HÁ QUASE 500 anos a Igreja medieval passava por uma situação vexatória de escândalos, e de campanhas enganosas, como bem sintetizava naquela época um jingle que se tornou popular por meio de seu principal maquinador, o monge dominicano Johannes Tetzel, que se fazia ouvir em praças públicas diante de ingênuas multidões: “Assim que a moeda no cofre tilintar, a alma do purgatório irá saltar”. Estes eventos tiveram seu auge por volta do outono de 1517 quando Tetzel prometia a seus ouvintes que estes poderiam obter a remissão dos pecados de seus entes queridos que já haviam morrido e ido para o purgatório. O purgatório, segundo os ensinos escatológicos das Igrejas Católica Romana e Ortodoxa Grega, é o lugar para onde vão as pessoas que, em vida, não foram santas o suficiente para irem diretamente para o céu, nem más o bastante para serem condenadas ao inferno, e que, por isso mesmo, por um processo de experiências purificadoras, estas pessoas são preparadas para o céu. O purgatório era um lugar de punição temporal pelos pecados, e o tempo que a pessoa deveria passar lá seria determinado pelo número e gravidade das ofensas. Quando uma pessoa tivesse sido completamente purgada ela seria liberada para ir para o céu.
Mesmo diante de algo tão grosseiro, que se não fosse verdade, seria cômico, se se tomar como alicerce as Sagradas Escrituras, as pessoas apareciam de todos os lugares, procurando libertar seus queridos das chamas da punição, juntando seus bens e correndo até Tetzel para comprar estes documentos, já que Tetzel levava estas pessoas a crerem que podiam obter o perdão meramente ao colocarem suas moedas no caixa dele, e que elas levariam em troca os certificados oferecidos por ele. Era a famigerada venda de indulgências por parte do catolicismo romano que pretendia, com isso, financiar a construção da grande catedral de São Pedro, em Roma. O papa oferecia o perdão dos pecados para quem contribuísse financeiramente para o empreendimento. E as pessoas caíam no tão conhecido conto do vigário.
Pelo que se pode depreender disso tudo é que essa história já vinha de muito longe. Segundo o pastor e professor de história no Cedarville College, em Ohio, EUA, Dr. James E. McGoldrick, já nos anos 1460-1470, o papa Sixtus 4º declarava que os benefícios obtidos através das indulgências poderiam ser transferidos para os crentes que já haviam ido para o purgatório porque, de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica – ainda segundo dados do Dr. McGoldrick –, esta tem a custódia dos Tesouros dos Méritos que são adquiridos pelos grandes santos que haviam excedido as boas obras necessárias para a sua salvação. Esse excesso de méritos tornava-se uma fonte da qual a Igreja poderia distribuir méritos aos que estavam deficientes, e a indulgência tornou-se o meio pelo qual os pecadores necessitados poderiam obter méritos desta Tesouraria.
Diante de tais atitudes, vê-se que a Igreja havia se desviado dos ensinos do Evangelho. A Igreja havia se tornado totalmente corrupta. Mergulhada no luxo e riquezas, além de vender indulgências, cobrava altos impostos, e disputava o poder com o Estado romano. A autoridade papal havia se auto-outorgada acima da autoridade bíblica. O poder temporal havia tomado o lugar do espiritual. Criaram-se tribunais eclesiásticos para julgar as causas que se consideravam “matérias de fé”. Os apologistas, que deveriam ser os guardiães e defensores da fé, tornaram-se déspotas, e mandavam para o martírio grandes nomes que poderiam trazer muita contribuição, não somente para a teologia, mas também para a própria Igreja naqueles dias, e talvez futuramente.
Nestes tempos surgiram importantes grupos que se mantiveram na clandestinidade por causa do braço opressor e temporal dominante na Igreja. Ao longo da história destacam-se os valdenses, os albigenses ou cátaros, os anabatistas, e tantos outros. Mas no lugar em que a Igreja passava, ela deixava o rastro do martírio, da destruição, silenciando aqueles que se opusessem a qualquer uma de suas doutrinas e práticas, não importando por quais meios, somente pelo objetivo de se tornar uma igreja universal através do Império Romano. A Igreja havia perdido a sua visão de Reino de Deus e buscava o reino que Satanás ofereceu a Cristo no monte da tentação (Mt 4:8).
Muitos descontentes quiseram reformar aquelas estruturas em decomposição dentro da Igreja. Neste período conhecido como a “Idade das Trevas”, muitos homens tidos como pré-reformadores sofreram o martírio por testemunharem a sua fé. Séculos antes da Reforma propriamente dita, homens como João Wycliffe, na Inglaterra, João Huss, na então Tchecoslováquia, assim como Jerônimo Savanarola, Jerônimo de Praga, e tantos outros, já haviam dado suas vidas por se oporem a estes ensinamentos da Igreja de Roma. Todos estes pré-reformadores tinham motivos de sobra para combaterem toda esta gama de incoerências que contaminava a sã doutrina. Erasmo de Roterdã defendia que a Igreja precisava ser reformada porque havia abandonado os verdadeiros ideais cristãos. Afirmava que a vida era muito mais importante que a doutrina ortodoxa, e que os frades enquanto se ocupavam com distinções sutis levavam vidas escandalosas. Erasmo desejava a reforma dos costumes e a prática da decência e da moderação.
A oposição a esta Igreja corrompida e a seus falsos ensinamentos colheu seus frutos no século 16. Mas lá pelo final do século 15 já havia sinais de fincar seus rumos. Fatos importantes aconteceram neste período, coincidindo com a invenção da imprensa de onde surgiu um intenso interesse pelas letras. Muitos dos estudiosos passaram a se interessar pela leitura das Escrituras e sua tradução. Havia muita coisa escrita sobre as mazelas da Igreja de Roma. A invenção da imprensa com a arte tipográfica teve um impacto notável sobre as letras neste período. Os livros se tornaram mais acessíveis, e era possível reproduzirem-se em quantidades maiores aqueles livros mais apreciados da antiguidade. A exposição literária dos autores estava preservada porque se podia obter centenas ou milhares de cópias idênticas, sem rasuras, emendas ou outras distorções editoriais carentes de revisão.
Somando a esse despertar na literatura e na arte, Cristóvão Colombo, com o auxílio da bússola, havia erguido o véu que escondia os horizontes do Ocidente, descobrindo para o povo europeu um outro hemisfério. Vasco da Gama contornou o Cabo da Boa Esperança, abrindo, assim, uma nova rota para o comércio das Companhias das Índias. Além de um sentimento nacionalista que deu origem a Estados modernos como a França, a Inglaterra e os países escandinavos, que se uniram sob monarquias relativamente fortes, todos estes fatores contribuíram para preparar o caminho de uma reforma religiosa que estava prestes a irromper. Os eruditos afirmam que muitos dos principais intelectuais da época viam no passado imediato, e às vezes no presente, uma época de decadência com respeito à antiguidade clássica, e por esta causa se empenhavam em provocar um renascer desta antiguidade em voltar às suas fontes, e em imitar sua linguagem e estilo.
A isto se chamou de Renascimento, que foi um movimento intelectual e artístico surgido na Itália nos séculos 14 e 15, onde teve sua melhor expressão. Segundo os especialistas, o Renascimento não somente se inspirou nas fontes clássicas da literatura e arte, mas também nos séculos 12 e 13. Sua arte tinha profundas raízes no gótico. Sua forma de ver o mundo tinha muito a ver com a cosmovisão de são Francisco e de Cícero. Sua literatura se inspirou em parte aos cânticos medievais que os trovadores levavam de região para região.
Assim, chegamos à Reforma, e o herói dela foi Martinho Lutero – um filho de mineiro, que nasceu em Eisleben, na Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Sua família era pobre, mas gozava de respeito na comunidade. Lutero foi um monge católico-romano que, abraçando as idéias dos pré-reformadores, indignou-se, desafiou e protestou contra os abusos e as corrupções ligadas à venda de indulgências, e denunciou o ensino de que o perdão dos pecados poderia ser obtido através de “contrição, confissão e contribuição”, exigindo que toda esta questão fosse discutida pelos estudiosos da Universidade. Lutero convidou alguns colegas acadêmicos para um debate público a respeito das 95 Teses, ou objeções, que ele mesmo havia escrito sobre a venda de indulgências e proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517.
Foi assim que em 31 de outubro de 1517 Lutero afixou as suas 95 Teses na porta da Igreja do castelo de Wittenberg, Alemanha. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante. Lutero, então, iniciou um protesto que atraiu muitos seguidores, e logo os que se uniram a este protesto ficaram conhecidos como os “protestantes”, e as 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês já havia espalhado por toda a Europa.
A intenção de Lutero era reformar a Igreja Católica Romana, e, fazendo assim, estava desafiando a autoridade papal. Com a recusa da Igreja Católica Romana em dar ouvidos à chamada de Lutero para a reforma e retorno às doutrinas e práticas bíblicas, iniciou-se a Reforma Protestante, da qual surgiram quatro divisões ou tradições principais do protestantismo: Luteranos, Reformados, Batistas e Anglicanos; e Deus levantou homens piedosos em diferentes países para, mais uma vez, restaurar a Sua Igreja por todo o mundo.
Assim, a Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século 16 por Martinho Lutero, que, através da publicação de suas 95 Teses, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma no catolicismo. Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus, provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste Europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja de Roma foi o movimento conhecido como a “Contrarreforma”, ou “Reforma Católica”, iniciada no Concílio de Trento.
Os estudiosos afirmam que junto com a Reforma Protestante assentam-se quatro perguntas ou doutrinas básicas, que segundo criam reformadores protestantes como Martinho Lutero, Ulrich Zwinglio, João Calvino e João Knox, constituíam erro por parte da Igreja Católica Romana: Como uma pessoa é salva? Onde reside a autoridade religiosa? O que é a Igreja? Qual a essência do viver cristão? Tais questões estabeleceram o que seria conhecido como os princípios fundamentais da Reforma Protestante. São conhecidos como os Cinco Solas da Reforma, e era por estas cinco doutrinas bíblicas que os reformadores protestantes afirmaram sua opinião contra a Igreja Católica Romana, resistindo às ameaças que lhes eram feitas para que voltassem atrás nestes seus ensinamentos. Mas eles resistiam em nome da sua fé até mesmo ao ponto de morrerem por ela.
O professor Dr. McGoldrick, diz que de acordo com a definição do dicionário, a palavra “protestante” significa “um membro de algumas Igrejas cristãs que terminaram se separando da Igreja Católica Romana desde o século 16”, e que não é um termo pejorativo. A palavra é derivada do latim, da preposição “pro",que significa “para”, e o infinitivo “testare”, “testemunho”. “Protestante”, portanto, é “alguém que testemunha”. Um protestante é uma testemunha de Jesus Cristo e, consequentemente, da Palavra de Deus. O professor ensina que o protestantismo não é meramente o protesto contra a corrupção eclesiástica e o falso ensinamento; é o reavivamento, o renascer da fé bíblica, um renascer do cristão do Novo Testamento, com uma ênfase positiva sobre as doutrinas das Escrituras, graça e fé. Assim, utilizando a linguagem dos termos do latim do século 16, o protestantismo proclama Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus e Soli Deo Gloria.
Sola Scriptura
"Somente a Escritura". O protestantismo genuíno, em qualquer lugar, declara que a Bíblia, unicamente a Bíblia, é a autoridade da fé cristâ e de prática de vida, pois esta é a fé dos nossos pais, “a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3). Somente pelo padrão das Escrituras é que todos os ensinamentos e doutrinas da Igreja devem ser medidos.
Lutero, como um simples monge agostiniano e teólogo obscuro, sem fortuna nem poder, quando teve que provar sua fé, em abril de 1521, na pequena cidade alemã de Worms, diante de uma assembleia formada de bispos, arcebispos, príncipes do Império, representantes das cidades livres, e bem no alto, acima de todos, o augusto Carlos 5º, rei da Espanha e “Santo Imperador de Roma”, diante daquela assembleia toda imponente, vestido com seu capuz, de pé diante de uma mesa em que estavam os seus folhetos e tratados que defendia, disse: “Desde que vossa serena majestade e vossas senhorias buscam uma resposta simples, eu a darei assim, sem chifres nem dentes. A menos que seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou por mera razão (pois não confio nem no papa nem nos Concílios somente, pois é bem sabido que eles frequentemente erram e se contradizem), eu estou atado pelas Escrituras que já citei, e a minha consciência é escrava da Palavra de Deus. Eu não posso e não irei me retratar de nada, já que não é seguro nem correto agir contra a consciência”.
Uma das bandeiras da Reforma Protestante é que as Sagradas Escrituras são suficientes para assuntos de salvação e devem ser sempre a autoridade final, e não filosofias e tradição de homens ou decisões conciliares. O protestantismo renuncia a autoridade das tradições humanas. Quando Jesus debateu com os fariseus, e respondeu às suas críticas, Ele os acusou, dizendo: “[...] E assim invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mt 15:6). McGoldrick lembra que Jesus muitas vezes contradizia as tradições dos homens, mas Ele cumpria, mantinha e defendia a Palavra de Deus, e cita que no Sermão do Monte Jesus expôs a confiança dos judeus na tradição rabínica quando disse: “Ouvistes o que foi dito aos antigos [...]. Eu, porém, vos digo [...].” (Mt 5:21,22). “Desta maneira Jesus contradizia os ensinamentos tradicionais dos rabinos que haviam pervertido a Palavra de Deus através de falsas interpretações”, explica.
Como Paulo, os protestantes também acreditam que toda a Escritura é “inspirada por Deus”, que a Bíblia é o guia para a salvação e que através da Palavra escrita de Deus o crente torna-se “perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:17). Quando estava partindo para Jerusalém, onde sabia que enfrentava muitas perseguições, mas que sabia também que, depois de sua partida, “lobos vorazes” se infiltrariam na Igreja de Éfeso e não poupariam o rebanho (At 20:29), o apóstolo reconheceu o valor da Escritura. Ele recorda aos presbíteros de Éfeso: “Jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20:27).
Muitos afirmam que o resgate da Palavra de Deus talvez tenha sido o maior trunfo da Reforma Protestante na certeza de que nada pode substituir a pregação da Palavra de Deus numa época em que era impossível ao povo ler as Escrituras. Os reformadores conseguiram colocar a Bíblia na língua das pessoas, tornando-a acessível a todos. Os especialistas também concordam que a Reforma não somente possibilitou que todos tivessem acesso à Palavra, mas também que ela, a Palavra de Deus, tivesse o lugar de honra que possui de direito, e que todos pudessem interpretá-la corretamente, o que não significa que cada um pode interpretá-la a seu modo, satisfazendo os seus próprios interesses.
Portanto, em resumo, a Palavra de Deus é infalível e absolutamente suficiente para nos ensinar tudo o que precisamos saber sobre a salvação e sobre o próprio Deus, além de ser a única fonte suprema desse conhecimento. Nenhuma outra fonte deve ser aceita, apregoa a Reforma.
Sola Gratia
“Somente a Graça”. A ênfase aqui se dava em razão da doutrina católica vigente de que as boas obras ajudariam na salvação do homem. Durante a Reforma, os líderes protestantes e os teólogos geralmente concordavam que a doutrina da salvação da Igreja Católica Romana seria uma mistura de confiança na graça de Deus e confiança no mérito de suas próprias obras, comportamento este chamado pelos protestantes de sinergismo. A posição reformada é a de que a salvação é inteiramente condicionada a ação da graça de Deus; somente a graça através da regeneração unicamente promovida pelo Espírito Santo, em conjuto com a obra redentora de Jesus Cristo. Consequentemente, defendem que o homem, que é naturalmente pecador – daí as ideias de depravação total do gênero humano –, é salvo, única e exclusivamente, pela vontade e ação de Deus sobre aquele que Ele quer salvar, pois o homem, sem essa ação de Deus, jamais O buscaria por si mesmo. "Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus." (Rm 3:11).
A Bíblia diz claramente que o homem pecador não tem qualquer esperança de salvação através de seu próprio esforço: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:8,9). McGoldrick afirma que o protestantismo nega todos os esquemas de salvação que promovem o homem e suas atividades e cerimônias religiosas como meio de vida eterna e perdão. Insiste ainda que a salvação vem através do puro e imerecido favor de Deus, pela graça somente, já que os desejos pecaminosos levam o homem cada vez mais para longe de Deus, vivendo em pecado, amando o pecado, e se não for pela misericórdia de Deus, morrendo em pecado. Jesus disse: “[...] Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.” (Jo 8:34). Em sendo assim, o homem pensa que é livre, mas ele é escravo do pecado e de Satanás. Mas o homem possui um certo tipo de liberdade, entretanto, McGoldrick diz que ele é livre para fazer o que quer, mas o que ele quer mesmo é pecar!
A respeito da trágica condição do homem caído Lutero refletia e a descrevia assim: “Eu creio que não posso por minha própria razão ou força, acreditar em Jesus Cristo meu Senhor ou buscá-lO. Mas o Espírito Santo me chamou através do Evangelho, me iluminou pelos Seus dons, e me santificou e preservou na verdadeira fé. Da mesma maneira, Ele chama, reúne, ilumina e santifica toda a Igreja cristã da terra, e preserva a sua união com Jesus Cristo na verdadeira fé [...]” Ao pensar na justiça e na santidade do Senhor, Lutero via-se tão pecador que se sentia perdido e completamente impossibilitado se alcançar a Deus, até que compreendeu
Romanos 1:17, “O justo viverá por fé”, e toda a sua vida se transformou.
A opinião dos especialistas é que Lutero e os outros reformadores entenderam que o homem não precisa tornar-se justo por meio do cumprimento das obras da Lei para poder alcançar a vida eterna, pois isto ele jamais conseguiria, uma vez que ninguém nunca cumpriu a Lei de Deus (Rm 3:10,20; Gl 3:11). Eles entenderam que, tendo como base a justiça de Cristo, Deus pode e efetivamente declara justo aquele que crê. Os especialistas afirmam que esse ato de declarar justo é algo completamente gratuito, pois o homem nada fez para merecer isso, uma vez que tudo provém da obra e dos méritos do Senhor Jesus. Desta forma, a justiça de Cristo é colocada sobre nós como se fosse nossa. Lembram ainda que era isso que Paulo chama de “o Evangelho da graça de Deus” do qual ele queria testemunhar mesmo que lhe custasse a própria vida (At 20:24), e esse Evangelho da graça de Deus era a boa notícia de que os pecadores podiam ser salvos por meio da obra salvadora de Cristo feita por eles.
Enfim, afirma a doutrina bíblica que a salvação é somente pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristo por nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.
Sola Fide
“Somente a Fé”. Historicamente, conhecida como doutrina da justificação pela fé, afirma que a fé, e somente a fé, justifica o pecador, isto é, o declara justificado diante de Deus – e isto é exclusivamente baseado na graça de Deus, através somente da fé daquele que crê. Por causa da obra redentora do Senhor Jesus Cristo é que são perdoadas as transgressões da Lei de Deus. Ou seja, afirma que aquele que crê que Jesus é o Cristo, creu porque Deus lhe deu essa graça, e por essa graça, através dessa crença, dessa fé, é salvo dos pecados, e da condenação que receberia por causa dos pecados. Pela fé, aquele que crê compreende o sacrifício do Filho de Deus e os méritos. A retidão de Jesus Cristo é aplicada a esse pecador que crê. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.
A posição oposta afirma que aqueles que creem recebem perdão baseado apenas em suas boas obras. Tal posição é chamada de legalismo.
Se a salvação ocorre pela graça somente, a forma ou método de recebê-la é a fé somente. Segundo os eruditos, a Reforma, entretanto, apregoou que a fé é uma questão de confiança, não na eficácia ou no ensino da Igreja, mas no poder de Deus que pode salvar plenamente os que se aproximam dEle confiando nos méritos de Cristo. Esses mesmos estudiosos ainda afirmam que os reformadores deixaram muito claro que quem salva é Cristo e não a fé. Ressaltam que a fé não pode ser considerada uma pequena obra que, em última instância, tem poder de nos salvar, mas que é apenas o instrumento pelo qual nos apropriamos da salvação conquistada plenamente por Cristo. Porém, esses eruditos lembram que, ainda assim, alguns poderiam entender que a fé é uma pequena obra necessária para a salvação, não fosse o ensino inequívoco da Escritura de que mesmo a fé é um dom de Deus (cf. Ef 2:8,9; Rm 12:3; Jd 3).
Historicamente, o conceito de Sola fide foi a base para Martinho Lutero desafiar a cobrança de indulgências pela Igreja Católica Romana, e, por essa razão, é chamada de Princípio material da Reforma Protestante, enquanto que a doutrina Sola scriptura é considerada Princício formal.
Solus Christus
“Somente Cristo”. Significa que obtemos a salvação somente por meio de Cristo. Esta doutrina bíblica afirma que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus, o Pai. O Evangelho não é pregado se a obra substitutiva de Cristo não for declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não forem propostas.
Por isso mesmo é que se defendemos a primazia das Escrituras, ou a doutrina da sola scriptura, obrigatoriamente temos que nos apegar a Cristo somente, ou a doutrina do solus Christus, posto que somente pelo padrão das Escrituras é que todos os ensinamentos e doutrinas da Igreja devem ser medidos, como já foi dito, e Cristo é o Cabeça da Igreja. Cristo é o centro das Escrituras. Ele mesmo disse a alguns religiosos de Sua época: “Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam.” (Jo 5:39; cf. Lc 24:27). Nesta passagem fica claro que as Escrituras testificam de Cristo, fazendo-nos crer que a busca daqueles que se recusam a encontrar Cristo nas Escrituras é fútil, porque lhes falta a iluminação do Espírito Santo (2Co 3:6).
Os protestantes caracterizavam os dogmas relativos ao papa como representante de Cristo e chefe da Igreja sobre a terra, o conceito de mérito por obras e a ideia católica de um tesouro vindouro por causa das boas obras como uma negação de que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. As Escrituras dizem que “[...] há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Tm 2:5). A Bìblia de Estudo de Genebra diz que o ministério salvífico de Jesus Cristo se resume nesta afirmação de que Ele é “o Mediador entre Deus e os homnes”. Daí, “mediador” ser aquele que aproxima partes que estão sem comunicação e que podem estar alienadas, separadas ou em guerra uma com a outra. O Mediador deve tratar com ambos os lados, identificando-se com ambos, defendendo os interesses dos dois, e apresentando cada uma das partes com base na boa vontade. Foi assim que Moisés foi mediador entre Deus e Israel (Gl 3:19), falando a Israel da parte de Deus, quando Deus outorgou a Lei (Ex 20:18-21), e falando a Deus da parte de Israel, quando Israel pecou (Ex 32:9-33:17). Assim, Cristo é “o Mediador da nova aliança” (Hb 9:15; 12:24), o iniciador de um novo relacionamento de consciente paz com Deus, indo além daquilo que era conhecido segundo as disposições do Antigo Testamento para tratar com a culpa do pecado (Hb 9:11-10:18).
A Reforma diz não a todas as tentativas humanas de se chegar a Deus. Somente Cristo pode nos conduzir a Deus e nos dar a salvação. A despeito de quaisquer outras ideias extravagantes em voga principalmente nos dias de hoje, o ensino das Escrituras enfatizado pela Reforma é que Cristo é absolutamente necessário para a salvação. Paulo disse a seus presbíteros em Éfeso que jamais havia deixado de “anunciar coisa alguma proveitosa, de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus” (At 20:20,21). Atentar para os termos “arrependimento para com Deus” e “fé em nosso Senhor Jesus”, expressando que todos, sem exceção, devem vir a Deus da mesma maneira – em arrependimento pelo pecado (cf. At 26:20; Lc 24:47; Mc 1:15) e fé em Jesus Cristo, ou melhor, por intermédio de Jesus Cristo. Também nos leva a refletir que sem Cristo não há salvação, posto que se alguém não confiar na obra salvadora de Jesus, em hipótese alguma, poderá ser salvo.
Soli Deo Gloria
“Glória Somente a Deus”. É o princípio segundo o qual toda a glória é devida a Deus por Si só, uma vez que a salvação é efetuada exclusivamente através de Sua vontade e ação. Não só o dom da expiação de Cristo na cruz, mas também o dom da fé, criada no coração do crente pelo Espírito Santo. Esta doutrina afirma que a salvação pertence somente a Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória. Isto demonstra que como cristãos devemos glorificar sempre e somente a Ele, e devemos viver toda a nossa vida perante a face dEle, sob a autoridade dEle, e somente para a glória dEle, ressaltando, na opinião de David Wright, a justificação da sabedoria e do poder de Deus contra a usurpação papal e as religiões feitas por homens, honrando a transcendência soberana e a predestinação providencial divinas.
Segundo os reformadores, nada, ninguém, nenhum ser humano, ou outros seres quaisquer, mesmo os santos canonizados pelo catolicismo romano, os papas, e quaisquer outras autoridades eclesiásticas, ou laicas, são dignos de qualquer glória que lhes seja atribuída. Toda glória provém de Deus, que é digno dela. Portanto, não há espaço para a glorificação do homem na estrutura bíblica da salvação levantada pelos reformadores. Toda a glória deve ser dada a Deus, porque este é Seu objetivo, que não deve ser visto como um gesto de egoísmo divino, mas de amor divino, como anota a Bíblia de Estudo de Genebra, ratificando que Deus quer ser louvado por Seu caráter meritório e exaltado por Sua grandeza e bondade. Deus quer ser reconhecido por aquilo que Ele é, e este Seu propósito tem dois lados ou duas etapas. De um lado, Deus revela Sua glória em atos de livre generosidade; e, de outro, Seu povo responde com adoração, dando-Lhe glória com ações de graças por aquilo que tem visto e recebido. Segundo a Bíblia de Genebra, os seres humanos foram criados para essa recíproca comunhão de amor, e a redenção oferecida por Cristo torna isso possível para os que caíram.
Os estudiosos lembram que gastamos a maioria de nosso tempo como Narcisos, contemplando nossa própria imagem distorcida no espelho, e não vemos com nitidez a autêntica imagem de Deus em nossa vida, sem compreendermos quem realmente somos e quem Deus é, não percebendo que não temos alternativa a não ser nos prostrarmos e exaltarmos o Seu nome.
Finalizando
A hora de protestar. Enfim, são estas as bases da Reforma Protestante, cinco importantes e fundamentais doutrinas que nos alicerçam biblicamente quando se trata de testificar a razão da nossa fé, embora estas bases estejam sendo descartadas por muitos de nós nos dias de hoje, numa deslavada grosseria, desconsideração ou ignorância, propositadas ou não, se não para com o Absoluto e Soberano Triúno Deus e Sua Palavra, no mínimo, para com o sangue derramado daqueles que tanto lutaram para que pudéssemos libertar-nos daqueles dias de trevas, corrupção e manipulação de poderes, e vivermos até então usufruindo – se é que usufruimos mesmo – de todas aquelas bênções sem nenhum esforço de nossa parte.
Depois de mais de 500 anos do nascimento de Lutero, em 1483, e quase 500 anos depois que o próprio Lutero, naquele 31 de outubro de 1517 afixou as suas 95 Teses na porta da Igreja do castelo de Wittenberg, na Alemanha, abrindo, assim, um clarão para os novos tempos, e que refletiu em todo o mundo, parece que a Igreja de nossos dias está voltando para aqueles tempos da lamentável “Idade das Trevas”, tempos do atraso, tempos das falácias, das fábulas e vãs filosofias, ou algo parecido.
Assim como naqueles tempos, nos dias de hoje, nós, que dizemos que somos cristãos – às vezes até arrogantemente diante daqueles que necessitam avidamente de ouvir simplesmente e sem nenhuma tergiversação as maravilhas das boas-novas da salvação para uma real transformação de vida –, precisamos rever muitos dos nossos conceitos que se desviaram diametralmente daqueles defendidos pela Reforma Protestante, e agirmos como ela mesma ainda proclama, reformados, mas sempre reformando, ou seja, aproximando-nos sempre, e cada vez mais, da verdade absoluta anunciada nas Escrituras, que tanto os reformadores defenderam.
Evidente – como alguns já defendem em nossos dias, especulando sobre uma possível nova Reforma Protestante – que é muito importante avaliarmos a Igreja e seus ensinos nos dias de hoje, tendo como base as lições dos reformadores do século 16. De muitas formas, grande parte da cristandade precisa ser desafiada a retornar a essas doutrinas fundamentais de fé da mesma forma que os reformadores desafiaram a Igreja Católica Romana naqueles tempos, proclamando o genuíno Evangelho, ou seja, defendendo os cinco solas. Do contrário, devemos seguir o conselho do professor e estudioso de História da Reforma, Dr. James E. McGoldrick: “Se a Igreja da nossa geração não estiver fazendo isto, chegou a hora, novamente, de protestar!”
_____________________
Bibliografia
ANGLADA, Paulo. Calvinismo - As Antigas Doutrinas da Graça. São Paulo: Puritanos, 2000
_________ Sola Scriptura - A Doutrina Reformada das Escrituras. São Paulo: Puritanos, 1998
As 95 Teses. Trad. e ad. por R. Hasse; publicado pela Igreja Evangélica Luterana do Brasil. s/d
Bem-Vindo à Reforma. In: Revista Expressão A Essência da Fé - Introdução à Teologia Reformada. São Paulo: Cultura Cristã. s/d. p. 1-6
Bíblia de Estudo de Genebra; Antigo e Novo Testamentos. Edição Revista e Atualizada no Brasil. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. p. 932,1238, 1376, 1444, 1453
Confissão de Fé de Westminster. 18ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008
Graça e Fé. In: Revista Palavra Viva. São Paulo: Cultura Cristã. s/d. p. 1-20
HODGE, A. A. Confissão de Fé Westminster Comentada. Trad. por Rev. Valter Graciano Martins. São Paulo: Puritanos, 2008
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante
http://www.gotquestions.or/portugues-Protestante.html
http://www.monergismo.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/cinco_solas
- os quatro itens acima foram acessados em 13/8/2010
MCGOLDRICK, E. James. Três Princípios do Protestantismo. In: Jornal Os Puritanos, ano 2, nº 4, julho-agosto /1994. p. 4-9
SPROUL, R. C. Sola Gratia - A Controvérsia Sobre o Livre-Arbítrio na História. Trad. por Mauro Meister. São Paulo: Cultura Cristã, 2001
WRIGHT, David F. Protestantismo. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Editor: Walter A. Elwel. Trad. por Gordon Chow. São Paulo: Vida Nova, 1990. v. 3. p. 194-197
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
QUAL É A MINHA HISTÓRIA?
“Quando teu filho te perguntar [...], então dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito; porém o SENHOR, com mão forte, nos tirou do Egito [...]” - Deuteronômio 6:20a,21
NENHUM de nós vive como se tivesse surgido do nada. Como se tivesse caído de paraquedas no meio de um deserto plenamente inóspito, sem deixar nenhum rastro ou sinal de luz a ser seguido, em todos os sentidos, longe de todos e de tudo, assim, sem passado nem futuro, sem perspectivas de nada na vida. Nenhum de nós foi miraculosamente engendrado para ser jogado fora feito lixo. Ou qualquer coisa descartável, como se o Criador estivesse errado na fórmula. Ou para ser enclausurado no topo de um castelo cercado com fortalezas por todos os lados como um ser rejeitado e isolado que, absorvido pelo seu próprio ego, pensa estar distante das inquietações ou porquês deste mundo, mesmo sendo muitos destes quesitos até absurdos e evasivos. Nenhum de nós tem qualquer direito de imaginar-se não ser passível de quaisquer inquirições sobre as coisas desta vida ou sobre nós mesmos. Todos temos a nossa história, de um jeito ou de outro, edificante ou não, brilhante, opaca ou não. Ricos ou pobres, pretos ou brancos, crentes ou incrédulos, cristãos ou não, todos temos os nossos compromissos como uma carga - no bom sentido, é claro -, para transportar - até geneticamente falando -, levando-a adiante para quem estiver à nossa frente como uma geração de um futuro que por herança assumirmos. E todos temos este legado como um fio de uma meada ou o elo de uma corrente que deve permanecer continuamente esticado; interligado por todos os lados. Sem deixar a peteca cair, todos temos as nossas responsabilidades que devemos anunciar como um toque de um clarim no silêncio de cada madrugada qual uma marca registrada. Todos temos uma história para contar, seja ela escrita ou não, que, mesmo sendo cuidadosamente guardada no íntimo do nosso coração, um dia, de um jeito ou de outro, esta poderá vir à tona, e ser resgatada, sendo, assim, detonada como se faz com uma bomba até então camuflada, não importa por quais mídias ou intenções, ou por quais dispositivos seja manipulada. Assim é que o passado de cada um de nós aponta para o nosso futuro de acordo com o que agirmos no presente. Lógico que nada é tão estático e didaticamente exposto assim como uma estaca fincada no chão, irretocavelmente imutável, ali plantada de cara para as intempéries que vêm e vão sem piedade alguma a nosso encontro para, enfim, sermos destruídos ou remodelados sem mais nem menos até mesmo contra a nossa própria vontade. Ou mesmo como se fôssemos meros seres inúteis e alienados à espera da morte, sem nenhuma opção libertária - e por que não até libertina e mais nada?-, enlevados pelas ondas salobras destes nossos tempos, por mais que tentemos fazer algo que realmente valha a pena. Mas valer a pena para que? Por que, para quem e como? Qual é o verdadeiro sentido de tudo isso? Será que a minha vida realmente vale a pena? Será que ela faz ou tem algum sentido? Qual é a minha história? O que é que eu tenho para contar que possa passar para frente, e que possa servir de parâmetro positivo para alguém, para os meus descendentes como família, comunidade ou como nação, consuetudinariamente ou não? O que eu tenho feito para a minha geração, individualmente ou como comunidade ou como nação? O que é que eu tenho para passar para alguém que possa marcá-lo para sempre no sentido de edificação de uma vida melhor, natural e espiritual? Qual é a sua história? Será que vale a pena contá-la, agora e futuramente, para os meus e os seus filhos ou parentes, vizinhos ou amigos?
Há fatos em nossa vida que nos transformam para sempre, mas que também exigem de nós paciência e pertinácia para que não percamos o cerne daquilo a que nos predispomos a seguir como num teste de fogo enquanto estivermos neste período de passagem até alcançarmos o alvo pretendido. Corremos riscos, perdemos muito do que até então pensávamos que eram de tão especial importância para nós e de que jamais pretendíamos abdicar-nos. É como se estivéssemos sendo desbastados por uma lâmina tão fina cujo efeito fosse tão dolorido que nos penetra até o fundo do nosso ser, sangrando no mais sensível do nosso íntimo, mas que muita vez nem percebemos, e mesmo sofrendo, continuamos presos a tão duras penas. No entanto, nada entendemos, e lamentamos esconjuradamente, e continuamos lamentando e sofrendo, apenas e tão somente, patinando, como se estivéssemos chafurdados num imenso lamaçal, sendo que o problema - ou a solução, depende da avaliação de quem esteja passando por tais peripécias -, está tão próximo de nós ou ainda até dentro de nós mesmos. Nós é que devemos mudar de rota, parar e repensar, e seguir à risca as regras das nossas metas, e vencer, ou fixar-nos numa pista esburacada e obscura que não vai dar em lugar nenhum, desviando-nos pelos precipícios de uma trilha tortuosa, e nos perder para sempre. Tudo depende de uma atitude de nossa parte, por menor que seja, mas que tem que ser tomada na hora exata. Sob a liderança de Moisés, depois que foram libertados da escravidão egípcia, os israelitas atravessaram o mar Vermelho, peregrinaram por um período de 40 anos pelo deserto, passaram por várias gerações, até que os tempos de julgamento haviam terminado e Israel preparava-se para entrar na Terra Prometida, sendo que este percurso poderia ter sido percorrido em pouquíssimos meses. Os eruditos afirmam que foi um dos períodos mais críticos da história daquele povo, pois, além de enfrentarem novos e terríveis inimigos ainda se sujeitaram a duras provas, ratificando sofrimentos e tantas outras perdas por causa da sua idolatria, murmurações e rebeldia, mas que também foi ali neste percurso que eles foram sendo tratados e tiveram várias experiências com Deus que não desviava o Seu foco daquilo que pretendia fazer com este estranho povo. A nossa infidelidade não anula a fidelidade de Deus. O SENHOR nosso Deus nunca perde o foco de Seus planos, inclusive do que Ele tem para cada um de nós, assim como também do que Ele quer de cada um de nós, por mais estranhos que possamos ser. Só temos que entender e obedecer a Sua mensagem, e cumprir a nossa parte, conforme a vontade dEle. Depois, é seguir sempre em frente sem desviar de Suas pegadas. Reiteradamente, Deus sempre indica o caminho, e até mesmo onde nos embocaríamos, dependendo dos nossos passos e de como andarmos nele, por nossa própria conta ou segundo a aquiescência dEle. Se de maldições ou de bênçãos, eis o roteiro da nossa própria vida.
Assim como caminhava aquele povo, assim também caminha a humanidade, e assim andamos todos nós ainda hoje, debaixo dos auspícios dAquele que sempre nos indicou os nossos passos, embora muitos de nós ainda fazem questão de caminhar por conta própria arriscando-se pelos ermos da perdição. Será que temos a sensibilidade para podermos perceber isso? Até que ponto somos sensíveis a tudo isso? Ou será que somos tão surdos, cegos ou mudos, e amparamo-nos em outras deficiências para não seguirmos tais pegadas direitinho? Ou será que estamos perdidos por aí no nosso deserto de cada dia? Naquele tempo, os israelitas tinham a nuvem que lhes seguia e pairava sobre o tabernáculo, indicando a presença de Deus naquele lugar, assim como também indicava o itinerário para a caminhada daquele povo. De noite, acompanhava-lhes uma coluna de fogo. Diz a Bíblia que a nuvem do SENHOR estava de dia sobre o tabernáculo, e o fogo estava de noite sobre eles, perante os olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas, num indicativo da real presença de Deus ali no meio deles, atuando como o Guia deles que, ao alinharem-se e prepararem-se para partir e seguir viagem, eles nem sabiam para onde, posto que era Deus Quem mostrava o caminho por meio da nuvem. Até onde deveriam ir? Até que a nuvem parasse. “Assim, partiram de Sucote, e acamparam-se em Etã, à entrada do deserto. E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite.” Diferente do fogo do julgamento divino, essa nuvem e esse fogo eram o sinal visível da glória de Deus sobre o Seu povo - a presença protetora de Deus -, porquanto o SENHOR estava cumprindo Sua promessa de permanecer com eles pessoalmente.
E nós hoje, o que somos e o que temos para testificar diante de um mundo incrédulo neste deserto tão avassalador? Obviamente que não temos a nuvem, tampouco aquela coluna de fogo. No entanto, nós temos, nos dizeres de Jan Rouw, um excelente Guia enquanto estamos neste mundo que, para nós cristãos, é um deserto. Não somos conduzidos por meio de uma nuvem visível, mas pelo Santo Espírito de Deus que habita em nós e do Qual somos templo, resgatados e pagos por um alto preço pelo próprio Senhor Jesus, sendo, assim, no corpo e no espírito, instrumentos de Deus. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” É o próprio Paulo quem exorta repetidas vezes os coríntios, lembrando-lhes, deste modo, o orgulho que tinham da plenitude do seu conhecimento e sabedoria cristã. Também estas lembranças aplicam-se a nós ainda hoje. Segundo os eruditos, esta passagem, além de esboçar o fato básico de que o crente cristão foi remido pelo precioso sangue de Cristo, e que, assim, Lhe pertence, proporciona-nos ainda a doutrina cristã a respeito do corpo e prepara-nos para a crença na sua ressurreição. Daí, nossa dedicação a Cristo deve ser mais profunda do que antes, quando pertencíamos ao mundo, antes de sermos resgatados, “porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si”. Vivemos e morremos para o SENHOR nosso Deus, Doador da vida e Senhor de todas as coisas, a Quem devemos toda glória e louvor. Portanto, essa nossa união com Cristo agora nos envolve por inteiro, e não somente o nosso corpo. Ou seja, a nossa união com Cristo é física e espiritual, isto é, corpo e espírito - ação esta eficazmente operada por uma atuação do Espírito Santo. O apóstolo ainda aplica ao indivíduo o conceito de Igreja como o novo templo onde Deus habita. Contudo, noutro ponto, ele também direciona o seu foco sobre o povo de Deus como uma coletividade inteira, o que os especialistas fazem-nos refletir que apesar de devermos estar conscientes desse caráter pessoal da residência do Espírito Santo em nós, a ênfase das Escrituras recai sobre a identidade coletiva do povo de Deus como um templo santo e como uma casa espiritual. Se antes Deus manifestava a Sua presença no templo, enchendo-o com a nuvem de Sua glória, hoje, Ele vive em Seu povo, enchendo-os com o Espírito Santo.
Assim, nós hoje também somos passíveis de estar peregrinando por aí, perdidos, sem encontrarmos a saída no meio do deserto do nosso dia a dia, se ainda priorizarmos em nossas vidas tudo aquilo que praticávamos antes de sermos resgatados da nossa escravidão, das nossas muitas transgressões, e se ainda não chegamos com os nossos pecados diante de Deus pedindo socorro e nem crermos no Senhor Jesus como um Hóspede divino que habita em nós, e que tem autoridade como nosso único intercessor diante do Pai, assim como também ainda não nos curvamos em oração solicitando humildemente a Deus que nos mostre o caminho da retidão - guiados pelo Espírito Santo, consequentemente. Ou seja, se ainda não provamos a alegria de sermos perdoados; a alegria da remoção dos nossos pecados; de sermos o santuário de Deus, guiados em segurança e guardados de todo passo em falso; de todo erro; de toda falácia, para não sermos os mais infelizes dos homens. “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.” Se assim é, que assim seja, como bem acentua o salmista, assim como também retratam as Sagradas Escrituras a respeito da união de Cristo, o Mediador, com Seu povo redimido. “Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador. Toda a vara em Mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.” A metáfora da videira frequentemente é usada na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamentos. Nos ensinos do Senhor Jesus, aplica-se à união entre o crente cristão e o SENHOR nosso Deus em que Jesus é a videira verdadeira de Deus, e o Pai é o lavrador ou agricultor. Os ramos só florescem se permanecerem na videira. E todo ramo sem fruto é cortado e os brotos frutíferos são cuidadosamente aparados para que deem mais fruto, enquanto Deus corta os ramos imprestáveis e joga-os fora. Os eruditos afirmam que os verdadeiros crentes são purificados pela Palavra de Deus e pela experiência de união com a videira verdadeira. Sem Jesus nada podemos fazer, já que a total incapacidade do pecador não regenerado torna a graça salvadora absolutamente necessária para a salvação, pois, se “verdadeira” significa “genuína”, Jesus é a “videira” final e real, se comparado a Israel que era um tipo que prefigurava a realidade. Se no Velho Testamento Israel é chamado de a “videira” ou a “vinha” de Deus, e é julgado por não produzir frutos, o Senhor Jesus é e faz aquilo que o tipo significa. Se nenhum ramo que está em Cristo pode ser totalmente infrutífero, todo ramo que pertence a Cristo produzirá fruto e será cuidado para que necessariamente possa aumentar os seus frutos. A falta de fruto pode significar a falta de obediência a Deus. E se a vinha e seus frutos considerados no Velho Testamento forem combinados com a ordem de Cristo a respeito do amor citada em alguns fragmentos do Novo Testamento, estas considerações podem indicar que este fruto refere-se a uma vida como a de Cristo produzida pelo Espírito Santo.
E a vida continua, a minha, a sua, e a de todos, sem nenhuma distinção, ilustrando a própria história de cada um de nós por mais que nos esquivemos ou que nossas fraquezas e estupidez, ou mesmo a nossa mediocridade, tentem desviar-nos, descambando para outros rumos. A nossa história sempre vai estar lá, escrita ou não, tocando ou não as gerações, de acordo com o andamento da nossa própria caminhada. Não a de outrem. Terminada a peregrinação dos israelitas, nas vésperas de entrarem em Canaã, mais uma vez todas as leis relacionadas com a vida religiosa, social e civil deles são-lhes repetidas e comentadas por Moisés a todos eles, sem exceção, anunciando o que Deus pretende deles e ainda lembrando-lhes o que Deus tinha feito por eles até então por meio de grandes e terríveis sinais e maravilhas, em antecipação à sua vida sedentária e aplicadas a ela. Leis essas em que se incluíam o grande mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração, de toda a alma e de toda a força, e que também foi repetida pelo próprio Senhor Jesus, em cujo ensino ocupou o primeiro lugar. “Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos e juízos que o SENHOR nosso Deus vos ordenou? Então dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito; porém o SENHOR, com mão forte, nos tirou do Egito; e o SENHOR, aos nossos olhos, fez sinais e maravilhas, grandes e terríveis, contra o Egito, contra Faraó e toda sua casa; e dali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que jurara a nossos pais. E o SENHOR nos ordenou que cumpríssemos todos estes estatutos, que temêssemos ao SENHOR nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje.” A história deste povo era tão importante que eles tinham que perpetuar essas ideias de Deus entre eles por todas as suas gerações. Eles não deviam depender apenas de instruções públicas, mas tinham também que ensiná-las diligentemente no lar; escrever partes importantes desta lei nas umbreiras das portas; atá-las nos braços e testas, e falar sobre elas constantemente com a finalidade de imprimir no povo a Palavra de Deus com persistência para que fizesse parte de sua própria natureza mental. E nós hoje, o que fazemos com todos estes conhecimentos, com todos os ensinos de Cristo? Ou mesmo com a nossa própria história, a nossa mensagem cristã permeada de alegria, de esperança e vitórias em que a Igreja de Cristo se tornará esplendorosa como uma esposa ornada para o seu esposo? Ou ainda sobre um tempo em que todos os males desaparecerão dando lugar a um novo céu e uma nova terra? Será que realmente acreditamos nisso ou achamos que a Palavra de Deus não passa de balelas diante deste deserto; deste mundo tão cruel? Cremos que Deus habitará para sempre com o Seu povo e enxugará toda a lágrima de nossos olhos para que não haja mais nem morte nem luto nem dor nem quaisquer outros tipos de violência? Você crê nessa história? Você crê que assim como Deus fez com aquele povo no deserto também nos livrará deste nosso deserto de hoje; deste mundo tenebroso? No que cremos, então? No que vale a pena acreditar nos dias de hoje? Como instruir as nossas gerações sobre os tão grandes e terríveis sinais e maravilhas da Palavra de Deus revelada em nossa vida? O que Deus quer nos ensinar em meio a nosso deserto? Em meio a esse mundo tão desafiador? É certo que todos temos a nossa história. Mas o que temos para contar? Qual é a sua história?
REFLEXÃO DE HOJE
“E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida” – Apocalipse 21:1-6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 118:19-29; Deuteronômio 6:20-25
Apocalipse 21:1-5; João 15:1-8
NOTAS
[1] Êxodo 13:17-14:14; 14:15-31; 16:1-36-17:1-7; Deuteronômio 1:3; 4:1-40; 5:1-33; 9:1-29; 10:12-22; 11:13-32
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 201
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 222-224, 235. Reimpressão
CONNELL, J. C. Êxodo: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 150. Reimpressão
[2] Êxodo 40:34-38; Números 4:1-49; 9:17-22; Êxodo 13:20-22; 33:9,10,14-17; Números 9:15-23; 10:33-36; 11:25; Salmo78:14; 99:7; 105:39; Isaías 4:5
ROUW, Jan; KIENE, Paul F. A Casa de Ouro. 1ª ed. Diadema, SP: Depósito de Literatura Cristã, 1994. p. 32
CONNELL, J. C. Êxodo: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 154. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 797
[3] Efésios 1:3-13; 1Coríntios 3:16,17; 6:15-20; Efésios 2:19-22; 1Pedro 2:4,5; 2Coríntios 6:16; Romanos 14:7; Isaías 43:7,21; Êxodo 29:43-46; 1Reis 8:10,11
ROUW, Jan; KIENE, Paul F. A Casa de Ouro. 1ª ed. Diadema, SP: Depósito de Literatura Cristã, 1994. p. 32
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios: Introdução e Comentário - 1Coríntios. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1201, 1202. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1349, 1353, 1379
[4] Salmo 32:1,2; 1Coríntios 3:11; Efésios 2:20-22; 1Coríntios 6:15,19; 12:12; Efésios 1:22,23; 4:15,16; Romanos 7:4; Efésios 5:31,32; Apocalipse 19:7; Romanos 5:12,18-21; 1Coríntios 15:22,45,49; Isaías 5:1-7; João 15:1-17; Romanos 6:5; Salmo 80; Jeremias 2:21; Gálatas 5:22,23
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 635, 1257
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1092. Reimpressão
[5] Deuteronômio 6:4-9,20-25; 10:12; 11:1,13,22; Mateus 22:37; Apocalipse 21:1-5
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 177, 178
HALLEY, H. H. Manual Bíblico: Um Comentário Abreviado da Bíblia. Trad. por David A. de Mendonça. 10ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1991. p. 119, 142
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 235. Reimpressão
NENHUM de nós vive como se tivesse surgido do nada. Como se tivesse caído de paraquedas no meio de um deserto plenamente inóspito, sem deixar nenhum rastro ou sinal de luz a ser seguido, em todos os sentidos, longe de todos e de tudo, assim, sem passado nem futuro, sem perspectivas de nada na vida. Nenhum de nós foi miraculosamente engendrado para ser jogado fora feito lixo. Ou qualquer coisa descartável, como se o Criador estivesse errado na fórmula. Ou para ser enclausurado no topo de um castelo cercado com fortalezas por todos os lados como um ser rejeitado e isolado que, absorvido pelo seu próprio ego, pensa estar distante das inquietações ou porquês deste mundo, mesmo sendo muitos destes quesitos até absurdos e evasivos. Nenhum de nós tem qualquer direito de imaginar-se não ser passível de quaisquer inquirições sobre as coisas desta vida ou sobre nós mesmos. Todos temos a nossa história, de um jeito ou de outro, edificante ou não, brilhante, opaca ou não. Ricos ou pobres, pretos ou brancos, crentes ou incrédulos, cristãos ou não, todos temos os nossos compromissos como uma carga - no bom sentido, é claro -, para transportar - até geneticamente falando -, levando-a adiante para quem estiver à nossa frente como uma geração de um futuro que por herança assumirmos. E todos temos este legado como um fio de uma meada ou o elo de uma corrente que deve permanecer continuamente esticado; interligado por todos os lados. Sem deixar a peteca cair, todos temos as nossas responsabilidades que devemos anunciar como um toque de um clarim no silêncio de cada madrugada qual uma marca registrada. Todos temos uma história para contar, seja ela escrita ou não, que, mesmo sendo cuidadosamente guardada no íntimo do nosso coração, um dia, de um jeito ou de outro, esta poderá vir à tona, e ser resgatada, sendo, assim, detonada como se faz com uma bomba até então camuflada, não importa por quais mídias ou intenções, ou por quais dispositivos seja manipulada. Assim é que o passado de cada um de nós aponta para o nosso futuro de acordo com o que agirmos no presente. Lógico que nada é tão estático e didaticamente exposto assim como uma estaca fincada no chão, irretocavelmente imutável, ali plantada de cara para as intempéries que vêm e vão sem piedade alguma a nosso encontro para, enfim, sermos destruídos ou remodelados sem mais nem menos até mesmo contra a nossa própria vontade. Ou mesmo como se fôssemos meros seres inúteis e alienados à espera da morte, sem nenhuma opção libertária - e por que não até libertina e mais nada?-, enlevados pelas ondas salobras destes nossos tempos, por mais que tentemos fazer algo que realmente valha a pena. Mas valer a pena para que? Por que, para quem e como? Qual é o verdadeiro sentido de tudo isso? Será que a minha vida realmente vale a pena? Será que ela faz ou tem algum sentido? Qual é a minha história? O que é que eu tenho para contar que possa passar para frente, e que possa servir de parâmetro positivo para alguém, para os meus descendentes como família, comunidade ou como nação, consuetudinariamente ou não? O que eu tenho feito para a minha geração, individualmente ou como comunidade ou como nação? O que é que eu tenho para passar para alguém que possa marcá-lo para sempre no sentido de edificação de uma vida melhor, natural e espiritual? Qual é a sua história? Será que vale a pena contá-la, agora e futuramente, para os meus e os seus filhos ou parentes, vizinhos ou amigos?
Há fatos em nossa vida que nos transformam para sempre, mas que também exigem de nós paciência e pertinácia para que não percamos o cerne daquilo a que nos predispomos a seguir como num teste de fogo enquanto estivermos neste período de passagem até alcançarmos o alvo pretendido. Corremos riscos, perdemos muito do que até então pensávamos que eram de tão especial importância para nós e de que jamais pretendíamos abdicar-nos. É como se estivéssemos sendo desbastados por uma lâmina tão fina cujo efeito fosse tão dolorido que nos penetra até o fundo do nosso ser, sangrando no mais sensível do nosso íntimo, mas que muita vez nem percebemos, e mesmo sofrendo, continuamos presos a tão duras penas. No entanto, nada entendemos, e lamentamos esconjuradamente, e continuamos lamentando e sofrendo, apenas e tão somente, patinando, como se estivéssemos chafurdados num imenso lamaçal, sendo que o problema - ou a solução, depende da avaliação de quem esteja passando por tais peripécias -, está tão próximo de nós ou ainda até dentro de nós mesmos. Nós é que devemos mudar de rota, parar e repensar, e seguir à risca as regras das nossas metas, e vencer, ou fixar-nos numa pista esburacada e obscura que não vai dar em lugar nenhum, desviando-nos pelos precipícios de uma trilha tortuosa, e nos perder para sempre. Tudo depende de uma atitude de nossa parte, por menor que seja, mas que tem que ser tomada na hora exata. Sob a liderança de Moisés, depois que foram libertados da escravidão egípcia, os israelitas atravessaram o mar Vermelho, peregrinaram por um período de 40 anos pelo deserto, passaram por várias gerações, até que os tempos de julgamento haviam terminado e Israel preparava-se para entrar na Terra Prometida, sendo que este percurso poderia ter sido percorrido em pouquíssimos meses. Os eruditos afirmam que foi um dos períodos mais críticos da história daquele povo, pois, além de enfrentarem novos e terríveis inimigos ainda se sujeitaram a duras provas, ratificando sofrimentos e tantas outras perdas por causa da sua idolatria, murmurações e rebeldia, mas que também foi ali neste percurso que eles foram sendo tratados e tiveram várias experiências com Deus que não desviava o Seu foco daquilo que pretendia fazer com este estranho povo. A nossa infidelidade não anula a fidelidade de Deus. O SENHOR nosso Deus nunca perde o foco de Seus planos, inclusive do que Ele tem para cada um de nós, assim como também do que Ele quer de cada um de nós, por mais estranhos que possamos ser. Só temos que entender e obedecer a Sua mensagem, e cumprir a nossa parte, conforme a vontade dEle. Depois, é seguir sempre em frente sem desviar de Suas pegadas. Reiteradamente, Deus sempre indica o caminho, e até mesmo onde nos embocaríamos, dependendo dos nossos passos e de como andarmos nele, por nossa própria conta ou segundo a aquiescência dEle. Se de maldições ou de bênçãos, eis o roteiro da nossa própria vida.
Assim como caminhava aquele povo, assim também caminha a humanidade, e assim andamos todos nós ainda hoje, debaixo dos auspícios dAquele que sempre nos indicou os nossos passos, embora muitos de nós ainda fazem questão de caminhar por conta própria arriscando-se pelos ermos da perdição. Será que temos a sensibilidade para podermos perceber isso? Até que ponto somos sensíveis a tudo isso? Ou será que somos tão surdos, cegos ou mudos, e amparamo-nos em outras deficiências para não seguirmos tais pegadas direitinho? Ou será que estamos perdidos por aí no nosso deserto de cada dia? Naquele tempo, os israelitas tinham a nuvem que lhes seguia e pairava sobre o tabernáculo, indicando a presença de Deus naquele lugar, assim como também indicava o itinerário para a caminhada daquele povo. De noite, acompanhava-lhes uma coluna de fogo. Diz a Bíblia que a nuvem do SENHOR estava de dia sobre o tabernáculo, e o fogo estava de noite sobre eles, perante os olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas, num indicativo da real presença de Deus ali no meio deles, atuando como o Guia deles que, ao alinharem-se e prepararem-se para partir e seguir viagem, eles nem sabiam para onde, posto que era Deus Quem mostrava o caminho por meio da nuvem. Até onde deveriam ir? Até que a nuvem parasse. “Assim, partiram de Sucote, e acamparam-se em Etã, à entrada do deserto. E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite.” Diferente do fogo do julgamento divino, essa nuvem e esse fogo eram o sinal visível da glória de Deus sobre o Seu povo - a presença protetora de Deus -, porquanto o SENHOR estava cumprindo Sua promessa de permanecer com eles pessoalmente.
E nós hoje, o que somos e o que temos para testificar diante de um mundo incrédulo neste deserto tão avassalador? Obviamente que não temos a nuvem, tampouco aquela coluna de fogo. No entanto, nós temos, nos dizeres de Jan Rouw, um excelente Guia enquanto estamos neste mundo que, para nós cristãos, é um deserto. Não somos conduzidos por meio de uma nuvem visível, mas pelo Santo Espírito de Deus que habita em nós e do Qual somos templo, resgatados e pagos por um alto preço pelo próprio Senhor Jesus, sendo, assim, no corpo e no espírito, instrumentos de Deus. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” É o próprio Paulo quem exorta repetidas vezes os coríntios, lembrando-lhes, deste modo, o orgulho que tinham da plenitude do seu conhecimento e sabedoria cristã. Também estas lembranças aplicam-se a nós ainda hoje. Segundo os eruditos, esta passagem, além de esboçar o fato básico de que o crente cristão foi remido pelo precioso sangue de Cristo, e que, assim, Lhe pertence, proporciona-nos ainda a doutrina cristã a respeito do corpo e prepara-nos para a crença na sua ressurreição. Daí, nossa dedicação a Cristo deve ser mais profunda do que antes, quando pertencíamos ao mundo, antes de sermos resgatados, “porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si”. Vivemos e morremos para o SENHOR nosso Deus, Doador da vida e Senhor de todas as coisas, a Quem devemos toda glória e louvor. Portanto, essa nossa união com Cristo agora nos envolve por inteiro, e não somente o nosso corpo. Ou seja, a nossa união com Cristo é física e espiritual, isto é, corpo e espírito - ação esta eficazmente operada por uma atuação do Espírito Santo. O apóstolo ainda aplica ao indivíduo o conceito de Igreja como o novo templo onde Deus habita. Contudo, noutro ponto, ele também direciona o seu foco sobre o povo de Deus como uma coletividade inteira, o que os especialistas fazem-nos refletir que apesar de devermos estar conscientes desse caráter pessoal da residência do Espírito Santo em nós, a ênfase das Escrituras recai sobre a identidade coletiva do povo de Deus como um templo santo e como uma casa espiritual. Se antes Deus manifestava a Sua presença no templo, enchendo-o com a nuvem de Sua glória, hoje, Ele vive em Seu povo, enchendo-os com o Espírito Santo.
Assim, nós hoje também somos passíveis de estar peregrinando por aí, perdidos, sem encontrarmos a saída no meio do deserto do nosso dia a dia, se ainda priorizarmos em nossas vidas tudo aquilo que praticávamos antes de sermos resgatados da nossa escravidão, das nossas muitas transgressões, e se ainda não chegamos com os nossos pecados diante de Deus pedindo socorro e nem crermos no Senhor Jesus como um Hóspede divino que habita em nós, e que tem autoridade como nosso único intercessor diante do Pai, assim como também ainda não nos curvamos em oração solicitando humildemente a Deus que nos mostre o caminho da retidão - guiados pelo Espírito Santo, consequentemente. Ou seja, se ainda não provamos a alegria de sermos perdoados; a alegria da remoção dos nossos pecados; de sermos o santuário de Deus, guiados em segurança e guardados de todo passo em falso; de todo erro; de toda falácia, para não sermos os mais infelizes dos homens. “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.” Se assim é, que assim seja, como bem acentua o salmista, assim como também retratam as Sagradas Escrituras a respeito da união de Cristo, o Mediador, com Seu povo redimido. “Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador. Toda a vara em Mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.” A metáfora da videira frequentemente é usada na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamentos. Nos ensinos do Senhor Jesus, aplica-se à união entre o crente cristão e o SENHOR nosso Deus em que Jesus é a videira verdadeira de Deus, e o Pai é o lavrador ou agricultor. Os ramos só florescem se permanecerem na videira. E todo ramo sem fruto é cortado e os brotos frutíferos são cuidadosamente aparados para que deem mais fruto, enquanto Deus corta os ramos imprestáveis e joga-os fora. Os eruditos afirmam que os verdadeiros crentes são purificados pela Palavra de Deus e pela experiência de união com a videira verdadeira. Sem Jesus nada podemos fazer, já que a total incapacidade do pecador não regenerado torna a graça salvadora absolutamente necessária para a salvação, pois, se “verdadeira” significa “genuína”, Jesus é a “videira” final e real, se comparado a Israel que era um tipo que prefigurava a realidade. Se no Velho Testamento Israel é chamado de a “videira” ou a “vinha” de Deus, e é julgado por não produzir frutos, o Senhor Jesus é e faz aquilo que o tipo significa. Se nenhum ramo que está em Cristo pode ser totalmente infrutífero, todo ramo que pertence a Cristo produzirá fruto e será cuidado para que necessariamente possa aumentar os seus frutos. A falta de fruto pode significar a falta de obediência a Deus. E se a vinha e seus frutos considerados no Velho Testamento forem combinados com a ordem de Cristo a respeito do amor citada em alguns fragmentos do Novo Testamento, estas considerações podem indicar que este fruto refere-se a uma vida como a de Cristo produzida pelo Espírito Santo.
E a vida continua, a minha, a sua, e a de todos, sem nenhuma distinção, ilustrando a própria história de cada um de nós por mais que nos esquivemos ou que nossas fraquezas e estupidez, ou mesmo a nossa mediocridade, tentem desviar-nos, descambando para outros rumos. A nossa história sempre vai estar lá, escrita ou não, tocando ou não as gerações, de acordo com o andamento da nossa própria caminhada. Não a de outrem. Terminada a peregrinação dos israelitas, nas vésperas de entrarem em Canaã, mais uma vez todas as leis relacionadas com a vida religiosa, social e civil deles são-lhes repetidas e comentadas por Moisés a todos eles, sem exceção, anunciando o que Deus pretende deles e ainda lembrando-lhes o que Deus tinha feito por eles até então por meio de grandes e terríveis sinais e maravilhas, em antecipação à sua vida sedentária e aplicadas a ela. Leis essas em que se incluíam o grande mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração, de toda a alma e de toda a força, e que também foi repetida pelo próprio Senhor Jesus, em cujo ensino ocupou o primeiro lugar. “Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos e juízos que o SENHOR nosso Deus vos ordenou? Então dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito; porém o SENHOR, com mão forte, nos tirou do Egito; e o SENHOR, aos nossos olhos, fez sinais e maravilhas, grandes e terríveis, contra o Egito, contra Faraó e toda sua casa; e dali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que jurara a nossos pais. E o SENHOR nos ordenou que cumpríssemos todos estes estatutos, que temêssemos ao SENHOR nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje.” A história deste povo era tão importante que eles tinham que perpetuar essas ideias de Deus entre eles por todas as suas gerações. Eles não deviam depender apenas de instruções públicas, mas tinham também que ensiná-las diligentemente no lar; escrever partes importantes desta lei nas umbreiras das portas; atá-las nos braços e testas, e falar sobre elas constantemente com a finalidade de imprimir no povo a Palavra de Deus com persistência para que fizesse parte de sua própria natureza mental. E nós hoje, o que fazemos com todos estes conhecimentos, com todos os ensinos de Cristo? Ou mesmo com a nossa própria história, a nossa mensagem cristã permeada de alegria, de esperança e vitórias em que a Igreja de Cristo se tornará esplendorosa como uma esposa ornada para o seu esposo? Ou ainda sobre um tempo em que todos os males desaparecerão dando lugar a um novo céu e uma nova terra? Será que realmente acreditamos nisso ou achamos que a Palavra de Deus não passa de balelas diante deste deserto; deste mundo tão cruel? Cremos que Deus habitará para sempre com o Seu povo e enxugará toda a lágrima de nossos olhos para que não haja mais nem morte nem luto nem dor nem quaisquer outros tipos de violência? Você crê nessa história? Você crê que assim como Deus fez com aquele povo no deserto também nos livrará deste nosso deserto de hoje; deste mundo tenebroso? No que cremos, então? No que vale a pena acreditar nos dias de hoje? Como instruir as nossas gerações sobre os tão grandes e terríveis sinais e maravilhas da Palavra de Deus revelada em nossa vida? O que Deus quer nos ensinar em meio a nosso deserto? Em meio a esse mundo tão desafiador? É certo que todos temos a nossa história. Mas o que temos para contar? Qual é a sua história?
REFLEXÃO DE HOJE
“E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida” – Apocalipse 21:1-6
LEITURAS DE HOJE
Salmo 118:19-29; Deuteronômio 6:20-25
Apocalipse 21:1-5; João 15:1-8
NOTAS
[1] Êxodo 13:17-14:14; 14:15-31; 16:1-36-17:1-7; Deuteronômio 1:3; 4:1-40; 5:1-33; 9:1-29; 10:12-22; 11:13-32
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 201
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 222-224, 235. Reimpressão
CONNELL, J. C. Êxodo: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 150. Reimpressão
[2] Êxodo 40:34-38; Números 4:1-49; 9:17-22; Êxodo 13:20-22; 33:9,10,14-17; Números 9:15-23; 10:33-36; 11:25; Salmo78:14; 99:7; 105:39; Isaías 4:5
ROUW, Jan; KIENE, Paul F. A Casa de Ouro. 1ª ed. Diadema, SP: Depósito de Literatura Cristã, 1994. p. 32
CONNELL, J. C. Êxodo: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 154. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 797
[3] Efésios 1:3-13; 1Coríntios 3:16,17; 6:15-20; Efésios 2:19-22; 1Pedro 2:4,5; 2Coríntios 6:16; Romanos 14:7; Isaías 43:7,21; Êxodo 29:43-46; 1Reis 8:10,11
ROUW, Jan; KIENE, Paul F. A Casa de Ouro. 1ª ed. Diadema, SP: Depósito de Literatura Cristã, 1994. p. 32
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios: Introdução e Comentário - 1Coríntios. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1201, 1202. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1349, 1353, 1379
[4] Salmo 32:1,2; 1Coríntios 3:11; Efésios 2:20-22; 1Coríntios 6:15,19; 12:12; Efésios 1:22,23; 4:15,16; Romanos 7:4; Efésios 5:31,32; Apocalipse 19:7; Romanos 5:12,18-21; 1Coríntios 15:22,45,49; Isaías 5:1-7; João 15:1-17; Romanos 6:5; Salmo 80; Jeremias 2:21; Gálatas 5:22,23
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 635, 1257
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1092. Reimpressão
[5] Deuteronômio 6:4-9,20-25; 10:12; 11:1,13,22; Mateus 22:37; Apocalipse 21:1-5
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 177, 178
HALLEY, H. H. Manual Bíblico: Um Comentário Abreviado da Bíblia. Trad. por David A. de Mendonça. 10ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1991. p. 119, 142
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 235. Reimpressão
terça-feira, 13 de abril de 2010
ETERNOS APRENDIZES
“Persiste em ler, exortar e ensinar. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” – 1Timóteo 4:13,15
DEPOIS da chamada fase tatibitate, ao passar para a idade dos porquês, meu filho, como qualquer outra criança, sempre nos fazia, assim como ainda faz, perguntas que sempre nos surpreendem, não somente por nos depararmos com a sua perspicácia no seu jeito de inquirição e curiosidade diante das coisas que vem descobrindo no seu dia a dia, mas também por, muitas vezes, nos forçar a optar por uma melhor saída no sentido de darmos uma resposta coerente, de acordo com a sua pergunta, e que possa do mesmo modo alcançar o seu entendimento, tendo em vista ser ele ainda uma criança, e de pouca idade.
Por sua vez, quando ele, então, argumenta alguma coisa e a gente pergunta por que ele pensa desse jeito, ele simplesmente responde “porque sim”, e pronto, sem nem uma outra alternativa ou explicação mais acurada. E a gente fica, assim, sem muito entender, alertando-lhe para que ele especifique melhor cada um do seu detalhamento sobre aquele determinado assunto para que possamos apreendê-lo.
Assim também caminha a humanidade em meio a seus sonhos, reptos e jornadas diárias, metas e dúvidas, perguntas e respostas cujos resultados nem sempre estão de acordo com aquilo que deseja ou planeja. Porque todos queremos as coisas do nosso próprio jeito, porque é assim, e ponto. Surpreendentemente, muitas coisas ainda estão dando errado, talvez porque não procuramos a resposta corretamente ou porque quem a tem, se é que realmente tem, não nos quer dar, ou não sabe dar, sabe-se lá por quais razões, ou porque não queremos encontrá-la e nem queremos saber, sabe-se lá também por quê. Isso ocorre não somente no nosso ambiente como sociedade em geral ou mesmo como comunidade segmentada em nossos nichos sociais, mas também individualmente como ser inserido em nossos espaços culturais apreendidos com o passar dos nossos anos, espaços estes do mesmo modo nem sempre em equilíbrio com o nosso tempo de vida natural e o saber que deveríamos ter adquirido, não excluindo aqui até mesmo o nosso amadurecimento espiritual.
Ainda diante das tantas incógnitas destes nossos tempos em que impera um liberalismo avassalador, tudo nos parece tão confuso em meio a este relativismo destes nossos dias, já que às vezes nos sentimos literalmente abandonados no meio de tantos caminhos, de uma encruzilhada que nos deixa à deriva no sentido de qual deles deveríamos seguir na mais segura e perfeita paz, mas que, na verdade, só nos impossibilita de refletir com clareza sobre os tantos desafios deste nosso mundo, tanto espiritual e material.
Muita vez não entendemos e nem conseguimos responder a tantos porquês, mesmo que muitos deles, atuando dentro de nós, não nos deixam calar. Muita vez ainda agimos como meninos, imaturos e ignorantes para entender ou mesmo responder a todos os desafios ou a todas as provações que se nos arrostam. São indagações que nos cutucam sem parar, já que nem às tais inquietações estamos preparados para enfrentá-las satisfatoriamente. Desde os nossos próprios filhos, dentro da nossa própria casa ou dentro de nós mesmos, no seio da nossa própria família, e até mesmo no íntimo dos poderes públicos e privados, laicos ou não, enfim, na nossa comunidade, no nosso convívio espiritual, tudo isso só nos leva a questionar por onde é que anda aquele conhecimento que nos liberta, aquela Verdade. Por onde anda aquela resposta que nos satisfaça plenamente? Será que estamos prontos para encará-la de frente, e sem tergiversações, e partirmos para uma nova vida, segura, definitiva e sem falácias, conforme os desígnios de Deus? Ou será que vivemos como no vaivém de uma valsa, conforme a música toca, ou à mercê do vento, conforme ele sopra, neste oba-oba sem pé e sem cabeça, sem nenhum receio de alguma tempestade ou tsunami, e até mesmo de um descompasso, neste imenso e emblemático terreno arenoso e movediço desta nossa vida que se esvai como um líquido que flui entre os dedos? Até que ponto e até onde resistiremos firmes ante nossa arrogância longe das incógnitas ou desequilíbrios? Será que nos garantimos a nós mesmos nesta corda bamba? Até quando?
A Bíblia diz que se conhecermos a Verdade, ela nos libertará. Mas que Verdade é esta? Nós a conhecemos realmente? Nós cremos nela sinceramente? E que conhecimento é este? Noutra parte também está escrito que Jesus é o caminho, a Verdade e a vida, e que ninguém irá a Deus Pai, senão por Jesus, posto que a graça e a verdade vieram por meio deste mesmo Senhor Jesus que é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus, que Se fez carne, e habitou entre nós como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de Verdade. “E a glória do SENHOR se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do SENHOR o disse.” Pela graça de Deus, muitos testemunharam esta Sua glória, seja no deserto, no tabernáculo, no templo, e na transfiguração, e este termo deve ser aplicado somente a Ele, o Deus Supremo, Criador e Governador do universo diante de Quem todo joelho deve curvar-se, além de que este Verbo feito carne manifesta plenamente a realização graciosa da aliança e o caráter de Deus como guardador desta aliança.
Assim como nos tempos do exílio o SENHOR transmitia por meio de Seus profetas palavras de conforto, e de uma especial esperança, assim como também de uma inesgotável alegria ao Seu povo escolhido, do mesmo modo devemos encontrar uma razão maior e especial por meio de uma ação eficaz e também peculiar deste mesmo Espírito de Deus para proclamarmos esta Verdade ainda hoje, tendo em visto que esta Mensagem de conforto, de forma alguma depende de nossos esforços apenas e tão somente, mas provém, antes, da misericórdia soberana e divina, posto que “toda a carne é erva e toda a sua beleza, como a flor do campo”, cai e seca. Na verdade, somos como a erva, e vã é a nossa esperança, senão confiarmos no SENHOR Deus Todo-Poderoso cuja redenção perdura abundantemente. E em meio a tudo o que é perecível, mutável, a Sua Verdade permanece para sempre.
Embora a salvação não seja obtida por meio de conhecimentos intelectuais, como erroneamente pensavam os gnósticos, mas, sim, por meio de um relacionamento vital com o Senhor Jesus e do compromisso com a Verdade que Ele revelou,além de ser dom de Deus - porque somente pela graça é que somos salvos,por meio da fé-, em nosso dia a dia jamais devemos deixar de sustentar que o ensino de Cristo, que é a Verdade, é que nos torna livres da escravidão do pecado.Mas como sustentar seguramente, e de acordo com a Palavra, estas verdades divinas se não estivermos capacitados para um ensino adequado? Todos somos chamados? E, se assim o somos, todos estamos preparados?
Se “ministério” significa “serviço” prestado a Deus ou às pessoas, tendo como alvo a edificação de indivíduos com vistas à maturidade coletiva em Cristo, pelo mesmo e único Espírito, nós também devemos cumprir a nossa parte “para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”, neste contexto de tanta incredulidade e apostasia, heresias e falsas profecias em que os desafios nos afrontam a cada dia, provocando a razão da nossa fé.
Hoje, e mais do que nunca, exigem-se melhores formações ministeriais, não como se formam líderes naturalmente fortes que sabem como administrar um negócio ou empreendimento - as coisas de Deus não são um “negócio”, um toma-lá-dá-cá ou um tipo de franquia, com objetivos meramente pragmáticos não considerando o processo de um resultado a partir das perspectivas de Cristo, não terrenas, dos homens, não-bíblicas nem espirituais. Obviamente que não, mas devemos estar preparados, sim, estudando sempre, como diz um dos princípios dos reformadores, reformados, mas reformando sempre, já que a Palavra de Deus não é estática, extemporânea, mas viva, atual e atuante, “divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”, em todos os tempos e lugares.
Hoje, e mais do que nunca, devemos procurar apresentar-nos a Deus aprovados para o ministério a que formos chamados, mas como obreiro que não tem de que nos envergonhar, “que maneja bem a Palavra da Verdade”. O próprio Paulo exorta Timóteo à fidelidade e diligência no ministério, insistindo para que ele persista em ler, exortar e ensinar. “Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”, aconselha a seu amado filho na fé e fiel colaborador no seu ministério, preocupado com a preservação e propagação da verdade do Evangelho, e a promoção e manutenção de uma salutar conduta cristã por parte dos que o pregavam, assim como dos que criam.
Entretanto, para que se ensine, também é necessário que se aprenda, que estude e muito, para que os ouvintes apreendam os tais ensinos. É necessário que seja um eterno aprendiz. Há quem critique a proliferação dos cursos de teologia, duvidando da sua qualidade e impingindo neles um péssimo desempenho desta massa de novos formandos, mas também há quem diga que devemos consumir-nos no estudo e na comunhão com Deus. É o que afirma MacArthur, Jr, confessando que ele tem um lado público que a congregação vê, mas que também tem um lado particular que só Deus conhece. “Embora eu só possa pregar três horas por semana, estudo trinta. Essas horas gastas todas as semanas na presença de Deus são um privilégio elevado e santo”, destaca.
A necessidade de estudar para a nossa formação ministerial é tão premente em nossos dias como para qualquer outra formação secular, só que de maior responsabilidade, posto ser das coisas do alto, e que Deus usa a pregação como principal meio humano para dispensar Sua graça pela qual Ele salva pessoas e transforma vidas, lidando com o homem como um todo, não com apenas um de seus detalhes particulares. E isso começa dentro da nossa própria casa com nossos próprios filhos, já que esta mesma Palavra de Deus alerta-nos para que eduquemos nossas crianças no caminho em que devem andar para que até quando envelhecerem não se desviarão dele. Também o profeta Oséias já alertava que o povo de Deus estava sendo destruído por falta de conhecimento - do conhecimento de Deus, que, segundo os eruditos, é inseparável da Lei de Deus.
---------------------
[1] João 8:32; 1:14,17; 14:6; Isaías 40:5; Romanos 6:14,18,22; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 831; FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 718, 1228. Reimpressão; Êxodo 16:1-10; 33:18-23; 40:34,35; 1Reis 8:1-11; Mateus 17:1-5; Gênesis 24:27; Salmo 25:10; Provérbios 16:6; Êxodo 34:6; Salmo 26:3
[2] Isaías 40:6-8; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1244; João 18:37; Efésios 2:8
[3] Efésios 4:7-16; 1Coríntios 12:11;1Timóteo 2:4; 3:1-13; Tito 1:6-9;2Timóteo 2:15; 3:16; 4:1-5
[4] 2Timóteo 2:15; 4:13-16; 1:1ª; STIBBS, A. M. As Epístolas a Timóteo e a Tito: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1311, 1312. Reimpressão. Provérbios 22:6; Oséias 4:6; 6:6; 8:12; Adaptado de John MacArthur, Jr., “Wanted: A Few Good Shepherds”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1989), 2-3, e MarcArthur, Then Reasons ! Am a Pastor”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1990), 2-3.
DEPOIS da chamada fase tatibitate, ao passar para a idade dos porquês, meu filho, como qualquer outra criança, sempre nos fazia, assim como ainda faz, perguntas que sempre nos surpreendem, não somente por nos depararmos com a sua perspicácia no seu jeito de inquirição e curiosidade diante das coisas que vem descobrindo no seu dia a dia, mas também por, muitas vezes, nos forçar a optar por uma melhor saída no sentido de darmos uma resposta coerente, de acordo com a sua pergunta, e que possa do mesmo modo alcançar o seu entendimento, tendo em vista ser ele ainda uma criança, e de pouca idade.
Por sua vez, quando ele, então, argumenta alguma coisa e a gente pergunta por que ele pensa desse jeito, ele simplesmente responde “porque sim”, e pronto, sem nem uma outra alternativa ou explicação mais acurada. E a gente fica, assim, sem muito entender, alertando-lhe para que ele especifique melhor cada um do seu detalhamento sobre aquele determinado assunto para que possamos apreendê-lo.
Assim também caminha a humanidade em meio a seus sonhos, reptos e jornadas diárias, metas e dúvidas, perguntas e respostas cujos resultados nem sempre estão de acordo com aquilo que deseja ou planeja. Porque todos queremos as coisas do nosso próprio jeito, porque é assim, e ponto. Surpreendentemente, muitas coisas ainda estão dando errado, talvez porque não procuramos a resposta corretamente ou porque quem a tem, se é que realmente tem, não nos quer dar, ou não sabe dar, sabe-se lá por quais razões, ou porque não queremos encontrá-la e nem queremos saber, sabe-se lá também por quê. Isso ocorre não somente no nosso ambiente como sociedade em geral ou mesmo como comunidade segmentada em nossos nichos sociais, mas também individualmente como ser inserido em nossos espaços culturais apreendidos com o passar dos nossos anos, espaços estes do mesmo modo nem sempre em equilíbrio com o nosso tempo de vida natural e o saber que deveríamos ter adquirido, não excluindo aqui até mesmo o nosso amadurecimento espiritual.
Ainda diante das tantas incógnitas destes nossos tempos em que impera um liberalismo avassalador, tudo nos parece tão confuso em meio a este relativismo destes nossos dias, já que às vezes nos sentimos literalmente abandonados no meio de tantos caminhos, de uma encruzilhada que nos deixa à deriva no sentido de qual deles deveríamos seguir na mais segura e perfeita paz, mas que, na verdade, só nos impossibilita de refletir com clareza sobre os tantos desafios deste nosso mundo, tanto espiritual e material.
Muita vez não entendemos e nem conseguimos responder a tantos porquês, mesmo que muitos deles, atuando dentro de nós, não nos deixam calar. Muita vez ainda agimos como meninos, imaturos e ignorantes para entender ou mesmo responder a todos os desafios ou a todas as provações que se nos arrostam. São indagações que nos cutucam sem parar, já que nem às tais inquietações estamos preparados para enfrentá-las satisfatoriamente. Desde os nossos próprios filhos, dentro da nossa própria casa ou dentro de nós mesmos, no seio da nossa própria família, e até mesmo no íntimo dos poderes públicos e privados, laicos ou não, enfim, na nossa comunidade, no nosso convívio espiritual, tudo isso só nos leva a questionar por onde é que anda aquele conhecimento que nos liberta, aquela Verdade. Por onde anda aquela resposta que nos satisfaça plenamente? Será que estamos prontos para encará-la de frente, e sem tergiversações, e partirmos para uma nova vida, segura, definitiva e sem falácias, conforme os desígnios de Deus? Ou será que vivemos como no vaivém de uma valsa, conforme a música toca, ou à mercê do vento, conforme ele sopra, neste oba-oba sem pé e sem cabeça, sem nenhum receio de alguma tempestade ou tsunami, e até mesmo de um descompasso, neste imenso e emblemático terreno arenoso e movediço desta nossa vida que se esvai como um líquido que flui entre os dedos? Até que ponto e até onde resistiremos firmes ante nossa arrogância longe das incógnitas ou desequilíbrios? Será que nos garantimos a nós mesmos nesta corda bamba? Até quando?
A Bíblia diz que se conhecermos a Verdade, ela nos libertará. Mas que Verdade é esta? Nós a conhecemos realmente? Nós cremos nela sinceramente? E que conhecimento é este? Noutra parte também está escrito que Jesus é o caminho, a Verdade e a vida, e que ninguém irá a Deus Pai, senão por Jesus, posto que a graça e a verdade vieram por meio deste mesmo Senhor Jesus que é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus, que Se fez carne, e habitou entre nós como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de Verdade. “E a glória do SENHOR se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do SENHOR o disse.” Pela graça de Deus, muitos testemunharam esta Sua glória, seja no deserto, no tabernáculo, no templo, e na transfiguração, e este termo deve ser aplicado somente a Ele, o Deus Supremo, Criador e Governador do universo diante de Quem todo joelho deve curvar-se, além de que este Verbo feito carne manifesta plenamente a realização graciosa da aliança e o caráter de Deus como guardador desta aliança.
Assim como nos tempos do exílio o SENHOR transmitia por meio de Seus profetas palavras de conforto, e de uma especial esperança, assim como também de uma inesgotável alegria ao Seu povo escolhido, do mesmo modo devemos encontrar uma razão maior e especial por meio de uma ação eficaz e também peculiar deste mesmo Espírito de Deus para proclamarmos esta Verdade ainda hoje, tendo em visto que esta Mensagem de conforto, de forma alguma depende de nossos esforços apenas e tão somente, mas provém, antes, da misericórdia soberana e divina, posto que “toda a carne é erva e toda a sua beleza, como a flor do campo”, cai e seca. Na verdade, somos como a erva, e vã é a nossa esperança, senão confiarmos no SENHOR Deus Todo-Poderoso cuja redenção perdura abundantemente. E em meio a tudo o que é perecível, mutável, a Sua Verdade permanece para sempre.
Embora a salvação não seja obtida por meio de conhecimentos intelectuais, como erroneamente pensavam os gnósticos, mas, sim, por meio de um relacionamento vital com o Senhor Jesus e do compromisso com a Verdade que Ele revelou,além de ser dom de Deus - porque somente pela graça é que somos salvos,por meio da fé-, em nosso dia a dia jamais devemos deixar de sustentar que o ensino de Cristo, que é a Verdade, é que nos torna livres da escravidão do pecado.Mas como sustentar seguramente, e de acordo com a Palavra, estas verdades divinas se não estivermos capacitados para um ensino adequado? Todos somos chamados? E, se assim o somos, todos estamos preparados?
Se “ministério” significa “serviço” prestado a Deus ou às pessoas, tendo como alvo a edificação de indivíduos com vistas à maturidade coletiva em Cristo, pelo mesmo e único Espírito, nós também devemos cumprir a nossa parte “para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”, neste contexto de tanta incredulidade e apostasia, heresias e falsas profecias em que os desafios nos afrontam a cada dia, provocando a razão da nossa fé.
Hoje, e mais do que nunca, exigem-se melhores formações ministeriais, não como se formam líderes naturalmente fortes que sabem como administrar um negócio ou empreendimento - as coisas de Deus não são um “negócio”, um toma-lá-dá-cá ou um tipo de franquia, com objetivos meramente pragmáticos não considerando o processo de um resultado a partir das perspectivas de Cristo, não terrenas, dos homens, não-bíblicas nem espirituais. Obviamente que não, mas devemos estar preparados, sim, estudando sempre, como diz um dos princípios dos reformadores, reformados, mas reformando sempre, já que a Palavra de Deus não é estática, extemporânea, mas viva, atual e atuante, “divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”, em todos os tempos e lugares.
Hoje, e mais do que nunca, devemos procurar apresentar-nos a Deus aprovados para o ministério a que formos chamados, mas como obreiro que não tem de que nos envergonhar, “que maneja bem a Palavra da Verdade”. O próprio Paulo exorta Timóteo à fidelidade e diligência no ministério, insistindo para que ele persista em ler, exortar e ensinar. “Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”, aconselha a seu amado filho na fé e fiel colaborador no seu ministério, preocupado com a preservação e propagação da verdade do Evangelho, e a promoção e manutenção de uma salutar conduta cristã por parte dos que o pregavam, assim como dos que criam.
Entretanto, para que se ensine, também é necessário que se aprenda, que estude e muito, para que os ouvintes apreendam os tais ensinos. É necessário que seja um eterno aprendiz. Há quem critique a proliferação dos cursos de teologia, duvidando da sua qualidade e impingindo neles um péssimo desempenho desta massa de novos formandos, mas também há quem diga que devemos consumir-nos no estudo e na comunhão com Deus. É o que afirma MacArthur, Jr, confessando que ele tem um lado público que a congregação vê, mas que também tem um lado particular que só Deus conhece. “Embora eu só possa pregar três horas por semana, estudo trinta. Essas horas gastas todas as semanas na presença de Deus são um privilégio elevado e santo”, destaca.
A necessidade de estudar para a nossa formação ministerial é tão premente em nossos dias como para qualquer outra formação secular, só que de maior responsabilidade, posto ser das coisas do alto, e que Deus usa a pregação como principal meio humano para dispensar Sua graça pela qual Ele salva pessoas e transforma vidas, lidando com o homem como um todo, não com apenas um de seus detalhes particulares. E isso começa dentro da nossa própria casa com nossos próprios filhos, já que esta mesma Palavra de Deus alerta-nos para que eduquemos nossas crianças no caminho em que devem andar para que até quando envelhecerem não se desviarão dele. Também o profeta Oséias já alertava que o povo de Deus estava sendo destruído por falta de conhecimento - do conhecimento de Deus, que, segundo os eruditos, é inseparável da Lei de Deus.
---------------------
[1] João 8:32; 1:14,17; 14:6; Isaías 40:5; Romanos 6:14,18,22; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 831; FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 718, 1228. Reimpressão; Êxodo 16:1-10; 33:18-23; 40:34,35; 1Reis 8:1-11; Mateus 17:1-5; Gênesis 24:27; Salmo 25:10; Provérbios 16:6; Êxodo 34:6; Salmo 26:3
[2] Isaías 40:6-8; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1244; João 18:37; Efésios 2:8
[3] Efésios 4:7-16; 1Coríntios 12:11;1Timóteo 2:4; 3:1-13; Tito 1:6-9;2Timóteo 2:15; 3:16; 4:1-5
[4] 2Timóteo 2:15; 4:13-16; 1:1ª; STIBBS, A. M. As Epístolas a Timóteo e a Tito: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1311, 1312. Reimpressão. Provérbios 22:6; Oséias 4:6; 6:6; 8:12; Adaptado de John MacArthur, Jr., “Wanted: A Few Good Shepherds”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1989), 2-3, e MarcArthur, Then Reasons ! Am a Pastor”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1990), 2-3.
quarta-feira, 31 de março de 2010
O QUE É A IGREJA?
“Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica” – Credo Niceno-Constantinopolitano (Concílio de Nicéia, 325 d.C., revisado no Concílio de Constantinopla, 381 d.C.)
ATÉ HOJE, e até mesmo aos olhos das criaturas mais reles e indoutas, ainda experimentamos ou sofremos em nossa própria pele situações vexatórias, desconfortáveis e constrangedoras por conta de quem que, se utilizando dos seus postos dentro da Igreja, comete absurdos e escândalos, não só naquilo que diz respeito à transgressão da Palavra propriamente dita, como também na sua conduta pessoal, infiltrando-se na multidão daqueles que se postam como crentes ou líderes diante da sua comunidade, ou mesmo na sua maneira esdrúxula de gerir as coisas do Reino, posto que, na verdade, estas coisas não vão além dos próprios interesses do SENHOR nosso Deus que lhes outorgou tal administração, assim como nos concede a cada um de nós este ofício no âmbito da medida dos nossos melhores dons, na certeza de que prestaremos conta quando bem Lhe aprouver. E tudo isso sem nos esquecermos da tão acirrada perseguição dos ímpios e de outras tantas heresias apregoadas por este mundo afora, além dos danos, muitas vezes irreparáveis, que possam causar ao rebanho.
Se, como instituição e igualmente como corpo visível com suas atuações no tempo dos homens e, portanto, constituída por estes mesmos homens, a Igreja nunca foi um modelo de perfeição exatamente por causa de nossas arrogâncias e ambições, e de todas as nossas deficiências herdadas de nossos próprios pecados, como corpo invisível, no entanto, a Igreja sempre existiu desde os mais remotos tempos, e, como organismo vivo, ela só ainda sobrevive vitoriosamente porque é conduzida pelo poder de Deus. Assim, não podemos estar receosos pelo futuro da Igreja, mesmo nas ocasiões em que ela ainda é perseguida, porém, esperançosos, à medida que percebemos a sua indestrutibilidade desde os tempos passados, já que quanto mais perseguida, aí é que ela mais cresce, mesmo nos dias de hoje, qual o ensino da parábola do grão de mostarda proposto pelo Senhor Jesus cuja semente é a menor de todas, mas que, ao ser semeada, torna-se uma das maiores plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.
Apesar dos pesares, e das nossas lamentáveis atitudes e ingratidões, assim como de muitos falsos crentes que se dizem cristãos tentarem desdizer os planos de Deus com relação a Seus eleitos, ou seja, a verdadeira Igreja de Cristo, confundindo as pessoas com suas falsas doutrinas e pregações egocêntricas, desde os tempos do ministério terrestre do Senhor Jesus, Ele já antecipava o desenvolvimento da Sua Igreja como poder universal - o que se cumpriu em plena Idade Média -, e ainda alertava sobre a figura do maligno no quadro da Igreja visível em sua apostasia, mas que, por fim, exalavam otimismo e confiança no triunfo da Palavra de Deus. Se as parábolas do grão de mostarda e do fermento são relacionadas com a presente manifestação do Reino de Deus no mundo na pessoa do Senhor Jesus, a Igreja representa o novo Israel hoje. Os especialistas assinalam que assim como a semente pequenina da mostarda, depois de semeada, transforma-se numa das maiores plantas, assim também as coisas de Deus podem parecer pequeninas aos nossos olhos e ao mundo, no entanto, produzem grandes resultados, posto que Deus revela a grandeza de Seu poder ao demonstrar que as coisas consideradas insignificantes para o mundo podem ser Seus recursos mais poderosos e preciosos numa clara demonstração de que não valemos nada diante de Sua divina magnificência. Porém, antes de qualquer coisa, Deus tem misericórdia de todos os que arrependidamente admitem a sua pecaminosidade.
É na Igreja que os cristãos podem enriquecer-se espiritualmente. Consequentemente, devem unir-se com os outros crentes para poderem participar da vida de uma congregação local, prestando culto a Deus em espírito e em verdade, aceitando um alimento espiritual que lhes seja saudável até para sua vida natural, assim como a disciplina e, igualmente, participando do seu ministério e testemunho, posto que a Igreja é a única comunidade que presta culto a Deus, permanentemente reunida no verdadeiro santuário - a Jerusalém celestial e o lugar da presença de Deus -, conforme acentuam os especialistas, lembrando ainda que, embora a Igreja seja uma só, ela é constituída de pessoas que ainda estão na terra, que formam a Igreja militante, e daquelas que já morreram e estão na glória. Estas últimas formam a Igreja triunfante. À parte os trocadilhos de mau gosto, e quaisquer outras usurpações, a Igreja é a comunhão dos santos em todo tempo e lugar, agora e sempre. Não é à toa que o apóstolo Paulo lembra que a única Igreja universal é o Corpo de Cristo de quem somos seus membros em particular, mas que também, e por isso mesmo, o é cada congregação local. E como ensina o Novo Testamento, a Igreja é o cumprimento das esperanças e disposições do Antigo Testamento realizado pelo Senhor Jesus. É a família e o rebanho de Deus; o Seu Israel; o corpo e a noiva de Cristo; o santuário do Espírito Santo.
Os estudiosos também afirmam que, como uma realidade distintiva do Novo Testamento, a Igreja existe em Cristo e através de Cristo, ao mesmo tempo em que ela é uma continuidade de Israel, a semente de Abraão e o povo da aliança de Deus. Assim, a nova aliança sob a qual a Igreja vive é uma nova forma do relacionamento em que Deus diz à Sua comunidade escolhida: “Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o Meu povo”.
Refletir sobre a Igreja e sua história é meditar sobre a trajetória do povo de Deus em todos os tempos e lugares, de um povo privilegiado, escolhido e separado para adorá-Lo em espírito e em verdade; de uma história apoteótica, vitoriosa e edificante; e de um Deus que não divide a Sua glória com ninguém, posto que somente Ele é digno de toda honra e toda glória para todo o sempre. E este povo é a Igreja de Cristo a qual é o Seu corpo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos, posto que este mesmo Senhor Jesus Cristo é a cabeça deste corpo, ou seja, da Igreja, que foi comprada por Seu próprio sangue para que não nos tornássemos escravos de homens, mas filhos de Deus pelos méritos deste mesmo Senhor Jesus Cristo que é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.
Corpo de Cristo, casa de Deus, comunhão dos santos, assembléia pública, assembléia do povo de Deus são alguns termos que se incluem à palavra “Igreja”, envolvendo até mesmo um grupo de pessoas que se reúnem em nome de Cristo. Mas nunca um grupo qualquer, um corpo qualquer, porém, uma definição que designa e tem como expressão a Igreja Cristã, tanto local quanto universal. Ou seja, o termo engloba aqueles que são verdadeiros crentes em Cristo, ou ainda um grupo particular de crentes que se reúnem em um lugar. Em português, o vocábulo “Igreja” deriva-se do latim ecclesia, que, por sua vez, no Novo Testamento, traduz a palavra grega ekklesia. No grego secular, ekklesia designava uma assembléia pública, e este significado ainda foi mantido no Novo Testamento. Já, no Antigo Testamento hebraico, a palavra qãhãl designa a assembléia do povo de Deus, e a Septuaginta, na tradução grega do Antigo Testamento, traduziu esta palavra por ekklesia e synagoge, igualmente. Até mesmo no Novo Testamento ekklesia pode significar a assembléia dos israelitas, mas, à parte destas exceções, a palavra ekklesia, no Novo Testamento, designa a Igreja Cristã, local e universalmente falando, jamais um edifício, e, sim, um corpo vivo do qual Cristo é a cabeça e todos os batizados são seus membros.
Desde o Concílio de Constantinopla, em 381, com reafirmações em Éfeso, em 431, e Calcedônia, em 451, a Igreja tem afirmado ser “una, santa, católica e apostólica”. A Igreja é “una” porque é um corpo sob uma Cabeça, ou seja, Cristo, apesar do grande número de denominações e congregações locais. Ainda que muitas Igrejas estejam divididas, mesmo assim, elas reconhecem Jesus Cristo como Senhor e Salvador; e creem que podem ser uma só. Apesar das divergências, somos uma família. Paulo declara que, em Cristo, todos somos um, sem distinção de raça, condição social ou sexo. A Igreja é “santa”, não porque sejam perfeitos os seus membros, mas porque o Espírito Santo nela opera. Ou seja, a Igreja é separada daquilo que é profano. Assim como a Igreja é consagrada a Deus comunitariamente, assim também o é cada cristão individualmente. Os cristãos são santos no sentido de terem sido separados para se dedicarem ao serviço de Deus e consagrados por Ele, o que não significa que estejam livres do pecado. A Igreja é “católica” porque é universal, ou seja, existe no mundo inteiro, guardando sempre a fé para todas as épocas e todos os povos, incluindo crentes de gerações passadas e crentes de todas as culturas e sociedades. Originada do grego, katholikos, e do latim, catholicus, a palavra “católico” significa “geral”, “por tudo”, “universal”, ortodoxo”, embora grupos de cristãos tenham dado-lhe diferentes significados. E, por fim, a Igreja ainda é “apostólica” porque está fundada no ensino apostólico, e comissionada a ir pelo mundo guardando o ensino e a irmandade dos apóstolos. Ou seja, a Igreja é enviada a pregar o Evangelho, reconhecendo esta mensagem e missão dos apóstolos, e, conforme são mediadas através das Sagradas Escrituras, devem ser as de toda a Igreja.Os eruditos destacam que a Igreja só pode ser “una”, “santa” e “católica” se for uma Igreja “apostólica”.
É nesta Igreja que seus membros atuam com sua diversidade de dons, de ministérios e de operações, assistidos pelo mesmo Espírito, pelo mesmo Senhor e pelo mesmo Deus que opera tudo em todos, cuja manifestação deste mesmo Espírito é dada a cada um para o que for útil. Ou seja, para ser um instrumento usado por Deus para dar progresso espiritual ao Seu povo, nos dizeres de John MacArthur, Jr., que também revela sua gratidão a Deus por isso, além de considerar-se honrado por ser um canal pelo qual a graça de Deus, o amor do Senhor Jesus Cristo e a consolação do Espírito Santo possam tornar-se mais reais às pessoas. Porém, MacArthur destaca que esse privilégio também traz a responsabilidade mais pesada que alguém pode assumir, já que o cumprimento desse privilégio e o desencargo dessa responsabilidade exigem que a compreensão da Igreja e de seus ministérios seja correta e de acordo com a Palavra de Deus.
Assim, alista 10 pontos definidos por ele como algumas verdades básicas para melhor entendermos as questões ligadas à igreja e estabelecer tal compreensão como um fundamento para o ministério: A Igreja é a única instituição que nosso Senhor prometeu edificar e abençoar - Mateus 16:18. A Igreja é o lugar de reunião dos verdadeiros adoradores - Filipenses 3:3. A Igreja é a assembléia mais preciosa sobre a terra, uma vez que Cristo a adquiriu com Seu próprio sangue - Atos 20:28; 1Coríntios 6:19; Efésios 5:25; Colossenses 1:20; 1Pedro 1:18; Apocalipse 1:5. A Igreja é a expressão terrena da realidade celestial - Mateus 6:10; 18:18. A Igreja, por fim, triunfará, tanto no âmbito universal como no local - Mateus 16:18; Filipenses 1:6. A Igreja é a esfera de comunhão espiritual - Hebreus 10:22-25; 1joão 1:3,6,7. A Igreja é quem proclama e protege a Verdade divina - 1Timóteo 3:15; Tito 2:1,15. A Igreja é o lugar principal de edificação e crescimento espiritual - Atos 20:32; Efésios 4:11-16; 2Timóteo 3:16,17; 1Pedro 2:1,2; 2Pedro 3:18. A Igreja é a plataforma de lançamento para a evangelização do mundo - Marcos 16:15; Tito 2:11. A Igreja é o ambiente em que se desenvolve e amadurece uma liderança espiritual forte -2Timóteo 2:2.
É esta Igreja o reflexo de todos os cristãos, a continuidade entre o Israel do Antigo Testamento e a Igreja do Novo Testamento, posto que Israel e a Igreja são representados como o único povo de Deus. E estes mesmos cristãos são a casa espiritual edificada em Cristo, contrastando nitidamente o destino dos incrédulos e a posição dos eleitos que são chamados para anunciar as virtudes dAquele que os resgatou das trevas para a Sua maravilhosa luz. Antes, nós também não éramos povo, e não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora somos povo de Deus que alcançamos misericórdia por uma escolha soberana deste mesmo nosso Deus. Não por nenhum mérito nosso. Assim, do mesmo modo os especialistas concordam que somos eleitos e chamados não somente para a salvação, mas também para o serviço, posto que todos nós como crentes em Cristo somos chamados a dar testemunho dos atos salvíficos de Deus, principalmente diante de uma sociedade tão degenerada em que vivemos.
-----------
[1] LIMA, ROGÉRIO. História da Igreja 1. Apostila do curso de bacharel em teologia. Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil - SPFB, Limeira, SP: 2010p.4; Mateus 13:31,32
[2] Mateus 13:19; Ezequiel 17:23; 31:5,6; Salmo 104:12; Daniel 4:12,21; Marcos 4:30,32; Lucas 13:18,19; SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 996, 997. Reimpressão; ATIKINSON BASIL F. C. O Evangelho Segundo São Mateus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 966. Reimpressão; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1120,1153,1347;1Coríntios 1:26; Marcos 2:17;João 9:39-41
[3] Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1403; Hebreus 10:25; Mateus 18:15-20; Gálatas 6:1; 4:26; Hebreus 12:22-24; 1Coríntios 12:12-27; Efésios 1:22,23; 3:6; 4:4; João 10:16; Efésios 2:18; 3:15; 4:6; 1Pedro 5:2-4; Gálatas 6:16; Efésios 5:23-32; Apocalipse 19:7; 21:2,9-27; 1Coríntios 3:16; Efésios 2:19-22
[4] 1Coríntios 11:25; Hebreus 8:7-13; Jeremias 7:23; 31:33; Ex 6:7; Isaías 43:1; 45:3
[5] João 4:24; Isaías 42:8; Efésios 1:23; Colossenses 1:18; Atos 20:28; 1Coríntios 6:20; 7:23
[6] Efésios 1:23; 4:15,16; 5:30; Colossenses 1:18; 1Coríntios 12:27; 2Samuel 7:5; Salmo 65:4; 84:4; 118:26; Malaquias 3:10; Mateus 18:17,20; Atos 15:41;Romanos 16:16; 1Coríntios 4:17;7:17; 14:33; Colossenses 4:15; Mateus 16:15-19; Atos 20:2;1Coríntios 12:28; 15:9; Efésios 1:22; Atos 19:32,39,41; Deuteronômio 10:4; 23:2,3; 32:30; Salmo 22:23; Atos 7:38; Hebreus 2:12
[7] Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell (editor).Trad. por Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1990. vol. 2. p.286-290; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri:Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.notas.p.1403;1Coríntios 1:10-30; Romanos 12:3-8; João 17:20-26; Atos 2:42; 4:32; Efésios 4:1-6; Gálatas 3:27,28; Filipenses 3:12a; 2Tessalonicenses 2:13; Colossenses 3:12ss; Efésios 2:19-22
[8] 1Coríntios 12:4-7
[9] Adaptado de John MacArthur, Jr., “Wanted: A Few Good Shepherds”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1989), 2-3, e MarcArthur, Then Reasons ! Am a Pastor”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1990), 2-3.
[10] 1Pedro 2:8-10; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1497; PINK, A. W. Deus é Soberano. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 1997, 2002, 2008. p. 6. 2ª ed. Reimpressão
ATÉ HOJE, e até mesmo aos olhos das criaturas mais reles e indoutas, ainda experimentamos ou sofremos em nossa própria pele situações vexatórias, desconfortáveis e constrangedoras por conta de quem que, se utilizando dos seus postos dentro da Igreja, comete absurdos e escândalos, não só naquilo que diz respeito à transgressão da Palavra propriamente dita, como também na sua conduta pessoal, infiltrando-se na multidão daqueles que se postam como crentes ou líderes diante da sua comunidade, ou mesmo na sua maneira esdrúxula de gerir as coisas do Reino, posto que, na verdade, estas coisas não vão além dos próprios interesses do SENHOR nosso Deus que lhes outorgou tal administração, assim como nos concede a cada um de nós este ofício no âmbito da medida dos nossos melhores dons, na certeza de que prestaremos conta quando bem Lhe aprouver. E tudo isso sem nos esquecermos da tão acirrada perseguição dos ímpios e de outras tantas heresias apregoadas por este mundo afora, além dos danos, muitas vezes irreparáveis, que possam causar ao rebanho.
Se, como instituição e igualmente como corpo visível com suas atuações no tempo dos homens e, portanto, constituída por estes mesmos homens, a Igreja nunca foi um modelo de perfeição exatamente por causa de nossas arrogâncias e ambições, e de todas as nossas deficiências herdadas de nossos próprios pecados, como corpo invisível, no entanto, a Igreja sempre existiu desde os mais remotos tempos, e, como organismo vivo, ela só ainda sobrevive vitoriosamente porque é conduzida pelo poder de Deus. Assim, não podemos estar receosos pelo futuro da Igreja, mesmo nas ocasiões em que ela ainda é perseguida, porém, esperançosos, à medida que percebemos a sua indestrutibilidade desde os tempos passados, já que quanto mais perseguida, aí é que ela mais cresce, mesmo nos dias de hoje, qual o ensino da parábola do grão de mostarda proposto pelo Senhor Jesus cuja semente é a menor de todas, mas que, ao ser semeada, torna-se uma das maiores plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.
Apesar dos pesares, e das nossas lamentáveis atitudes e ingratidões, assim como de muitos falsos crentes que se dizem cristãos tentarem desdizer os planos de Deus com relação a Seus eleitos, ou seja, a verdadeira Igreja de Cristo, confundindo as pessoas com suas falsas doutrinas e pregações egocêntricas, desde os tempos do ministério terrestre do Senhor Jesus, Ele já antecipava o desenvolvimento da Sua Igreja como poder universal - o que se cumpriu em plena Idade Média -, e ainda alertava sobre a figura do maligno no quadro da Igreja visível em sua apostasia, mas que, por fim, exalavam otimismo e confiança no triunfo da Palavra de Deus. Se as parábolas do grão de mostarda e do fermento são relacionadas com a presente manifestação do Reino de Deus no mundo na pessoa do Senhor Jesus, a Igreja representa o novo Israel hoje. Os especialistas assinalam que assim como a semente pequenina da mostarda, depois de semeada, transforma-se numa das maiores plantas, assim também as coisas de Deus podem parecer pequeninas aos nossos olhos e ao mundo, no entanto, produzem grandes resultados, posto que Deus revela a grandeza de Seu poder ao demonstrar que as coisas consideradas insignificantes para o mundo podem ser Seus recursos mais poderosos e preciosos numa clara demonstração de que não valemos nada diante de Sua divina magnificência. Porém, antes de qualquer coisa, Deus tem misericórdia de todos os que arrependidamente admitem a sua pecaminosidade.
É na Igreja que os cristãos podem enriquecer-se espiritualmente. Consequentemente, devem unir-se com os outros crentes para poderem participar da vida de uma congregação local, prestando culto a Deus em espírito e em verdade, aceitando um alimento espiritual que lhes seja saudável até para sua vida natural, assim como a disciplina e, igualmente, participando do seu ministério e testemunho, posto que a Igreja é a única comunidade que presta culto a Deus, permanentemente reunida no verdadeiro santuário - a Jerusalém celestial e o lugar da presença de Deus -, conforme acentuam os especialistas, lembrando ainda que, embora a Igreja seja uma só, ela é constituída de pessoas que ainda estão na terra, que formam a Igreja militante, e daquelas que já morreram e estão na glória. Estas últimas formam a Igreja triunfante. À parte os trocadilhos de mau gosto, e quaisquer outras usurpações, a Igreja é a comunhão dos santos em todo tempo e lugar, agora e sempre. Não é à toa que o apóstolo Paulo lembra que a única Igreja universal é o Corpo de Cristo de quem somos seus membros em particular, mas que também, e por isso mesmo, o é cada congregação local. E como ensina o Novo Testamento, a Igreja é o cumprimento das esperanças e disposições do Antigo Testamento realizado pelo Senhor Jesus. É a família e o rebanho de Deus; o Seu Israel; o corpo e a noiva de Cristo; o santuário do Espírito Santo.
Os estudiosos também afirmam que, como uma realidade distintiva do Novo Testamento, a Igreja existe em Cristo e através de Cristo, ao mesmo tempo em que ela é uma continuidade de Israel, a semente de Abraão e o povo da aliança de Deus. Assim, a nova aliança sob a qual a Igreja vive é uma nova forma do relacionamento em que Deus diz à Sua comunidade escolhida: “Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o Meu povo”.
Refletir sobre a Igreja e sua história é meditar sobre a trajetória do povo de Deus em todos os tempos e lugares, de um povo privilegiado, escolhido e separado para adorá-Lo em espírito e em verdade; de uma história apoteótica, vitoriosa e edificante; e de um Deus que não divide a Sua glória com ninguém, posto que somente Ele é digno de toda honra e toda glória para todo o sempre. E este povo é a Igreja de Cristo a qual é o Seu corpo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos, posto que este mesmo Senhor Jesus Cristo é a cabeça deste corpo, ou seja, da Igreja, que foi comprada por Seu próprio sangue para que não nos tornássemos escravos de homens, mas filhos de Deus pelos méritos deste mesmo Senhor Jesus Cristo que é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.
Corpo de Cristo, casa de Deus, comunhão dos santos, assembléia pública, assembléia do povo de Deus são alguns termos que se incluem à palavra “Igreja”, envolvendo até mesmo um grupo de pessoas que se reúnem em nome de Cristo. Mas nunca um grupo qualquer, um corpo qualquer, porém, uma definição que designa e tem como expressão a Igreja Cristã, tanto local quanto universal. Ou seja, o termo engloba aqueles que são verdadeiros crentes em Cristo, ou ainda um grupo particular de crentes que se reúnem em um lugar. Em português, o vocábulo “Igreja” deriva-se do latim ecclesia, que, por sua vez, no Novo Testamento, traduz a palavra grega ekklesia. No grego secular, ekklesia designava uma assembléia pública, e este significado ainda foi mantido no Novo Testamento. Já, no Antigo Testamento hebraico, a palavra qãhãl designa a assembléia do povo de Deus, e a Septuaginta, na tradução grega do Antigo Testamento, traduziu esta palavra por ekklesia e synagoge, igualmente. Até mesmo no Novo Testamento ekklesia pode significar a assembléia dos israelitas, mas, à parte destas exceções, a palavra ekklesia, no Novo Testamento, designa a Igreja Cristã, local e universalmente falando, jamais um edifício, e, sim, um corpo vivo do qual Cristo é a cabeça e todos os batizados são seus membros.
Desde o Concílio de Constantinopla, em 381, com reafirmações em Éfeso, em 431, e Calcedônia, em 451, a Igreja tem afirmado ser “una, santa, católica e apostólica”. A Igreja é “una” porque é um corpo sob uma Cabeça, ou seja, Cristo, apesar do grande número de denominações e congregações locais. Ainda que muitas Igrejas estejam divididas, mesmo assim, elas reconhecem Jesus Cristo como Senhor e Salvador; e creem que podem ser uma só. Apesar das divergências, somos uma família. Paulo declara que, em Cristo, todos somos um, sem distinção de raça, condição social ou sexo. A Igreja é “santa”, não porque sejam perfeitos os seus membros, mas porque o Espírito Santo nela opera. Ou seja, a Igreja é separada daquilo que é profano. Assim como a Igreja é consagrada a Deus comunitariamente, assim também o é cada cristão individualmente. Os cristãos são santos no sentido de terem sido separados para se dedicarem ao serviço de Deus e consagrados por Ele, o que não significa que estejam livres do pecado. A Igreja é “católica” porque é universal, ou seja, existe no mundo inteiro, guardando sempre a fé para todas as épocas e todos os povos, incluindo crentes de gerações passadas e crentes de todas as culturas e sociedades. Originada do grego, katholikos, e do latim, catholicus, a palavra “católico” significa “geral”, “por tudo”, “universal”, ortodoxo”, embora grupos de cristãos tenham dado-lhe diferentes significados. E, por fim, a Igreja ainda é “apostólica” porque está fundada no ensino apostólico, e comissionada a ir pelo mundo guardando o ensino e a irmandade dos apóstolos. Ou seja, a Igreja é enviada a pregar o Evangelho, reconhecendo esta mensagem e missão dos apóstolos, e, conforme são mediadas através das Sagradas Escrituras, devem ser as de toda a Igreja.Os eruditos destacam que a Igreja só pode ser “una”, “santa” e “católica” se for uma Igreja “apostólica”.
É nesta Igreja que seus membros atuam com sua diversidade de dons, de ministérios e de operações, assistidos pelo mesmo Espírito, pelo mesmo Senhor e pelo mesmo Deus que opera tudo em todos, cuja manifestação deste mesmo Espírito é dada a cada um para o que for útil. Ou seja, para ser um instrumento usado por Deus para dar progresso espiritual ao Seu povo, nos dizeres de John MacArthur, Jr., que também revela sua gratidão a Deus por isso, além de considerar-se honrado por ser um canal pelo qual a graça de Deus, o amor do Senhor Jesus Cristo e a consolação do Espírito Santo possam tornar-se mais reais às pessoas. Porém, MacArthur destaca que esse privilégio também traz a responsabilidade mais pesada que alguém pode assumir, já que o cumprimento desse privilégio e o desencargo dessa responsabilidade exigem que a compreensão da Igreja e de seus ministérios seja correta e de acordo com a Palavra de Deus.
Assim, alista 10 pontos definidos por ele como algumas verdades básicas para melhor entendermos as questões ligadas à igreja e estabelecer tal compreensão como um fundamento para o ministério: A Igreja é a única instituição que nosso Senhor prometeu edificar e abençoar - Mateus 16:18. A Igreja é o lugar de reunião dos verdadeiros adoradores - Filipenses 3:3. A Igreja é a assembléia mais preciosa sobre a terra, uma vez que Cristo a adquiriu com Seu próprio sangue - Atos 20:28; 1Coríntios 6:19; Efésios 5:25; Colossenses 1:20; 1Pedro 1:18; Apocalipse 1:5. A Igreja é a expressão terrena da realidade celestial - Mateus 6:10; 18:18. A Igreja, por fim, triunfará, tanto no âmbito universal como no local - Mateus 16:18; Filipenses 1:6. A Igreja é a esfera de comunhão espiritual - Hebreus 10:22-25; 1joão 1:3,6,7. A Igreja é quem proclama e protege a Verdade divina - 1Timóteo 3:15; Tito 2:1,15. A Igreja é o lugar principal de edificação e crescimento espiritual - Atos 20:32; Efésios 4:11-16; 2Timóteo 3:16,17; 1Pedro 2:1,2; 2Pedro 3:18. A Igreja é a plataforma de lançamento para a evangelização do mundo - Marcos 16:15; Tito 2:11. A Igreja é o ambiente em que se desenvolve e amadurece uma liderança espiritual forte -2Timóteo 2:2.
É esta Igreja o reflexo de todos os cristãos, a continuidade entre o Israel do Antigo Testamento e a Igreja do Novo Testamento, posto que Israel e a Igreja são representados como o único povo de Deus. E estes mesmos cristãos são a casa espiritual edificada em Cristo, contrastando nitidamente o destino dos incrédulos e a posição dos eleitos que são chamados para anunciar as virtudes dAquele que os resgatou das trevas para a Sua maravilhosa luz. Antes, nós também não éramos povo, e não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora somos povo de Deus que alcançamos misericórdia por uma escolha soberana deste mesmo nosso Deus. Não por nenhum mérito nosso. Assim, do mesmo modo os especialistas concordam que somos eleitos e chamados não somente para a salvação, mas também para o serviço, posto que todos nós como crentes em Cristo somos chamados a dar testemunho dos atos salvíficos de Deus, principalmente diante de uma sociedade tão degenerada em que vivemos.
-----------
[1] LIMA, ROGÉRIO. História da Igreja 1. Apostila do curso de bacharel em teologia. Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil - SPFB, Limeira, SP: 2010p.4; Mateus 13:31,32
[2] Mateus 13:19; Ezequiel 17:23; 31:5,6; Salmo 104:12; Daniel 4:12,21; Marcos 4:30,32; Lucas 13:18,19; SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 996, 997. Reimpressão; ATIKINSON BASIL F. C. O Evangelho Segundo São Mateus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 966. Reimpressão; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1120,1153,1347;1Coríntios 1:26; Marcos 2:17;João 9:39-41
[3] Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1403; Hebreus 10:25; Mateus 18:15-20; Gálatas 6:1; 4:26; Hebreus 12:22-24; 1Coríntios 12:12-27; Efésios 1:22,23; 3:6; 4:4; João 10:16; Efésios 2:18; 3:15; 4:6; 1Pedro 5:2-4; Gálatas 6:16; Efésios 5:23-32; Apocalipse 19:7; 21:2,9-27; 1Coríntios 3:16; Efésios 2:19-22
[4] 1Coríntios 11:25; Hebreus 8:7-13; Jeremias 7:23; 31:33; Ex 6:7; Isaías 43:1; 45:3
[5] João 4:24; Isaías 42:8; Efésios 1:23; Colossenses 1:18; Atos 20:28; 1Coríntios 6:20; 7:23
[6] Efésios 1:23; 4:15,16; 5:30; Colossenses 1:18; 1Coríntios 12:27; 2Samuel 7:5; Salmo 65:4; 84:4; 118:26; Malaquias 3:10; Mateus 18:17,20; Atos 15:41;Romanos 16:16; 1Coríntios 4:17;7:17; 14:33; Colossenses 4:15; Mateus 16:15-19; Atos 20:2;1Coríntios 12:28; 15:9; Efésios 1:22; Atos 19:32,39,41; Deuteronômio 10:4; 23:2,3; 32:30; Salmo 22:23; Atos 7:38; Hebreus 2:12
[7] Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell (editor).Trad. por Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1990. vol. 2. p.286-290; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri:Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.notas.p.1403;1Coríntios 1:10-30; Romanos 12:3-8; João 17:20-26; Atos 2:42; 4:32; Efésios 4:1-6; Gálatas 3:27,28; Filipenses 3:12a; 2Tessalonicenses 2:13; Colossenses 3:12ss; Efésios 2:19-22
[8] 1Coríntios 12:4-7
[9] Adaptado de John MacArthur, Jr., “Wanted: A Few Good Shepherds”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1989), 2-3, e MarcArthur, Then Reasons ! Am a Pastor”, Masterpiece (novembro-dezembro, 1990), 2-3.
[10] 1Pedro 2:8-10; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1497; PINK, A. W. Deus é Soberano. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 1997, 2002, 2008. p. 6. 2ª ed. Reimpressão
segunda-feira, 15 de março de 2010
SOMOS TODOS MISSIONÁRIOS
“E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a Palavra com os sinais que se seguiram” – Marcos 16:20
OS DONS que Deus nos deu são importantes para a unidade e fortalecimento do corpo de Cristo como Igreja visível em redor do mundo que se identifica e desenvolve na proporção dos nossos serviços, aptidões e desempenho de acordo com as especificidades de cada um de nós, considerando que a manifestação do Espírito nos é dada para o que for útil, já que, segundo a Palavra de Deus, um só e o mesmo Espírito é Quem opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Se este corpo é formado por muitos membros que, mesmo sendo muitos, fazem parte e ao mesmo tempo são um só corpo, estes membros também devem procurar com zelo os seus melhores dons para servirem a Deus de uma maneira exemplar na excelência do amor fraterno qual nos primórdios da Igreja Cristã onde as pessoas perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. “E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar.”
Se pouco antes de ser recebido no céu e ser assentado à direita de Deus Pai, pela Sua autoridade, o próprio Senhor Jesus deu uma ordem a Seus discípulos para que estes saíssem pelo mundo proclamando o Evangelho a toda criatura, destacando a razão primária para o evangelismo e as missões por este mundo afora, assim também a todos nós cabe este mandado, já que somos crentes neste mesmo Cristo, e, portanto, seguidores desta mesma mensagem que estes Seus discípulos com especial diligência anunciavam, mesmo pagando um alto preço que custava a muitos até a própria vida. A Bíblia diz que eles, tendo obedecido, pregavam a Palavra de Deus por toda parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando esta Palavra por meio dos “sinais e prodígios, e na virtude do Espírito de Deus”. Os comentaristas afirmam que Paulo considerava a pregação do Evangelho como o meio pelo qual os gentios seriam conduzidos a Deus como uma oferenda agradável de ação de graça; depois, este importante plantador de Igrejas descreve o seu ministério em termos trinitarianos.
Assim, desde o início do livro de Atos dos Apóstolos até nossos dias vê-se que o Evangelho põe em destaque o poder e a atividade do Filho de Deus na terra e chega no seu auge rasgando, nos dizeres de Graham Swift, novos horizontes para a Igreja no mundo. E, como um memorial desta obra missionária, Lucas descreve a trajetória desta Igreja vitoriosa, apesar de tantas pedras serem arremessadas contra ela, mas que ainda permanece, e permanecerá, intacta, viva e militante, acolhendo os necessitados com um alimento sólido e saudável, como um grande hospital espiritual que previne e cura todos os doentes por meio do poder dAquele que nos enviou para tal missão, ou seja, ir e pregar a Palavra viva e miraculosa que transforma vidas, não importa aonde ou a quem quer que seja, como um semeador que pacientemente vai semeando, semeando e semeando até que o Dono da colheita vem colhendo, colhendo e colhendo, resgatando a Sua ceifa das intempéries de um inimigo cruel que nunca se cansa de querer destruir ou arruinar uma semente que tão bem e cuidadosamente é plantada dentro de nós, abortando a colheita, e abocanhando-nos para o seu putrefato ventre, se não estivermos assentados em um firme e fértil terreno. Daí a responsabilidade da Igreja para com as missões, e com seus missionários, já que estas devem estar dentre os seus principais propósitos, por sermos todos nós um missionário na magnitude daquele mandado do Senhor que se estende até mesmo de dentro da nossa própria casa com a nossa própria família e vizinhos, alcançando o outro lado da nossa rua até atingir os confins da terra, outros povos e culturas diferentes.
Assim, ultrapassando as barreiras geográficas, singrando os mares das mais longínquas terras, desafiando as mais diversas e adversas culturas, igualmente enfrentando povos, ideologias e regimes políticos avessos a sua própria fé, arriscando suas próprias vidas, e em favor de uma Igreja gloriosa, sem mácula nem ruga, mas santa e irrepreensível, estes plantadores de Igreja, qual semeadores de uma boa semente, ou seja, da própria Palavra de Deus, e em nome desta mesma fé que professam, coloca-a em prática, vivificando-a por meio de uma valorosa obra, vão disseminando esta Palavra viva e eficaz em nome dAquele que os autorizou a continuarem esta semeadura ainda hoje, posto ser esta uma tarefa ainda inacabada, mas que este mesmo Senhor ainda opera pela ação do Seu Santo Espírito no meio daqueles que obedecem a este Seu chamado, confirmando esta mesma Palavra como um dos mais significativos sinais e prodígios em nossos dias. O verdadeiro milagre, sinais, prodígios e fenômenos estão na própria Palavra de um Deus que Se revela a cada um de nós a cada dia. Mas é necessário que alguém fale disso, e anuncie estas maravilhas. Muitos ainda desconhecem ou não acreditam. Transmitir esta mensagem a todos os povos, não importam quão diferentes sejam suas culturas, despertando-os a crerem neste Senhor de todas as coisas, mas principalmente da nossa própria salvação, é o papel importante daqueles que este mesmo Senhor faz com que estes descubram que o seu melhor dom é ser um dos semeadores desta semente, ou seja, as boas-novas da salvação, posto que, segundo o apóstolo Paulo, se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
---------
[1] 1Co 12:12-14,27-31; At 2:42-47; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1143; BRUCE, F. F. Os Atos dos Apóstolos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1106, 1107. Reimpressão
[2] Mateus 28:18-20; Marcos 16:14-20; Romanos 15:14ss; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1342
[3] GRAHAM SWIFT, C. F. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1025. Reimpressão
[4] Ef 5:27; Tg 2:14-17
[5] 1Co 15:19
OS DONS que Deus nos deu são importantes para a unidade e fortalecimento do corpo de Cristo como Igreja visível em redor do mundo que se identifica e desenvolve na proporção dos nossos serviços, aptidões e desempenho de acordo com as especificidades de cada um de nós, considerando que a manifestação do Espírito nos é dada para o que for útil, já que, segundo a Palavra de Deus, um só e o mesmo Espírito é Quem opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Se este corpo é formado por muitos membros que, mesmo sendo muitos, fazem parte e ao mesmo tempo são um só corpo, estes membros também devem procurar com zelo os seus melhores dons para servirem a Deus de uma maneira exemplar na excelência do amor fraterno qual nos primórdios da Igreja Cristã onde as pessoas perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. “E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar.”
Se pouco antes de ser recebido no céu e ser assentado à direita de Deus Pai, pela Sua autoridade, o próprio Senhor Jesus deu uma ordem a Seus discípulos para que estes saíssem pelo mundo proclamando o Evangelho a toda criatura, destacando a razão primária para o evangelismo e as missões por este mundo afora, assim também a todos nós cabe este mandado, já que somos crentes neste mesmo Cristo, e, portanto, seguidores desta mesma mensagem que estes Seus discípulos com especial diligência anunciavam, mesmo pagando um alto preço que custava a muitos até a própria vida. A Bíblia diz que eles, tendo obedecido, pregavam a Palavra de Deus por toda parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando esta Palavra por meio dos “sinais e prodígios, e na virtude do Espírito de Deus”. Os comentaristas afirmam que Paulo considerava a pregação do Evangelho como o meio pelo qual os gentios seriam conduzidos a Deus como uma oferenda agradável de ação de graça; depois, este importante plantador de Igrejas descreve o seu ministério em termos trinitarianos.
Assim, desde o início do livro de Atos dos Apóstolos até nossos dias vê-se que o Evangelho põe em destaque o poder e a atividade do Filho de Deus na terra e chega no seu auge rasgando, nos dizeres de Graham Swift, novos horizontes para a Igreja no mundo. E, como um memorial desta obra missionária, Lucas descreve a trajetória desta Igreja vitoriosa, apesar de tantas pedras serem arremessadas contra ela, mas que ainda permanece, e permanecerá, intacta, viva e militante, acolhendo os necessitados com um alimento sólido e saudável, como um grande hospital espiritual que previne e cura todos os doentes por meio do poder dAquele que nos enviou para tal missão, ou seja, ir e pregar a Palavra viva e miraculosa que transforma vidas, não importa aonde ou a quem quer que seja, como um semeador que pacientemente vai semeando, semeando e semeando até que o Dono da colheita vem colhendo, colhendo e colhendo, resgatando a Sua ceifa das intempéries de um inimigo cruel que nunca se cansa de querer destruir ou arruinar uma semente que tão bem e cuidadosamente é plantada dentro de nós, abortando a colheita, e abocanhando-nos para o seu putrefato ventre, se não estivermos assentados em um firme e fértil terreno. Daí a responsabilidade da Igreja para com as missões, e com seus missionários, já que estas devem estar dentre os seus principais propósitos, por sermos todos nós um missionário na magnitude daquele mandado do Senhor que se estende até mesmo de dentro da nossa própria casa com a nossa própria família e vizinhos, alcançando o outro lado da nossa rua até atingir os confins da terra, outros povos e culturas diferentes.
Assim, ultrapassando as barreiras geográficas, singrando os mares das mais longínquas terras, desafiando as mais diversas e adversas culturas, igualmente enfrentando povos, ideologias e regimes políticos avessos a sua própria fé, arriscando suas próprias vidas, e em favor de uma Igreja gloriosa, sem mácula nem ruga, mas santa e irrepreensível, estes plantadores de Igreja, qual semeadores de uma boa semente, ou seja, da própria Palavra de Deus, e em nome desta mesma fé que professam, coloca-a em prática, vivificando-a por meio de uma valorosa obra, vão disseminando esta Palavra viva e eficaz em nome dAquele que os autorizou a continuarem esta semeadura ainda hoje, posto ser esta uma tarefa ainda inacabada, mas que este mesmo Senhor ainda opera pela ação do Seu Santo Espírito no meio daqueles que obedecem a este Seu chamado, confirmando esta mesma Palavra como um dos mais significativos sinais e prodígios em nossos dias. O verdadeiro milagre, sinais, prodígios e fenômenos estão na própria Palavra de um Deus que Se revela a cada um de nós a cada dia. Mas é necessário que alguém fale disso, e anuncie estas maravilhas. Muitos ainda desconhecem ou não acreditam. Transmitir esta mensagem a todos os povos, não importam quão diferentes sejam suas culturas, despertando-os a crerem neste Senhor de todas as coisas, mas principalmente da nossa própria salvação, é o papel importante daqueles que este mesmo Senhor faz com que estes descubram que o seu melhor dom é ser um dos semeadores desta semente, ou seja, as boas-novas da salvação, posto que, segundo o apóstolo Paulo, se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
---------
[1] 1Co 12:12-14,27-31; At 2:42-47; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1143; BRUCE, F. F. Os Atos dos Apóstolos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1106, 1107. Reimpressão
[2] Mateus 28:18-20; Marcos 16:14-20; Romanos 15:14ss; Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1342
[3] GRAHAM SWIFT, C. F. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1025. Reimpressão
[4] Ef 5:27; Tg 2:14-17
[5] 1Co 15:19
VESTINDO A CAMISA
“[...] ide, fazei discípulos de todas as nações [...]; ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado [...]– Mt 28:19a,20a
TODOS que estamos inseridos em qualquer contexto ou segmento, seja político ou social, ou qualquer outro, seja num time de futebol ou mesmo em qualquer clube ou outra facção, seja lá qual for, temos que defender a sua bandeira, hasteá-la bem alto, destacando-a dentre as demais, e em alto e bom som sairmos por aí aonde quer que seja, defendendo esta tal bandeira. Não importa o que dizem, se somos falhos, feios, sujos ou malvados, se temos cores assim ou assadas, se somos os últimos da fila, se estamos em frangalhos . . . Nada disso importa. O que importa mesmo é que o meu time é o melhor por causa disso ou daquilo, e por causa de tudo isso é que estou nele, e o defendo com unhas e dentes, e o apregoo a todos os cantos possíveis e impossíveis da terra, mesmo que os outros não queiram ouvir, mas, mesmo assim, eu continuo falando dele, insistindo nisso a todo custo. Do contrário, seremos alijados deste time.
Quem não se lembra das torcidas de futebol, das torcidas organizadas, ou de outros tantos grupos organizados, e dos horrores que muitos deles aprontam por causa dos seus ideais? Quem não se lembra de certos militantes extremistas que ainda fazem seus estragos entre nós, e mesmo daqueles que açambarcam certos poderes, mesmo na carreira política, por conta daquilo que defendem, e nada muda para melhor em nossa vida comunitária ou mesmo como nação? Por mais agressivos, desagradáveis e corruptos que sejam, lá estão eles em defesa dos seus princípios. Ninguém se importa com mais nada, além de suas tão almejadas pretensões. Seus signatários vão até o fundo na defesa daquilo que pregam, em favor de seus interesses, muitos deles às vezes até escusos. Mas todos estão por aí botando a cara para bater ao defenderem aquilo que creem diante de seus opositores.
Assim, todos lutam por aí, pelas ruas e palanques, pelos campos e cidades, muitas vezes até inescrupulosamente, vestindo suas camisas, muitas delas bem marcadas, e bem manjadas, e até manchadas de cores estranhas, defendendo suas bandeiras, teorias e plataformas na busca de novos adeptos, mesmo necessitando, em geral, sem nem perceberem, de uma nova visão deste mundo cruel, tumultuado, egoísta e pecaminoso. E nós, que nos consideramos crentes cristãos? Onde está a nossa camisa, a nossa bandeira ou a nossa espada para podermos vestir, hastear ou empunhar com toda autoridade que nos é devida diante de tudo isso?
É certo que a mensagem da salvação igualmente por ser a mesma mensagem da cruz - por onde passam todas as nossas adversidades deste mundo -, não tem nada a ver com estas arrogâncias, intransigências e deleites mundanos, o que significa que também devemos morrer para este mundo de iniquidades para podermos mirar-nos nAquele que, por esta mesma cruz, e por amor a todos nós, deu-nos o exemplo, doando-Se a nós, e amando-nos primeiro, ao ponto de Se humilhar e morrer por nós, ensinando-nos a amar, primeiramente, ao SENHOR nosso Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso pensamento, como o primeiro e grande mandamento. Depois, semelhantemente, também nos ensinou que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos, já que se amarmos os nossos irmãos passamos da morte para a vida, posto que quem não ama a seu irmão permanece na morte, nos dizeres do apóstolo João, que ainda insiste que não devemos amar apenas por palavras, mas por obra e em verdade.
E como mandamento é lei, cumpre-se, sem sermos nenhum choramingas depois das nossas desobediências;depois de cairmos em pecado - como dizem,depois do leite derramado -, já que a nossa obediência a Deus é a nossa primeira obrigação. E, se é que somos cristãos, também somos seguidores de Cristo, e temos a marca dEle em nós.Tal qual foi dada a Seus discípulos na Grande Comissão pelo poder do Senhor Jesus no céu e na terra, assim também nos foi dada a todos nós, por meio deste mesmo Senhor Jesus e como seguidores daqueles mesmos discípulos, toda autoridade para que, assim como estes, do mesmo modo, fizéssemos mais outros tantos discípulos em todas as nações, ensinando-os a guardar todas as coisas que o Mestre ensinou.
Hoje, como crentes em Cristo, também trazemos esta herança daqueles Seus seguidores. E o que são estas coisas que Jesus lhes havia ensinado? Certamente que não fora nenhuma apologia ao ódio ou o acirramento à incredulidade, à arrogância e dureza dos corações dos homens, características estas ainda hoje tão evidentes. Tal qual foi dada aos Doze pela autoridade de Cristo também por todos nós ainda hoje esta mesma ordem de evangelizar a toda criatura deve ser obedecida. Esta é a bandeira a ser hasteada por todos os que se consideram cristãos diante destes novos tempos, destes tempos pós-modernos em que tudo é relativo, mas que, vergonhosamente para todos nós, milhões de pessoas ainda não foram alcançados pela Palavra de Deus que nos liberta, e nos lembra: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” onde o grande amor de Deus tem espaço privilegiado no coração dos homens, desde que eles creiam neste Senhor Jesus com o seu único Salvador.
É certo que não é nada fácil seguir a Jesus nem falar deste amor de Deus a uma geração caída, perdida e insensível, mas sedenta deste amor de Deus, e que urgentemente necessita de uma transformação em suas vidas - igualmente necessitadas de uma verdadeira revolução miraculosa, longe da imoralidade, da corrupção e da violência. No entanto, se fosse fácil, o próprio sacrifício da cruz não teria sentido, e o Senhor Jesus não teria morrido por amor a nós, assim como a Sua pregação com vistas ao arrependimento e a chegada do Reino dos Céus também não teria sentido. Todos faríamos tudo isso com nossas próprias mãos; com nossas próprias forças. Mas é o Espírito do Senhor que faz a obra, que nos propulsiona, proporcionando-nos este privilégio de também participarmos deste propósito de Deus, de anunciar a Sua Palavra de salvação, deste amor sem limites, desta esperança de uma nova vida aos homens.
É por isso mesmo que devemos ir em frente com a nossa missão em nome deste Deus Triúno, servindo-O com os nossos melhores dons, posto que o domínio de Cristo é universal, e o Seu Evangelho deve ser anunciado aos quatro cantos do mundo por ser o único caminho que restaura os corações contritos, que dá liberdade aos cativos, abrindo-lhes as prisões com a chave das boas-novas desta maravilhosa salvação.
É esta a mensagem que devemos anunciar, destacando-a dentre quaisquer outras que possam se proclamar.
-----------
[1] 1Jo 4:19; Mt 22:36-40; Dt 6:5; Lv 19:18; Rm 13:9; 1Co 13; 1Jo 3:14,18
[2] Mt 28:18-20; Mc 16:15-18; Lc 24:47
[3] Mc 16:16; ATKINSON BASIL, F. C. O Evangelho Segundo São Mateus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 984. Reimpressão
[4] Mt 4:17
[5] Lc 4:18-21; Isaías 61:1,2
TODOS que estamos inseridos em qualquer contexto ou segmento, seja político ou social, ou qualquer outro, seja num time de futebol ou mesmo em qualquer clube ou outra facção, seja lá qual for, temos que defender a sua bandeira, hasteá-la bem alto, destacando-a dentre as demais, e em alto e bom som sairmos por aí aonde quer que seja, defendendo esta tal bandeira. Não importa o que dizem, se somos falhos, feios, sujos ou malvados, se temos cores assim ou assadas, se somos os últimos da fila, se estamos em frangalhos . . . Nada disso importa. O que importa mesmo é que o meu time é o melhor por causa disso ou daquilo, e por causa de tudo isso é que estou nele, e o defendo com unhas e dentes, e o apregoo a todos os cantos possíveis e impossíveis da terra, mesmo que os outros não queiram ouvir, mas, mesmo assim, eu continuo falando dele, insistindo nisso a todo custo. Do contrário, seremos alijados deste time.
Quem não se lembra das torcidas de futebol, das torcidas organizadas, ou de outros tantos grupos organizados, e dos horrores que muitos deles aprontam por causa dos seus ideais? Quem não se lembra de certos militantes extremistas que ainda fazem seus estragos entre nós, e mesmo daqueles que açambarcam certos poderes, mesmo na carreira política, por conta daquilo que defendem, e nada muda para melhor em nossa vida comunitária ou mesmo como nação? Por mais agressivos, desagradáveis e corruptos que sejam, lá estão eles em defesa dos seus princípios. Ninguém se importa com mais nada, além de suas tão almejadas pretensões. Seus signatários vão até o fundo na defesa daquilo que pregam, em favor de seus interesses, muitos deles às vezes até escusos. Mas todos estão por aí botando a cara para bater ao defenderem aquilo que creem diante de seus opositores.
Assim, todos lutam por aí, pelas ruas e palanques, pelos campos e cidades, muitas vezes até inescrupulosamente, vestindo suas camisas, muitas delas bem marcadas, e bem manjadas, e até manchadas de cores estranhas, defendendo suas bandeiras, teorias e plataformas na busca de novos adeptos, mesmo necessitando, em geral, sem nem perceberem, de uma nova visão deste mundo cruel, tumultuado, egoísta e pecaminoso. E nós, que nos consideramos crentes cristãos? Onde está a nossa camisa, a nossa bandeira ou a nossa espada para podermos vestir, hastear ou empunhar com toda autoridade que nos é devida diante de tudo isso?
É certo que a mensagem da salvação igualmente por ser a mesma mensagem da cruz - por onde passam todas as nossas adversidades deste mundo -, não tem nada a ver com estas arrogâncias, intransigências e deleites mundanos, o que significa que também devemos morrer para este mundo de iniquidades para podermos mirar-nos nAquele que, por esta mesma cruz, e por amor a todos nós, deu-nos o exemplo, doando-Se a nós, e amando-nos primeiro, ao ponto de Se humilhar e morrer por nós, ensinando-nos a amar, primeiramente, ao SENHOR nosso Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso pensamento, como o primeiro e grande mandamento. Depois, semelhantemente, também nos ensinou que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos, já que se amarmos os nossos irmãos passamos da morte para a vida, posto que quem não ama a seu irmão permanece na morte, nos dizeres do apóstolo João, que ainda insiste que não devemos amar apenas por palavras, mas por obra e em verdade.
E como mandamento é lei, cumpre-se, sem sermos nenhum choramingas depois das nossas desobediências;depois de cairmos em pecado - como dizem,depois do leite derramado -, já que a nossa obediência a Deus é a nossa primeira obrigação. E, se é que somos cristãos, também somos seguidores de Cristo, e temos a marca dEle em nós.Tal qual foi dada a Seus discípulos na Grande Comissão pelo poder do Senhor Jesus no céu e na terra, assim também nos foi dada a todos nós, por meio deste mesmo Senhor Jesus e como seguidores daqueles mesmos discípulos, toda autoridade para que, assim como estes, do mesmo modo, fizéssemos mais outros tantos discípulos em todas as nações, ensinando-os a guardar todas as coisas que o Mestre ensinou.
Hoje, como crentes em Cristo, também trazemos esta herança daqueles Seus seguidores. E o que são estas coisas que Jesus lhes havia ensinado? Certamente que não fora nenhuma apologia ao ódio ou o acirramento à incredulidade, à arrogância e dureza dos corações dos homens, características estas ainda hoje tão evidentes. Tal qual foi dada aos Doze pela autoridade de Cristo também por todos nós ainda hoje esta mesma ordem de evangelizar a toda criatura deve ser obedecida. Esta é a bandeira a ser hasteada por todos os que se consideram cristãos diante destes novos tempos, destes tempos pós-modernos em que tudo é relativo, mas que, vergonhosamente para todos nós, milhões de pessoas ainda não foram alcançados pela Palavra de Deus que nos liberta, e nos lembra: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” onde o grande amor de Deus tem espaço privilegiado no coração dos homens, desde que eles creiam neste Senhor Jesus com o seu único Salvador.
É certo que não é nada fácil seguir a Jesus nem falar deste amor de Deus a uma geração caída, perdida e insensível, mas sedenta deste amor de Deus, e que urgentemente necessita de uma transformação em suas vidas - igualmente necessitadas de uma verdadeira revolução miraculosa, longe da imoralidade, da corrupção e da violência. No entanto, se fosse fácil, o próprio sacrifício da cruz não teria sentido, e o Senhor Jesus não teria morrido por amor a nós, assim como a Sua pregação com vistas ao arrependimento e a chegada do Reino dos Céus também não teria sentido. Todos faríamos tudo isso com nossas próprias mãos; com nossas próprias forças. Mas é o Espírito do Senhor que faz a obra, que nos propulsiona, proporcionando-nos este privilégio de também participarmos deste propósito de Deus, de anunciar a Sua Palavra de salvação, deste amor sem limites, desta esperança de uma nova vida aos homens.
É por isso mesmo que devemos ir em frente com a nossa missão em nome deste Deus Triúno, servindo-O com os nossos melhores dons, posto que o domínio de Cristo é universal, e o Seu Evangelho deve ser anunciado aos quatro cantos do mundo por ser o único caminho que restaura os corações contritos, que dá liberdade aos cativos, abrindo-lhes as prisões com a chave das boas-novas desta maravilhosa salvação.
É esta a mensagem que devemos anunciar, destacando-a dentre quaisquer outras que possam se proclamar.
-----------
[1] 1Jo 4:19; Mt 22:36-40; Dt 6:5; Lv 19:18; Rm 13:9; 1Co 13; 1Jo 3:14,18
[2] Mt 28:18-20; Mc 16:15-18; Lc 24:47
[3] Mc 16:16; ATKINSON BASIL, F. C. O Evangelho Segundo São Mateus: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 984. Reimpressão
[4] Mt 4:17
[5] Lc 4:18-21; Isaías 61:1,2
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
NOSSA MISSÃO
“Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria” – Lucas 4:24
AINDA HOJE também não é fácil entender por que as pessoas, assim tão de repente, passam da admiração por alguém aos insultos e intolerâncias ou outros tipos de violência que culminam com mortes, sejam por emboscada, perseguições ou mesmo a queima roupa, assim, na cara dura, e limpa, sem nenhuma máscara nem constrangimento. Sem nos esquecermos de outros abomináveis e diversos tipos de horrores praticados pelos homens em suas trapaças neste mundo tão confuso, perdido e apóstata. Não são raras as vezes que já vimos pessoas sendo idolatradas ou mesmo badaladas, até mesmo pela mídia, e, de repente, estas mesmas pessoas são execradas, achincalhadas, e, perdendo a sua visibilidade, são esquecidas para espanto de muitos. Isso quando não lhes é ceifada a própria vida às vezes por quem sempre esteve ali do seu lado em plena tietagem posando como seu exímio e leal admirador. Também não são raras as vezes que estes tão decantados momentos de amor - entre aspas, é óbvio -, transformam-se, num piscar de olhos, em eternas situações de ódio, de terror, para nunca mais voltar atrás. Quantas vezes já vimos pessoas, depois dos seus parcos minutos de fama, chafurdarem-se num ostracismo tal que, sem poderem se livrar de tanta solidão, ansiedade ou depressão enveredam-se por um trajeto sem volta e fatal? Neste mundo de interesses escusos, nós agimos e reagimos à nossa maneira, a nosso bel-prazer, não importando o alvo, desde que nossas vantagens sejam salvaguardadas, doa a quem doer. Basta que alguém nos oponha nestas nossas regalias ou benesses. Basta que a verdade de algumas de nossas sujeiras venha à tona. Quantas vezes já vimos, ouvimos ou nos envolvemos em alguns destes itens ou em situações semelhantes? Se dizem que a verdade dói, pode-se inferir que a mentira é suave, não dói; é lucrativa, de um jeito ou de outro. Balelas à parte, posto que neste me engana que eu gosto, muitos fazem de tudo para tirar o pé da lama a seu modo, e se acham os tais, e ninguém tem nada com isso, ameaçam debochadamente, ludibriando a si mesmos, pensando que realmente estão longe deste lamaçal todo; que nada lhes atinge, e que os outros em derredor são lixo. E assim caminha a humanidade nesta sua perigosa trilha tão íngreme que ameaça até o mais tímido e precavido daqueles que tentam mudar o rumo desta prosa há séculos tão bem ensaiada. Nos tempos de Jesus, tais situações também não eram tão diferentes. Talvez tenha mudado apenas o jeitão da coisa, mas as intenções eram as mesmas. As pessoas faziam tudo o que era possível, e até o impossível, para poderem eliminar quem tentasse mudar os seus planos. O próprio Senhor Jesus também não esteve imune a estas ocasiões de insultos, perseguições, e até mesmo de tentativas de linchamento até atingir Sua morte na cruz. Como evangelista, Lucas insiste em mostrar que o conflito e a perseguição acompanham todos os instantes da vida pública de nosso Senhor que, para alguns especialistas, podem ser interpretados como o prelúdio que apresenta o destino do Mestre, já anunciando o drama da Sua morte quando foi humilhado, vergonhosamente chicoteado e chacoteado, sendo conduzido para fora da cidade para ser crucificado como um ente qualquer, porém, muito perigoso para seus algozes.
Mesmo depois de percorrer várias regiões levando o Seu ensino a todas aquelas nações, mesmo desenvolvendo um intensivo ministério, e sendo admirado por onde passava, mesmo assim, o Senhor Jesus também tinha lá os Seus desafetos. Um fato que é relatado pelos quatro evangelistas mostra que até mesmo na Sua própria terra natal Jesus não era bem recebido. Jesus ensinava nas sinagogas, era louvado por onde quer que passava, menos pelos Seus próprios conterrâneos que O viram crescer junto deles até quando recebeu o batismo de João e saiu pelo mundo a pregar Sua Mensagem de salvação. Uma Mensagem que até hoje ainda muda toda uma situação de sofrimento, de angústia, de perdição, até então vigente. Uma Mensagem de cura, de quebrantamento, de restauração de vidas, e que põe em liberdade aqueles que se sentem oprimidos e escravizados pelos seus mais diversificados tipos de déspota, de pecado. Mesmo assim, os habitantes de Nazaré, e até mesmo os Seus próprios parentes, não acreditavam em Jesus. Assim como ainda hoje muitos também não acreditam, mesmo estando passando pelas mais diversas provas. Não se curvam. Priorizando Sua opção pelos pobres ou mais desvalidos, tanto natural quanto espiritual - mas jamais optando pela acepção das pessoas -, o Senhor Jesus, ao anunciar tais necessidades, também traça o perfil do Seu ministério, ou seja, Suas prioridades no Seu Reino, mas aquele povo só queria mesmo era continuar com suas mesmices ao sabor dos seus prodígios e fantasias, das suas crendices e tradições - e olha que o Senhor nem havia ainda falado sobre o dia da Sua vingança -, tal qual nos dias de hoje quando o Seu nome é anunciado. É difícil as pessoas acreditarem que o verdadeiro milagre é e está na Palavra de Deus que nos faz nascer de novo para uma verdadeira libertação em nossas vidas. Basta crermos nisso. É a Palavra que nos liberta das nossas preferências terrenas para voltarmos a enxergar a verdadeira riqueza que Deus tem reservado para cada um de nós por meio da nossa fé. Sim, o Senhor Jesus veio para pregar a liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos e dar liberdade aos oprimidos. Quem e o que é que tanto nos sufoca, que nos obscurece a nossa visão para não vermos nitidamente e não entendermos o verdadeiro conteúdo da Mensagem salvadora, ou seja, da própria Palavra de Deus revelada, conforme é anunciada, e que este mesmo Senhor nos ensina como ela deve ser apreendida dentro de nós? O que é que nos move a procurarmos esse Jesus? Ou será que apesar de tanto orarmos, se é que realmente oramos, e não alcançando os objetivos de nossas petições, aí, então, jogamos tudo para o alto, e, desesperadamente, corremos atrás de bruxos, astrólogos, benzedores, adivinhos, seitas religiosas e heresias que prometem mundos e fundos, e tudo o que desejamos, mas que, no fundo, tudo não passa de um barco furado que nos despeja num asqueroso lamaceiro cujos dirigentes só querem mesmo é encherem os bolsos de dinheiro por conta da nossa ignorância, inclusive pela falta de conhecimento da própria Palavra de Deus? O povo sofre por falta de conhecimento. E este conhecimento está nas Sagradas Escrituras. Será que também fazemos como os habitantes de Nazaré, que se revoltaram contra Jesus porque não conseguiram os seus objetivos, ou seja, não entenderam claramente o que o Senhor lhes havia dito a respeito do Seu chamado ministerial, ou seja, a Sua Mensagem salvadora? Mesmo assim, nosso Senhor não somente não fez o que eles pediram, mas ainda os levou a refletirem sobre o desprezo que as pessoas dão quando um mensageiro de Deus não é reconhecido como tal.
Muitos de nós ainda hoje também somos motivos de chacota quando mudamos o rumo de qualquer prosa e nos direcionamos para as coisas de Deus, um assunto de mais conteúdo, um assunto que trata das coisas do alto, mas que chateia os incrédulos, deixando-os desconfortáveis diante de tão eficaz mensagem. E a missão daquele que tem esse chamado é ir a todas as nações, fazer discípulos, ensinando as pessoas a guardarem todas as coisas que Jesus ensinou. A estes nosso Senhor confirma que estará com eles até a consumação dos tempos. E estes são os Seus próprios discípulos; aqueles que, como o próprio Cristo, obedeceram ao chamado do Mestre, assim como também o Filho obedeceu a Seu Pai quanto ao resgate dos eleitos de Deus. Se somos chamados, só temos que obedecer, e nada mais, posto que as demais coisas o Senhor providencia, mesmo se nos defrontarmos com quem consideramos o nosso pior inimigo. O Senhor mandou, tem que cumprir. O Senhor chamou, tem que seguir; tem que obedecer. O Senhor tem autoridade para nos comissionar, tendo em vista a razão primária para o evangelismo e missões. Posto que o domínio de Cristo é universal, o Evangelho deve ir ao mundo inteiro, dizem os comentaristas. Ressaltam ainda que, ao ensinar a santidade prática, Jesus ensinou a Seus discípulos não simplesmente em que devem crer, mas também em como devem obedecer. Se ministério significa trabalho, ou melhor ainda, significa serviço prestado a Deus ou às pessoas que, na Igreja, tem como alvo a edificação das pessoas com vistas a maturidade coletiva em Cristo, esse trabalho não tem nada a ver com as mordomias deste mundo, com as facilidades dele, e suas mazelas; é trabalho duro que nos requer especiais dons que só mesmo o Senhor da obra pode nos orientar, qualificando-nos para prestarmos tais serviços. Foi seguindo esta obediência que o então jovem Jeremias recebeu de Deus o seu chamado para o seu ministério profético, que era o de anunciar o julgamento divino contra Judá, por causa da idolatria. A tarefa ministerial não é fácil. É sempre uma missão difícil e arriscada a nossos olhos. Jeremias sabia disso, ele tinha que anunciar a Palavra aos reis, aos governadores, aos sacerdotes e a todo o povo em meio a todo aquele ambiente adverso de idolatria, de alguns fracassos, e de intolerância, como acontece a todos quando iniciam esta missão de profeta por mais simpáticas que estas pessoas sejam até então. Estes mensageiros são marginalizados, criticados, tanto é que Jeremias até fez algumas objeções diante de Deus quanto à sua convocação, dizendo que não sabia falar, que era ainda muito jovem. Mas o SENHOR lhe disse: “Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem Eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás.” Antes, porém, o SENHOR já lhe havia esclarecido tudo sobre a sua criação e eleição, no sentido de conhecê-lo desde muito antes de ele ter sido gerado no ventre de sua mãe. Assim como aconteceu com Moisés, e o apóstolo Paulo, Deus também havia separado Jeremias para o ministério antes mesmo do seu nascimento. Assim, os especialistas consideram que o chamado de Jeremias baseou-se num profundo sentido da iniciativa de Deus, como se Jeremias tivesse sido predestinado para o cargo desde que nasceu, antes, até, de ser concebido - como um caso de determinismo espiritual. Consideram ainda que o caráter dramático do chamado de Jeremias realça o princípio de que quando Deus chama alguém para uma missão, Ele o prepara para isso, apesar de uma extensa lista das nossas fraquezas e limitações, e também de estarmos expostos a derrotas e de sermos vítimas de ódio dos nossos inimigos, além de nos tornarmos objetos de disputa e de discórdia. No entanto, Deus nos garante Sua presença em meio a tudo isso, habilitando-nos. Como Jeremias, nós também antevemos dificuldades, mas Deus promete nos libertar, posto que Ele não nos chama para uma missão sem pretensões de nos ajudar a executá-la conforme Suas próprias metas. Deus não brinca em serviço nem pretende nos colocar em vexames. Entretanto, Deus exorta o profeta a não desanimar nem atemorizar diante do conteúdo de tão árdua tarefa para que também ele não seja envergonhado pelo próprio Deus diante daqueles a quem a Mensagem deve ser anunciada. “E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.” É isso, com Deus, seremos invencíveis diante de nossos inimigos, posto que a nossa esperança, o nosso conforto, estão somente nEle que nos conhece desde antes da fundação do mundo e de cuja vontade é a causa final de todas as coisas. Sem a vontade de Deus - que é soberano absoluto sobre todas as coisas - as coisas não se movem. Ou seja, sem o mover de Deus nada acontece. Se Deus quiser, tudo acontece, e de uma maneira bem venturosa. Nas mãos dEle é que está a verdadeira e plena vitória. Como quem confirma este livramento quando nos encontramos em dificuldades, Lucas cita que ao ser ameaçado de linchamento e morte por certa turba cheia de ira, o Senhor Jesus, “porém, passando pelo meio deles, retirou-Se” tranquilamente. É isso. É mais um motivo de conforto e alegria seguirmos ao SENHOR que, como Cristo, também somos chamados para anunciar uma Mensagem de libertação, de esperança, de um mundo melhor e livre dos males que tanto afetam a sociedade em nossos dias. É certo que encontraremos oposição, que estaremos sujeitos a calúnias, a perseguições, mas uma coisa também é certa: somos protegidos por Deus, que nos chamou e nos comissionou para levar em frente a Sua obra, a Sua Mensagem salvadora. Com o SENHOR nosso Deus à nossa frente, autorizando-nos a prosseguir, passaremos em meio a nossos inimigos e agressores, e iremos em frente, como assim o fez o Senhor Jesus que, com segurança, venceu o mundo levando a Sua Mensagem de paz e amor fraternal, sem nenhum plágio. Jesus e Jeremias, dois belos exemplares de pessoas fiéis à própria missão que lhes fora incumbida por Deus, e que levaram até o fim com ousadia e autoridade dadas pelo próprio Deus. Anunciando coisas desagradáveis a este mundo cruel, eles não titubearam; foram em frente, seguindo Aquele que lhes autorizava ir e anunciar a Sua Palavra de salvação. Com ou sem rejeição, eles foram em frente, e venceram. Qual é a nossa posição quando ainda hoje também somos chamados a levar uma tão importante Mensagem? Qual é a nossa postura diante de Deus quando somos chamados a desempenhar a nossa missão? Somos zelosos e levamos a sério esta responsabilidade? Titubeamos covardemente ou obedecemos ao Soberano Senhor da obra que nos garante a vitória? Que miremos nestes exemplos assim como em tantos outros que a Palavra nos revela para o nosso próprio bem. Que o Dono da obra nos guie, e nos abençoe, nessa nossa caminhada!
REFLEXÃO DE HOJE
“Assim veio a mim a Palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem Eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o SENHOR. E estendeu o SENHOR a Sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca; olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares. Tu, pois, cinge os teus lombos, e levanta-te, e dize-lhes tudo quanto Eu te mandar; não te espantes diante deles, para que Eu não te envergonhe diante deles. Porque, eis que hoje te ponho por cidade forte, e por coluna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra, contra os reis e Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra. E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.” – Jeremias 1:4-10,17-19
LEITURAS DE HOJE
Salmo 111; Jeremias 1:4-10
1Coríntios 14:12-20; Lucas 4:21-32
NOTAS
[1] Marcos 3:20,21; João 7:5; Marcos 6:1-6; Mateus 13:53-58; Lucas 4:21-29
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 240-244
[2] Lucas 4:18,19, 21; Mateus 22:29; João 20:9; Lucas 4:25-27
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1034. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1188
[3] Mateus 28:18-20; Gênesis 12:3; Efésios 4:7-16;Atos 13:2; Romanos 15:16;Atos 6:3; 1Timóteo 3:1-13; Tito 1:6-9; Jeremias 1:4-10,17-19;Gênesis 18:19; Amós 3:2; Êxodo 2; Gálatas 1:15; Salmo 135:6; Provérbios 21:1; Mateus 10:29; Isaías 46:10; Lucas 4:30
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1143, 1144, 861
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 237, 238
CAWLEY, F. Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 744. Reimpressão
AINDA HOJE também não é fácil entender por que as pessoas, assim tão de repente, passam da admiração por alguém aos insultos e intolerâncias ou outros tipos de violência que culminam com mortes, sejam por emboscada, perseguições ou mesmo a queima roupa, assim, na cara dura, e limpa, sem nenhuma máscara nem constrangimento. Sem nos esquecermos de outros abomináveis e diversos tipos de horrores praticados pelos homens em suas trapaças neste mundo tão confuso, perdido e apóstata. Não são raras as vezes que já vimos pessoas sendo idolatradas ou mesmo badaladas, até mesmo pela mídia, e, de repente, estas mesmas pessoas são execradas, achincalhadas, e, perdendo a sua visibilidade, são esquecidas para espanto de muitos. Isso quando não lhes é ceifada a própria vida às vezes por quem sempre esteve ali do seu lado em plena tietagem posando como seu exímio e leal admirador. Também não são raras as vezes que estes tão decantados momentos de amor - entre aspas, é óbvio -, transformam-se, num piscar de olhos, em eternas situações de ódio, de terror, para nunca mais voltar atrás. Quantas vezes já vimos pessoas, depois dos seus parcos minutos de fama, chafurdarem-se num ostracismo tal que, sem poderem se livrar de tanta solidão, ansiedade ou depressão enveredam-se por um trajeto sem volta e fatal? Neste mundo de interesses escusos, nós agimos e reagimos à nossa maneira, a nosso bel-prazer, não importando o alvo, desde que nossas vantagens sejam salvaguardadas, doa a quem doer. Basta que alguém nos oponha nestas nossas regalias ou benesses. Basta que a verdade de algumas de nossas sujeiras venha à tona. Quantas vezes já vimos, ouvimos ou nos envolvemos em alguns destes itens ou em situações semelhantes? Se dizem que a verdade dói, pode-se inferir que a mentira é suave, não dói; é lucrativa, de um jeito ou de outro. Balelas à parte, posto que neste me engana que eu gosto, muitos fazem de tudo para tirar o pé da lama a seu modo, e se acham os tais, e ninguém tem nada com isso, ameaçam debochadamente, ludibriando a si mesmos, pensando que realmente estão longe deste lamaçal todo; que nada lhes atinge, e que os outros em derredor são lixo. E assim caminha a humanidade nesta sua perigosa trilha tão íngreme que ameaça até o mais tímido e precavido daqueles que tentam mudar o rumo desta prosa há séculos tão bem ensaiada. Nos tempos de Jesus, tais situações também não eram tão diferentes. Talvez tenha mudado apenas o jeitão da coisa, mas as intenções eram as mesmas. As pessoas faziam tudo o que era possível, e até o impossível, para poderem eliminar quem tentasse mudar os seus planos. O próprio Senhor Jesus também não esteve imune a estas ocasiões de insultos, perseguições, e até mesmo de tentativas de linchamento até atingir Sua morte na cruz. Como evangelista, Lucas insiste em mostrar que o conflito e a perseguição acompanham todos os instantes da vida pública de nosso Senhor que, para alguns especialistas, podem ser interpretados como o prelúdio que apresenta o destino do Mestre, já anunciando o drama da Sua morte quando foi humilhado, vergonhosamente chicoteado e chacoteado, sendo conduzido para fora da cidade para ser crucificado como um ente qualquer, porém, muito perigoso para seus algozes.
Mesmo depois de percorrer várias regiões levando o Seu ensino a todas aquelas nações, mesmo desenvolvendo um intensivo ministério, e sendo admirado por onde passava, mesmo assim, o Senhor Jesus também tinha lá os Seus desafetos. Um fato que é relatado pelos quatro evangelistas mostra que até mesmo na Sua própria terra natal Jesus não era bem recebido. Jesus ensinava nas sinagogas, era louvado por onde quer que passava, menos pelos Seus próprios conterrâneos que O viram crescer junto deles até quando recebeu o batismo de João e saiu pelo mundo a pregar Sua Mensagem de salvação. Uma Mensagem que até hoje ainda muda toda uma situação de sofrimento, de angústia, de perdição, até então vigente. Uma Mensagem de cura, de quebrantamento, de restauração de vidas, e que põe em liberdade aqueles que se sentem oprimidos e escravizados pelos seus mais diversificados tipos de déspota, de pecado. Mesmo assim, os habitantes de Nazaré, e até mesmo os Seus próprios parentes, não acreditavam em Jesus. Assim como ainda hoje muitos também não acreditam, mesmo estando passando pelas mais diversas provas. Não se curvam. Priorizando Sua opção pelos pobres ou mais desvalidos, tanto natural quanto espiritual - mas jamais optando pela acepção das pessoas -, o Senhor Jesus, ao anunciar tais necessidades, também traça o perfil do Seu ministério, ou seja, Suas prioridades no Seu Reino, mas aquele povo só queria mesmo era continuar com suas mesmices ao sabor dos seus prodígios e fantasias, das suas crendices e tradições - e olha que o Senhor nem havia ainda falado sobre o dia da Sua vingança -, tal qual nos dias de hoje quando o Seu nome é anunciado. É difícil as pessoas acreditarem que o verdadeiro milagre é e está na Palavra de Deus que nos faz nascer de novo para uma verdadeira libertação em nossas vidas. Basta crermos nisso. É a Palavra que nos liberta das nossas preferências terrenas para voltarmos a enxergar a verdadeira riqueza que Deus tem reservado para cada um de nós por meio da nossa fé. Sim, o Senhor Jesus veio para pregar a liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos e dar liberdade aos oprimidos. Quem e o que é que tanto nos sufoca, que nos obscurece a nossa visão para não vermos nitidamente e não entendermos o verdadeiro conteúdo da Mensagem salvadora, ou seja, da própria Palavra de Deus revelada, conforme é anunciada, e que este mesmo Senhor nos ensina como ela deve ser apreendida dentro de nós? O que é que nos move a procurarmos esse Jesus? Ou será que apesar de tanto orarmos, se é que realmente oramos, e não alcançando os objetivos de nossas petições, aí, então, jogamos tudo para o alto, e, desesperadamente, corremos atrás de bruxos, astrólogos, benzedores, adivinhos, seitas religiosas e heresias que prometem mundos e fundos, e tudo o que desejamos, mas que, no fundo, tudo não passa de um barco furado que nos despeja num asqueroso lamaceiro cujos dirigentes só querem mesmo é encherem os bolsos de dinheiro por conta da nossa ignorância, inclusive pela falta de conhecimento da própria Palavra de Deus? O povo sofre por falta de conhecimento. E este conhecimento está nas Sagradas Escrituras. Será que também fazemos como os habitantes de Nazaré, que se revoltaram contra Jesus porque não conseguiram os seus objetivos, ou seja, não entenderam claramente o que o Senhor lhes havia dito a respeito do Seu chamado ministerial, ou seja, a Sua Mensagem salvadora? Mesmo assim, nosso Senhor não somente não fez o que eles pediram, mas ainda os levou a refletirem sobre o desprezo que as pessoas dão quando um mensageiro de Deus não é reconhecido como tal.
Muitos de nós ainda hoje também somos motivos de chacota quando mudamos o rumo de qualquer prosa e nos direcionamos para as coisas de Deus, um assunto de mais conteúdo, um assunto que trata das coisas do alto, mas que chateia os incrédulos, deixando-os desconfortáveis diante de tão eficaz mensagem. E a missão daquele que tem esse chamado é ir a todas as nações, fazer discípulos, ensinando as pessoas a guardarem todas as coisas que Jesus ensinou. A estes nosso Senhor confirma que estará com eles até a consumação dos tempos. E estes são os Seus próprios discípulos; aqueles que, como o próprio Cristo, obedeceram ao chamado do Mestre, assim como também o Filho obedeceu a Seu Pai quanto ao resgate dos eleitos de Deus. Se somos chamados, só temos que obedecer, e nada mais, posto que as demais coisas o Senhor providencia, mesmo se nos defrontarmos com quem consideramos o nosso pior inimigo. O Senhor mandou, tem que cumprir. O Senhor chamou, tem que seguir; tem que obedecer. O Senhor tem autoridade para nos comissionar, tendo em vista a razão primária para o evangelismo e missões. Posto que o domínio de Cristo é universal, o Evangelho deve ir ao mundo inteiro, dizem os comentaristas. Ressaltam ainda que, ao ensinar a santidade prática, Jesus ensinou a Seus discípulos não simplesmente em que devem crer, mas também em como devem obedecer. Se ministério significa trabalho, ou melhor ainda, significa serviço prestado a Deus ou às pessoas que, na Igreja, tem como alvo a edificação das pessoas com vistas a maturidade coletiva em Cristo, esse trabalho não tem nada a ver com as mordomias deste mundo, com as facilidades dele, e suas mazelas; é trabalho duro que nos requer especiais dons que só mesmo o Senhor da obra pode nos orientar, qualificando-nos para prestarmos tais serviços. Foi seguindo esta obediência que o então jovem Jeremias recebeu de Deus o seu chamado para o seu ministério profético, que era o de anunciar o julgamento divino contra Judá, por causa da idolatria. A tarefa ministerial não é fácil. É sempre uma missão difícil e arriscada a nossos olhos. Jeremias sabia disso, ele tinha que anunciar a Palavra aos reis, aos governadores, aos sacerdotes e a todo o povo em meio a todo aquele ambiente adverso de idolatria, de alguns fracassos, e de intolerância, como acontece a todos quando iniciam esta missão de profeta por mais simpáticas que estas pessoas sejam até então. Estes mensageiros são marginalizados, criticados, tanto é que Jeremias até fez algumas objeções diante de Deus quanto à sua convocação, dizendo que não sabia falar, que era ainda muito jovem. Mas o SENHOR lhe disse: “Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem Eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás.” Antes, porém, o SENHOR já lhe havia esclarecido tudo sobre a sua criação e eleição, no sentido de conhecê-lo desde muito antes de ele ter sido gerado no ventre de sua mãe. Assim como aconteceu com Moisés, e o apóstolo Paulo, Deus também havia separado Jeremias para o ministério antes mesmo do seu nascimento. Assim, os especialistas consideram que o chamado de Jeremias baseou-se num profundo sentido da iniciativa de Deus, como se Jeremias tivesse sido predestinado para o cargo desde que nasceu, antes, até, de ser concebido - como um caso de determinismo espiritual. Consideram ainda que o caráter dramático do chamado de Jeremias realça o princípio de que quando Deus chama alguém para uma missão, Ele o prepara para isso, apesar de uma extensa lista das nossas fraquezas e limitações, e também de estarmos expostos a derrotas e de sermos vítimas de ódio dos nossos inimigos, além de nos tornarmos objetos de disputa e de discórdia. No entanto, Deus nos garante Sua presença em meio a tudo isso, habilitando-nos. Como Jeremias, nós também antevemos dificuldades, mas Deus promete nos libertar, posto que Ele não nos chama para uma missão sem pretensões de nos ajudar a executá-la conforme Suas próprias metas. Deus não brinca em serviço nem pretende nos colocar em vexames. Entretanto, Deus exorta o profeta a não desanimar nem atemorizar diante do conteúdo de tão árdua tarefa para que também ele não seja envergonhado pelo próprio Deus diante daqueles a quem a Mensagem deve ser anunciada. “E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.” É isso, com Deus, seremos invencíveis diante de nossos inimigos, posto que a nossa esperança, o nosso conforto, estão somente nEle que nos conhece desde antes da fundação do mundo e de cuja vontade é a causa final de todas as coisas. Sem a vontade de Deus - que é soberano absoluto sobre todas as coisas - as coisas não se movem. Ou seja, sem o mover de Deus nada acontece. Se Deus quiser, tudo acontece, e de uma maneira bem venturosa. Nas mãos dEle é que está a verdadeira e plena vitória. Como quem confirma este livramento quando nos encontramos em dificuldades, Lucas cita que ao ser ameaçado de linchamento e morte por certa turba cheia de ira, o Senhor Jesus, “porém, passando pelo meio deles, retirou-Se” tranquilamente. É isso. É mais um motivo de conforto e alegria seguirmos ao SENHOR que, como Cristo, também somos chamados para anunciar uma Mensagem de libertação, de esperança, de um mundo melhor e livre dos males que tanto afetam a sociedade em nossos dias. É certo que encontraremos oposição, que estaremos sujeitos a calúnias, a perseguições, mas uma coisa também é certa: somos protegidos por Deus, que nos chamou e nos comissionou para levar em frente a Sua obra, a Sua Mensagem salvadora. Com o SENHOR nosso Deus à nossa frente, autorizando-nos a prosseguir, passaremos em meio a nossos inimigos e agressores, e iremos em frente, como assim o fez o Senhor Jesus que, com segurança, venceu o mundo levando a Sua Mensagem de paz e amor fraternal, sem nenhum plágio. Jesus e Jeremias, dois belos exemplares de pessoas fiéis à própria missão que lhes fora incumbida por Deus, e que levaram até o fim com ousadia e autoridade dadas pelo próprio Deus. Anunciando coisas desagradáveis a este mundo cruel, eles não titubearam; foram em frente, seguindo Aquele que lhes autorizava ir e anunciar a Sua Palavra de salvação. Com ou sem rejeição, eles foram em frente, e venceram. Qual é a nossa posição quando ainda hoje também somos chamados a levar uma tão importante Mensagem? Qual é a nossa postura diante de Deus quando somos chamados a desempenhar a nossa missão? Somos zelosos e levamos a sério esta responsabilidade? Titubeamos covardemente ou obedecemos ao Soberano Senhor da obra que nos garante a vitória? Que miremos nestes exemplos assim como em tantos outros que a Palavra nos revela para o nosso próprio bem. Que o Dono da obra nos guie, e nos abençoe, nessa nossa caminhada!
REFLEXÃO DE HOJE
“Assim veio a mim a Palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem Eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o SENHOR. E estendeu o SENHOR a Sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca; olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares. Tu, pois, cinge os teus lombos, e levanta-te, e dize-lhes tudo quanto Eu te mandar; não te espantes diante deles, para que Eu não te envergonhe diante deles. Porque, eis que hoje te ponho por cidade forte, e por coluna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra, contra os reis e Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra. E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.” – Jeremias 1:4-10,17-19
LEITURAS DE HOJE
Salmo 111; Jeremias 1:4-10
1Coríntios 14:12-20; Lucas 4:21-32
NOTAS
[1] Marcos 3:20,21; João 7:5; Marcos 6:1-6; Mateus 13:53-58; Lucas 4:21-29
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 240-244
[2] Lucas 4:18,19, 21; Mateus 22:29; João 20:9; Lucas 4:25-27
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1034. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1188
[3] Mateus 28:18-20; Gênesis 12:3; Efésios 4:7-16;Atos 13:2; Romanos 15:16;Atos 6:3; 1Timóteo 3:1-13; Tito 1:6-9; Jeremias 1:4-10,17-19;Gênesis 18:19; Amós 3:2; Êxodo 2; Gálatas 1:15; Salmo 135:6; Provérbios 21:1; Mateus 10:29; Isaías 46:10; Lucas 4:30
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1143, 1144, 861
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 237, 238
CAWLEY, F. Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 744. Reimpressão
Assinar:
Postagens (Atom)