quarta-feira, 28 de março de 2012

JUDAS ISCARIOTES - O Apóstolo Apóstata?



Além de ser uma das figuras mais controversas da Bíblia, Judas Iscariotes ainda é lembrado pela maioria das pessoas como um traidor; como o discípulo que traiu Jesus aos romanos por 30 moedas de prata – isso equivalia ao preço de um escravo daquela época. Assim Judas é nomeado pelos apóstolos após o seu tão degenerado gesto, e a expressão “aquele que traiu Jesus” consta nos quatro evangelhos canônicos [1], compondo um dos itens de toda a história do povo cristão.

Além de traidor [2],Judas também é designado com outros adjetivos nada agradáveis [3] por causa de sua conduta, ainda que

Afirmam as interpretações convencionais que Judas Iscariotes seria um dos mais precoces apóstolos, bem como um dos que detinham maior nível cultural, sendo por este motivo escolhido para ser o Tesoureiro do grupo. Alguns se baseiam neste fato para argumentar que ele sempre cultivou a ganância, sendo por isso escolhido para realizar a terrível traição em troca de um valor que correspondia ao preço de um escravo [4].


Este perfil de Judas é tão marcante que, até os dias de hoje, cultiva-se no folclore brasileiro a tradicional malhação de Judas no sábado de aleluia, quando um boneco confeccionado com palha é enforcado em postes, árvores ou em qualquer outro objeto e, depois de derrubado a tiros, é pisoteado, cuspido, ultrajado e estraçalhado ou queimado pelo povo.

Violências à parte, muitas vezes, nesta ocasião, esse boneco representa alguém da própria comunidade, principalmente autoridades políticas ou outras pessoas não gratas àquele meio. É uma espécie de homenagem ao contrário, ou seja, pelos desserviços ou males prestados por parte destes “homenageados”.

No mundo artístico, talvez a descrição mais conhecida de Judas seja o afresco de Giotto di Bondone (1267-1337) intitulado O Beijo de Judas, que se encontra numa capela na cidade de Pádua, Itália. Outra representação conhecida pode ser encontrada em A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, em que o artista mostra Judas um pouco menor e mais escuro do que os outros discípulos, e ele parece estar segurando um saco que poderia conter o dinheiro do suborno [5].

Muito se tem criticado, escrito e falado sobre a personalidade e o caráter de Judas com o intuito de poder entender a sua mente e explicar o que o levou a praticar o tão fatídico ato. No entanto, muitos também defendem que Judas não deve ser responsabilizado por tudo isso que se fala dele. Vários estudiosos têm sugerido que ele era simplesmente o negociador em uma rendição secreta previamente combinada, e que seu retrato, mais que um traidor, é uma distorção histórica [6].

Outros, ainda tentando defendê-lo, dizem que Judas não merece tanta maldição, posto que mesmo ele tendo essa fama de ladrão, nunca havia deixado de assistir aos carentes.Veja o disparate:

Judas Iscariotes – “aquele que O traiu”, é a maldição que carrega sem merecer. Nacionalista, treinado em guerrilhas urbanas, era o mais jovem e mais culto do Colégio de Apóstolos. Articulador político e tesoureiro do grupo, tinha fama de ladrão, mas nunca deixou faltar óbulos para os pobres, órfãos e viúvas [7].


Tais comentaristas esquecem-se de que essas suas posturas só confirmam o caráter deformado de Judas, acentuando ainda mais os seus atos estranhos. Isso não justifica a sua fama, e nos faz lembrar ditos infames como “rouba, mas faz” ou “estupra, mas não mata”, tão bem conhecidos em nosso meio, que, se não fossem tão reais e grotescos, seriam piadas – de mau gosto, é claro.

Além de outros pontos de vista sobre esse mesmo tema destacados no livro A Conspiração da Páscoa, por Hugh J. Schonfield, e também no polêmico filme A Última Tentação de Cristo, essas ideias voltaram à tona novamente com a descoberta de uma cópia antiga de um evangelho de Judas que se considerava perdido, mas que ainda não foi endossado cientificamente. Considerado apócrifo pela Igreja Cristã, dizem que este dito evangelho seria um escrito gnóstico do século II [8]. A maioria dos estudiosos duvida de que esse evangelho de Judas seja uma fonte confiável de informação.

Por sua vez, os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são os quatro e únicos aceitos pelos cristãos. Por isso é que não se deve esquecer de que as ideias acima expostas não condizem com a Bíblia, que é a regra de fé e prática dos cristãos. Nem mesmo por ela são citadas, defendidas ou relacionadas, o que se leva a crer que não passam de documentos apócrifos ou de meras especulações caracterizadas por pessoas cujos interesses escusos desviam o foco daquilo que histórica e tradicionalmente vem sendo ratificado.

Isso exige de nós uma séria reflexão, pesquisa e um direcionamento com maior acuidade e tratamento com melhor cuidado a respeito daquilo que a Bíblia ensina através dos tempos – se é que temos tal sensibilidade. Assim, dificilmente cairemos em ciladas parecidas com estas: São más as traduções e tendenciosas as referências das narrativas sinóticas ao caráter deste discípulo estigmatizado como “ladrão”, “traidor”, “filho da perdição”. Foi o bode expiatório dos doze e fácil alvo dos recalques do moderno cristianismo [9].

Segundo a Bíblia, desde os mais remotos tempos já se prenunciavam tais fatos sobre o papel de Judas, tendo em vista a missão do Messias [10]. Fatos estes que foram determinados por Deus, com sérias consequências àqueles que os praticassem, diferentemente do que criticam alguns comentaristas que, ao desqualificarem as traduções e as referências das narrativas sinóticas quanto ao caráter de Judas, confundem as pessoas, principalmente num mundo onde hoje em dia tudo é relativo.

Em Mateus 26.14-16, Judas traiu Jesus por ganância com dinheiro de suborno, acertando com os principais sacerdotes o pacto da traição:

Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: Que me queres dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.


Em Lucas 22.3-6 e João 13.27 diz que Satanás entrou em Judas, tomando o controle dele, conforme esclarece João 13.2. Já em João 13.27a diz: “E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás” (Ver também Lucas 22.3-6). E João 13.2 afirma: “Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus”.

Sobre esse pacto da traição, a Bíblia de Estudo de Genebra (1999, p. 1218), comentando Lucas 22.3-6, afirma: “Satanás tomou o controle de Judas (Jo 13.2); foi Judas quem procurou os principais sacerdotes, e não eles quem procuraram Judas. Os “capitães” da guarda do templo eram, na sua maioria, levitas” [11].

Mesmo assim, alguns estudiosos bíblicos apresentam outra versão. Eles dizem que Judas sonhava com Jesus na liderança de uma revolta contra os romanos, assentando-Se no trono de Davi, e, com ele, o próprio Judas, cuidando das finanças. Frustrado com seu plano mirabolante, confabula a traição, entregando Jesus a Seus inimigos por meio da senha de um beijo [12], que é citado em Mateus 26.14-16,47-50, e que ainda hoje faz sentido entre as pessoas quando alguém, fingindo, usa de falsidade para com outrem, beijando-lhe, ou tratando-o de maneira normal, mas que, na realidade, é somente à base das aparências, da mentira, da hipocrisia e das simulações, segundo suas próprias circunstâncias. É o tão famigerado “beijo de Judas”.

Quanto ao fato do sonho não consumado de Judas, há contestações, e foge da verdade bíblica, mas quanto à questão do beijo, a Bíblia traz tudo nos seus mínimos detalhes, assim como as consequências desta traição [13].

Segundo R. P. Martin, com este beijo, o sinal identificador foi o último toque de ironia em que o papel do traidor se completara, já que se tornara cativo de Satanás, conforme João 13.27-30. Ainda segundo a Bíblia de Estudo de Genebra, a recusa de Judas em responder ao apelo de Jesus abriu o seu coração para o controle de Satanás. “Judas era ainda um agente responsável, mas submetera-se ao domínio do mal”, ressalta, lembrando João 8.34, posto que todo o que comete pecado é escravo do pecado [14].

Os comentaristas também afirmam que Jesus tinha plena consciência da Sua traição – João 13.27b, que Ele continua no controle dos acontecimentos, e que, no desenrolar de todos esses eventos, não fazia mais nenhum esforço para refrear Judas no seu propósito fatal. Jesus falou sobre Sua traição várias vezes, e, apesar de nunca ter mencionado Judas pelo nome, Ele o identificava indiretamente [15].

Judas era um nome comum na antiga Palestina. Os escritores dos evangelhos normalmente acrescentaram o sobrenome Iscariotes para deixar claro sobre quem eles estavam falando. Em João 6.70,71 e 13.2,26 Judas Iscariotes é filho de Simão. Ele era o único seguidor de Jesus não proveniente da Galileia, e, sim, de Quiriote, na região da Judeia.

Os pesquisadores dizem que a origem da palavra Iscariotes é incerta, mas o termo é melhor explicado do hebraico de onde “iscariotes” significa “homem de Queriote”, localizada em Moabe – Jeremias 48.24,41; Amós 2.2. Contudo, existe ainda outra identidade possível, a saber, “Quiriote-Hezrom” – Josué 15.25, que fica a dezenove quilômetros ao sul de Hebrom. Ainda segundo esses mesmos historiadores, essa explicação geográfica de “Iscariotes” é preferível ao ponto de vista que traça essa palavra ao termo aramaicizado sikarios e latino sicarius, que signifca “um assassino” – cf. Atos 21.38 [16].

Essas mesmas fontes afirmam que os sicarii eram um grupo de assassinos rebeldes que estava resistindo à ocupação romana do país. Assim, Judas poderia ter sido originalmente um membro deste grupo. Parece que o prisioneiro libertado Barrabás também poderia ter pertencido a este grupo.

Mas paira no ar, ou melhor, fica atravessada na garganta uma pergunta que não se cala: “Pode Satanás possuir um filho de Deus? E o que dizer de que todos os discípulos estavam limpos, menos Judas?” [17] A resposta deve ser, então, porque Judas não era um cristão verdadeiro. Ou melhor, nunca foi.

Martin (1990, p. 884) afirma que Judas nunca pertenceu a Cristo. Diz ainda que Judas caiu do apostolado, mas nunca teve uma relação genuína com Jesus. Por isso é que ele sempre permaneceu como “o filho da perdição”, que se perdeu por nunca ter sido salvo. “Ele sai do relato dos evangelhos como ‘um homem condenado e perdido’ porque assim preferiu, e Deus o confirmou nessa espantosa escolha” [18].

Será? Há controvérsias açuladas pelos liberais de plantão – como sempre, conforme Mariem (p. 149): “Judas foi um apóstolo que pela sua brilhante inteligência bem poderia ter sido o primaz no Colégio de Apóstolos. Creio ter sido ele perdoado por Jesus, que o chamou de amigo ao receber o beijo da traição.” [19]

No entanto, a maioria dos teólogos acredita que Judas agiu de livre vontade e deve ser punido por isso, contrariando os que acreditam ter sido Judas perdoado por Jesus, posto que Ele até o chamou de amigo ao receber o beijo da traição. Até o escritor medieval Dante Alighieri aparentemente concordou, porque em seu Inferno condenou Judas por toda a eternidade nos dentes de Satanás.

De qualquer modo, a respeito destes fatos tudo já estava predito. E contra fatos não existem argumentos, pois a Bíblia, no Evangelho de Mateus diz: “O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido! Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste” [20].

Ainda a esse respeito a Bíblia de Estudo de Genebra ressalta que a morte expiatória de Jesus não resultou de um mero artifício das autoridades mal orientadas. Afirma que o evento e suas circunstâncias, inclusive a traição por um amigo – Salmo 41.9; 55.12-14, tinham sido determinados por Deus desde antes de o mundo ser formado, e que, não obstante, os que levaram a efeito a morte de Jesus permanecem responsáveis por suas próprias ações – Atos 1.16,25; 2.23. Com base em Atos 1.25, R. P. Martin diz que o apóstolo se transformou num apóstata [21].

Daí, o seu fim trágico [22]. A Bíblia diz que Judas, “tocado de remorso”, atirou para o santuário as moedas de prata e, retirando-se, foi enforcar-se. Diferentemente do que dizem alguns teólogos – que até questionam o suicídio de Judas, e até afirmam que tenha sido salvo, assim como também alguns gnósticos que acreditam que ele simplesmente se retirou para o deserto com o objetivo de meditar – cf. Mateus 26.24; Lucas 22.3; Atos 1.16-21,25, outros dão conta de que este remorso de Judas não é a mesma coisa que arrependimento.

Os especialistas ensinam que o arrependimento não consiste apenas em mostrar tristeza pelo pecado, porém, em uma decisiva mudança, uma volta do pecado para uma vida de obediência. Não significa autopunição ou remorso. Judas encheu-se de tristeza e de angústia – Mateus 27.3, mas não se arrependeu.

Assim, cumprem-se as Escrituras. Não do jeito que muitos de nós gostaríamos que se cumprissem, mas segundo os planos de um Soberano Deus, que vêm sendo traçados desde antes da fundação do mundo. E Judas também faz parte desse plano, mesmo com um fim tão trágico para nossa ótica. Judas faz parte desse plano, não do nosso jeito, mas segundo a ótica de Deus; como Ele quer que seja.

Por isso é que, nos dizeres de Martin (1990, p. 884), ainda mais aterrorizante que os cruentes detalhes bíblicos sobre Judas é o claro e franco veredito de Atos 1.25, quando os apóstolos se reúnem para escolher quem ficará no lugar de Judas: “Para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se desviou, indo para o seu próprio lugar” (cf. Atos 1.16,17).

Esta passagem bíblica, e tantas outras que tratam do papel de Judas, não deixam dúvidas quanto ao fim daquele que é conhecido como “ladrão”, “traidor” e “filho da perdição” – e tudo aconteceu, assim como tudo deve acontecer, para a glória de Deus!

Que todos esses eventos sirvam-nos de reflexão nestes tempos de tanta incerteza,hipocrisia,ladroeira e traição, inclusive no meio daqueles que se dizem cristãos.Que cada um de nós vigie, cuidando para não cairmos em tentações. E, na medida do possível, diminuirmos esse "judas" que existe dentro de nós, agindo na contramão dos propósitos de Deus.

Que cuidemos cada dia mais, fugindo até daquilo que tem a aparência do mal, não entristecendo o SENHOR nosso Deus na pessoa dAquele que tanto Se humilhou e sofreu para resgatar os verdadeiros filhos de Deus.Creia nEle somente!


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NOTAS

1 Mateus 10.4; Marcos 3.19; Lucas 6.16; João 12.4
2 João 13.2
3 "avarento" - Mateus 26.14,15; "hipócrita", ladrão" - João 12.6; "filho da perdição" - João 17.12b
4 SANTANA, Ana Lúcia. Judas Iscariotes. Disponível em: www.infoescola.com.br Acesso em 25-08-2011
5 Judas Iscariotes. Disponível em www.gospel-mysteries.net Acesso em 25-08-2011
6 idem
7 MARIEM, Nehemias. Jesus à Luz da Nova Era. p. 76
8 Judas Iscariotes. Disponível em www.gospel-mysteries.net Acesso em 25-08-2011
SANTANA, Ana Lúcia. Judas Iscariotes. Disponível em www.infoescola.com.br Acesso em 25-08-2011
9 MARIEM, Nehemias, op. cit., p. 149
10 Jeremias 19.1-13; Mateus 27.1-10; Zacarias 11.12,13; Mateus 26.14-16; cf. Êxodo 21.32
11 Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1218
12 MARIEM, Nehemias. op. cit., p. 76
SANTANA, Ana Lúcia, op. cit.
13 Mateus 26.47-56; 27.1-61
14 MARTIN, R. P. Judas Iscariotes. In: O Novo Dicionário da Bíblia. v. 2. J. D. Douglas (org.). São Paulo: Vida Nova, 1962, 1990. p. 884. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra, op. cit., p. 1254
15 idem
Judas Iscariotes. Disponível em www.gospel-mysteries.net Acesso em 25-=08-2011
16 idem
O Novo Dicionário da Bíblia, 1962, p. 883
17 João 13.10,11
RAIMUNDO, Francisco César. Judas Iscariotes Perdeu a Salvação? Disponível em www.revistacrista.org Acesso em 25-08-2011
18 MARTIN, R. P. op. cit., p. 884
19 MARIEM, op. cit., p. 149
20 Mateus 26.24,25
21 Bíblia de Estudo de Genebra, 1999, p. 1138
O Novo Dicionário da Bíblia, 1962, p. 884
22 Mateus 27.3-10; Atos 1.16-21,25; cf. Mateus 26.50

sábado, 14 de janeiro de 2012

NA DÚVIDA, PARE; REFLITA! E NÃO CULPE OS OUTROS

“E João, chamando dois deles, enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” – Lucas 7.18b,19.
(Leia todo o contexto – Lucas 7.18-23)


Quem dentre nós nunca passou por um momento de dúvida, mesmo no auge da sua vida? Mesmo nos melhores momentos da sua vida, quem nunca passou por um momento de desalento, de desilusão? Quem nunca passou por um momento de desânimo, por um desencanto qualquer?

Esses momentos interferem ou não no nosso amadurecimento pessoal ou espiritual? Na nossa fé? O que devemos aprender em meio a tudo isso? Os filhos de Deus também passam por isso?

Elias foi um dos maiores profetas do Antigo Testamento. Suas orações sacudiam o mundo. Elias teve a ousadia de condenar o estilo de vida pecaminoso dos reis e rainhas do seu tempo.

Elias enfrentou uma multidão de falsos profetas no monte Carmelo, e chamou fogo do céu diante de todos eles.

Tiago 5.16-18 cita Elias como exemplo de eficácia da oração como o justo que orou para parar de chover por três anos, e durante três anos e seis meses não choveu; e que ele orou de novo para chover, e o céu deu a chuva que fez a terra germinar seus frutos.

Mas esta imagem de Elias seria incompleta se não incluíssemos nela o seu período de desilusão e desânimo, que culminou no momento em que ele se escondeu numa caverna solitária, orando para que Deus acabasse com sua vida miserável.

Este texto que nós lemos em Lucas fala de João Batista, mas começa com um quadro semelhante ao de um profeta desanimado. Este contexto tem seu início no verso 17 deste capítulo 7, e vai até o verso 35. Vamos tratar agora apenas dos versos 18 a 23.

Aliás, os especialistas dizem que o estilo de pregação de João parece muito com o de Elias. Um jeito duro de tratar os incrédulos, tamanha é a certeza da sua mensagem.

João foi um predestinado. Conforme Lucas 1.13-17,57-66,76,77, João foi gerado por Deus para ser o precursor do Messias há muito anunciado. Por meio do seu ministério, “muitos se regozijarão”, pois seria chamado “profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-Lhe os caminhos, para dar ao Seu povo conhecimento e salvação”.

João teve um ministério proeminente. João teve seu auge ao proclamar que o Reino dos Céus estava próximo. As pessoas se reuniam para ouvi-lo pregar e serem batizadas por ele.

João apresentava Jesus como o Messias, o Cordeiro de Deus que veio para tirar os pecados do mundo, e que ele não seria digno nem de desatar as correias de Suas sandálias.

João também denunciou o estilo de vida pecaminoso do governante local, Herodes Antipas 1º, que, dentre as suas maldades, mandou prender João e, depois, decapitá-lo. No final, este foi o preço do ministério de João.

João agora estava na prisão. O ministério de João estava numa pior. Humanamente falando, a carreira ministerial de João terminou em desastre. Seus seguidores se foram. Apenas uma pequena parcela de seus primeiros discípulos permaneceu com ele. João não mais pregava sobre a vinda do Messias. Seu ministério chegou ao fim.

Enquanto isso, a notícia dos milagres e dos prodígios de Jesus corria por toda a Judeia e por toda a vizinhança. O ministério de Jesus crescia em popularidade. Jesus estava no auge. Mas João permanecia preso; sem saber ao certo o que estava acontecendo do lado de fora da sua cela.

Josefo diz que o cárcere de João ficava numa fortaleza localizada na costa oriental do mar Morto chamada Macaeros ou Maqueronte. Era um lugar solitário e desolado.

Imagine uma pessoa com o estilo de João, que pregava com tanta veemência a vinda de um novo Reino, e que esperava por isso, mas que agora estava preso, sem saber o que realmente estava acontecendo lá fora! E, na sua opinião, esse Reino não acontecia. Será que João estava enganado? O que deu errado com a sua pregação? E que Reino seria esse?

Assim, as perguntas, e também as dúvidas e o desânimo, brotavam daquele lado escuro da prisão, atormentando a mente de João. Dizem que, apesar de ser um profeta, João estava sendo apenas humano demais. Talvez esperasse um reino humano, como tantos da sua época também esperavam. Um reino que tirasse o povo do jugo dos romanos.

Mas Isaías não havia prometido que com a vinda do Messias os cativos seriam libertados? No entanto, João estava preso! Também não dizia que esse Messias traria juízo sobre este mundo incrédulo, que Ele estabeleceria o Seu Reino invencível sobre o Seu povo e que nunca mais haveria sofrimento? Mas João continuava preso!

Essas mesmas dúvidas também tiveram os discípulos de Jesus sobre o Seu reino, pensando que seria um reino físico, político, cuja capital seria Jerusalém. Até mesmo na hora de Jesus subir ao céu eles ainda perguntavam quando seria o tempo do reino vindouro.

Ainda hoje nós também temos esse tipo de problema; de dúvidas; de desânimo. Se Deus é tão bom, tão amoroso, como é que Ele nos permite tanto sofrimento, tanta dor, tantas dúvidas?

Talvez João tenha aprendido com esses momentos de crise. E nós também devemos aprender com ele.

1. Na dúvida, pare; pergunte; reflita

“Esta notícia a respeito dele divulgou-se por toda a Judeia e por toda a circunvizinhança. Todas estas coisas foram referidas a João pelos seus discípulos. E João, chamando dois deles, enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? Quando os homens chegaram junto dele, disseram: João Batista enviou-nos para te perguntar: És tu aquele que estava para vir ou esperaremos outro?” – Lucas 7.18-20.

“O Esperado” também pode ser um título para “o Messias”. Todo o ministério de João tinha sido preparado para anunciar que Jesus era esse Messias, o esperado Rei de Israel.

Mas na prisão ele começa a ter suas dúvidas. Estava ele enganado? Tinha entendido mal a palavra profética? João já não estava tão certo daquilo que acreditava? Sua fé estava em dificuldades?

Muitos dizem que não. Mas suas perguntas eram inesperadas, pois vinham de quem foi preparado como testemunha de Jesus (Lucas 3.16,17).

João não entendia por que Jesus não punia os pecadores, e realizava constantemente obras de misericórdia. Viria outro para cumprir as ameaças de julgamento que ele tanto enfatizava em suas pregações?

Daí, de pronto, João envia alguns dos seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele era aquele que estava para vir ou teriam que esperar outro.

Convém lembrar que o próprio João também foi questionado por uma comitiva de sacerdotes e levitas enviada pelos judeus para perguntarem quem ele era, logo no início do seu ministério. E, de pronto, ele responde: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.” (João 1.23).

Você também tem dúvidas? Você tem medo de expô-las, pensando que vai assustar os outros ou ser rejeitado por eles? Não esqueça: Na dúvida, pare. Pergunte, informe-se, e refaça uma nova rota. Não empurre com a barriga, porque, depois, o desastre será bem maior, e pior. João apressou-se logo em esclarecer as suas dúvidas. Quem sabe, esse não seja o seu melhor momento para mudar a sua vida? Para melhor, é lógico!

2. Jesus é fiel. Ele continua o mesmo, e nos aceita, mesmo com as nossas dúvidas

“Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho.” – Lucas 7.21,22.

Veja como Jesus respondeu às dúvidas de João. Ele poderia dizer: Sim, eu sou o Messias que você tanto anunciou, razão esta para a qual você nasceu, para proclamar a minha vinda. O que está acontecendo com você? Por que duvida? Leia a Bíblia, ô, incrédulo!

Mas não. Jesus continuou operando as Suas obras. Diante dos discípulos de João, Jesus continuou cumprindo a Sua parte. Jesus respondeu a João com ações sobre Ele já anunciadas, e em que o próprio João também se baseava nas suas pregações para falar do Messias, “o Esperado”.
Jesus utilizou-Se da mesma linguagem profética utilizada pelos antigos profetas que prediziam a Sua vinda. Jesus respondeu a João com a linguagem de profeta que, certamente, João entendia, já que ele mesmo também era um profeta.

E, com todos os termos utilizados na época pelos profetas, Jesus deu provas da confirmação daquelas profecias, ali, com Suas obras, prodígios e milagres.

E mandou que os discípulos de João testificassem do que viram: “Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho.” (Isaías 35.3-6a; 61.1).

Muitas vezes nós só acreditamos quando nos apresentam provas. Jesus não se importou com as circunstâncias de João. Ele poderia enviar anjos para abrirem as celas, e libertarem a João, como em outras ocasiões fizera com Seus discípulos, e ver tudo o que Ele estava fazendo. Mas não o fez. Apenas deu provas de Quem Ele era por meio das Suas obras. Jesus não deixou pairar nenhuma dúvida sobre quem Ele era. Ele era Aquele que estava sendo esperado, sim.

Mesmo com todas as dúvidas, inquietações, desânimo e desalento de João, Jesus continuava sendo o mesmo, assim como também continua sendo hoje, e será para sempre, operando em nós as Suas maravilhas; os Seus prodígios.

Ele não muda por causa das nossas dúvidas. Das nossas circunstâncias, inconstâncias ou fraquezas. Jesus continua aceitando-nos, mesmo com as nossas dúvidas, porque somente as Suas obras é que podem dirimir as nossas dúvidas, sem retóricas.

E também porque Ele é fiel. Em 2Timóteo 2.13 diz que “Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-Se a Si mesmo.”

3. Felizes os que realmente creem! E não culpam os outros por seus fracassos

“E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.” – Lucas 7.23.

Obviamente que todos nós somos passíveis de dúvidas, erros e desânimos, principalmente diante de um mundo tão conturbado, liberal e relativista quanto esta nossa época.

Lógico que somos fracos. Às vezes, podemos cair. Mas devemos cuidar-nos, e seguir em frente, não importa o que esteja tentando impedir-nos, e não culpar os outros pelos nossos erros e fracassos.

O SENHOR mandou que Josué seguisse em frente. Ordenou a Elias que saísse da caverna, pois tinha mais o que fazer para ele. E Jesus, como o Filho enviado pelo Pai para a nossa salvação, mostrou a João as ações das Suas obras porque Jesus também devia seguir em frente, praticando-as. Era a Sua missão.

Isso só nos mostra que temos que seguir em frente porque, se temos uma missão a cumprir - e se ela foi ordenada por Deus -, Jesus, como nosso Salvador, está conosco, provando-nos e aprovando-nos. Abrindo as portas.

Ele jamais vai impedir-nos de caminhar. Ele jamais vai servir-nos de tropeço. São as provas do Seu amor para conosco. São as provas para as quais Ele foi enviado. E Suas provas são-nos reveladas.

Suas obras são as provas da razão da nossa fé. E estas provas por meio de Seus milagres são as credenciais de que Jesus mostra quem Ele é, e que já vêm sendo prometidas desde o Antigo Testamento, sobre as quais Isaías já falava àqueles que também estavam desanimados, e começando a duvidar.

Querem prova maior do que as obras da cruz? Creia sem duvidar, e seja realmente bem-aventurado!

As obras de Jesus são o antídoto contra todas as nossas dúvidas, desânimo, frustrações, crises e medo. Não importam quais sejam as suas circunstâncias ou dificuldades, olhe para as obras de Jesus. Olhe para Jesus, e veja o que Ele já fez e pode muito mais fazer por você. Suas obras mostram quem Ele realmente é. Coloque suas dúvidas nas mãos dEle. Ele não nos desampara.

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Fontes: BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA, 1999, notas. p. 1192
Studies in the Gospel of Luke. Disponível em www.johnstevenson.net. Acesso:11/01/12

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal?


Natal
Ano-novo
De novo?
Correrias
Presentes
Consumismo
Hipocrisias
De novo?

O que há de novo, então?
O que há de novo, de fato?

E no seu coração?

"Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria
que será para todo o povo
É que hoje vos nasceu o Salvador
que é Cristo
o Senhor"

"E o seu nome será Maravilhoso Conselheiro
Deus Forte
Pai da Eternidade
Príncipe da Paz"

São estas as boas-novas de salvação
Esta é a novidade

Quem crê nisso?

Você crê nisso?

Pense nisso!....

Experimente!....

E Feliz Natal
Feliz Ano-novo!
Todo dia!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ALEGRIA EM MEIO ÀS AFLIÇÕES

“Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.” - João 16.23,24 (leia todo o contexto: versos 16 a 33).

“Sorria, você está sendo filmado!” Quem já não ouviu essa frase ou já não leu em algum lugar de destaque? Ela aparece muito em ambientes fechados, mas de muita aglomeração pública, principalmente quando nos obrigam a ficar horas e horas esperando algum atendimento tipo repartição pública e outros locais semelhantes em que sofremos nas mãos daqueles que estão do outro lado do balcão e onde também se pode ler outra estranha e, no mínimo, irônica inquirição: “Você já sorriu hoje?”

Talvez todos esses dizeres tenham como objetivo imprimir-nos um sentido de que sorrir é ter alegria, é ser ou estar feliz, é ter muita paciência e aguentar firme ali, aconteça o que acontecer que, no final, tudo vai dar certo. Será? Isso não seria mais uma figura de retórica com o intuito de nos acalmar em momentos tão angustiantes que às vezes nos atormentam dias e dias? Será que temos essa capacidade de nos satisfazermos uns aos outros por meio de uma alegria perene ou de uma felicidade plena?

Dia 6 de novembro comemoramos o Dia Nacional do Riso. Em meio a importantes questionamentos, a mídia provoca-nos a refletir sobre estudos que tentam descobrir como um ato tão divertido afeta o corpo e a vida das pessoas, além de querer mostrar que os efeitos do riso vão muito além de uma sensação de bem-estar [1]. Mas qual é o efeito do riso em nossas vidas? Rir é mesmo o melhor remédio? Mas que espécie de riso é esse? O que expressa um sorriso sincero, mesmo em meio às nossas aflições? Quem é capaz de nos trazer a alegria verdadeira, a alegria que supera todas as nossas tribulações?

Quantas vezes nos enveredamos por caminhos adversos em busca de alguma alegria ou daquilo que pensamos ser a nossa felicidade em meio a uma vida, muitas vezes, estressante, turbulenta, solitária e falsa! Quantas vezes em meio a nossos desesperos ou precipitações, diante das nossas aflições e tribulações, desanimamo-nos, e nos perdemos no meio deste caminho porque fizemos escolhas erradas, e não encontramos a verdadeira paz, a alegria que supera as nossas aflições, e muito menos em quem nos apoiar, compartilhar ou desabafar.

A Palavra de Deus é atualíssima, e fala conosco todo dia. Ao tratar desses nossos conflitos, de um jeito ou de outro, mesmo lidando com os contrastes desta vida, assim como os conceitos opostos, conceitos estes que ainda influenciam nossos dias, tais como os conceitos de luz e trevas, de fé e incredulidade, de amor e ódio, de vida e morte, de bem e mal, de alegria e tristeza, o Evangelho de João toca-nos profundamente.

Escrito por volta dos anos 90-96 d.C., e tendo como destaque o ensino, seu público-alvo é a Igreja. Sua palavra-chave é “crer”. É tido como o coração das Escrituras, e seu principal objetivo é que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, crendo, tenhamos vida em Seu nome [2]. No esboço deste Evangelho, desde o prólogo ao epílogo, passando pelo ministério público de Jesus, Sua paixão e ressurreição, isso é notado de maneira persuasiva e contundente.

O texto do capítulo 16, versos 4b a 33, fala-nos da alegria que supera a tribulação. Mas este assunto já começa a ser tratado bem antes, desde o capítulo 14 - quando Jesus conforta os discípulos, tendo em vista Sua morte e ressurreição, já que Ele precisava ir, mas voltaria, e os receberia para Ele mesmo porque na casa de Seu Pai há muitas moradas. Ele iria preparar o lugar deles - versos 1 a 4. “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”, conforta Jesus, no verso 1. Já nos versos 16 e 17, em meio a esse misto de tristeza e alegria, Jesus promete-lhes outro Consolador, o Espírito da Verdade que o mundo não conhece, mas eles O conhecem porque Ele habita neles e estará neles.

No capítulo 15, Jesus dá uma pausa em Seu discurso para falar da metáfora da videira, como se nos dissesse que Ele vai, sim, e que Ele voltará, sim, mas ai de quem não estiver com Ele até o fim, enxertado nEle, dando frutos com Ele. “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” - verso 5.

Já, no capítulo 16, versos 16 a 22, Jesus explica a missão do Consolador, e responde as perguntas dos discípulos por meio de contraposições, de contrastes, como a alegria e a tristeza, além de uma parábola que fala das dores de parto - significando tristeza, e do prazer de ter nascido ao mundo um homem - expressando alegria.

Ou seja, sem Jesus - tristeza; com Jesus - alegria. E, por falar nisso, como está você hoje? Alegre ou triste? Como andam ou por onde andam a sua alegria ou a sua tristeza?

Diante de todos esses fatos, a gente se coloca no lugar daqueles discípulos, no lugar do próprio Jesus, como homem que também era. Naqueles anos todos de convivência mútua, de comum união, de tanto aprendizado, de amizade, de confiança, apesar das dificuldades e diferenças inerentes a cada um deles, agora, depois de três anos de um intenso trabalho juntos, o Mestre fala-lhes de despedidas, e que vai embora...

Se isso se passasse conosco, qual seria o nosso comportamento? Qual tem sido o nosso cuidado quando passamos informações delicadas e importantes em momentos difíceis? Como dizer a verdade sem deixar sequelas, tristezas, já que essa verdade teria que ser dita? Como não expressar nem deixar transparecer a tristeza nem o desânimo nessas horas? Como deixar um traço de alegria onde paira a tristeza?

Os versos 23 e 24 acentuam essa alegria com notáveis características que devem marcar um novo tempo em nossas vidas.

1. A origem da nossa alegria. Onde está e em que consiste essa origem da nossa alegria? Por que Jesus afirma isso? Por que “naquele dia”? Que dia é esse? “Naquele dia, nada me perguntareis” - verso 23a.

A origem da nossa alegria está em poder entender, e compreender, o que Jesus tem para nos dizer, para nos oferecer, e praticarmos, desfrutando tudo isso ao lado dEle, aqui e na eternidade.

Jesus explica aos discípulos que eles já não têm mais que perguntar-Lhe sobre as dúvidas deles, já que havia dissipado o tipo de confusão em que há pouco eles estavam envolvidos - versos 16 a 18, porque, mesmo que Sua presença física fosse retirada do meio deles, Sua presença espiritual permanece com eles por meio das obras do Espírito, começando com o Pentecostes, e continuando durante toda a vida da Igreja, e, finalmente, na eternidade.

Os discípulos pensavam que a expressão “um pouco” contradizia a declaração de Jesus sobre a ida dEle para o Pai - versos 17 e 18.

“Um pouco, e não mais me vereis; outra vez um pouco, e ver-me eis” - verso 16. A primeira expressão refere-se à crucificação, a morte de Jesus, que tiraria Jesus do meio de Seus discípulos - ou seja, uma situação de tristeza - “Um pouco, e não mais me vereis”. A segunda expressão pode referir-se imediatamente ao tempo da própria profecia, da ressurreição, da vinda do Espírito, e também, mais remotamente, da Segunda Vinda de Cristo - isto é, uma situação de alegria - “outra vez um pouco, e ver-me eis”.

Se os discípulos estavam tristes diante de todo aquele ambiente de despedida, até então, de ansiedade e insegurança, eles só puderam estar seguros de sua alegria quando o próprio Jesus lhes explicou tudo direitinho, esclarecendo toda aquela situação, e dúvidas, prometendo-lhes que “ninguém poderá tirar” deles esta alegria - verso 22.

Mas que alegria é essa? A alegria da Sua volta após Sua morte. A alegria da ressurreição. A alegria da presença do Espírito. A alegria de estarem juntos com Ele na eternidade. A alegria da paz depois das suas inquietações. A alegria da resposta das suas petições. A alegria da resposta da oração eficaz em que o Pai ouve e atende as nossas súplicas “em nome de Jesus”, o Deus-Redentor, o Mediador entre Deus e os homens.

Ainda sobre essa mesma temática, utilizando-Se destes mesmos contrastes entre tristeza e alegria, o Senhor Jesus vai mais longe, destacando o nosso passado, o presente e o futuro, e a atuação de Deus no comando de tudo. A parábola da mulher grávida - verso 21, apesar de sua simplicidade e naturalidade, está repleta de ecos de profecias do Antigo Testamento, e tem a função importante de enfatizar a natureza escatológica dos eventos citados por Jesus. A figura das dores de parto é frequente no Antigo Testamento quando se trata de julgamento - cf. Isaías 21.3; Jeremias 13.21; Miqueias 4.9,10.

Isaías 66.7-14 é um exemplo desta imagem aplicada à figura da Nova Jerusalém, ao nascimento de uma nova comunidade. Ou seja, a obra da Igreja de Cristo e o seu nascimento no dia de Pentecostes em que três mil almas foram convertidas e as boas-novas de salvação se espalharam pelo mundo conhecido naquela época.

2. A razão da nossa alegria. Em que consiste essa razão da nossa alegria? Quem é essa razão da nossa alegria? Que poder tem esse nome? Realmente acreditamos nesse nome? “Se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” - verso 23b.

Muitas vezes, nós também nos deparamos com encruzilhadas que nos confundem, e não temos a quem perguntar qual é a saída, ou melhor, por qual caminho deveríamos trilhar com vistas a um final feliz.

Muita vez, buscamos a nossa felicidade por nossas próprias mãos, e aqueles que pensávamos serem nossos verdadeiros amigos desaparecem. Não correspondem às nossas expectativas. Abandonam-nos. Decepcionam-nos.

Muita vez, mergulhamos pelos caminhos mais abjetos que só mesmo depois de experimentá-los, e sofrermos as consequências, é que percebemos a roubada em que entramos, pensando ser a saída.

Talvez tenhamos, sim, momentos de alegria, mas que são apenas momentos. São tão passageiros que temos que repeti-los, esforçando-nos em vão e dolorosamente, perseguindo aquela felicidade que nunca tivemos, numa tentativa de perpetuarmos esses momentos. Assim, eles nos escravizam, como o mundo das drogas, que nos viciam, ou da prostituição, que nos joga na lama, ou ainda de tantas outras atitudes e situações em que nos afundamos que só nos contradizem e desfiguram ainda mais a nossa imagem já muito longe da original quando se trata da semelhança ao Supremo Criador ou da coroa da criação.

Muita vez, buscamos a nossa própria felicidade, tentando encontrar a nossa própria alegria por nossos próprios meios, pelas nossas próprias mãos, e cavamos o nosso próprio precipício, esquecendo-nos de que Jesus é a única razão da nossa alegria. A nossa alegria está somente nEle, e vem somente dEle, porque o Pai nos concede todas as coisas por meio dEle. Ele é o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Ele.

3. Por que, então, não somos alegres? Por que, então, não somos felizes? A quem recorrermos nos momentos difíceis? Em quem depositarmos a nossa total confiança? “Até agora nada tendes pedido em meu nome” - verso 24a.

Não somos alegres, ou felizes, porque olhamos apenas para as nossas circunstâncias, valorizando-as demasiadamente. Olhando apenas para o nosso umbigo, não pedimos ao Pai como deveríamos pedir. Pedimos mal. Egoisticamente, pedimos para esbanjarmos em nossos próprios prazeres. Pedimos sem a devida fé. Pedimos como se jogássemos numa loteria. Pedimos não confiando plenamente em Deus [3].

Também devemos pedir em nome de Jesus porque Deus só nos aceita por meio dEle. O Pai somente nos aceita por meio do Filho.


4. O que fazer para sermos alegres, e, realmente, sermos felizes? Será que estamos fazendo as nossas escolhas corretamente? Em quem e como estamos depositando a nossa alegria, a nossa felicidade, os nossos questionamentos e petições? “Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” - verso 24b.

Para que essa nossa alegria seja completa, basta colocarmos com total confiança as nossas alegrias em Jesus, não nas nossas circunstâncias. Paulo tem um belo exemplo disso, e é dele este alerta: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” - Filipenses 4.4.

Juntamente com as epístolas aos Efésios, Colossenses e Filemom, a epístola de Paulo aos Filipenses está incluída no grupo das epístolas conhecidas como “as epístolas da prisão”.

Em Filipos foi fundada a primeira Igreja Cristã na Europa. Dizem que os filipenses foram um povo hospitaleiro que muito contribuiu para o auxílio de Paulo em suas viagens missionárias - Filipenses 4.15,16. Paulo esteve por três vezes na cidade de Filipos. A alegria é um dos temas dominantes em Filipenses, conhecida como a “epístola da alegria”

Mas o que nos intriga, e muito nos ensina, é que Paulo, quando escreveu esta epístola, estava preso em Roma. Como é que uma pessoa, mesmo estando presa, sofrendo tantas aflições, humilhações, pode falar, escrever, aconselhar, e até incentivar-nos a que devemos nos alegrar?

“Alegrai-vos sempre no Senhor”, e ele ainda insiste: “outra vez digo: alegrai-vos”. Estas palavras nos advertem que somente em Cristo é que nós devemos nos alegrar, não importa a situação que estamos passando. Alegremo-nos sempre.

Eu e você devemos alegrar continuamente. Nós é que devemos praticar esta ação. Nós é que devemos nos alegrar no Senhor. Nós é que temos que tomar uma atitude, porque Deus já fez tudo por nós. Deus já fez Sua parte nesse sentido. A ação depende agora de nós, porque Deus já nos enviou o Seu Espírito para habitar conosco.

A obediência a esse mandamento é sempre possível, mesmo em meio a conflitos, adversidades e privações, porque a alegria não repousa em circunstâncias favoráveis, mas “no Senhor”, e Paulo recorre à repetição para enfatizar essa verdade [4]. O Espírito do SENHOR está em mim. O Espírito do SENHOR está em você. Então, por que não agimos?

Se mirarmos somente em Jesus, todas as nossas dúvidas e incredulidades se dissiparão em meio a este mundo de contrastes e confusões, de mentiras e contradições, de incertezas e solidão. A nossa verdadeira alegria e o caminho que devemos seguir para alcançá-la estão somente em Jesus. Somente Ele é que nos consola em nossas aflições.

A plenitude e a perenidade da nossa alegria, e, consequentemente, da nossa felicidade, estão apenas e tão somente em Jesus. E se nós estivermos em plena comunhão com Ele e obedecermos a Seus mandamentos, tudo o que pedirmos no nome dEle, Ele nos concederá.

Entregue-se a Jesus! Entregue-se de corpo e alma. Entregue-se de verdade. Entregue-se plenamente, e Ele lhe trará tantas alegrias que você nem imagina, porque grandes coisas Ele faz por aqueles que nEle creem.Somente nEle você tem a verdadeira alegria. Somente nEle você é feliz de verdade. Experimente essa alegria! Experimente essa felicidade! Experimente esse desafio!

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1 GONÇALVES, Letícia. Rir faz mesmo bem à saúde? Disponível em www.minhavida.com.br. Acesso em 06/11/2011

2 João 20.30,31

3 Tiago 4.3

4 Biblia de Estudo de Genebra, 1999, notas, p. 1418 - cf. Romanos 12.12; Lucas 10.20

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A ESSÊNCIA DA VERDADEIRA ADORAÇÃO


Nestes tempos do vale tudo, inclusive nos cultos e púlpitos de nossas Igrejas, Samy Anderson vem a público compartilhar sua reflexão sobre como devemos adorar a Deus “em espírito” e “em verdade”, destacando a essência da verdadeira adoração, tendo em vista um fortalecimento espiritual da nossa vida cristã.

Além de cumprir um inestimável alerta contra os falsos profetas e falsos mestres, e também – por que não? – os falsos crentes, que vêm atraindo muitas pessoas também em nossos dias, este livro é importante, não somente a todos os que aspiram ser um verdadeiro adorador dAquele que requer a nossa adoração do jeito que Ele mesmo exige ser adorado, mas também devido ao seu conteúdo, que foi pesquisado e elaborado por meio de vocábulos buscados na fonte e apresentado em linguagem acessível. José Camilo dos Santos - Pastor e jornalista.

Que Deus provoque a reflexão devida sobre essas questões no meio do Seu povo através deste livro. É o nosso desejo e a nossa oração. Solano Portela - Presbítero.

Procura intensa.O assunto desperta grande interesse.








Onde encontrar
e-mail: samyanderson@ig.com.br - tel.(19) 3039-0707 - distribuidores autorizados - principais livrarias da sua cidade.

Quem é Samy Anderson

Casado com Kelly, e pai de Vitória, o Rev. Samy Anderson é graduado em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e cursou a disciplina de Sociologia da Religião para pós-graduação em Sociologia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). É professor de línguas originais, exegese bíblica e Teologia Contemporânea no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil, em Limeira, SP. Hoje, com 32 anos de idade e 12 de ministério, o Rev. Samy Anderson atua como pastor na Igreja Presbiteriana Fundamentalista no Parque Novo Mundo, em Limeira, SP.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A CERTEZA DA SALVAÇÃO

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação,mas passou da morte para a vida.” - João 5:24

Quantos de nós temos certeza da nossa salvação? Você acredita que o verdadeiro crente pode perder a salvação? Uma vez salvo, salvo para sempre? Ou não? Quem é que nos garante a salvação - se é que ela realmente existe -, nós mesmos, por nossos próprios méritos, ou pelos méritos de quem? O que é essa salvação? O Senhor Jesus realmente tem poder para salvar?

Segundo O Novo Dicionário da Bíblia, o conceito de "salvação" está relacionado à “saúde”, “ajuda”, “cura”, “recuperação”, “redenção”, “remédio” ou “bem-estar”,e significa a ação ou o resultado de livramento ou preservação de algum perigo ou enfermidade, subtendendo segurança, saúde e prosperidade.

Nas Escrituras, isso parte dos aspectos mais físicos para o livramento moral e espiritual.

O Novo Dicionário da Bíblia ainda diz que o Novo Testamento indica a inclinação do homem para o pecado, seu perigo e potência, e também o livramento que pode ser encontrado exclusivamente em Cristo, e que a Bíblia nos fornece um relato que desdobra como Deus proveu a base da salvação, tendo-Se apresentado pessoalmente como a salvação do homem.

Isso posto, quem tem, então, o pleno poder para nos garantir a salvação e nos livrar de todo o mal, física e espiritualmente, senão o próprio SENHOR nosso Deus, em Seu Filho Jesus Cristo?

Além de outras manifestações encetadas pelos assumidamente não-regenerados, os hipócritas, que se deixam enganar com suas falsas esperanças lisonjeados pelo amor próprio e traídos pelo espírito de autojustiça e autoconfiança - nos dizeres de Hodge, comentando a Confissão de Fé de Westminster -, também existem pessoas que, paradoxalmente, se dizem cristãs, mas que não têm essa segurança da sua salvação.

Não é à toa que vivemos em tempos de relativismo, de especulações, de controvérsias. Ainda hoje nos deparamos com essa questão da certeza da salvação, da autoridade salvadora de Jesus e Sua divindade.Ainda hoje muitos acreditam que esse assunto depende exclusivamente de cada um de nós. Ou ainda que esse assunto de vida eterna, de salvação, é papo furado, e que Jesus não tem todo esse poder de salvar ninguém, já que Ele nem mesmo Filho de Deus é, e muito menos Deus.

Não é à toa que o texto de João 5:24 encontra-se bem no centro dos 47 versos do capítulo 5 desse Evangelho.Por se tratar de uma bela conclusão de uma exposição lógica feita por Jesus aos incrédulos judeus em que não existe meio termo. Em seu Evangelho, João estabelece as duas respostas possíveis à mensagem de Jesus sobre Sua Pessoa e Sua obra. Não há neutralidade com respeito a Jesus. Neste Evangelho nos defrontamos, desde o início, com a necessidade de escolher entre a fé e a incredulidade.

O capítulo 5 destaca a unidade do Ser e a atividade do Pai e do Filho, e a autoridade de Jesus (5:1-47), incluindo discursos em que Jesus explica Sua missão (5:19-47) e Sua filiação divina (5:19-29), além de Ele mesmo apresentar as testemunhas que falam da Sua autoridade e da Sua divindade - testificadas, segundo Ele mesmo diz, por João Batista, por Suas próprias obras, pelo Pai, pelas Escrituras e por Moisés (5:30-47).

Entretanto, a autoridade de Jesus procede do Pai que confiou a Ele os papéis de Doador da vida e Juiz (5:19-30), e os destaques destes discursos só foram possíveis devido a um conflito entre Jesus e os judeus que questionavam a autoridade de Jesus por causa da cura de um paralítico junto ao tanque de Betesda no dia de sábado (5:1-18).

Os versos 16 e 17 afirmam que os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lO, “porque fazia estas coisas no sábado”. Mas Jesus lhes dizia: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”

Os especialistas afirmam que essa controvérsia a respeito do sábado foi o estopim de uma insistente polêmica sobre a tão discutida natureza da mensagem de Jesus como Messias e Deus. Isso provocou uma crescente reação de incredulidade entre a liderança religiosa de Israel (5:1-12:50).Parece que foi aí que começaram as incansáveis perseguições dos judeus contra Jesus - a primeira declaração aberta de hostilidade que culminou num padrão de comportamento contínuo contra o trabalho incansável de Jesus em conjunto com o Pai em favor da salvação de muitos. Os judeus não aceitavam a divindade de Jesus.

Tal comportamento parece estranho para os nossos dias? Olhando de longe, parece que sim. Mas, de perto, não é bem assim. Quantos ainda hoje também se esquivam de ajudar alguém nas suas deficiências, físicas ou espirituais, apenas por estarem intrínseca e egoisticamente apegados aos seus próprios negócios, conceitos, preconceitos, ou outras convicções e afazeres? Quantas vezes não despistamos as pessoas e fugimos de uma boa ocasião para falar-lhes de esperança, do amor de Jesus, ou de outra boa notícia, argumentando que estamos cansados por causa da nossa lida diária ou atrasados para o nosso compromisso? Ou mesmo por timidez?

Diferentemente, o Pai celeste, em harmonia com o Filho, jamais Se cansa de laborar por nós, posto que Jesus veio para salvar os perdidos, e resgatar os eleitos, trazendo-nos conforto, segurança e a certeza de que Deus está sempre presente nas horas mais difíceis em que pensamos que não vamos mais resistir. Mas quantos de nós cremos nesse Jesus Salvador, nesse Jesus Filho de Deus? Ainda hoje há muitos que apregoam assumidamente a não-divindade de Jesus. Ou mesmo que não creem em nenhuma outra divindade, senão em si mesmos.

Mas, em vez de dar ouvidos ao legalismo dos judeus, Jesus não se importa com as ameaças deles, e aproveita para explicar o Seu poder e a Sua missão, a Sua comum união com o Pai, a relação de intimidade e completa unidade de propósito e ação na Trindade; a Sua relação de identidade e harmonia entre a vontade do Pai e a do Filho; que Ele e o Pai são Um, e que, portanto, o Filho por Si mesmo nada pode fazer se também não o fizer o Pai. “Porque tudo quanto Ele faz, o Filho o faz igualmente”, diz o verso 19 - o que expressa humildade e obediência, não incapacidade pessoal de Jesus.

Assim, a missão de Jesus se solidifica com base na autoridade do amor do Pai ao Filho e, desse amor, provêm maiores obras do que a simples cura de um paralítico, para que nos maravilhemos (verso 20). “Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer.” (verso 21).

Quais são estas maiores obras? No verso 21 Jesus diz que os mortos espirituais serão vivificados. Esse poder só é possível a Deus, mas Jesus reivindica esse poder para Si mesmo (verso 25). A missão de Jesus se revela como vivificante, mas ao Filho foi dado também o poder de julgamento (verso 22). Com isso, unem-se a Jesus as funções de dar vida e de julgar (versos 22,27-29).

Diante de tais prerrogativas, o Filho é a máxima revelação do Pai que deseja que todos honrem ao Filho (verso 23). E somente quem tem tais poderes pode confiantemente assegurar: “Na verdade, na verdade, vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (verso 24).

Confiantemente também nós podemos afirmar que está garantida a nossa salvação, não por qualquer mérito nosso, mas pelos méritos do Senhor Jesus outorgados pelo Pai depois de provar os caminhos da cruz, ser moído, provado e aprovado, morto e ressuscitado.

Mas a nossa salvação requer de nós um ato de fé, porque pela graça somos salvos por meio da fé; e isto não vem de nós, é dom de Deus (Efésios 2:8). Mesmo sendo um dom de Deus, que Ele dá a quem quer, esse ato de fé exige de nós uma nova atitude de vida, uma tomada de decisão aplicada pelo próprio Deus por meio do Seu Santo Espírito, porque Deus salva Seus eleitos.

E, como todos somos pecadores,falhos e finitos, nós dependemos desse dom gracioso de Deus para respondermos com fé a Cristo desde o momento da nossa conversão. Assim está assegurada a nossa salvação, pelos méritos do Senhor Jesus outorgados pelo Pai.É essa a jornada de fé em que Jesus nos mostra o caminho com vistas à vida eterna.

1. “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna” (João 5:24a).

Mas o que é essa Palavra? O Logos, o Verbo que Se fez carne e habitou entre nós, é a Palavra revelada. Ou seja, o próprio Jesus - o Cristo, o Messias, o Ungido de Deus. O mesmo que foi anunciado desde os tempos mais remotos como o novo Adão, e que estava desde o princípio com Deus.

E esse Jesus é o mesmo que, antes de iniciar o Seu ministério terrestre, foi batizado por João Batista e, como num ambiente de festa, veio-Lhe dos céus o testemunho confirmando a Sua identificação como o Servo do Senhor (Isaías 42:1; cf. Êxodo 4:22), relacionando-O com o reinado messiânico (Salmo 2:7). “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”, relata Mateus 3:16,17.

Os analistas afirmam que o aparecimento do Espírito em forma de pomba lembra-nos a atividade criativa do Espírito em Gênesis 1:2, e pode apontar para o começo da nova criação através do ministério de Jesus.

Já no prólogo do seu Evangelho, João apresenta Jesus como esse Logos, a Palavra, o Verbo, o Deus de Deus e Luz de Luz, o Filho encarnado de Deus, vindo a terra para revelar o Pai e redimir o homem, doando-nos a graça e a verdade, onde se destaca a natureza dinâmica da fé (João 1:1-18).

Daí, ouvir a palavra de Jesus é o mesmo que ouvir o próprio Jesus - o Cristo, o Messias. Ou seja, a própria Palavra de Deus, posto que Ele mesmo é a própria Palavra encarnada, o Logos, o Verbo; o próprio Deus que O enviou. Crer nEle é crer nAquele que O enviou, ou vice-versa. Ou seja, é o mesmo que crer em Deus.

Termos distintos, mas importantes, são apresentados aqui, e que são interligados em meio às suas consequências lógicas, cujas ações representadas pelos verbos “ouvir”, “crer” e “ter”, estão no presente:

“ouve a minha palavra” - “Ouvir”, aqui, também tem o sentido de “conhecer”, “obedecer”, “fazer a vontade de Deus”. Mas, para obedecer, é preciso conhecer; conhecer para poder crer porque “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Quem está disposto a pagar o preço?

“crê naquele que me enviou” - Crer no Pai, que enviou o Filho, é o mesmo que crer no Filho (cf. João 3:16; 6:29). "Ouvir" e "crer", aqui, implicam em ação na qual a fé faz uma grande diferença. Se você ouve, mas não crê, de nada vale o seu ouvir. Mais ainda, o "crer" aqui é nAquele que garantiu o Seu próprio Filho para nos redimir; para ser ouvido; para ser crido. Como já foi dito, o Pai e o Filho são Um. São um único Deus, não dois deuses, como os judeus pensavam, e queriam matar a Jesus por blasfêmia.

Até que ponto temos “ouvido” essa palavra de Deus? Até que ponto temos “obedecido” a esse Deus Triúno, e “crido” nEle, “cumprindo”, assim, corretamente, a Sua vontade? E, se realmente cremos, cumprimos a Sua vontade?

“tem a vida eterna” - É a conclusão lógica dos conceitos expostos acima. Quem “ouve” e “crê” “tem”. Tem o que? No caso, a vida eterna. E o que é vida eterna, senão estar com Deus, seja nesta ou na esfera espiritual?

Conforme se apresentam os verbos “ouvir”, “crer” e “ter”, significa que a realidade da nossa salvação está no tempo presente. A nossa salvação é hoje, agora, e urgente. A salvação está acessível a todos os que corretamente reconheçam a Jesus como Messias e Salvador (João 4:25,26,29,42).

A salvação é uma ação concluída que tem um efeito presente, não é apenas um objeto de esperança para o futuro, mas uma presente realidade para o crente, pois aquele que crê “passou da morte para a vida” (cf. 6:47). A vida eterna começa quando se ouve e se crê (cf. João 20:31). E a vida eterna é estar com Deus, aqui e no futuro, quando ressuscitarmos com Jesus.

Portanto, a salvação é uma realidade palpável em nossos dias. Você crê nisso? Você crê que hoje mesmo o Senhor já te livrou de algum mal? Pense bem. Somente Ele é o Autor da nossa salvação. Somente Ele pode nos livrar do mal. Você realmente crê nisso?

2. “não entrará em condenação” (outras versões: “não entra em juízo”; “não será condenada)(João 5:24b).

Se crermos, já é um grande passo para alcançarmos a vitória. Ou seja, para sermos salvos de qualquer mal, do pecado, da morte. Basta irmos em frente com a nossa fé, pois ela pode mover até montanhas.

Sem negar, escatologicamente, o juízo vindouro, para o crente, na palavra de Cristo não há mais tal juízo, pois as Suas ovelhas ouvem a Sua voz, e Ele as conhece, e elas O seguem (João 10:27). Os crentes já passaram pelo julgamento, e já têm a vida eterna, não morrerão, durante toda a eternidade (João 10:28). Serão levados às “moradas” da casa do Pai, pelo Filho na Sua volta (João 14:1-4,23).

3. “mas passou da morte para a vida” (outras versões: “mas já passou da morte para a vida”)(João 5:24c).

Mais uma vez, como é característico em João, são nos apresentados dois conceitos fundamentais, e antagônicos entre si, os quais toda criatura tem que enfrentar. A morte é certa, se estamos vivos. Uma depende da outra. Como falar de uma, desprezando a outra? Como seres finitos, um dia, todos morreremos. E depois disso? Morte eterna ou vida eterna? São dois caminhos que se nos apresentam, e que vamos nos deparar com um deles um dia. Será que estamos preparados? Qual dele nos é reservado?

O que é a morte, senão a cessação da vida; o fim? A morte significa a separação. Espiritualmente, se morrermos, separamo-nos de Deus. E esta ação está intimamente ligada aos pecados que cometermos. Se estivermos em pecado, estamos mortos para Deus. Estamos separados de Deus. Do contrário, já passamos da morte para a vida.

Entretanto, a morte física não deve ser um problema para o crente. Todos nós devemos morrer por causa dos nossos pecados, para, então, acharmos a graça no juízo final. “Se já morremos com Ele, também viveremos com Ele.” (2Timóteo 2:11).A morte não separa o crente de Deus. Pelo contrário, leva-o à comunhão com o Cristo que sofreu, e, portanto, à fonte e origem da totalidade da vida.

O crente, se for um cristão verdadeiro, aprende a considerar, através de um ato de fé, que seus sofrimentos e morte são o sofrer e morte de Cristo, e, assim, a certeza da salvação e da vida eterna (2Coríntios 4:11,12; Filipenses 1;20,21; Romanos 8:36ss).

E a vida, o que é, senão o período ou o espaço de tempo de uma existência concreta que começa com o nascimento? Se para o crente a morte, como significado de pecado, já foi derrotada através de Jesus, conforme enfatiza o ensino do Novo Testamento, a vida significa a vitória sobre a morte.

Espiritualmente, nesse caso, o crente nasce de novo. É a promessa correspondente da vida que já está presente. O crente ficará firmemente de pé no julgamento, e, assim, permanecerá na vida eterna, que é dádiva de Deus, pois é Ele que ressuscita os mortos.

Se viver longe de Deus descreve-se como morte, a vida verdadeira depende da Palavra de Deus (Lucas 15:24, 32; Mateus 4:4), de um Deus que pode matar e vivificar (Mateus 10:28; Romanos 4:17), de um Deus vivo (Mateus 16:16; 26:63); o Deus dos vivos (Mateus 22:32; Marcos 12:27: Lucas 20:38), conforme descreve o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, para quem só há uma vida verdadeira - a de Deus - e só os que recebem a Cristo têm a vida porque “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10), assim como a missão do Logos, em João, é apresentada como o outorgar da vida (João 6:51). Só em Jesus é que se encontra a vida (João 3:16; 5:26,40; 6:53ss; 10:28: 1João 4:9; cf. 11:25; 14:6).

Sem essa vida verdadeira, espiritualmente falando, somos como aqueles cegos, coxos e paralíticos de Betesda à mercê da misericórdia de Deus, e da ação do Seu Espírito, para sermos movidos num ato de fé a fim de ouvirmos a Palavra revelada e crermos nAquele que a enviou a nós para nossa salvação,porquanto do SENHOR é que vem a nossa salvação (Salmo 3:8; 27:1; 37:39, Lucas 19:9, etc.) “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Atos 4:12).

Paulo diz em 1Coríntios 15:19 que se esperamos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis, ou os mais infelizes, de todos os homens. Mas, em Romanos 10:14, ele mesmo questiona: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão aquele de quem não ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue?”

Eis o nosso desafio, ou seja, o papel de cada um de nós cristãos: Proclamar esta salvação a todos, indistintamente - se é que realmente cremos -, porque no meio destes estão os eleitos, como aquele paralítico que foi curado naquele tanque de Betesda, e deixar que Deus por meio do Seu Espírito conclua a obra.

Esse desafio depende de uma atitude nossa para dizer a cada um desses necessitados, perdidos e paralíticos espirituais, que se levantem, que tomem e joguem fora o seu leito, a sua muleta, a sua cegueira, o seu pecado, e andem, e que esse Espírito de Deus lhes mova, e que eles andem até Jesus, ao encontro dEle.

Esse é o nosso desafio, hoje, e urgente.Será que estamos dispostos a expor-nos a isso, a cumprir a nossa missão como verdadeiros cristãos? Será que estamos dispostos a seguir o nosso chamado?

Bibliografia

Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1237-1238, 1402, 1104

BROWN, Colin; COENEN, Lothar (orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2ª ed. v. 1 e 2. Trad. por Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 1323-1325, 2648, 2650

EARLE Ralph, MAYFIELD Joseph H. Comentário Bíblico Beacon. João a Atos. v. 7. 1ª ed. Trad. por Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2006. p. 63-68

HODGE, A. A. Confissão de Fé Westminster Comentada. 2ª ed. Trad. por Rev. Valter Graciano Martins. São Paulo: Os Puritanos, 2008. p.323-335

MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1072-1075. Reimpressão

O Novo Dicionário da Bíblia. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1962, 1990. v.2. p. 1464-1469. Reimpressão

PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. O Argumento de João. In: Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. 1ª ed. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 158-160, 170-171

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A CERTEZA DA VITÓRIA EM MEIO ÀS TENTAÇÕES

“Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” - 1Coríntios 10:13

Dizem que os crentes estão imunes às tentações deste mundo. Que aqueles que sofrem tentações ou provações não estão sendo abençoados, e que Deus não está com eles. Será? O que dizer, então, do próprio Senhor Jesus que disse que neste mundo sofreremos aflições, mas que nEle mesmo encontraremos paz?

O que dizer ainda de que Ele mesmo foi tentado pelo diabo no deserto num dos momentos cruciais de Sua vida terrestre? Jesus estava muito vulnerável fisicamente, mas não espiritualmente. Ali, Jesus estava jejuando há 40 dias e 40 noites em preparação para o Seu ministério. Mesmo assim, o Senhor Jesus vence a Satanás, ordenando-lhe que se retire, dizendo-lhe que somente ao Senhor nosso Deus devemos adorar e prestar culto.

Assim, conforme Mateus 4:1-11, mais uma vez, o Senhor Jesus vence a Satanás pela Palavra de Deus.Apesar das tentações, das nossas provações diárias e de tantas outras provocações, é a Palavra de Deus que nos dá força nesta vida para seguirmos em frente na busca do nosso alvo, da nossa vitória. A Palavra de Deus é a nossa segurança; a certeza da vitória para os crentes cristãos – os eleitos de Deus. É como diz a letra de uma música de Kleber Lucas espalhada pela internet:

“Deus cuida de mim na sombra das suas asas
E não ando sozinho
Não estou sozinho
Pois sei: Deus cuida de mim
Se na vida não tem direção
É preciso tomar decisão
Eu sei que existe alguém que me ama
Ele quer me dar a mão
Se uma porta se fecha aqui
Outras se abrem ali
Eu preciso aprender mais de Deus
Porque ele é quem cuida de mim
Deus cuida de mim”


Sim, Deus cuida de nós. Mas muitos de nós crentes, diante de situação semelhante, às vezes nos desesperamos, esquecendo-nos de quem realmente é o nosso Deus, de Sua fidelidade para conosco, da Sua Verdade, da Sua Palavra, e caímos nas ciladas do diabo, esquecendo-nos dos privilégios da nossa comunhão com Deus, de sermos filhos dEle, de que Ele não Se alegra em nos ver sofrendo, e até mesmo de um ditado popular que diz que Deus nos dá o frio conforme o nosso cobertor. Então, mergulhamos em incertezas, ansiedades e murmurações, ou seja, pecamos mais e mais, chafurdando-nos num vale de lama sem fim.

Em todo o texto de 1Coríntios 10:1-13 Paulo mostra os exemplos da história de Israel que nos podem despertar, e fazer-nos refletir sobre a nossa própria vida nos dias de hoje, e até ajudar-nos a prevenir das tentações, mesmo na certeza de que Deus pode nos livrar na hora exata, já que Ele sempre providencia um escape, mesmo diante das nossas imensas fraquezas.

Nós, muita vez, dificultamos o acesso a esses privilégios, colocando empecilho pelo caminho, complicando o acesso à nossa plena felicidade, valorizando coisas periféricas, fortalecendo os nossos erros e pagando um alto preço pelas nossas atitudes que, em regra, o SENHOR nosso Deus não Se agrada. Nossas atitudes erradas podem nos custar muito caro.

Todo o texto também mostra os tristes resultados do mau uso dos privilégios por Israel que servem de alerta para os coríntios - E por que não para todos nós desta geração, diante da nossa arrogância e cegueira do nosso dia a dia? Quando e como é que poderemos resistir a tantas provocações, senão quando abrirmos os nossos olhos espirituais, descansando-nos e nos espelhando no Senhor?

Quando é que poderemos perceber, diante de nossas tentações, o quanto Deus está nos provando, e provendo-nos de resistências, capacidade e sabedoria para que possamos descansar na Sua paz, independentemente do que vier contra nós, já que o Seu fardo é leve?

Se o texto de 10:12 mostra que a queda é sempre uma possibilidade, o verso 13, mostra que a ajuda de Deus é sempre uma certeza. E, ainda, por sua vez, o verso 13 ratifica um grande encorajamento aos crentes que estão enfrentando tentações e outros tipos de provações. Entretanto, se Deus nos guarda de tentações maiores do que as que podemos resistir, nós não podemos valer-nos de nossas tentações como uma desculpa para pecarmos.

O pecado jamais deve ser uma necessidade para o crente. Este, sim, é que deve sentir na pele o privilégio da certeza da vitória garantida por um Deus que cuida de nós para não cairmos em tentação, apesar dos nossos erros, perdas, peripécias, punições e mau uso destes privilégios.

Que os exemplos de Israel sirvam para nossa reflexão nos dias de hoje, conforme já foi dito, assim como também alerta o apóstolo Paulo:

1 – Conforme o verso 13a, “Não vem sobre nós tentação, senão humana”, mesmo que a tentação sempre nos force a afastar-nos do modo correto de vida. Exemplos citados nos versos 1-5 mostram os privilégios que partilharam os israelitas, e que, por causa do seu pecado, Deus não Se agradou do comportamento da maioria deles, “razão por que ficaram prostrados no deserto” (verso 5).

Os altos privilégios nacionais de Israel não garantiram a bênção individual para todos (10:1-5). Eles partilharam da libertação (verso 1). Eles partilharam na identificação com o Libertador (verso 2). Eles partilharam da provisão (versos 3 e 4). Mas a maioria não partilhou da recompensa da Terra Prometida (verso 5).

“Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram”, alerta o apóstolo Paulo no verso 6. Israel entregou-se à cobiça (verso 6); à idolatria (verso 7); à imoralidade (verso 8); à obstinação (verso 9); e à murmuração (verso 10).

Os versos 6 a 13, ao mostrar o mau uso dos privilégios pelos israelitas, e a punição que se seguiu, alertam os coríntios contra sua arrogância espiritual em meio à tentação. O mau uso dos privilégios que levou Israel a se entregar a pecados grosseiros e a sofrer a punição divina serve como alerta para a Igreja (versos 6 a 11). Os erros do passado servem como exemplo para aqueles que vivem no final dos tempos (verso 11).

Falando por metáfora, Paulo diz ainda, em Romanos 9:24, que devemos correr de tal modo que alcancemos o nosso objetivo assim como um atleta corre para ganhar o seu prêmio. Assim como estes atletas que lutam disciplinando o seu próprio corpo até chegarem ao seu objetivo final, que é vencer a sua luta, os crentes também devem estar dispostos a pôr de lado os seus interesses egoístas na busca de seu alvo principal.

Mas qual deve ser alvo principal de um crente? Reflita, e responda você mesmo para você mesmo. Qual é o seu alvo principal nesta vida? O que você tem em mente nesta sua passagem aqui na terra, como um crente cristão? Você está mesmo sendo vigilante para não cair?

Por isso é que o verso 12 diz que “aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” As consequências de uma queda são terríveis. Trazem-nos sequelas, que se não curarmos delas, tornar-se-ão em incurável doença. Entretanto, o Senhor não nos quer ver doentes, pecando, como um ser errante por aí, já que Ele nos criou para desfrutarmos com Ele das Suas bênçãos, do Seu Paraíso eterno, mas que já estejamos desfrutando disso aqui, desde já, mesmo neste mundo tão controverso.

Por isso é que o Senhor Jesus pede ao Pai que não nos tire deste mundo, mas que nos livre do mal. E Ele tem poder para isso. Diante de todas as nossas aflições, tentações, e provocações outras, é o Senhor que nos livra. E se porventura estivermos sendo tentados é Ele mesmo que nos quer ver sendo provados, desbastados, para sermos cada vez mais fortalecidos, aguardando tranquilamente até o dia da vitória, e podermos dar o nosso testemunho àqueles que também possam ser testados para os mesmos objetivos.

2 – O verso 13b diz que “Deus é fiel, e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças”. Se a tentação sempre nos força a afastar-nos do modo correto de vida, Deus, porém, guarda o crente neste particular. Essa é a nossa segurança, que, por pior que estejamos sendo tentados, Deus é que nos garante a vitória final, já que Ele é fiel, e não permite que sejamos tentados além das nossas próprias forças.

Deus é fiel em Sua Palavra. Ele não é como o homem que vive mentindo, pensando que, assim, possa livrar sua pele do mal, e pratica outro mal. Em Tiago 1:11 está escrito que bem-aventurado é o homem que suporta, com perseverança, a provação, porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. E mais: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.”(versos 13 e 14).

A Bíblia diz que é o Espírito Santo que nos convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). E se Deus é fiel, é Ele mesmo, conforme a Sua própria Palavra, que cuida de nós, não permitindo que venha sobre nós tentação, senão humana. E, por Ele ser fiel, também nos permite suportar essas tentações, assim como as provações e provocações.

Será que realmente temos esta certeza, esta percepção, e estamos dispostos, e até mesmo preparados, para que roguemos ao Espírito de Deus que nos ajude neste sentido, prevenindo-nos contra o pecado?

3 – Já o verso 13c diz que, “antes, com a tentação, Deus nos dará também o escape, para que possamos suportar”, alertando-nos que se esse crente se apoiar em Deus, achará meio de escapar, pois o Senhor sempre mostra o caminho desse escape. E, juntamente com esta tentação, Deus nos proverá livramento, de sorte que possamos suportar, encontrando uma saída para tal e fortalecimento, entendendo que estas provações foram para o nosso bem por causa do imenso amor desse mesmo Deus a Seus filhos como um pai que os corrige.

As nossas tentações, provações, e demais provocações neste sentido, só nos servem para o fortalecimento da nossa própria fé, e do grande amor de Deus para conosco, pois quem nos separará deste amor de Deus em Cristo Jesus?

Mais uma vez, em Tiago 1:2,3 está escrito que devemos estar felizes quando cairmos em várias tentações, posto que elas são a prova da nossa fé, prova esta que opera a nossa paciência, porque nos gloriamos na esperança da glória de Deus, conforme está em Romanos 5:2b-5.

Já em 1Coríntios 10:12,13 mostra-nos como o exemplo assustador de Israel pode motivar os próprios coríntios a desistir de sua arrogância e a buscar ajuda divina. E, quanto a nós, em que outros exemplos podemos ainda nos espelhar para encontrarmos a nossa verdadeira paz espiritual?

Por isso é que a nossa segurança deve estar em Deus, porque temos paz com Ele por meio de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por isso é que devemos gloriar-nos nas nossas próprias tribulações, posto que elas produzem a paciência e a paciência produz a experiência e a experiência produz a esperança, conforme aponta o apóstolo Paulo em Romanos 5:2b-5, como que ilustrando tudo o que dissemos até aqui. Ou seja, quem tem paciência, tem esperança. Portanto, sabe suportar as tribulações.

Mas o que significa ter essa paciência? O pastor Samy Anderson, numa de suas exposições sobre Tiago 5:7-11, explicou que a paciência é a capacidade de suportarmos todo tipo de provação, e até de provocação, com vistas ao bem, sobretudo instigado por quem estiver ao nosso lado. Não é acomodação, mas ação. Isso só nos faz concluir que quem tem paciência, tem esperança, e quem tem esperança sabe suportar as tribulações ou provações, e provocações outras. Ou seja, sabe esperar, porque tem fé, mas vai à luta na certeza de alcançar o seu alvo; a sua vitória.

Que o Senhor nos instigue, para que continuemos nessa luta com vistas ao alto, que é o nosso alvo.
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Bibliografia

Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1357

PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios. 1Coríntios: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1206. Reimpressão

PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. O Argumento de 1Coríntios. In: Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. 1ª ed. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 280-281