segunda-feira, 6 de julho de 2009

PODEROSO É DEUS

“Porque quando estou fraco então sou forte” – 2Coríntios 12:10b.

VIVEMOS NA ERA de um superlativo estranho em que as pessoas se autoidentificam como super qualquer coisa, desde que seja super, senão, nada vale, mesmo diante de um enorme contrassenso. O mundo delas é supertudo, posto que tudo tem que ser super, do contrário, estão fora. Todos querem mandar, conduzir. Ninguém quer obedecer, ser conduzido. Todos se consideram supercapazes. Desde o mais simples mortal até certa casta de pessoas que se dizem não nascerem para ser cauda, mas, sim, cabeça, tal qual certa classe de políticos que se apodera do poder ou do dinheiro público com o discurso de arquitetar obras faraônicas nunca vistas, aqui, muita vez, literalmente, já que nunca se veem mesmo, posto que esta verba geralmente é desviada para outros fins nem tão bem esclarecidos, mas que foi intermediada para o direcionamento, entre aspas, de uma superobra para o povo a qual ninguém jamais viu e da qual ninguém jamais se esquecerá. E quando estas superobras são finalmente concretizadas, isto é, no caso delas real e definitivamente serem desfrutadas como um bem público pelo seu devido público – se é que elas já não se transformaram em fantasmas, assombrando o povo, seu maior e principal beneficiário de fato e de direito, mas que sempre paga tudo como a vítima da vez –, elas são inauguradas com grandes pompas e tudo o que uma superobra tem direito nesse sentido, até superfaturamento e tudo mais, e, daí por diante, naquelas datas propícias, sempre fazem o povo se lembrar delas: “Você se lembra de tal obra? Fui eu que fiz!” Muitas delas nem servem mais para nada, ou já estão ultrapassadas, enferrujadas, fora de uso, mas estão lá, nos discursos, no papel ou na memória de alguns. Pobres daqueles que não se alinham nesse time, que fazem o seu trabalho de formiguinha, dia após dia persistindo no seu sonho, e que, vindo do nada, aos poucos, vão crescendo, tentando chegar ao topo pelas bases, educando os seus simpatizantes, persuadindo os incrédulos, preventivamente, alertando-os contra estes tais superpoderosos, na esperança de também um dia realizar este seu grande sonho naquele grande dia. “Ah, coitado, este veio do nada, lá de baixo! Aonde quer chegar?” Dizem, e viram-lhe as costas, debochadamente. Outros até se lembram de quando esta personalidade vivia na sua humilde simplicidade junto a seus familiares lá bem longe destes superpoderes. No entanto, esta mesma personalidade também não deixa de ter o seu supersonho. “Como é que ele pôde chegar lá em cima?” Não acreditam! Escandalizam-se, e não aprovam. Por estes dias, e até hoje ainda faz grande alvoroço na mídia por meio de seus apaixonados admiradores, dados os seus milhares de fãs espalhados pelos quatro cantos deste planeta, morreu uma personalidade considerada um superstar do rock internacional, e as suspeitas caíram sobre o uso de uma superdose de remédios dos quais dizem que era superdependente, posto que não conseguia dormir sem o tal uso. Seus admiradores ainda choram a sua morte, para eles, uma superperda; e fazem vigília diante de seu túmulo, de sua casa; guardam lembranças, porções de suas peças pessoais, uma gota de seu suor ou sabe-se lá de que mais, obtido durante um show, sendo até capazes de morrerem por causa deste seu ídolo. É isso! Incrível, mas pode acontecer! O mundo é super. E por vias desta superlatividade vive superlativado por um consumismo superdesenfreado, tendendo-se ao supérfluo, confundindo quantidade com qualidade, exageradamente, ou melhor, superexageradamente. E, supervalorizado pelo que tem e não pelo que é, chafurda-se no mesquinho balaio da hipocrisia, do superficial, do preconceito, do fanatismo, da vulgaridade, do egocentrismo, da ignorância e das discriminações. Daí, as suas superconsequências. Veja o mundo em que vivemos, tantos absurdos, tantas necessidades por parte daqueles que não detêm os tais superpoderes, que não são super-homens, não desfrutam dos chiques supermercados ou shopping centers, superigrejas, ou não são supercrentes, superstars, supersupers, ou melhor, o super do super!... e por aí vai, não se sabe para onde nesta megalomania que já virou alienação, um delírio frustrante entre certos seres humanos, enquanto que ninguém se propõe a baixar a guarda considerando que o maior deve servir o menor ou valer-se de ações positivas no sentido de um edificante bem comum; um bem maior que ocasione o bem-estar entre os homens, longe das rebeldias, exaltações, e tantas barbaridades desde mundo frio e cruel.

A Bíblia diz que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes, ou seja, Deus cuida dos mansos de espírito. “A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito”, pois, segundo os comentaristas, o pecado da soberba não permite que o insensato se beneficie da sabedoria de outrem, posto que o arrogante coloca-se acima de todos e de tudo, sem o devido temor, muito menos o temor de Deus que é o princípio do conhecimento, e, agindo tresloucadamente, despreza a sabedoria e a instrução. Convém anotar que este temor não significa um temor desconfiado de Deus, medo, terror, ou algo assim, mas, antes de qualquer coisa, consiste na admiração reverente e a resposta da fé em adoração a um Deus que Se revela como Criador, Salvador e Juiz. Os especialistas analisam que, enquanto em Sua graça comum, Deus capacita os indivíduos a saberem muito sobre o mundo, por outro lado, somente o temor do Senhor capacita a pessoa a saber o que alguma coisa significa em última análise. E, dependendo desse entendimento, a sabedoria persegue a tarefa de refletir sobre a experiência humana. “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência.” A sabedoria tem o seu princípio com o temor de Deus, coisa que o cínico escarnecedor jamais poderá compreender.

De superperseguidor de cristãos nos tempos da sua soberba, e da falta do temor de Deus, e apesar de toda a sua empáfia, o apóstolo Paulo foi transformado, e, como personalidade que traz um belo exemplo de um testemunho de conversão através de todos os tempos até os dias de hoje, ele foi alçado pela graça deste mesmo Deus a Quem pensava que poderia afrontar atacando Seus seguidores a ponto de, passado para o outro lado, ser ele mesmo, desta vez, o próprio perseguido, preso e martirizado pelos superpoderosos que antes o apoiavam, invertendo-se aí os papéis tendo em vista a sua nova fé, para a glória de Deus. Assim, revestido deste novo homem criado por Deus em justiça e santidade, Paulo iniciou o seu ministério, pregando nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus, diferentemente dos tempos da sua arrogância, confundindo os judeus que, atônitos, quando o ouviam, perguntavam-se: “Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui para levá-los presos aos principais dos sacerdotes?” Mas Paulo continuou falando ousadamente no nome do Senhor Jesus. A Bíblia diz que, assim, as Igrejas tinham paz, e eram edificadas, e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo. Esse mesmo Jesus que Paulo afirmava que era o Filho de Deus também foi rejeitado até pelos Seus, tamanha era a incredulidade de um povo que não aceitava que Jesus havia deixado Nazaré como uma pessoa comum e voltasse como um rabino rodeado por Seus discípulos. As pessoas não acreditaram que um dos seus patrícios havia recebido uma missão dos céus. Recusaram persistentemente as evidências da presença e do poder de Deus, inibindo, com isso, a operação divina através da incredulidade. E Jesus não pôde fazer ali nenhum milagre. Quanto este fato, os comentaristas afirmam que, embora onipotente, Deus, na Sua soberania, não agirá em prol de bênção, em face da rebeldia humana, e que os milagres de Jesus não são magia, eles são relacionados positivamente à condição moral e à fé das pessoas. E esta fé operada por obra do Espírito de Deus é que nos faz proclamar que todo poder emana somente deste mesmo Deus que é e sempre será absolutamente Soberano e Todo-poderoso nos céus e na terra e de Quem todos os demais poderes somente dEle procedem, para Sua glória, mesmo que tivermos que enfrentar espinhos de quaisquer espécies ou jactâncias por parte daqueles que se autodefinem como super qualquer coisa nesta vida tal qual os superapóstolos dos tempos paulinos que agiam, e agem ainda hoje, não como servos de Deus, mas de Satanás, até mesmo dentro da própria Igreja, tentando impedir aqueles que são predestinados por Deus para denunciar a rebeldia entre os homens. Tentam, mas não conseguem. Nunca conseguiram e jamais conseguirão derrubar a Igreja de Deus, posto que quando pensam que ela está fraca, aí é que ela está forte e inabalavelmente firme na sua Rocha. Vivemos somente pela graça, não por qualquer outro superpoder imposto por homens. Poderoso é Deus que nos aperfeiçoa na nossa fraqueza e humildade para que em nós habite o poder de Cristo. “Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo”, proclama o apóstolo Paulo, e, consequentemente, anuncia: “Porque quando estou fraco então sou forte.” Que Deus nos abençoe e nos aperfeiçoe na graça deste Cristo Jesus por meio do Seu Espírito Santo. Amém!

REFLEXÃO DE HOJE
“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” – 2Coríntios 12:7-10.

LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:137-144; Ezequiel 2:1-5
2Coríntios 12:7-10; Marcos 6:1-6

NOTAS
[1] Mateus 20:26-28; 23:11,12; Lucas 22:24-27; 14:11; 18:14; Jó 22:29; Salmo 18:27; Provérbios 15:33; 16:18,19; 18:12; 29:23; Tiago 4:6; 1Pedro 5:5,6; Isaías 66:2 Provérbios 1:7
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p 764
[2] Provérbios 1:7; 9:10; Jó 28:28; Salmo 111:10
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p 726
JONES REES, W. A., WALLS, ANDREW F. Os Provérbios: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 640, 641. Reimpressão
[3] Atos 9:1-31; Efésios 4:22-27; 2Coríntios 11:5,13; 12:7-10; Ezequiel 2:3-5; Deuteronômio 32:4; 2Coríntios 12:9,10
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 999. Reimpressão

segunda-feira, 29 de junho de 2009

UM TOQUE DE FÉ

“O SENHOR é Quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre” – Salmo 121:5,8

AINDA HOJE vivemos nos tempos em que frequentemente algumas verdades são colocadas em dúvida por conta de escusos interesses de certos podres poderes que trazem à tona o desconforto da desconstução de um modo de vida até então vigente nos promissores projetos de uma ordem desde o princípio estabelecida, bisbilhotices estas que podem levar à desconfiança ou desvios de rota de muitos, principalmente daqueles que ainda não estão firmes no caminho que deveriam seguir, esfacelando, assim, todas as vias de uma crença profícua. Ou seja, um comportamento com vistas a virtudes que possam trazer benefícios e bem-estar para nós mesmos, e para os outros, posto que ninguém é uma ilha encravada longe dos respingos das águas em seu derredor. Assim como Satanás travestido de serpente colocou a dúvida naquilo que Deus havia ordenado obediência por parte do casal Adão e Eva que vivia natural e espiritualmente na mais perfeita paz em um ambiente saudável planejado pelo divino Criador para que nele vivesse livremente, cultivando-o, e protegendo-o contra os inimigos – embora houvesse regulamentos para se viver em harmonia por lá; eles tinham que cumprir alguns requisitos, e não cumpriram –, também vivemos rodeados de astutos pregadores de mentiras, perdulários do mal que, sem medir consequências, dissimulam-se em devaneios fraudulentos, levando muitos a acreditarem em falsas promessas ou premissas mal formuladas que nos induzem a descambar por caminhos que não nos levam a nada que nos edifique, embora pareçam ser aquilo que faltava no rol dos nossos sonhos. Mas, como dizem que nem tudo aquilo que brilha é ouro, muita vez, caímos em ciladas, se, incessantemente, não vigiarmos. Sofremos as sequelas catastróficas de uma queda da qual até hoje não conseguimos nos levantar sozinhos, dada a nossa herança de um estado moral pervertido, e de um intenso desejo de fugir da presença de Deus, mesmo sendo todos nós criados à Sua imagem e semelhança, e Sua existência ser uma idéia universal na raça humana até mesmo entre as mais atrasadas nações e tribos do mundo. Ainda hoje pessoas põem em dúvida as Sagradas Escrituras, e, consequentemente, a própria existência de Deus, sendo que, na opinião delas, o Deus das Escrituras é um Ser fora de moda, que não condiz com os padrões destes novos tempos, tendo em vista os avanços e a nova visão deste século. Até mesmo para muitos daqueles que se dizem cristãos, e até mesmo com o endosso de suas próprias lideranças, estes transgridem a Palavra de Deus, e adulteram literal e propositadamente o seu contexto por conta e proveito próprios, como se fossem deuses, surrupiando o lugar dAquele que é o Deus verdadeiro. Inferno, pecado, castigo, temor, justiça divina?... Tudo isso é coisa do passado, de outros tempos. Imagine se Deus aplicaria ou exigiria isso hoje em dia; Ele é tão bonzinho! Isso são coisas de outros tempos, interpretam, equivocadamente, como se estivessem acima de todas as coisas, e desprezam, arrogante e egoisticamente, todo um projeto idealizado cuidadosamente com amor para o nosso bem, e que, para tal, tem as suas próprias regras, mas que muitos de nós preferem jogar tudo na lata de lixo, não desvendando a seriedade dos negócios divinos, e que, por falta de responsabilidade, têm um fim trágico, infelizmente.

Deus não brinca em serviço. Deus não é um ser irresponsável que com tanto zelo concebeu toda a Sua obra, e, no final, viu que tudo era bom; fez alianças e cumpriu promessas maravilhosas prenunciadas a Suas criaturas, para depois não Se preocupar com ela. Deus não age assim. Nós, de nossa parte, é que devemos ter um mínimo de consideração por Ele, sendo, pelo menos, gratos diante de um Ser pessoalmente autoconsciente e autoexistente, que é a origem de todas as coisas e que transcende a criação inteira, mas que, ao mesmo tempo, é imanente em cada parte desta criação, nos dizeres de Berkhof, acrescentando ainda que os verdadeiros crentes em Cristo devem aceitar a existência de Deus por fé. Não por uma demonstração lógica, embora esta fé não seja cega. Ela tem sua base nas provas que se acham nas Sagradas Escrituras como a Palavra inspirada deste mesmo Deus, além da revelação dEle na natureza. O incrédulo não tem a real compreensão destas coisas, e, sem fé, é impossível agradar a Deus, “porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam.” A Bíblia fala de certo profeta-cultista chamado Hananias a quem Jeremias denunciou por haver declarado publicamente sua oposição ao oráculo de Deus. Hananias não creu na Palavra de Deus, e levou o povo a confiar em mentiras, por isso, foi declarada a sua morte. Morreu porque foi rebelde ao SENHOR, desobedecendo, e interpretando do seu jeito a Palavra, não como verdadeiramente deveria ser anunciada a quem Deus pedira que a mensagem fosse enviada. Hananias falou por iniciativa própria, sem qualquer fonte superior de inspiração. Foi um falso profeta que faltou com a devida responsabilidade e acatamento perante a Palavra de Deus.

Também com Deus não se brinca. A Ele devemos obediência com toda reverência de um coração temente, e com tremor diante dEle devemos crer nEle não como um Deus de terror, mas como Quem merece toda honra e toda glória por ser um Deus de amor e infinitamente misericordioso que está acima de todas as coisas no céu e na terra. Um Deus que age com a autoridade que Lhe é devida. Um Deus que tem autoridade sobre a vida, sobre a morte e todas as enfermidades. Um Deus que é o doador da vida, que não tem prazer quando alguém se perde. Assim como na história de Hananias, a Bíblia também nos ensina quando fala de um chefe de certa sinagoga chamado Jairo cuja filha foi curada por Jesus. Jairo era pessoa importante na sua comunidade e na sua família; tinha seus subalternos, e, dentre seus deveres, incluíam a direção da adoração na sinagoga e a seleção daqueles que deveriam liderar a oração, a leitura das Escrituras e a pregação. Homem de fé, Jairo teve que apelar para o Senhor Jesus quando Este atravessou o mar da Galiléia, vindo de Decápolis, e desembarcou perto de Cafarnaum. A filha de Jairo tinha cerca de doze anos de idade e estava prestes a morrer, e Jairo humildemente pediu a Jesus que a curasse. Mas quando Jesus Se dirigia a casa de Jairo outro milagre também aconteceu. Em meio a uma multidão que O apertava havia uma mulher que sofria há dozes anos de um sangramento ininterrupto que nenhum médico conseguiu curar até então, mesmo tendo ela insistido na busca desta cura. A doença lhe incomodava. Ela era discriminada e humilhada por causa disso. Não podia relacionar-se com ninguém. Era como se ela fosse uma leprosa, conforme estabelecia a lei. Mas ela tinha muita fé, e ouviu falar das maravilhas que Jesus operava naqueles que têm fé. Ela queria ao menos tocar nas vestes de Jesus, assim, tinha certeza de que seria curada. “Se tão somente tocar nas Suas vestes, sararei”, falava consigo mesma, tamanha era a sua fé. E assim o fez, e o milagre aconteceu, quando Jesus lhe confirmou: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.” Quanto a Jairo, enquanto todos se apavoravam, temendo que a menina morresse, Jesus lhe disse: “Não temas, crê somente.” E chegando a casa do chefe da sinagoga todos riram de Jesus quando Ele disse que a menina não morrera, que ela estava apenas dormindo. Assim, tomando-a pela mão, ordenou: “Menina, a ti te digo, levanta-te.” A Bíblia diz que imediatamente a menina levantou, e começou a andar, para assombro daqueles incrédulos. É este o Deus dos verdadeiros cristãos, dos verdadeiros crentes em Jesus, não dos crentes em especulações que não levam a nada, a não ser a sua própria derrocada tal qual os Hananias de todos os tempos; de ontem e de hoje. Estes vivem inquietos, insatisfeitos, perdidos, mas, mesmo assim, não dão o braço a torcer. Desprezam e não reconhecem o seu próprio Criador como o seu Senhor e Salvador que fez o céu e a terra, e de onde vem o nosso socorro, mesmo que estes Hananias não aceitem isso. É Ele que não nos deixa vacilar nas horas mais amargas de nossa vida, mesmo estando nós em meio a uma multidão hipócrita que muita vez finge estar em sintonia com Deus, até mesmo nos momentos de adoração, mas que não está com o coração ligado nEle, pois, dissimuladamente muitos parecem estar contritos nEle, mas estão bem longe dEle. Estão bem longe da Sua Verdade porque não estão em espírito ligados nEle, talvez porque desconheçam que qualquer possibilidade de perigo é recompensada pela confiança ilimitada e indubitável no poder e na vigilância do Senhor, ratificam os especialistas. Não devemos, pois, ter medo, mas somente crer, e seguir em frente, posto que, se crermos, veremos a glória de um Deus que sempre responde a nosso toque de fé, guardando-nos de todo o mal, de dia e de noite, como diz o salmista. “O SENHOR é Quem te guarda. O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” Que o Espírito Santo deste nosso Deus nos faça crer nEle, sempre, e em quaisquer circunstâncias, e que possamos prosseguir confirmando a nossa fé diante deste mundo incrédulo, para a glória de Deus Pai pela graça de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

REFLEXÃO DE HOJE
“Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; Aquele que te guarda não tosquenejará. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. O SENHOR é Quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite. O SENHOR te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” – Salmo 121:1-8

LEITURAS DE HOJE
Salmo 121; Jeremias 28:5-9
2Coríntios 8:1-9; Marcos 5:21-24a,35-43

NOTAS
[1] Provérbios 22:6; Gênesis 3:1-24; 2:4-17
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 20, 21
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p 12, 13
[2] Gênesis 1:10,12,18,21,25,31; Hebreus 11:6; Jeremias 27:2,3,6-14,22; 28:1-17
O Novo Dicionário da Bíblia. vol. 1. editor org. J. D. Douglas (editor em português R. P. Shedd). Trad. por João Bentes. São Paulo: Vida Nova, 1962, 1990. p.694. Reimpressão
CAWLEY, F.Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.762, 763. Reimpressão
[3] Marcos 5:21-43; Levítico 15:25-27; Salmo 121:1-8; João 11:40
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.608. Reimpressão

segunda-feira, 22 de junho de 2009

POR UMA SÓ PALAVRA

“Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?” – Marcos 4:40

UM IMPORTANTE canal de televisão estatal veiculou nesta semana um programa que tinha como tema o tempo na visão religiosa e profana que foi apresentado em formato de palestra num auditório de uma outra empresa também estatal proferida por um intelectual a quem se conferiram os créditos de filósofo e professor. Focando mais no contexto judaísmo-cristianismo e, resvalando um pouco pelo budismo, disse que é até atraente ser budista nas rodas sociais hoje em dia, segundo ele, diferentemente de quando uma pessoa diz ser católica ou evangélica fora do seu rebanho, tendo em vista as características práticas de cada um destes segmentos. O filósofo-professor discorreu tudo na mais perfeita retórica, passando de uma religião a outra, às vezes, até digno de aplausos, além de mencionar, explicando resumidamente, as teorias sobre religião definidas segundo os conceitos de Freud (1856-1939), Marx (1818-1883), Nietszche (1844-1900) e Darwin (1809-1882) – os assim denominados quatro cavaleiros do ateísmo. Até aí, tudo muito bem; todo mundo concentrado, anotando tudo direitinho, imbuído na veemência e segurança com que o especialista explanava o assunto da pauta, incumbindo-se para que fosse bem apreendido, a não ser quando, já quase ao final do evento, talvez permitido a participações dos ouvintes, alguém da plateia lhe perguntou de microfone em punho qual era a sua opção ou opinião pessoal, ou coisa assim, em meio a tudo isso. Foi quando o filósofo-professor, meio ensimesmado, esbanjou uma sarcástica gargalhada, e devolvendo a pergunta a seu interlocutor, rapidamente atropelou: Você está me perguntando se eu tenho uma religião? E, de pronto, repetindo a mesma gargalhada zombeteira, sem responder objetiva e claramente a respeito do seu credo, afirmou que não existem provas sobre a existência de Deus. E, assim, sobem os créditos da produção do programa, a chamada para o intervalo, os comerciais, a outra vinheta, outro programa, e a vida, ou melhor, a programação, continua às mil maravilhas deste mundo como se tudo surgisse do nada e diante do nada tudo se sucumbisse, e mais nada; e a gente no meio disso tudo tendo que inventar qualquer coisa para sobreviver neste imbróglio todo até quando a morte chegar e tudo se acabar, assim, do nada, e para o nada, segundo este filósofo-professor apóstata que sai por aí defendendo incredulidades, assim como tantas outras pessoas formadoras de opinião que, apesar deste seu imenso potencial, andam de braços dados com a apostasia em plenas vias deste século. E nós, que andamos por aí identificando-nos como crentes, será que o somos realmente? O que temos apregoado neste mundo ridículo e incrédulo? Como e o que temos apregoado? Será que temos anunciado alguma coisa edificante? Será que não saímos por aí com a Bíblia debaixo do braço utilizando-a apenas e tão somente para proveito próprio descontextualizando os seus textos e, com isso, desvirtuando a divina Palavra, de uma maneira ou de outra, constrangendo as pessoas, gerando mais uma multidão de apóstatas? Por onde anda a nossa genuína fé? Por onde anda a convicção daquela fé nAquele a Quem em espírito e em verdade devemos adorar e louvar? Será que diante de tantas bordoadas também não estamos sendo desleixadamente desencorajados, tímidos, sem ânimo para defender esta nossa fé a todo custo? Ou será que nos abatemos, assim, com tanta facilidade, diante de qualquer novo embate? Quem foi que disse que era tão fácil carregar a nossa cruz, enfrentando todos os ventos contrários, e, ao mesmo tempo, ser fiel a Deus neste mundo tão sedutor e tão perdido? Por que, então, muitas vezes, somos tão tímidos? Por onde anda a nossa fé? Que estejamos atentos as nossas reais responsabilidades, não perdendo de vista o nosso chamado! Que tenhamos ânimo, posto que seguir a Jesus, carregar a nossa cruz com e como Ele carregou a Sua por nossa causa, é para quem realmente crê nEle como o único verdadeiro Senhor e Salvador; para quem foi chamado por Ele para segui-lO devidamente. Somos Seus discípulos ou não somos? Ou será que nos esquecemos de mirar nEle quando estamos fraquejados? Aliás, sem Ele, é que estaremos, de fato, sendo envolvidos pelos ventos de uma tempestade avassaladora que nos distanciam cada vez mais da verdadeira bonança; da segurança de nossa salvação, enfim, do nosso porto seguro que é a nossa eterna paz celestial, a menos que também andemos por aí somente na base da retórica sem condições de testificarmos aquilo que andamos apregoando, ou seja, a nossa fé eficazmente aplicada pelo Espírito de Deus.

Como crentes em Jesus, como cristãos, ou seja, como fiéis seguidores dos ensinamentos de Cristo, temos que ser coerentes entre o nosso discurso e a nossa prática, assim como fez o próprio Mestre que, além de ser um exemplo de vida a ser seguido por todos nós, em todos os aspectos, quando Ele fala, as coisas acontecem. Os discursos não ficam apenas em palavras ocas, jorradas somente da boca para fora em púlpitos, palanques ou no corpo a corpo com o intuito de agradar a uns e a outros, apenas, conforme a medida de nossos interesses. As palavras de Jesus, mesmo em forma de parábolas ou outras alegorias e similares, não são frases sem sentido, sem provas, sem respaldo, posto que são a Palavra de Deus nEle encarnada, e que se manifesta em atos, concretamente falando, por ela ser a Verdade. Por isso, Jesus tem autoridade nas Suas palavras. Ele fala com a autoridade do Pai, já que, juntos, Eles são um; um único Deus, juntamente com o Espírito Santo que dEles procede, sendo estas três pessoas desta Divindade um único Deus da mesma substância, iguais em poder e glória. Então, Ele é a própria Palavra, e a Sua Palavra tem poder. Poder de transformar pessoas, não só espiritualmente, mas também no mundo natural, já que o novo nascimento não é uma ação parcial, mas, sim, uma mudança de vida total, dos nossos pés a nossa cabeça, passando principalmente por nosso coração, ou seja, pelo mais íntimo do nosso ser interior, do nosso espírito, com quem o Espírito de Deus testifica que somos filhos de Deus, intercedendo por nós, ajudando-nos nas nossas fraquezas quando não sabemos fazer aquilo que Deus quer que façamos. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” É o Espírito de Deus intercedendo pelos santos. É a Palavra de Deus trabalhando dentro de nós por meio da fé; ações estas operadas por este mesmo Espírito Santo.

Sendo a Bíblia a revelação desta Palavra escrita, ou seja, o caminho por onde Deus pode ser conhecido, ela prescreve a fé e a prática cristãs nela contidas refletindo as razões precípuas de uma vida voltada para o bem, para a salvação do homem miseravelmente caído por causa da sua desobediência, por causa do seu pecado, trazendo ainda em seus ensinos uma inestimável influência espiritual para nossas vidas – cujas bênçãos de Deus são usufruídas já neste mundo. De inspiração divina, portanto, inerrante e infalível naquilo que ela ensina, a Bíblia nos mostra o agir de Deus em toda a história, conforme Suas promessas desde os tempos mais remotos. São as maravilhas do poder de Deus manifestando-se por meio da Sua Palavra, derrotando o poder do mal em quaisquer circunstâncias. Suas ações justificam a Sua Palavra, não que Ele precisa de provas, de justificativas, para avaliar ou garantir a Sua própria existência ou ações, posto que Ele é, e age, absolutamente soberano por meio de Suas poderosas obras em todos os tempos; ontem, hoje e sempre. E também porque Ele é Deus, o SENHOR forte e poderoso, o Senhor de todas as coisas que existem no céu e na terra, posto que dEle é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Deus fala e tudo é criado; ordena e tudo começa a existir. Emudece a fúria do mar, acalma todos os tipos de tempestade, seja no sentido literal ou espiritual, assim como coloca Satanás no seu devido lugar, ou seja, debaixo dos Seus pés, e ainda nos conclama a sermos corajosos, e não tímidos, e que tenhamos fé. Tudo acontece por uma só Palavra Sua, e todos Lhe obedecem! Somente Ele nos traz paz porque nEle está a verdadeira paz. É esta força da Sua autoridade divina que Jesus demonstrou, e vem demonstrando, muito bem no meio de nós. O pior cego é aquele que não quer ou não pode ver nem entender que “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Mas tudo isto provém de Deus – na opinião do apóstolo Paulo –, “que nos reconciliou Consigo mesmo por Jesus Cristo (...)”, abrindo-nos um novo estilo de vida, para a Sua glória, já que o nosso fim principal é glorificar a Deus, e gozá-lO para sempre, “porque dEle, e por meio dEle, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém.”

REFLEXÃO DE HOJE
“Louvai ao SENHOR, porque Ele é bom, porque a Sua benignidade dura para sempre. Digam-no os remidos do SENHOR, os que remiu da mão do inimigo, e os que congregou das terras do oriente e do ocidente, do norte e do sul. Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes águas. Esses veem as obras do SENHOR, e as Suas maravilhas no profundo. Pois Ele manda, e se levanta o vento tempestuoso que eleva as suas ondas. Sobem aos céus; descem aos abismos, e a sua alma se derrete em angústia. Andam e cambaleiam como ébrios, e perderam todo o tino. Então clamam ao SENHOR na sua angústia; e Ele os livra das suas dificuldades. Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as suas ondas. Então se alegram, porque se aquietam; assim os leva ao seu porto desejado. Louvem ao SENHOR pela Sua bondade, e pelas Suas maravilhas para com os filhos dos homens. Exaltem-nO na congregação do povo, e glorifiquem-nO na assembléia dos anciãos.” – Salmo 107:1-3,23-32

LEITURAS DE HOJE
Salmo 107:1-3,23-32; Jó 38:1-11
2Coríntios 5:14-21; Marcos 4:35-41

NOTAS
[1]Êxodo 3:14; 34:6,7; Gênesis 17:1; Salmo 90:2; 145:3; Malaquias 3:6;Romanos 11:3; Tiago 1:17; Apocalipse 4:8; Gênesis 1:1-31; Salmo 8:6-8; 33:6,9; 104:1-35; 148:1-14; João 1:1-3; Atos 17:25-28; Colossenses 1:15-17; Hebreus 1:2; 11:1,3; 2Pedro 3:5; Romanos 8:13-18; 1Coríntios 15:12-15,19-25; 50-54; 2Coríntios 5:1-5; Filipenses 3:20,21; 1João 3:1-5; 4:1-6; Deuteronômio 4:2; 12:8,32; Apocalipse 22:18,19; João 4:24; Mateus 16:24-27; 20:28; 2Coríntios 5:21; 1Timóteo 2:5; Filipenses 2:6-8; Gálatas 3:13; Isaías 53:3; 1Coríntios 15:3,4; João 1:12,13; 3:5,6; 1Coríntios 12:12,13; Gálatas 2:20; Efésios 2:8; Tito 3:5,6
[2]Mateus 3:16,17; 28:19; João 1:1; 3:18; Atos 5:3,4; 2Coríntios 13:13; Hebreus 1:3; Romanos 8:16,26,27,31b
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 7, 10-12, 26. Reimpressão
[3]João 14:26; 16:13; 1Pedro 1:12; 1Coríntios 2:12,13; 1Tessalonicenses 4:2,14;
2Tessalonicenses 3:6,12; 1Coríntios 14:37; Mateus 4:1-11; Salmo 24:1,8b; 33:9; Marcos 4:39; 2Coríntios 5:17,18a; Romanos 11:36; 14:7,8; 1Coríntios 10:31; Salmo 73:24-26; Isaías 43:7; 61:3; Efésios 1:5,6; João 17:22,24
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 996, 997. Reimpressão

domingo, 14 de junho de 2009

PODEROSA PEQUENA SEMENTE

“(...) mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Qual agora alcançamos a reconciliação.” - Romanos 5:11b

MUITAS VEZES, e até mesmo pelo nosso jeito de ser, de pensar e agir, humanamente falando, atuamos acostumados com a nossa formação que herdamos e aprendemos a lidar desde cedo em meio a tanta competição e concorrência, e também a deformações de conceitos, mirando naqueles que obtêm os resultados que nós ainda não obtivemos; cobiçando e espelhando-nos em aparatos alheios e externamente visíveis. Muitas vezes nos frustramos ao vermos que os outros já alcançaram suas metas, e nós ainda continuamos capengando, como se não encontrássemos a trilha certa, achando que estamos perdidos, longe dos prazos e espaços que fixamos. Nós queremos que as coisas aconteçam do nosso jeito, assim, de imediato, ao nosso tempo, e exatamente como gostaríamos que acontecessem. Muitas vezes nem respeitamos o jeito de ser dos outros, e aí, de pronto, invadimos seus espaços e privacidades e começamos a exagerar em palavras e atitudes, perdendo a paciência, e, metendo os pés pelas mãos, como se fôssemos todo-poderosos, e, com as nossas todo-poderosas atuações, pomos tudo a perder. Muitas vezes nem sabemos por que, posto que não conseguimos enxergar ou ter a sensibilidade para entender que só caminharemos seguramente e a passos firmes depois que aprendermos a engatinhar e que só conseguiremos os nossos objetivos depois de darmos cada passo e, passo a passo, experimentarmos esse cada passo. E, paulatinamente, muitas vezes até caindo, mas nos levantando, nesta sequência, é que chegamos lá, colhendo os frutos daquilo que sonhamos, e que semeamos grão a grão, suando, e até mesmo chorando. Não importa quando e onde queremos chegar, tudo tem o seu tempo. Basta acreditar. Mas acreditar nAquele que é maior do que todos nós juntos; nAquele que pode fazer e acontecer de verdade, sem nenhuma falcatrua.O sábio Salomão, desafiando o nosso entendimento, e em defesa da fé em Deus, para quem esta fé é o único caminho para a realização humana, ensina que aquele que é verdadeiramente sábio busca e geralmente acha o tempo próprio para cada ação, posto que muitas vezes não conhecemos o nosso tempo determinado, já que é o próprio Deus Quem determina este nosso tempo. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, declara, e, do fundo do seu coração, afirma que Deus julgará o justo e o ímpio porque “há um tempo para todo o propósito e para toda a obra”. É preciso, então, ter confiança em Deus, e colocar os nossos tempos nas mãos dEle para que Ele nos livre das mãos dos nossos inimigos, daqueles que não acreditam, que pensam que tudo na vida é muito fácil, e que nos perseguem, achincalhando-nos, e atrapalhando a concretização de nossos sonhos. Assim também é a dinâmica do Reino de Deus em nossas vidas. Falando por meio de parábolas, e utilizando-Se de temas do dia a dia daquelas pessoas para um melhor entendimento por parte delas, ninguém mais do que Jesus sabia atingir os Seus propósitos diante daquela gente tão arredia. Assim Jesus dizia: “O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe a foice, porque está chegada ceifa.” Conhecida como a parábola da semente que cresce misteriosamente, e que é a única que se encontra somente em Marcos, Jesus ensina que se a terra por si mesma frutifica, basta apenas que nela seja colocada a semente, assim também é a Palavra de Deus. Ela opera por si mesma, e no seu tempo, em nosso coração, basta apenas que nele haja uma disposição efetuada pelo Espírito para que produza frutos abundantes.

Mas nós também temos que fazer a nossa parte, sim. Como crentes em Jesus, nós também temos as nossas responsabilidades, todas elas dadas por Deus, e que devemos cumpri-las à risca conforme a medida dos dons de cada um de nós, se não seremos taxados de desobedientes, posto que o divino Criador não nos reconciliou com Ele pela morte de Seu Filho – justificando-nos pelo Seu sangue para sermos salvos da ira, sendo todos nós ainda pecadores – para retornarmos a posturas de mentirosos, de impostores, de parasitas, de arrogantes, de indóceis, de impacientes, intolerantes e invejosos, ou de opressores que espalham virulência por todos os lados, ainda enlameados por tantos outros pecados, mas de colaboradores dEle por obediência a Seus preceitos, devido o cumprimento da Sua aliança para com Seu povo, para que, enlevados por nossa fé e movidos pelo Seu Espírito, proclamemos as boas-novas deste Seu Reino que, mesmo ainda sem a sua atuação plena aqui na terra, já está em nós por meio deste mesmo Senhor Jesus – ou seja, as maravilhas da Sua salvação. “(...) como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim, agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo (...).” São instruções divinas dadas a Moisés para que este as transmita a Israel, incluindo aí um sumário da fidelidade de Deus à aliança, assim como as responsabilidades pactuais de Seu povo. Esta mesma fidelidade e responsabilidade que são termos de um relacionamento sério e sincero entre as partes também devem refletir em nossos compromissos diante de Deus como preceitos de uma nova realidade desta nova aliança para com os crentes em Cristo, assim como preceituava na antiga aliança abraâmica. É Deus sempre usando de Seu terno cuidado para com o Seu povo, livrando-o do inimigo; levando-o para bem longe das influências perversas desde aqueles tempos de escravidão egípcia até estes nossos dias de pecaminosidade deste mundo cruel. Assim como aos pés do monte Sinai os israelitas prometeram a Moisés cumprir tudo o que o SENHOR lhes havia anunciado ao serem preparados para a recepção da lei do concerto – os dez mandamentos –, num consentimento de todos, e sem nenhuma imposição, também nós devemos estar preparados, com o coração receptivo, como a terra que recebe a semente ministrada por meio da parábola, semente esta que é a Palavra de Deus que é semeada e cresce no nosso coração; e, por fim, realiza-se a colheita. Observa-se que este desenvolvimento acontece espontaneamente sem nenhuma participação do homem que pode até dormir, e se levantar de noite ou de dia, que a semente continua brotando e crescendo, “não sabendo ele como”. É o Espírito que põe em destaque a força irresistível da Palavra de Deus, que, uma vez lançada em nosso coração, cresce sozinha e opera por si mesma, dadas as condições favoráveis, exatamente da mesma maneira que por si mesma a terra dá os seus frutos.

Ainda sobre um tema hoje em dia pouco respeitado, dada a nossa característica correria, e a nossa capacidade de não sabermos esperar, mantendo a calma, acompanhando com paciência e admiração este desenvolvimento da semente que germina, cresce e produz frutos abundantes, o Senhor Jesus também compara o Reino de Deus como um grão de mostarda que, quando é semeado na terra, mesmo sendo a menor de todas as sementes, mas, que tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças com seus grandes ramos. Dizem que o apressado come cru. Pode ser verdade. Há certos momentos na nossa vida que não adianta precipitarmo-nos, desesperadamente por nós mesmos, ou seja, por nossas próprias mãos, já que o que tiver que ser, assim o será. Nós temos, sim, é que fazermos a nossa parte. Ainda mais como cristãos. Isto é imprescindível. Não podemos esperar as coisas de braços cruzados. Nós temos uma missão. Não estamos neste mundo em vão nem por mera casualidade. Depois disso, só mesmo a providência divina para a concretização dos fatos, ou seja, nem sempre o nosso tempo funciona, já que é Deus o dono do tempo. E o tempo de Deus é só Ele mesmo Quem sabe. Nós só temos mesmo é que saber esperar, com fé e na segurança de que Ele não vai nos abandonar principalmente nas metas que com Ele compartilharmos. Se o grão de mostarda nos tempos de Jesus simbolizava a explosão da vida, também nós não devemos menosprezar o que a nossos olhos parece tão pequeno e sem nenhum valor em nosso dia a dia, posto que tudo tem o seu valor e significado, já que um grande incêndio sempre toma corpo por meio de uma pequena chama. Uma simples fagulha poderá se transformar num grande acendimento, este ardor espiritual de que tanto precisamos para tocar a obra de Deus com todo o amor necessário por meio do Espírito Santo que nos incentiva em nosso testemunho de vida. Mas cada coisa a seu tempo, que muitas vezes até pensamos que estamos longe ou até mesmo fora dos tempos os quais o Senhor nos chamou para semear. Na verdade, temos é que ir em frente, posto que “quão grandes são, SENHOR, as Tuas obras! Mui profundos são os Teus pensamentos. O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto”. São as maravilhas deste Reino de Deus que nós nem podemos imaginar tamanha a dimensão e poder diante de tanta pequenez de nossa parte se esta for comparada com a magnificência deste Soberano Senhor em nossas vidas que é capaz de fazer coisas inacreditáveis aos olhos dos ímpios que, mesmo podendo crescer como a erva, “quando florescerem todos os que praticam a iniquidade, é que serão destruídos perpetuamente”, lembra o salmista. E “o justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano”. E ainda: “Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos para anunciar que o SENHOR é reto (...).” Se verdadeiramente acreditamos nesta dimensão da Palavra de Deus, da sua simplicidade, mas de um aprendizado, grandiosidade e eficácia que podem transformar vidas – e esta transformação é para valer; é real e para sempre –, possibilitando-nos dar frutos em abundância, inclusive espalhando-se pelos confins de toda a terra, devemos insistir, aprendendo com a parábola, e continuar semeando, plantando a Palavra, posto que ela faz milagres; o milagre da salvação ainda aqui neste mundo. Que o Espírito de Deus, e em nome do Senhor da messe, possa nos capacitar para podermos entender tudo isso, e continuarmos nesta semeadura, trabalhando humildemente, mas com todo ânimo e esperança na segurança de uma boa colheita, já que os frutos são dEle, para o engrandecimento do Seu Reino, tendo em vista o Seu poderoso nome.

REFLEXÃO DE HOJE
“Quão grandes são, SENHOR, as Tuas obras! Mui profundos são os Teus pensamentos. O homem brutal não conhece nem o louco entende isto. Quando o ímpio crescer como a erva, e quando florescerem todos os que praticam a iniqüidade, é que serão destruídos perpetuamente. O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos, e vigorosos, para anunciar que o SENHOR é reto. Ele é a minha rocha e nEle não há injustiça.” – Salmo 92:5-7,12-15

LEITURAS DE HOJE
Salmo 92; Êxodo 19:1-8
Romanos 5:6-11; Marcos 4:26-34

NOTAS
[1] Eclesiastes 3:1-8,17; 8:5,6; Salmo 31:15; Marcos 4:26-29
HENDRY, G. S. Eclesiastes ou Pregador: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 657 . Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 768, 774
HENDRY, G. S. Eclesiastes ou Pregador: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 657 . Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 996. Reimpressão
[2] Romanos 5:8-11; Êxodo 19:4-6a; Gênesis 12:1-3; 1Pedro 2:9,10; Apocalipse 1:6; 5:10; 20:6; Êxodo 19:7,8; Mateus 13:24
CONNELL, J. C. Êxodo: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 135, 136. Reimpressão
[3] Marcos 4:30-32; Mateus 24:30; Salmo 92:5-7,12-15a
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996

domingo, 7 de junho de 2009

DIVINO DOADOR DA VIDA

“(...) aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3b)

É CERTO QUE nem todos têm o mesmo destino neste mundo, nem em outro qualquer; muito menos no plano espiritual, cujos desígnios estão nas mãos do Eterno e Divino Doador da Vida, Criador do céu e da terra, assim como de todas as coisas visíveis e invisíveis, a Quem, por causa da obra e graça deste Soberano SENHOR, que é infinitamente misericordioso, todos devemos ter a grata satisfação de reverenciá-lO, posto que Ele reina em pleno poder e majestade. O Seu trono está firme desde a eternidade independentemente de quaisquer nuances políticas, em contraste com as instabilidades, despotismos e desordens ou outras forças maléficas deste mundo – se é que existem forças do bem neste mundo dos homens que, pela falta de nossa retidão original, chafurdamo-nos na lama da corrupção em toda a nossa natureza, sendo todos nós reduzidos ao nosso estado de pecado e miséria juntamente com todas as transgressões atuais que procedem de cada um de nós. Mesmo assim, o Seu trono sobrevive a todas as tentativas de quem quer que queira abalá-lo, daí, que esta Sua soberania absoluta que estabelece a estabilidade e a ordem mundial que é compartilhada por toda a humanidade através da Sua lei revelada também deve ser reconhecida, pois também é certo que o Seu trono subsiste a todas as gerações. “O SENHOR reina; está vestido de majestade. O SENHOR se revestiu e cingiu de poder; o mundo também está firmado, e não poderá vacilar.”. Está descrito na Sua Palavra, que é a Verdade, para que ninguém duvide que este SENHOR é Deus. Ele é o Rei dotado de poder onipotente que tem o controle soberano e absoluto sobre o mundo. Que ninguém duvide que, nas alturas, este SENHOR permanece inabalável, e imperturbável, sempre glorioso em poder, e a estrutura deste Seu Reino é inexpugnável, nos dizeres dos comentaristas, destacando ainda que Sua imutabilidade se fundamenta em Sua própria santidade e em Sua equitativa administração sobre toda a criação. Diante de tudo isso, é Ele Quem nos dá vida, já que estamos todos mortos em nossos delitos e pecados, conforme assinala o apóstolo Paulo, se não formos atingidos pela Sua graça salvadora, e se insistirmos em andar “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência”; e se ainda andarmos sob “os desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” e, “por natureza, filhos da ira” como tantos outros. Humanamente naturais, diante de toda esta nossa situação de morte espiritual, devemos refletir juntamente com o salmista, sobre as profundezas do pecado e do arrependimento numa oração penitente brotada de um coração dominado pela vergonha, humilhado e alquebrado pela nossa culpa num apaixonado apelo para sermos purificados. “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.”. Porém, assim como o salmista, também devemos ter a consciência da misericórdia de Deus – abundante, amorosa e sem limites, reforçam os comentaristas – e orarmos como orou Davi. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a Tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das Tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade; e purifica-me do meu pecado.”. Devemos acreditar firmemente que o pecado não resiste a nenhum pecador sinceramente arrependido, posto que o arrependimento implica em um novo nascimento, já que damos as costas para aquelas nossas falhas e, consequentemente, não pecamos mais. Isso é coisa séria. Arrepender-se não é reincidir em falhas, costumeiramente, mas, genuinamente, nascer de novo, fugindo de tudo aquilo que tenha até a aparência do mal. Segundo os especialistas, Davi pleiteou a misericórdia de Deus em consonância com o amor que Deus prometeu ter por Seu povo, já que quando Deus perdoa os nossos pecados isso resulta de Sua misericórdia, posto que os pecadores merecem a morte, mas Deus lhes dá a vida.

O apóstolo João nos chama a atenção para percebermos quão grande amor nos tem concedido o SENHOR, para que fôssemos chamados filhos de Deus. Esta maravilha e esta graça arrebatam o apóstolo, pois nos fazem refletir sobre o nosso novo nascimento, assim como também Paulo nos alerta sobre tal adoção, contrapondo estes filhos de Deus com os filhos da carne, já que se vivermos segundo a carne, morreremos; mas, se pelo Espírito, desgostarmos das obras do corpo, viveremos. “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”. Assim, a Palavra de Deus nos diz que é este mesmo Espírito que testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados.”. E se já recebemos este Espírito de adoção de filhos, temos todo o direito de clamarmos por Ele, chamando-o de Pai, com toda a conotação de familiaridade e intimidade que todo cristão recebe por meio do Espírito divino, auferindo, assim, esta paternidade de Deus para com o Seu povo. Assim, também, na opinião dos especialistas, os crentes são acolhidos na família de Deus e são internamente persuadidos pelo Espírito de que eles fazem parte desta família, já que somos feitos criaturas dEle para sermos filhos dEle, e irmãos em Cristo, transformados pela obra do Seu Espírito – fim glorioso de toda a vitória da graça, já que é pela graça que somos salvos, por meio da fé; não por nenhum mérito nosso.

Segundo Berkhof, as Sagradas Escrituras afirmam expressamente a necessidade da nossa regeneração – que é a obra do Espírito Santo ao criar uma nova vida nos pecadores que se arrependem e passam a viver em Cristo –, mas que o nosso Salvador não dá lugar para exceções em se tratando deste assunto. “Na verdade, na verdade, te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”. Estas verdades também são expostas com clareza em outras passagens bíblicas, quando, por exemplo, Paulo diz que o homem natural não aceita as coisas do Espírito, posto que lhe são loucura, e não pode entendê-las, já que elas se discernem espiritualmente. “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).”. Este amor de Deus é de Sua livre e espontânea vontade; não por mérito, esforço ou capacidade por parte daqueles que chegam à vida. Morto não fala, não age e nem reage por não ter vida própria e não ser dono nem da própria vida, daí, ainda segundo Berkhof, é o Espírito Santo a causa eficiente da regeneração, posto que é Ele que age diretamente no coração do homem, transformando sua condição espiritual. Na sua opinião, não há nenhuma cooperação do pecador nesta obra. “É obra do Espírito Santo direta e exclusivamente; só Deus age, e o pecador não participa em nada desta ação”, explica o especialista, para, em seguida, enfatizar que nas Escrituras é mais que evidente que isso não significa que o homem não coopera com o Espírito de Deus nos estágios posteriores desta obra de redenção. Já que não podemos salvar-nos a nós mesmos, posto que é Deus Quem ressuscita os mortos, a regeneração, então, é o dom da graça de Deus, uma obra imediata e sobrenatural do Espírito Santo realizada em nós e que tem o efeito de fazer com que passemos desta morte espiritual para a vida espiritual. Tendo como fruto a nossa fé, que antecede a regeneração, esta nova vida transforma a disposição de nossa alma, e inclina o nosso coração para Deus, dando uma razão de vivermos, uma real esperança neste mundo, pois somente com Deus por intermédio de Jesus Cristo e com a ação do Espírito divino é que a nossa vida faz sentido, e tudo é possível por fé. É Deus agindo e fazendo a história por meio da Sua triunidade. Que esta comunhão do Espírito divino pela graça de Jesus Cristo e o amor do SENHOR nosso Deus esteja sempre operando em nós, transformando-nos a cada dia, doando-nos vidas espirituais, para que a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre. Amém!


REFELXÃO DE HOJE
“Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados.” – Romanos 8:13-17

LEITURAS DE HOJE
Salmo 93; Êxodo 3:1-6
Romanos 8:12-17; João 3:1-17

NOTAS
[1] Salmo 93:1-5; 45:6; Romanos 3:10-18; 5:12,18,19; Gálatas 3:10; Salmo 96:10; Lamentações 5:19; Salmo 97:1; 98:6; 99:1; 29:10; 19:7-9; Efésios 2:1-3; Salmo 51:1,5 Cf. Credos Reformado , Niceno-Constantinopolitano e Atanasiano
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 649, 682, 1402
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 23, 24. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.542, 582. Reimpressão
[2] 1João 3:1; Romanos 8:13-17; Gálatas 4:6; Efésios 2:8,9
DRUMMOND, R. J. e MORRIS, Leon. As Epístolas de João, 1João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1433. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1330
THOMSON, G. T., DAVIDSON, F. A Epístola aos Romanos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1168, 1169. Reimpressão
[3] João 3:3,5,7; 1Coríntios 2:14; Gálatas 6:15; Jeremias 13:23; Romanos 3:11; Efésios 2:3-5; Romanos 8:29,30; Ezequiel 11:19; Atos 16:14; Romanos 9:16; Filipenses 2:13
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. por Odayr Olivetti. São Paluo: Cultura Cristã, 2007. p. 436
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1233, 1402

domingo, 31 de maio de 2009

NOVOS TEMPOS

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai”(Romanos 8:15)

NESTES TEMPOS envoltos em seus novos paradigmas ideológicos e em meio a tantas variedades de informação, de conceitos e de situações às vezes até embaraçosas que nos confrontam dia a dia neste jeito pós-moderno de ver as coisas, nós cristãos também temos que nos posicionar diante de tanta diversidade com vistas a nossa própria fé que defendemos, se é que defendemos alguma coisa. Diante de tantos desafios destes novos tempos, a hora é agora, e sempre, para nos espelharmos na Palavra e irmos em frente, já que nós temos Quem nos assiste exatamente quando necessitamos de ajuda, e cá entre nós, esta hora está sempre presente, posto que nada somos sozinhos. Até dizem que ninguém é bom sozinho. Talvez não seja mesmo. Nem mau também. Há sempre uma centelha que se explode dentro de nós e provoca uma reação que nos leva ou para um lado ou para o outro. Depende do que está em nós, “porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz”, destaca o apóstolo Paulo, mostrando o contraste entre o padrão de vida de uma pessoa antes e depois de ser regenerada, ou seja, sob a influência da carne, sem Deus, e sob o comando deste mundo, e, depois, quando somos libertos das coisas mundanas e vivemos sob a influência de Cristo em nossa vida, por meio do Espírito divino que veio habitar nos crentes. Somos influenciados por aquilo com que convivemos. Somos a efígie, fotogenicamente falando, daquilo que defendemos, ou não somos de nada frente àquilo que proclamamos. E o que é mesmo que nós proclamamos? Ou será que não passamos de um mero vexame, de um péssimo exemplo com relação àquilo com que nos arroubamos diante dos outros? Ou ainda será que o divino Criador nos fez nascer para ficarmos em cima do muro ou para sermos papagaios de pirata? Se a nossa vida ainda se deixa levar pelas coisas da carne, longe da vida da graça, não se entretendo com as coisas espirituais, a Bíblia diz que estamos mortos, já que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”. Se a nossa vida se põe de acordo com a carne, nossa mentalidade recebe a influência da carne, ou seja, as influências deste mundo ímpio, pecaminoso e rebelde. Se em nós prevalece o elemento espiritual, estes resultados serão vistos em nossa compostura espiritual, ou seja, a mente do Espírito, que é vida e paz. Os estudiosos afirmam que a vida carnal é hostil a Deus por frustrar os ideais divinos para a humanidade, e que, centralizando-se em si mesma, está sempre em guerra contra Deus, já que, por sua própria natureza, é incapaz de se submeter à lei de Deus. “Porque a carne cobiça contra o espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”, diz a Palavra de Deus. Assim é a vida dos incrédulos, prazerosamente envolvida com o malfeito; situações estas com que nos deparamos corriqueiramente em nosso dia a dia.

No dizer de Melanchthon, carne é a natureza inteira do homem, seu senso e razão, sem o Espírito de Deus. Exortando-nos a viver segundo este Espírito divino, o apóstolo Paulo faz-nos conhecer algumas obras da carne manifestadas tanto naquele velho mundo pagão quanto por toda parte nos dias de hoje: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, dentre outras. “Acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.” Veja que é o próprio Paulo que nos faz este alerta, e ainda diz que os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e os seus desejos ou devassidões. Daí, o apóstolo enumera o fruto do Espírito: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança que, segundo os comentadores, este fruto, que se contrasta com aquelas obras da carne, é o sinal de uma vida saudável; a linda, calma e sempre progressiva manifestação por meio de uma conduta que se frutifica até a idade avançada daquela nova vida que foi comunicada por Deus.

E esta nova vida de paz que marca estes novos tempos longe daqueles tempos de escravidão da carne, ou melhor, dos nossos pecados, só usufrui quem realmente for transformado; aqueles que forem tocados pelo Espírito Santo de Deus por meio de Jesus Cristo, o Salvador nosso, e que, por isso mesmo, prometeu a Seus discípulos que não os deixaria sozinhos, pois lhes enviaria o Espírito. Esta é a nossa esperança que nos firma nas promessas de Jesus. Não estamos sós. Temos o Espírito divino que nos dá esta confiança, e não nos deixa ser confundidos, pois é Ele mesmo que nos defende nas horas mais difíceis de nossa vida, até nos iluminando e guardando-nos na verdade da Palavra de Deus por meio do Seu ministério. Esta é a nova lei, a nova vida e novos tempos para os crentes em Cristo Jesus que, de coração novo, são como uma árvore que só produz bons frutos, no caso, o fruto do Espírito, cuja unção que recebem dEle fica neles, e não têm necessidade de que alguém os ensine; mas, como a Sua unção os ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela os ensinou, assim nEle permanecem. São pecadores, sim, já que é próprio da nossa natureza, mas não permanecem no pecado. Não vivem costumeiramente pecando ou sendo enganados pelo pai da mentira, ou seja, Satanás, que “anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”. É este Espírito de Deus que opera em nós e nos faz vigiar para que os crentes não caiam nas ciladas deste mundo pecaminoso e trapaceiro. É Ele Quem aplica a graça de Deus ao pecador, e esta doutrina da graça se desenvolve na Igreja. Segundo Berkhof, é a operação especial do Espírito Santo que sobrepuja e destrói o poder do pecado, renova o homem à imagem de Deus, e o capacita a prestar obediência espiritual a Deus, a ser o sal da terra, a luz do mundo, e um fermento espiritual em todas as esferas da vida. Outro especialista de nome parecido, Bancroft, diz que mesmo estando sempre ativo como a Terceira Pessoa da Trindade divina, o Espírito Santo descia sobre os homens apenas temporariamente, a fim de inspirá-los para algum serviço especial, e deixava-os quando essa tarefa terminava. Ele não permanecia geralmente com os homens nem neles habitava nos tempos do Antigo Testamento. Na opinião de Bancroft, foi o Dia de Pentecostes que marcou o raiar de uma nova era nas relações entre o Espírito Santo e a humanidade. Ele veio para habitar na Igreja, e permanecer entre nós. Afirmando que todo o trabalho eficaz que a Igreja tem feito tem sido realizado no poder do Espírito, ainda destaca que a incredulidade, a dúvida e a crítica podem até atacar a Igreja, mas não derrotá-la, pois a Igreja é o verdadeiro corpo de Cristo, habitado pelo Espírito Santo de Deus, e, em sendo assim, é tão indestrutível quanto o Trono de Deus. Por tudo isso é que podemos tranquilamente confiar neste Deus, o SENHOR nosso Rei, o SENHOR dos Exércitos, o nosso Redentor, o Primeiro e o Último, pois fora dEle não há outro. “Porventura há outro Deus fora de Mim? Não, não há outra Rocha que Eu conheça.” É o próprio Deus Quem pergunta, e é Ele mesmo Quem responde pela boca do profeta Isaías, confortando o Seu povo, já que prometeu que sobre eles derramaria o Seu Espírito e a Sua bênção; não somente sobre eles, mas também sobre toda a posteridade e descendência deles. E esta promessa foi cumprida no Dia de Pentecostes, um grande dia de festa que se celebra em toda a Sua Igreja em que o Espírito Santo desceu do céu enquanto sinais audíveis e visíveis acompanhavam a efusão do prometido dom celestial, e a voz deste mesmo Deus foi ouvida por todas as nações da terra, e todos já não eram mais os mesmos, porque foram transformados; e todos puderam falar da grandeza deste Deus, assim como ainda hoje se fala por intermédio da proclamação da Sua Palavra em que o SENHOR faz “notória a Sua salvação”, manifesta a Sua justiça perante nossos olhos, lembrando-nos da Sua benignidade e da Sua Verdade para com todos nós, para que não andemos por aí acreditando em qualquer coisa, em balelas, ou “vãs sutilezas segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”.

REFLEXÃO DE HOJE
“Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes. E brotarão como a erva, como salgueiros junto aos ribeiros das águas. Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça” – Isaías 44:3,4,6-8

LEITURAS DE HOJE
Salmo 98; Isaías 44:3-8
Romanos 8:5-17; Atos 2:1-11

NOTAS
[1] Romanos 6:23; 8:5,6; João 3:6
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1320
THOMSON, G. T., DAVIDSON, F. A Epístola aos Romanos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1168, 1169. Reimpressão
[2] Gálatas 5:16-25; 1Coríntios 6:9,10; 15:50; Efésios 5:5; Salmo 92:14
ROSS, ALEXANDER. A Epístola aos Gálatas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1244-1246. Reimpressão
[3] João 14:16,26; 1João 2:27; 3:9; João 8:44; Atos 13:9; 1João 3:8; 1Pedro 5:8; Isaías 44:3,6,8b; Atos 2:9-11; Salmo 98:2,3; Colossenses 2:8
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1352, 1362, 1363, 1511, 1513
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paluo: Cultura Cristã, 2007. p. 393, 395
BANCROFT, E. H. Teologia Elementar. Doutrinária e Conservadora. 2.ª ed. Trad. por João Marques Bentes. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1975. p. 177, 178
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1094. Reimpressão
BRUCE, F. F. Os Atos dos Apóstolos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1106. Reimpressão

domingo, 24 de maio de 2009

UMA QUESTÃO DE AMOR

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1João 4:20)

ESTA QUESTÃO de amor é algo que não tem fim nunca, pois, de um jeito ou de outro, ela faz parte da nossa vida. Se formos um pouco mais atentos, veremos que se quisermos ouvir uma história bem contada de amor, temos que passar primeiro pela história da nossa própria vida, a nossa própria história, já que somos criaturas projetadas apenas por um gesto de amor por parte do divino Criador que, por amor e graça, envolveu nossos próprios pais neste Seu projeto de vida. Por isso é que esta questão de amor é algo que não tem fim nunca. Veja o acervo das obras e descobertas científicas sobre a vida, e literárias sobre o amor, e também outras manifestações artísticas sobre o assunto como o cinema, e até mesmo o teatro, sem falar de outros tipos de arte, e sem fugir de certos gêneros musicais, muitos deles até mesmo de muito mau gosto, mas que ainda fazem muito sucesso; ou mesmo as histórias da vida real entre homens e mulheres ou vice-versa. Nas poesias, então, isso vem de longe, e ainda vai dar muitos versos para se tirar da manga, e cantar e decantar, declamar e apaixonar – e, por que não, “reclamar”, de um amor não correspondido, de um amor possessivo, dominador, com recheio de tantos outros ismos e adjetivos? Este é o amor que se encanta entre os humanos, amor este que, em nome dele, muitos praticam coisas absurdas, fatalidades contra até a própria vida, ou de outrem, diferentemente daquele amor que só pode gerar e gerir coisas boas para nós mesmos e para os outros, nosso próximo e irmão, assim como o bem-estar e a harmonia entre as partes envolvidas cujos acordes se encaixam e se expandem em seu derredor porque este tipo de amor é contagiante. Claro que estamos falando agora deste amor de Deus, sem adjetivos e nem outros ismos; deste amor fraterno e verdadeiro; deste amor cristão que só tem comparação com o amor de Jesus. Este, sim, realmente, é contagiante, e não tem limites, posto que vai além das nossas próprias conveniências e outros interesses pessoais. Falando aos crentes de Corinto – mas que atinge a todos nós que também passamos por aqueles mesmos problemas daquelas pessoas, problemas relacionados a contendas e divergências, a litígios, desmandos e hostilidades –, e enfatizando a inutilidade dos dons quando exercidos sem o concurso do amor, o apóstolo Paulo personaliza este amor como uma pessoa que age de modo a que os crentes deveriam agir que, segundo alguns comentadores, o quadro total sugere uma descrição do próprio Cristo e também uma reprimenda àquela comunidade que estava fracassando na conduta de si mesma com relação a este assunto. O apóstolo ainda considera que este amor é a base de tudo, já que sem amor nada mais vale, além de o amor ser um dos termos mais dinâmicos aplicados pelo apóstolo para referir-se a uma vida santa habilitada pela plenitude do Espírito e, por ser a característica do cristão maduro, nele também se incluem motivação e ação. “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha (...)” , destaca o apóstolo, avaliando que o amor é o dom supremo, “um caminho sobremodo excelente”.

Assim como Paulo indicou que o amor é a condição essencial para o exercício apropriado de qualquer outro dom – já que o amor é a essência da própria vida –, como o único apóstolo vivo, e já com a sua idade avançada, com tons paternais, tanto no terreno da afeição como no da autoridade paternal que caracteriza a sua pregação, e por meio de palavras simples e claras, assim como na sua riqueza e profundidade de pensamentos, o apóstolo João, também conhecido como “o discípulo amado”, exorta-nos a vivermos em comunhão com Deus e com nossos semelhantes, que também são nossos irmãos. Sabe como? Praticando este amor cristão, pois, segundo ele, a prática deste amor é a nossa medida de que amamos a Deus e a nosso próximo ou mesmo a nossa condição de vida com Deus. Este amor é o reflexo de que somos filhos de Deus, já que “o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” ou ainda: “Aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é amor”. São palavras inspiradas do apóstolo João em que cada frase é uma pérola que exige atitudes de nossa parte sem necessidade de qualquer especulação. São as maravilhas de Deus na boca de um homem de Deus, que conviveu diretamente com o Filho de Deus encarnado e experimentou pessoalmente este amor de Deus na sua própria pele, ou melhor, no seu íntimo. “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o Seu amor. Nisto conhecemos que estamos nEle, e Ele em nós, pois que nos deu do Seu Espírito. E vimos, e testificamos que o Pai enviou Seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” É isso. Falar deste amor de Deus que diuturnamente age em nós, e sem o qual nem existiríamos por sermos frutos deste amor, assim como comentar as palavras deste apóstolo do amor, faltaria espaço, tendo em vista a utilidade e a profundeza deste amor em nossa vida cotidianamente. Sem mais delongas, este amor de Deus é a razão do nosso viver, em todos os sentidos, espiritual e naturalmente. “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou Seu Filho Unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” Precisa dizer mais alguma coisa sobre este amor tão sublime? Sobre o amor de Deus Pai por Seu Filho Unigênito? Esta é a fonte do amor que nos une. Sim, esta é a mais incorruptível das histórias de amor que existem porque foi Deus que nos amou primeiro. Cada um de nós como crentes traz em si esta marca de uma história que nos une como família; a família de Deus. Se a perdermos de vista, esta já é uma outra história. Até mesmo por gratidão devemos também amar a este Deus por este Seu amor gracioso para conosco, e termos este amor como modelo em nosso dia a dia. Até que ponto temos levado isto a sério? Até que ponto temos sido imitadores deste Deus como Seus filhos amados? Sim, Ele nos ama, a você e a mim, e a cada um de nós particularmente, e não deseja que nos percamos por aí em meio às mazelas deste mundo. Até que ponto cremos nEle sinceramente?

Sem subterfúgios nem outros adjetivos ou mais ismos que possam embaralhar os seus objetivos, o amor cristão é um mandamento de Deus, e se assim o é, tem que ser cumprido, para não sermos desobedientes e cairmos em pecado, posto que se Deus é amor, os Seus filhos devem ser semelhantes a Ele na prática deste amor fraternal – a nossa obrigação permanente, se somos cristãos realmente. Por isso é que os especialistas sustentam que, em amor por aqueles que não amavam, o Pai deu o Filho, e o Filho deu Sua vida, e o Pai e o Filho, juntos, enviaram o Espírito para salvar os pecadores da miséria e levá-los à glória. Segundo estes estudiosos, crer e desfrutar desta tremenda realidade deste amor divino sustenta o nosso amor por este Deus e pelo nosso próximo, já que este amor é a marca registrada e indispensável do cristão, que deve ter como característica dar a sua própria vida em favor dos outros, sejam eles quem forem, porque ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos outros. Veja que isso não é retórica. É a realidade de um amor sacrificial que envolve dar-se, gastar, e até empobrecer-se, pelo bem-estar do próximo. Quem está disposto a isso nestes nossos tempos do império do egoísmo, do cada um por si, e o resto que se esgane? Veja a situação deste mundo, tantas necessidades, guerras, misérias, intolerâncias; tanta ignorância; tanta sede e fome, principalmente espiritual, e aqueles que se dizem poderosos esnobando! Você está disposto a doar sua própria vida em favor do seu próximo, seja ele quem for, assim como fez aquele samaritano para com um dos seus tradicionais inimigos? Será que estamos dispostos a abraçar uma total ausência de interesses próprios diante de toda e qualquer situação que possa despontar em nossa frente e nos doarmos total e desinteressadamente a nosso próximo? Quem aceita estes desafios? Oremos, pois, para que este Deus de amor por meio de Seu Filho Jesus Cristo nos envie o Seu Espírito para nos encher desta Sua graça para podermos cumprir este primeiro e grande mandamento, exatamente como o próprio Jesus ensinou.

REFLEXÃO DE HOJE

“Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o Seu amor. Nisto conhecemos que estamos nEle, e Ele em nós, pois que nos deu do Seu Espírito. E vimos, e testificamos que o Pai enviou Seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele. Nós O amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dEle temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão” – 1João 4:11-16,19-21

LEITURAS DE HOJE

Salmo 98; Isaías 41:17-20
1João 4:11-21; João 17:6-19

NOTAS
[1] 1Coríntios 13:4-8a; Provérbios 10:12; Efésios 4:32; 1Coríntios 10:24; 2João 4; Gálatas 6:2
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1362, 1363, 1513
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1210, 1211. Reimpressão
[2] 1João 4:7-10,12-16,19; Efésios 4:32-5:2; 1João 3:16; João 17:9,11,12,15,16; 10:14,15,27-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1513
DRUMMOND, R. J.; MORRIS, Leon. As Epístolas de João - 1João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1436. Reimpressão
[3] Levítico 19:18; Mateus 22:34-40; Romanos 13:8-10; 1Coríntios 13:1-13; João 14:15,21,23; 1João 5:3; Lucas 10:25-37; João 15:12,13
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1094. Reimpressão