quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A ORAÇÃO QUE AGRADA A DEUS
“porque todo o que se
exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.”
– Lucas 18.14b
Se o Evangelho de
Lucas é direcionado aos gentios para provar que o Senhor Jesus é o Filho do
Homem, o Homem Perfeito, o Divino Filho de Deus encarnado que veio buscar e
salvar os perdidos, o texto que vamos tomar como base para nossa reflexão, que está
em Lucas 18.9-14, e seu contexto, na verdade, vai até o versículo 17 deste
capítulo, trata da oração como a comunicação vital [1] com Deus nestes nossos tempos
perigosos até o estabelecimento do Reino de Deus com a vinda desse Filho do
Homem.
Todavia, qual é o
ingrediente essencial para que possamos fazer parte desse Reino? Quais as
qualidades que devemos ter diante de Deus para tal? Como comportarmos e como
praticarmos esta comunicação vital?
Se para engajar-nos
nessa comunicação temos que envolver nossas orações, então, como é que devemos
orar? O texto fala que dois homens fizeram suas orações, mas cada um orou do seu
jeito. Quem são esses homens? Qual dos dois agradou a Deus com suas orações? Ou
será que todos eles agradaram a Deus? Qual é a oração que agrada a Deus?
1. A oração que
agrada a Deus não deve envolver a nossa própria autoconfiança em nós mesmos,
nem a prática da justiça por nossas próprias mãos, e nem o nosso desprezo para
com os outros.
“Propôs também esta
parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e
desprezavam os outros.” – Lucas 18.9
Na passagem de Lucas
18.1-17,
Jesus passa de uma primeira parábola que fala da importância da oração (v. 1-8)
para uma segunda parábola que fala sobre como devemos orar (v. 9-14). Lucas
começa dizendo-nos por que Jesus está relacionando estas duas parábolas.
Esse texto é
estratégico porque fica quase no meio dos seus contextos remotos posteriores e
anteriores, ou seja, Lucas 17.20 e Lucas 18.31, respectivamente, interligando-o,
como um todo, e complementando os argumentos da pergunta disputada pelos
fariseus: “Quando virá o Reino de Deus?”.
É por causa dessa
pergunta, e é aí nesse versículo 20 dessa perícope, que toda esta questão se
inicia, ocasião esta que nos proporciona um grande ensinamento sobre como
devemos orar e como devemos nos portar na esperança da vinda do Filho do Homem.
Assim, logo no
início de Lucas 17.20ss, os fariseus perguntam a Jesus sobre a vinda do Reino
de Deus. O Senhor Jesus responde que esse dia não virá com sinais visíveis, mas
que este Reino já estava no meio deles por causa dEle. Mesmo assim, haverá um
dia, no futuro, em que essa vinda do Filho do Homem acontecerá como um raio, um
dilúvio, ou seja, quando menos esperarmos.
Em Lucas 18.1-8, o
texto nos ensina que, por isso mesmo, é que devemos continuar orando,
persistentemente, e nunca esmorecer.
Embora o texto de Lucas
18.15-17 não mencione exatamente quando este fato ali narrado tenha acontecido,
o mesmo faz uma conexão tópica neste incidente com as crianças como uma
parábola viva das verdades que ele acaba de descrever. [2]
Se uma parábola
ilustra um fato para sua melhor compreensão, este fato citado em Lucas 18.15-17
ilustra a parábola do fariseu e o publicano. Ou seja, que devemos receber o Reino
de Deus como uma criança; com as qualidades de uma criança, tais como (1) confiança
– no sentido de simplicidade,
ingenuidade, que não tem desconfiança; (2) impotência – no sentido de fragilidade,
que não tem defesa; e (3) docilidade – ou seja, acessibilidade a todo
ensinamento, que não tem resistências.
Em Lucas 18.18-30, Jesus
alerta sobre alguns perigos que podem nos impedir de herdar o Reino de Deus,
como as riquezas, por exemplo.
Enfim, Lucas
18.31-34, conclui que a respeito desta questão da vinda do Reino de Deus, o
Filho do Homem terá que morrer, depois, ressuscitar, e, igualmente, preparar um
lugar junto ao Pai para os Seus escolhidos, os que foram justificados nEle.
No entanto, enquanto
isso, enquanto o Filho do Homem não vem, enquanto a vinda do Reino de Deus não
se estabelece, temos que nos empenhar incessantemente num destes processos
vitais de comunicação com Deus que é a nossa perseverança na oração.
O versículo 10 do
capítulo 18 do Evangelho de Lucas diz que dois homens, um fariseu e, outro,
publicano, tinham o hábito de orar no templo. Só que eles agiam bem diferentes,
no espírito e propósito de suas orações.
Os fariseus eram a elite espiritual daquela época. Eles
eram a elite religiosa, como muitos dos que se dizem crentes ainda hoje. Eles mantinham a autoridade das
Escrituras. Eles acreditavam no sobrenatural e na ressurreição.
A palavra “fariseu” vem do hebraico “parash”,
e significa "separar". Eles tinham se separado dos gentios e da
forma helenística de vida. Tinham por hábito fazer justiça a seu modo. Eles
se viam como o último bastião da moralidade.
Já os publicanos eram os coletores de impostos.
Como acontece ainda hoje, os cobradores de impostos eram vistos com desprezo. Eles
eram homens que pagavam o governo romano para comprar uma franquia para poderem
recolher os impostos do povo. Assim, mantinham seus lucros sobrecarregando
as pessoas por meio dos impostos que cobravam.
Os publicanos eram considerados os párias da sociedade.
Sua presença nas sinagogas não era permitida. Eram tratados com desdém pelos
fariseus. Em Lucas 15.1,2 Jesus foi criticado pelos fariseus porque comia com
publicanos e pecadores.
Em sua oração, o
fariseu agradeceu a Deus porque não era igual aos outros homens, muito menos
àquele publicano, que também orava ali à sua frente. O fariseu recitou todas as
suas obras meritórias. Por sua vez, o publicano rogou, contrito, pedindo
misericórdia, como um pecador.
Alguma semelhança com os nossos dias?
Até que ponto nós podemos considerar-nos melhores
do que os outros, principalmente dos menos favorecidos em quaisquer
circunstâncias? Só porque somos crentes ou temos um cargo importante na Igreja?
Ou porque somos membros mais antigos? Só porque temos o que consideramos um bom
emprego ou temos um cargo importante em alguma empresa de prestígio?
Devemos ter cuidado para não cairmos nessas
armadilhas.
2. A oração que
agrada a Deus não deve envolver nenhum excesso de auto-estima da nossa parte, nenhum
tipo de vaidade, orgulho, arrogância ou prepotência.
“O fariseu, posto em pé,
orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou
como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este
publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” – Lucas 18.11,12
Será que Deus é obrigado
a ouvir tantas peripécias, tantas baboseiras, que ainda acontecem nos dias de
hoje no meio da Igreja? Será que Deus é obrigado a rebaixar-Se diante daquilo
que pensamos ser, e ter, para que Ele possa conceder-nos aquilo que
pretensamente queremos e pedimos?
Será que Deus tem
que me abençoar porque eu cumpro tudo direitinho, porque faço tudo o que é
preciso, conforme a lei manda? Porque eu sou o cara? Mas será que sou mesmo
esse cara diante de Deus?
A nossa oração não
deve ser um toma-lá-dá-cá diante de Deus, nem um “negócio” com Ele. Deus não é
o meu servo, o meu empregado, ou o meu escravo que trago comigo como um
cachorrinho, puxando-O numa cordinha amarrada ao pescoço dEle para satisfazer
os meus desejos ou exibi-lO àqueles que ainda não O alcançaram. Também não é
por nossos próprios méritos que Deus nos concede a Sua graça.
Isso não é uma
oração. Isso é uma antioração que poderá gerar sérios prejuízos à nossa fé.
Deus já sabe tudo
sobre nós. Nós temos apenas é que saber colocar-nos diante dEle, pedir,
condizente e condignamente, com a nossa própria boca, para que Ele possa nos
ajudar. Nós temos é que fazer a nossa parte direitinho para que Ele também possa
atender-nos direitinho.
Orar não é tecer
diante de Deus um rol daquilo que pensamos ser ou ter. Por mais que tenhamos ou
somos, não temos e não somos nada diante dEle. Cumprimos apenas com a nossa
obrigação de sermos gratos a Ele por tudo. Somos servos inúteis, incapazes de
avançarmos um palmo à frente do nosso nariz, se não tivermos a permissão de
Deus.
Tiago 4.1-4 diz que não temos nada porque não
pedimos; e se pedimos, não recebemos, porque pedimos mal.
3. A oração que
agrada a Deus deve envolver a humildade e o reconhecimento sincero da nossa
posição de necessitado e pecador que depende única e exclusivamente de Deus.
“O publicano, estando em
pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito,
dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” – Lucas 18.13
O livro de Joel
Beeke “João Calvino: Amor à devoção,
doutrina e glória de Deus” [3] diz que Calvino defendia que a oração não
podia ser realizada sem disciplina. Ele escreveu: “Se não fixarmos certas
horas do dia para a oração, ela escapará facilmente de nossa memória”.
Calvino prescreveu várias regras para orientar os crentes a oferecerem
oração fervorosa e eficaz.
§ a primeira é um senso sincero de reverência.
§ a segunda regra é um senso sincero de
necessidade e arrependimento.
§ a terceira regra é um senso
sincero de humildade e confiança em Deus.
§ a regra final é ter um senso sincero de
esperança confiante.
Enquanto o fariseu orava de si para si mesmo,
confiante em si mesmo, nele não havia nenhuma humildade. Ele estava cheio
de orgulho. Ele baseava na sua própria justiça. Ao pensar que com suas próprias palavras estivesse
adorando a Deus, na verdade, ele estava adorando a si mesmo.
Já o publicano tinha
uma
postura diferente. Ele não se dispunha nem mesmo a levantar os olhos para
o céu. Era um coração cheio de tristeza e
arrependimento. Sua oração era diferente. Sua oração era de
arrependimento. As palavras da sua oração eram significativas: “Ó Deus, sê
propício a mim, pecador!”
Nos dizeres de Stevenson, [4] a oração do publicano
era curta e direta como numa mensagem de telegrama: Sê misericordioso. Assinado: O Pecador. Enquanto o fariseu baseava
na sua própria justiça, o publicano olhava para a justiça de Deus.
4. A oração que
agrada a Deus salva os pecadores, quebranta os corações e exalta os que se
humilham.
“Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque
todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” – Lucas 18.14
A Bíblia está
recheada de pessoas que persistentemente oravam. Incansavelmente, prostravam-se
diante de Deus a ponto de pensarem mal delas por causa do seu jeito de orar.
Mas, no final, elas conseguiam os seus resultados. Deus ouvia o pedido delas.
O próprio Senhor
Jesus orava persistentemente. Na Sua agonia, antes de ser traído e preso para
ser levado à morte, mesmo ciente do Seu papel, humildemente, Ele orava a
Deus-Pai intensamente enquanto Lhe aparecia um anjo que Lhe confortava (Lucas
22.39-46).
Diferentemente, enquanto
o Senhor Jesus persistia em Suas orações, os Seus discípulos, que foram
convidados a orar com Ele, dormiam (Mateus 26.38-41).
Quantas vezes nós não
trocamos esses momentos tão decisivos para nossas vidas e tão importantes para o
nosso fortalecimento espiritual – e também para o nosso conforto, até mesmo
material –, por outros momentos que pensamos ser mais cômodos para a nossa
auto-estima? Para o nosso bel-prazer? Ou até mesmo para dormirmos,
literalmente?
Será que estamos
vigiando e orando realmente? Ou invertendo os termos, orando, somente depois do
malfeito, sem vigiarmos, primeiro? Será que não estamos alimentando as nossas próprias
tentações?
A oração silenciosa
de Ana, mãe de Samuel (1 Samuel 1.9-18), agradou tanto a Deus que ela foi
atendida.
A oração do
publicano agradou a Deus, e não a do fariseu. Enquanto o fariseu confiava nos seus
próprios méritos, não entendendo que nenhuma justiça humana é suficiente diante
de um Deus que exige perfeição (Mateus 5.48), o publicano confiou na graça de
Deus, e a encontrou. Foi justificado. Foi perdoado o seu pecado.
É certo que Deus
ainda ouve as nossas orações como ouvia no passado. A oração tem poder, desde
que seja feita conforme o ensino bíblico. O próprio Senhor Jesus dá-nos o
modelo de oração perfeita (Lucas 11.1-4). Mas devemos estar em condições para
poder pedir a Deus (Isaías 1.15,16; Mateus 21.22).
E quanto a nós,
você, e eu, será que as nossas orações têm agradado a Deus? Será que a nossa
humildade tem sido verdadeiramente sincera? Será que temos nos entregado com
toda sinceridade ao Senhor? Será que estamos colocando nossos pedidos, ou mesmo
a nossa gratidão, diante do altar do Senhor com fervente oração?
Concluindo, veja o que dizem alguns versos de um cântico antigo, e lindo, que ainda
fala muito forte aos nossos corações:
Em fervente oração, vem o teu coração
Na presença de Deus derramar
Mas não podes fruir o que estás a pedir
Sem que tudo abandones no altar
Na presença de Deus derramar
Mas não podes fruir o que estás a pedir
Sem que tudo abandones no altar
Se orares, então, sem que o teu coração
Goze a paz que o Senhor pode dar
É que Deus não sentiu que tu'alma se abriu
Tudo, tudo deixando no altar
Goze a paz que o Senhor pode dar
É que Deus não sentiu que tu'alma se abriu
Tudo, tudo deixando no altar
_______________
NOTAS
[1] Porto, Carlos
Osvaldo Cardoso. O Argumento de Lucas.
In: Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 141
[2] Stevenson, John. Prayer,
Pride and People of the Kingdom Luke 18.18-43. In: Bible Study Page.
Disponível em http://www.angelfire.com/nt/theology/lk18-01.html
Acesso em: 23/08/2012
[3] Beeke, Joel. As Quatro Regras
de Oração de João Calvino.
Disponível em http://www.blogfiel.com.br/2012/11/as-quatro-regras-de-oracao-de-joao-calvino.html
Acesso em: 09/11/2012
[4] Stevenson, John. op. cit.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
|
“
|
Glória a Deus nas alturas
paz na terra
boa vontade para com os homens
Desejos
eternos
retóricas
para
o mundo
imundo
surdo
e
mudo
|
“
|
Não temais
eis a boa-nova de grande alegria
para todos
nasceu o Salvador
que é Cristo
o
Senhor
Esperanças
eternas
expectativas
nova
vida
realidade
para muitos
os
que creem
e
persistem
verdadeirante
|
F
|
eliz
Natal
e
próspero Ano-Novo!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
NECESSIDADE DE
SEGURANÇA
“Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o
socorro?”- Salmo 121.1
Será que nunca nos
sentimos inseguros? Será que nunca nos sentimos sozinhos diante das ameaças de
perigo desta vida? E hoje em dia, em plena luz do sol ou da lua, assim como das
luzes da cidade, será que podemos usufruir desta garantia constitucional – o
direito de ir e vir – sem nenhum temor?
Será que os homens,
seja como cidadão comum, seja como representante do poder público constituído,
podem garantir-nos alguma segurança?
É certo que podemos passar por momentos de incerteza. Então, a quem recorrermos nessas horas? Quem é que
pode assegurar-nos segurança plena capaz de deitarmos e levantarmos em paz
todos os dias, inclusive poupando a nossa alma do mal?
O Salmo 121 pode
ensinar-nos algumas lições sobre esses momentos tão importantes de nossa vida. Mas,
antes, convém lembrarmos que este texto faz parte de uma coleção de salmos que
constitui um grupo distinto que, segundo os especialistas, por si só, já é um
saltério em miniatura, dada a variedade de temas, autores e prováveis datas de
origem.[1]
Esta coleção é composta de 15 cânticos que vão do Salmo 120 ao Salmo 134, e é intitulada de Cânticos de Romagem ou de Peregrinação, ou ainda Cânticos dos Degraus.
Esta coleção é composta de 15 cânticos que vão do Salmo 120 ao Salmo 134, e é intitulada de Cânticos de Romagem ou de Peregrinação, ou ainda Cânticos dos Degraus.
Mesmo sem condições
de poderem explicar satisfatoriamente a razão desses títulos, a verdade é que
esses cânticos eram frequentemente entoados, depois do retorno do exílio,
pelos adoradores que subiam a Sião para as festividades do ano judaico.[2]
Ao fazer parte desta
coleção, o Salmo 121 proclama uma
expressão de confiança individual em Deus, e implica numa situação de incerteza
onde qualquer possibilidade de perigo é contrabalançada pela segurança
ilimitada e indubitável no poder e na vigilância do Senhor.[3]
Em resumo, expressa uma expectativa confiante na intervenção divina.
De uma suposta
incerteza a uma manifestação de confiança total em Deus, o Salmo 121 ensina que
nesta confiança, Deus nos abraça com Sua graça e nos guarda e nos protege e nos
salva física e espiritualmente em total segurança. Mas será que cremos nisso? Será
que temos essa confiança em Deus, mesmo diante de tantos desafios em nosso dia
a dia?
Vamos refletir
sobre alguns passos dessa segurança que tanto necessitamos em nossa vida.
1. Necessitamos de segurança, e essa segurança vem
somente de Deus que nos socorre prontamente.
“Elevo os
olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR,
que fez o céu e a terra.” – Salmo
121.1,2
À primeira vista, parece
que o salmista está sozinho, inquirindo em seu íntimo, como um sentinela que
está vigiando por causa de um possível perigo: De onde me virá o socorro? Então,
vem-lhe a resposta, confiante: O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a
terra. A vista do salmista estava firmemente fixada no alvo final – Jerusalém;
e em Sião – o monte de Deus.
Isso significa que a expressão para os montes (verso 1) demonstra que Jerusalém
ficava na região montanhosa da Judeia, e que o templo também foi edificado sobre
uma colina – Sião. Como obras de seu Criador, os montes diante da vista do salmista - que, por sua vez, igualmente, é outra obra do seu Criador - inspiravam-no a refletir sobre Deus.
É a natureza inspirando o salmista a refletir sobre o seu Criador – as criaturas diante da obra de seu Criador confrontando a obra com o seu Criador (cf. Romanos 1.19,20), identificando-se mutuamente, assim como tão bem podemos identificar uma obra de Picasso, de Monet, de Becheret ou de Villa-Lobos, dentre tantas outras obras e seus autores, cujos estilos, traços e demais características tão pessoais estão ali em suas criações muito bem detalhados, indubitavelmente.
É a natureza inspirando o salmista a refletir sobre o seu Criador – as criaturas diante da obra de seu Criador confrontando a obra com o seu Criador (cf. Romanos 1.19,20), identificando-se mutuamente, assim como tão bem podemos identificar uma obra de Picasso, de Monet, de Becheret ou de Villa-Lobos, dentre tantas outras obras e seus autores, cujos estilos, traços e demais características tão pessoais estão ali em suas criações muito bem detalhados, indubitavelmente.
Como criaturas de
Deus, será que servimos como inspiração para que outros possam ver em nós esse
nosso Criador? Será que as pessoas podem acreditar nEle através de nós? Será que servimos de exemplo
para que outros possam crer em Deus por intermédio de nossos atos, de nossa postura? Será que realmente refletimos em nós a imagem de nosso Criador?
Diante dessa
grandeza da criação (Salmo 19), representada por estes montes, o salmista sente-se
tão confiante, mas tão frágil, que se preocupa com a sua segurança quando tiver
que apelar por um socorro urgente. Porém, de imediato, ele mira em Deus, na
certeza de onde virá seu socorro.
Em quem mirarmos hoje
quando necessitarmos de segurança? Nos políticos e suas políticas públicas? E o
cidadão comum como é que fica em meio a tudo isso?
Assim como nas áreas
de saúde, transporte, habitação, a segurança tem sido um tema recorrente que
nunca satisfez as reais necessidades desses cidadãos.
Mas os políticos e suas políticas públicas, ou seus programas de governo, sempre trazem à tona essas questões entra e sai campanha eleitoral, até vencerem as eleições. Aí esquecem suas promessas, e tudo continua como dantes no castelo de Abrantes. Nunca atacaram o cerne do problema. Nunca passaram da retórica. Assim, os problemas agravam-se a cada dia, assustadoramente, e o povo que se dane.
Mas os políticos e suas políticas públicas, ou seus programas de governo, sempre trazem à tona essas questões entra e sai campanha eleitoral, até vencerem as eleições. Aí esquecem suas promessas, e tudo continua como dantes no castelo de Abrantes. Nunca atacaram o cerne do problema. Nunca passaram da retórica. Assim, os problemas agravam-se a cada dia, assustadoramente, e o povo que se dane.
O cidadão comum fica
no meio desse fogo cruzado das retóricas, das balas perdidas e de tanta violência, como os alvos dos jogos
virtuais, sem a sua verdadeira identidade, mesmo pagando seus impostos, mas que ainda vive refém
do medo, da insegurança. De mãos atadas, lamenta sem saber para quem, e esta insegurança continua
a todo vapor. Assim, vivemos numa verdadeira guerra em busca de paz, mas sem o
temor de Deus.
Tudo isso sem citar
outros tipos de insegurança, como as crises econômicas mundiais, as guerras, e
a nossa própria insegurança física e moral em meio à tanta corrupção, e a
banalização da vida. À parte tanto pessimismo, mas, na verdade, essa é a segurança
dos homens.
É isso que temos a
oferecer para o bem do Reino e para o nosso próprio bem? Em quem realmente
estamos fixando os nossos olhos? Nas nossas próprias forças ou nas mãos de um Deus
que realmente nos protege e nos liberta?
Em vez de estarmos
fixando nossos olhos nas forças do nosso ódio, da nossa vingança, da nossa
ganância, sem nos importarmos com os estragos que isso pode causar-nos – respingando
até mesmo em quem não tem nada a ver com isso –, por que não voltarmos nossos
olhos, pelo menos por um só segundo, para
quem realmente tem poder para cuidar
de nós? Será que já não está na hora de despertarmos desse pesadelo?
O Salmo 124.8 diz
que o nosso socorro está no nome do Senhor, criador do céu e da terra. Deus é o
nosso socorro sempre presente. Por que não praticarmos isso realmente? Deus é a
nossa segurança. Por que não investirmos nEle antes de qualquer outro plano?
2. Necessitamos da segurança de Deus porque somente Deus
nos vigia incessantemente.
“Ele não
permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo
que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.” – Salmo 121.3,4
Vejamos alguns
exemplos de que Deus nos vigia e nos guarda constantemente e que estamos
seguros nEle, lembrando-nos de que esta é a primeira vez que aparece o verbo “guardar”
neste contexto.
Em 1Samuel 2.9
destaca-se que o SENHOR guarda os pés dos Seus santos, porém, os perversos
emudecem nas trevas da morte; porque o homem não prevalece pela força. A vigilante
e cuidadosa proteção de Deus é que nos garante a confiança nEle, “Porque o
SENHOR será a tua segurança e guardará os teus pés de serem presos.” – Provérbios
3.26.
Além disso, não é
possível que Deus permita que a insegurança nos afete, “O SENHOR olha dos céus;
vê todos os filhos dos homens; do lugar de Sua morada, observa todos os
moradores da terra, Ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas
as suas obras.” – Salmo 33.13-15. Ainda em Provérbios 15.3 diz que os olhos do
SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.
A expressão Ele não permitirá que os teus pés vacilem (verso 3), entende-se
melhor: que Ele não permita que os teus
pés vacilem, pois significa um desejo, uma oração, onde “vacilar” quer
dizer “escorregar”, que, por sua vez, é uma figura de linguagem que indica a
proteção cuidadosa de Deus. Isso porque Israel é bem conhecida por seus
terrenos rochosos e escorregadios.[4]
Já a expressão É certo que não dormita (verso 4) é a certificação,
confirmando o texto do desejo ou da oração do verso 3, conforme exposto acima,
já que não dormita, nem dorme o guarda de
Israel, repete, nesta beleza poética, que, realmente, Deus nunca dorme, não
havendo o perigo de que o salmista seja esquecido.
Diferentemente de 1Reis
18.27, quando Elias ridicularizou sarcasticamente os profetas de Baal,
sugerindo que o deus deles estava dormindo, quando tanto precisavam dele.[5]
Por causa de nossa
postura cristã, alguém já disse que Deus está morto. Será que não estamos mesmo
matando esse Deus dentro de nós? Será que não estamos procurando subterfúgios,
na amarga ilusão da busca de uma falsa segurança?
Veja o mundo em
nosso derredor, as notícias nas mais diversas mídias, as ações dos homens, as
barbáries que se praticam... Será que Deus está nesse negócio? Será que Deus
realmente está vivo em nossos corações?
3. Necessitamos da segurança de Deus porque somente Deus
é quem nos guarda de todo mal.
“O SENHOR é
quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o
sol, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua
alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para
sempre.” – Salmo 121.5-8
Neste texto, nota-se
que algumas promessas de proteção divina se avançam, sólida e surpreendentemente,
a cada versículo. Primeiramente, a insistência da citação do verbo “guardar”,
que, aqui, significa “proteger”, “blindar”, além de ratificar que o SENHOR é o
nosso protetor como uma sombra que nunca desiste.
Metaforicamente,
assim como a sombra projetada por uma pessoa acompanha essa pessoa
ininterruptamente, assim também é Deus com o Seu povo.[6]
Em resumo, somente o SENHOR é quem nos protege amplamente, constantemente, pessoalmente,
temporalmente, moralmente, espiritualmente, eficazmente, eternamente.[7]
O Salmo 127.1
alerta-nos que se o SENHOR não edificar a nossa casa, em vão trabalham os que a
edificam, e se o SENHOR não guardar a cidade, igualmente, em vão, vigia a
sentinela.
Já o Salmo 23.4a dá-nos
a garantia de que ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, não devemos
temer mal nenhum, porque o SENHOR está conosco. Isso não quer dizer que o mal
não existe. Nós não estamos livres dele. Mas Deus nos dá força, e protege-nos
contra ele, não nos deixando cair em tentação, livrando-nos dele.
Também não é que
devemos abandonar tudo, já que Deus vai fazer tudo por nós. Não, nós também temos
que fazer a nossa parte, e colocar Deus em primeiro plano; colocar Deus na
nossa frente, antes de tudo
Como quaisquer cidadãos
ou como homens públicos, e até mesmo como cristãos, devemos perguntar a nós mesmos como é que estamos
colocando Deus em nossa vida particular e em nossos projetos. Numa escala de
prioridades, onde temos colocado esse Deus como nosso guarda fiel?
Por que será que muitas
vezes nossa vida não vai bem? Não será porque vivemos procurando investir em
segurança equivocadamente, esquecendo que é o Senhor somente que nos livra do
mal e não os homens?
O Salmo 33.12 diz que
feliz é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que Ele escolheu para Sua herança. Seja como cidadão
comum, seja como pessoa pública, seja como cristão, que possamos descobrir as
maravilhas dessa segurança que Deus reserva a cada um de nós, e podermos viver em
verdadeira paz em todos os sentidos de
nossa vida.
_________________________
Notas
[1]
M’Caw, Leslie S. Introdução geral aos salmos 120-134: Os “cânticos dos degraus”.
In: O novo comentário da Bíblia. v. 1. Prof. F. Davidson (editor). São Paulo:
Vida Nova. p. 607
[2]
Idem
[3]
Idem
[4]
Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica
do Brasil, 1999. notas. p. 707
[5]
Idem
[6] Idem.
p. 708
[7]
M’Caw, Leslie S. op. cit. p. 608
domingo, 14 de outubro de 2012
A COMUNHÃO DO
EVANGELHO
“fazendo
sempre, com alegria, súplicas por todos vós, pela vossa cooperação no
evangelho” - Filipenses 1.4,5
O que vem a ser essa cooperação ou essa comunhão em
meio à tanta sofisticação de conceitos nessa nossa época; em meio à tanta
manifestação religiosa, a tantas opiniões adversas? Como praticamos essa
comunhão? Como agimos e reagimos com vistas a essa comunhão? Será que essa
comunhão realmente existe ainda hoje no meio cristão? Como fica a Igreja diante
de tudo isso? Qual é o papel da Igreja? Qual é a razão de nós nos reunirmos
como Igreja?
A epístola aos filipenses tem como assunto principal
a gratidão e a correção, e seu tema é a alegria: “Regozijai-vos”. Mas, além de
ser um povo generoso e cuidadoso em servir, também é um povo desejoso de contribuir, de cooperar. O
capítulo 1, em seus versículos de 3 a 11, fala de gratidão, de interação,
amizade, alegria, cooperação, saudades, enfim, de alguns sentimentos íntimos
provocados entre os crentes.
Portanto, essa epístola fala dessa comunhão
provocada pelo Evangelho. Fala de coisas simples que envolvem relacionamentos,
sentimentos interpessoais que muito nos ensinam. Vejamos o que podemos aprender
com esse texto.
1. A comunhão do Evangelho provoca-nos perene alegria,
boas recordações, além de gratidão a Deus.
“Dou
graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria,
súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no
evangelho, desde o primeiro dia até agora.” - Filipenses 1.3-5
Paulo expressa essa gratidão a Deus pela recordação
e amizade que desfrutou com os convertidos em Filipos. Esses sentimentos lhe
sobrevinham quando ele orava pelos filipenses, e provocava-lhe terna alegria. O
termo “alegria” (v. 4) é o tema principal desta epístola. Não é à toa que essa
palavra aparece 16 vezes nesta epístola. Essa é a epístola da alegria.
Paulo se lembra da primeira vez que havia pregado o
Evangelho em Filipos, desde quando teve uma visão em Trôade e que teve que
mudar de rota, passando pela Macedônia, hoje norte da Grécia, onde ficava
Filipos, o primeiro lugar onde o cristianismo foi pregado na Europa desde quando
algumas mulheres se reuniam para orar, inclusive Lídia, a primeira convertida à
nova fé (Filipenses 4.15; Atos 16.10-40).
O elo dessa amizade jamais se quebrou desde os
primeiros momentos dessa evangelização até os tempos de sua prisão, quando ele
escreveu essa epístola. E tudo isso acontecia por causa da ligação deles com o
Evangelho.
Ainda aqui, a palavra “cooperação” (v. 5), além de
significar, de modo especial, o apoio financeiro dos filipenses (4.10-20),
também tem muito a ver com o conceito de “comunhão”; “koinonia” - a “participação” de todos, dando e recebendo, conforme
as necessidades, seja no âmbito material ou espiritual. Essa comunhão deve
provocar ainda hoje uma comum união entre os crentes, e também trazer sólidas e
novas amizades, que devem ser desfrutadas entre os seguidores desse Evangelho. Essa
comunhão deve ser alimentada, e realimentada, e praticada entre os crentes em
Cristo.
Se “comunhão” significa “fazer comum”, ter todas as
coisas em comum na nossa comunidade, como na Igreja de Atos 2, e que esta
comunhão não pode existir sem que haja um “dar” e um “receber”, no sentido de
“contribuição” (Romanos 15.26; 2Coríntioos 8.4, 9.13; Hebreus 13.16), será que
estamos colocando em prática esse conceito, dando sem negociar, sem pensar em
nada em troca, sem acepção de pessoas? Muita vez pedimos mais do que damos,
mesmo diante de Deus em nossas orações.
2. A comunhão do Evangelho provoca-nos a
certeza da boa obra de salvação por causa de Cristo.
“Estou
plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la
até ao Dia de Cristo Jesus.” - Filipenses 1.6
Mesmo enfatizando que a perseverança dos santos
depende somente do poder de Deus, que os preserva pela graça, Paulo confiava
que Deus completaria a salvação dos crentes em Filipos porque todos eles juntos
participaram desse privilégio de defender e compartilhar essa mensagem de
salvação, essa comunhão desse mesmo Evangelho.
A Bíblia de Estudo de Genebra (2009, p. 1582) também
diz que o propósito salvador de Deus está consumado no “Dia do Senhor” (v. 10;
2.16), quando Jesus retornar em glória para ressuscitar o Seu povo da morte
(3.11,20,21) e receber exaltação universal (2.9-11). Assim, todas as pessoas
que têm exercitado a fé salvadora em Cristo serão preservadas até aquele dia. Paulo
tinha essa confiança na salvação dos filipenses que se completaria até Aquele
Dia.
Paulo estava convicto de que Deus, que começou um
bom trabalho com os filipenses, iria continuá-lo até o dia do julgamento. Deus não
faz as coisas pela metade. Ele é fiel na Sua Palavra. E você, e eu, será que
temos essa mesma convicção, essa mesma confiança de salvação? Será que estamos
preparados para Aquele Dia? Que ações
temos praticado no nosso dia a dia? A que obras temo-nos reservado? Obras de
salvação ou obras de perdição? (cf. 2Pedro 2.8,9).
3. A comunhão do Evangelho provoca-nos uma
união tão bem alicerçada que até nos deixa saudades, onde quer que estejamos,
independentemente das nossas circunstâncias.
“Aliás,
é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas
minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois
participantes da graça comigo. Pois minha testemunha é Deus, da saudade que
tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus.”- Filipenses 1.7,8
O blog da editora Fiel traz a sinopse de duas obras que bem retratam essa situação, esse comprometimento cristão, essa comunhão. Veja: Mike McKinley em seu
livro Eu sou
mesmo um cristão?, ao abordar a
importância da Igreja local na nossa caminhada cristã, diz que é
estranho um cristão não querer se juntar a ela. “É como um marido que não
deseja estar junto à sua esposa”, afirma.
Segundo McKinley, um
cristão é uma pessoa que foi unida a Cristo e, consequentemente, unida ao corpo
de Cristo (Romanos 12.5). Sendo assim, todo cristão já faz parte da Igreja
universal ou invisível - a Igreja composta por todos os cristãos de todos os
lugares e de todas as eras. Logo, para este cristão, nada é mais natural do que
expressar essa união espiritual através de uma Igreja local ou visível.
Ele lembra que vivemos
em meio a uma geração egoísta, onde não só restaurantes devem ser rápidos e
atender todas as minhas necessidades, as Igrejas foram
submetidas a este paradigma. “Se uma
Igreja não me satisfaz, eu procuro outra, e assim vai - embora haja
razões justificáveis para sair de uma ‘Igreja’, que não é esse o caso aqui.”
Este egoísmo, ainda
segundo McKinley, além de pecaminoso, é autodestrutivo, pois Deus ordenou
que a edificação individual de cada membro do corpo se dê através da interação
entre os membros (Efésios 4.16). Ou seja, você dificilmente irá crescer em sua
vida cristã fora de uma Igreja local. Uma pessoa que se abstém da comunhão
da Igreja está expondo a si mesmo ao perigo da apostasia.
Este comprometimento
também é explanado por Mark Dever, em seu livro
O que é uma
Igreja saudável. Comprometimento que nos provoca a reunir-nos,
orar, contribuir e servir. “Unir-se a uma Igreja é um ato em que
dizemos: Agora, vocês são responsáveis por mim, e sou responsável por
vocês, e isso é contrário à nossa cultura; e, ainda mais, é contrário à
nossa natureza pecaminosa.”
Mas o que é isso, se não for comunhão? E comunhão por
causa do quê? Por causa do Evangelho! O Salmo 133 diz que é nessa comunhão que
o SENHOR ordena a Sua bênção e a vida para sempre. O comprometimento dos
filipenses com a defesa e a confiança do Evangelho ligava Paulo a eles e,
estes, a ele, atestando um testemunho apostólico até mesmo em meio às provações
(cf. v. 16; Marcos 13.9-11).
Paulo está aqui diante de Deus comprometendo-se com
a causa dos crentes de Filipos por causa da terna misericórdia e do amor de
Cristo por compartilharem da mesma graça, do mesmo privilégio provocado pela
comunhão desse mesmo Evangelho. É impressionante a segurança de Paulo nesse
comprometimento para com os filipenses, conforme relata o versículo 7: “Aliás,
é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas
minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois
participantes da graça comigo.”
Aqui, a palavra “aliás”, que significa “além
disso”, “além do mais”, “ademais’, “contudo”, é um advérbio que se usa no
início de uma oração para acrescentar ideia que reforça ou completa o que já
foi dito anteriormente. Assim, Paulo reforça o que disse nos versos anteriores
e ainda endossa a ficha limpa dos filipenses diante de Deus, já que ele mesmo
protegeu e endossou a mensagem desse Evangelho diante deles nas mais diversas
situações.
Você tem esse privilégio? Seu pastor, seu líder ou seu chefe é capaz de botar a mão no fogo por você? E você, tem dado provas
disso diante da sua Igreja, da sua comunidade, do seu ambiente de trabalho, e principalmente diante de Deus?
Também no versículo 7, a palavra “algemas”, que
significa “prisões”, contrasta com a palavra “alegria”, citada no versículo 4,
já que, juntamente com as epístolas escritas aos Efésios e aos Colossenses,
assim como a Filemom, a carta aos Filipenses junta-se às conhecidas “cartas da
prisão”, porque foram escritas quando Paulo estava preso. Mas como pode uma
pessoa estar presa, sofrer todas as agruras de uma prisão, e, ao mesmo tempo,
estar alegre? Só mesmo pela comunhão desse Evangelho de Cristo!
“Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus.” - v. 8
“Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus.” - v. 8
Aqui, “saudade” significa “terno amor”. Muita vez
deixamos muitas lembranças, boas ou más lembranças. Mas saudade é para poucos
privilegiados. Só pode sentir ou deixar saudades quem compartilha de alguma
comunhão com outrem. Neste caso, Paulo sentia saudades daqueles tempos de
trabalho em comum, daquele terno amor, daquela comunhão que eles tinham pela
causa do Evangelho de Cristo.
Até que ponto estamos sinceramente comprometidos
com esse Evangelho a ponto de até sofrermos por causa dele, por causa da sua
mensagem, por causa do próprio Cristo, que sofreu por nossa causa? A ponto de
sofrermos e ao mesmo tempo estarmos alegres porque só estamos seguros nEle que nos fortalece diante dos desafios do
nosso dia a dia? Será que pensamos sinceramente nisso?
Será que estamos prontos para sermos provados por
causa desse Evangelho? Por causa da nossa fé? Até que ponto? Quantos mártires
já morreram por causa desse Evangelho, por causa da sua fé! Até que ponto você
seria capaz disso? Muitas vezes nosso cristianismo é só da boca para fora. Um
cristianismo de fachada. Não há sinceridade, muito menos a prática ou o
testemunho dele em nós.
4. Diante de tudo isso, Paulo nos alerta que
devemos perseverar nas nossas orações, pois a comunhão do Evangelho também nos provoca
a esperança de dias melhores.
“E
também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno
conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes
sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual
é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.”- Filipenses 1.9-11
Se no versículo 4 Paulo diz que, sempre com alegria,
orava pelos filipenses, aqui, ele transmite o motivo dessas orações: O aumento
gradativo de conhecimento, percepção e discernimento que culminam num
comportamento sincero e inculpável até o
dia do julgamento de Cristo (cf. Colossenses 1.9-11). E tudo isso provocado
pelo amor cristão, que Paulo deseja que também aumente mais e mais entre os
filipenses, e que eles sejam cheios do fruto de justiça que vem de Cristo por
meio do Espírito Santo, para a glória e louvor de Deus Pai.
Essa é a oração de Paulo aos filipenses. E esses
também são os meus desejos para você que faz parte dessa Igreja de Cristo
visível e invisível em nossos dias. Amém?
___________________________
Referências
- Bíblia de Estudo de Genebra. 2ª ed. Barueri, SP:
Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, notas. p.
1581-1582
- http://www.blogfiel.com.br/2012/07/os-cristaos-precisam-se-juntar-a-uma-igreja.html
Acesso em: 03/08/12
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
NECESSIDADE DE SABEDORIA
“Se, porém, algum de
vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus” - Tiago 1.5a
Viver é topar com desafios todos os dias. Mas será
que estamos preparados para enfrentar essa colisão, suas sequelas, e sairmos
ilesos, sem nenhum arranhão? Se essa pedra de tropeço existe no meio do nosso
caminho, a quem recorrermos para conseguirmos esmagá-la? Que ferramentas usaremos
para isso, e como as utilizaremos?
E agora, José? – como diz o poeta.
Se não estamos livres dessas aflições, para
podermos lidar com elas, uma dessas ferramentas que temos que utilizar é a
sabedoria. Mas se, em geral, sabedoria significa conhecer o melhor fim e os
melhores meios de atingir esse fim [1], dentro dos princípios cristãos, de onde
poderá vir essa sabedoria? Como podemos obtê-la ou como devemos pedir essa
sabedoria, já que ela envolve a visão das coisas sob a perspectiva de Deus?
Vejamos alguns pontos que podemos depreender da
epístola de Tiago 1.5-8 que podem muito bem ajudar-nos diante dos desafios, provações
ou aflições em nosso dia a dia.
1. Se necessitamos de sabedoria, devemos pedir
a Deus, e os seus resultados só vêm com a prática de uma vida cristã.
“Se, porém, algum de vós necessita de
sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e
ser-lhe-á concedida.”, diz Tiago 1.5.
A epístola de Tiago trata dessa prática de vida
cristã. Ou melhor, Tiago destaca a vida cristã prática. Isso é notável pelos seus
ensinamentos morais e éticos de relevância para a Igreja.
Tiago trabalha com temas do nosso dia a dia, como as
provações e a fé, a obediência e a religião prática, a realidade da fé, o
controle da língua, além de sérias advertências contra o mundanismo,
advertência aos ricos e de exortações à vinda do Senhor. Lidar em meio a tudo
isso requer de nós sabedoria.
Tiago escreveu para a Igreja, não para uma Igreja
específica, mas para os cristãos em geral. Seus escritos valem para todos nós
ainda hoje.
O texto do capítulo 1, versos 5 a 8 é uma sequência
inserida no contexto de provações e fé, que se inicia nos versos 2 a 4. O conjunto
do contexto desses versículos de 2 a 8 é como se fosse um lide – ou seja, um
resumo de tudo o que o autor irá desenvolver daí para frente.
Vejamos os versos 2-4:
“Meus irmãos, tende por motivo de toda
alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé,
uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação
completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.”
Provações são motivos de alegria, não de tristeza. Paradoxo? Não para os verdadeiros
cristãos, que entendem muito bem essa linguagem. Deus não nos prova à toa, por
nada, ou para destruir-nos. Ao contrário, para tudo existe um propósito nos
planos de Deus que quer nos ver com uma vida espiritual saudável, tendo em
vista o nosso constante aperfeiçoamento, e prontos para estarmos sempre ao lado
dEle, agora, e eternamente.
As tentações ou provações servem como um teste de fortalecimento
da nossa fé. Se passarmos neste teste, isso produz em nós a perseverança para
que sejamos perfeitos e íntegros. Entretanto, sabemos que isso não é nada fácil.
Diante das provações deste mundo, muitas vezes, é difícil sairmos ilesos.
Muitas vezes nossas próprias forças não dão conta. Essas provações nos deixam
perplexos, indecisos, impotentes. Diante desta situação, precisamos desta sabedoria
para lidar com tantos desafios.
Como é certo que as provações existem, para
podermos suportá-las, devemos pedir sabedoria somente a Deus, porque Deus é a
fonte de toda sabedoria, não os homens. Somente da parte de Deus, o SENHOR dos
Exércitos, é que vem o nosso socorro, já que a sabedoria dos homens não reconhece
a sabedoria de Deus, porque atua dependendo das nossas mesquinharias e ocasiões,
parcialmente, e no âmbito das nossas limitações ou finitude.
Será que as guerras, e tantas outras desavenças, a
fome mundial, a devastação do meio ambiente, os assassinatos, a corrupção –
dentre tantos outros desequilíbrios –, são exemplos de sabedoria? Onde estão os
sábios deste mundo? (cf. 1Coríntios 1.20,21).
O verso 5b diz: “e
ser-lhe-á concedida”. Isso significa que a promessa de concessão dessa
sabedoria divina é uma certeza para quem pede, confia em Deus e cumpre a Sua
vontade.
Daí a Palavra de Deus, em Provérbios 2.1-22,
destacar os resultados para quem aceita a sabedoria: o conhecimento de Deus e
as bênçãos da vida. “Então, entenderás o
temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus” (v. 5; cf. v. 9 e 21). A
Bíblia de Estudo de Genebra (1999, p. 728) também diz que esses dois aspectos da sabedoria são
vistos claramente: o dom divino e a tarefa humana. [2]
Os versículos 3 a 6 do capítulo 2 de Provérbios
confirmam isso:
“E, se clamares por inteligência, e por
entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a
tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do SENHOR e acharás
o conhecimento de Deus. Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a
Inteligência e o entendimento.”
De boa vontade Deus dá sabedoria a todos nós. Essa
sabedoria nos é concedida sem censura, e livremente, sem nenhuma acepção,
porque Deus é infinitamente sábio, e, nós, totalmente dependentes dEle, para
que não gloriemos na nossa sabedoria, posto que conhecer a Deus constitui a
glória do homem (Jeremias 9.23,24).
Todos conhecemos a história do rei Salomão. Até os
incrédulos. Em 1Reis 3.7-14 está escrito que Salomão, um jovem rei que assumiu
o posto depois da morte de seu pai Davi, estava diante de um grande desafio,
que era governar o povo de Deus – uma grande nação que nem se podia contar.
Salomão pediu a Deus um coração compreensivo para poder julgar esse povo, para
prudentemente discernir entre o bem e o mal (v. 8,9).
Deus agradou-Se de Salomão porque ele não pediu nem
riquezas nem vida longa nem a morte de seus inimigos, mas, sim, entendimento
para discernir o que é justo. Veja aí o conceito de sabedoria. Assim, o SENHOR
deu a Salomão um coração sábio e inteligente, e até o que ele não pediu, tanto
riquezas como glória.
Porém, o SENHOR fez uma ressalva a Salomão:
“Se andares nos meus caminhos e guardares os
meus estatutos e os meus mandamentos, como andou Davi, teu pai, prolongarei os
teus dias” (v. 14).
Como é que nos portamos diante das nossas
dificuldades, tribulações ou provações? Queremos resolver tudo do nosso jeito
ou paramos um pouco e respiramos, primeiramente, colocando tudo diante de Deus?
Como é que nos portamos diante da nossa família, do
nosso cônjuge e nossos filhos, no nosso ambiente de trabalho ou mesmo na
Igreja? Será que pedimos a Deus sabedoria para resolver as situações difíceis
ou agimos por conta própria? Será que sabemos pedir ou não recebemos porque não
sabemos pedir?
Salomão soube pedir, e nós sabemos os resultados desse
seu pedido. Como é que estamos pedindo a Deus? Como é que estamos orando, como
aquele fariseu ou como o publicano citados em Lucas 18.9-14?
São muitos os exemplos bíblicos que tratam da
sabedoria. Podemos aprender muito com todos eles. Já falamos de Salomão. E de
Jesus Cristo? Quem já ouviu falar dEle? Você já ouviu falar ou já teve uma
experiência pessoal com Ele? Que ninguém se constranja, mas pense nisso.
Outro exemplo é o de Tiago, que pode muito bem ser
o nosso. Tiago era irmão de Jesus, mas só reconheceu a Cristo como seu Salvador
depois da ressurreição. Daí para frente Tiago tornou-se um dos pilares da
Igreja, juntamente com Pedro e João. [3] Tiago assumiu posição de autoridade como líder
da Igreja, além de presidir o concílio de Jerusalém (Atos 15). Homem de
coragem, e piedoso, de singular devoção à oração, foi martirizado em 62 d.C.
Bateram nele com uma clava até a morte depois de ter sido atirado do parapeito
do templo.
Tantos
outros tiveram tão belos exemplos de vida porque optaram pela sabedoria lá do
alto com vistas à defesa da sua fé, mesmo em meio a tantas aflições. Jesus foi
tentado por Satanás logo no início de Seu ministério terrestre. Foi perseguido
pelos fariseus até a morte na cruz. Mas agiu sempre com humildade, que é uma
das características da sabedoria.
Assegurando-nos de que no mundo teremos aflição,
mas que Ele mesmo venceu o mundo, Jesus foi humilhado a ponto de tornar-Se
homem, habitar entre nós, e morrer por nós, pela nossa salvação, para, depois,
ressuscitar, seguindo os propósitos de Seu Pai. Jesus é fruto da sabedoria de
Deus.
Será que temos fé para acreditar em tudo isso? Para
seguir tais exemplos? Para suportar provações semelhantes? Você crê que Jesus é
seu único e suficiente salvador, e que toda sabedoria vem somente de Deus por
meio desse mesmo Jesus? Pense nisso mais uma vez.
2. Se necessitamos de sabedoria, devemos pedir
com fé, em nada duvidando – diz Tiago 1.6a.
Se Deus é a fonte de toda sabedoria, e se sempre
necessitamos de sabedoria para vencermos as aflições deste mundo conturbado e
enganador, e se devemos pedir essa sabedoria a Deus diante de tantos desafios,
isso deve ser feito com fé, sem duvidar. Devemos pedir com toda sinceridade. De
coração aberto, além de uma vida piedosa, um espírito manso e humilde, pois se
a arrogância e a insensatez andam juntos, assim também acontece com a humildade
e a sabedoria.
Se não agirmos com fé, mesmo em qualquer área de
nossa vida, até secularmente, nada conseguiremos. Se pedirmos com fé, Deus nos
concederá não apenas sabedoria, mas até mesmo outras coisas.
Como vem agindo essa fé em nós? Como temos dado
razão dela diante dos outros? Diante dos incrédulos? Diante das nossas
provações, desafios ou aflições? A fé também é dom de Deus. Temos pedido essa fé
a Deus? Quais as obras dessa nossa fé? A sabedoria também é um produto da nossa
fé. Se fé sem obras não vale nada, aqui, a sabedoria é uma das obras da nossa
fé, lembrando que, sem fé, é impossível agradar a Deus.
3. Se necessitamos de sabedoria, devemos pedir
sem vacilar, sem desviar o foco, com perseverança.
Essa perseverança deve ter uma ação completa, para
que sejamos perfeitos e íntegros, em nada deficientes diante da provação e
confirmação da nossa fé (v. 3,4). Diferentemente de quem tem sua mente
dividida, e é instável em tudo o que faz. Este não receberá coisa alguma do
Senhor, pois é semelhante às ondas que são levadas e agitadas pelo vento. Fazem
muito barulho, e espatifam-se nas pedras
e ribanceiras a beira-mar.
“pois o que duvida é semelhante à onda do
mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do
Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus
caminhos.” (Tiago 6b-8)
Será que estamos levando a sério as nossas orações?
Ou será que somos como essas ondas do mar, que fazem muito barulho por nada?
Até que ponto vai a nossa hipocrisia diante de Deus, ou a nossa humildade e sinceridade?
A sabedoria somente é obtida por uma completa
dependência de Deus, como já foi dito. Toda sabedoria vem do alto. As obras dos
homens mostram que não somos tão sábios e inteligentes assim. Todos
necessitamos da sabedoria de Deus.
Tiago 3.13-18 faz um desafio a todos nós. O autor pergunta
quem dentre os homens é sábio e inteligente a ponto de demonstrar por seu bom
procedimento as suas obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria.
Prosseguindo, Tiago mostra-nos dois tipos diferentes
de sabedoria.
A sabedoria dos homens:
“Se, pelo contrário, tendes em vosso coração
inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais
contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é
terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há
confusão e toda espécie de coisas ruins.” (v. 14-16)
A sabedoria de Deus:
“A sabedoria, porém, lá do alto é,
primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de
misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se
semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” (v. 17,18)
A sabedoria de Deus gera paz, e a paz gera paz,
obviamente. Não gera confusão nem outras coisas ruins.
O Salmo 111.10 diz que o temor do SENHOR é o
princípio da sabedoria. A excelência da sabedoria é fazer a vontade de Deus. Para
isso não devemos vacilar nem envolver-nos em incredulidades, em nossos próprios
métodos ou depender de outrem, a não ser de Deus.
Provações, fé, perseverança e sabedoria são a chave
para o nosso crescimento espiritual. São conceitos que atuam em conjunto, e
exigem uma atitude de nossa parte. Como temos agido em nosso dia a dia diante
de tantos desafios?
Todo esse contexto aqui tratado envolve momentos de
oração. Mas de oração sincera, não de um tipo de jogo com Deus. Se realmente
quisermos obter respostas às nossas orações, uma das condições é termos ânimo
singelo, e confiar em Deus apenas, sem desviar do objetivo. Sendo constantes, e
perseverantes, mesmo diante das nossas aflições. E não agirmos como as ondas do
mar que são impelidas e agitadas por quaisquer ventos, e morrem na praia.
Não adianta reinventarmos a roda. Em meio às nossas
provações e desafios a sabedoria tem função muito importante, não somente para
nossa vida diária, mas até para o nosso relacionamento interpessoal. Experimente,
faça como Salomão, peça sabedoria a Deus, mas peça com fé e perseverança, sem
titubear; e mire-se em Cristo, a essência da sabedoria.
________________________
Notas e Referências
[1] McNab, Andrew. A Epístola Geral de Tiago. In: O
Novo Comentário da Bíblia. v. II. São Paulo: Vida Nova, 1990. Reimpressão. p. 1389
[2] Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri:
Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. p. 728, 1485-1486
[3] João 7.5; Mateus 13.55; 1Coríntios 15.7; Gálatas
1.19; 2.9
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