras, para não serem incansavelmente mencionadas ou insistentemente lembradas. Não que elas não devam ser contestadas nem que não sejam perturbadoras e tão aloucadamente terríveis. No entanto, nenhum de nós, quem quer que seja, está longe de passar por elas neste mundo.
Receios à parte, pois a nossa esperança é que toda esta nossa tristeza seja transformada em grande alegria, algum dia. E os crentes cristãos têm tudo para poderem acreditar nisso, posto que Deus atende todas as nossas aflições. O salmista Davi exorta-nos a louvar a Deus e a confiar somente nEle, testificando os grandes atos deste Deus na história, e em nossas vidas, tendo em vista a sua inesquecível experiência com Ele, já que Ele sempre ouve e responde às orações de Seu povo. “Engrandecei ao SENHOR comigo; e juntos exaltemos o Seu nome. Busquei ao SENHOR, e Ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores. Clamou este pobre, e o SENHOR o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias. Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nEle confia. Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos ao seu clamor. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve, e os livra de todas as suas angústias. Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas. Ele lhe guarda todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra. O SENHOR resgata a alma dos Seus servos, e nenhum dos que nEle confiam será punido.” Assim como o salmista, apesar de todas as nossas aflições, nós também não podemos desanimar quando tudo nos parecer fora de controle, posto que a bondade e o poder do SENHOR é que mantêm a força interna do crente em total segurança. Ele é o nosso Deus, o nosso refúgio e fortaleza. Ele nos acolhe e nos protege como um escudo debaixo de Suas asas. Está escrito que aquele que se acolhe nos braços de Deus permanece seguro do laço do perseguidor, da peste perniciosa, do terror noturno, e da mortandade que assola ao meio dia. “Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.” É isso, que tenhamos fé nEle, e prossigamos em frente, para o alto, sempre, que nada poderá nos abalar. Assim como uma ave-mãe compassiva protege os seus filhotes, como um Deus de perto – e não de longe –, e em toda a Sua onipresença e onipotência, somente o SENHOR é que pode nos trazer paz por mais complexas que sejam as nossas circunstâncias. Os que confiam em Deus não se abalam, continuam firmes, como o monte de Sião. “Assim como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o SENHOR está em volta do Seu povo, desde agora e para sempre.” Assim como as montanhas em derredor tinham sua importância para a defesa da cidade, e representavam a presença de Deus, assim também os eruditos afirmam que a fixidez e a imutabilidade dessa relação entre o SENHOR e Seu povo é semelhante a que existe entre uma cidade e suas redondezas. Ou seja, ultrapassa em muito a experiência de um indivíduo, pois dura para sempre. Por isso mesmo é que incansavelmente Deus deve ser louvado pelo amor de Suas obras maravilhosas; por Seus grandes atos de redenção. Como no passado, na nação de Israel, Deus os realizara – cujo maior exemplo, segundo os especialistas, seria o êxodo, quando Deus libertou Seu povo de seus opressores egípcios –, Deus ainda age na história, em conformidade com Seu caráter e Sua lei. Estes estudiosos nos lembram que através de Seus grandes atos históricos, as pessoas podem reconhecer a justiça de Deus, mas que estas maravilhas não fiquem só na nossa lembrança como um ato da memória, e, sim, que também envolvam devoção e obediência, pois devido aos nossos pecados, não merecemos a salvação da parte de Deus, porém, esta tem sua origem no eterno amor de Deus para com Seu povo. “Piedoso e misericordioso é o SENHOR; tardio em irar-Se, e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente ...”, e, assim, segue a Palavra de Deus capturando a maneira correta de aproximarmo-nos deste nosso SENHOR, que é Deus, e que, portanto, nos inspira reverência e respeito. “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os Seus mandamentos; o Seu louvor permanece para sempre.” Quer queiramos ou não, Deus cumprirá Suas ameaças contra os ímpios. No entanto, sempre há a esperança do perdão.
Falar desse amor de Deus é assunto que não se acaba nunca. Mas muito mais importante do que falar é praticar este amor, como o próprio Deus assim nos ordena, já que é o maior de todos os mandamentos. Amar a Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento, e de todas as nossas forças; e amar o nosso próximo como a nós mesmos, não é apenas um mero jogo de palavras bonitas que servem de pauta para nossas retóricas públicas, de palanques e de púlpitos, mas uma ordem prática de comando que tem que ser cumprida por todos nós, sem exceção alguma, principalmente para nós que tanto nos exaltamos por aí repetindo trechos bíblicos como se competindo com os demais, mas, que, na prática, estamos muito longe de seguirmos de fato este tão significativo ensino do Senhor Jesus. A Bíblia diz que Deus é amor, e que foi Ele que nos amou primeiro, por isso, nós também devemos amá-lO. “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou Seu Filho unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” Aquele cujo advento foi anunciado e em Quem foi acentuado o Seu poder por ser o próprio Messias tão esperado desde os mais remotos tempos, Este em cujos ombros carrega toda a plenitude de um governo próspero, ou seja, um reino eterno, de paz, prevalecem sobre Si a promessa e a certeza do livramento enviado pelo próprio Deus, assim como também um raiar de um novo dia para as nações oprimidas da terra que conhecerão o poder de Seu domínio e a inspiração deste Seu governo salvador e redentor, e em que a paz é o traço dominante nesse reinado. Os especialistas comentam que tão grande e poderoso é este Rei que um único título de majestade não basta para descrevê-lO, e entre os muitos nomes significativos que Lhe são dados está o de Deus Forte, segundo uma das maiores profecias messiânicas já anunciadas. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os Seus ombros, e se chamará o Seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Ainda segundo os eruditos, é manifestamente impossível relacionar tais palavras de majestosa profecia com qualquer outra pessoa que não seja o próprio Messias, e que através dos séculos a Igreja Cristã encontrou nelas os atributos iniludíveis do Rei vivo e vitorioso no coração dos homens, o único capaz de libertar e salvar a alma na sua situação desesperada e de conduzir o homem a um novo e melhor caminho de acordo com os mandamentos de Deus. E, depois de vencer a morte, vencendo as aflições deste mundo para servir-nos de exemplo, e nos salvar de nossos pecados, e de nos trazer as vitórias de um Reino promissor cujos frutos já estamos usufruindo desde já aqui nesta terra – o justo vive por fé –, é este mesmo Rei que virá como o Filho do Homem, na Sua segunda vinda, para levar os Seus eleitos, ou seja, a Sua Igreja gloriosa – aqueles que permaneceram firmes na sua fé até o fim, apesar de todas as contrariedades deste mundo, e de todas as tribulações que lhes foram permitidas passar, mas que foram derrotadas pela sua confiança neste Deus Todo-Poderoso; que foram salvos, principalmente pela graça deste Deus Soberano absoluto e misericordiosíssimo que escolhe quem bem Lhe entender para morar no céu com Ele. Desta vez, a Bíblia diz que o Filho do Homem virá em meio a toda aquela teofania, cercado de todos aqueles eventos de glória, poder e majestade que Lhe são devidos, e que depois disso tudo o mundo não será mais o mesmo. “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até os mesmos que O traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Mas quando virá este dia? O próprio Senhor Jesus, após alertar que passará o céu e a terra, mas que as Suas Palavras não passarão, afirma que daquele dia e hora ninguém sabe. “Nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.” Mas que o Senhor virá, isso sim. Virá para levar os Seus escolhidos. O próprio Senhor Jesus nos exorta a estarmos sempre vigilantes porque não se sabe quando chegará o tempo. O que é certo é que estas são palavras reconfortantes. O anúncio de que o reino do mal está chegando ao fim, e que o Filho do Homem reunirá e levará todos os Seus eleitos, livrando-nos definitivamente de todos estes cataclismos pelos quais já estamos cansados de tanto sofrer em todos os termos, até mesmo políticos, econômicos e sociais, que só nos levam a um duro teste de fé e de sobrevivência nestes tempos de tantos desafios em que muitos se resignam, outros até se revoltam, blasfemam e desanimam, julgando ter chegado o fim de tudo, até mesmo da própria fé diante de todos estes absurdos. Só mesmo a poderosa mão de Deus para nos resgatar desta confusão toda. Vem, Senhor Jesus, em toda a Tua glória e majestade! Vem buscar este Teu povo que tanto Te espera. Vem, Senhor Jesus, Rei do Universo; vem, a Tua Igreja Te espera! Vem, e salva o Teu povo. Aleluia, e amém!
REFLEXÃO DE HOHE
“Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas. E então verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória. E Ele enviará os Seus anjos, e ajuntará os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu. Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está próximo o verão. Assim também vós, quando virdes sucederem estas coisas, sabei que já está perto, às portas. Na verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam. Passará o céu e a terra, mas as Minhas Palavras não passarão.” – Marcos 13:24-31
LEITURAS DE HOJE
Salmo 111; Daniel 7:9.10
Apocalipse 1:1-8; Marcos 13:24-31
NOTAS
[1] João 16:33; Gênesis 16:11; 29:32; Salmo 34:1-8,15-17,19-22; Colossenses 1:24; Isaías 9:6; Romanos 5:1; Efésios 2:13-20; 2Timóteo 3:12; Romanos 8:37; 1João 4:4
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 636
[2] Salmo 126:1-6; 1Samuel 21:10-15; Salmo 91:3-8: Jeremias 23:23,24; Salmo 125:1-3; Isaías 54:10; Joel 3:17,18; 2Reis 6:17; Salmo 111:1-10; 44:1; 111:4b; Êxodo 34:6,7; Isaías 1:18; Marcos 2:5,7b; Salmo 34:7; 36:1; 128:1; 130:4
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.527, 528. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p.598,599, 681, 697,709
[3] Marcos 12:28-31; 1João 4:9,10,19; Isaías 9:1-7; Apocalipse 1:7,8; Danielo 7:9,10
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 478-482
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 697, 698.Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p.1171, 1172
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p.1017, 1018. Reimpressão
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
QUE NOS AMEMOS UNS AOS OUTROS
“(...) o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” – Marcos 12:30,31
AH, O AMOR!... quem é que já não provou ou provará deste fruto e suas experiências, de um jeito ou de outro? Quem é que já não se expôs por conta destes seus próprios sentimentos? Quem é que já não se dispôs a tais provas? Ainda, e sempre, estas eternas e tão decantadas expressões manifestam-se em todos os tempos e lugares, mesmo que se nos pareçam muitas vezes esquisitas a nossos olhos, e, quem sabe, até aos olhos dAquele que traz em Si a própria essência de um amor sem par, sem fim, e sem fronteiras; de um amor sem exceção, e sem acepção de pessoas; de um amor que se nos parece loucura, e que nos foi ordenado que o praticássemos. Ou seja, que nos amássemos uns aos outros. Não que nos amassássemos uns aos outros, literalmente. Ninguém nos garante que, em busca do que priorizamos como de grande significância para nós mesmos, extasiados por um desejo intenso de domínio, pouco nos importando com os outros, não cometamos barbaridades. Trilhando pelos caminhos dos nossos próprios delírios, dominados por uma inexplicável e avassaladora insanidade, detonamos os outros, de qualquer jeito, desrespeitosamente, empurrando-os para bem longe de nós, do nosso convívio, pensando estarmos fazendo alguma coisa de bom, não se sabe para quem, hoje e sempre, e, acentuadamente, nestes tempos pós-modernos, por diversos ou sofisticados meios à nossa disposição, por mísseis ou por fuzis, carros-bomba, ou no corpo a corpo – na mão grande mesmo –, por socos e pontapés, facões ou facadas, porretadas e traições, pelo mais banal motivo ou até mesmo por uma certa limpeza étnica, por exemplo, e outras discriminações – e tudo mais que se possa imaginar. Arbitrariamente, tudo o que possa nos sobrepor aos outros. Este é o amor dos homens! Amor a quê? Amor a quem? A nós mesmos, apenas e tão somente? Às nossas próprias vaidades? Por vermos as coisas apenas sob a nossa própria ótica e cobiça, sob esta nossa deformação de conceitos e práticas, ou até mesmo de caráter, cometemos terríveis delitos – se é que existam delitos que não sejam terrivelmente abomináveis até para nós mesmos, quando portamos nossa sã consciência. Mas que espécie de amor é este que nós tanto celebramos ou exaltamos em prosas, cantos ou versos, e que, a despeito de tudo isso, nós ainda continuamos nos autodestruindo a nós mesmos, e também aos outros, até mesmo por razões fúteis? Que espécie de amor é este pelo qual, levados por ciúme, egoísmo, e poder, nós nos achamos no direito de oprimirmos as demais pessoas, como indivíduo ou como nação, como marido ou como mulher, como pais ou filhos, namorados ou vizinhos, ou mesmo como um transeunte qualquer, desconhecido, que passa ou é jogado pelas ruas, encharcadas por um sentimento anômalo de exploração como se tivéssemos o privilégio exclusivo sobre tudo e todos deste mundo ou sobre a intimidade alheia? Certamente, este é o nosso tipo de amor; o tipo de amor dos homens. Mas, será que, sinceramente, isto é mesmo amor? Para muitos de nós, isso pouco importa, desde que levemos vantagem em tudo. Desde que sejam satisfeitas as nossas vontades; as nossas atrocidades até então enrustidas. Apesar disso, desse tipo de amor, de tiranias, e, muita vez, de muita covardia – com raríssimas exceções, é claro –, é que são feitas as histórias dos homens, desde os mais pobres coitados das crônicas policiais aos ditos mais nobres, aos superpoderosos, ou aos que se acham donos de todo e de quaisquer poderes, aos que são protegidos por seus comparsas, ou àqueles conhecidos como os de colarinho branco, e que pululam as páginas dos jornais, ou os de cujos feitos estejam estampados nas mais afamadas enciclopédias mundiais.
Porém, diferentemente deste misto de amor e ódio, de guerra e de paz, neste jogo de poderes em que paradoxalmente nos chafurdamos, e, ao mesmo tempo em que somos o próprio alvo, quando não a própria vítima nestes eventos todos, confundindo-nos em tais conceitos num contexto de conflitos sem igual como numa novela que parece nunca ter fim, mas que arraigadamente fixamos tentáculos ao redor do mundo, ou de nós mesmos, a sabedoria divina nos ensina que o amor cobre todas as transgressões, ou melhor, uma multidão de pecados, enquanto que o ódio excita contendas, como se num alerta contra aqueles que rejeitam a mensagem de nos amarmos uns aos outros, ensinada desde o princípio. Por sua vez, o salmista diz que feliz é aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Ou seja, o amor não guarda registro de erros, mas perdoa em resposta ao perdão de Deus, segundo os especialistas, considerando que a história do mundo é a história do ódio, que teve início – e que serviu como padrão – desde o conflito entre Caim e Abel, posto que a maldade sempre odeia a bondade. Esta é a diferença que sempre existirá entre este mundo tão adverso e o povo de Deus, conforme enfatiza o apóstolo e evangelista João na sua primeira carta universal com base em toda a sua experiência de o único apóstolo sobrevivente, e já com sua idade avançada, quando escreveu esta epístola. Porém, como sempre, com todo o seu tom paternal, tanto no terreno da afeição, como no da autoridade que a caracteriza, e contrastando os filhos de Deus com os filhos de Satanás, ou o amor aos irmãos e o ódio ao mundo, o apóstolo destaca que Deus é luz, verdade e amor, e que este mesmo Deus foi revelado em Cristo para que pudesse comunicar a vida eterna àqueles que creem. Estes mesmos eruditos assinalam que o discípulo amado mostra aos leitores de sua carta que os ideais de pureza e amor são dons de Deus comunicados através da Sua autorrevelação, e que, ao mesmo tempo, eles só são reais quando estão em ação, assim como também esta realidade só é possível através do novo nascimento e do perdão dos nossos pecados. “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. Meus irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” Sábias palavras, e divinamente inspiradas, que, com seu estilo direto, provavelmente, sejam a última mensagem apostólica dirigida à Igreja inteira, sem nenhum endereço particular, e que resumem a beleza de uma carta universal. São palavras simples, práticas e claras. São pensamentos ricos e profundos que nos levam a uma atitude resoluta e responsável, a uma ação concreta, a uma tomada de posição sem nenhum vacilo, já que não devemos amar apenas da boca para fora, “de palavra nem de língua, mas por obra e em verdade”.
Ah, o amor!... sim, este amor de Deus... quão maravilhoso seria este mundo se todos o exercitássemos conforme exigem os Seus mandamentos! Quão seríamos muito mais felizes! Sim, porque este é um gesto que confere resultados, não unilateralmente, mas como numa via de mão dupla, dando e recebendo, plantando e colhendo, regando e frutificando, para a glória dAquele que um dia amou o Seu povo com amor eterno e com benignidade o atraiu a Si por meio de um projeto de restauração, de prosperidade e de paz. Este é o sonho que Deus tem reservado para cada um de nós. Sim, ainda hoje este projeto também está à nossa disposição para podermos empregar os dons de Deus em benefício dos outros – eis o resumo de todo o nosso dever e obrigação no exercício deste amor, posto que Cristo deu Sua vida por nós, por meio deste grande e gracioso gesto. Assim, também, ao alcançarmos algo da grandeza deste amor de Deus, a nós é imposto, igualmente, estarmos prontos a dar nossa vida pelos outros, assim, de pronto auxílio, por meio de nossas obras, tendo em vista a nossa fé. Como crentes cristãos, somos este povo que também navega nesta estrada da esperança, nesta via de duas mãos, na certeza desta nossa salvação, se temermos a este único SENHOR, não por medo, posto que Ele não é um deus de terror nem um deus enganador, que nos promete bem-estares, tranquilidades e paz, e não cumpre, ou que toma de volta, depois, traindo-nos com a Sua própria Palavra; escravizando-nos, humilhando-nos e destruindo todos os nossos sonhos, mesmo nós depositando nele toda a nossa confiança. Nada disso. O SENHOR nosso Deus não é um deus de balelas nem de oba-oba à moda dos homens e dos seus ídolos. Tampouco o Seu projeto de amor se assemelhe à cantilena dos homens, permeada de um sentimento fugaz, de segundas intenções, de emoções baratas, e efêmeras, chamuscada por declarações de afeto superficiais manifestadas apenas com os lábios, mas bem longe do coração. Sem nenhuma sinceridade. Também este amor não pode ser reduzido a meras expressões externas, ensaiadas, cheias de vãs e enfadonhas repetições, esboroando num vazio sem fim e sem nenhum efeito que possa nos edificar ou nos tonificar contra as hostes do inimigo. Só pode mesmo agradar o coração dAquele que nos chamou a aderirmos a um projeto de salvação que nos foi revelado na Pessoa do Seu único Filho, e nosso Senhor Jesus Cristo, com vistas à nossa plena felicidade, posto que prova de amor não há se não doarmos nossa vida à nosso irmão. E este amor é combinado com a nossa fé na unidade de Deus, que nos cobra obediência a Suas leis, não por medo, mas por amor, como diz o salmista. “Amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. Por isso, estimo todos os Teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda.” E mais ainda: “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos, e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos”. É isso, este amor de Deus nos faz andar por veredas retas e verdadeiras, longe das hipocrisias deste mundo, como um tesouro que devemos guardar lá dentro do fundo do nosso coração e comprometermo-nos com ele com toda a nossa alma e com todas as nossas forças, assim como também devemos fazer com que as nossas gerações futuras, nossos filhos, e os filhos dos nossos filhos possam igualmente amar a este mesmo Deus como o seu único Senhor, amando-O, obedecendo-Lhe, e dedicando-se inteiramente a Ele como seu único Salvador. Não é a toa que este amor mútuo, que pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente a comunicar-Se, posto que Ele é absolutamente bom, também aparece como a relação humana ideal, longe de ser uma utopia sentimental, posto que deve produzir ajuda prática a quem dela necessitar. Assim, o Senhor Jesus coloca-nos na dinâmica desta “lei régia”, deste grande mandamento, unindo duas escrituras para resumir o nosso dever como homens, nunca dantes interligadas desta maneira. Primeiro, o nosso amor para com Deus, depois, para com o próximo, amando este como a nós mesmos, num mundo onde muitos de nós dizemos que amamos a Deus, mas que desprezamos os demais, principalmente os mais necessitados, dentre tantos outros excluídos por outros quaisquer motivos. Também está escrito que se dissermos que amamos a Deus e odiarmos a nosso próximo, somos mentirosos, “pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a Quem não viu?” Por Sua vez, o Senhor Jesus também põe fim a qualquer discriminação ao declarar que o nosso próximo é qualquer pessoa, até mesmo o nosso inimigo; aquele que praticou o mal contra nós. Daí, só mesmo o amor consegue nos aproximar de Deus e dos homens. O amor cristão, fraternal, bem entendido, que tem sua nascente em Deus e se expande a todos os homens. Não as nossas enfadonhas cantilenas ou despropósitos.
REFLEXÃO DE HOJE
“Aproximando-se dEle [de Jesus] um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhes: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba Lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dEle; e que amá-lO de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-Lhe mais nada.” – Marcos 12:28-34
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:121-128; Deuteronômio 6:1-9
2Tessalonicenses 2:13-3:5; Marcos 12:28-34
NOTAS
[1] João 3:16; 15:12,13,17; 16:27; Romanos 5:8; 1João 3:1; Salmo 36:5-10; 145:9,15,
16; 104:21; Mateus 5:44,45; 6:26; 1Coríntios 1:18,25; Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9; 1Pedro 1:17; Tiago 4:1,2
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
[2] Provérbios 10:12; 1Pedro 4:8; Salmo 32:1,2; Romanos 4:7,8; Mateus 18:21,22; Tiago 5:20; 1Coríntios 13:4-7; 1João 3:10-15,18,23; Romanos 13:8
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1500, 1509, 1512
[3] 1Coríntios 13:1-13; 1Pedro 4:7-11; Jeremias 31:3; Deuteronômio 6:1-9; Salmo 119:127,128; 19:7-10; Mateus 22:37; Tiago 2:8; Levítico 19:18; 1João 4:20; Mateus 5:43-48
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 456, 457, 459-465
DRUMMOND, R. J. e MORRIS, Leon. As Epístolas de João, 1João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1434, 1435. Reimpressão
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 235. Reimpressão
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. por João Bentes. Editor org. J. D. Douglas. (editor em português R. P. Shedd). vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1963,1990. p. 71. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1015. Reimpressão
AH, O AMOR!... quem é que já não provou ou provará deste fruto e suas experiências, de um jeito ou de outro? Quem é que já não se expôs por conta destes seus próprios sentimentos? Quem é que já não se dispôs a tais provas? Ainda, e sempre, estas eternas e tão decantadas expressões manifestam-se em todos os tempos e lugares, mesmo que se nos pareçam muitas vezes esquisitas a nossos olhos, e, quem sabe, até aos olhos dAquele que traz em Si a própria essência de um amor sem par, sem fim, e sem fronteiras; de um amor sem exceção, e sem acepção de pessoas; de um amor que se nos parece loucura, e que nos foi ordenado que o praticássemos. Ou seja, que nos amássemos uns aos outros. Não que nos amassássemos uns aos outros, literalmente. Ninguém nos garante que, em busca do que priorizamos como de grande significância para nós mesmos, extasiados por um desejo intenso de domínio, pouco nos importando com os outros, não cometamos barbaridades. Trilhando pelos caminhos dos nossos próprios delírios, dominados por uma inexplicável e avassaladora insanidade, detonamos os outros, de qualquer jeito, desrespeitosamente, empurrando-os para bem longe de nós, do nosso convívio, pensando estarmos fazendo alguma coisa de bom, não se sabe para quem, hoje e sempre, e, acentuadamente, nestes tempos pós-modernos, por diversos ou sofisticados meios à nossa disposição, por mísseis ou por fuzis, carros-bomba, ou no corpo a corpo – na mão grande mesmo –, por socos e pontapés, facões ou facadas, porretadas e traições, pelo mais banal motivo ou até mesmo por uma certa limpeza étnica, por exemplo, e outras discriminações – e tudo mais que se possa imaginar. Arbitrariamente, tudo o que possa nos sobrepor aos outros. Este é o amor dos homens! Amor a quê? Amor a quem? A nós mesmos, apenas e tão somente? Às nossas próprias vaidades? Por vermos as coisas apenas sob a nossa própria ótica e cobiça, sob esta nossa deformação de conceitos e práticas, ou até mesmo de caráter, cometemos terríveis delitos – se é que existam delitos que não sejam terrivelmente abomináveis até para nós mesmos, quando portamos nossa sã consciência. Mas que espécie de amor é este que nós tanto celebramos ou exaltamos em prosas, cantos ou versos, e que, a despeito de tudo isso, nós ainda continuamos nos autodestruindo a nós mesmos, e também aos outros, até mesmo por razões fúteis? Que espécie de amor é este pelo qual, levados por ciúme, egoísmo, e poder, nós nos achamos no direito de oprimirmos as demais pessoas, como indivíduo ou como nação, como marido ou como mulher, como pais ou filhos, namorados ou vizinhos, ou mesmo como um transeunte qualquer, desconhecido, que passa ou é jogado pelas ruas, encharcadas por um sentimento anômalo de exploração como se tivéssemos o privilégio exclusivo sobre tudo e todos deste mundo ou sobre a intimidade alheia? Certamente, este é o nosso tipo de amor; o tipo de amor dos homens. Mas, será que, sinceramente, isto é mesmo amor? Para muitos de nós, isso pouco importa, desde que levemos vantagem em tudo. Desde que sejam satisfeitas as nossas vontades; as nossas atrocidades até então enrustidas. Apesar disso, desse tipo de amor, de tiranias, e, muita vez, de muita covardia – com raríssimas exceções, é claro –, é que são feitas as histórias dos homens, desde os mais pobres coitados das crônicas policiais aos ditos mais nobres, aos superpoderosos, ou aos que se acham donos de todo e de quaisquer poderes, aos que são protegidos por seus comparsas, ou àqueles conhecidos como os de colarinho branco, e que pululam as páginas dos jornais, ou os de cujos feitos estejam estampados nas mais afamadas enciclopédias mundiais.
Porém, diferentemente deste misto de amor e ódio, de guerra e de paz, neste jogo de poderes em que paradoxalmente nos chafurdamos, e, ao mesmo tempo em que somos o próprio alvo, quando não a própria vítima nestes eventos todos, confundindo-nos em tais conceitos num contexto de conflitos sem igual como numa novela que parece nunca ter fim, mas que arraigadamente fixamos tentáculos ao redor do mundo, ou de nós mesmos, a sabedoria divina nos ensina que o amor cobre todas as transgressões, ou melhor, uma multidão de pecados, enquanto que o ódio excita contendas, como se num alerta contra aqueles que rejeitam a mensagem de nos amarmos uns aos outros, ensinada desde o princípio. Por sua vez, o salmista diz que feliz é aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Ou seja, o amor não guarda registro de erros, mas perdoa em resposta ao perdão de Deus, segundo os especialistas, considerando que a história do mundo é a história do ódio, que teve início – e que serviu como padrão – desde o conflito entre Caim e Abel, posto que a maldade sempre odeia a bondade. Esta é a diferença que sempre existirá entre este mundo tão adverso e o povo de Deus, conforme enfatiza o apóstolo e evangelista João na sua primeira carta universal com base em toda a sua experiência de o único apóstolo sobrevivente, e já com sua idade avançada, quando escreveu esta epístola. Porém, como sempre, com todo o seu tom paternal, tanto no terreno da afeição, como no da autoridade que a caracteriza, e contrastando os filhos de Deus com os filhos de Satanás, ou o amor aos irmãos e o ódio ao mundo, o apóstolo destaca que Deus é luz, verdade e amor, e que este mesmo Deus foi revelado em Cristo para que pudesse comunicar a vida eterna àqueles que creem. Estes mesmos eruditos assinalam que o discípulo amado mostra aos leitores de sua carta que os ideais de pureza e amor são dons de Deus comunicados através da Sua autorrevelação, e que, ao mesmo tempo, eles só são reais quando estão em ação, assim como também esta realidade só é possível através do novo nascimento e do perdão dos nossos pecados. “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. Meus irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” Sábias palavras, e divinamente inspiradas, que, com seu estilo direto, provavelmente, sejam a última mensagem apostólica dirigida à Igreja inteira, sem nenhum endereço particular, e que resumem a beleza de uma carta universal. São palavras simples, práticas e claras. São pensamentos ricos e profundos que nos levam a uma atitude resoluta e responsável, a uma ação concreta, a uma tomada de posição sem nenhum vacilo, já que não devemos amar apenas da boca para fora, “de palavra nem de língua, mas por obra e em verdade”.
Ah, o amor!... sim, este amor de Deus... quão maravilhoso seria este mundo se todos o exercitássemos conforme exigem os Seus mandamentos! Quão seríamos muito mais felizes! Sim, porque este é um gesto que confere resultados, não unilateralmente, mas como numa via de mão dupla, dando e recebendo, plantando e colhendo, regando e frutificando, para a glória dAquele que um dia amou o Seu povo com amor eterno e com benignidade o atraiu a Si por meio de um projeto de restauração, de prosperidade e de paz. Este é o sonho que Deus tem reservado para cada um de nós. Sim, ainda hoje este projeto também está à nossa disposição para podermos empregar os dons de Deus em benefício dos outros – eis o resumo de todo o nosso dever e obrigação no exercício deste amor, posto que Cristo deu Sua vida por nós, por meio deste grande e gracioso gesto. Assim, também, ao alcançarmos algo da grandeza deste amor de Deus, a nós é imposto, igualmente, estarmos prontos a dar nossa vida pelos outros, assim, de pronto auxílio, por meio de nossas obras, tendo em vista a nossa fé. Como crentes cristãos, somos este povo que também navega nesta estrada da esperança, nesta via de duas mãos, na certeza desta nossa salvação, se temermos a este único SENHOR, não por medo, posto que Ele não é um deus de terror nem um deus enganador, que nos promete bem-estares, tranquilidades e paz, e não cumpre, ou que toma de volta, depois, traindo-nos com a Sua própria Palavra; escravizando-nos, humilhando-nos e destruindo todos os nossos sonhos, mesmo nós depositando nele toda a nossa confiança. Nada disso. O SENHOR nosso Deus não é um deus de balelas nem de oba-oba à moda dos homens e dos seus ídolos. Tampouco o Seu projeto de amor se assemelhe à cantilena dos homens, permeada de um sentimento fugaz, de segundas intenções, de emoções baratas, e efêmeras, chamuscada por declarações de afeto superficiais manifestadas apenas com os lábios, mas bem longe do coração. Sem nenhuma sinceridade. Também este amor não pode ser reduzido a meras expressões externas, ensaiadas, cheias de vãs e enfadonhas repetições, esboroando num vazio sem fim e sem nenhum efeito que possa nos edificar ou nos tonificar contra as hostes do inimigo. Só pode mesmo agradar o coração dAquele que nos chamou a aderirmos a um projeto de salvação que nos foi revelado na Pessoa do Seu único Filho, e nosso Senhor Jesus Cristo, com vistas à nossa plena felicidade, posto que prova de amor não há se não doarmos nossa vida à nosso irmão. E este amor é combinado com a nossa fé na unidade de Deus, que nos cobra obediência a Suas leis, não por medo, mas por amor, como diz o salmista. “Amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. Por isso, estimo todos os Teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda.” E mais ainda: “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos, e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos”. É isso, este amor de Deus nos faz andar por veredas retas e verdadeiras, longe das hipocrisias deste mundo, como um tesouro que devemos guardar lá dentro do fundo do nosso coração e comprometermo-nos com ele com toda a nossa alma e com todas as nossas forças, assim como também devemos fazer com que as nossas gerações futuras, nossos filhos, e os filhos dos nossos filhos possam igualmente amar a este mesmo Deus como o seu único Senhor, amando-O, obedecendo-Lhe, e dedicando-se inteiramente a Ele como seu único Salvador. Não é a toa que este amor mútuo, que pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente a comunicar-Se, posto que Ele é absolutamente bom, também aparece como a relação humana ideal, longe de ser uma utopia sentimental, posto que deve produzir ajuda prática a quem dela necessitar. Assim, o Senhor Jesus coloca-nos na dinâmica desta “lei régia”, deste grande mandamento, unindo duas escrituras para resumir o nosso dever como homens, nunca dantes interligadas desta maneira. Primeiro, o nosso amor para com Deus, depois, para com o próximo, amando este como a nós mesmos, num mundo onde muitos de nós dizemos que amamos a Deus, mas que desprezamos os demais, principalmente os mais necessitados, dentre tantos outros excluídos por outros quaisquer motivos. Também está escrito que se dissermos que amamos a Deus e odiarmos a nosso próximo, somos mentirosos, “pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a Quem não viu?” Por Sua vez, o Senhor Jesus também põe fim a qualquer discriminação ao declarar que o nosso próximo é qualquer pessoa, até mesmo o nosso inimigo; aquele que praticou o mal contra nós. Daí, só mesmo o amor consegue nos aproximar de Deus e dos homens. O amor cristão, fraternal, bem entendido, que tem sua nascente em Deus e se expande a todos os homens. Não as nossas enfadonhas cantilenas ou despropósitos.
REFLEXÃO DE HOJE
“Aproximando-se dEle [de Jesus] um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhes: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba Lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dEle; e que amá-lO de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-Lhe mais nada.” – Marcos 12:28-34
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:121-128; Deuteronômio 6:1-9
2Tessalonicenses 2:13-3:5; Marcos 12:28-34
NOTAS
[1] João 3:16; 15:12,13,17; 16:27; Romanos 5:8; 1João 3:1; Salmo 36:5-10; 145:9,15,
16; 104:21; Mateus 5:44,45; 6:26; 1Coríntios 1:18,25; Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9; 1Pedro 1:17; Tiago 4:1,2
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
[2] Provérbios 10:12; 1Pedro 4:8; Salmo 32:1,2; Romanos 4:7,8; Mateus 18:21,22; Tiago 5:20; 1Coríntios 13:4-7; 1João 3:10-15,18,23; Romanos 13:8
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1500, 1509, 1512
[3] 1Coríntios 13:1-13; 1Pedro 4:7-11; Jeremias 31:3; Deuteronômio 6:1-9; Salmo 119:127,128; 19:7-10; Mateus 22:37; Tiago 2:8; Levítico 19:18; 1João 4:20; Mateus 5:43-48
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 456, 457, 459-465
DRUMMOND, R. J. e MORRIS, Leon. As Epístolas de João, 1João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1434, 1435. Reimpressão
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 235. Reimpressão
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. por João Bentes. Editor org. J. D. Douglas. (editor em português R. P. Shedd). vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1963,1990. p. 71. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1015. Reimpressão
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
LÂMPADA PARA NOSSOS PÉS
“Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte" – Salmo 13:3
SABE-SE LÁ se hoje ainda se diz nos meios daqueles que se consideram engajados intelectualmente, ou coisa parecida, que toda unanimidade é burra. Conceito este que se apregoava, até pouco tempo e de certa forma até imprudentemente, para não dizer de conteúdo preconceituoso, talvez por se distanciar dos demais, ou seja, daqueles que, segundo eles, sejam tachados de plebe, ou de maioria indouta, isto é, a maioria dos detentores de um mesmo pensamento ou sentimento comum sobre determinada prática ou conceito. Tais idéias podem ainda estar tão predominantes em distintas camadas políticas, econômicas ou sociais, dentre outras, assim como também nos mais diversificados segmentos religiosos, incluindo aí até mesmo uma acirrada militância destes tais ditos intelectuais que se enclausuram em suas castas. Mas será que tudo isso ainda faz sentido? E quando se trata de um rápido questionamento sobre os caminhos da fé? Mais ainda de uma fé genuinamente cristã, obviamente, mesmo diante de tanta pregação estranha que se ouve por aí? Como é que ficamos perante tais considerações e atitudes às vezes tão polêmicas, para não dizer contraditórias, ou mesmo catastróficas, se comparadas às vistas da própria Bíblia, em que muitos de nós agimos, assim, como se diz, de pronto, tão de perto, e de peito aberto, sem pejo algum, como verdadeiros cegos, tateando no escuro, sem sabermos a quem recorrer ou em quem acertar em busca até mesmo de uma pequena luz que possa nos direcionar melhor o final de todo este túnel? Quem é que pode nos fazer vislumbrar o brilho das estrelas lá tão alto, as riquezas de uma mensagem puramente cristalina, mesmo estando nós no fundo de um poço tão escuro e profundo que parece não ter fim; que parece tão distante daquela verdadeira luz, sem miragem nenhuma em nossa frente? Em meio a estes conceitos todos, talvez em busca de uma outra unanimidade que já virou modismo, vivemos de miragens, posto que fingimo-nos de mortos como naquelas brincadeiras de criança em que, a um toque ou sinal, elas se autocongelam, e ficam paradas, imóveis, até quando alguém que está dirigindo a brincadeira ordena que se movam, e tudo se inicia novamente e, assim, tudo recomeça repetida e sucessivamente. Mas quem é que está neste nosso comando? Quem é que nos faz mover? Quem é que pode nos descongelar deste marasmo todo, de tantas idéias malucas, inclusive no campo espiritual, deste ciclo vicioso permeado de tanto misticismo ou fanatismo estufado de uma exótica e falsa piedade? Quem é que pode nos livrar da nossa cegueira? Quem é que pode nos levar para bem longe desta letargia, destas emoções baratas – as emoções terrenas, as ilusões deste tão fascinante mundo? Quem é que pode nos trazer de volta para aquilo que fomos realmente chamados, para as nossas legítimas responsabilidades, como homens e mulheres empreendedores de um mundo novo, de novos conceitos, com vistas àquele antigo contexto referente à nossa realidade desta e da outra vida, bem longe desta escuridão das nossas almas, sem deixar de lado todos os nossos sonhos? Sim, porque Deus tem um sonho para cada um de nós que é o sonho dEle de nos trazer de volta para uma vida da graça em abundância, ou seja, para uma vida de plena paz e de comunhão com Ele, graças Àquele que nos ensinou a obedecer e adorar ao Pai em espírito e em verdade, que nos dias de Sua vida terrena, embora sendo Filho, e enquanto homem, humilhou-Se, sofreu, submeteu-Se às nossas enfermidades e fraquezas, passou pelas angústias da cruz, assim como pela experiência da dor e da tentação, tudo isso por amor a cada um de nós, mas que também aprendeu a obediência, venceu a morte, e foi consagrado Sacerdote para a nossa salvação.
Até quando vamo-nos permitir, assim, às cegas, e tão aleatoriamente, que nos comandem sem nenhum prumo quanto ao que possa mudar de uma vez por todas o nosso rumo, inclusive com melhor e mais qualidade de vida, não somente natural, mas também espiritual? Ou será que não mais acreditamos que Deus pode mesmo transformar vidas? Muitos vivem por aí às multidões, perambulando por este mundo afora, escravizados por uma fantasia sem tamanho, sofrendo e fazendo com que os outros também sofram, muitas vezes sacrificando vidas, por prazer e por pura maldade, iludidos por sonhos e promessas vãs, por idéias excêntricas e egoísticas. Até quando? As coisas deste mundo não nos levam a nada, porque são passageiras, e até grotescas. Para que servem todas elas, se depois de tudo, de esbanjarmos tanta mediocridade, ainda chegarmos a perder a nossa própria alma? Ou será que vivemos neste mundo trocando seis por meia dúzia? “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” Neste exato momento, onde está o meu oração? Onde está o meu tesouro? É de boa qualidade? Quais são as suas qualificações? Quanto e até quando vale? Somos qualificados para a caça a este tesouro? A Palavra de Deus nos aconselha a não errarmos o alvo porque toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das Luzes, em Quem não há mudança nem sombra de dúvidas ou variação, já que devemos pensar nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra. Apesar de expressar a sua angústia pelo grande peso do seu chamado profético, ou seja, do seu ministério, e apesar das respostas de suas orações e encorajamento da parte do SENHOR, o profeta Jeremias é famoso por suas profecias de infortúnios. Porém, numa certa parte da sua profecia, ele teve também que anunciar que o tempo de arrependimento já havia passado para os israelitas, e que o julgamento de Deus já estava decidido contra este povo rebelde. Assim, ele faz previsões de alegria, e conclama que Deus está prestes a realizar um grande e tão almejado sonho: trará de volta para a sua pátria aqueles israelitas que tinham sido conduzidos para Nínive pelos soldados assírios há cerca de cem anos. Assim, quando, surpreendentemente, Deus promete trazer de volta do cativeiro o Seu povo, lamentos, dores e sofrimentos transformaram-se em júbilo em meio àquela multidão em que se incluíam cegos e aleijados, mulheres grávidas e mulheres que deram à luz, dentre tantas outras pessoas. Este era o perfil daquele séqüito que estava voltando à sua terra, e com seus choros e súplicas, o SENHOR estava levantando-os,levando-os e guiando-os aos ribeiros de águas por caminho direito no qual não tropeçariam, proclama o profeta, convidando este povo a louvar, cantando com alegria, a este Senhor que não abandona ninguém, mesmo se tivermos que nos responsabilizar por nossos próprios atos, se tivermos que pagar um alto preço pelos nossos próprios deslizes. Se lutarmos e se pedirmos, sem nenhum tipo de desânimo, seremos atendidos. Com justiça, o Espírito de Deus opera em cada um de nós e nos faz refletir sobre nossos próprios erros, dando-nos a chance de podermos voltar sãos e salvos do cativeiro em que nos chafurdamos sabe-se lá por que e quando, posto que Deus não é como nós, que só nos interessamos pelos mais fortes, pelos mais saudáveis, pelos mais bonitos, segundo o nosso ponto de vista, e desprezamos os mais fracos, os cegos, os coxos, os viciados em quaisquer drogas que alucinam este mundo, ofuscando de todos a verdadeira luz. Como aquela multidão que foi resgatada de seu exílio e trazida com grande alegria para sua terra ante a fartura do seu país, hoje, também nós devemos desfrutar deste regresso aos braços de um Deus que salva todos os coxos e cegos espiritualmente, aqueles que necessitam de salvação, e pedem com suas próprias palavras, não importa se com choros ou lágrimas outras. Aqueles que clamam o nome do Senhor com objetividade, com verdadeiro arrependimento e sentimento de fé no seu coração são atendidos por um Pai que por meio da obediência e méritos do Seu Filho traz-nos de volta a um ambiente de festa e fartura de bênçãos num Reino que não tem fim e que só nos faz bem, consequentemente, posto que nos céus sempre há uma grande alegria pelo pecador que se arrepende, e esta alegria chega até diante dos anjos de Deus.
Mas, por que será que quando se fala destas bênçãos, a maioria das pessoas torce o nariz, e muitas delas até mudam de assunto ou saem correndo? Sabe-se lá!... O que se deduz é que o inimigo é muito astuto. Por meio desta astúcia, e utilizando-se das nossas fraquezas, assim como da nossa arrogância e desobediência, o mal entrou no mundo, e este inimigo ainda age no meio de nós, priorizando, assim, a corrupção geral do gênero humano. Desde então, vivemos, igualmente, carregando as marcas desta herança adâmica como se fôssemos equilibristas sobre um fio de navalha, como cegos e coxos exilados espiritualmente, debaixo das sanhas da escravidão dos nossos próprios pecados, se não formos alcançados pelos rumos da salvação nesta nossa longa viagem de volta às exigências da Palavra de Deus revelada nas Escrituras, já que depois desta nossa queda estamos inteiramente debilitados e impossibilitados de levantar-nos por nossas próprias mãos. Necessitamos, então, de um socorro. E de onde vem o nosso socorro? Nos dizeres do salmista, o nosso socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra, já que Deus é o guarda fiel do Seu povo, o nosso protetor e libertador contra qualquer possibilidade de perigo em nossa volta. Segundo os comentaristas, esta presença de Deus é como uma sombra a proteger-nos do calor do sol, e dos raios da lua. A salvaguarda de todo perigo exterior em que qualquer possibilidade de ameaça é contrabalançada pela confiança ilimitada e indubitável no poder e na vigilância do SENHOR, que é o nosso eterno e constante ajudador. A Bíblia diz que em Deus faremos proezas porque Ele é que pisará os nossos inimigos. Em seus lamentos expressados nos momentos de aflição quando o inimigo tentava erguer-se contra ele, seja nas guerras, na doença ou mesmo se estivesse prestes a morrer, diante desta sua extrema tristeza, Davi sempre recorria a Deus, confiantemente: ”Mas eu confio na Tua benignidade; na Tua salvação se alegrará o meu coração. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem”, orava com fé. O próprio Senhor Jesus, enquanto homem, ou seja, nos dias de Sua carne, quando dos tempos de Sua vida terrena, mesmo isento de qualquer infecção do pecado, também não possuía um espírito férreo, nos dizeres de Calvino. Ele mesmo buscou um meio de escape para livrar-Se do mal, “oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas Ao Que O podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho (...)”, dando, assim, testemunho da suprema angústia de Seu espírito e, segundo o escritor da carta aos hebreus, expressando a intensidade de Sua tristeza. Assim como os salmistas louvaram a Deus porque Ele ouvia os seus gritos de socorro, assim também os clamores do Senhor Jesus, pedindo pelo livramento da morte, do mesmo modo, foram respondidos, segundo os especialistas, não através de um livramento do horror da cruz, mas através de Sua ressurreição dentre os mortos. Daí, Calvino indicar que o tempo de nossas misérias humanas é limitado; existe um ponto final para o nosso sofrimento, posto que ainda quando somos oprimidos por adversidades, não somos excluídos do rol dos filhos de Deus, ao vermos que adiante de nós vai Aquele que, por natureza, é Seu único Filho. O comentarista ainda ressalta que este fato de sermos contados no número dos filhos de Deus só se dá em virtude da graça de nossa adoção porquanto o Único que possui o direito de reivindicar tal honra nos admite em Sua comunhão. Esta é a nossa segurança, posto que sempre que formos perseguidos, torturados e oprimidos por nossos males, devemos voltar as nossas mentes para o Filho de Deus que suportou o mesmo fardo. É Cristo que marcha diante de nós, não nos dando motivos para qualquer desespero. Também devemos estar atentos para não buscarmos salvação nestes nossos tempos de angústia em nenhum outro senão unicamente em Deus. Os exemplos do próprio Senhor Jesus são os nossos melhores guias para as nossas orações, já que, em nossos momentos de lágrimas e clamores, recomendam-se fervor e sinceridade nas nossas orações. Foi o que fez o cego Bartimeu que gritava desesperadamente para que o Filho de Davi tivesse misericórdia dele, quando Jesus saía de Jericó com Seus discípulos e uma grande multidão a caminho de Jerusalém para doar a Sua vida por amor e que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Diante de tanta insistência, e mesmo sendo repreendido para que se calasse, o cego de Jericó clamava cada vez mais, até que Jesus, parando, pediu para que o chamassem. Assim, Bartimeu lançou fora a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus que lhe perguntou o que queria que lhe fosse feito. O cego disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. A Bíblia diz que o cego logo começou a enxergar, e seguiu a Jesus pelo caminho. Quanta lição de vida devemos aprender com as revelações da Palavra de Deus em nossa vida, qual neste rico episódio, se analisarmos pormenorizadamente tudo o que foi dito aqui! A começar que Deus sempre ouve as nossas orações, mesmo quando não nos pareça, principalmente quando elas forem pronunciadas com resolução, clareza e fé. Que estejamos sempre atentos ao toque do Espírito de Deus, para que tenhamos ânimo sempre, não desistindo nunca das nossas petições, posto que somente Deus por meio do Senhor Jesus Cristo, Seu único Filho, é capaz de parar para nos ouvir e restituir-nos a luz através de um milagre que ilumina os nossos pés para podermos ir em frente pelo caminho que Ele pede para segui-lO daí por diante, e para sempre, posto que a Palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés, e luz para este nosso novo caminho. Mas será que estamos realmente dispostos a deixar para trás toda uma vida de escuridão para seguirmos a Jesus, como aquele cego de Jericó, depois que enxergou a verdadeira luz? Que Deus nos ajude, e ilumine os nossos corações e mentes!
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque todo o sumo sacerdote, tomando dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados; e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados. E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. Assim também Cristo não Se glorificou a Si mesmo, para Se fazer sumo sacerdote, mas Aquele que Lhe disse: Tu és Meu Filho, hoje Te gerei. Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. O Qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas Ao Que O podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo Ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que Lhe obedecem; chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.” – Hebreus 5:1-10
LEITURAS DE HOJE
Salmo 13; Jeremias 31:7-9
Hebreus 5:1-10; Marcos 10:46-52
NOTAS
[1] João 4:23,24; Hebreus 5:7-9; Marcos 14:32-36,39; João 12:27
CALVINO, JOÃO. Comentário à Sagrada Escritura. Exposição de Hebreus. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Paracletos, 1997. 1.ª ed. p. 131
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1468
[2] Marcos 8:36,37; Mateus 16:26; 6:19-21; Tiago 1:16,17; Colossenses 3:2; Jeremias 30-31; 31:7-9; 19:10,11; Lucas 15:4-10,11-32
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 859, 894
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 446-455
CAWLEY, F. Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 765. Reimpressão
[3] Gênesis 3:1-24; 6:5,11; Salmo 14:1-7; 51:5; 53:3; Romanos 3:9-20; Salmo 60:12; 121:1-8; 124:8; 13:5,6; Hebreus 5:7,8a; Mateus 26:39,42,44,53; 27:46; Marcos 14:36,39; Lucas 22:41,44; Salmo 22:1,24; 116:1; João 3:16; Salmo 119:105; Provérbios 22:6
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.509, 510, 608. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 707, 708
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1011. Reimpressão
CALVINO, JOÃO. Comentário à Sagrada Escritura. Exposição de Hebreus. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Paracletos, 1997. 1.ª ed. p. 126, 132-134
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1357, 1358. Reimpressão
SABE-SE LÁ se hoje ainda se diz nos meios daqueles que se consideram engajados intelectualmente, ou coisa parecida, que toda unanimidade é burra. Conceito este que se apregoava, até pouco tempo e de certa forma até imprudentemente, para não dizer de conteúdo preconceituoso, talvez por se distanciar dos demais, ou seja, daqueles que, segundo eles, sejam tachados de plebe, ou de maioria indouta, isto é, a maioria dos detentores de um mesmo pensamento ou sentimento comum sobre determinada prática ou conceito. Tais idéias podem ainda estar tão predominantes em distintas camadas políticas, econômicas ou sociais, dentre outras, assim como também nos mais diversificados segmentos religiosos, incluindo aí até mesmo uma acirrada militância destes tais ditos intelectuais que se enclausuram em suas castas. Mas será que tudo isso ainda faz sentido? E quando se trata de um rápido questionamento sobre os caminhos da fé? Mais ainda de uma fé genuinamente cristã, obviamente, mesmo diante de tanta pregação estranha que se ouve por aí? Como é que ficamos perante tais considerações e atitudes às vezes tão polêmicas, para não dizer contraditórias, ou mesmo catastróficas, se comparadas às vistas da própria Bíblia, em que muitos de nós agimos, assim, como se diz, de pronto, tão de perto, e de peito aberto, sem pejo algum, como verdadeiros cegos, tateando no escuro, sem sabermos a quem recorrer ou em quem acertar em busca até mesmo de uma pequena luz que possa nos direcionar melhor o final de todo este túnel? Quem é que pode nos fazer vislumbrar o brilho das estrelas lá tão alto, as riquezas de uma mensagem puramente cristalina, mesmo estando nós no fundo de um poço tão escuro e profundo que parece não ter fim; que parece tão distante daquela verdadeira luz, sem miragem nenhuma em nossa frente? Em meio a estes conceitos todos, talvez em busca de uma outra unanimidade que já virou modismo, vivemos de miragens, posto que fingimo-nos de mortos como naquelas brincadeiras de criança em que, a um toque ou sinal, elas se autocongelam, e ficam paradas, imóveis, até quando alguém que está dirigindo a brincadeira ordena que se movam, e tudo se inicia novamente e, assim, tudo recomeça repetida e sucessivamente. Mas quem é que está neste nosso comando? Quem é que nos faz mover? Quem é que pode nos descongelar deste marasmo todo, de tantas idéias malucas, inclusive no campo espiritual, deste ciclo vicioso permeado de tanto misticismo ou fanatismo estufado de uma exótica e falsa piedade? Quem é que pode nos livrar da nossa cegueira? Quem é que pode nos levar para bem longe desta letargia, destas emoções baratas – as emoções terrenas, as ilusões deste tão fascinante mundo? Quem é que pode nos trazer de volta para aquilo que fomos realmente chamados, para as nossas legítimas responsabilidades, como homens e mulheres empreendedores de um mundo novo, de novos conceitos, com vistas àquele antigo contexto referente à nossa realidade desta e da outra vida, bem longe desta escuridão das nossas almas, sem deixar de lado todos os nossos sonhos? Sim, porque Deus tem um sonho para cada um de nós que é o sonho dEle de nos trazer de volta para uma vida da graça em abundância, ou seja, para uma vida de plena paz e de comunhão com Ele, graças Àquele que nos ensinou a obedecer e adorar ao Pai em espírito e em verdade, que nos dias de Sua vida terrena, embora sendo Filho, e enquanto homem, humilhou-Se, sofreu, submeteu-Se às nossas enfermidades e fraquezas, passou pelas angústias da cruz, assim como pela experiência da dor e da tentação, tudo isso por amor a cada um de nós, mas que também aprendeu a obediência, venceu a morte, e foi consagrado Sacerdote para a nossa salvação.
Até quando vamo-nos permitir, assim, às cegas, e tão aleatoriamente, que nos comandem sem nenhum prumo quanto ao que possa mudar de uma vez por todas o nosso rumo, inclusive com melhor e mais qualidade de vida, não somente natural, mas também espiritual? Ou será que não mais acreditamos que Deus pode mesmo transformar vidas? Muitos vivem por aí às multidões, perambulando por este mundo afora, escravizados por uma fantasia sem tamanho, sofrendo e fazendo com que os outros também sofram, muitas vezes sacrificando vidas, por prazer e por pura maldade, iludidos por sonhos e promessas vãs, por idéias excêntricas e egoísticas. Até quando? As coisas deste mundo não nos levam a nada, porque são passageiras, e até grotescas. Para que servem todas elas, se depois de tudo, de esbanjarmos tanta mediocridade, ainda chegarmos a perder a nossa própria alma? Ou será que vivemos neste mundo trocando seis por meia dúzia? “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” Neste exato momento, onde está o meu oração? Onde está o meu tesouro? É de boa qualidade? Quais são as suas qualificações? Quanto e até quando vale? Somos qualificados para a caça a este tesouro? A Palavra de Deus nos aconselha a não errarmos o alvo porque toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das Luzes, em Quem não há mudança nem sombra de dúvidas ou variação, já que devemos pensar nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra. Apesar de expressar a sua angústia pelo grande peso do seu chamado profético, ou seja, do seu ministério, e apesar das respostas de suas orações e encorajamento da parte do SENHOR, o profeta Jeremias é famoso por suas profecias de infortúnios. Porém, numa certa parte da sua profecia, ele teve também que anunciar que o tempo de arrependimento já havia passado para os israelitas, e que o julgamento de Deus já estava decidido contra este povo rebelde. Assim, ele faz previsões de alegria, e conclama que Deus está prestes a realizar um grande e tão almejado sonho: trará de volta para a sua pátria aqueles israelitas que tinham sido conduzidos para Nínive pelos soldados assírios há cerca de cem anos. Assim, quando, surpreendentemente, Deus promete trazer de volta do cativeiro o Seu povo, lamentos, dores e sofrimentos transformaram-se em júbilo em meio àquela multidão em que se incluíam cegos e aleijados, mulheres grávidas e mulheres que deram à luz, dentre tantas outras pessoas. Este era o perfil daquele séqüito que estava voltando à sua terra, e com seus choros e súplicas, o SENHOR estava levantando-os,levando-os e guiando-os aos ribeiros de águas por caminho direito no qual não tropeçariam, proclama o profeta, convidando este povo a louvar, cantando com alegria, a este Senhor que não abandona ninguém, mesmo se tivermos que nos responsabilizar por nossos próprios atos, se tivermos que pagar um alto preço pelos nossos próprios deslizes. Se lutarmos e se pedirmos, sem nenhum tipo de desânimo, seremos atendidos. Com justiça, o Espírito de Deus opera em cada um de nós e nos faz refletir sobre nossos próprios erros, dando-nos a chance de podermos voltar sãos e salvos do cativeiro em que nos chafurdamos sabe-se lá por que e quando, posto que Deus não é como nós, que só nos interessamos pelos mais fortes, pelos mais saudáveis, pelos mais bonitos, segundo o nosso ponto de vista, e desprezamos os mais fracos, os cegos, os coxos, os viciados em quaisquer drogas que alucinam este mundo, ofuscando de todos a verdadeira luz. Como aquela multidão que foi resgatada de seu exílio e trazida com grande alegria para sua terra ante a fartura do seu país, hoje, também nós devemos desfrutar deste regresso aos braços de um Deus que salva todos os coxos e cegos espiritualmente, aqueles que necessitam de salvação, e pedem com suas próprias palavras, não importa se com choros ou lágrimas outras. Aqueles que clamam o nome do Senhor com objetividade, com verdadeiro arrependimento e sentimento de fé no seu coração são atendidos por um Pai que por meio da obediência e méritos do Seu Filho traz-nos de volta a um ambiente de festa e fartura de bênçãos num Reino que não tem fim e que só nos faz bem, consequentemente, posto que nos céus sempre há uma grande alegria pelo pecador que se arrepende, e esta alegria chega até diante dos anjos de Deus.
Mas, por que será que quando se fala destas bênçãos, a maioria das pessoas torce o nariz, e muitas delas até mudam de assunto ou saem correndo? Sabe-se lá!... O que se deduz é que o inimigo é muito astuto. Por meio desta astúcia, e utilizando-se das nossas fraquezas, assim como da nossa arrogância e desobediência, o mal entrou no mundo, e este inimigo ainda age no meio de nós, priorizando, assim, a corrupção geral do gênero humano. Desde então, vivemos, igualmente, carregando as marcas desta herança adâmica como se fôssemos equilibristas sobre um fio de navalha, como cegos e coxos exilados espiritualmente, debaixo das sanhas da escravidão dos nossos próprios pecados, se não formos alcançados pelos rumos da salvação nesta nossa longa viagem de volta às exigências da Palavra de Deus revelada nas Escrituras, já que depois desta nossa queda estamos inteiramente debilitados e impossibilitados de levantar-nos por nossas próprias mãos. Necessitamos, então, de um socorro. E de onde vem o nosso socorro? Nos dizeres do salmista, o nosso socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra, já que Deus é o guarda fiel do Seu povo, o nosso protetor e libertador contra qualquer possibilidade de perigo em nossa volta. Segundo os comentaristas, esta presença de Deus é como uma sombra a proteger-nos do calor do sol, e dos raios da lua. A salvaguarda de todo perigo exterior em que qualquer possibilidade de ameaça é contrabalançada pela confiança ilimitada e indubitável no poder e na vigilância do SENHOR, que é o nosso eterno e constante ajudador. A Bíblia diz que em Deus faremos proezas porque Ele é que pisará os nossos inimigos. Em seus lamentos expressados nos momentos de aflição quando o inimigo tentava erguer-se contra ele, seja nas guerras, na doença ou mesmo se estivesse prestes a morrer, diante desta sua extrema tristeza, Davi sempre recorria a Deus, confiantemente: ”Mas eu confio na Tua benignidade; na Tua salvação se alegrará o meu coração. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem”, orava com fé. O próprio Senhor Jesus, enquanto homem, ou seja, nos dias de Sua carne, quando dos tempos de Sua vida terrena, mesmo isento de qualquer infecção do pecado, também não possuía um espírito férreo, nos dizeres de Calvino. Ele mesmo buscou um meio de escape para livrar-Se do mal, “oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas Ao Que O podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho (...)”, dando, assim, testemunho da suprema angústia de Seu espírito e, segundo o escritor da carta aos hebreus, expressando a intensidade de Sua tristeza. Assim como os salmistas louvaram a Deus porque Ele ouvia os seus gritos de socorro, assim também os clamores do Senhor Jesus, pedindo pelo livramento da morte, do mesmo modo, foram respondidos, segundo os especialistas, não através de um livramento do horror da cruz, mas através de Sua ressurreição dentre os mortos. Daí, Calvino indicar que o tempo de nossas misérias humanas é limitado; existe um ponto final para o nosso sofrimento, posto que ainda quando somos oprimidos por adversidades, não somos excluídos do rol dos filhos de Deus, ao vermos que adiante de nós vai Aquele que, por natureza, é Seu único Filho. O comentarista ainda ressalta que este fato de sermos contados no número dos filhos de Deus só se dá em virtude da graça de nossa adoção porquanto o Único que possui o direito de reivindicar tal honra nos admite em Sua comunhão. Esta é a nossa segurança, posto que sempre que formos perseguidos, torturados e oprimidos por nossos males, devemos voltar as nossas mentes para o Filho de Deus que suportou o mesmo fardo. É Cristo que marcha diante de nós, não nos dando motivos para qualquer desespero. Também devemos estar atentos para não buscarmos salvação nestes nossos tempos de angústia em nenhum outro senão unicamente em Deus. Os exemplos do próprio Senhor Jesus são os nossos melhores guias para as nossas orações, já que, em nossos momentos de lágrimas e clamores, recomendam-se fervor e sinceridade nas nossas orações. Foi o que fez o cego Bartimeu que gritava desesperadamente para que o Filho de Davi tivesse misericórdia dele, quando Jesus saía de Jericó com Seus discípulos e uma grande multidão a caminho de Jerusalém para doar a Sua vida por amor e que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Diante de tanta insistência, e mesmo sendo repreendido para que se calasse, o cego de Jericó clamava cada vez mais, até que Jesus, parando, pediu para que o chamassem. Assim, Bartimeu lançou fora a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus que lhe perguntou o que queria que lhe fosse feito. O cego disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. A Bíblia diz que o cego logo começou a enxergar, e seguiu a Jesus pelo caminho. Quanta lição de vida devemos aprender com as revelações da Palavra de Deus em nossa vida, qual neste rico episódio, se analisarmos pormenorizadamente tudo o que foi dito aqui! A começar que Deus sempre ouve as nossas orações, mesmo quando não nos pareça, principalmente quando elas forem pronunciadas com resolução, clareza e fé. Que estejamos sempre atentos ao toque do Espírito de Deus, para que tenhamos ânimo sempre, não desistindo nunca das nossas petições, posto que somente Deus por meio do Senhor Jesus Cristo, Seu único Filho, é capaz de parar para nos ouvir e restituir-nos a luz através de um milagre que ilumina os nossos pés para podermos ir em frente pelo caminho que Ele pede para segui-lO daí por diante, e para sempre, posto que a Palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés, e luz para este nosso novo caminho. Mas será que estamos realmente dispostos a deixar para trás toda uma vida de escuridão para seguirmos a Jesus, como aquele cego de Jericó, depois que enxergou a verdadeira luz? Que Deus nos ajude, e ilumine os nossos corações e mentes!
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque todo o sumo sacerdote, tomando dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados; e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados. E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. Assim também Cristo não Se glorificou a Si mesmo, para Se fazer sumo sacerdote, mas Aquele que Lhe disse: Tu és Meu Filho, hoje Te gerei. Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. O Qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas Ao Que O podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo Ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que Lhe obedecem; chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.” – Hebreus 5:1-10
LEITURAS DE HOJE
Salmo 13; Jeremias 31:7-9
Hebreus 5:1-10; Marcos 10:46-52
NOTAS
[1] João 4:23,24; Hebreus 5:7-9; Marcos 14:32-36,39; João 12:27
CALVINO, JOÃO. Comentário à Sagrada Escritura. Exposição de Hebreus. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Paracletos, 1997. 1.ª ed. p. 131
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1468
[2] Marcos 8:36,37; Mateus 16:26; 6:19-21; Tiago 1:16,17; Colossenses 3:2; Jeremias 30-31; 31:7-9; 19:10,11; Lucas 15:4-10,11-32
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 859, 894
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 446-455
CAWLEY, F. Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 765. Reimpressão
[3] Gênesis 3:1-24; 6:5,11; Salmo 14:1-7; 51:5; 53:3; Romanos 3:9-20; Salmo 60:12; 121:1-8; 124:8; 13:5,6; Hebreus 5:7,8a; Mateus 26:39,42,44,53; 27:46; Marcos 14:36,39; Lucas 22:41,44; Salmo 22:1,24; 116:1; João 3:16; Salmo 119:105; Provérbios 22:6
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.509, 510, 608. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 707, 708
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1011. Reimpressão
CALVINO, JOÃO. Comentário à Sagrada Escritura. Exposição de Hebreus. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Paracletos, 1997. 1.ª ed. p. 126, 132-134
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1357, 1358. Reimpressão
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
SERVIR, E SER SERVIDO
“Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos” – Marcos 10:45
QUANTAS VEZES já nos deparamos com pessoas aparentemente simples, mas com dons especiais, ou mesmo com lideranças das mais exemplares, personalidades de destaque na Igreja, pessoas das mais participativas, disponíveis para qualquer serviço, que se envolvem ativamente em quaisquer atividades entre os irmãos, e que se dispõem a fazer tudo, inclusive sozinhas, às vezes até dispensando ajudas, mas que, no final das contas, percebemos que muitas destas pessoas querem mesmo é aparecer dentre os demais, impondo-se sobre estes, apenas com o objetivo de solidificarem a sua própria supremacia e controle, além de outras estranhas intenções, causando mal-estares, descontentamentos, e prejudicando o grande bem que poderiam estar fazendo a quem realmente necessite destes seus préstimos que deveriam ser praticados espontaneamente! Quantas vezes já descobrimos, vimos, ouvimos ou lemos por meio das mais diversas mídias, ilícitos cometidos por personalidades das mais variadas graduações sociais, públicas ou privadas, e até mesmo religiosas, perpetrados apenas com um único intuito: angariar mais e mais poder, fama, riquezas, prazer, ou até encantos para si próprios, apenas e tão somente, e a qualquer preço! Lógico que, depois, estas práticas são costumeiramente negadas, contestadas e desmentidas pelas próprias fontes ou personagens envolvidas ou por aqueles que tomaram como base os próprios fatos para se defenderem ou pagarem seus defensores, recorrendo até aos famigerados recursos, de acordo com a dimensão da cara de pau de cada um dos possíveis arrolados, para não dizer do montante da sua conta bancária. E o que é pior ainda: em geral, posam de ilibados líderes absolutos ao longo da história, sempre vitoriosos, como se nunca tivessem cometido nada demais; como os reis da cocada, dos abacaxis e marmeladas. É a tal inversão de valores, e isso escorrega por todos os poros vivos dos escalões da nossa sociedade, em maior ou menor escala, conforme o perímetro de cada uma de suas células. E esta escalada até vira piada! Curioso hábito que temos de rirmos de nós mesmos, dos nossos próprios erros, da nossa própria desgraça, e que não leva a nada. Não é absurdo tudo isso? Mas quem se aventura a mexer ou remexer nestes contextos todos, nesta fedentina toda, e mudar tais conceitos e comportamentos arraigados há séculos? Ah, coitado, será eliminado da face da terra, literalmente! É a escalada dos tais, dos podres poderes. E os outros, os pobres coitados, os ditos bem intencionados? Que se danem! E os acordos ou conchavos de bastidores, e até mesmo a pressão ou influência dos lobistas? Tudo faz parte do jogo, justificam. E os que não podem arcar com seus próprios defensores, contratar seus próprios marqueteiros? Que se explodem! – lá, intimamente, na versão deles, que se acham os mais espertos deste mundo onde os outros são tidos como otários; que nos fazem viver de mentiras, na grande ilusão desta vida sem sentido, por conta de um desrespeito generalizado, da exclusão ou invisibilidade dos demais, dos mais humildes, dos mais fracos e oprimidos, dos que não têm acesso à informação ou à sua própria defesa; dos próprios excluídos, propriamente ditos. Mas, na verdade, quem é que é o próprio otário? Quem é que sempre insiste em posar isoladamente, e de corpo inteiro, como o tal neste mundo de loucuras mil? Quem é que vive no decorrer destes dias afetadamente em eterno êxtase? Quem não conhece a infeliz expressão: “Você sabe com quem está falando?” Ou, ainda: “Alto lá, eu sou amigo, compadre, apadrinhado – ou sabe-se lá o que mais nestas baboseiras todas – do Dr. Fulano, que é amigo do Dr. Sicrano ...” E por aí vai, diante de tamanha prepotência como se certas posições sociais lhes dessem poder de deuses. Como já dizia certo âncora de um antigo noticiário de televisão ante casos parecidos e veiculados por estas bandas: “Isso é uma vergonha!” É isso mesmo, é uma vergonha para quem preza a honestidade, a humildade, a ética, a sinceridade, a moral, o respeito e, principalmente, o temor a Deus. Ao Deus vivo e verdadeiro, bem entendido. Estes são até ironizados, achincalhados acintosamente, como animais em extinção, espécime rara de uma geração que tomou corpo depois que o pecado entrou no mundo.
Regra de fé e prática para os crentes cristãos e fonte inesgotável de ensinamento em que até os que não professam esta mesma fé dela se utilizam, seguindo outras e particulares intenções, a Bíblia, como a revelação da própria Palavra de Deus, e inspirada por Ele, nos alerta que o temor do SENHOR é o princípio do conhecimento e os loucos desprezam esta sabedoria e instrução. O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria porque é Ele Quem nos dá esta sabedoria; da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. E mais: Deus reserva a verdadeira sabedoria para os retos. A sabedoria é o escudo para os que caminham na sinceridade. Mas, por ambição, e dominados pelo desejo de poder e autoridade deste mundo, extrapolamos e confundimo-nos, dada a nossa incapacidade de entendermos as coisas do alto, muitas vezes, colocando tudo a perder. No Evangelho de Marcos, a Bíblia narra a história de um ousado e ambicioso pedido dos filhos de Zebedeu, Tiago e João, que, na frente de todos os outros discípulos, fizeram a Jesus uma proposta, no mínimo, indecente, se considerarmos as sérias reflexões anteriores que o Mestre lhes havia anunciado pela terceira vez a respeito de Sua morte e ressurreição, posto que seria insultado, condenado, flagelado e levado à morte. Por sua vez, o Evangelho de Mateus conta que foi a mãe de Tiago e João que tomou a iniciativa, formulando tal pedido com palavras mais amenas. O nome dela era Salomé, e parece que era irmã da mãe do Senhor Jesus. Neste caso, Tiago e João eram primos de Jesus. Considerada pelos especialistas como a primeira intriga eclesiástica para obter posições destacadas na Igreja, originada de uma maquinação da família Zebedeu contra Pedro – o terceiro membro do trio privilegiado –,estes primos do Senhor exigiram dEle os primeiros lugares na Sua glória, com um deles assentando-se à direita e outro à esquerda de Jesus, como se o Reino Messiânico fosse um reino deste mundo, onde se faz o que bem se entende ou por acordos entre as partes segundo as nossas benesses, desconsiderando, assim, o ensino de Jesus sobre grandeza, o que nos leva a crer que eles ainda tinham muito o que mudar em suas atitudes. O mesmo pode acontecer também com cada um de nós ainda hoje nestes nossos tempos tão atribulados pelas ambições de honrarias e privilégios dos primeiros lugares em tudo, e a quaisquer custos, ou pela nossa ignorância a respeito de Quem outorga o tão cobiçado lugar que não é agraciado por nenhum favoritismo pessoal de ninguém, mas “para aqueles a quem está reservado”, e até mesmo nestes nossos tempos de cegueira espiritual, mesmo que nós tenhamos ouvido e lido, discutido e interpretado corriqueiramente os textos que falam sobre o Servo Fiel, desde como Deus avalia a vida deste Servo, até Este próprio Servo Se apresentar, encarnando-Se feito homem, tomando sobre Si os nossos pecados, e nos dando uma tremenda chacoalhada deste nosso sono estranho como fez com os discípulos por meio de Seus reiterados ensinos, sendo Ele mesmo esta encarnação da Sua própria ética e prática desta Sua própria pregação. O Senhor Jesus não foi de nenhum modo condescendente com a postura dos filhos de Zebedeu e da mãe deles, convencendo-lhes que eles nem tinham noção do que estavam pedindo. E, usando de símbolos poéticos do cálice e do batismo tirados dos tempos passados para representar sofrimento e aflição que o Justo deve suportar para o resgate de muitos, o Senhor Jesus procura revelar-lhes o significado da Sua glória e a realização dos desejos deles. Ainda sem entender, eles preferem embalar-se na ilusão, nos dizeres dos especialistas, de que o cálice a ser participado com Jesus seja delicioso; esperam que seja um sinal de participação à Sua vitória e se declaram dispostos a sorvê-lo. O Senhor Jesus respeita a lentidão deles nesta compreensão dos desígnios de Deus, e anuncia-lhes que um dia eles também participarão com Ele destes Seus sofrimentos e morte, tomando do Seu mesmo cálice, e darão a própria vida em razão da fé deles. Somente muitos anos depois é que eles compreenderam e sentiram o significado de tudo isso em suas próprias peles. Até então, Jesus insistia na Sua severidade, sendo até duro com eles, contra qualquer tipo de ambição para que não se pusesse em risco os fundamentos da Sua doutrina. Ao dar-lhes uma ordem taxativa, o Senhor Jesus não quer deixar dúvidas, incertezas ou perplexidades, confirmam os estudiosos, sobre este assunto. “Sabeis que os que são considerados governadores das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos.”
Não parece um paradoxo para os nossos dias tais propostas? Até que ponto estamos preparados para levarmos tudo isso a sério na nossa comunidade, nas nossas lideranças, no nosso dia a dia, principalmente nós que sabemos, lemos, ouvimos e discutimos tais ensinos? Como é que consideramos isso dentro e fora da Igreja? Ou isso também não vale para a nossa prática secular? Devemos não esquecer que o que quebrou os corações de pedra dos discípulos de Jesus foi o exemplo que Ele mesmo dá como líder. Qual tem sido o nosso exemplo com relação a essa quebra de paradigmas em meio aos desafios destes nossos dias? Também devemos não esquecer que Aquele que é conhecido como o Filho do Homem, e que herdará domínio e glória, assim como também o Reino, veio humildemente como servo, conforme anunciado desde os mais remotos tempos, para cumprir o projeto de salvação do SENHOR nosso Deus, e nos dar o exemplo que, apesar das dificuldades deste mundo, nós também podemos vencer todas as tribulações e crescer conforme os exemplos do próprio Senhor. É pela fé que somos salvos, e pela fé seremos alcançados pela Palavra por meio deste mesmo Senhor que foi tentado pelo demônio, mas que Se livrou dele por esta mesma Palavra, ou seja, pela Palavra de Deus. Não podemos esmorecer nunca, se é que queremos nos libertar destas ansiedades e ganância por um poder passageiro, por um poder que já nasceu falido, o poder dos homens quando gerado pelo próprio homem. Este mesmo Jesus passou por todas as dificuldades que nós também temos que passar ou já passamos ou estamos passando. Ele conhece os nossos corações e todas estas nossas dificuldades. Ele sabe como é difícil seguir fielmente a Deus, mas que é possível, se nos apegarmos firmemente, e sem desanimar, a Ele, que não teve nenhum pecado, especialmente quando somos provados pelo sofrimento, já que Ele também passou por tudo isso, e venceu. Somente a Palavra de Deus nos liberta. Somente o Senhor Jesus tem autoridade para entender todas as nossas fraquezas. Sempre é tempo para recorrermos a Ele, e o nosso tempo é hoje, para revermos todos os nossos conceitos, posto que somente a Ele “foi-Lhe dado o domínio, e a honra, e o Reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem; o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o Seu Reino tal, que não será destruído”. Só que este Seu Reino não é deste mundo. Somente a este Senhor é que devemos servir, não a outro, já que os diversos dons e aptidões nos foram dados por Deus, não para provocarmos divisões entre os homens e nações, ou famílias, mas para a nossa melhor comunhão entre todos nós, juntamente com Ele na cabeça, com vistas à harmonia deste Seu Reino, desde já, e aqui neste mundo que, segundo os Seus planos, ser grande é ser servo, o servo de todos; é ser sempre o último, e não o primeiro, para a dignidade de todos, longe das guerras, das confusões todas que tão bem estamos vivenciando nestes nossos tempos em que as pessoas estão digladiando entre si por qualquer banalidade, e se autodestruindo, não somente a si mesmas ou as suas próprias famílias, mas também o seu próprio ambiente terrestre, o seu próprio meio de vida, ou seja, a própria natureza em que vivemos, assim como a sua própria natureza como ser humano filho de Deus, esquecendo que tudo isso nos foi presenteado pelo divino Criador para que possamos gozar com Ele na Sua glória, que não se restringe à glória somente deste mundo, mas também futura. A glória eterna. Que possamos ter esse ânimo e intenso esforço para continuarmos nesta caminhada, desfrutando a possessão desta bênção a nós reservada – que é atual e futura. Que tenhamos a grandeza daquela humildade tão reiteradamente exercida e ensinada pelo Servo Fiel, e que também possamos ser privilegiados por esta divina graça de fazermos parte deste rol daqueles que zelam pela fidelidade àquele Servo que veio, não para ser servido, mas para nos servir, doando-Se a Si mesmo como inenarrável prova de amor por nós em cumprimento à própria Palavra de Deus no tocante a Seu plano de redenção, dando a Sua própria vida em nosso lugar neste memorável resgate. A Ele, pois, todo o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com Quem temos de tratar. Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” – Hebreus 4:12-16
LEITURAS DE HOJE
Salmo 91; Isaías 53:10-12
Hebreus 4:9-16; Marcos 10:35-45
NOTAS
[1] 1Coríntios 12:4-6; Efésios 4:7,8,11-16; Romanos 12:1-8; 1Pedro 4:8-13
[2] Provérbios 1:7; 2:6,7; 9:10; Marcos 1:19; 3:17; 10:35-45;15:40; Mateus 20:20-28; 27:56; João 19:25; Marcos 9:34,35; Isaías 53:2,3,10-12; Atos 12:2; Apocalipse 1:9; Marcos 10:42-45
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1010, 1011. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 439-445
Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional. Trad. pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2000. p. 808
[3] Marcos 10:45; Isaías 53:11,12; 52:13-53-12; Lucas 22:27; João 13:13-15; Filipenses 2:6-8; 2Coríntios 8:9; Daniel 7:14; João 3:16,17; Mateus 6:13
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1166
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.732. Reimpressão
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1356. Reimpressão
QUANTAS VEZES já nos deparamos com pessoas aparentemente simples, mas com dons especiais, ou mesmo com lideranças das mais exemplares, personalidades de destaque na Igreja, pessoas das mais participativas, disponíveis para qualquer serviço, que se envolvem ativamente em quaisquer atividades entre os irmãos, e que se dispõem a fazer tudo, inclusive sozinhas, às vezes até dispensando ajudas, mas que, no final das contas, percebemos que muitas destas pessoas querem mesmo é aparecer dentre os demais, impondo-se sobre estes, apenas com o objetivo de solidificarem a sua própria supremacia e controle, além de outras estranhas intenções, causando mal-estares, descontentamentos, e prejudicando o grande bem que poderiam estar fazendo a quem realmente necessite destes seus préstimos que deveriam ser praticados espontaneamente! Quantas vezes já descobrimos, vimos, ouvimos ou lemos por meio das mais diversas mídias, ilícitos cometidos por personalidades das mais variadas graduações sociais, públicas ou privadas, e até mesmo religiosas, perpetrados apenas com um único intuito: angariar mais e mais poder, fama, riquezas, prazer, ou até encantos para si próprios, apenas e tão somente, e a qualquer preço! Lógico que, depois, estas práticas são costumeiramente negadas, contestadas e desmentidas pelas próprias fontes ou personagens envolvidas ou por aqueles que tomaram como base os próprios fatos para se defenderem ou pagarem seus defensores, recorrendo até aos famigerados recursos, de acordo com a dimensão da cara de pau de cada um dos possíveis arrolados, para não dizer do montante da sua conta bancária. E o que é pior ainda: em geral, posam de ilibados líderes absolutos ao longo da história, sempre vitoriosos, como se nunca tivessem cometido nada demais; como os reis da cocada, dos abacaxis e marmeladas. É a tal inversão de valores, e isso escorrega por todos os poros vivos dos escalões da nossa sociedade, em maior ou menor escala, conforme o perímetro de cada uma de suas células. E esta escalada até vira piada! Curioso hábito que temos de rirmos de nós mesmos, dos nossos próprios erros, da nossa própria desgraça, e que não leva a nada. Não é absurdo tudo isso? Mas quem se aventura a mexer ou remexer nestes contextos todos, nesta fedentina toda, e mudar tais conceitos e comportamentos arraigados há séculos? Ah, coitado, será eliminado da face da terra, literalmente! É a escalada dos tais, dos podres poderes. E os outros, os pobres coitados, os ditos bem intencionados? Que se danem! E os acordos ou conchavos de bastidores, e até mesmo a pressão ou influência dos lobistas? Tudo faz parte do jogo, justificam. E os que não podem arcar com seus próprios defensores, contratar seus próprios marqueteiros? Que se explodem! – lá, intimamente, na versão deles, que se acham os mais espertos deste mundo onde os outros são tidos como otários; que nos fazem viver de mentiras, na grande ilusão desta vida sem sentido, por conta de um desrespeito generalizado, da exclusão ou invisibilidade dos demais, dos mais humildes, dos mais fracos e oprimidos, dos que não têm acesso à informação ou à sua própria defesa; dos próprios excluídos, propriamente ditos. Mas, na verdade, quem é que é o próprio otário? Quem é que sempre insiste em posar isoladamente, e de corpo inteiro, como o tal neste mundo de loucuras mil? Quem é que vive no decorrer destes dias afetadamente em eterno êxtase? Quem não conhece a infeliz expressão: “Você sabe com quem está falando?” Ou, ainda: “Alto lá, eu sou amigo, compadre, apadrinhado – ou sabe-se lá o que mais nestas baboseiras todas – do Dr. Fulano, que é amigo do Dr. Sicrano ...” E por aí vai, diante de tamanha prepotência como se certas posições sociais lhes dessem poder de deuses. Como já dizia certo âncora de um antigo noticiário de televisão ante casos parecidos e veiculados por estas bandas: “Isso é uma vergonha!” É isso mesmo, é uma vergonha para quem preza a honestidade, a humildade, a ética, a sinceridade, a moral, o respeito e, principalmente, o temor a Deus. Ao Deus vivo e verdadeiro, bem entendido. Estes são até ironizados, achincalhados acintosamente, como animais em extinção, espécime rara de uma geração que tomou corpo depois que o pecado entrou no mundo.
Regra de fé e prática para os crentes cristãos e fonte inesgotável de ensinamento em que até os que não professam esta mesma fé dela se utilizam, seguindo outras e particulares intenções, a Bíblia, como a revelação da própria Palavra de Deus, e inspirada por Ele, nos alerta que o temor do SENHOR é o princípio do conhecimento e os loucos desprezam esta sabedoria e instrução. O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria porque é Ele Quem nos dá esta sabedoria; da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. E mais: Deus reserva a verdadeira sabedoria para os retos. A sabedoria é o escudo para os que caminham na sinceridade. Mas, por ambição, e dominados pelo desejo de poder e autoridade deste mundo, extrapolamos e confundimo-nos, dada a nossa incapacidade de entendermos as coisas do alto, muitas vezes, colocando tudo a perder. No Evangelho de Marcos, a Bíblia narra a história de um ousado e ambicioso pedido dos filhos de Zebedeu, Tiago e João, que, na frente de todos os outros discípulos, fizeram a Jesus uma proposta, no mínimo, indecente, se considerarmos as sérias reflexões anteriores que o Mestre lhes havia anunciado pela terceira vez a respeito de Sua morte e ressurreição, posto que seria insultado, condenado, flagelado e levado à morte. Por sua vez, o Evangelho de Mateus conta que foi a mãe de Tiago e João que tomou a iniciativa, formulando tal pedido com palavras mais amenas. O nome dela era Salomé, e parece que era irmã da mãe do Senhor Jesus. Neste caso, Tiago e João eram primos de Jesus. Considerada pelos especialistas como a primeira intriga eclesiástica para obter posições destacadas na Igreja, originada de uma maquinação da família Zebedeu contra Pedro – o terceiro membro do trio privilegiado –,estes primos do Senhor exigiram dEle os primeiros lugares na Sua glória, com um deles assentando-se à direita e outro à esquerda de Jesus, como se o Reino Messiânico fosse um reino deste mundo, onde se faz o que bem se entende ou por acordos entre as partes segundo as nossas benesses, desconsiderando, assim, o ensino de Jesus sobre grandeza, o que nos leva a crer que eles ainda tinham muito o que mudar em suas atitudes. O mesmo pode acontecer também com cada um de nós ainda hoje nestes nossos tempos tão atribulados pelas ambições de honrarias e privilégios dos primeiros lugares em tudo, e a quaisquer custos, ou pela nossa ignorância a respeito de Quem outorga o tão cobiçado lugar que não é agraciado por nenhum favoritismo pessoal de ninguém, mas “para aqueles a quem está reservado”, e até mesmo nestes nossos tempos de cegueira espiritual, mesmo que nós tenhamos ouvido e lido, discutido e interpretado corriqueiramente os textos que falam sobre o Servo Fiel, desde como Deus avalia a vida deste Servo, até Este próprio Servo Se apresentar, encarnando-Se feito homem, tomando sobre Si os nossos pecados, e nos dando uma tremenda chacoalhada deste nosso sono estranho como fez com os discípulos por meio de Seus reiterados ensinos, sendo Ele mesmo esta encarnação da Sua própria ética e prática desta Sua própria pregação. O Senhor Jesus não foi de nenhum modo condescendente com a postura dos filhos de Zebedeu e da mãe deles, convencendo-lhes que eles nem tinham noção do que estavam pedindo. E, usando de símbolos poéticos do cálice e do batismo tirados dos tempos passados para representar sofrimento e aflição que o Justo deve suportar para o resgate de muitos, o Senhor Jesus procura revelar-lhes o significado da Sua glória e a realização dos desejos deles. Ainda sem entender, eles preferem embalar-se na ilusão, nos dizeres dos especialistas, de que o cálice a ser participado com Jesus seja delicioso; esperam que seja um sinal de participação à Sua vitória e se declaram dispostos a sorvê-lo. O Senhor Jesus respeita a lentidão deles nesta compreensão dos desígnios de Deus, e anuncia-lhes que um dia eles também participarão com Ele destes Seus sofrimentos e morte, tomando do Seu mesmo cálice, e darão a própria vida em razão da fé deles. Somente muitos anos depois é que eles compreenderam e sentiram o significado de tudo isso em suas próprias peles. Até então, Jesus insistia na Sua severidade, sendo até duro com eles, contra qualquer tipo de ambição para que não se pusesse em risco os fundamentos da Sua doutrina. Ao dar-lhes uma ordem taxativa, o Senhor Jesus não quer deixar dúvidas, incertezas ou perplexidades, confirmam os estudiosos, sobre este assunto. “Sabeis que os que são considerados governadores das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos.”
Não parece um paradoxo para os nossos dias tais propostas? Até que ponto estamos preparados para levarmos tudo isso a sério na nossa comunidade, nas nossas lideranças, no nosso dia a dia, principalmente nós que sabemos, lemos, ouvimos e discutimos tais ensinos? Como é que consideramos isso dentro e fora da Igreja? Ou isso também não vale para a nossa prática secular? Devemos não esquecer que o que quebrou os corações de pedra dos discípulos de Jesus foi o exemplo que Ele mesmo dá como líder. Qual tem sido o nosso exemplo com relação a essa quebra de paradigmas em meio aos desafios destes nossos dias? Também devemos não esquecer que Aquele que é conhecido como o Filho do Homem, e que herdará domínio e glória, assim como também o Reino, veio humildemente como servo, conforme anunciado desde os mais remotos tempos, para cumprir o projeto de salvação do SENHOR nosso Deus, e nos dar o exemplo que, apesar das dificuldades deste mundo, nós também podemos vencer todas as tribulações e crescer conforme os exemplos do próprio Senhor. É pela fé que somos salvos, e pela fé seremos alcançados pela Palavra por meio deste mesmo Senhor que foi tentado pelo demônio, mas que Se livrou dele por esta mesma Palavra, ou seja, pela Palavra de Deus. Não podemos esmorecer nunca, se é que queremos nos libertar destas ansiedades e ganância por um poder passageiro, por um poder que já nasceu falido, o poder dos homens quando gerado pelo próprio homem. Este mesmo Jesus passou por todas as dificuldades que nós também temos que passar ou já passamos ou estamos passando. Ele conhece os nossos corações e todas estas nossas dificuldades. Ele sabe como é difícil seguir fielmente a Deus, mas que é possível, se nos apegarmos firmemente, e sem desanimar, a Ele, que não teve nenhum pecado, especialmente quando somos provados pelo sofrimento, já que Ele também passou por tudo isso, e venceu. Somente a Palavra de Deus nos liberta. Somente o Senhor Jesus tem autoridade para entender todas as nossas fraquezas. Sempre é tempo para recorrermos a Ele, e o nosso tempo é hoje, para revermos todos os nossos conceitos, posto que somente a Ele “foi-Lhe dado o domínio, e a honra, e o Reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem; o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o Seu Reino tal, que não será destruído”. Só que este Seu Reino não é deste mundo. Somente a este Senhor é que devemos servir, não a outro, já que os diversos dons e aptidões nos foram dados por Deus, não para provocarmos divisões entre os homens e nações, ou famílias, mas para a nossa melhor comunhão entre todos nós, juntamente com Ele na cabeça, com vistas à harmonia deste Seu Reino, desde já, e aqui neste mundo que, segundo os Seus planos, ser grande é ser servo, o servo de todos; é ser sempre o último, e não o primeiro, para a dignidade de todos, longe das guerras, das confusões todas que tão bem estamos vivenciando nestes nossos tempos em que as pessoas estão digladiando entre si por qualquer banalidade, e se autodestruindo, não somente a si mesmas ou as suas próprias famílias, mas também o seu próprio ambiente terrestre, o seu próprio meio de vida, ou seja, a própria natureza em que vivemos, assim como a sua própria natureza como ser humano filho de Deus, esquecendo que tudo isso nos foi presenteado pelo divino Criador para que possamos gozar com Ele na Sua glória, que não se restringe à glória somente deste mundo, mas também futura. A glória eterna. Que possamos ter esse ânimo e intenso esforço para continuarmos nesta caminhada, desfrutando a possessão desta bênção a nós reservada – que é atual e futura. Que tenhamos a grandeza daquela humildade tão reiteradamente exercida e ensinada pelo Servo Fiel, e que também possamos ser privilegiados por esta divina graça de fazermos parte deste rol daqueles que zelam pela fidelidade àquele Servo que veio, não para ser servido, mas para nos servir, doando-Se a Si mesmo como inenarrável prova de amor por nós em cumprimento à própria Palavra de Deus no tocante a Seu plano de redenção, dando a Sua própria vida em nosso lugar neste memorável resgate. A Ele, pois, todo o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com Quem temos de tratar. Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” – Hebreus 4:12-16
LEITURAS DE HOJE
Salmo 91; Isaías 53:10-12
Hebreus 4:9-16; Marcos 10:35-45
NOTAS
[1] 1Coríntios 12:4-6; Efésios 4:7,8,11-16; Romanos 12:1-8; 1Pedro 4:8-13
[2] Provérbios 1:7; 2:6,7; 9:10; Marcos 1:19; 3:17; 10:35-45;15:40; Mateus 20:20-28; 27:56; João 19:25; Marcos 9:34,35; Isaías 53:2,3,10-12; Atos 12:2; Apocalipse 1:9; Marcos 10:42-45
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1010, 1011. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 439-445
Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional. Trad. pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2000. p. 808
[3] Marcos 10:45; Isaías 53:11,12; 52:13-53-12; Lucas 22:27; João 13:13-15; Filipenses 2:6-8; 2Coríntios 8:9; Daniel 7:14; João 3:16,17; Mateus 6:13
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1166
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.732. Reimpressão
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1356. Reimpressão
domingo, 18 de outubro de 2009
SEM DESCULPAS EVASIVAS
“Vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-Me” – Marcos 10:21b
NOSSA VIDA é feita de escolhas. Pode até ser que terceiros venham nos influenciar, mas, no final, na hora de bater o martelo, somos nós mesmos que temos que escolher qual caminho seguir, seja em termos de ideais ou definição de toda uma vida que vale, em geral, para sempre. E isso nos trará sérias repercussões que podem deixar rastros dos mais variados possíveis para o resto da nossa vida. Amargos ou não, são rastros que absorvem as marcas de uma decisão definitiva que somente a nós pertence, já que temos que fazer a nossa parte por mais difícil que seja tomar tão extremada iniciativa. Muitas vezes isso se torna em grande e complicado dilema, uma incógnita que nos perguntamos se realmente vai valer a pena. Porém, a resposta só a teremos quando mergulharmos de cabeça, e irmos até o fundo, às vezes à custa de muitas lágrimas, posto que nada daquilo que seja sério nesta nossa vida seja adquirido, assim, como se diz, de mão beijada, subitamente. Ou seja, com facilidades. Sem contar que certas tomadas de decisão ainda podem respingar sequelas em quem estiver por perto ou ligado a nós, ou de um jeito ou de outro, interferindo em suas decisões e destino. É como se fôssemos postos à prova a todo instante num teste de resistência para podermos contar mais tarde, não se sabe para quem ou como se fosse um ótimo ensejo para uma reflexão, depois, que sirva talvez para nossos filhos ou para os outros de uma possível e futura consangüinidade ou mesmo para contarmos numa roda de amigos como experiência de vida. Ou ainda que sirva de pauta na mídia como um belo exemplo a ser especulado diante dos infortúnios do nosso tão atribulado dia a dia em que vivemos até mesmo atordoados diante de tantos conflitos e contrassensos. Só que muitas vezes muitas águas vão rolar, muitos corações vão sangrar, vão verter nossas seivas corpos adentro, e ardentes, dilacerando uma vida inteira que só continua graças ao incomensurável amor dAquele que sabe todas as coisas, como sempre, o SENHOR nosso Deus, depois de um rio que foi passando aos trancos e barrancos rasgando e deixando feridas neste desafio constante de querer seguir em frente. De querer seguir até o fim. De querer ser gente, não qualquer coisa à toa fincada na proa desta embarcação que voa de vento em popa sem pedir passagem nem medir esforços até aquele inevitável dia. Ou seja, a nossa vida tem que continuar, já que todos temos as nossas responsabilidades, posto que também vivemos de propósitos e de propostas que nos incumbiu o divino Criador antes mesmo da fundação do mundo. Antes mesmo de sermos criados, tendo em vista a onipresença e a onipotência deste nosso poderoso Deus que nos sonda e nos conhece desde os nossos próprios pensamentos, assim como todos os nossos próprios caminhos. Daí, a importância de sabermos discernir as vias e vielas, portas e janelas, assim como as veredas e entranhas destas nossas escolhas, por onde elas vão seguir, em que vão dar e nos levar depois, aonde e quando elas vão chegar, e se elas vêm mesmo de Quem no-las outorgou.
É certo que no roteiro desta nossa viagem muitas coisas nos chamam atenção e nos atraem. Muitas não passam de lisonjeiras tentações. É certo também que não conseguimos alcançar todas elas, nem tudo o que queremos, nesta vida, mas escolher uma significa renunciar à outra ou a muitas outras. Veja a história de Salomão. Ele não pediu os desejos comuns de um monarca qualquer, ou seja, vida longa, riquezas ou a morte de seus inimigos, mas, preferiu a sabedoria e o conhecimento a todos os outros bens deste mundo. A escolha de Salomão foi tão considerada por Deus e marcante no seu reinado que lhe foram dados tantas riquezas, bens e honra os quais não teve nenhum outro rei antes dele, e nem depois dele haverá, ratifica a Bíblia, cujos especialistas identificam este esplendor e poder do reinado de Salomão como o resultado da sabedoria divinamente conferida a ele. No decorrer de toda a nossa vida temos que fazer, desfazer ou refazer as nossas próprias escolhas, todos os dias, e sobrevivermos a todos estes procedimentos, superando obstáculos, dimensionando o tamanho dos nossos sonhos, das nossas metas e de como encararmos o nosso porvir, individualmente ou em nossa comunidade, seja como instituição pública ou privada, laica ou religiosa, ou como liderança em cada uma delas, e mesmo como pais dentro da nossa própria família, tendo em vista um projeto de vida criativo, que produza resultados positivos, que sirva de lenitivo e preencha possíveis deficiências ou quaisquer outras lacunas, e que contribua para o bem-estar e qualidade da nossa própria sobrevivência, e também dos outros, o que nos leva a refletir sobre qual o formato deste projeto que idealizamos para hoje e para os próximos anos de toda a nossa vida. Como andam as nossas escolhas para alcançarmos tais objetivos? Quais as personagens deste plano? Temos colocado estas escolhas diante de Deus? Qual é o plano de Deus na dimensão destes nossos planos e escolhas ou vice-versa?
Dizem os especialistas que, em sua sabedoria, Salomão prefigurou a nosso Senhor Jesus Cristo, que, por meio do Seu Reino próspero e pacífico, representa uma nova liderança da dinastia de Davi por ser também a sabedoria e o poder do Deus encarnado e em Quem estão ocultos todos os tesouros desta sabedoria e desta ciência. Consideram ainda que esta sabedoria e poder de Deus não são forças abstratas, mas, sim, qualidades pessoais que se manifestam plenamente na vida, nos ensinos, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus. Como Filho de Deus, este mesmo Senhor, em Cristo, foi escolhido pelo Pai para resgatar um povo que este mesmo Deus escolheu para ser Seu. Moisés também foi escolhido por Deus para livrar o povo hebreu da escravidão egípcia, e levá-lo a uma terra fértil, boa e larga que mana leite e mel. Moisés e Cristo são comparados quanto à fidelidade e contrastados quanto à honra. Mediador humano do antigo pacto, Moisés foi chamado apenas para ser servo, embora um servo especial, e sem paralelo, do SENHOR. Tinha o privilégio de falar face a face com Deus e ver a Sua forma. Os israelitas traçavam até ele seu senso de posição e chamada como povo consagrado de Deus. “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar”, diz a Bíblia. Porém, como agente da criação, Cristo merece a honra como o construtor divino de todas as coisas e, “como Filho, sobre a Sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim”, confirmam os estudiosos, assim como as próprias Escrituras, concluindo que, semelhantemente aos israelitas, os crentes são dedicados e chamados por intermédio do Senhor Jesus, o Mediador do novo pacto, “porque, assim, o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos.” Moisés e Cristo, ambos escolhidos e, obedientes a um chamado, também tiveram o privilégio de escolher, abraçando um mandado do SENHOR nosso Deus e Pai quanto à realidade da esperança e a confiança de um mundo melhor; de um povo regenerado, assim como a herança da vida eterna, longe das armadilhas do pecado. Herança esta que ainda hoje nos leva a refletir sobre as influências das nossas próprias escolhas em nossa vida presente e futura. A Palavra de Deus, segundo os Evangelhos sinóticos, narra o episódio de um jovem rico a quem o Senhor Jesus propõe uma decisiva escolha, quando este jovem Lhe pergunta o que faria para herdar a vida eterna, a que Jesus respondeu: ou segui-Lo, renunciando a todos os bens que possuía, vendendo-os todos, ou dando-os aos pobres por conta de um tesouro no céu; ou ficar com tudo, e não segui-Lo. Diante desta resposta do Senhor, a Bíblia diz que o jovem “pesaroso desta Palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades”. Então, Jesus disse a Seus discípulos: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus!”, enquanto Seus discípulos admiravam-nO ainda mais, e perguntavam entre si: “Quem poderá, pois, salvar-se?” Jesus, porém, olhando para eles, disse: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis”. É certo que a Palavra de Deus não está de brincadeira para com nenhum de nós, posto que ela trata da nossa própria salvação, de uma situação que, em especial, consta nos planos e propostas de Deus para cada um de nós. Deus nos deu a liberdade de escolha, sim, porque Ele não é nenhum impostor, nenhum déspota, mas também nos deu a responsabilidade para podermos fazer tais escolhas e arcarmos com as consequências das nossas decisões, conforme aquilo que Ele tem traçado para o bem de cada um de nós desde os mais remotos tempos, posto que Ele é pura benignidade. O Senhor não nos quer para o mal, e nem nos faz mal algum, nós é que nos entrincheiramos por caminhos estranhos e adversos, iludidos por falsos poderes, afastando-nos daquilo que Ele tem para nos oferecer. O salmista diz que a lei de Deus é uma delícia para ele, e ainda: “As Tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os Teus mandamentos”. Por piores que possamos estar em qualquer situação, por mais que as consideremos intransponíveis diante das dificuldades, devemos sempre ter fé e encarar tudo de frente porque aquilo que pensamos ser impossível para nós, para Deus tudo é possível, já que é o Deus da nossa salvação. O SENHOR é a nossa luz, a nossa salvação, a força da nossa vida. A quem temeremos? De quem nos recearemos? A Palavra de Deus é exigente, sim, porque ela é poderosa para nos salvar de qualquer caminho errado em que nos infiltremos ou por ignorância ou por arrogância nossa ou soberba própria dos homens. Nós só temos é que obedecer. Por tudo isso é que temos que tomar decisões radicais em nossa vida, pois se nos é dada a chance de escolher, também temos o privilégio de sermos escolhidos, e quando Deus nos escolhe, não há outro jeito, é segui-Lo, sem desculpas evasivas, e ponto final. Dos céus, o SENHOR nos chama, convocando-nos a sermos perseverantes na fé, a irmos em frente, se as nossas escolhas são realmente verdadeiras, ou seja, do agrado dEle. Ele também nos chama para os céus, uma pátria superior e eterna herança daqueles que são chamados, já que esta é uma herança e, se assim o é, não se ganha, não se conquista como prêmio, como recompensa por nossas boas obras, mas é dada gratuitamente, é dom de Deus, porque pela graça somos salvos, por meio da fé; não vem de nós nem das nossas obras, para que ninguém se glorie. A nossa salvação vem apenas do SENHOR nosso Deus por meio da soberana iniciativa divina, e não por esforços humanos. Nós só temos é que cumprir as nossas obrigações, fazer a nossa lição de casa; o resto é com o nosso Salvador, pelo Seu imenso amor intermediado pelos méritos do Senhor Jesus, não pelos nossos, pois não temos mérito nenhum que possa nos levar a sermos salvos por nós mesmos. Que o Espírito de Deus nos oriente neste sentido, hoje e sempre, diante de todas as nossas escolhas.
REFLEXÃO DE HOJE
“Então Jesus, olhando em redor, disse aos Seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se admiraram destas Suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus. E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se? Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” – Marcos 10:23-27
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:73-80; Amós 5:6-8
Hebreus 3:1-6; Marcos 10:17-31
NOTAS
[1] Salmo 119:73; 139:1-24
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 432-438
[2] 1Reis 3:3-15; 2Crônicas 1:7-12; 1Reis 10:14-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 394, 395, 499
ELLISON, H. L. 1 e 2Crônicas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.417. Reimpressão
ELLISON, H. L. 1 e 2Reis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.354. Reimpressão
[3] Isaías 11:1,2; Mateus 1:1; Colossenses 2:3; 1Coríntios 1:24,30; Romanos 1:4,16; Jeremias 2:7; Êxodo 3:8; Hebreus 1:2,10; 3:1-6; Números 12:5-8; Hebreus 2:11; Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30; Salmo 119:73,77; 27:1-3; Hebreus 9:15; 11:16; 12:25; Salmo 3:8; 68:19,20; Efésios 2:8,9
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 804, 1466
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1353, 1354. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1009, 1010. Reimpressão
NOSSA VIDA é feita de escolhas. Pode até ser que terceiros venham nos influenciar, mas, no final, na hora de bater o martelo, somos nós mesmos que temos que escolher qual caminho seguir, seja em termos de ideais ou definição de toda uma vida que vale, em geral, para sempre. E isso nos trará sérias repercussões que podem deixar rastros dos mais variados possíveis para o resto da nossa vida. Amargos ou não, são rastros que absorvem as marcas de uma decisão definitiva que somente a nós pertence, já que temos que fazer a nossa parte por mais difícil que seja tomar tão extremada iniciativa. Muitas vezes isso se torna em grande e complicado dilema, uma incógnita que nos perguntamos se realmente vai valer a pena. Porém, a resposta só a teremos quando mergulharmos de cabeça, e irmos até o fundo, às vezes à custa de muitas lágrimas, posto que nada daquilo que seja sério nesta nossa vida seja adquirido, assim, como se diz, de mão beijada, subitamente. Ou seja, com facilidades. Sem contar que certas tomadas de decisão ainda podem respingar sequelas em quem estiver por perto ou ligado a nós, ou de um jeito ou de outro, interferindo em suas decisões e destino. É como se fôssemos postos à prova a todo instante num teste de resistência para podermos contar mais tarde, não se sabe para quem ou como se fosse um ótimo ensejo para uma reflexão, depois, que sirva talvez para nossos filhos ou para os outros de uma possível e futura consangüinidade ou mesmo para contarmos numa roda de amigos como experiência de vida. Ou ainda que sirva de pauta na mídia como um belo exemplo a ser especulado diante dos infortúnios do nosso tão atribulado dia a dia em que vivemos até mesmo atordoados diante de tantos conflitos e contrassensos. Só que muitas vezes muitas águas vão rolar, muitos corações vão sangrar, vão verter nossas seivas corpos adentro, e ardentes, dilacerando uma vida inteira que só continua graças ao incomensurável amor dAquele que sabe todas as coisas, como sempre, o SENHOR nosso Deus, depois de um rio que foi passando aos trancos e barrancos rasgando e deixando feridas neste desafio constante de querer seguir em frente. De querer seguir até o fim. De querer ser gente, não qualquer coisa à toa fincada na proa desta embarcação que voa de vento em popa sem pedir passagem nem medir esforços até aquele inevitável dia. Ou seja, a nossa vida tem que continuar, já que todos temos as nossas responsabilidades, posto que também vivemos de propósitos e de propostas que nos incumbiu o divino Criador antes mesmo da fundação do mundo. Antes mesmo de sermos criados, tendo em vista a onipresença e a onipotência deste nosso poderoso Deus que nos sonda e nos conhece desde os nossos próprios pensamentos, assim como todos os nossos próprios caminhos. Daí, a importância de sabermos discernir as vias e vielas, portas e janelas, assim como as veredas e entranhas destas nossas escolhas, por onde elas vão seguir, em que vão dar e nos levar depois, aonde e quando elas vão chegar, e se elas vêm mesmo de Quem no-las outorgou.
É certo que no roteiro desta nossa viagem muitas coisas nos chamam atenção e nos atraem. Muitas não passam de lisonjeiras tentações. É certo também que não conseguimos alcançar todas elas, nem tudo o que queremos, nesta vida, mas escolher uma significa renunciar à outra ou a muitas outras. Veja a história de Salomão. Ele não pediu os desejos comuns de um monarca qualquer, ou seja, vida longa, riquezas ou a morte de seus inimigos, mas, preferiu a sabedoria e o conhecimento a todos os outros bens deste mundo. A escolha de Salomão foi tão considerada por Deus e marcante no seu reinado que lhe foram dados tantas riquezas, bens e honra os quais não teve nenhum outro rei antes dele, e nem depois dele haverá, ratifica a Bíblia, cujos especialistas identificam este esplendor e poder do reinado de Salomão como o resultado da sabedoria divinamente conferida a ele. No decorrer de toda a nossa vida temos que fazer, desfazer ou refazer as nossas próprias escolhas, todos os dias, e sobrevivermos a todos estes procedimentos, superando obstáculos, dimensionando o tamanho dos nossos sonhos, das nossas metas e de como encararmos o nosso porvir, individualmente ou em nossa comunidade, seja como instituição pública ou privada, laica ou religiosa, ou como liderança em cada uma delas, e mesmo como pais dentro da nossa própria família, tendo em vista um projeto de vida criativo, que produza resultados positivos, que sirva de lenitivo e preencha possíveis deficiências ou quaisquer outras lacunas, e que contribua para o bem-estar e qualidade da nossa própria sobrevivência, e também dos outros, o que nos leva a refletir sobre qual o formato deste projeto que idealizamos para hoje e para os próximos anos de toda a nossa vida. Como andam as nossas escolhas para alcançarmos tais objetivos? Quais as personagens deste plano? Temos colocado estas escolhas diante de Deus? Qual é o plano de Deus na dimensão destes nossos planos e escolhas ou vice-versa?
Dizem os especialistas que, em sua sabedoria, Salomão prefigurou a nosso Senhor Jesus Cristo, que, por meio do Seu Reino próspero e pacífico, representa uma nova liderança da dinastia de Davi por ser também a sabedoria e o poder do Deus encarnado e em Quem estão ocultos todos os tesouros desta sabedoria e desta ciência. Consideram ainda que esta sabedoria e poder de Deus não são forças abstratas, mas, sim, qualidades pessoais que se manifestam plenamente na vida, nos ensinos, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus. Como Filho de Deus, este mesmo Senhor, em Cristo, foi escolhido pelo Pai para resgatar um povo que este mesmo Deus escolheu para ser Seu. Moisés também foi escolhido por Deus para livrar o povo hebreu da escravidão egípcia, e levá-lo a uma terra fértil, boa e larga que mana leite e mel. Moisés e Cristo são comparados quanto à fidelidade e contrastados quanto à honra. Mediador humano do antigo pacto, Moisés foi chamado apenas para ser servo, embora um servo especial, e sem paralelo, do SENHOR. Tinha o privilégio de falar face a face com Deus e ver a Sua forma. Os israelitas traçavam até ele seu senso de posição e chamada como povo consagrado de Deus. “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar”, diz a Bíblia. Porém, como agente da criação, Cristo merece a honra como o construtor divino de todas as coisas e, “como Filho, sobre a Sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim”, confirmam os estudiosos, assim como as próprias Escrituras, concluindo que, semelhantemente aos israelitas, os crentes são dedicados e chamados por intermédio do Senhor Jesus, o Mediador do novo pacto, “porque, assim, o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos.” Moisés e Cristo, ambos escolhidos e, obedientes a um chamado, também tiveram o privilégio de escolher, abraçando um mandado do SENHOR nosso Deus e Pai quanto à realidade da esperança e a confiança de um mundo melhor; de um povo regenerado, assim como a herança da vida eterna, longe das armadilhas do pecado. Herança esta que ainda hoje nos leva a refletir sobre as influências das nossas próprias escolhas em nossa vida presente e futura. A Palavra de Deus, segundo os Evangelhos sinóticos, narra o episódio de um jovem rico a quem o Senhor Jesus propõe uma decisiva escolha, quando este jovem Lhe pergunta o que faria para herdar a vida eterna, a que Jesus respondeu: ou segui-Lo, renunciando a todos os bens que possuía, vendendo-os todos, ou dando-os aos pobres por conta de um tesouro no céu; ou ficar com tudo, e não segui-Lo. Diante desta resposta do Senhor, a Bíblia diz que o jovem “pesaroso desta Palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades”. Então, Jesus disse a Seus discípulos: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus!”, enquanto Seus discípulos admiravam-nO ainda mais, e perguntavam entre si: “Quem poderá, pois, salvar-se?” Jesus, porém, olhando para eles, disse: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis”. É certo que a Palavra de Deus não está de brincadeira para com nenhum de nós, posto que ela trata da nossa própria salvação, de uma situação que, em especial, consta nos planos e propostas de Deus para cada um de nós. Deus nos deu a liberdade de escolha, sim, porque Ele não é nenhum impostor, nenhum déspota, mas também nos deu a responsabilidade para podermos fazer tais escolhas e arcarmos com as consequências das nossas decisões, conforme aquilo que Ele tem traçado para o bem de cada um de nós desde os mais remotos tempos, posto que Ele é pura benignidade. O Senhor não nos quer para o mal, e nem nos faz mal algum, nós é que nos entrincheiramos por caminhos estranhos e adversos, iludidos por falsos poderes, afastando-nos daquilo que Ele tem para nos oferecer. O salmista diz que a lei de Deus é uma delícia para ele, e ainda: “As Tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os Teus mandamentos”. Por piores que possamos estar em qualquer situação, por mais que as consideremos intransponíveis diante das dificuldades, devemos sempre ter fé e encarar tudo de frente porque aquilo que pensamos ser impossível para nós, para Deus tudo é possível, já que é o Deus da nossa salvação. O SENHOR é a nossa luz, a nossa salvação, a força da nossa vida. A quem temeremos? De quem nos recearemos? A Palavra de Deus é exigente, sim, porque ela é poderosa para nos salvar de qualquer caminho errado em que nos infiltremos ou por ignorância ou por arrogância nossa ou soberba própria dos homens. Nós só temos é que obedecer. Por tudo isso é que temos que tomar decisões radicais em nossa vida, pois se nos é dada a chance de escolher, também temos o privilégio de sermos escolhidos, e quando Deus nos escolhe, não há outro jeito, é segui-Lo, sem desculpas evasivas, e ponto final. Dos céus, o SENHOR nos chama, convocando-nos a sermos perseverantes na fé, a irmos em frente, se as nossas escolhas são realmente verdadeiras, ou seja, do agrado dEle. Ele também nos chama para os céus, uma pátria superior e eterna herança daqueles que são chamados, já que esta é uma herança e, se assim o é, não se ganha, não se conquista como prêmio, como recompensa por nossas boas obras, mas é dada gratuitamente, é dom de Deus, porque pela graça somos salvos, por meio da fé; não vem de nós nem das nossas obras, para que ninguém se glorie. A nossa salvação vem apenas do SENHOR nosso Deus por meio da soberana iniciativa divina, e não por esforços humanos. Nós só temos é que cumprir as nossas obrigações, fazer a nossa lição de casa; o resto é com o nosso Salvador, pelo Seu imenso amor intermediado pelos méritos do Senhor Jesus, não pelos nossos, pois não temos mérito nenhum que possa nos levar a sermos salvos por nós mesmos. Que o Espírito de Deus nos oriente neste sentido, hoje e sempre, diante de todas as nossas escolhas.
REFLEXÃO DE HOJE
“Então Jesus, olhando em redor, disse aos Seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se admiraram destas Suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus. E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se? Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” – Marcos 10:23-27
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:73-80; Amós 5:6-8
Hebreus 3:1-6; Marcos 10:17-31
NOTAS
[1] Salmo 119:73; 139:1-24
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 432-438
[2] 1Reis 3:3-15; 2Crônicas 1:7-12; 1Reis 10:14-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 394, 395, 499
ELLISON, H. L. 1 e 2Crônicas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.417. Reimpressão
ELLISON, H. L. 1 e 2Reis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.354. Reimpressão
[3] Isaías 11:1,2; Mateus 1:1; Colossenses 2:3; 1Coríntios 1:24,30; Romanos 1:4,16; Jeremias 2:7; Êxodo 3:8; Hebreus 1:2,10; 3:1-6; Números 12:5-8; Hebreus 2:11; Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30; Salmo 119:73,77; 27:1-3; Hebreus 9:15; 11:16; 12:25; Salmo 3:8; 68:19,20; Efésios 2:8,9
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 804, 1466
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1353, 1354. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1009, 1010. Reimpressão
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
MATIZES E SEQUELAS
“Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” – Gênesis 2:24
TALVEZ seja mesmo por conta deste relativismo ético que somos impossibilitados de refletir com mais afinco a respeito dos fundamentais valores que sustentam a sociedade em geral e, de maneira especial, as instituições que governam os cidadãos, notadamente naquilo que diz respeito à promoção do catalisador vital da nossa sociedade, que é a família. Relativismo este que alguns especialistas concordam que parece permear a hodierna sociedade consumista destes nossos dias tão egoisticamente envolvida consigo mesma, sem nem mesmo distender um olhar a seu derredor, a não ser a seu próprio umbigo. Em meio a esta inversão destes valores éticos e morais vivemos chafurdados numa violência generalizada, não somente a violência física propriamente dita esparramada pelos campos e cidade, e até dentro da nossa própria casa, que é uma lástima, cuja convivência alcança um nível insuportável atingindo a todas as classes sociais sem distinção de idade, mas também um outro tipo de violência que nos agride em nosso íntimo, em nossa conduta espiritual, em que a fé que professamos parece estar desvirtuada e que, se não nos cuidarmos, cairemos na lábia desta pós-modernidade avassaladora e tão bem difundida, inclusive pela própria mídia, e sermos até tachados de caretas, de fora de moda ou de conceitos outros mirando no sentido de que somos muito ortodoxos, muito apegados a certos costumes e padrões tradicionais, e que isto não cabe mais no mundo de hoje, como se fôssemos pregoeiros do anacronismo, dos mais bárbaros procedimentos humanos, só porque optamos por seguir intransigentemente, mas sem fanatismo, aquilo que acreditamos ser nossa regra de vida e prática em nosso cotidiano; aquilo que aprendemos desde criancinha. Ou seja, aquilo que nossos pais e nossos antigos professores nos ensinaram desde aqueles longínquos tempos com tanto esmero em volta da mesa da cozinha de nossa casa ou nas aulas de estudos bíblicos, respectivamente. Talvez por conta deste relativismo ético é que estes valores morais caíram em descrédito e desuso, e nada mais nos escandaliza, já que tudo é possível neste mundo de ninguém, ou melhor, dos homens. Será que perdemos a noção das coisas? Por onde anda a seriedade no trato destes valores? O que nos dá o direito de jogarmos tudo na lata de lixo e vivermos de cabeça para baixo, andando para trás, e pensando que tudo isso seja o máximo? Será que perdemos a nossa autoestima, o nosso amor próprio, o nosso amor pelos outros, por conta de certos modernismos que só nos fragilizam naquilo que possa nos edificar em nossa dimensão individual quanto em nossa dimensão comunitária? Vivermos por quê? Vivermos para quê? Crermos no quê? Crermos em quem? Assim, o que se ouve são declarações sobre a falência das instituições, e dos seus representantes legais, inclusive daquelas constituídas pelo próprio Deus, como é o caso da família cristã – a mais antiga e a mais básica das instituições humanas. E agora? Como convivermos em meio a tudo isso?
Talvez de toda esta paisagem social pincelada com seus valores éticos e morais, dentre outros, a moldura deste quadro seja a própria família com todos os seus matizes e sequelas que tem como pano de fundo a figura essencial dos pais, homem e mulher, tal qual o SENHOR os criou como a excelência de Suas criaturas antes da entrada do pecado no mundo, destacando aí o papel do homem como o chefe deste cenário ao lado de sua companheira e ajudadora, além dos filhos gerados por eles. Os especialistas nos lembram que a Bíblia acentua a importância da família como uma unidade espiritual e base do treinamento para um caráter adulto e maduro, assim como também a Palavra de Deus descreve uma clara estrutura da autoridade dentro deste contexto, pela qual o marido conduz sua mulher e os pais conduzem os filhos. Acentuam, porém, que, como toda liderança deve ser exercida como uma forma de ministério, em vez de uma tirania, assim esses papéis de liderança doméstica devem ser cumpridos em amor. E é esse amor que deve entremear toda a estrutura familiar, já que o amor cristão tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e supera, e nunca falha, diferentemente do que se ouve por aí em alto e bom som com todas as letras, versos e emoções nos ritmos de sucesso musical. Não que não seja bom sermos românticos, cantarmos ou fazermos poesias para o nosso ser amado ou elogiá-lo, reconhecendo suas qualidades, seus valores. Não que não devamos instruir nossos filhos sobre estes valores de convivência social, sobre ética e cidadania, tendo como base muita sabedoria e a lei do amor. Quem é que não gosta de carinho; de ser amado? Entretanto, além de tudo isso, também devemos estar atentos a outros deveres domésticos, posto que são mandamentos do SENHOR nosso Deus. E mandamentos se cumprem; são leis. O quarto mandamento exige que o chefe de família conduza toda a sua família para que consagre a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. Já o quinto mandamento exige que os filhos respeitem os seus pais e se submetam a eles, e mais longe ainda: que se observem a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais. O apóstolo Paulo já aconselhava a Igreja de Colossos com relação a atitude cristã para com suas afinidades dentro da família, seguindo a mesma trilha de outros escritores bíblicos no que diz respeito a este mesmo assunto. “Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.” Nada mais atual para nossos dias. É a Palavra viva no decorrer da história nos alertando para que a família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade. É a Palavra viva nos lembrando que as crianças devem ser instruídas e encorajadas a usar essas instruções como base para sua vida prática, e que a disciplina deve ser usada como forma de treinamento corretivo para conduzir estas crianças para além de tolices pueris, à sabedoria do domínio próprio; para além dos desvios de conduta. Só que nunca podemos esquecer que tudo isso deve ser instruído com base no amor, conforme insistem os especialistas que afirmam que desenvolver uma vida familiar forte é sempre uma prioridade no serviço de Deus.
De um jeito ou de outro, somos o reflexo da nossa própria família. Um dia ou outro vamos perceber, como diz uma canção popular, que somos como os nossos pais. A nossa base está na nossa própria família, a célula-mãe de toda a nossa vida, e o casamento sela esta relação exclusiva na qual um homem e uma mulher se entregam mutuamente um ao outro numa aliança vitalícia e, com base nesse voto solene, eles se tornam “uma só carne”. Não somente para a nossa comunidade, mas, e principalmente, para Deus, esta é uma aliança que nos compromete na qualidade de nos completarmos um ao outro, como homem e mulher, e podermos participar da obra criativa de fazer um novo povo. Assim, é importante estarmos unidos numa mesma fé com vistas a um mesmo fim, ou seja, o privilégio de participarmos da criação juntamente com Aquele que nos outorgou o dom da vida para o bem e consolidação da nossa espécie. Tudo isso só pode vir de um grande ato de amor. Não é brincadeira nem pura emoção ou medo de viver, e algo que o valha. É plano do divino Criador numa chance de podermos participar da Sua própria criação. Não é nenhum experimento para ficarmos até quando der certo, e, se não der, joga-se fora. É uma aliança constituída por Deus para proteger a Sua mais excelente criatura com base num amor recíproco entre o homem e a mulher, assim como também num compartilhamento de conquistas da felicidade, já que ninguém consegue viver feliz sozinho, precisa de alguém a seu lado igual a ele. É uma aliança, primeiramente, com Deus, depois, para o que der e vier num tempo de crescimento e novas descobertas recíprocos, de busca de um projeto comum, de um crescimento também espiritual, de preparação para partilhar alegrias, e até mesmo tristezas, e responsabilidades. Não são dois indivíduos separados, mas uma só pessoa, com projetos comuns. Por isso é que “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”, evidenciando, assim, a sua íntima interdependência. Não adianta um estar indo por um lado e o outro por outro. Têm que estarem ligados na mesma direção, na mesma sintonia, posto que se um cair, o outro também cairá. É sério isso! Tanto é que nem todos têm condições de encarar este ministério. Nem todos estão capacitados para o casamento. Dizem estes que esta é uma instituição falida. Balela! O SENHOR nosso Deus não institui algo tão importante para deixar quebrar depois. Esta não é uma instituição criada por homens. Queremos é fazer as coisas a nosso modo, isto sim. Mas Deus só permite do jeito dEle, pois, segundo a Sua soberana sabedoria, já pressentia os estragos que faríamos se fosse à nossa maneira. Paulo já dizia para aqueles que não têm dom para o casamento que é melhor não casarem. “Cada um ande como o Senhor o chamou. Cada um fique na vocação em que foi chamado”. Por isso o Senhor preserva aqueles que fazem a escolha certa. Diante de tantas tentações, de tantas exposições e divulgações contrárias, é certo que não é fácil entender que a indissolubilidade do casamento, a monogamia, a castidade não são imposições duras e contrárias à razão para os dias de hoje. O que temos que entender é que elas foram estabelecidas para a defesa da dignidade do homem e da mulher. Diante da banalização dos princípios éticos e morais, assim como da nossa própria cidadania, não só no seio da nossa comunidade, mas, e principalmente, perante Deus, seria oportuno repensarmos os nossos conceitos porque qualquer escolha contrária ao projeto de Deus em qualquer instância de nossa vida poderá causar prazer, mas não trará a felicidade. Talvez tenhamos que voltar a sermos crianças para entendermos tudo isso. O Senhor Jesus, que está acima de todas as criaturas, humilhando-Se, chegou até o nosso nível; mesmo sendo grande Ele é um de nós. Viveu os nossos sentimentos, as nossas emoções. Passou por todas as nossas experiências, até o sofrimento e a morte. Só não pecou. Portanto, somente Ele tem autoridade e condições de nos entender, principalmente quando erramos Somente Ele pode nos resgatar dos nossos erros, dos nossos pecados. Devemos também nos espelhar na figura de Jesus, perdoando aqueles que provavelmente também machucamos em nossas relações erradas, talvez por nossa própria ignorância. O Senhor sabe todas as coisas. Somente ele pode nos perdoar. Uma bela imagem que deve ficar em nossas mentes, assim como também deve permanecer gravada em nossos corações, é aquela descrita pelo salmista quando fala que aquele que teme a Deus será abençoado na sua família. Primeiramente, este será abençoado em seu trabalho e no seu lar, depois, na prosperidade nacional e da sua família. É imprescindível o temor e a vontade de Deus quando fazemos qualquer escolha, principalmente quando sabemos que estas nossas opções serão para sempre. Que Ele nos oriente nestas horas, muitas vezes tão difíceis, por estarmos apenas enxergando pelos olhos da nossa carne, por uma visão passageira e humana de nossa parte. Que o Espírito de Deus não nos abandone nestas horas, tendo em vista o infinito amor de Deus; e por meio do Senhor Jesus, que intercede pelos nossos pecados.
REFLEXÃO DE HOJE
“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos Seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel.”– Salmo 128:1-6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 128; Gênesis 2:18-24
Hebreus 2:9-11; Marcos 10:2-16
NOTAS
[1] 1Coríntios 10:12; Provérbios 22:6
SCAVOLINI, F. Toffoli, STF, família e aborto. In: Folha de S.Paulo,
6 out 2009, Opinião, seção Tendências/Debates. p. A3
[2] Gênesis 1:26-31; 2:18,20-22; 1Coríntios 11:3,8; Efésios 5:22-6:4; Colossenses 3:18-21; 1Pedro 3:1-7; 1Coríntios 13:1-8a,13; Êxodo 20:8-12; Levítico 19:30; Efésios 6:1-4; Romanos 12:10; 13:1,2; Gênesis 18:18,19; Deuteronômio 4:9; 6:6-8; 11:18-21; Provérbios 22:6; Efésios 6:4; Provérbios 1:8; 6:20; 13:24; 19:18; 22:15; 23:13,14; 29:15,17; 3:11,12; Hebreus 12:5-11
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1408
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ITHEL JONES, J. A Epístola aos Colossenses: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1294. Reimpressão
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 51-56. Reimpressão
[3] Gênesis 2:18-24; Malaquias 2:14; Mateus 19:1-12; Marcos 10:1-12; 1Coríntios 7:1-40; Hebreus 2:9-11; Salmo 128:1-6
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1090
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 421-429
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1353. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1008. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.611. Reimpressão
TALVEZ seja mesmo por conta deste relativismo ético que somos impossibilitados de refletir com mais afinco a respeito dos fundamentais valores que sustentam a sociedade em geral e, de maneira especial, as instituições que governam os cidadãos, notadamente naquilo que diz respeito à promoção do catalisador vital da nossa sociedade, que é a família. Relativismo este que alguns especialistas concordam que parece permear a hodierna sociedade consumista destes nossos dias tão egoisticamente envolvida consigo mesma, sem nem mesmo distender um olhar a seu derredor, a não ser a seu próprio umbigo. Em meio a esta inversão destes valores éticos e morais vivemos chafurdados numa violência generalizada, não somente a violência física propriamente dita esparramada pelos campos e cidade, e até dentro da nossa própria casa, que é uma lástima, cuja convivência alcança um nível insuportável atingindo a todas as classes sociais sem distinção de idade, mas também um outro tipo de violência que nos agride em nosso íntimo, em nossa conduta espiritual, em que a fé que professamos parece estar desvirtuada e que, se não nos cuidarmos, cairemos na lábia desta pós-modernidade avassaladora e tão bem difundida, inclusive pela própria mídia, e sermos até tachados de caretas, de fora de moda ou de conceitos outros mirando no sentido de que somos muito ortodoxos, muito apegados a certos costumes e padrões tradicionais, e que isto não cabe mais no mundo de hoje, como se fôssemos pregoeiros do anacronismo, dos mais bárbaros procedimentos humanos, só porque optamos por seguir intransigentemente, mas sem fanatismo, aquilo que acreditamos ser nossa regra de vida e prática em nosso cotidiano; aquilo que aprendemos desde criancinha. Ou seja, aquilo que nossos pais e nossos antigos professores nos ensinaram desde aqueles longínquos tempos com tanto esmero em volta da mesa da cozinha de nossa casa ou nas aulas de estudos bíblicos, respectivamente. Talvez por conta deste relativismo ético é que estes valores morais caíram em descrédito e desuso, e nada mais nos escandaliza, já que tudo é possível neste mundo de ninguém, ou melhor, dos homens. Será que perdemos a noção das coisas? Por onde anda a seriedade no trato destes valores? O que nos dá o direito de jogarmos tudo na lata de lixo e vivermos de cabeça para baixo, andando para trás, e pensando que tudo isso seja o máximo? Será que perdemos a nossa autoestima, o nosso amor próprio, o nosso amor pelos outros, por conta de certos modernismos que só nos fragilizam naquilo que possa nos edificar em nossa dimensão individual quanto em nossa dimensão comunitária? Vivermos por quê? Vivermos para quê? Crermos no quê? Crermos em quem? Assim, o que se ouve são declarações sobre a falência das instituições, e dos seus representantes legais, inclusive daquelas constituídas pelo próprio Deus, como é o caso da família cristã – a mais antiga e a mais básica das instituições humanas. E agora? Como convivermos em meio a tudo isso?
Talvez de toda esta paisagem social pincelada com seus valores éticos e morais, dentre outros, a moldura deste quadro seja a própria família com todos os seus matizes e sequelas que tem como pano de fundo a figura essencial dos pais, homem e mulher, tal qual o SENHOR os criou como a excelência de Suas criaturas antes da entrada do pecado no mundo, destacando aí o papel do homem como o chefe deste cenário ao lado de sua companheira e ajudadora, além dos filhos gerados por eles. Os especialistas nos lembram que a Bíblia acentua a importância da família como uma unidade espiritual e base do treinamento para um caráter adulto e maduro, assim como também a Palavra de Deus descreve uma clara estrutura da autoridade dentro deste contexto, pela qual o marido conduz sua mulher e os pais conduzem os filhos. Acentuam, porém, que, como toda liderança deve ser exercida como uma forma de ministério, em vez de uma tirania, assim esses papéis de liderança doméstica devem ser cumpridos em amor. E é esse amor que deve entremear toda a estrutura familiar, já que o amor cristão tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e supera, e nunca falha, diferentemente do que se ouve por aí em alto e bom som com todas as letras, versos e emoções nos ritmos de sucesso musical. Não que não seja bom sermos românticos, cantarmos ou fazermos poesias para o nosso ser amado ou elogiá-lo, reconhecendo suas qualidades, seus valores. Não que não devamos instruir nossos filhos sobre estes valores de convivência social, sobre ética e cidadania, tendo como base muita sabedoria e a lei do amor. Quem é que não gosta de carinho; de ser amado? Entretanto, além de tudo isso, também devemos estar atentos a outros deveres domésticos, posto que são mandamentos do SENHOR nosso Deus. E mandamentos se cumprem; são leis. O quarto mandamento exige que o chefe de família conduza toda a sua família para que consagre a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. Já o quinto mandamento exige que os filhos respeitem os seus pais e se submetam a eles, e mais longe ainda: que se observem a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais. O apóstolo Paulo já aconselhava a Igreja de Colossos com relação a atitude cristã para com suas afinidades dentro da família, seguindo a mesma trilha de outros escritores bíblicos no que diz respeito a este mesmo assunto. “Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.” Nada mais atual para nossos dias. É a Palavra viva no decorrer da história nos alertando para que a família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade. É a Palavra viva nos lembrando que as crianças devem ser instruídas e encorajadas a usar essas instruções como base para sua vida prática, e que a disciplina deve ser usada como forma de treinamento corretivo para conduzir estas crianças para além de tolices pueris, à sabedoria do domínio próprio; para além dos desvios de conduta. Só que nunca podemos esquecer que tudo isso deve ser instruído com base no amor, conforme insistem os especialistas que afirmam que desenvolver uma vida familiar forte é sempre uma prioridade no serviço de Deus.
De um jeito ou de outro, somos o reflexo da nossa própria família. Um dia ou outro vamos perceber, como diz uma canção popular, que somos como os nossos pais. A nossa base está na nossa própria família, a célula-mãe de toda a nossa vida, e o casamento sela esta relação exclusiva na qual um homem e uma mulher se entregam mutuamente um ao outro numa aliança vitalícia e, com base nesse voto solene, eles se tornam “uma só carne”. Não somente para a nossa comunidade, mas, e principalmente, para Deus, esta é uma aliança que nos compromete na qualidade de nos completarmos um ao outro, como homem e mulher, e podermos participar da obra criativa de fazer um novo povo. Assim, é importante estarmos unidos numa mesma fé com vistas a um mesmo fim, ou seja, o privilégio de participarmos da criação juntamente com Aquele que nos outorgou o dom da vida para o bem e consolidação da nossa espécie. Tudo isso só pode vir de um grande ato de amor. Não é brincadeira nem pura emoção ou medo de viver, e algo que o valha. É plano do divino Criador numa chance de podermos participar da Sua própria criação. Não é nenhum experimento para ficarmos até quando der certo, e, se não der, joga-se fora. É uma aliança constituída por Deus para proteger a Sua mais excelente criatura com base num amor recíproco entre o homem e a mulher, assim como também num compartilhamento de conquistas da felicidade, já que ninguém consegue viver feliz sozinho, precisa de alguém a seu lado igual a ele. É uma aliança, primeiramente, com Deus, depois, para o que der e vier num tempo de crescimento e novas descobertas recíprocos, de busca de um projeto comum, de um crescimento também espiritual, de preparação para partilhar alegrias, e até mesmo tristezas, e responsabilidades. Não são dois indivíduos separados, mas uma só pessoa, com projetos comuns. Por isso é que “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”, evidenciando, assim, a sua íntima interdependência. Não adianta um estar indo por um lado e o outro por outro. Têm que estarem ligados na mesma direção, na mesma sintonia, posto que se um cair, o outro também cairá. É sério isso! Tanto é que nem todos têm condições de encarar este ministério. Nem todos estão capacitados para o casamento. Dizem estes que esta é uma instituição falida. Balela! O SENHOR nosso Deus não institui algo tão importante para deixar quebrar depois. Esta não é uma instituição criada por homens. Queremos é fazer as coisas a nosso modo, isto sim. Mas Deus só permite do jeito dEle, pois, segundo a Sua soberana sabedoria, já pressentia os estragos que faríamos se fosse à nossa maneira. Paulo já dizia para aqueles que não têm dom para o casamento que é melhor não casarem. “Cada um ande como o Senhor o chamou. Cada um fique na vocação em que foi chamado”. Por isso o Senhor preserva aqueles que fazem a escolha certa. Diante de tantas tentações, de tantas exposições e divulgações contrárias, é certo que não é fácil entender que a indissolubilidade do casamento, a monogamia, a castidade não são imposições duras e contrárias à razão para os dias de hoje. O que temos que entender é que elas foram estabelecidas para a defesa da dignidade do homem e da mulher. Diante da banalização dos princípios éticos e morais, assim como da nossa própria cidadania, não só no seio da nossa comunidade, mas, e principalmente, perante Deus, seria oportuno repensarmos os nossos conceitos porque qualquer escolha contrária ao projeto de Deus em qualquer instância de nossa vida poderá causar prazer, mas não trará a felicidade. Talvez tenhamos que voltar a sermos crianças para entendermos tudo isso. O Senhor Jesus, que está acima de todas as criaturas, humilhando-Se, chegou até o nosso nível; mesmo sendo grande Ele é um de nós. Viveu os nossos sentimentos, as nossas emoções. Passou por todas as nossas experiências, até o sofrimento e a morte. Só não pecou. Portanto, somente Ele tem autoridade e condições de nos entender, principalmente quando erramos Somente Ele pode nos resgatar dos nossos erros, dos nossos pecados. Devemos também nos espelhar na figura de Jesus, perdoando aqueles que provavelmente também machucamos em nossas relações erradas, talvez por nossa própria ignorância. O Senhor sabe todas as coisas. Somente ele pode nos perdoar. Uma bela imagem que deve ficar em nossas mentes, assim como também deve permanecer gravada em nossos corações, é aquela descrita pelo salmista quando fala que aquele que teme a Deus será abençoado na sua família. Primeiramente, este será abençoado em seu trabalho e no seu lar, depois, na prosperidade nacional e da sua família. É imprescindível o temor e a vontade de Deus quando fazemos qualquer escolha, principalmente quando sabemos que estas nossas opções serão para sempre. Que Ele nos oriente nestas horas, muitas vezes tão difíceis, por estarmos apenas enxergando pelos olhos da nossa carne, por uma visão passageira e humana de nossa parte. Que o Espírito de Deus não nos abandone nestas horas, tendo em vista o infinito amor de Deus; e por meio do Senhor Jesus, que intercede pelos nossos pecados.
REFLEXÃO DE HOJE
“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos Seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel.”– Salmo 128:1-6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 128; Gênesis 2:18-24
Hebreus 2:9-11; Marcos 10:2-16
NOTAS
[1] 1Coríntios 10:12; Provérbios 22:6
SCAVOLINI, F. Toffoli, STF, família e aborto. In: Folha de S.Paulo,
6 out 2009, Opinião, seção Tendências/Debates. p. A3
[2] Gênesis 1:26-31; 2:18,20-22; 1Coríntios 11:3,8; Efésios 5:22-6:4; Colossenses 3:18-21; 1Pedro 3:1-7; 1Coríntios 13:1-8a,13; Êxodo 20:8-12; Levítico 19:30; Efésios 6:1-4; Romanos 12:10; 13:1,2; Gênesis 18:18,19; Deuteronômio 4:9; 6:6-8; 11:18-21; Provérbios 22:6; Efésios 6:4; Provérbios 1:8; 6:20; 13:24; 19:18; 22:15; 23:13,14; 29:15,17; 3:11,12; Hebreus 12:5-11
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1408
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ITHEL JONES, J. A Epístola aos Colossenses: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1294. Reimpressão
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 51-56. Reimpressão
[3] Gênesis 2:18-24; Malaquias 2:14; Mateus 19:1-12; Marcos 10:1-12; 1Coríntios 7:1-40; Hebreus 2:9-11; Salmo 128:1-6
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1090
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 421-429
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1353. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1008. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.611. Reimpressão
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
DE MÃOS LIMPAS
“Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em Meu nome e possa logo falar mal de Mim” – Marcos 9:39b
NESTE mundo em que tudo é para ontem, tudo é rápido, como se estivéssemos fugindo do bicho papão, ou sabe-se lá de quê, apenas por insistirmos estar na crista da onda, e por priorizarmos estar sempre à frente dos nossos antagonistas, fazemos de tudo para podermos aparecer utilizando-nos de meios dos mais absurdos possíveis e impossíveis que passam por nossa imaginação, quando não lutamos com unhas e dentes em busca deles, doa a quem doer, apenas para que nossos intentos sejam satisfeitos. As intenções aí são das mais diversas, assim como as vias para acessarmos e chegarmos até a consumação delas. Hoje, diante de todos os meios à nossa disposição, muitos de nós em vez de ajudarmo-nos uns aos outros, prevenindo estas más intenções com vistas a um mundo melhor e de paz, envolvemo-nos em toda esta agitação, e damos as nossas próprias mãos, sujando-as até então. Não que não devamos ser eficientes na excelência daquilo que propomos ou que não devamos batalhar por aquilo que cremos e queremos, mas que estejamos bem longe das intrigas, ciúmes, invejas, orgulhos, presunções e fanatismo deste mundo. Tudo isso não nos leva a nenhuma edificação – nem de nosso corpo nem de nossa alma nem de nós mesmos, como um todo, na nossa comunidade, na nossa família, nos nossos filhos, e diante de todos os demais. Entretanto, nos iludimos, pensando estar com aquela corda toda, posto que em menos ou mais dia, atrelada a nosso pescoço, esta ruirá do mais alto que estivermos. É quando já é tarde! Ou já vamos tarde? Depende do lado em que estivermos. Mas como de coisas ruins não nos descartamos tão fácil assim, muitos de nós ainda continuamos engrossando as fileiras dos adeptos daqueles que não importam que falem, mesmo que falem mal, mas que falem de nós. Assim, o importante é estarmos na boca do povo, custe o que custar, não importa o teor desta falação. “Falem mal, mas falem de mim”, confirma um certo homem público bem conhecido por seus caracteres pouco ortodoxos de gerir o erário, além da sua autoria de outros tantos fiascos. “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”, alerta o apóstolo Paulo, preocupando-se com as necessidades e interesses dos outros, posto que este seja o melhor alvo para onde deveríamos direcionar todos os nossos atos, estando nós em que esfera estivermos na sociedade, sem nenhuma retórica ou hipocrisia; sem nenhum exclusivismo arrogante e sectário.
Na sua difícil missão de conduzir o povo eleito, em meio a exigências, idolatrias, revoltas e murmurações, Moisés, apesar de haver-se dedicado totalmente ao serviço do povo de Deus, e de considerar pesado este seu cargo, ele também se emocionava com as lágrimas dos israelitas. Por meio de suas orações, Deus lhe ouvia, e respondia os seus pedidos. Foi assim que lhes vieram o maná, as codornizes, os 70 anciãos para ajudarem Moisés, dentre outras promessas cumpridas pelo SENHOR nosso Deus. “Escolhe 70 homens que estejam em condições de colaborar contigo; sobre eles farei descer o mesmo Espírito que se encontrava em ti”, disse Deus a Moisés, e assim o fez, de modo que, “quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais”; servindo para autenticar a liderança destes anciãos. Ora, havia dois anciãos do povo, Eldade e Medade, que, embora não tivessem participado daquele evento dos 70, também receberam o Espírito de Deus e se tornaram profetas, exatamente como os outros 70 anciãos. Armou-se uma grande confusão, posto que pessoas estranhas tinham recebido o mesmo dom de Deus, sem fazerem parte do grupo dos escolhidos. Escandalizado com este acontecimento, Josué, servo de Moisés, e eminente personagem no seio dos israelitas, receando pela reputação do seu senhor – o único a quem competia a suprema direção do povo –, pediu para que Moisés interviesse a fim de impedir que aqueles dois homens profetizassem. Sem sentir qualquer ponta de inveja pelos demais auxiliares, na sua grandeza de ânimo, segundo os especialistas, Moisés simplesmente respondeu, alegremente: “Tens tu ciúmes por mim? Quem me dera que todo o povo do SENHOR fosse profeta, e que o SENHOR pusesse o Seu Espírito sobre ele!” Esta é a Palavra de Deus! Que excelente exemplo para todos nós, principalmente para quem tem ou almeja algum cargo de liderança secular ou no ministério eclesiástico. Qual seria a nossa postura, igual à de Josué ou à de Moisés, diante de nossos colaboradores? Será que somos nós que comandamos o Espírito de Deus ou Ele age como, quando e em quem quiser? Será que a escassez de resultados e o excesso de nossas preocupações não dependem, pelo menos parcialmente, de nós que estamos na liderança e achamos que podemos resolver tudo sozinhos? Até que ponto, por ciúmes, inveja ou insegurança, não boicotamos o bom andamento de um trabalho, as esperanças e sonhos de nossos auxiliares com medo de perdermos o nosso lugar de destaque na empresa, na Igreja ou em qualquer outra instituição, ignorando que, se Deus realmente nos deu qualquer posição em qualquer lugar, ninguém a tirará de nós? É bonito despejarmos elogios a alguém diante dos aplausos de uma efusiva platéia. Mas será que estamos sendo realmente sinceros ou fingindo de bonzinhos pela causa de um possível proveito próprio?
É certo que ás vezes é difícil distinguirmos quem realmente está conosco ou quem está contra nós neste mundo hipócrita e calculista. É certo que também não é fácil apontarmos quem são nossos amigos ou inimigos. Alguém pode se declarar nosso fiel amigo, e, na hora de que mais precisamos dele, na hora de praticar isso tudo, pode nos trair, tirando o corpo fora, deixando o nosso cair na lama e às feras. Para nossa surpresa, alguma outra pessoa, até então, considerada adversária, por nós atacada e até caluniada, pode se revelar como nosso parceiro de confiança, que luta por nossa causa até o fim, venha o que vier nestas horas tão importantes. O Senhor Jesus nos alerta em um outro episódio que pode nos levar à reflexão sobre a nossa sabedoria e discernimento na hora de lidarmos com os dons das pessoas, sejam elas do nosso grupo ou fora dele. O importante é não posarmos de fanáticos, orgulhosos ou presunçosos, e pensarmos que somos os donos do pedaço, e que, ao fazermos parte de um determinado grupo, ninguém mais poderá entrar nele. Temos que abrir mão deste exclusivismo arrogante e sectário. Infelizmente, entre os discípulos de Jesus isso também acontecia. Temos a mania de pensarmos que somente nós ou nosso grupo é que podemos tudo, que podemos praticar qualquer ato que quisermos; qualquer arbitrariedade. Somente nós é que somos os melhores, e ninguém mais tem este direito. Fanatismos, sectarismos, ciúmes, invejas, arbitrariedades e discórdias à parte, o que vale mesmo é o bom desempenho dos nossos dons com abnegação e generosidade, sem a preocupação com o que os outros podem fazer, sem glosarmos o trabalho deles diante da comunidade, se é melhor ou pior do que o nosso, e sem os tacharmos de intrusos, quando eles simplesmente só querem nos ajudar. E sem inseguranças; sem o medo de perdermos o nosso espaço de poder e de prestígio que conseguimos até então. Sem o medo de sermos felizes também, dando uma chance aos outros. Temos que ajudar os outros a serem úteis e desenvolverem os seus melhores dons para o bem dos seus semelhantes, e de si mesmos, e também serem felizes, sem cometermos nenhum escândalo, nenhum tropeço. Sem deixarmos nenhuma dúvida daquilo que realmente somos, mas que não temos o monopólio de nada. Deus deu a cada um de nós aquilo que somos capazes de fazer. Basta percebermos isso e irmos em frente, sem contendas, de mãos limpas, com todo o ânimo, humilhando-nos diante dEle para que Ele possa nos exaltar diante dos outros. Nas Suas lições de discipulado, o Senhor Jesus, conforme narrações de Marcos, salienta-nos o dever da bondade e tolerância mútuas, e enfatiza a nossa disciplina pessoal, quando João, mencionando um exorcista anônimo, que não seguia a Jesus, portanto, não era do grupo dos Seus discípulos, mas que expulsava demônios em nome de Jesus, diferentemente do caso do menino que tinha um espírito mudo, mas que os próprios discípulos não conseguiram expulsar os demônios dele, e também do caso dos exorcistas judeus que o maligno não reconheceu seus poderes, mas, sim, os de Jesus e de Paulo, o evangelista destaca, na opinião dos especialistas, a sinceridade e eficiência deste exorcista, não obstante todos os seus defeitos. João queria que o senhor Jesus proibisse os trabalhos deste exorcista pelos quais as vidas estavam sendo abençoadas e libertadas do poder do mal, mas que, talvez, este homem não reconhecesse a autoridade dos Doze. Sem tirar a prerrogativa dos Doze, mas percebendo o orgulho e exclusivismo deles, Jesus Se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estavam falando. Em vez disso, o Senhor Jesus ensina que o apoio e a comunhão de todos os que defendem Sua causa devem ser gratamente reconhecidos. “Porque quem não é contra nós, é por nós”, diz, para, em seguida, advertir solenemente contra os escândalos que possam fazer tropeçar aqueles de pequena importância para o mundo, “os pequeninos”, os fracos na fé. Os especialistas comentam que comprometer a confiança destes através do uso egoísta e inconsiderado de poder exige a mais severa punição. O apóstolo Paulo diz que é bom nem comer carne nem beber vinho nem fazer outras coisas que possam fazer tropeçar nosso irmão ou que o escandalize ou que o enfraqueça na fé. “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”, avisa o próprio Senhor Jesus para Quem é melhor entrarmos no Reino dos Céus aleijados ou cegos, faltando um de nossos membros, ou mesmo o nosso próprio olho, do que irmos para o inferno com o nosso corpo todo perfeito, numa clara alusão a que é muito difícil renunciarmos os nosso hábitos pecaminosos, mas que devemos perseverar, insistindo na nossa fé e nos nossos serviços, com humildade com vistas a nossa própria paz, seja na Igreja ou em qualquer outro lugar da nossa comunidade. Não devemos temer a cirurgia espiritual para salvar a vida da alma, nos dizeres de J. D. Jones, para não sermos lançados no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, ou seja, no inferno.
REFLEXÃO DE HOJE
“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar. E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no Reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.” – Marcos 9:42-48
LEITURAS DE HOJE
Salmo 19; Números 11:4-6,10-16,24-29
Tiago 4:7-12; Marcos 9:38-50
NOTAS
[1] Judas 3; 1Tessalonicenses 5:22; 1Coríntios 6:12; 10:23,24; Efésios 4:29; Filipenses 2:3; Gálatas 5:26
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1414
[2] Números 11:4-6,10-16,24-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 173
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 412-420
MAC RAE, A. A. Números: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.200. Reimpressão
[3] Marcos 9:38-50; Tiago 4:8,10; Marcos 9:38-42,43-50; Atos 19:15-16; Marcos 9:18; Mateus 18:7; Romanos 14:21; Isaías 66:24; Mateus 10:28
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1007, 1008. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1163, 1164
NESTE mundo em que tudo é para ontem, tudo é rápido, como se estivéssemos fugindo do bicho papão, ou sabe-se lá de quê, apenas por insistirmos estar na crista da onda, e por priorizarmos estar sempre à frente dos nossos antagonistas, fazemos de tudo para podermos aparecer utilizando-nos de meios dos mais absurdos possíveis e impossíveis que passam por nossa imaginação, quando não lutamos com unhas e dentes em busca deles, doa a quem doer, apenas para que nossos intentos sejam satisfeitos. As intenções aí são das mais diversas, assim como as vias para acessarmos e chegarmos até a consumação delas. Hoje, diante de todos os meios à nossa disposição, muitos de nós em vez de ajudarmo-nos uns aos outros, prevenindo estas más intenções com vistas a um mundo melhor e de paz, envolvemo-nos em toda esta agitação, e damos as nossas próprias mãos, sujando-as até então. Não que não devamos ser eficientes na excelência daquilo que propomos ou que não devamos batalhar por aquilo que cremos e queremos, mas que estejamos bem longe das intrigas, ciúmes, invejas, orgulhos, presunções e fanatismo deste mundo. Tudo isso não nos leva a nenhuma edificação – nem de nosso corpo nem de nossa alma nem de nós mesmos, como um todo, na nossa comunidade, na nossa família, nos nossos filhos, e diante de todos os demais. Entretanto, nos iludimos, pensando estar com aquela corda toda, posto que em menos ou mais dia, atrelada a nosso pescoço, esta ruirá do mais alto que estivermos. É quando já é tarde! Ou já vamos tarde? Depende do lado em que estivermos. Mas como de coisas ruins não nos descartamos tão fácil assim, muitos de nós ainda continuamos engrossando as fileiras dos adeptos daqueles que não importam que falem, mesmo que falem mal, mas que falem de nós. Assim, o importante é estarmos na boca do povo, custe o que custar, não importa o teor desta falação. “Falem mal, mas falem de mim”, confirma um certo homem público bem conhecido por seus caracteres pouco ortodoxos de gerir o erário, além da sua autoria de outros tantos fiascos. “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”, alerta o apóstolo Paulo, preocupando-se com as necessidades e interesses dos outros, posto que este seja o melhor alvo para onde deveríamos direcionar todos os nossos atos, estando nós em que esfera estivermos na sociedade, sem nenhuma retórica ou hipocrisia; sem nenhum exclusivismo arrogante e sectário.
Na sua difícil missão de conduzir o povo eleito, em meio a exigências, idolatrias, revoltas e murmurações, Moisés, apesar de haver-se dedicado totalmente ao serviço do povo de Deus, e de considerar pesado este seu cargo, ele também se emocionava com as lágrimas dos israelitas. Por meio de suas orações, Deus lhe ouvia, e respondia os seus pedidos. Foi assim que lhes vieram o maná, as codornizes, os 70 anciãos para ajudarem Moisés, dentre outras promessas cumpridas pelo SENHOR nosso Deus. “Escolhe 70 homens que estejam em condições de colaborar contigo; sobre eles farei descer o mesmo Espírito que se encontrava em ti”, disse Deus a Moisés, e assim o fez, de modo que, “quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais”; servindo para autenticar a liderança destes anciãos. Ora, havia dois anciãos do povo, Eldade e Medade, que, embora não tivessem participado daquele evento dos 70, também receberam o Espírito de Deus e se tornaram profetas, exatamente como os outros 70 anciãos. Armou-se uma grande confusão, posto que pessoas estranhas tinham recebido o mesmo dom de Deus, sem fazerem parte do grupo dos escolhidos. Escandalizado com este acontecimento, Josué, servo de Moisés, e eminente personagem no seio dos israelitas, receando pela reputação do seu senhor – o único a quem competia a suprema direção do povo –, pediu para que Moisés interviesse a fim de impedir que aqueles dois homens profetizassem. Sem sentir qualquer ponta de inveja pelos demais auxiliares, na sua grandeza de ânimo, segundo os especialistas, Moisés simplesmente respondeu, alegremente: “Tens tu ciúmes por mim? Quem me dera que todo o povo do SENHOR fosse profeta, e que o SENHOR pusesse o Seu Espírito sobre ele!” Esta é a Palavra de Deus! Que excelente exemplo para todos nós, principalmente para quem tem ou almeja algum cargo de liderança secular ou no ministério eclesiástico. Qual seria a nossa postura, igual à de Josué ou à de Moisés, diante de nossos colaboradores? Será que somos nós que comandamos o Espírito de Deus ou Ele age como, quando e em quem quiser? Será que a escassez de resultados e o excesso de nossas preocupações não dependem, pelo menos parcialmente, de nós que estamos na liderança e achamos que podemos resolver tudo sozinhos? Até que ponto, por ciúmes, inveja ou insegurança, não boicotamos o bom andamento de um trabalho, as esperanças e sonhos de nossos auxiliares com medo de perdermos o nosso lugar de destaque na empresa, na Igreja ou em qualquer outra instituição, ignorando que, se Deus realmente nos deu qualquer posição em qualquer lugar, ninguém a tirará de nós? É bonito despejarmos elogios a alguém diante dos aplausos de uma efusiva platéia. Mas será que estamos sendo realmente sinceros ou fingindo de bonzinhos pela causa de um possível proveito próprio?
É certo que ás vezes é difícil distinguirmos quem realmente está conosco ou quem está contra nós neste mundo hipócrita e calculista. É certo que também não é fácil apontarmos quem são nossos amigos ou inimigos. Alguém pode se declarar nosso fiel amigo, e, na hora de que mais precisamos dele, na hora de praticar isso tudo, pode nos trair, tirando o corpo fora, deixando o nosso cair na lama e às feras. Para nossa surpresa, alguma outra pessoa, até então, considerada adversária, por nós atacada e até caluniada, pode se revelar como nosso parceiro de confiança, que luta por nossa causa até o fim, venha o que vier nestas horas tão importantes. O Senhor Jesus nos alerta em um outro episódio que pode nos levar à reflexão sobre a nossa sabedoria e discernimento na hora de lidarmos com os dons das pessoas, sejam elas do nosso grupo ou fora dele. O importante é não posarmos de fanáticos, orgulhosos ou presunçosos, e pensarmos que somos os donos do pedaço, e que, ao fazermos parte de um determinado grupo, ninguém mais poderá entrar nele. Temos que abrir mão deste exclusivismo arrogante e sectário. Infelizmente, entre os discípulos de Jesus isso também acontecia. Temos a mania de pensarmos que somente nós ou nosso grupo é que podemos tudo, que podemos praticar qualquer ato que quisermos; qualquer arbitrariedade. Somente nós é que somos os melhores, e ninguém mais tem este direito. Fanatismos, sectarismos, ciúmes, invejas, arbitrariedades e discórdias à parte, o que vale mesmo é o bom desempenho dos nossos dons com abnegação e generosidade, sem a preocupação com o que os outros podem fazer, sem glosarmos o trabalho deles diante da comunidade, se é melhor ou pior do que o nosso, e sem os tacharmos de intrusos, quando eles simplesmente só querem nos ajudar. E sem inseguranças; sem o medo de perdermos o nosso espaço de poder e de prestígio que conseguimos até então. Sem o medo de sermos felizes também, dando uma chance aos outros. Temos que ajudar os outros a serem úteis e desenvolverem os seus melhores dons para o bem dos seus semelhantes, e de si mesmos, e também serem felizes, sem cometermos nenhum escândalo, nenhum tropeço. Sem deixarmos nenhuma dúvida daquilo que realmente somos, mas que não temos o monopólio de nada. Deus deu a cada um de nós aquilo que somos capazes de fazer. Basta percebermos isso e irmos em frente, sem contendas, de mãos limpas, com todo o ânimo, humilhando-nos diante dEle para que Ele possa nos exaltar diante dos outros. Nas Suas lições de discipulado, o Senhor Jesus, conforme narrações de Marcos, salienta-nos o dever da bondade e tolerância mútuas, e enfatiza a nossa disciplina pessoal, quando João, mencionando um exorcista anônimo, que não seguia a Jesus, portanto, não era do grupo dos Seus discípulos, mas que expulsava demônios em nome de Jesus, diferentemente do caso do menino que tinha um espírito mudo, mas que os próprios discípulos não conseguiram expulsar os demônios dele, e também do caso dos exorcistas judeus que o maligno não reconheceu seus poderes, mas, sim, os de Jesus e de Paulo, o evangelista destaca, na opinião dos especialistas, a sinceridade e eficiência deste exorcista, não obstante todos os seus defeitos. João queria que o senhor Jesus proibisse os trabalhos deste exorcista pelos quais as vidas estavam sendo abençoadas e libertadas do poder do mal, mas que, talvez, este homem não reconhecesse a autoridade dos Doze. Sem tirar a prerrogativa dos Doze, mas percebendo o orgulho e exclusivismo deles, Jesus Se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estavam falando. Em vez disso, o Senhor Jesus ensina que o apoio e a comunhão de todos os que defendem Sua causa devem ser gratamente reconhecidos. “Porque quem não é contra nós, é por nós”, diz, para, em seguida, advertir solenemente contra os escândalos que possam fazer tropeçar aqueles de pequena importância para o mundo, “os pequeninos”, os fracos na fé. Os especialistas comentam que comprometer a confiança destes através do uso egoísta e inconsiderado de poder exige a mais severa punição. O apóstolo Paulo diz que é bom nem comer carne nem beber vinho nem fazer outras coisas que possam fazer tropeçar nosso irmão ou que o escandalize ou que o enfraqueça na fé. “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”, avisa o próprio Senhor Jesus para Quem é melhor entrarmos no Reino dos Céus aleijados ou cegos, faltando um de nossos membros, ou mesmo o nosso próprio olho, do que irmos para o inferno com o nosso corpo todo perfeito, numa clara alusão a que é muito difícil renunciarmos os nosso hábitos pecaminosos, mas que devemos perseverar, insistindo na nossa fé e nos nossos serviços, com humildade com vistas a nossa própria paz, seja na Igreja ou em qualquer outro lugar da nossa comunidade. Não devemos temer a cirurgia espiritual para salvar a vida da alma, nos dizeres de J. D. Jones, para não sermos lançados no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, ou seja, no inferno.
REFLEXÃO DE HOJE
“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar. E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no Reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.” – Marcos 9:42-48
LEITURAS DE HOJE
Salmo 19; Números 11:4-6,10-16,24-29
Tiago 4:7-12; Marcos 9:38-50
NOTAS
[1] Judas 3; 1Tessalonicenses 5:22; 1Coríntios 6:12; 10:23,24; Efésios 4:29; Filipenses 2:3; Gálatas 5:26
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1414
[2] Números 11:4-6,10-16,24-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 173
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 412-420
MAC RAE, A. A. Números: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.200. Reimpressão
[3] Marcos 9:38-50; Tiago 4:8,10; Marcos 9:38-42,43-50; Atos 19:15-16; Marcos 9:18; Mateus 18:7; Romanos 14:21; Isaías 66:24; Mateus 10:28
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1007, 1008. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1163, 1164
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