“Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos” – Marcos 10:45
QUANTAS VEZES já nos deparamos com pessoas aparentemente simples, mas com dons especiais, ou mesmo com lideranças das mais exemplares, personalidades de destaque na Igreja, pessoas das mais participativas, disponíveis para qualquer serviço, que se envolvem ativamente em quaisquer atividades entre os irmãos, e que se dispõem a fazer tudo, inclusive sozinhas, às vezes até dispensando ajudas, mas que, no final das contas, percebemos que muitas destas pessoas querem mesmo é aparecer dentre os demais, impondo-se sobre estes, apenas com o objetivo de solidificarem a sua própria supremacia e controle, além de outras estranhas intenções, causando mal-estares, descontentamentos, e prejudicando o grande bem que poderiam estar fazendo a quem realmente necessite destes seus préstimos que deveriam ser praticados espontaneamente! Quantas vezes já descobrimos, vimos, ouvimos ou lemos por meio das mais diversas mídias, ilícitos cometidos por personalidades das mais variadas graduações sociais, públicas ou privadas, e até mesmo religiosas, perpetrados apenas com um único intuito: angariar mais e mais poder, fama, riquezas, prazer, ou até encantos para si próprios, apenas e tão somente, e a qualquer preço! Lógico que, depois, estas práticas são costumeiramente negadas, contestadas e desmentidas pelas próprias fontes ou personagens envolvidas ou por aqueles que tomaram como base os próprios fatos para se defenderem ou pagarem seus defensores, recorrendo até aos famigerados recursos, de acordo com a dimensão da cara de pau de cada um dos possíveis arrolados, para não dizer do montante da sua conta bancária. E o que é pior ainda: em geral, posam de ilibados líderes absolutos ao longo da história, sempre vitoriosos, como se nunca tivessem cometido nada demais; como os reis da cocada, dos abacaxis e marmeladas. É a tal inversão de valores, e isso escorrega por todos os poros vivos dos escalões da nossa sociedade, em maior ou menor escala, conforme o perímetro de cada uma de suas células. E esta escalada até vira piada! Curioso hábito que temos de rirmos de nós mesmos, dos nossos próprios erros, da nossa própria desgraça, e que não leva a nada. Não é absurdo tudo isso? Mas quem se aventura a mexer ou remexer nestes contextos todos, nesta fedentina toda, e mudar tais conceitos e comportamentos arraigados há séculos? Ah, coitado, será eliminado da face da terra, literalmente! É a escalada dos tais, dos podres poderes. E os outros, os pobres coitados, os ditos bem intencionados? Que se danem! E os acordos ou conchavos de bastidores, e até mesmo a pressão ou influência dos lobistas? Tudo faz parte do jogo, justificam. E os que não podem arcar com seus próprios defensores, contratar seus próprios marqueteiros? Que se explodem! – lá, intimamente, na versão deles, que se acham os mais espertos deste mundo onde os outros são tidos como otários; que nos fazem viver de mentiras, na grande ilusão desta vida sem sentido, por conta de um desrespeito generalizado, da exclusão ou invisibilidade dos demais, dos mais humildes, dos mais fracos e oprimidos, dos que não têm acesso à informação ou à sua própria defesa; dos próprios excluídos, propriamente ditos. Mas, na verdade, quem é que é o próprio otário? Quem é que sempre insiste em posar isoladamente, e de corpo inteiro, como o tal neste mundo de loucuras mil? Quem é que vive no decorrer destes dias afetadamente em eterno êxtase? Quem não conhece a infeliz expressão: “Você sabe com quem está falando?” Ou, ainda: “Alto lá, eu sou amigo, compadre, apadrinhado – ou sabe-se lá o que mais nestas baboseiras todas – do Dr. Fulano, que é amigo do Dr. Sicrano ...” E por aí vai, diante de tamanha prepotência como se certas posições sociais lhes dessem poder de deuses. Como já dizia certo âncora de um antigo noticiário de televisão ante casos parecidos e veiculados por estas bandas: “Isso é uma vergonha!” É isso mesmo, é uma vergonha para quem preza a honestidade, a humildade, a ética, a sinceridade, a moral, o respeito e, principalmente, o temor a Deus. Ao Deus vivo e verdadeiro, bem entendido. Estes são até ironizados, achincalhados acintosamente, como animais em extinção, espécime rara de uma geração que tomou corpo depois que o pecado entrou no mundo.
Regra de fé e prática para os crentes cristãos e fonte inesgotável de ensinamento em que até os que não professam esta mesma fé dela se utilizam, seguindo outras e particulares intenções, a Bíblia, como a revelação da própria Palavra de Deus, e inspirada por Ele, nos alerta que o temor do SENHOR é o princípio do conhecimento e os loucos desprezam esta sabedoria e instrução. O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria porque é Ele Quem nos dá esta sabedoria; da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. E mais: Deus reserva a verdadeira sabedoria para os retos. A sabedoria é o escudo para os que caminham na sinceridade. Mas, por ambição, e dominados pelo desejo de poder e autoridade deste mundo, extrapolamos e confundimo-nos, dada a nossa incapacidade de entendermos as coisas do alto, muitas vezes, colocando tudo a perder. No Evangelho de Marcos, a Bíblia narra a história de um ousado e ambicioso pedido dos filhos de Zebedeu, Tiago e João, que, na frente de todos os outros discípulos, fizeram a Jesus uma proposta, no mínimo, indecente, se considerarmos as sérias reflexões anteriores que o Mestre lhes havia anunciado pela terceira vez a respeito de Sua morte e ressurreição, posto que seria insultado, condenado, flagelado e levado à morte. Por sua vez, o Evangelho de Mateus conta que foi a mãe de Tiago e João que tomou a iniciativa, formulando tal pedido com palavras mais amenas. O nome dela era Salomé, e parece que era irmã da mãe do Senhor Jesus. Neste caso, Tiago e João eram primos de Jesus. Considerada pelos especialistas como a primeira intriga eclesiástica para obter posições destacadas na Igreja, originada de uma maquinação da família Zebedeu contra Pedro – o terceiro membro do trio privilegiado –,estes primos do Senhor exigiram dEle os primeiros lugares na Sua glória, com um deles assentando-se à direita e outro à esquerda de Jesus, como se o Reino Messiânico fosse um reino deste mundo, onde se faz o que bem se entende ou por acordos entre as partes segundo as nossas benesses, desconsiderando, assim, o ensino de Jesus sobre grandeza, o que nos leva a crer que eles ainda tinham muito o que mudar em suas atitudes. O mesmo pode acontecer também com cada um de nós ainda hoje nestes nossos tempos tão atribulados pelas ambições de honrarias e privilégios dos primeiros lugares em tudo, e a quaisquer custos, ou pela nossa ignorância a respeito de Quem outorga o tão cobiçado lugar que não é agraciado por nenhum favoritismo pessoal de ninguém, mas “para aqueles a quem está reservado”, e até mesmo nestes nossos tempos de cegueira espiritual, mesmo que nós tenhamos ouvido e lido, discutido e interpretado corriqueiramente os textos que falam sobre o Servo Fiel, desde como Deus avalia a vida deste Servo, até Este próprio Servo Se apresentar, encarnando-Se feito homem, tomando sobre Si os nossos pecados, e nos dando uma tremenda chacoalhada deste nosso sono estranho como fez com os discípulos por meio de Seus reiterados ensinos, sendo Ele mesmo esta encarnação da Sua própria ética e prática desta Sua própria pregação. O Senhor Jesus não foi de nenhum modo condescendente com a postura dos filhos de Zebedeu e da mãe deles, convencendo-lhes que eles nem tinham noção do que estavam pedindo. E, usando de símbolos poéticos do cálice e do batismo tirados dos tempos passados para representar sofrimento e aflição que o Justo deve suportar para o resgate de muitos, o Senhor Jesus procura revelar-lhes o significado da Sua glória e a realização dos desejos deles. Ainda sem entender, eles preferem embalar-se na ilusão, nos dizeres dos especialistas, de que o cálice a ser participado com Jesus seja delicioso; esperam que seja um sinal de participação à Sua vitória e se declaram dispostos a sorvê-lo. O Senhor Jesus respeita a lentidão deles nesta compreensão dos desígnios de Deus, e anuncia-lhes que um dia eles também participarão com Ele destes Seus sofrimentos e morte, tomando do Seu mesmo cálice, e darão a própria vida em razão da fé deles. Somente muitos anos depois é que eles compreenderam e sentiram o significado de tudo isso em suas próprias peles. Até então, Jesus insistia na Sua severidade, sendo até duro com eles, contra qualquer tipo de ambição para que não se pusesse em risco os fundamentos da Sua doutrina. Ao dar-lhes uma ordem taxativa, o Senhor Jesus não quer deixar dúvidas, incertezas ou perplexidades, confirmam os estudiosos, sobre este assunto. “Sabeis que os que são considerados governadores das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos.”
Não parece um paradoxo para os nossos dias tais propostas? Até que ponto estamos preparados para levarmos tudo isso a sério na nossa comunidade, nas nossas lideranças, no nosso dia a dia, principalmente nós que sabemos, lemos, ouvimos e discutimos tais ensinos? Como é que consideramos isso dentro e fora da Igreja? Ou isso também não vale para a nossa prática secular? Devemos não esquecer que o que quebrou os corações de pedra dos discípulos de Jesus foi o exemplo que Ele mesmo dá como líder. Qual tem sido o nosso exemplo com relação a essa quebra de paradigmas em meio aos desafios destes nossos dias? Também devemos não esquecer que Aquele que é conhecido como o Filho do Homem, e que herdará domínio e glória, assim como também o Reino, veio humildemente como servo, conforme anunciado desde os mais remotos tempos, para cumprir o projeto de salvação do SENHOR nosso Deus, e nos dar o exemplo que, apesar das dificuldades deste mundo, nós também podemos vencer todas as tribulações e crescer conforme os exemplos do próprio Senhor. É pela fé que somos salvos, e pela fé seremos alcançados pela Palavra por meio deste mesmo Senhor que foi tentado pelo demônio, mas que Se livrou dele por esta mesma Palavra, ou seja, pela Palavra de Deus. Não podemos esmorecer nunca, se é que queremos nos libertar destas ansiedades e ganância por um poder passageiro, por um poder que já nasceu falido, o poder dos homens quando gerado pelo próprio homem. Este mesmo Jesus passou por todas as dificuldades que nós também temos que passar ou já passamos ou estamos passando. Ele conhece os nossos corações e todas estas nossas dificuldades. Ele sabe como é difícil seguir fielmente a Deus, mas que é possível, se nos apegarmos firmemente, e sem desanimar, a Ele, que não teve nenhum pecado, especialmente quando somos provados pelo sofrimento, já que Ele também passou por tudo isso, e venceu. Somente a Palavra de Deus nos liberta. Somente o Senhor Jesus tem autoridade para entender todas as nossas fraquezas. Sempre é tempo para recorrermos a Ele, e o nosso tempo é hoje, para revermos todos os nossos conceitos, posto que somente a Ele “foi-Lhe dado o domínio, e a honra, e o Reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem; o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o Seu Reino tal, que não será destruído”. Só que este Seu Reino não é deste mundo. Somente a este Senhor é que devemos servir, não a outro, já que os diversos dons e aptidões nos foram dados por Deus, não para provocarmos divisões entre os homens e nações, ou famílias, mas para a nossa melhor comunhão entre todos nós, juntamente com Ele na cabeça, com vistas à harmonia deste Seu Reino, desde já, e aqui neste mundo que, segundo os Seus planos, ser grande é ser servo, o servo de todos; é ser sempre o último, e não o primeiro, para a dignidade de todos, longe das guerras, das confusões todas que tão bem estamos vivenciando nestes nossos tempos em que as pessoas estão digladiando entre si por qualquer banalidade, e se autodestruindo, não somente a si mesmas ou as suas próprias famílias, mas também o seu próprio ambiente terrestre, o seu próprio meio de vida, ou seja, a própria natureza em que vivemos, assim como a sua própria natureza como ser humano filho de Deus, esquecendo que tudo isso nos foi presenteado pelo divino Criador para que possamos gozar com Ele na Sua glória, que não se restringe à glória somente deste mundo, mas também futura. A glória eterna. Que possamos ter esse ânimo e intenso esforço para continuarmos nesta caminhada, desfrutando a possessão desta bênção a nós reservada – que é atual e futura. Que tenhamos a grandeza daquela humildade tão reiteradamente exercida e ensinada pelo Servo Fiel, e que também possamos ser privilegiados por esta divina graça de fazermos parte deste rol daqueles que zelam pela fidelidade àquele Servo que veio, não para ser servido, mas para nos servir, doando-Se a Si mesmo como inenarrável prova de amor por nós em cumprimento à própria Palavra de Deus no tocante a Seu plano de redenção, dando a Sua própria vida em nosso lugar neste memorável resgate. A Ele, pois, todo o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com Quem temos de tratar. Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” – Hebreus 4:12-16
LEITURAS DE HOJE
Salmo 91; Isaías 53:10-12
Hebreus 4:9-16; Marcos 10:35-45
NOTAS
[1] 1Coríntios 12:4-6; Efésios 4:7,8,11-16; Romanos 12:1-8; 1Pedro 4:8-13
[2] Provérbios 1:7; 2:6,7; 9:10; Marcos 1:19; 3:17; 10:35-45;15:40; Mateus 20:20-28; 27:56; João 19:25; Marcos 9:34,35; Isaías 53:2,3,10-12; Atos 12:2; Apocalipse 1:9; Marcos 10:42-45
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1010, 1011. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 439-445
Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional. Trad. pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2000. p. 808
[3] Marcos 10:45; Isaías 53:11,12; 52:13-53-12; Lucas 22:27; João 13:13-15; Filipenses 2:6-8; 2Coríntios 8:9; Daniel 7:14; João 3:16,17; Mateus 6:13
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1166
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.732. Reimpressão
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1356. Reimpressão
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
SEM DESCULPAS EVASIVAS
“Vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-Me” – Marcos 10:21b
NOSSA VIDA é feita de escolhas. Pode até ser que terceiros venham nos influenciar, mas, no final, na hora de bater o martelo, somos nós mesmos que temos que escolher qual caminho seguir, seja em termos de ideais ou definição de toda uma vida que vale, em geral, para sempre. E isso nos trará sérias repercussões que podem deixar rastros dos mais variados possíveis para o resto da nossa vida. Amargos ou não, são rastros que absorvem as marcas de uma decisão definitiva que somente a nós pertence, já que temos que fazer a nossa parte por mais difícil que seja tomar tão extremada iniciativa. Muitas vezes isso se torna em grande e complicado dilema, uma incógnita que nos perguntamos se realmente vai valer a pena. Porém, a resposta só a teremos quando mergulharmos de cabeça, e irmos até o fundo, às vezes à custa de muitas lágrimas, posto que nada daquilo que seja sério nesta nossa vida seja adquirido, assim, como se diz, de mão beijada, subitamente. Ou seja, com facilidades. Sem contar que certas tomadas de decisão ainda podem respingar sequelas em quem estiver por perto ou ligado a nós, ou de um jeito ou de outro, interferindo em suas decisões e destino. É como se fôssemos postos à prova a todo instante num teste de resistência para podermos contar mais tarde, não se sabe para quem ou como se fosse um ótimo ensejo para uma reflexão, depois, que sirva talvez para nossos filhos ou para os outros de uma possível e futura consangüinidade ou mesmo para contarmos numa roda de amigos como experiência de vida. Ou ainda que sirva de pauta na mídia como um belo exemplo a ser especulado diante dos infortúnios do nosso tão atribulado dia a dia em que vivemos até mesmo atordoados diante de tantos conflitos e contrassensos. Só que muitas vezes muitas águas vão rolar, muitos corações vão sangrar, vão verter nossas seivas corpos adentro, e ardentes, dilacerando uma vida inteira que só continua graças ao incomensurável amor dAquele que sabe todas as coisas, como sempre, o SENHOR nosso Deus, depois de um rio que foi passando aos trancos e barrancos rasgando e deixando feridas neste desafio constante de querer seguir em frente. De querer seguir até o fim. De querer ser gente, não qualquer coisa à toa fincada na proa desta embarcação que voa de vento em popa sem pedir passagem nem medir esforços até aquele inevitável dia. Ou seja, a nossa vida tem que continuar, já que todos temos as nossas responsabilidades, posto que também vivemos de propósitos e de propostas que nos incumbiu o divino Criador antes mesmo da fundação do mundo. Antes mesmo de sermos criados, tendo em vista a onipresença e a onipotência deste nosso poderoso Deus que nos sonda e nos conhece desde os nossos próprios pensamentos, assim como todos os nossos próprios caminhos. Daí, a importância de sabermos discernir as vias e vielas, portas e janelas, assim como as veredas e entranhas destas nossas escolhas, por onde elas vão seguir, em que vão dar e nos levar depois, aonde e quando elas vão chegar, e se elas vêm mesmo de Quem no-las outorgou.
É certo que no roteiro desta nossa viagem muitas coisas nos chamam atenção e nos atraem. Muitas não passam de lisonjeiras tentações. É certo também que não conseguimos alcançar todas elas, nem tudo o que queremos, nesta vida, mas escolher uma significa renunciar à outra ou a muitas outras. Veja a história de Salomão. Ele não pediu os desejos comuns de um monarca qualquer, ou seja, vida longa, riquezas ou a morte de seus inimigos, mas, preferiu a sabedoria e o conhecimento a todos os outros bens deste mundo. A escolha de Salomão foi tão considerada por Deus e marcante no seu reinado que lhe foram dados tantas riquezas, bens e honra os quais não teve nenhum outro rei antes dele, e nem depois dele haverá, ratifica a Bíblia, cujos especialistas identificam este esplendor e poder do reinado de Salomão como o resultado da sabedoria divinamente conferida a ele. No decorrer de toda a nossa vida temos que fazer, desfazer ou refazer as nossas próprias escolhas, todos os dias, e sobrevivermos a todos estes procedimentos, superando obstáculos, dimensionando o tamanho dos nossos sonhos, das nossas metas e de como encararmos o nosso porvir, individualmente ou em nossa comunidade, seja como instituição pública ou privada, laica ou religiosa, ou como liderança em cada uma delas, e mesmo como pais dentro da nossa própria família, tendo em vista um projeto de vida criativo, que produza resultados positivos, que sirva de lenitivo e preencha possíveis deficiências ou quaisquer outras lacunas, e que contribua para o bem-estar e qualidade da nossa própria sobrevivência, e também dos outros, o que nos leva a refletir sobre qual o formato deste projeto que idealizamos para hoje e para os próximos anos de toda a nossa vida. Como andam as nossas escolhas para alcançarmos tais objetivos? Quais as personagens deste plano? Temos colocado estas escolhas diante de Deus? Qual é o plano de Deus na dimensão destes nossos planos e escolhas ou vice-versa?
Dizem os especialistas que, em sua sabedoria, Salomão prefigurou a nosso Senhor Jesus Cristo, que, por meio do Seu Reino próspero e pacífico, representa uma nova liderança da dinastia de Davi por ser também a sabedoria e o poder do Deus encarnado e em Quem estão ocultos todos os tesouros desta sabedoria e desta ciência. Consideram ainda que esta sabedoria e poder de Deus não são forças abstratas, mas, sim, qualidades pessoais que se manifestam plenamente na vida, nos ensinos, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus. Como Filho de Deus, este mesmo Senhor, em Cristo, foi escolhido pelo Pai para resgatar um povo que este mesmo Deus escolheu para ser Seu. Moisés também foi escolhido por Deus para livrar o povo hebreu da escravidão egípcia, e levá-lo a uma terra fértil, boa e larga que mana leite e mel. Moisés e Cristo são comparados quanto à fidelidade e contrastados quanto à honra. Mediador humano do antigo pacto, Moisés foi chamado apenas para ser servo, embora um servo especial, e sem paralelo, do SENHOR. Tinha o privilégio de falar face a face com Deus e ver a Sua forma. Os israelitas traçavam até ele seu senso de posição e chamada como povo consagrado de Deus. “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar”, diz a Bíblia. Porém, como agente da criação, Cristo merece a honra como o construtor divino de todas as coisas e, “como Filho, sobre a Sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim”, confirmam os estudiosos, assim como as próprias Escrituras, concluindo que, semelhantemente aos israelitas, os crentes são dedicados e chamados por intermédio do Senhor Jesus, o Mediador do novo pacto, “porque, assim, o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos.” Moisés e Cristo, ambos escolhidos e, obedientes a um chamado, também tiveram o privilégio de escolher, abraçando um mandado do SENHOR nosso Deus e Pai quanto à realidade da esperança e a confiança de um mundo melhor; de um povo regenerado, assim como a herança da vida eterna, longe das armadilhas do pecado. Herança esta que ainda hoje nos leva a refletir sobre as influências das nossas próprias escolhas em nossa vida presente e futura. A Palavra de Deus, segundo os Evangelhos sinóticos, narra o episódio de um jovem rico a quem o Senhor Jesus propõe uma decisiva escolha, quando este jovem Lhe pergunta o que faria para herdar a vida eterna, a que Jesus respondeu: ou segui-Lo, renunciando a todos os bens que possuía, vendendo-os todos, ou dando-os aos pobres por conta de um tesouro no céu; ou ficar com tudo, e não segui-Lo. Diante desta resposta do Senhor, a Bíblia diz que o jovem “pesaroso desta Palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades”. Então, Jesus disse a Seus discípulos: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus!”, enquanto Seus discípulos admiravam-nO ainda mais, e perguntavam entre si: “Quem poderá, pois, salvar-se?” Jesus, porém, olhando para eles, disse: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis”. É certo que a Palavra de Deus não está de brincadeira para com nenhum de nós, posto que ela trata da nossa própria salvação, de uma situação que, em especial, consta nos planos e propostas de Deus para cada um de nós. Deus nos deu a liberdade de escolha, sim, porque Ele não é nenhum impostor, nenhum déspota, mas também nos deu a responsabilidade para podermos fazer tais escolhas e arcarmos com as consequências das nossas decisões, conforme aquilo que Ele tem traçado para o bem de cada um de nós desde os mais remotos tempos, posto que Ele é pura benignidade. O Senhor não nos quer para o mal, e nem nos faz mal algum, nós é que nos entrincheiramos por caminhos estranhos e adversos, iludidos por falsos poderes, afastando-nos daquilo que Ele tem para nos oferecer. O salmista diz que a lei de Deus é uma delícia para ele, e ainda: “As Tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os Teus mandamentos”. Por piores que possamos estar em qualquer situação, por mais que as consideremos intransponíveis diante das dificuldades, devemos sempre ter fé e encarar tudo de frente porque aquilo que pensamos ser impossível para nós, para Deus tudo é possível, já que é o Deus da nossa salvação. O SENHOR é a nossa luz, a nossa salvação, a força da nossa vida. A quem temeremos? De quem nos recearemos? A Palavra de Deus é exigente, sim, porque ela é poderosa para nos salvar de qualquer caminho errado em que nos infiltremos ou por ignorância ou por arrogância nossa ou soberba própria dos homens. Nós só temos é que obedecer. Por tudo isso é que temos que tomar decisões radicais em nossa vida, pois se nos é dada a chance de escolher, também temos o privilégio de sermos escolhidos, e quando Deus nos escolhe, não há outro jeito, é segui-Lo, sem desculpas evasivas, e ponto final. Dos céus, o SENHOR nos chama, convocando-nos a sermos perseverantes na fé, a irmos em frente, se as nossas escolhas são realmente verdadeiras, ou seja, do agrado dEle. Ele também nos chama para os céus, uma pátria superior e eterna herança daqueles que são chamados, já que esta é uma herança e, se assim o é, não se ganha, não se conquista como prêmio, como recompensa por nossas boas obras, mas é dada gratuitamente, é dom de Deus, porque pela graça somos salvos, por meio da fé; não vem de nós nem das nossas obras, para que ninguém se glorie. A nossa salvação vem apenas do SENHOR nosso Deus por meio da soberana iniciativa divina, e não por esforços humanos. Nós só temos é que cumprir as nossas obrigações, fazer a nossa lição de casa; o resto é com o nosso Salvador, pelo Seu imenso amor intermediado pelos méritos do Senhor Jesus, não pelos nossos, pois não temos mérito nenhum que possa nos levar a sermos salvos por nós mesmos. Que o Espírito de Deus nos oriente neste sentido, hoje e sempre, diante de todas as nossas escolhas.
REFLEXÃO DE HOJE
“Então Jesus, olhando em redor, disse aos Seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se admiraram destas Suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus. E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se? Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” – Marcos 10:23-27
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:73-80; Amós 5:6-8
Hebreus 3:1-6; Marcos 10:17-31
NOTAS
[1] Salmo 119:73; 139:1-24
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 432-438
[2] 1Reis 3:3-15; 2Crônicas 1:7-12; 1Reis 10:14-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 394, 395, 499
ELLISON, H. L. 1 e 2Crônicas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.417. Reimpressão
ELLISON, H. L. 1 e 2Reis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.354. Reimpressão
[3] Isaías 11:1,2; Mateus 1:1; Colossenses 2:3; 1Coríntios 1:24,30; Romanos 1:4,16; Jeremias 2:7; Êxodo 3:8; Hebreus 1:2,10; 3:1-6; Números 12:5-8; Hebreus 2:11; Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30; Salmo 119:73,77; 27:1-3; Hebreus 9:15; 11:16; 12:25; Salmo 3:8; 68:19,20; Efésios 2:8,9
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 804, 1466
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1353, 1354. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1009, 1010. Reimpressão
NOSSA VIDA é feita de escolhas. Pode até ser que terceiros venham nos influenciar, mas, no final, na hora de bater o martelo, somos nós mesmos que temos que escolher qual caminho seguir, seja em termos de ideais ou definição de toda uma vida que vale, em geral, para sempre. E isso nos trará sérias repercussões que podem deixar rastros dos mais variados possíveis para o resto da nossa vida. Amargos ou não, são rastros que absorvem as marcas de uma decisão definitiva que somente a nós pertence, já que temos que fazer a nossa parte por mais difícil que seja tomar tão extremada iniciativa. Muitas vezes isso se torna em grande e complicado dilema, uma incógnita que nos perguntamos se realmente vai valer a pena. Porém, a resposta só a teremos quando mergulharmos de cabeça, e irmos até o fundo, às vezes à custa de muitas lágrimas, posto que nada daquilo que seja sério nesta nossa vida seja adquirido, assim, como se diz, de mão beijada, subitamente. Ou seja, com facilidades. Sem contar que certas tomadas de decisão ainda podem respingar sequelas em quem estiver por perto ou ligado a nós, ou de um jeito ou de outro, interferindo em suas decisões e destino. É como se fôssemos postos à prova a todo instante num teste de resistência para podermos contar mais tarde, não se sabe para quem ou como se fosse um ótimo ensejo para uma reflexão, depois, que sirva talvez para nossos filhos ou para os outros de uma possível e futura consangüinidade ou mesmo para contarmos numa roda de amigos como experiência de vida. Ou ainda que sirva de pauta na mídia como um belo exemplo a ser especulado diante dos infortúnios do nosso tão atribulado dia a dia em que vivemos até mesmo atordoados diante de tantos conflitos e contrassensos. Só que muitas vezes muitas águas vão rolar, muitos corações vão sangrar, vão verter nossas seivas corpos adentro, e ardentes, dilacerando uma vida inteira que só continua graças ao incomensurável amor dAquele que sabe todas as coisas, como sempre, o SENHOR nosso Deus, depois de um rio que foi passando aos trancos e barrancos rasgando e deixando feridas neste desafio constante de querer seguir em frente. De querer seguir até o fim. De querer ser gente, não qualquer coisa à toa fincada na proa desta embarcação que voa de vento em popa sem pedir passagem nem medir esforços até aquele inevitável dia. Ou seja, a nossa vida tem que continuar, já que todos temos as nossas responsabilidades, posto que também vivemos de propósitos e de propostas que nos incumbiu o divino Criador antes mesmo da fundação do mundo. Antes mesmo de sermos criados, tendo em vista a onipresença e a onipotência deste nosso poderoso Deus que nos sonda e nos conhece desde os nossos próprios pensamentos, assim como todos os nossos próprios caminhos. Daí, a importância de sabermos discernir as vias e vielas, portas e janelas, assim como as veredas e entranhas destas nossas escolhas, por onde elas vão seguir, em que vão dar e nos levar depois, aonde e quando elas vão chegar, e se elas vêm mesmo de Quem no-las outorgou.
É certo que no roteiro desta nossa viagem muitas coisas nos chamam atenção e nos atraem. Muitas não passam de lisonjeiras tentações. É certo também que não conseguimos alcançar todas elas, nem tudo o que queremos, nesta vida, mas escolher uma significa renunciar à outra ou a muitas outras. Veja a história de Salomão. Ele não pediu os desejos comuns de um monarca qualquer, ou seja, vida longa, riquezas ou a morte de seus inimigos, mas, preferiu a sabedoria e o conhecimento a todos os outros bens deste mundo. A escolha de Salomão foi tão considerada por Deus e marcante no seu reinado que lhe foram dados tantas riquezas, bens e honra os quais não teve nenhum outro rei antes dele, e nem depois dele haverá, ratifica a Bíblia, cujos especialistas identificam este esplendor e poder do reinado de Salomão como o resultado da sabedoria divinamente conferida a ele. No decorrer de toda a nossa vida temos que fazer, desfazer ou refazer as nossas próprias escolhas, todos os dias, e sobrevivermos a todos estes procedimentos, superando obstáculos, dimensionando o tamanho dos nossos sonhos, das nossas metas e de como encararmos o nosso porvir, individualmente ou em nossa comunidade, seja como instituição pública ou privada, laica ou religiosa, ou como liderança em cada uma delas, e mesmo como pais dentro da nossa própria família, tendo em vista um projeto de vida criativo, que produza resultados positivos, que sirva de lenitivo e preencha possíveis deficiências ou quaisquer outras lacunas, e que contribua para o bem-estar e qualidade da nossa própria sobrevivência, e também dos outros, o que nos leva a refletir sobre qual o formato deste projeto que idealizamos para hoje e para os próximos anos de toda a nossa vida. Como andam as nossas escolhas para alcançarmos tais objetivos? Quais as personagens deste plano? Temos colocado estas escolhas diante de Deus? Qual é o plano de Deus na dimensão destes nossos planos e escolhas ou vice-versa?
Dizem os especialistas que, em sua sabedoria, Salomão prefigurou a nosso Senhor Jesus Cristo, que, por meio do Seu Reino próspero e pacífico, representa uma nova liderança da dinastia de Davi por ser também a sabedoria e o poder do Deus encarnado e em Quem estão ocultos todos os tesouros desta sabedoria e desta ciência. Consideram ainda que esta sabedoria e poder de Deus não são forças abstratas, mas, sim, qualidades pessoais que se manifestam plenamente na vida, nos ensinos, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus. Como Filho de Deus, este mesmo Senhor, em Cristo, foi escolhido pelo Pai para resgatar um povo que este mesmo Deus escolheu para ser Seu. Moisés também foi escolhido por Deus para livrar o povo hebreu da escravidão egípcia, e levá-lo a uma terra fértil, boa e larga que mana leite e mel. Moisés e Cristo são comparados quanto à fidelidade e contrastados quanto à honra. Mediador humano do antigo pacto, Moisés foi chamado apenas para ser servo, embora um servo especial, e sem paralelo, do SENHOR. Tinha o privilégio de falar face a face com Deus e ver a Sua forma. Os israelitas traçavam até ele seu senso de posição e chamada como povo consagrado de Deus. “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar”, diz a Bíblia. Porém, como agente da criação, Cristo merece a honra como o construtor divino de todas as coisas e, “como Filho, sobre a Sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim”, confirmam os estudiosos, assim como as próprias Escrituras, concluindo que, semelhantemente aos israelitas, os crentes são dedicados e chamados por intermédio do Senhor Jesus, o Mediador do novo pacto, “porque, assim, o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos.” Moisés e Cristo, ambos escolhidos e, obedientes a um chamado, também tiveram o privilégio de escolher, abraçando um mandado do SENHOR nosso Deus e Pai quanto à realidade da esperança e a confiança de um mundo melhor; de um povo regenerado, assim como a herança da vida eterna, longe das armadilhas do pecado. Herança esta que ainda hoje nos leva a refletir sobre as influências das nossas próprias escolhas em nossa vida presente e futura. A Palavra de Deus, segundo os Evangelhos sinóticos, narra o episódio de um jovem rico a quem o Senhor Jesus propõe uma decisiva escolha, quando este jovem Lhe pergunta o que faria para herdar a vida eterna, a que Jesus respondeu: ou segui-Lo, renunciando a todos os bens que possuía, vendendo-os todos, ou dando-os aos pobres por conta de um tesouro no céu; ou ficar com tudo, e não segui-Lo. Diante desta resposta do Senhor, a Bíblia diz que o jovem “pesaroso desta Palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades”. Então, Jesus disse a Seus discípulos: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus!”, enquanto Seus discípulos admiravam-nO ainda mais, e perguntavam entre si: “Quem poderá, pois, salvar-se?” Jesus, porém, olhando para eles, disse: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis”. É certo que a Palavra de Deus não está de brincadeira para com nenhum de nós, posto que ela trata da nossa própria salvação, de uma situação que, em especial, consta nos planos e propostas de Deus para cada um de nós. Deus nos deu a liberdade de escolha, sim, porque Ele não é nenhum impostor, nenhum déspota, mas também nos deu a responsabilidade para podermos fazer tais escolhas e arcarmos com as consequências das nossas decisões, conforme aquilo que Ele tem traçado para o bem de cada um de nós desde os mais remotos tempos, posto que Ele é pura benignidade. O Senhor não nos quer para o mal, e nem nos faz mal algum, nós é que nos entrincheiramos por caminhos estranhos e adversos, iludidos por falsos poderes, afastando-nos daquilo que Ele tem para nos oferecer. O salmista diz que a lei de Deus é uma delícia para ele, e ainda: “As Tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os Teus mandamentos”. Por piores que possamos estar em qualquer situação, por mais que as consideremos intransponíveis diante das dificuldades, devemos sempre ter fé e encarar tudo de frente porque aquilo que pensamos ser impossível para nós, para Deus tudo é possível, já que é o Deus da nossa salvação. O SENHOR é a nossa luz, a nossa salvação, a força da nossa vida. A quem temeremos? De quem nos recearemos? A Palavra de Deus é exigente, sim, porque ela é poderosa para nos salvar de qualquer caminho errado em que nos infiltremos ou por ignorância ou por arrogância nossa ou soberba própria dos homens. Nós só temos é que obedecer. Por tudo isso é que temos que tomar decisões radicais em nossa vida, pois se nos é dada a chance de escolher, também temos o privilégio de sermos escolhidos, e quando Deus nos escolhe, não há outro jeito, é segui-Lo, sem desculpas evasivas, e ponto final. Dos céus, o SENHOR nos chama, convocando-nos a sermos perseverantes na fé, a irmos em frente, se as nossas escolhas são realmente verdadeiras, ou seja, do agrado dEle. Ele também nos chama para os céus, uma pátria superior e eterna herança daqueles que são chamados, já que esta é uma herança e, se assim o é, não se ganha, não se conquista como prêmio, como recompensa por nossas boas obras, mas é dada gratuitamente, é dom de Deus, porque pela graça somos salvos, por meio da fé; não vem de nós nem das nossas obras, para que ninguém se glorie. A nossa salvação vem apenas do SENHOR nosso Deus por meio da soberana iniciativa divina, e não por esforços humanos. Nós só temos é que cumprir as nossas obrigações, fazer a nossa lição de casa; o resto é com o nosso Salvador, pelo Seu imenso amor intermediado pelos méritos do Senhor Jesus, não pelos nossos, pois não temos mérito nenhum que possa nos levar a sermos salvos por nós mesmos. Que o Espírito de Deus nos oriente neste sentido, hoje e sempre, diante de todas as nossas escolhas.
REFLEXÃO DE HOJE
“Então Jesus, olhando em redor, disse aos Seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se admiraram destas Suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus. E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se? Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” – Marcos 10:23-27
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:73-80; Amós 5:6-8
Hebreus 3:1-6; Marcos 10:17-31
NOTAS
[1] Salmo 119:73; 139:1-24
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 432-438
[2] 1Reis 3:3-15; 2Crônicas 1:7-12; 1Reis 10:14-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 394, 395, 499
ELLISON, H. L. 1 e 2Crônicas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.417. Reimpressão
ELLISON, H. L. 1 e 2Reis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.354. Reimpressão
[3] Isaías 11:1,2; Mateus 1:1; Colossenses 2:3; 1Coríntios 1:24,30; Romanos 1:4,16; Jeremias 2:7; Êxodo 3:8; Hebreus 1:2,10; 3:1-6; Números 12:5-8; Hebreus 2:11; Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30; Salmo 119:73,77; 27:1-3; Hebreus 9:15; 11:16; 12:25; Salmo 3:8; 68:19,20; Efésios 2:8,9
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 804, 1466
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1353, 1354. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1009, 1010. Reimpressão
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
MATIZES E SEQUELAS
“Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” – Gênesis 2:24
TALVEZ seja mesmo por conta deste relativismo ético que somos impossibilitados de refletir com mais afinco a respeito dos fundamentais valores que sustentam a sociedade em geral e, de maneira especial, as instituições que governam os cidadãos, notadamente naquilo que diz respeito à promoção do catalisador vital da nossa sociedade, que é a família. Relativismo este que alguns especialistas concordam que parece permear a hodierna sociedade consumista destes nossos dias tão egoisticamente envolvida consigo mesma, sem nem mesmo distender um olhar a seu derredor, a não ser a seu próprio umbigo. Em meio a esta inversão destes valores éticos e morais vivemos chafurdados numa violência generalizada, não somente a violência física propriamente dita esparramada pelos campos e cidade, e até dentro da nossa própria casa, que é uma lástima, cuja convivência alcança um nível insuportável atingindo a todas as classes sociais sem distinção de idade, mas também um outro tipo de violência que nos agride em nosso íntimo, em nossa conduta espiritual, em que a fé que professamos parece estar desvirtuada e que, se não nos cuidarmos, cairemos na lábia desta pós-modernidade avassaladora e tão bem difundida, inclusive pela própria mídia, e sermos até tachados de caretas, de fora de moda ou de conceitos outros mirando no sentido de que somos muito ortodoxos, muito apegados a certos costumes e padrões tradicionais, e que isto não cabe mais no mundo de hoje, como se fôssemos pregoeiros do anacronismo, dos mais bárbaros procedimentos humanos, só porque optamos por seguir intransigentemente, mas sem fanatismo, aquilo que acreditamos ser nossa regra de vida e prática em nosso cotidiano; aquilo que aprendemos desde criancinha. Ou seja, aquilo que nossos pais e nossos antigos professores nos ensinaram desde aqueles longínquos tempos com tanto esmero em volta da mesa da cozinha de nossa casa ou nas aulas de estudos bíblicos, respectivamente. Talvez por conta deste relativismo ético é que estes valores morais caíram em descrédito e desuso, e nada mais nos escandaliza, já que tudo é possível neste mundo de ninguém, ou melhor, dos homens. Será que perdemos a noção das coisas? Por onde anda a seriedade no trato destes valores? O que nos dá o direito de jogarmos tudo na lata de lixo e vivermos de cabeça para baixo, andando para trás, e pensando que tudo isso seja o máximo? Será que perdemos a nossa autoestima, o nosso amor próprio, o nosso amor pelos outros, por conta de certos modernismos que só nos fragilizam naquilo que possa nos edificar em nossa dimensão individual quanto em nossa dimensão comunitária? Vivermos por quê? Vivermos para quê? Crermos no quê? Crermos em quem? Assim, o que se ouve são declarações sobre a falência das instituições, e dos seus representantes legais, inclusive daquelas constituídas pelo próprio Deus, como é o caso da família cristã – a mais antiga e a mais básica das instituições humanas. E agora? Como convivermos em meio a tudo isso?
Talvez de toda esta paisagem social pincelada com seus valores éticos e morais, dentre outros, a moldura deste quadro seja a própria família com todos os seus matizes e sequelas que tem como pano de fundo a figura essencial dos pais, homem e mulher, tal qual o SENHOR os criou como a excelência de Suas criaturas antes da entrada do pecado no mundo, destacando aí o papel do homem como o chefe deste cenário ao lado de sua companheira e ajudadora, além dos filhos gerados por eles. Os especialistas nos lembram que a Bíblia acentua a importância da família como uma unidade espiritual e base do treinamento para um caráter adulto e maduro, assim como também a Palavra de Deus descreve uma clara estrutura da autoridade dentro deste contexto, pela qual o marido conduz sua mulher e os pais conduzem os filhos. Acentuam, porém, que, como toda liderança deve ser exercida como uma forma de ministério, em vez de uma tirania, assim esses papéis de liderança doméstica devem ser cumpridos em amor. E é esse amor que deve entremear toda a estrutura familiar, já que o amor cristão tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e supera, e nunca falha, diferentemente do que se ouve por aí em alto e bom som com todas as letras, versos e emoções nos ritmos de sucesso musical. Não que não seja bom sermos românticos, cantarmos ou fazermos poesias para o nosso ser amado ou elogiá-lo, reconhecendo suas qualidades, seus valores. Não que não devamos instruir nossos filhos sobre estes valores de convivência social, sobre ética e cidadania, tendo como base muita sabedoria e a lei do amor. Quem é que não gosta de carinho; de ser amado? Entretanto, além de tudo isso, também devemos estar atentos a outros deveres domésticos, posto que são mandamentos do SENHOR nosso Deus. E mandamentos se cumprem; são leis. O quarto mandamento exige que o chefe de família conduza toda a sua família para que consagre a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. Já o quinto mandamento exige que os filhos respeitem os seus pais e se submetam a eles, e mais longe ainda: que se observem a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais. O apóstolo Paulo já aconselhava a Igreja de Colossos com relação a atitude cristã para com suas afinidades dentro da família, seguindo a mesma trilha de outros escritores bíblicos no que diz respeito a este mesmo assunto. “Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.” Nada mais atual para nossos dias. É a Palavra viva no decorrer da história nos alertando para que a família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade. É a Palavra viva nos lembrando que as crianças devem ser instruídas e encorajadas a usar essas instruções como base para sua vida prática, e que a disciplina deve ser usada como forma de treinamento corretivo para conduzir estas crianças para além de tolices pueris, à sabedoria do domínio próprio; para além dos desvios de conduta. Só que nunca podemos esquecer que tudo isso deve ser instruído com base no amor, conforme insistem os especialistas que afirmam que desenvolver uma vida familiar forte é sempre uma prioridade no serviço de Deus.
De um jeito ou de outro, somos o reflexo da nossa própria família. Um dia ou outro vamos perceber, como diz uma canção popular, que somos como os nossos pais. A nossa base está na nossa própria família, a célula-mãe de toda a nossa vida, e o casamento sela esta relação exclusiva na qual um homem e uma mulher se entregam mutuamente um ao outro numa aliança vitalícia e, com base nesse voto solene, eles se tornam “uma só carne”. Não somente para a nossa comunidade, mas, e principalmente, para Deus, esta é uma aliança que nos compromete na qualidade de nos completarmos um ao outro, como homem e mulher, e podermos participar da obra criativa de fazer um novo povo. Assim, é importante estarmos unidos numa mesma fé com vistas a um mesmo fim, ou seja, o privilégio de participarmos da criação juntamente com Aquele que nos outorgou o dom da vida para o bem e consolidação da nossa espécie. Tudo isso só pode vir de um grande ato de amor. Não é brincadeira nem pura emoção ou medo de viver, e algo que o valha. É plano do divino Criador numa chance de podermos participar da Sua própria criação. Não é nenhum experimento para ficarmos até quando der certo, e, se não der, joga-se fora. É uma aliança constituída por Deus para proteger a Sua mais excelente criatura com base num amor recíproco entre o homem e a mulher, assim como também num compartilhamento de conquistas da felicidade, já que ninguém consegue viver feliz sozinho, precisa de alguém a seu lado igual a ele. É uma aliança, primeiramente, com Deus, depois, para o que der e vier num tempo de crescimento e novas descobertas recíprocos, de busca de um projeto comum, de um crescimento também espiritual, de preparação para partilhar alegrias, e até mesmo tristezas, e responsabilidades. Não são dois indivíduos separados, mas uma só pessoa, com projetos comuns. Por isso é que “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”, evidenciando, assim, a sua íntima interdependência. Não adianta um estar indo por um lado e o outro por outro. Têm que estarem ligados na mesma direção, na mesma sintonia, posto que se um cair, o outro também cairá. É sério isso! Tanto é que nem todos têm condições de encarar este ministério. Nem todos estão capacitados para o casamento. Dizem estes que esta é uma instituição falida. Balela! O SENHOR nosso Deus não institui algo tão importante para deixar quebrar depois. Esta não é uma instituição criada por homens. Queremos é fazer as coisas a nosso modo, isto sim. Mas Deus só permite do jeito dEle, pois, segundo a Sua soberana sabedoria, já pressentia os estragos que faríamos se fosse à nossa maneira. Paulo já dizia para aqueles que não têm dom para o casamento que é melhor não casarem. “Cada um ande como o Senhor o chamou. Cada um fique na vocação em que foi chamado”. Por isso o Senhor preserva aqueles que fazem a escolha certa. Diante de tantas tentações, de tantas exposições e divulgações contrárias, é certo que não é fácil entender que a indissolubilidade do casamento, a monogamia, a castidade não são imposições duras e contrárias à razão para os dias de hoje. O que temos que entender é que elas foram estabelecidas para a defesa da dignidade do homem e da mulher. Diante da banalização dos princípios éticos e morais, assim como da nossa própria cidadania, não só no seio da nossa comunidade, mas, e principalmente, perante Deus, seria oportuno repensarmos os nossos conceitos porque qualquer escolha contrária ao projeto de Deus em qualquer instância de nossa vida poderá causar prazer, mas não trará a felicidade. Talvez tenhamos que voltar a sermos crianças para entendermos tudo isso. O Senhor Jesus, que está acima de todas as criaturas, humilhando-Se, chegou até o nosso nível; mesmo sendo grande Ele é um de nós. Viveu os nossos sentimentos, as nossas emoções. Passou por todas as nossas experiências, até o sofrimento e a morte. Só não pecou. Portanto, somente Ele tem autoridade e condições de nos entender, principalmente quando erramos Somente Ele pode nos resgatar dos nossos erros, dos nossos pecados. Devemos também nos espelhar na figura de Jesus, perdoando aqueles que provavelmente também machucamos em nossas relações erradas, talvez por nossa própria ignorância. O Senhor sabe todas as coisas. Somente ele pode nos perdoar. Uma bela imagem que deve ficar em nossas mentes, assim como também deve permanecer gravada em nossos corações, é aquela descrita pelo salmista quando fala que aquele que teme a Deus será abençoado na sua família. Primeiramente, este será abençoado em seu trabalho e no seu lar, depois, na prosperidade nacional e da sua família. É imprescindível o temor e a vontade de Deus quando fazemos qualquer escolha, principalmente quando sabemos que estas nossas opções serão para sempre. Que Ele nos oriente nestas horas, muitas vezes tão difíceis, por estarmos apenas enxergando pelos olhos da nossa carne, por uma visão passageira e humana de nossa parte. Que o Espírito de Deus não nos abandone nestas horas, tendo em vista o infinito amor de Deus; e por meio do Senhor Jesus, que intercede pelos nossos pecados.
REFLEXÃO DE HOJE
“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos Seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel.”– Salmo 128:1-6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 128; Gênesis 2:18-24
Hebreus 2:9-11; Marcos 10:2-16
NOTAS
[1] 1Coríntios 10:12; Provérbios 22:6
SCAVOLINI, F. Toffoli, STF, família e aborto. In: Folha de S.Paulo,
6 out 2009, Opinião, seção Tendências/Debates. p. A3
[2] Gênesis 1:26-31; 2:18,20-22; 1Coríntios 11:3,8; Efésios 5:22-6:4; Colossenses 3:18-21; 1Pedro 3:1-7; 1Coríntios 13:1-8a,13; Êxodo 20:8-12; Levítico 19:30; Efésios 6:1-4; Romanos 12:10; 13:1,2; Gênesis 18:18,19; Deuteronômio 4:9; 6:6-8; 11:18-21; Provérbios 22:6; Efésios 6:4; Provérbios 1:8; 6:20; 13:24; 19:18; 22:15; 23:13,14; 29:15,17; 3:11,12; Hebreus 12:5-11
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1408
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ITHEL JONES, J. A Epístola aos Colossenses: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1294. Reimpressão
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 51-56. Reimpressão
[3] Gênesis 2:18-24; Malaquias 2:14; Mateus 19:1-12; Marcos 10:1-12; 1Coríntios 7:1-40; Hebreus 2:9-11; Salmo 128:1-6
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1090
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 421-429
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1353. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1008. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.611. Reimpressão
TALVEZ seja mesmo por conta deste relativismo ético que somos impossibilitados de refletir com mais afinco a respeito dos fundamentais valores que sustentam a sociedade em geral e, de maneira especial, as instituições que governam os cidadãos, notadamente naquilo que diz respeito à promoção do catalisador vital da nossa sociedade, que é a família. Relativismo este que alguns especialistas concordam que parece permear a hodierna sociedade consumista destes nossos dias tão egoisticamente envolvida consigo mesma, sem nem mesmo distender um olhar a seu derredor, a não ser a seu próprio umbigo. Em meio a esta inversão destes valores éticos e morais vivemos chafurdados numa violência generalizada, não somente a violência física propriamente dita esparramada pelos campos e cidade, e até dentro da nossa própria casa, que é uma lástima, cuja convivência alcança um nível insuportável atingindo a todas as classes sociais sem distinção de idade, mas também um outro tipo de violência que nos agride em nosso íntimo, em nossa conduta espiritual, em que a fé que professamos parece estar desvirtuada e que, se não nos cuidarmos, cairemos na lábia desta pós-modernidade avassaladora e tão bem difundida, inclusive pela própria mídia, e sermos até tachados de caretas, de fora de moda ou de conceitos outros mirando no sentido de que somos muito ortodoxos, muito apegados a certos costumes e padrões tradicionais, e que isto não cabe mais no mundo de hoje, como se fôssemos pregoeiros do anacronismo, dos mais bárbaros procedimentos humanos, só porque optamos por seguir intransigentemente, mas sem fanatismo, aquilo que acreditamos ser nossa regra de vida e prática em nosso cotidiano; aquilo que aprendemos desde criancinha. Ou seja, aquilo que nossos pais e nossos antigos professores nos ensinaram desde aqueles longínquos tempos com tanto esmero em volta da mesa da cozinha de nossa casa ou nas aulas de estudos bíblicos, respectivamente. Talvez por conta deste relativismo ético é que estes valores morais caíram em descrédito e desuso, e nada mais nos escandaliza, já que tudo é possível neste mundo de ninguém, ou melhor, dos homens. Será que perdemos a noção das coisas? Por onde anda a seriedade no trato destes valores? O que nos dá o direito de jogarmos tudo na lata de lixo e vivermos de cabeça para baixo, andando para trás, e pensando que tudo isso seja o máximo? Será que perdemos a nossa autoestima, o nosso amor próprio, o nosso amor pelos outros, por conta de certos modernismos que só nos fragilizam naquilo que possa nos edificar em nossa dimensão individual quanto em nossa dimensão comunitária? Vivermos por quê? Vivermos para quê? Crermos no quê? Crermos em quem? Assim, o que se ouve são declarações sobre a falência das instituições, e dos seus representantes legais, inclusive daquelas constituídas pelo próprio Deus, como é o caso da família cristã – a mais antiga e a mais básica das instituições humanas. E agora? Como convivermos em meio a tudo isso?
Talvez de toda esta paisagem social pincelada com seus valores éticos e morais, dentre outros, a moldura deste quadro seja a própria família com todos os seus matizes e sequelas que tem como pano de fundo a figura essencial dos pais, homem e mulher, tal qual o SENHOR os criou como a excelência de Suas criaturas antes da entrada do pecado no mundo, destacando aí o papel do homem como o chefe deste cenário ao lado de sua companheira e ajudadora, além dos filhos gerados por eles. Os especialistas nos lembram que a Bíblia acentua a importância da família como uma unidade espiritual e base do treinamento para um caráter adulto e maduro, assim como também a Palavra de Deus descreve uma clara estrutura da autoridade dentro deste contexto, pela qual o marido conduz sua mulher e os pais conduzem os filhos. Acentuam, porém, que, como toda liderança deve ser exercida como uma forma de ministério, em vez de uma tirania, assim esses papéis de liderança doméstica devem ser cumpridos em amor. E é esse amor que deve entremear toda a estrutura familiar, já que o amor cristão tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e supera, e nunca falha, diferentemente do que se ouve por aí em alto e bom som com todas as letras, versos e emoções nos ritmos de sucesso musical. Não que não seja bom sermos românticos, cantarmos ou fazermos poesias para o nosso ser amado ou elogiá-lo, reconhecendo suas qualidades, seus valores. Não que não devamos instruir nossos filhos sobre estes valores de convivência social, sobre ética e cidadania, tendo como base muita sabedoria e a lei do amor. Quem é que não gosta de carinho; de ser amado? Entretanto, além de tudo isso, também devemos estar atentos a outros deveres domésticos, posto que são mandamentos do SENHOR nosso Deus. E mandamentos se cumprem; são leis. O quarto mandamento exige que o chefe de família conduza toda a sua família para que consagre a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. Já o quinto mandamento exige que os filhos respeitem os seus pais e se submetam a eles, e mais longe ainda: que se observem a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais. O apóstolo Paulo já aconselhava a Igreja de Colossos com relação a atitude cristã para com suas afinidades dentro da família, seguindo a mesma trilha de outros escritores bíblicos no que diz respeito a este mesmo assunto. “Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.” Nada mais atual para nossos dias. É a Palavra viva no decorrer da história nos alertando para que a família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade. É a Palavra viva nos lembrando que as crianças devem ser instruídas e encorajadas a usar essas instruções como base para sua vida prática, e que a disciplina deve ser usada como forma de treinamento corretivo para conduzir estas crianças para além de tolices pueris, à sabedoria do domínio próprio; para além dos desvios de conduta. Só que nunca podemos esquecer que tudo isso deve ser instruído com base no amor, conforme insistem os especialistas que afirmam que desenvolver uma vida familiar forte é sempre uma prioridade no serviço de Deus.
De um jeito ou de outro, somos o reflexo da nossa própria família. Um dia ou outro vamos perceber, como diz uma canção popular, que somos como os nossos pais. A nossa base está na nossa própria família, a célula-mãe de toda a nossa vida, e o casamento sela esta relação exclusiva na qual um homem e uma mulher se entregam mutuamente um ao outro numa aliança vitalícia e, com base nesse voto solene, eles se tornam “uma só carne”. Não somente para a nossa comunidade, mas, e principalmente, para Deus, esta é uma aliança que nos compromete na qualidade de nos completarmos um ao outro, como homem e mulher, e podermos participar da obra criativa de fazer um novo povo. Assim, é importante estarmos unidos numa mesma fé com vistas a um mesmo fim, ou seja, o privilégio de participarmos da criação juntamente com Aquele que nos outorgou o dom da vida para o bem e consolidação da nossa espécie. Tudo isso só pode vir de um grande ato de amor. Não é brincadeira nem pura emoção ou medo de viver, e algo que o valha. É plano do divino Criador numa chance de podermos participar da Sua própria criação. Não é nenhum experimento para ficarmos até quando der certo, e, se não der, joga-se fora. É uma aliança constituída por Deus para proteger a Sua mais excelente criatura com base num amor recíproco entre o homem e a mulher, assim como também num compartilhamento de conquistas da felicidade, já que ninguém consegue viver feliz sozinho, precisa de alguém a seu lado igual a ele. É uma aliança, primeiramente, com Deus, depois, para o que der e vier num tempo de crescimento e novas descobertas recíprocos, de busca de um projeto comum, de um crescimento também espiritual, de preparação para partilhar alegrias, e até mesmo tristezas, e responsabilidades. Não são dois indivíduos separados, mas uma só pessoa, com projetos comuns. Por isso é que “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”, evidenciando, assim, a sua íntima interdependência. Não adianta um estar indo por um lado e o outro por outro. Têm que estarem ligados na mesma direção, na mesma sintonia, posto que se um cair, o outro também cairá. É sério isso! Tanto é que nem todos têm condições de encarar este ministério. Nem todos estão capacitados para o casamento. Dizem estes que esta é uma instituição falida. Balela! O SENHOR nosso Deus não institui algo tão importante para deixar quebrar depois. Esta não é uma instituição criada por homens. Queremos é fazer as coisas a nosso modo, isto sim. Mas Deus só permite do jeito dEle, pois, segundo a Sua soberana sabedoria, já pressentia os estragos que faríamos se fosse à nossa maneira. Paulo já dizia para aqueles que não têm dom para o casamento que é melhor não casarem. “Cada um ande como o Senhor o chamou. Cada um fique na vocação em que foi chamado”. Por isso o Senhor preserva aqueles que fazem a escolha certa. Diante de tantas tentações, de tantas exposições e divulgações contrárias, é certo que não é fácil entender que a indissolubilidade do casamento, a monogamia, a castidade não são imposições duras e contrárias à razão para os dias de hoje. O que temos que entender é que elas foram estabelecidas para a defesa da dignidade do homem e da mulher. Diante da banalização dos princípios éticos e morais, assim como da nossa própria cidadania, não só no seio da nossa comunidade, mas, e principalmente, perante Deus, seria oportuno repensarmos os nossos conceitos porque qualquer escolha contrária ao projeto de Deus em qualquer instância de nossa vida poderá causar prazer, mas não trará a felicidade. Talvez tenhamos que voltar a sermos crianças para entendermos tudo isso. O Senhor Jesus, que está acima de todas as criaturas, humilhando-Se, chegou até o nosso nível; mesmo sendo grande Ele é um de nós. Viveu os nossos sentimentos, as nossas emoções. Passou por todas as nossas experiências, até o sofrimento e a morte. Só não pecou. Portanto, somente Ele tem autoridade e condições de nos entender, principalmente quando erramos Somente Ele pode nos resgatar dos nossos erros, dos nossos pecados. Devemos também nos espelhar na figura de Jesus, perdoando aqueles que provavelmente também machucamos em nossas relações erradas, talvez por nossa própria ignorância. O Senhor sabe todas as coisas. Somente ele pode nos perdoar. Uma bela imagem que deve ficar em nossas mentes, assim como também deve permanecer gravada em nossos corações, é aquela descrita pelo salmista quando fala que aquele que teme a Deus será abençoado na sua família. Primeiramente, este será abençoado em seu trabalho e no seu lar, depois, na prosperidade nacional e da sua família. É imprescindível o temor e a vontade de Deus quando fazemos qualquer escolha, principalmente quando sabemos que estas nossas opções serão para sempre. Que Ele nos oriente nestas horas, muitas vezes tão difíceis, por estarmos apenas enxergando pelos olhos da nossa carne, por uma visão passageira e humana de nossa parte. Que o Espírito de Deus não nos abandone nestas horas, tendo em vista o infinito amor de Deus; e por meio do Senhor Jesus, que intercede pelos nossos pecados.
REFLEXÃO DE HOJE
“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos Seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel.”– Salmo 128:1-6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 128; Gênesis 2:18-24
Hebreus 2:9-11; Marcos 10:2-16
NOTAS
[1] 1Coríntios 10:12; Provérbios 22:6
SCAVOLINI, F. Toffoli, STF, família e aborto. In: Folha de S.Paulo,
6 out 2009, Opinião, seção Tendências/Debates. p. A3
[2] Gênesis 1:26-31; 2:18,20-22; 1Coríntios 11:3,8; Efésios 5:22-6:4; Colossenses 3:18-21; 1Pedro 3:1-7; 1Coríntios 13:1-8a,13; Êxodo 20:8-12; Levítico 19:30; Efésios 6:1-4; Romanos 12:10; 13:1,2; Gênesis 18:18,19; Deuteronômio 4:9; 6:6-8; 11:18-21; Provérbios 22:6; Efésios 6:4; Provérbios 1:8; 6:20; 13:24; 19:18; 22:15; 23:13,14; 29:15,17; 3:11,12; Hebreus 12:5-11
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1408
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ITHEL JONES, J. A Epístola aos Colossenses: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1294. Reimpressão
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 51-56. Reimpressão
[3] Gênesis 2:18-24; Malaquias 2:14; Mateus 19:1-12; Marcos 10:1-12; 1Coríntios 7:1-40; Hebreus 2:9-11; Salmo 128:1-6
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas teológicas. p. 1090
KEVAN, E. F. Gênesis: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.85. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 421-429
STIBBS, A. M. A Epístola aos Hebreus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1353. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1008. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.611. Reimpressão
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
DE MÃOS LIMPAS
“Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em Meu nome e possa logo falar mal de Mim” – Marcos 9:39b
NESTE mundo em que tudo é para ontem, tudo é rápido, como se estivéssemos fugindo do bicho papão, ou sabe-se lá de quê, apenas por insistirmos estar na crista da onda, e por priorizarmos estar sempre à frente dos nossos antagonistas, fazemos de tudo para podermos aparecer utilizando-nos de meios dos mais absurdos possíveis e impossíveis que passam por nossa imaginação, quando não lutamos com unhas e dentes em busca deles, doa a quem doer, apenas para que nossos intentos sejam satisfeitos. As intenções aí são das mais diversas, assim como as vias para acessarmos e chegarmos até a consumação delas. Hoje, diante de todos os meios à nossa disposição, muitos de nós em vez de ajudarmo-nos uns aos outros, prevenindo estas más intenções com vistas a um mundo melhor e de paz, envolvemo-nos em toda esta agitação, e damos as nossas próprias mãos, sujando-as até então. Não que não devamos ser eficientes na excelência daquilo que propomos ou que não devamos batalhar por aquilo que cremos e queremos, mas que estejamos bem longe das intrigas, ciúmes, invejas, orgulhos, presunções e fanatismo deste mundo. Tudo isso não nos leva a nenhuma edificação – nem de nosso corpo nem de nossa alma nem de nós mesmos, como um todo, na nossa comunidade, na nossa família, nos nossos filhos, e diante de todos os demais. Entretanto, nos iludimos, pensando estar com aquela corda toda, posto que em menos ou mais dia, atrelada a nosso pescoço, esta ruirá do mais alto que estivermos. É quando já é tarde! Ou já vamos tarde? Depende do lado em que estivermos. Mas como de coisas ruins não nos descartamos tão fácil assim, muitos de nós ainda continuamos engrossando as fileiras dos adeptos daqueles que não importam que falem, mesmo que falem mal, mas que falem de nós. Assim, o importante é estarmos na boca do povo, custe o que custar, não importa o teor desta falação. “Falem mal, mas falem de mim”, confirma um certo homem público bem conhecido por seus caracteres pouco ortodoxos de gerir o erário, além da sua autoria de outros tantos fiascos. “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”, alerta o apóstolo Paulo, preocupando-se com as necessidades e interesses dos outros, posto que este seja o melhor alvo para onde deveríamos direcionar todos os nossos atos, estando nós em que esfera estivermos na sociedade, sem nenhuma retórica ou hipocrisia; sem nenhum exclusivismo arrogante e sectário.
Na sua difícil missão de conduzir o povo eleito, em meio a exigências, idolatrias, revoltas e murmurações, Moisés, apesar de haver-se dedicado totalmente ao serviço do povo de Deus, e de considerar pesado este seu cargo, ele também se emocionava com as lágrimas dos israelitas. Por meio de suas orações, Deus lhe ouvia, e respondia os seus pedidos. Foi assim que lhes vieram o maná, as codornizes, os 70 anciãos para ajudarem Moisés, dentre outras promessas cumpridas pelo SENHOR nosso Deus. “Escolhe 70 homens que estejam em condições de colaborar contigo; sobre eles farei descer o mesmo Espírito que se encontrava em ti”, disse Deus a Moisés, e assim o fez, de modo que, “quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais”; servindo para autenticar a liderança destes anciãos. Ora, havia dois anciãos do povo, Eldade e Medade, que, embora não tivessem participado daquele evento dos 70, também receberam o Espírito de Deus e se tornaram profetas, exatamente como os outros 70 anciãos. Armou-se uma grande confusão, posto que pessoas estranhas tinham recebido o mesmo dom de Deus, sem fazerem parte do grupo dos escolhidos. Escandalizado com este acontecimento, Josué, servo de Moisés, e eminente personagem no seio dos israelitas, receando pela reputação do seu senhor – o único a quem competia a suprema direção do povo –, pediu para que Moisés interviesse a fim de impedir que aqueles dois homens profetizassem. Sem sentir qualquer ponta de inveja pelos demais auxiliares, na sua grandeza de ânimo, segundo os especialistas, Moisés simplesmente respondeu, alegremente: “Tens tu ciúmes por mim? Quem me dera que todo o povo do SENHOR fosse profeta, e que o SENHOR pusesse o Seu Espírito sobre ele!” Esta é a Palavra de Deus! Que excelente exemplo para todos nós, principalmente para quem tem ou almeja algum cargo de liderança secular ou no ministério eclesiástico. Qual seria a nossa postura, igual à de Josué ou à de Moisés, diante de nossos colaboradores? Será que somos nós que comandamos o Espírito de Deus ou Ele age como, quando e em quem quiser? Será que a escassez de resultados e o excesso de nossas preocupações não dependem, pelo menos parcialmente, de nós que estamos na liderança e achamos que podemos resolver tudo sozinhos? Até que ponto, por ciúmes, inveja ou insegurança, não boicotamos o bom andamento de um trabalho, as esperanças e sonhos de nossos auxiliares com medo de perdermos o nosso lugar de destaque na empresa, na Igreja ou em qualquer outra instituição, ignorando que, se Deus realmente nos deu qualquer posição em qualquer lugar, ninguém a tirará de nós? É bonito despejarmos elogios a alguém diante dos aplausos de uma efusiva platéia. Mas será que estamos sendo realmente sinceros ou fingindo de bonzinhos pela causa de um possível proveito próprio?
É certo que ás vezes é difícil distinguirmos quem realmente está conosco ou quem está contra nós neste mundo hipócrita e calculista. É certo que também não é fácil apontarmos quem são nossos amigos ou inimigos. Alguém pode se declarar nosso fiel amigo, e, na hora de que mais precisamos dele, na hora de praticar isso tudo, pode nos trair, tirando o corpo fora, deixando o nosso cair na lama e às feras. Para nossa surpresa, alguma outra pessoa, até então, considerada adversária, por nós atacada e até caluniada, pode se revelar como nosso parceiro de confiança, que luta por nossa causa até o fim, venha o que vier nestas horas tão importantes. O Senhor Jesus nos alerta em um outro episódio que pode nos levar à reflexão sobre a nossa sabedoria e discernimento na hora de lidarmos com os dons das pessoas, sejam elas do nosso grupo ou fora dele. O importante é não posarmos de fanáticos, orgulhosos ou presunçosos, e pensarmos que somos os donos do pedaço, e que, ao fazermos parte de um determinado grupo, ninguém mais poderá entrar nele. Temos que abrir mão deste exclusivismo arrogante e sectário. Infelizmente, entre os discípulos de Jesus isso também acontecia. Temos a mania de pensarmos que somente nós ou nosso grupo é que podemos tudo, que podemos praticar qualquer ato que quisermos; qualquer arbitrariedade. Somente nós é que somos os melhores, e ninguém mais tem este direito. Fanatismos, sectarismos, ciúmes, invejas, arbitrariedades e discórdias à parte, o que vale mesmo é o bom desempenho dos nossos dons com abnegação e generosidade, sem a preocupação com o que os outros podem fazer, sem glosarmos o trabalho deles diante da comunidade, se é melhor ou pior do que o nosso, e sem os tacharmos de intrusos, quando eles simplesmente só querem nos ajudar. E sem inseguranças; sem o medo de perdermos o nosso espaço de poder e de prestígio que conseguimos até então. Sem o medo de sermos felizes também, dando uma chance aos outros. Temos que ajudar os outros a serem úteis e desenvolverem os seus melhores dons para o bem dos seus semelhantes, e de si mesmos, e também serem felizes, sem cometermos nenhum escândalo, nenhum tropeço. Sem deixarmos nenhuma dúvida daquilo que realmente somos, mas que não temos o monopólio de nada. Deus deu a cada um de nós aquilo que somos capazes de fazer. Basta percebermos isso e irmos em frente, sem contendas, de mãos limpas, com todo o ânimo, humilhando-nos diante dEle para que Ele possa nos exaltar diante dos outros. Nas Suas lições de discipulado, o Senhor Jesus, conforme narrações de Marcos, salienta-nos o dever da bondade e tolerância mútuas, e enfatiza a nossa disciplina pessoal, quando João, mencionando um exorcista anônimo, que não seguia a Jesus, portanto, não era do grupo dos Seus discípulos, mas que expulsava demônios em nome de Jesus, diferentemente do caso do menino que tinha um espírito mudo, mas que os próprios discípulos não conseguiram expulsar os demônios dele, e também do caso dos exorcistas judeus que o maligno não reconheceu seus poderes, mas, sim, os de Jesus e de Paulo, o evangelista destaca, na opinião dos especialistas, a sinceridade e eficiência deste exorcista, não obstante todos os seus defeitos. João queria que o senhor Jesus proibisse os trabalhos deste exorcista pelos quais as vidas estavam sendo abençoadas e libertadas do poder do mal, mas que, talvez, este homem não reconhecesse a autoridade dos Doze. Sem tirar a prerrogativa dos Doze, mas percebendo o orgulho e exclusivismo deles, Jesus Se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estavam falando. Em vez disso, o Senhor Jesus ensina que o apoio e a comunhão de todos os que defendem Sua causa devem ser gratamente reconhecidos. “Porque quem não é contra nós, é por nós”, diz, para, em seguida, advertir solenemente contra os escândalos que possam fazer tropeçar aqueles de pequena importância para o mundo, “os pequeninos”, os fracos na fé. Os especialistas comentam que comprometer a confiança destes através do uso egoísta e inconsiderado de poder exige a mais severa punição. O apóstolo Paulo diz que é bom nem comer carne nem beber vinho nem fazer outras coisas que possam fazer tropeçar nosso irmão ou que o escandalize ou que o enfraqueça na fé. “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”, avisa o próprio Senhor Jesus para Quem é melhor entrarmos no Reino dos Céus aleijados ou cegos, faltando um de nossos membros, ou mesmo o nosso próprio olho, do que irmos para o inferno com o nosso corpo todo perfeito, numa clara alusão a que é muito difícil renunciarmos os nosso hábitos pecaminosos, mas que devemos perseverar, insistindo na nossa fé e nos nossos serviços, com humildade com vistas a nossa própria paz, seja na Igreja ou em qualquer outro lugar da nossa comunidade. Não devemos temer a cirurgia espiritual para salvar a vida da alma, nos dizeres de J. D. Jones, para não sermos lançados no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, ou seja, no inferno.
REFLEXÃO DE HOJE
“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar. E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no Reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.” – Marcos 9:42-48
LEITURAS DE HOJE
Salmo 19; Números 11:4-6,10-16,24-29
Tiago 4:7-12; Marcos 9:38-50
NOTAS
[1] Judas 3; 1Tessalonicenses 5:22; 1Coríntios 6:12; 10:23,24; Efésios 4:29; Filipenses 2:3; Gálatas 5:26
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1414
[2] Números 11:4-6,10-16,24-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 173
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 412-420
MAC RAE, A. A. Números: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.200. Reimpressão
[3] Marcos 9:38-50; Tiago 4:8,10; Marcos 9:38-42,43-50; Atos 19:15-16; Marcos 9:18; Mateus 18:7; Romanos 14:21; Isaías 66:24; Mateus 10:28
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1007, 1008. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1163, 1164
NESTE mundo em que tudo é para ontem, tudo é rápido, como se estivéssemos fugindo do bicho papão, ou sabe-se lá de quê, apenas por insistirmos estar na crista da onda, e por priorizarmos estar sempre à frente dos nossos antagonistas, fazemos de tudo para podermos aparecer utilizando-nos de meios dos mais absurdos possíveis e impossíveis que passam por nossa imaginação, quando não lutamos com unhas e dentes em busca deles, doa a quem doer, apenas para que nossos intentos sejam satisfeitos. As intenções aí são das mais diversas, assim como as vias para acessarmos e chegarmos até a consumação delas. Hoje, diante de todos os meios à nossa disposição, muitos de nós em vez de ajudarmo-nos uns aos outros, prevenindo estas más intenções com vistas a um mundo melhor e de paz, envolvemo-nos em toda esta agitação, e damos as nossas próprias mãos, sujando-as até então. Não que não devamos ser eficientes na excelência daquilo que propomos ou que não devamos batalhar por aquilo que cremos e queremos, mas que estejamos bem longe das intrigas, ciúmes, invejas, orgulhos, presunções e fanatismo deste mundo. Tudo isso não nos leva a nenhuma edificação – nem de nosso corpo nem de nossa alma nem de nós mesmos, como um todo, na nossa comunidade, na nossa família, nos nossos filhos, e diante de todos os demais. Entretanto, nos iludimos, pensando estar com aquela corda toda, posto que em menos ou mais dia, atrelada a nosso pescoço, esta ruirá do mais alto que estivermos. É quando já é tarde! Ou já vamos tarde? Depende do lado em que estivermos. Mas como de coisas ruins não nos descartamos tão fácil assim, muitos de nós ainda continuamos engrossando as fileiras dos adeptos daqueles que não importam que falem, mesmo que falem mal, mas que falem de nós. Assim, o importante é estarmos na boca do povo, custe o que custar, não importa o teor desta falação. “Falem mal, mas falem de mim”, confirma um certo homem público bem conhecido por seus caracteres pouco ortodoxos de gerir o erário, além da sua autoria de outros tantos fiascos. “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”, alerta o apóstolo Paulo, preocupando-se com as necessidades e interesses dos outros, posto que este seja o melhor alvo para onde deveríamos direcionar todos os nossos atos, estando nós em que esfera estivermos na sociedade, sem nenhuma retórica ou hipocrisia; sem nenhum exclusivismo arrogante e sectário.
Na sua difícil missão de conduzir o povo eleito, em meio a exigências, idolatrias, revoltas e murmurações, Moisés, apesar de haver-se dedicado totalmente ao serviço do povo de Deus, e de considerar pesado este seu cargo, ele também se emocionava com as lágrimas dos israelitas. Por meio de suas orações, Deus lhe ouvia, e respondia os seus pedidos. Foi assim que lhes vieram o maná, as codornizes, os 70 anciãos para ajudarem Moisés, dentre outras promessas cumpridas pelo SENHOR nosso Deus. “Escolhe 70 homens que estejam em condições de colaborar contigo; sobre eles farei descer o mesmo Espírito que se encontrava em ti”, disse Deus a Moisés, e assim o fez, de modo que, “quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais”; servindo para autenticar a liderança destes anciãos. Ora, havia dois anciãos do povo, Eldade e Medade, que, embora não tivessem participado daquele evento dos 70, também receberam o Espírito de Deus e se tornaram profetas, exatamente como os outros 70 anciãos. Armou-se uma grande confusão, posto que pessoas estranhas tinham recebido o mesmo dom de Deus, sem fazerem parte do grupo dos escolhidos. Escandalizado com este acontecimento, Josué, servo de Moisés, e eminente personagem no seio dos israelitas, receando pela reputação do seu senhor – o único a quem competia a suprema direção do povo –, pediu para que Moisés interviesse a fim de impedir que aqueles dois homens profetizassem. Sem sentir qualquer ponta de inveja pelos demais auxiliares, na sua grandeza de ânimo, segundo os especialistas, Moisés simplesmente respondeu, alegremente: “Tens tu ciúmes por mim? Quem me dera que todo o povo do SENHOR fosse profeta, e que o SENHOR pusesse o Seu Espírito sobre ele!” Esta é a Palavra de Deus! Que excelente exemplo para todos nós, principalmente para quem tem ou almeja algum cargo de liderança secular ou no ministério eclesiástico. Qual seria a nossa postura, igual à de Josué ou à de Moisés, diante de nossos colaboradores? Será que somos nós que comandamos o Espírito de Deus ou Ele age como, quando e em quem quiser? Será que a escassez de resultados e o excesso de nossas preocupações não dependem, pelo menos parcialmente, de nós que estamos na liderança e achamos que podemos resolver tudo sozinhos? Até que ponto, por ciúmes, inveja ou insegurança, não boicotamos o bom andamento de um trabalho, as esperanças e sonhos de nossos auxiliares com medo de perdermos o nosso lugar de destaque na empresa, na Igreja ou em qualquer outra instituição, ignorando que, se Deus realmente nos deu qualquer posição em qualquer lugar, ninguém a tirará de nós? É bonito despejarmos elogios a alguém diante dos aplausos de uma efusiva platéia. Mas será que estamos sendo realmente sinceros ou fingindo de bonzinhos pela causa de um possível proveito próprio?
É certo que ás vezes é difícil distinguirmos quem realmente está conosco ou quem está contra nós neste mundo hipócrita e calculista. É certo que também não é fácil apontarmos quem são nossos amigos ou inimigos. Alguém pode se declarar nosso fiel amigo, e, na hora de que mais precisamos dele, na hora de praticar isso tudo, pode nos trair, tirando o corpo fora, deixando o nosso cair na lama e às feras. Para nossa surpresa, alguma outra pessoa, até então, considerada adversária, por nós atacada e até caluniada, pode se revelar como nosso parceiro de confiança, que luta por nossa causa até o fim, venha o que vier nestas horas tão importantes. O Senhor Jesus nos alerta em um outro episódio que pode nos levar à reflexão sobre a nossa sabedoria e discernimento na hora de lidarmos com os dons das pessoas, sejam elas do nosso grupo ou fora dele. O importante é não posarmos de fanáticos, orgulhosos ou presunçosos, e pensarmos que somos os donos do pedaço, e que, ao fazermos parte de um determinado grupo, ninguém mais poderá entrar nele. Temos que abrir mão deste exclusivismo arrogante e sectário. Infelizmente, entre os discípulos de Jesus isso também acontecia. Temos a mania de pensarmos que somente nós ou nosso grupo é que podemos tudo, que podemos praticar qualquer ato que quisermos; qualquer arbitrariedade. Somente nós é que somos os melhores, e ninguém mais tem este direito. Fanatismos, sectarismos, ciúmes, invejas, arbitrariedades e discórdias à parte, o que vale mesmo é o bom desempenho dos nossos dons com abnegação e generosidade, sem a preocupação com o que os outros podem fazer, sem glosarmos o trabalho deles diante da comunidade, se é melhor ou pior do que o nosso, e sem os tacharmos de intrusos, quando eles simplesmente só querem nos ajudar. E sem inseguranças; sem o medo de perdermos o nosso espaço de poder e de prestígio que conseguimos até então. Sem o medo de sermos felizes também, dando uma chance aos outros. Temos que ajudar os outros a serem úteis e desenvolverem os seus melhores dons para o bem dos seus semelhantes, e de si mesmos, e também serem felizes, sem cometermos nenhum escândalo, nenhum tropeço. Sem deixarmos nenhuma dúvida daquilo que realmente somos, mas que não temos o monopólio de nada. Deus deu a cada um de nós aquilo que somos capazes de fazer. Basta percebermos isso e irmos em frente, sem contendas, de mãos limpas, com todo o ânimo, humilhando-nos diante dEle para que Ele possa nos exaltar diante dos outros. Nas Suas lições de discipulado, o Senhor Jesus, conforme narrações de Marcos, salienta-nos o dever da bondade e tolerância mútuas, e enfatiza a nossa disciplina pessoal, quando João, mencionando um exorcista anônimo, que não seguia a Jesus, portanto, não era do grupo dos Seus discípulos, mas que expulsava demônios em nome de Jesus, diferentemente do caso do menino que tinha um espírito mudo, mas que os próprios discípulos não conseguiram expulsar os demônios dele, e também do caso dos exorcistas judeus que o maligno não reconheceu seus poderes, mas, sim, os de Jesus e de Paulo, o evangelista destaca, na opinião dos especialistas, a sinceridade e eficiência deste exorcista, não obstante todos os seus defeitos. João queria que o senhor Jesus proibisse os trabalhos deste exorcista pelos quais as vidas estavam sendo abençoadas e libertadas do poder do mal, mas que, talvez, este homem não reconhecesse a autoridade dos Doze. Sem tirar a prerrogativa dos Doze, mas percebendo o orgulho e exclusivismo deles, Jesus Se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estavam falando. Em vez disso, o Senhor Jesus ensina que o apoio e a comunhão de todos os que defendem Sua causa devem ser gratamente reconhecidos. “Porque quem não é contra nós, é por nós”, diz, para, em seguida, advertir solenemente contra os escândalos que possam fazer tropeçar aqueles de pequena importância para o mundo, “os pequeninos”, os fracos na fé. Os especialistas comentam que comprometer a confiança destes através do uso egoísta e inconsiderado de poder exige a mais severa punição. O apóstolo Paulo diz que é bom nem comer carne nem beber vinho nem fazer outras coisas que possam fazer tropeçar nosso irmão ou que o escandalize ou que o enfraqueça na fé. “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!”, avisa o próprio Senhor Jesus para Quem é melhor entrarmos no Reino dos Céus aleijados ou cegos, faltando um de nossos membros, ou mesmo o nosso próprio olho, do que irmos para o inferno com o nosso corpo todo perfeito, numa clara alusão a que é muito difícil renunciarmos os nosso hábitos pecaminosos, mas que devemos perseverar, insistindo na nossa fé e nos nossos serviços, com humildade com vistas a nossa própria paz, seja na Igreja ou em qualquer outro lugar da nossa comunidade. Não devemos temer a cirurgia espiritual para salvar a vida da alma, nos dizeres de J. D. Jones, para não sermos lançados no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, ou seja, no inferno.
REFLEXÃO DE HOJE
“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar. E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no Reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.” – Marcos 9:42-48
LEITURAS DE HOJE
Salmo 19; Números 11:4-6,10-16,24-29
Tiago 4:7-12; Marcos 9:38-50
NOTAS
[1] Judas 3; 1Tessalonicenses 5:22; 1Coríntios 6:12; 10:23,24; Efésios 4:29; Filipenses 2:3; Gálatas 5:26
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1414
[2] Números 11:4-6,10-16,24-29
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 173
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 412-420
MAC RAE, A. A. Números: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.200. Reimpressão
[3] Marcos 9:38-50; Tiago 4:8,10; Marcos 9:38-42,43-50; Atos 19:15-16; Marcos 9:18; Mateus 18:7; Romanos 14:21; Isaías 66:24; Mateus 10:28
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1007, 1008. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1163, 1164
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
SELVA HUMANA
“Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos” – Marcos 9:35b
VIVEMOS num mundo exageradamente competitivo, e quem fugir destes padrões consumistas de nossos dias é visto como um estranho no ninho, carregando sobre si todas as sequelas e chacotas por causa de uma postura desigual, além das discriminações e possíveis retaliações impostas por supostos detentores de certos poderes que se acham no direito de ditarem a moda que se deve seguir por todos a seu modo, e ponto final. Vivemos iludidos por chavões em nossa mente incutidos como se fôssemos gado marcado para ser despachado a um mercado que se tornou escravo do quanto mais, melhor, ou daquele que tem mais é o melhor. Somos vistos pelo que temos e não pelo que somos. Somos produtos das aparências, da hipocrisia, em todos os sentidos, e em quaisquer segmentos em que estamos inseridos, sejam eles laicos ou não. Desde pequenos somos educados para sermos os mais bonitos, os mais inteligentes, os mais isso, os mais aquilo, senão não conseguiremos sucesso na vida, e assim por diante. Irrefletidamente, tomamos tais conceitos ao pé da letra, e construímos a nossa vida assim, arrasando tudo e todos, pisando em tudo e em todos, até naquilo que com muito amor e com todo cuidado plantamos. Adotamos tais atitudes às vezes até por uma questão banal ou mesmo em troca de uma posição social, política ou até mesmo religiosa que, na realidade, jamais seríamos capazes de preencher, já que os nossos dons são visivelmente antagônicos a estes que tresloucadamente forçamos a sua prática, mesmo que em sã consciência seja impraticável, apenas para inviabilizarmos que outrem possa desempenhá-los bem melhor do que nós. Mas, não, “isto é meu; é meu! Sou eu que sei tudo. Fui eu que fiz. Nenhum outro é capaz, além de mim”, e assim vamos tropeçando. Estouramos, estrondosamente, vociferando que os outros são os outros, o resto, a gentalha... Em meio a esta insana ânsia pelo poder, por querermos ser sempre o melhor de todos e o maior dentre todos, o detentor de tudo, ou seja, os superpoderosos, perdemos o senso do ridículo, incapacitando-nos de distinguirmos com transparência quem é quem neste contexto e nestes conceitos de gente ordinária ou de ralé nesta pirâmide da desinteligência esparramada por esta selva de barbárie humana. Somos incapazes de refletirmos que somos reféns de nós mesmos, que somos intimamente atormentados dia após dia por nossos próprios estranhos desejos e pelo medo de botarmos o nariz ou os nossos próprios olhos para fora da janela e não sermos decepados de corpo inteiro ou atravessados por balas de todos os calibres disparadas por pessoas do mais baixo mundo por conta da nossa ganância, do nosso egoísmo, dos nossos maus desejos, da nossa imoralidade, das nossas corrupções, das nossas paixões desenfreadas, da nossa covardia, das nossas intrigas e mentiras, e da nossa retórica em relação a nossa falta de humildade e desapego aos bens materiais – e olha que isso vem enlameando todos os escalões da nossa sociedade há muito tempo para vexame de poucos. Aonde tudo isso pode nos levar? Em que pé estamos neste lamaçal? Até onde está o nosso dedo nisso tudo? Será que não temos nem um pingo de vergonha? Por onde anda aquela nossa dignidade cuja excelência pelo Pai das Luzes nos foi outorgada? Ou será que esta luz ainda não nos foi alcançada? Até quando vamos viver iludidos pelas bobagens deste mundo, embevecidos por este abjeto e efêmero glamour, apegados às coisas que são da terra, a estas coisas passageiras, que logo se apodrecem, e que estão bem longe daquelas coisas que vêm do alto? Quando vamos nos abdicar de tudo o que pertence à nossa natureza terrena? Quando vamos desistir de tanta idolatria?
E, então, quem é o maior nesta confusão toda com relação ao Reino dos Céus? Responder a esta pergunta talvez não seja tão fácil assim, no universo da nossa concepção humana, assim como também não foi aos discípulos de Jesus que discutiam entre si sobre tal assunto. Entre nós também talvez tenhamos este mesmo receio, até de inquirirmos uns aos outros, dada tanta competição entre os homens, posto que ninguém queira ficar por baixo como se isso fosse algum demérito para alguém quando se trata de sermos úteis aos serviços do SENHOR nosso Deus; àquilo que realmente fomos chamados a desempenhar na nossa comunidade. Talvez precipitadamente desejosos de transformarem-se em deficientes físicos ou em monstros, uns até se arroguem dizendo que não nasceram para serem cauda, mas, sim, cabeça, como se uma coisa desdissesse ou anulasse a outra, segundo Aquele que criou todas as coisas para o louvor da Sua glória. Ensinando a Seus discípulos, Jesus, como o Messias anunciado em toda a Escritura, como o Filho do Deus vivo e Redentor nosso apregoado em todos os tempos, que, por um imenso amor, rebaixou-Se ao nível dos homens, tomando sobre Si todos os nossos pecados e sofrimentos, além de anunciar Sua morte e ressurreição, deu o exemplo a todos os arrogantes e filhos da desobediência ainda presentes nos dias de hoje. Mas, sem destruir a noção de hierarquia funcional daquela sociedade, dada a sua importância de honra, assim como a preocupação de desempenhar um significativo papel na mente daquele povo, Jesus introduz uma revolução neste modo de pensar quando chama à parte os Doze e, reconhecendo explicitamente a posição de liderança deles, diz: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.” Segundo os especialistas, Jesus não está atacando a posição de liderança, mas mostrando o modo que essa liderança deve ser exercida, como “último e servo de todos”. Princípio este que é exemplificado pelo próprio Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos”.
Ao concluir Sua obra o supremo e divino Criador viu que tudo era bom, e, assim, por último, nela colocou o homem para dela usufruir de tudo, multiplicando-se nela, administrando-a para o seu próprio bem-estar e felicidade geral da humanidade. Só que, para isso, o homem teria que obedecer a certos requisitos ordenados por Deus. O desfecho desta história todo mundo já sabe, pois ainda respinga em todos nós, e, mesmo assim, ainda continuamos no auge da nossa ingratidão, soberba e desobediência. Ainda continuamos aprontando as nossas peripécias que vêm custando muito caro a cada um de nós, não apenas no campo espiritual, mas também aos quatro cantos deste mundo que jaz no maligno. São as farpas fincadas no nosso íntimo que sangram até na nossa carne. São resquícios de uma herança dos nossos próprios pecados. Haja vista os contrastes e as incoerências deste mundo; as catástrofes e aflições que sofremos, as guerras, a fome, e tantas outras mazelas e necessidades, se comparadas com a parte saudável de toda esta história, que anda bem distante daquela do jardim do Éden, e que ninguém pode escapar a esta rede de intrigas sem o socorro divino, já que a escravização ao pecado é voluntária e somente o Filho de Deus pode destruir tal servidão, substituindo-a por uma vida de perdão, gratidão e obediência, ou seja, uma nova vida. Também não podemos fugir de nossas responsabilidades, culpando os outros ou mesmo o próprio diabo por nossa situação. Somos responsáveis por nossos próprios atos, não o vizinho, o cara lá de longe, da esquina, de não se sabe onde, mas cada um de nós coopera com a sua parte, já que qualquer assunto resvala pela aldeia global. Temos que vestir a nossa própria carapuça, sem covardias nem fingimentos; pelo menos isso. Ninguém é uma ilha, que sobrevive isolado, longe de tudo e todos, muito menos nos dias de hoje, na era das mais avançadas tecnologias. Só que muitos ainda vivem muito longe da parte boa destes benefícios, como se vivêssemos em castas, a dos privilegiados e a dos outros, como se fossem predestinados a sobreviverem à míngua, eternamente. Resistência também tem seus limites. Há muito conhecimento e pouca sabedoria. Até quando? A verdadeira sabedoria vem de Deus. A epístola de Tiago fala desta sabedoria que vem do alto, posto ser possível alguém conhecer muita coisa e ter pouca sabedoria, já que o sábio é aquele que tem fé, é submisso a Deus, e, além de ser ensinado por Ele, aceita críticas, aprende e cresce com elas. Já uma sabedoria falsa e simulada, pode produzir inveja e rivalidades, ciúmes e contendas, aguçando os nossos instintos desregrados de onde provém toda a maldade, inclusive o vandalismo, assassínio, adultério, furtos, malícia e outros pecados que violam as pessoas, e provocam caos na comunidade. Segundo Tiago, esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. “Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.” A epístola continua examinando as causas das discórdias que existem entre os homens, assim como nas comunidades cristãs, denunciando a ganância de acumular bens materiais e, consequentemente, a inveja, em relação àqueles que possuem mais que os outros. Assim, as guerras, as lutas, as contendas existem por causa do nosso egoísmo em procurar dominar os outros quando, na verdade, deveríamos colaborar, até mesmo com os mais necessitados, os pobres e os desvalidos em qualquer circunstância. Mas não; todos queremos alcançar os primeiros lugares, não os últimos, como aconselha o próprio Senhor Jesus, que tanto insistiu nisso, e serviu de exemplo em toda a Sua vida prática. É o que todos deveríamos priorizar em nossa prática diária, como ressalta a epístola de Tiago, ou seja, todo aquele que se arroga uma superioridade deve provar de modo prático, e modestamente, tal superioridade por meio de seu bom procedimento no meio da sua comunidade, inclusive no meio cristão. Devemos não só praticar esta sabedoria, mas também ensiná-la aos demais para que estes também a pratiquem, e o mundo passe a ser mais solidário, em vez de solitário, em meio a tantas guerras, tanto ódio, enfim, tantos conflitos que têm sua origem na não-aceitação dos ensinos de Jesus que é o de colocarmo-nos a serviço do bem-estar dos outros, sejam eles quem forem, posto que quem semeia a verdadeira sabedoria, não apenas o conhecimento ou a exorbitância, semeia a boa semente que produz a justiça, a retidão, já que é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais; e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? Antes, ele dá maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” – Tiago 3:16-4:6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 54; Jeremias 11:18-20
Tiago 3:16-4:6; Marcos 9:30-37
NOTAS
[1] Tiago 1:17; Colossenses 3:2,5,6,8; Romanos 6:13; 8:13; Efésios 4:19; 5:3,5; Mateus 6:19-22
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 406-411
[2] Marcos 8:31; 9:30-37; João 3:13-19; Colossenses 3:6; Marcos 10:45
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1163
[3] Gênesis 1:1-31; 2:4-25; 3:1-24; 6:3; 8:21; 1João 3:8; 5:19;Tiago 1:13-18; 4:1-6; Gálatas 5:22; 2Pedro 1:5-9
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1490, 1515
ROSS, ALEXANDER. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1394-1396. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1007.Reimpressão
VIVEMOS num mundo exageradamente competitivo, e quem fugir destes padrões consumistas de nossos dias é visto como um estranho no ninho, carregando sobre si todas as sequelas e chacotas por causa de uma postura desigual, além das discriminações e possíveis retaliações impostas por supostos detentores de certos poderes que se acham no direito de ditarem a moda que se deve seguir por todos a seu modo, e ponto final. Vivemos iludidos por chavões em nossa mente incutidos como se fôssemos gado marcado para ser despachado a um mercado que se tornou escravo do quanto mais, melhor, ou daquele que tem mais é o melhor. Somos vistos pelo que temos e não pelo que somos. Somos produtos das aparências, da hipocrisia, em todos os sentidos, e em quaisquer segmentos em que estamos inseridos, sejam eles laicos ou não. Desde pequenos somos educados para sermos os mais bonitos, os mais inteligentes, os mais isso, os mais aquilo, senão não conseguiremos sucesso na vida, e assim por diante. Irrefletidamente, tomamos tais conceitos ao pé da letra, e construímos a nossa vida assim, arrasando tudo e todos, pisando em tudo e em todos, até naquilo que com muito amor e com todo cuidado plantamos. Adotamos tais atitudes às vezes até por uma questão banal ou mesmo em troca de uma posição social, política ou até mesmo religiosa que, na realidade, jamais seríamos capazes de preencher, já que os nossos dons são visivelmente antagônicos a estes que tresloucadamente forçamos a sua prática, mesmo que em sã consciência seja impraticável, apenas para inviabilizarmos que outrem possa desempenhá-los bem melhor do que nós. Mas, não, “isto é meu; é meu! Sou eu que sei tudo. Fui eu que fiz. Nenhum outro é capaz, além de mim”, e assim vamos tropeçando. Estouramos, estrondosamente, vociferando que os outros são os outros, o resto, a gentalha... Em meio a esta insana ânsia pelo poder, por querermos ser sempre o melhor de todos e o maior dentre todos, o detentor de tudo, ou seja, os superpoderosos, perdemos o senso do ridículo, incapacitando-nos de distinguirmos com transparência quem é quem neste contexto e nestes conceitos de gente ordinária ou de ralé nesta pirâmide da desinteligência esparramada por esta selva de barbárie humana. Somos incapazes de refletirmos que somos reféns de nós mesmos, que somos intimamente atormentados dia após dia por nossos próprios estranhos desejos e pelo medo de botarmos o nariz ou os nossos próprios olhos para fora da janela e não sermos decepados de corpo inteiro ou atravessados por balas de todos os calibres disparadas por pessoas do mais baixo mundo por conta da nossa ganância, do nosso egoísmo, dos nossos maus desejos, da nossa imoralidade, das nossas corrupções, das nossas paixões desenfreadas, da nossa covardia, das nossas intrigas e mentiras, e da nossa retórica em relação a nossa falta de humildade e desapego aos bens materiais – e olha que isso vem enlameando todos os escalões da nossa sociedade há muito tempo para vexame de poucos. Aonde tudo isso pode nos levar? Em que pé estamos neste lamaçal? Até onde está o nosso dedo nisso tudo? Será que não temos nem um pingo de vergonha? Por onde anda aquela nossa dignidade cuja excelência pelo Pai das Luzes nos foi outorgada? Ou será que esta luz ainda não nos foi alcançada? Até quando vamos viver iludidos pelas bobagens deste mundo, embevecidos por este abjeto e efêmero glamour, apegados às coisas que são da terra, a estas coisas passageiras, que logo se apodrecem, e que estão bem longe daquelas coisas que vêm do alto? Quando vamos nos abdicar de tudo o que pertence à nossa natureza terrena? Quando vamos desistir de tanta idolatria?
E, então, quem é o maior nesta confusão toda com relação ao Reino dos Céus? Responder a esta pergunta talvez não seja tão fácil assim, no universo da nossa concepção humana, assim como também não foi aos discípulos de Jesus que discutiam entre si sobre tal assunto. Entre nós também talvez tenhamos este mesmo receio, até de inquirirmos uns aos outros, dada tanta competição entre os homens, posto que ninguém queira ficar por baixo como se isso fosse algum demérito para alguém quando se trata de sermos úteis aos serviços do SENHOR nosso Deus; àquilo que realmente fomos chamados a desempenhar na nossa comunidade. Talvez precipitadamente desejosos de transformarem-se em deficientes físicos ou em monstros, uns até se arroguem dizendo que não nasceram para serem cauda, mas, sim, cabeça, como se uma coisa desdissesse ou anulasse a outra, segundo Aquele que criou todas as coisas para o louvor da Sua glória. Ensinando a Seus discípulos, Jesus, como o Messias anunciado em toda a Escritura, como o Filho do Deus vivo e Redentor nosso apregoado em todos os tempos, que, por um imenso amor, rebaixou-Se ao nível dos homens, tomando sobre Si todos os nossos pecados e sofrimentos, além de anunciar Sua morte e ressurreição, deu o exemplo a todos os arrogantes e filhos da desobediência ainda presentes nos dias de hoje. Mas, sem destruir a noção de hierarquia funcional daquela sociedade, dada a sua importância de honra, assim como a preocupação de desempenhar um significativo papel na mente daquele povo, Jesus introduz uma revolução neste modo de pensar quando chama à parte os Doze e, reconhecendo explicitamente a posição de liderança deles, diz: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.” Segundo os especialistas, Jesus não está atacando a posição de liderança, mas mostrando o modo que essa liderança deve ser exercida, como “último e servo de todos”. Princípio este que é exemplificado pelo próprio Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos”.
Ao concluir Sua obra o supremo e divino Criador viu que tudo era bom, e, assim, por último, nela colocou o homem para dela usufruir de tudo, multiplicando-se nela, administrando-a para o seu próprio bem-estar e felicidade geral da humanidade. Só que, para isso, o homem teria que obedecer a certos requisitos ordenados por Deus. O desfecho desta história todo mundo já sabe, pois ainda respinga em todos nós, e, mesmo assim, ainda continuamos no auge da nossa ingratidão, soberba e desobediência. Ainda continuamos aprontando as nossas peripécias que vêm custando muito caro a cada um de nós, não apenas no campo espiritual, mas também aos quatro cantos deste mundo que jaz no maligno. São as farpas fincadas no nosso íntimo que sangram até na nossa carne. São resquícios de uma herança dos nossos próprios pecados. Haja vista os contrastes e as incoerências deste mundo; as catástrofes e aflições que sofremos, as guerras, a fome, e tantas outras mazelas e necessidades, se comparadas com a parte saudável de toda esta história, que anda bem distante daquela do jardim do Éden, e que ninguém pode escapar a esta rede de intrigas sem o socorro divino, já que a escravização ao pecado é voluntária e somente o Filho de Deus pode destruir tal servidão, substituindo-a por uma vida de perdão, gratidão e obediência, ou seja, uma nova vida. Também não podemos fugir de nossas responsabilidades, culpando os outros ou mesmo o próprio diabo por nossa situação. Somos responsáveis por nossos próprios atos, não o vizinho, o cara lá de longe, da esquina, de não se sabe onde, mas cada um de nós coopera com a sua parte, já que qualquer assunto resvala pela aldeia global. Temos que vestir a nossa própria carapuça, sem covardias nem fingimentos; pelo menos isso. Ninguém é uma ilha, que sobrevive isolado, longe de tudo e todos, muito menos nos dias de hoje, na era das mais avançadas tecnologias. Só que muitos ainda vivem muito longe da parte boa destes benefícios, como se vivêssemos em castas, a dos privilegiados e a dos outros, como se fossem predestinados a sobreviverem à míngua, eternamente. Resistência também tem seus limites. Há muito conhecimento e pouca sabedoria. Até quando? A verdadeira sabedoria vem de Deus. A epístola de Tiago fala desta sabedoria que vem do alto, posto ser possível alguém conhecer muita coisa e ter pouca sabedoria, já que o sábio é aquele que tem fé, é submisso a Deus, e, além de ser ensinado por Ele, aceita críticas, aprende e cresce com elas. Já uma sabedoria falsa e simulada, pode produzir inveja e rivalidades, ciúmes e contendas, aguçando os nossos instintos desregrados de onde provém toda a maldade, inclusive o vandalismo, assassínio, adultério, furtos, malícia e outros pecados que violam as pessoas, e provocam caos na comunidade. Segundo Tiago, esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. “Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.” A epístola continua examinando as causas das discórdias que existem entre os homens, assim como nas comunidades cristãs, denunciando a ganância de acumular bens materiais e, consequentemente, a inveja, em relação àqueles que possuem mais que os outros. Assim, as guerras, as lutas, as contendas existem por causa do nosso egoísmo em procurar dominar os outros quando, na verdade, deveríamos colaborar, até mesmo com os mais necessitados, os pobres e os desvalidos em qualquer circunstância. Mas não; todos queremos alcançar os primeiros lugares, não os últimos, como aconselha o próprio Senhor Jesus, que tanto insistiu nisso, e serviu de exemplo em toda a Sua vida prática. É o que todos deveríamos priorizar em nossa prática diária, como ressalta a epístola de Tiago, ou seja, todo aquele que se arroga uma superioridade deve provar de modo prático, e modestamente, tal superioridade por meio de seu bom procedimento no meio da sua comunidade, inclusive no meio cristão. Devemos não só praticar esta sabedoria, mas também ensiná-la aos demais para que estes também a pratiquem, e o mundo passe a ser mais solidário, em vez de solitário, em meio a tantas guerras, tanto ódio, enfim, tantos conflitos que têm sua origem na não-aceitação dos ensinos de Jesus que é o de colocarmo-nos a serviço do bem-estar dos outros, sejam eles quem forem, posto que quem semeia a verdadeira sabedoria, não apenas o conhecimento ou a exorbitância, semeia a boa semente que produz a justiça, a retidão, já que é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais; e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? Antes, ele dá maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” – Tiago 3:16-4:6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 54; Jeremias 11:18-20
Tiago 3:16-4:6; Marcos 9:30-37
NOTAS
[1] Tiago 1:17; Colossenses 3:2,5,6,8; Romanos 6:13; 8:13; Efésios 4:19; 5:3,5; Mateus 6:19-22
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 406-411
[2] Marcos 8:31; 9:30-37; João 3:13-19; Colossenses 3:6; Marcos 10:45
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1163
[3] Gênesis 1:1-31; 2:4-25; 3:1-24; 6:3; 8:21; 1João 3:8; 5:19;Tiago 1:13-18; 4:1-6; Gálatas 5:22; 2Pedro 1:5-9
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1490, 1515
ROSS, ALEXANDER. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1394-1396. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1007.Reimpressão
domingo, 13 de setembro de 2009
À LUTA, POIS!...
“Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do SENHOR, e firme-se sobre o seu Deus” – Isaías 50:10b
DIANTE DOS desafios a que estamos expostos todos os dias da nossa vida – e olha que são muitos! –, muitas vezes, até parece que esta lide nunca terá fim, posto que estamos tão envolvidos neles que nem vemos o final deste túnel, muito menos a tão esperada e famigerada luz. Diante de tão exaustiva situação, às vezes nos tornamos ainda mais frágeis, muito mais impotentes do que já fomos, ou que ainda somos, perante outras ocasiões, posto que não somos nenhum super-homem, por mais que pensamos ou que nos arroubamos que somos ou por mais metidos a besta que queiramos, tendo em vista tanta propaganda enganosa em torno deste assunto supervalorizando o antropocentrismo, que, no final das contas, ou melhor, no final dos nossos dias, veremos que aqueles super-heróis da mídia são muito melhores do que nós mesmos porque, embora inventados pelo próprio homem, eles não passam de um grande sonho daquilo que almejávamos na vida real. Super-heróis? Super-homens? Ledo engano! Haja vista tantas crianças que na sua vasta, mas ingênua, criatividade tentam imitá-los, e se esborracham pela janela abaixo, esboroando-se, deixando apenas uma triste história nas cenas de uma tragédia de um catastrófico e último ato, ou seja, levando consigo o fim de um sonho para toda a eternidade. Embora todos estejam no direito de terem os seus sonhos – porque sonhar também faz parte desta vida –, mesmo assim, sonhos não passam de apenas sonhos, se não os transformarmos em realidade; se, na prática, não os concretizarmos. Aí é que a coisa pega, porque é aí que temos que suar a nossa camisa e mostrarmos o que somos, ou a que viemos, para não tornarmos tais sonhos em pesadelo. Temos que praticar os nossos melhores dons, conforme os desígnios dAquele que nos incumbiu que os praticássemos com vistas aos objetivos para cada um de nós por Ele projetados. Daí, voltarmos aos nossos desafios, à nossa realidade do dia a dia que, mesmo sacrificante, é bem melhor, já que esta nossa vida não é nenhum faz de conta, muito menos um mar de rosas, mas que, no final das contas, vivemos pela causa de alguma vitória, mesmo que nem sempre tenhamos a chance de vencer tudo numa única largada. Muita vez a derrota significa uma grande vitória, um enorme estágio para um importante aprendizado, uma reflexão de que estávamos necessitando para botarmos os pés nos trilhos e começarmos tudo de novo, de uma outra forma, bem mais amadurecida. E para que consigamos tal vitória, imprescindivelmente, é necessário que passemos por lutas, às vezes, terríveis, que parecem não ter fim. Mas isto é a vida, ou não é? Vida fácil? Balela. Superpoderes, sonhos, vitórias ou derrotas à parte, poderoso mesmo é somente Deus, que de tudo nos provê em favor do nosso bem-estar, natural e espiritual; que é o Criador do céu e da terra, e de tudo o que neles há; e de Quem vem a nossa capacidade e o nosso socorro a todo tempo que clamarmos, não importam as circunstâncias, porque nEle não há acepção de pessoas. Ele não nos julga com parcialidade, como nós, seres humanos, errônea e costumeiramente nos portamos. Os especialistas confirmam que, embora Deus nos chame para discernir e discriminar entre o bem e o mal, uma distinção baseada sobre meras exterioridades, tais como status econômico, diferenças étnicas e coisas semelhantes, é vista como uma forma pervertida de juízo. Todos somos preciosos para Deus, ricos e pobres, negros e brancos, vermelhos e amarelos, dentre tantos outros contextos e matizes, no sentido de irmandade cristã, ensinada pelo próprio Senhor Jesus.
Basta uma pitada de fé, e a nossa vida se transformará para sempre por uma ação divina e eficaz operada pelo Santo Espírito de Deus para nunca mais desandarmos num passado nebuloso, covarde, e sem sentido para com as coisas espirituais, já que a carne é podre – pelo menos apodrecerá em pouquíssimo tempo; e fenecerá. “O espírito é que vivifica, a carne para nada aproveita”, ensina o Senhor Jesus, numa estreita cooperação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo com relação à condução à fé de todos aqueles que Deus escolheu redimir, já que a redenção dos eleitos é certa, e o Filho promete aceitar qualquer um que crê verdadeiramente. Só as coisas do espírito é que nos revigoram com o tônico da vida eterna, renovando-nos em abundância, cotidianamente, pela graça de Deus, não por merecimento nosso, longe das mesquinharias da carne cujos dias já estão contados nesta vida de lamúrias. Só o espírito é que permanece para toda a eternidade, carregando em si as consequências das práticas dos tempos da carne. Com propostas diametralmente opostas, como a luz e as trevas que, em termos de uma luta entre as forças da fé e as da descrença, a carne e o espírito jamais se resolverão de comum acordo, daí, carecermos do alerta sobre a escolha entre um ou outro caminho, seguindo em constante vigilância na rota desta nova vida neste mundo atribulado, posto que, depois, só mesmo o juízo de Deus naquele dia aprazado.
Diante de tanto contrassenso e tentações neste mundo, o próprio Senhor Jesus ainda continua sendo a nossa única esperança, quer queira ou não os incrédulos e seus similares, já que este mesmo Jesus é a encarnação da própria Palavra de Deus tão insistentemente propalada desde os tempos mais remotos, e até mesmo antes da fundação do mundo, dado o soberano conhecimento do SENHOR nosso Deus sobre os nossos percalços, posto ser sabedor de todas as coisas como elas realmente se dão, passadas, presentes e futuras, e em suas reais relações, segundo Berkhof: “Ele [Deus] conhece a essência oculta das coisas, em que o conhecimento do homem não pode penetrar. Ele [Deus] não vê como vê o homem, que só observa as manifestações externas da vida, mas penetra as profundezas do coração humano.” Portanto, que nos vigiemos em estarmos em pé, cuidando-nos para não cairmos, como um atleta que toma o devido cuidado para chegar vitorioso ao final de cada modalidade das suas competições. Se somos verdadeiramente crentes em Cristo, se sabemos que fiel é Deus que não nos permitirá que sejamos tentados além das nossas forças, estaremos seguros na certeza de que, juntamente com as tentações, o Senhor nos proverá livramento, de sorte que possamos suportar quaisquer agruras deste mundo cruel. Mas, segundo estudiosos, tal confiança deve-se estear nas promessas de Deus e na fiel aderência às condições nelas implícitas. Afirmam ainda que a tentação sempre nos força por afastar-nos do modo correto de vida, entretanto, Deus sempre guarda o crente neste particular, e se este crente se apoiar em Deus, encontrará meio de escapar, tornando-se mais que vencedor por meio dAquele que nos amou primeiro, e que, por isso mesmo, devemos aclamar tal qual o apóstolo Paulo: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” E quem é este Jesus Cristo para cada um de nós? Quem é Jesus Cristo para mim? Quem é Jesus Cristo para você, para o nosso vizinho, para nossa família, nossos filhos, nosso país? Além de ser Aquele que venceu o mundo, que alertou a Seus discípulos que por meio dEle é que se tem a verdadeira paz, posto que neste mundo teremos aflições, este mesmo Jesus Cristo também confia na vontade do Seu próprio Pai, o Qual está sempre com Ele. Mais ainda, revela que o alicerce da nossa fé deve ser posto na Sua vitória sobre as forças das trevas. Assim, encoraja os Seus discípulos, dizendo: “Tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Tudo isso serve para cada um de nós também. São exemplos dos portais da nossa fé tão ameaçada hoje em dia, e que também servem para todos nós diante de tanta banalidade, mas que, inspirados pelo Espírito também possamos proclamar como fez Pedro em nome dos seus irmãos desta mesma fé quando Jesus lhe inquiriu sobre o que eles pensavam quem era o Senhor Jesus na opinião de cada um deles: “Tu és o Cristo.” Foi esta a resposta convicta de Pedro. Será que já estamos prontos para receber uma inspiração tão profunda e real a ponto de declararmos diante de todos em nosso derredor, seja lá onde estivermos, e na hora adequada, uma afirmação deste porte que possa convencer a todos os demais e levá-los a compartilhar e também a acreditar conosco nas maravilhas desta nossa fé, desta nossa confissão, assim, rasgada, de peito aberto, sem nenhum fanatismo religioso da boca para fora ou intenção outra senão a de que somos sincera e intimamente convencidos por uma ação divina do Espírito de Deus? Quão extraordinário é reconhecer nesse Jesus o Messias, o Salvador do Qual todos os profetas falaram e que todos nós, na nossa quase totalidade, esperamos! Quão admirável é confessarmos abertamente, e de dentro do nosso coração, ou seja, francamente, que esse Jesus Cristo é o Filho de Deus, o nosso único Advogado, o nosso único intercessor entre nós e o Pai – e não mais outro nem mais ninguém nem qualquer outra coisa, aqui sem nenhum fruto de pura emoção, mas racionalmente, ou seja, em espírito e em verdade! Só assim é que poderemos enfrentar qualquer desafio, venha de onde vier, posto que o nosso Deus é bem maior que as coisas deste mundo, e poderoso para nos livrar. “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” À luta, pois, já que somos mais que vencedores pelo amor deste SENHOR nosso Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor. À luta, pois!... É o SENHOR que nos livra a nossa alma da morte, os nossos olhos das lágrimas, e os nossos pés da queda; nEle, pois, não há derrota alguma.
REFLEXÃO DE HOJE
“O Senhor Deus me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem. O Senhor Deus me abriu os ouvidos, e eu não fui rebelde; não me retirei para trás. As minhas costas ofereci aos que me feriam, e a minha face aos que me arrancavam os cabelos; não escondi a minha face dos que me afrontavam e me cuspiam. Porque o Senhor Deus me ajuda, assim não me confundo; por isso pus o meu rosto como um seixo, porque sei que não serei envergonhado. Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim. Eis que o Senhor Deus me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles como roupas se envelhecerão, e a traça os comerá. Quem há entre vós que tema ao SENHOR e ouça a voz do Seu servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do SENHOR, e firme-se sobre o seu Deus.” – Isaías 50:4-10
LEITURAS DE HOJE
Salmo 116; Isaías 50:4-10
Tiago 2:1-5; Marcos 8:27-38
NOTAS
[1] Salmo 121:1-8; 124:8; Gênesis 1:1; 2Coríntios 3:5; Romanos 2:11; Efésios 6:9; Colossenses 3:25; Tiago 2:1,4
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1487
ROSS, ALEXANDER. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1391. Reimpressão
[2]Romanos 7:15-23; 8:5-8,13; João 6:63; 2Coríntios 3:5,6; João 6:37-40,44-46,57,65; 1:4,5
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1228, 1240, 1241
[3] João 1:1-14; 1Coríntios 10:24-27,12,13; Romanos 8:37; 1Coríntios 15:57; João 16:33; 17:15; Marcos 8:27-29; Romanos 8:31,37; João 4:23,24; Salmo 116:3b,8
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paluo: Cultura Cristã, 2007. p. 65, 66
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1356, 1357
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1206. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 399
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1004, 1005. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.601. Reimpressão
DIANTE DOS desafios a que estamos expostos todos os dias da nossa vida – e olha que são muitos! –, muitas vezes, até parece que esta lide nunca terá fim, posto que estamos tão envolvidos neles que nem vemos o final deste túnel, muito menos a tão esperada e famigerada luz. Diante de tão exaustiva situação, às vezes nos tornamos ainda mais frágeis, muito mais impotentes do que já fomos, ou que ainda somos, perante outras ocasiões, posto que não somos nenhum super-homem, por mais que pensamos ou que nos arroubamos que somos ou por mais metidos a besta que queiramos, tendo em vista tanta propaganda enganosa em torno deste assunto supervalorizando o antropocentrismo, que, no final das contas, ou melhor, no final dos nossos dias, veremos que aqueles super-heróis da mídia são muito melhores do que nós mesmos porque, embora inventados pelo próprio homem, eles não passam de um grande sonho daquilo que almejávamos na vida real. Super-heróis? Super-homens? Ledo engano! Haja vista tantas crianças que na sua vasta, mas ingênua, criatividade tentam imitá-los, e se esborracham pela janela abaixo, esboroando-se, deixando apenas uma triste história nas cenas de uma tragédia de um catastrófico e último ato, ou seja, levando consigo o fim de um sonho para toda a eternidade. Embora todos estejam no direito de terem os seus sonhos – porque sonhar também faz parte desta vida –, mesmo assim, sonhos não passam de apenas sonhos, se não os transformarmos em realidade; se, na prática, não os concretizarmos. Aí é que a coisa pega, porque é aí que temos que suar a nossa camisa e mostrarmos o que somos, ou a que viemos, para não tornarmos tais sonhos em pesadelo. Temos que praticar os nossos melhores dons, conforme os desígnios dAquele que nos incumbiu que os praticássemos com vistas aos objetivos para cada um de nós por Ele projetados. Daí, voltarmos aos nossos desafios, à nossa realidade do dia a dia que, mesmo sacrificante, é bem melhor, já que esta nossa vida não é nenhum faz de conta, muito menos um mar de rosas, mas que, no final das contas, vivemos pela causa de alguma vitória, mesmo que nem sempre tenhamos a chance de vencer tudo numa única largada. Muita vez a derrota significa uma grande vitória, um enorme estágio para um importante aprendizado, uma reflexão de que estávamos necessitando para botarmos os pés nos trilhos e começarmos tudo de novo, de uma outra forma, bem mais amadurecida. E para que consigamos tal vitória, imprescindivelmente, é necessário que passemos por lutas, às vezes, terríveis, que parecem não ter fim. Mas isto é a vida, ou não é? Vida fácil? Balela. Superpoderes, sonhos, vitórias ou derrotas à parte, poderoso mesmo é somente Deus, que de tudo nos provê em favor do nosso bem-estar, natural e espiritual; que é o Criador do céu e da terra, e de tudo o que neles há; e de Quem vem a nossa capacidade e o nosso socorro a todo tempo que clamarmos, não importam as circunstâncias, porque nEle não há acepção de pessoas. Ele não nos julga com parcialidade, como nós, seres humanos, errônea e costumeiramente nos portamos. Os especialistas confirmam que, embora Deus nos chame para discernir e discriminar entre o bem e o mal, uma distinção baseada sobre meras exterioridades, tais como status econômico, diferenças étnicas e coisas semelhantes, é vista como uma forma pervertida de juízo. Todos somos preciosos para Deus, ricos e pobres, negros e brancos, vermelhos e amarelos, dentre tantos outros contextos e matizes, no sentido de irmandade cristã, ensinada pelo próprio Senhor Jesus.
Basta uma pitada de fé, e a nossa vida se transformará para sempre por uma ação divina e eficaz operada pelo Santo Espírito de Deus para nunca mais desandarmos num passado nebuloso, covarde, e sem sentido para com as coisas espirituais, já que a carne é podre – pelo menos apodrecerá em pouquíssimo tempo; e fenecerá. “O espírito é que vivifica, a carne para nada aproveita”, ensina o Senhor Jesus, numa estreita cooperação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo com relação à condução à fé de todos aqueles que Deus escolheu redimir, já que a redenção dos eleitos é certa, e o Filho promete aceitar qualquer um que crê verdadeiramente. Só as coisas do espírito é que nos revigoram com o tônico da vida eterna, renovando-nos em abundância, cotidianamente, pela graça de Deus, não por merecimento nosso, longe das mesquinharias da carne cujos dias já estão contados nesta vida de lamúrias. Só o espírito é que permanece para toda a eternidade, carregando em si as consequências das práticas dos tempos da carne. Com propostas diametralmente opostas, como a luz e as trevas que, em termos de uma luta entre as forças da fé e as da descrença, a carne e o espírito jamais se resolverão de comum acordo, daí, carecermos do alerta sobre a escolha entre um ou outro caminho, seguindo em constante vigilância na rota desta nova vida neste mundo atribulado, posto que, depois, só mesmo o juízo de Deus naquele dia aprazado.
Diante de tanto contrassenso e tentações neste mundo, o próprio Senhor Jesus ainda continua sendo a nossa única esperança, quer queira ou não os incrédulos e seus similares, já que este mesmo Jesus é a encarnação da própria Palavra de Deus tão insistentemente propalada desde os tempos mais remotos, e até mesmo antes da fundação do mundo, dado o soberano conhecimento do SENHOR nosso Deus sobre os nossos percalços, posto ser sabedor de todas as coisas como elas realmente se dão, passadas, presentes e futuras, e em suas reais relações, segundo Berkhof: “Ele [Deus] conhece a essência oculta das coisas, em que o conhecimento do homem não pode penetrar. Ele [Deus] não vê como vê o homem, que só observa as manifestações externas da vida, mas penetra as profundezas do coração humano.” Portanto, que nos vigiemos em estarmos em pé, cuidando-nos para não cairmos, como um atleta que toma o devido cuidado para chegar vitorioso ao final de cada modalidade das suas competições. Se somos verdadeiramente crentes em Cristo, se sabemos que fiel é Deus que não nos permitirá que sejamos tentados além das nossas forças, estaremos seguros na certeza de que, juntamente com as tentações, o Senhor nos proverá livramento, de sorte que possamos suportar quaisquer agruras deste mundo cruel. Mas, segundo estudiosos, tal confiança deve-se estear nas promessas de Deus e na fiel aderência às condições nelas implícitas. Afirmam ainda que a tentação sempre nos força por afastar-nos do modo correto de vida, entretanto, Deus sempre guarda o crente neste particular, e se este crente se apoiar em Deus, encontrará meio de escapar, tornando-se mais que vencedor por meio dAquele que nos amou primeiro, e que, por isso mesmo, devemos aclamar tal qual o apóstolo Paulo: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” E quem é este Jesus Cristo para cada um de nós? Quem é Jesus Cristo para mim? Quem é Jesus Cristo para você, para o nosso vizinho, para nossa família, nossos filhos, nosso país? Além de ser Aquele que venceu o mundo, que alertou a Seus discípulos que por meio dEle é que se tem a verdadeira paz, posto que neste mundo teremos aflições, este mesmo Jesus Cristo também confia na vontade do Seu próprio Pai, o Qual está sempre com Ele. Mais ainda, revela que o alicerce da nossa fé deve ser posto na Sua vitória sobre as forças das trevas. Assim, encoraja os Seus discípulos, dizendo: “Tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Tudo isso serve para cada um de nós também. São exemplos dos portais da nossa fé tão ameaçada hoje em dia, e que também servem para todos nós diante de tanta banalidade, mas que, inspirados pelo Espírito também possamos proclamar como fez Pedro em nome dos seus irmãos desta mesma fé quando Jesus lhe inquiriu sobre o que eles pensavam quem era o Senhor Jesus na opinião de cada um deles: “Tu és o Cristo.” Foi esta a resposta convicta de Pedro. Será que já estamos prontos para receber uma inspiração tão profunda e real a ponto de declararmos diante de todos em nosso derredor, seja lá onde estivermos, e na hora adequada, uma afirmação deste porte que possa convencer a todos os demais e levá-los a compartilhar e também a acreditar conosco nas maravilhas desta nossa fé, desta nossa confissão, assim, rasgada, de peito aberto, sem nenhum fanatismo religioso da boca para fora ou intenção outra senão a de que somos sincera e intimamente convencidos por uma ação divina do Espírito de Deus? Quão extraordinário é reconhecer nesse Jesus o Messias, o Salvador do Qual todos os profetas falaram e que todos nós, na nossa quase totalidade, esperamos! Quão admirável é confessarmos abertamente, e de dentro do nosso coração, ou seja, francamente, que esse Jesus Cristo é o Filho de Deus, o nosso único Advogado, o nosso único intercessor entre nós e o Pai – e não mais outro nem mais ninguém nem qualquer outra coisa, aqui sem nenhum fruto de pura emoção, mas racionalmente, ou seja, em espírito e em verdade! Só assim é que poderemos enfrentar qualquer desafio, venha de onde vier, posto que o nosso Deus é bem maior que as coisas deste mundo, e poderoso para nos livrar. “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” À luta, pois, já que somos mais que vencedores pelo amor deste SENHOR nosso Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor. À luta, pois!... É o SENHOR que nos livra a nossa alma da morte, os nossos olhos das lágrimas, e os nossos pés da queda; nEle, pois, não há derrota alguma.
REFLEXÃO DE HOJE
“O Senhor Deus me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem. O Senhor Deus me abriu os ouvidos, e eu não fui rebelde; não me retirei para trás. As minhas costas ofereci aos que me feriam, e a minha face aos que me arrancavam os cabelos; não escondi a minha face dos que me afrontavam e me cuspiam. Porque o Senhor Deus me ajuda, assim não me confundo; por isso pus o meu rosto como um seixo, porque sei que não serei envergonhado. Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim. Eis que o Senhor Deus me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles como roupas se envelhecerão, e a traça os comerá. Quem há entre vós que tema ao SENHOR e ouça a voz do Seu servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do SENHOR, e firme-se sobre o seu Deus.” – Isaías 50:4-10
LEITURAS DE HOJE
Salmo 116; Isaías 50:4-10
Tiago 2:1-5; Marcos 8:27-38
NOTAS
[1] Salmo 121:1-8; 124:8; Gênesis 1:1; 2Coríntios 3:5; Romanos 2:11; Efésios 6:9; Colossenses 3:25; Tiago 2:1,4
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1487
ROSS, ALEXANDER. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1391. Reimpressão
[2]Romanos 7:15-23; 8:5-8,13; João 6:63; 2Coríntios 3:5,6; João 6:37-40,44-46,57,65; 1:4,5
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1228, 1240, 1241
[3] João 1:1-14; 1Coríntios 10:24-27,12,13; Romanos 8:37; 1Coríntios 15:57; João 16:33; 17:15; Marcos 8:27-29; Romanos 8:31,37; João 4:23,24; Salmo 116:3b,8
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paluo: Cultura Cristã, 2007. p. 65, 66
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1356, 1357
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1206. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 399
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1004, 1005. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.601. Reimpressão
terça-feira, 8 de setembro de 2009
ABRE-TE!
“E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te. E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente” – Marcos 7:34,35
OU COMO PESSOA, individualmente falando, ou mesmo como nação ou como qualquer outra das nossas comunidades ou instituições de hoje, estamos sempre envolvidos com as nossas próprias linguagens como se estivéssemos sido encaixados em compartimentos muita vez adaptados a nossas próprias considerações, apreciações estas eivadas de julgamentos, manias e conflitos por nós mesmos inventados, talvez com medo de sermos atingidos por situações diferentes das que já estamos acostumados, desconstruindo, assim, antigos e vigentes conceitos. Situações estas que nós mesmos designamos por conta de uma pseudofelicidade, de acordo com o que cada um de nós pensa sobre o que vem a ser um genuíno e pleno conforto para nós mesmos e também, quem sabe, para os outros. Com receio de um mal-estar geral, talvez até mesmo por pura ignorância ou por ações do maligno, metemo-nos nas brenhas das tradições, costumes, segredos e tantos outros códigos gerados por nós mesmos com o intuito de garantirmos a nossa própria sobrevivência doa a quem doer neste mundo abarrotado de tantas ciladas. Em geral, fazemo-nos prisioneiros de nós mesmos sem condições de enxergar a realidade das coisas em nossa volta, tornando-nos reféns de quem jamais pensávamos que pudesse ser detentor de tal poder. Não vigiamos, deixando-nos seduzir pelos artifícios dos nossos opositores. Não tomamos as devidas precauções, e subestimamos os outros como se estivéssemos por cima de todas as coisas, desconsiderando até mesmo os possíveis falsos líderes. Não que não devamos lutar persuasiva e insistentemente por aquilo que cremos, se é que temos alguma fé pela qual valha a pena persistir. Como se fôssemos inatingíveis, referendamos o que pensávamos que jamais poderia nos alcançar ou, um dia, deteriorar-se. Assim, perdendo a nossa referência, caímos num mesmo saco de pancadas nesta guerra dos mundos que parece não ter fim. O grande dilema é se estamos prontos para encararmos sozinhos tantos infortúnios ou se estamos neste mundo como se cada um fosse e agisse apenas e tão somente para si mesmo ou como se fôssemos todos para cada um de nós ao mesmo tempo. E daí, como é que ficamos? Depende de cada um de nós? Mas, será que cada um de nós, acostumado com o seu contexto de cada dia, tem condições de se levantar contra toda a nossa inércia, natural e espiritual? Será?! Haja vista o cenário que estamos experimentando em nossos dias, até mesmo do lado de dentro da nossa própria porta, e as peripécias deste mundo para poder se autossustentar diante de tantos desafios e derrocadas provocados pelas posturas do próprio homem. E isto vem desde que o mundo é mundo, principalmente quando nele entraram os homens com suas histórias mirabolantes; com o seu histórico corrupto, e decaído, há muito tempo!... Eis o contraste entre os sábios e os insensatos. Enquanto aqueles percebem o lado positivo de uma mudança, de uma correção, não vivem na defensiva, não se ofendem facilmente, e, por meio da humildade, responsavelmente, se emendam, e crescem. Os outros, porém, por sua vez, resistem ou até mesmo odeiam mudanças ou admoestações; egoisticamente, persistem de olho no seu próprio umbigo. Mas por onde anda a nossa sabedoria?
A Bíblia diz que o temor de Deus é o princípio da sabedoria, e, destacando o seu valor, compara esta sabedoria com os mais desejáveis símbolos da riqueza, porém, advertindo contra o materialismo, obviamente. “Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento; se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o SENHOR dá a sabedoria; da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento” É Deus que nos provê as necessidades para a devida interpretação da nossa realidade. Até que ponto estamos sensíveis a isso ou será que somos tão surdos e mudos em relação a estes princípios tão básicos que não necessitamos de uma palavra amiga, de alguém que nos oriente, de alguém que nos conduza a algum conhecimento que nos edifique, ou até mesmo, e mais ainda, da própria Palavra de Deus? O salmista diz que a Palavra de Deus é lâmpada para seus pés e luz para seu caminho. Que tal fazermos nossas estas sábias palavras, já que a revelação de Deus, por meio de Sua Palavra, ou seja, do Seu próprio Evangelho, provê o discernimento que nos guia, fazendo com que não tropecemos nas trevas, assim como considerava o próprio salmista? Que tal abrirmos o nosso coração e deixarmos Deus trabalhar dentro de nós, partindo do mais íntimo do nosso ser, pela obra transformadora do Seu Espírito, e, daí, contagiarmos todo o nosso derredor? Que beleza, não?! Esta é a única obra que pode mudar o homem; mudar você, a mim, e a todos nós, e, portanto, mudar o mundo. Você crê nisso? Então, arregacemos as mangas, e mãos à obra!
Na epístola de Tiago – analisada pelos especialistas como uma pequena obra, mas rica em conselhos práticos do começo ao fim, posto que é considerada como literatura de sabedoria, uma diatribe e uma exortação moral – , ao ensinar uma cristologia elevada e destacar a importância de lidar com a aflição do ponto de vista da fé, logo no início, o autor nos convida à prática da Palavra de Deus, já que fomos gerados para uma nova vida pela Palavra da Verdade, ou seja, o Evangelho, segundo a vontade de Deus, para que fôssemos como primícias das Suas criaturas. E esta é uma dádiva que procede do Pai das luzes, em Quem não há mudanças nem sombra de variação, pois permanece para sempre, diferentemente dos luzeiros do firmamento que variam em magnitude e são sujeitos a fases, eclipses e sombras. Ou seja, em Deus, como autor da luz, não há variações de brilho ou claridade. Não existem flutuações em Seu caráter, concluem os estudiosos. Em Deus não há meias palavras, titubeações ou quaisquer outras oscilações tão bem conhecidas em nosso meio, ou seja, em toda a humanidade. Com Ele é sim, sim, não, não, e ai de quem não seguir as Suas ordens! Os Seus mandamentos só falam de amor, e de obediência. De um amor sem igual, e sincero, que deve partir de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso pensamento, ou seja, de todo o nosso ser, sem hipocrisias. Primeiro, devemos amar a Deus como nosso Senhor sobre todas as demais coisas, e, depois, a nosso próximo, ao qual devemos amar como amamos a nós mesmos, incluindo aí até os nossos inimigos. É o próprio SENHOR nosso Deus que manda fazer isso. “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem (...).” Difícil isso? Experimentemos as riquezas deste amor de Deus! Se assim o fizermos, faremos como os filhos dAquele que está nos céus, já que pela graça da regeneração fomos adotados na família de Deus, e os filhos de Deus não andam por aí, costumeiramente, pisando na bola, como dizem por aí quando se fazem coisas erradas. “E sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos”, continua, alertando-nos em sua epístola, com toda a sua autoridade de apóstolo-líder da Igreja de Jerusalém e um dos pilares da Igreja de Cristo, juntamente com Pedro e João, e irmão do Senhor Jesus – o Seu discípulo e presbítero Tiago. Não é fácil tomarmos certas decisões em nossa vida, mas elas têm que ser tomadas quando devem ser tomadas, se não quisermos viver na cegueira, ou surdos e mudos para sempre, pagando pela nossa omissão, ou mesmo covardia, sem direito a provar as delícias dos novos céus e da nova terra reservadas a todo aquele que crê que o único Redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus, exemplo da maior prova de amor que Deus nos deu. E por acreditar nisso, e para deleite dos incrédulos, o próprio Tiago – também conhecido como “Tiago, o Justo” – foi martirizado depois que lhe bateram até a morte com uma clava depois de ter sido atirado do parapeito do templo por testificar sua piedade, seu zelo pela obediência à lei de Deus e sua singular devoção à oração, e depois de cumprir a sua missão, seguindo os passos de seu Mestre que a todos maravilhavam ao fazer o bem, fazendo ouvir os surdos e falar os mudos, abrindo-nos uma nova visão para uma nova vida ao ouvirmos a Palavra de Deus, curando-nos com o milagre de abrir-nos os nossos ouvidos, a nossa boca e o nosso coração, fazendo-nos entender que o cristão, não importa qual o seu segmento, não é somente aquele que pode escutar o Evangelho do Senhor Jesus, mas é também aquele que anuncia a Sua mensagem salvadora em alto e bom tom por este mundo afora, sem nenhum segredo nem tergiversação; mas também sem ser nenhum agente secreto.
REFLEXÃO DE HOJE
“TODA A BOA dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não há mudanças nem sombra de variação. Segundo a Sua vontade, Ele nos gerou pela Palavra da Verdade, para que fôssemos como primícias das Suas criaturas. Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a Palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. E sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” – Tiago 1:17-22
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:113-120; Provérbios 9:8-12
Tiago 1:17-22; Marcos 7:31-37
NOTAS
[1] Marcos 13:32-37; 14:38; Atos 20:30,31; Efésios 6:18-20; Colossenses 4:2-6; Apocalipse 16:15; Provérbios 9:7-9; 1Coríntios 1:17-25
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1427,1428
[2] Provérbios 9:10; 2:1-6; 3:14,15; 8:19-21; Jó 28:12,17; Salmo 119:105
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p. 705,728,736, 738
[3] Tiago 1:17-22; 1Pedro 1:23; Levítico 19:18; Deuteronômio 6:5; Tiago 5:12; Mateus 5:37; 22:36-40; Romanos 13:9; 1Coríntios 13:1-13; Mateus 5:43-48; Levítico 19:2; 1Pedro 1:15,16; Atos 15; Gálatas 1:19; 2:9; Mateus 13:55; Marcos 6:3; 1Coríntios 15:7;
João 3:16; Marcos 7:32,34-37
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1485
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 380, 391-395
ROSS, ALEXANDER. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1390. Reimpressão
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 26. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1003. Reimpressão
OU COMO PESSOA, individualmente falando, ou mesmo como nação ou como qualquer outra das nossas comunidades ou instituições de hoje, estamos sempre envolvidos com as nossas próprias linguagens como se estivéssemos sido encaixados em compartimentos muita vez adaptados a nossas próprias considerações, apreciações estas eivadas de julgamentos, manias e conflitos por nós mesmos inventados, talvez com medo de sermos atingidos por situações diferentes das que já estamos acostumados, desconstruindo, assim, antigos e vigentes conceitos. Situações estas que nós mesmos designamos por conta de uma pseudofelicidade, de acordo com o que cada um de nós pensa sobre o que vem a ser um genuíno e pleno conforto para nós mesmos e também, quem sabe, para os outros. Com receio de um mal-estar geral, talvez até mesmo por pura ignorância ou por ações do maligno, metemo-nos nas brenhas das tradições, costumes, segredos e tantos outros códigos gerados por nós mesmos com o intuito de garantirmos a nossa própria sobrevivência doa a quem doer neste mundo abarrotado de tantas ciladas. Em geral, fazemo-nos prisioneiros de nós mesmos sem condições de enxergar a realidade das coisas em nossa volta, tornando-nos reféns de quem jamais pensávamos que pudesse ser detentor de tal poder. Não vigiamos, deixando-nos seduzir pelos artifícios dos nossos opositores. Não tomamos as devidas precauções, e subestimamos os outros como se estivéssemos por cima de todas as coisas, desconsiderando até mesmo os possíveis falsos líderes. Não que não devamos lutar persuasiva e insistentemente por aquilo que cremos, se é que temos alguma fé pela qual valha a pena persistir. Como se fôssemos inatingíveis, referendamos o que pensávamos que jamais poderia nos alcançar ou, um dia, deteriorar-se. Assim, perdendo a nossa referência, caímos num mesmo saco de pancadas nesta guerra dos mundos que parece não ter fim. O grande dilema é se estamos prontos para encararmos sozinhos tantos infortúnios ou se estamos neste mundo como se cada um fosse e agisse apenas e tão somente para si mesmo ou como se fôssemos todos para cada um de nós ao mesmo tempo. E daí, como é que ficamos? Depende de cada um de nós? Mas, será que cada um de nós, acostumado com o seu contexto de cada dia, tem condições de se levantar contra toda a nossa inércia, natural e espiritual? Será?! Haja vista o cenário que estamos experimentando em nossos dias, até mesmo do lado de dentro da nossa própria porta, e as peripécias deste mundo para poder se autossustentar diante de tantos desafios e derrocadas provocados pelas posturas do próprio homem. E isto vem desde que o mundo é mundo, principalmente quando nele entraram os homens com suas histórias mirabolantes; com o seu histórico corrupto, e decaído, há muito tempo!... Eis o contraste entre os sábios e os insensatos. Enquanto aqueles percebem o lado positivo de uma mudança, de uma correção, não vivem na defensiva, não se ofendem facilmente, e, por meio da humildade, responsavelmente, se emendam, e crescem. Os outros, porém, por sua vez, resistem ou até mesmo odeiam mudanças ou admoestações; egoisticamente, persistem de olho no seu próprio umbigo. Mas por onde anda a nossa sabedoria?
A Bíblia diz que o temor de Deus é o princípio da sabedoria, e, destacando o seu valor, compara esta sabedoria com os mais desejáveis símbolos da riqueza, porém, advertindo contra o materialismo, obviamente. “Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento; se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o SENHOR dá a sabedoria; da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento” É Deus que nos provê as necessidades para a devida interpretação da nossa realidade. Até que ponto estamos sensíveis a isso ou será que somos tão surdos e mudos em relação a estes princípios tão básicos que não necessitamos de uma palavra amiga, de alguém que nos oriente, de alguém que nos conduza a algum conhecimento que nos edifique, ou até mesmo, e mais ainda, da própria Palavra de Deus? O salmista diz que a Palavra de Deus é lâmpada para seus pés e luz para seu caminho. Que tal fazermos nossas estas sábias palavras, já que a revelação de Deus, por meio de Sua Palavra, ou seja, do Seu próprio Evangelho, provê o discernimento que nos guia, fazendo com que não tropecemos nas trevas, assim como considerava o próprio salmista? Que tal abrirmos o nosso coração e deixarmos Deus trabalhar dentro de nós, partindo do mais íntimo do nosso ser, pela obra transformadora do Seu Espírito, e, daí, contagiarmos todo o nosso derredor? Que beleza, não?! Esta é a única obra que pode mudar o homem; mudar você, a mim, e a todos nós, e, portanto, mudar o mundo. Você crê nisso? Então, arregacemos as mangas, e mãos à obra!
Na epístola de Tiago – analisada pelos especialistas como uma pequena obra, mas rica em conselhos práticos do começo ao fim, posto que é considerada como literatura de sabedoria, uma diatribe e uma exortação moral – , ao ensinar uma cristologia elevada e destacar a importância de lidar com a aflição do ponto de vista da fé, logo no início, o autor nos convida à prática da Palavra de Deus, já que fomos gerados para uma nova vida pela Palavra da Verdade, ou seja, o Evangelho, segundo a vontade de Deus, para que fôssemos como primícias das Suas criaturas. E esta é uma dádiva que procede do Pai das luzes, em Quem não há mudanças nem sombra de variação, pois permanece para sempre, diferentemente dos luzeiros do firmamento que variam em magnitude e são sujeitos a fases, eclipses e sombras. Ou seja, em Deus, como autor da luz, não há variações de brilho ou claridade. Não existem flutuações em Seu caráter, concluem os estudiosos. Em Deus não há meias palavras, titubeações ou quaisquer outras oscilações tão bem conhecidas em nosso meio, ou seja, em toda a humanidade. Com Ele é sim, sim, não, não, e ai de quem não seguir as Suas ordens! Os Seus mandamentos só falam de amor, e de obediência. De um amor sem igual, e sincero, que deve partir de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso pensamento, ou seja, de todo o nosso ser, sem hipocrisias. Primeiro, devemos amar a Deus como nosso Senhor sobre todas as demais coisas, e, depois, a nosso próximo, ao qual devemos amar como amamos a nós mesmos, incluindo aí até os nossos inimigos. É o próprio SENHOR nosso Deus que manda fazer isso. “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem (...).” Difícil isso? Experimentemos as riquezas deste amor de Deus! Se assim o fizermos, faremos como os filhos dAquele que está nos céus, já que pela graça da regeneração fomos adotados na família de Deus, e os filhos de Deus não andam por aí, costumeiramente, pisando na bola, como dizem por aí quando se fazem coisas erradas. “E sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos”, continua, alertando-nos em sua epístola, com toda a sua autoridade de apóstolo-líder da Igreja de Jerusalém e um dos pilares da Igreja de Cristo, juntamente com Pedro e João, e irmão do Senhor Jesus – o Seu discípulo e presbítero Tiago. Não é fácil tomarmos certas decisões em nossa vida, mas elas têm que ser tomadas quando devem ser tomadas, se não quisermos viver na cegueira, ou surdos e mudos para sempre, pagando pela nossa omissão, ou mesmo covardia, sem direito a provar as delícias dos novos céus e da nova terra reservadas a todo aquele que crê que o único Redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus, exemplo da maior prova de amor que Deus nos deu. E por acreditar nisso, e para deleite dos incrédulos, o próprio Tiago – também conhecido como “Tiago, o Justo” – foi martirizado depois que lhe bateram até a morte com uma clava depois de ter sido atirado do parapeito do templo por testificar sua piedade, seu zelo pela obediência à lei de Deus e sua singular devoção à oração, e depois de cumprir a sua missão, seguindo os passos de seu Mestre que a todos maravilhavam ao fazer o bem, fazendo ouvir os surdos e falar os mudos, abrindo-nos uma nova visão para uma nova vida ao ouvirmos a Palavra de Deus, curando-nos com o milagre de abrir-nos os nossos ouvidos, a nossa boca e o nosso coração, fazendo-nos entender que o cristão, não importa qual o seu segmento, não é somente aquele que pode escutar o Evangelho do Senhor Jesus, mas é também aquele que anuncia a Sua mensagem salvadora em alto e bom tom por este mundo afora, sem nenhum segredo nem tergiversação; mas também sem ser nenhum agente secreto.
REFLEXÃO DE HOJE
“TODA A BOA dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não há mudanças nem sombra de variação. Segundo a Sua vontade, Ele nos gerou pela Palavra da Verdade, para que fôssemos como primícias das Suas criaturas. Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a Palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. E sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” – Tiago 1:17-22
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:113-120; Provérbios 9:8-12
Tiago 1:17-22; Marcos 7:31-37
NOTAS
[1] Marcos 13:32-37; 14:38; Atos 20:30,31; Efésios 6:18-20; Colossenses 4:2-6; Apocalipse 16:15; Provérbios 9:7-9; 1Coríntios 1:17-25
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1427,1428
[2] Provérbios 9:10; 2:1-6; 3:14,15; 8:19-21; Jó 28:12,17; Salmo 119:105
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p. 705,728,736, 738
[3] Tiago 1:17-22; 1Pedro 1:23; Levítico 19:18; Deuteronômio 6:5; Tiago 5:12; Mateus 5:37; 22:36-40; Romanos 13:9; 1Coríntios 13:1-13; Mateus 5:43-48; Levítico 19:2; 1Pedro 1:15,16; Atos 15; Gálatas 1:19; 2:9; Mateus 13:55; Marcos 6:3; 1Coríntios 15:7;
João 3:16; Marcos 7:32,34-37
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1485
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 380, 391-395
ROSS, ALEXANDER. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1390. Reimpressão
O Breve Catecismo de Westminster. 2.ª ed. Trad. por Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 26. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.1003. Reimpressão
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