“Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente” – 1Coríntios 12:27,31
SE QUISERMOS empreender alguma tarefa que se destina a uma ampla e fidedigna exposição de acordo com os eventos acontecidos, e que sejam igualmente postos ao domínio público por tempo indeterminado, temos que ir até o fundo nas indagações, nas fontes, até as raízes dos fatos, às suas origens, falando com as pessoas ou manuseando os documentos diretamente envolvidos, e até mesmo considerar as testemunhas oculares, para, depois de acurada investigação, estarmos prontos para finalizarmos e divulgarmos o tão planejado empreendimento. Ou seja, temos que ser ousados, além de estarmos munidos de todos os dados e, diretamente da fonte, discorrermos com plena autoridade e persuasão. Todos temos as nossas responsabilidades por tudo aquilo que nos dispomos a empreender. Ninguém vive neste mundo isoladamente, apenas e tão somente por viver, como se as repercussões de nossos atos, quaisquer que sejam, não respingassem em quem está a nosso lado, não importam as distâncias; como se caíssemos de paraquedas, e estivéssemos perdidos em algum lugar deste planeta, falando coisas sem sentido, inventando histórias, e, gananciosamnete, enganando os outros por causa de dinheiro ou outros fins estranhos, fantásticos ou mirabolantes. Em qualquer segmento da nossa sociedade, político, religioso ou não, dentre outros, sempre existem aqueles que se julgam espertos, e acham que devem levar vantagem em tudo, e em cima de todos, com suas teorias esdrúxulas ou até mesmo tacanhas, levianas e inconsistentes, sem ética e sem nenhum fundamento que se preze. Agem sem nenhum zelo por aquilo que se lhe incumbiu desempenhar. O importante é que ainda restam algumas pessoas que não caem em conversa fiada, que não pactuam com estelionatários, e que não são tão simplórias assim, para se deixarem ser enganadas, e levarem gato por lebre. Temos que estar atentos, e inquirirmos, indo até a fonte para não sermos ludibriados, inclusive quando se trata dos ensinos cristãos, do ouvir e da ministração da Palavra de Deus, posto que muitos dedicaram totalmente a sua própria vida por esta Verdade para que ela seja fielmente anunciada conforme aquilo que eles viram e ouviram.E o que eles viram e ouviram - e até sofreram na própria pele as consequências desta opção de fé - não foram vãs filosofias, sonhos, revelações misteriosas, nenhuma história banal, falaciosa, sem sentido, como as que se ouvem nos botequins por aí, aos pés do balcão desta vida - e, muitas vezes, nos púlpitos e palanques públicos -, mas fatos que ainda se cumprem, a realidade de uma genuína Mensagem que nos faz nascer de novo para uma vida inteiramente transformada, voltada para o bem, sem transgressões. Ou seja, todo um gozo que nos satisfaz por meio de um irreversível sabor operado por uma ação das boas-novas da salvação, já que a Palavra de Deus é a espada do Espírito, o capacete da salvação, o escudo da fé capaz de livrar-nos de todas as setas do Maligno. Ou seja, a armadura espiritual do cristão. “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” Como crentes cristãos, mesmo reconhecendo que dentro da nossa própria comunidade possa haver um perverso coração de incredulidade, de insensatez ou de imperícia, devemos guardar, não apenas a nossa própria perseverança nesta nossa opção de fé, mas igualmente devemos encorajar uns aos outros para que sigamos em frente sem nenhum desvio de conduta, posto que Cristo pode salvar totalmente os que por Ele se cheguem a Deus. “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos para que o vosso gozo se cumpra.”
Diferentemente de Lucas que, dentre os evangelistas, é o único que afirma expressamente que não pertence ao rol daqueles que conheceram pessoalmente a nosso Senhor Jesus, mas que se informou de tudo desde o princípio para que possamos conhecer a certeza das coisas do Seu ministério, o apóstolo João é uma das testemunhas escolhidas que viram, ouviram e tocaram nAquele que existe desde o princípio - o Filho de Deus, cuja eterna comunhão com o Pai agora é estendida a outros por meio da proclamação apostólica, contra quaisquer outras especulações ou tergiversações. Duas práticas, dois testemunhos que miram num mesmo alvo que se estende até nós e nos possibilita o livre acesso à Palavra com vistas a dar-nos bases sólidas à nossa fé, já que esta não se baseia em nenhum compêndio técnico de provas irrefutáveis que demonstram que Jesus é o Senhor nem pode ser trocada por crendices, fanatismos e outros shows mirabolantes ou similares, como numa banca de negócios, tampouco poderá ser uma simples opção assumida por indoutos que não têm nenhum zelo pelas coisas do alto e que agem bem longe dos reais motivos que fundamentam a sua adesão a Cristo sem antes terem-se envolvidos de uma maneira toda especial por uma confiança e aceitação completa da Pessoa e obra de Cristo como base de um relacionamento íntimo com Deus numa eficaz operação do Santo Espírito. São dois perfis de um trabalho divinamente inspirado e dois belos exemplares de como a revelação da Palavra pode alcançar-nos, pelo menos àqueles que creem, posto que a fé, que deve vir pelo ouvir perseverantemente esta Palavra revelada, também implica em considerarmos a devida paciência para podermos mergulhar atentamente nas promessas que Deus tem para cada um de nós, porém, ainda não concedidas, já que, para o presente, somente a fé pode enxergar o futuro, na medida em que ela se alimenta destas promessas de Deus. Se no testemunho do profeta Habacuque o justo viverá por sua fé, esta não pode separar-se da paciência mais do que poderia separar-se de si mesma, nos dizeres de Calvino, que, segundo ele, a paciência sempre está relacionada com a fé, e, literalmente, diz que jamais alcançaremos a meta da salvação, a menos que nos munamos de paciência, posto que a fé nos conduz para as coisas distantes que ainda não alcançamos. Daí, completa, faz-se necessário que a fé inclua a paciência. Portanto, devemos planejar os nossos objetivos, preparar-nos para alcançá-los, e, ao mesmo tempo em que o que se espera não se vê, a fé não deixa de ser a substância, o arrimo ou o fundamento sobre o qual firmamos nossos pés, ainda segundo Calvino, que nos ensina igualmente que não devemos exercer fé em Deus com base nas coisas presentes, mas, sim, com base na expectativa de coisas ainda vindouras. Falando sobre provas e tentações, Tiago também ressalta que a prova da nossa fé é a paciência que, por sua vez, na opinião do apóstolo Paulo, produz a experiência e, esta, a esperança que não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado; e que nos gloriemos na esperança da glória de Deus porque em esperança fomos salvos. “Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.” E os especialistas ainda complementam este pensamento do apóstolo, e afirmam que esta esperança é a certeza de que receberemos algo que ainda não está sendo plenamente experimentado, o que é diferente da incerteza, assim como também esta esperança não será frustrada; ela é garantida aqui e gora pelo amor de Deus que o Santo Espírito derrama em nossos corações, se é que cremos nisso. Igualmente, esta experiência confirma a nossa confiança de que a glória pela qual esperamos nos pertencerá algum dia.
Assim como os discípulos de Jesus não deixavam de falar daquilo que tinham visto e ouvido - eles não transgrediam sua fé nem sob quaisquer ameaças que em geral não paravam apenas nas ameaças, mas na perda da própria vida -, ainda hoje todos nós que também nos identificamos como crentes em Cristo igualmente deveríamos mirar-nos nestes mesmos exemplos de fé e não agirmos muitas vezes como incrédulos, debandando-nos por qualquer coisa ou recaída, lamentando por aí, sem o devido temor a Deus quando as coisas desta vida não acontecem do jeito que a gente quer ou por não entendermos qualquer outra derrocada que possa incidir sobre nossas cabeças, esquecendo-nos de que o comando de tudo está nas mãos dEle que é o Soberano Senhor absoluto sobre tudo o que existe acima e abaixo de nossos pés; nos céus e na terra, encima e embaixo deles. A Palavra de Deus diz que o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e que somente os loucos é que desprezam esta sabedoria e o ensino, assim como bom entendimento têm os que cumprem os Seus mandamentos, já que o Seu louvor permanece para sempre. Os estudiosos nos lembram que a falta de temor a Deus é a raiz de todos os males, como identifica o próprio salmista, e que este temor de Deus, que se origina na fé, é uma resposta especial às revelações divinas, o respeito reverente que reconhece total dependência dEle. Ainda comentam que, na ausência desta reverência, surge um tipo diferente de temor do SENHOR, que é o pavor. O salmista Davi ao falar da benignidade de Deus, em contraste, apresenta o quadro de uma pessoa perversa, e ora pedindo o seu livramento, na certeza, mediante a fé, da queda destes perversos. “Quão preciosa é, ó Deus, a Tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das Tuas asas. Eles se fartarão da gordura da Tua casa, e os farás beber da corrente das Tuas delícias; porque em Ti está o manancial da vida; na Tua luz veremos a luz. Não venha sobre mim o pé dos soberbos, e não me mova a mão dos ímpios. Ali caem os que praticam a iniquidade; cairão, e não se poderão levantar.” Que, sinceramente, possamos distinguir estes contrastes diante de tanta malícia e arrogância dos ímpios, e vermos que Deus realmente salva os retos e quebrantados de coração ainda hoje em nossos dias. Quando o Senhor Jesus deu início à Sua vida pública, pregando em Nazaré, Sua cidadezinha natal, num sábado - como era de costume -, Ele já realizava um intensivo trabalho, e Sua fama já corria por todas as terras em derredor. Ele ensinava em Suas sinagogas, e por todos era louvado. Nesse dia, em Nazaré, quando, pela virtude do Espírito, voltou para a Galiléia, Jesus leu um trecho do livro do profeta Isaías, anunciando o programa do Seu ministério, que dizia: “O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.” E, fechando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-Se. A Bíblia diz que os olhos de todos na sinagoga estavam voltados para Jesus. Os historiadores dizem que, naquele tempo, quem se sentava para instruir os outros era considerado um mestre. Aplicando esta profecia para Si mesmo, o Senhor Jesus explicou, assim, a Sua mudança de vida desde quando havia deixado Sua casa para receber o batismo de João, para espanto da parte daqueles que eram Seus próprios conterrâneos. Jesus havia sido criado entre eles. E hoje, para cada um de nós, quem é este Jesus que nos foi enviado para trazer as boas-novas aos pobres, para curar os corações quebrantados, para dar liberdade aos presos, e oprimidos, para restaurar a vista dos cegos? Quem é este Jesus para mim? Quem é este Jesus para você? Quem é este Jesus para todas as nações deste mundo espiritualmente cego, doente e escravizado por suas próprias mesquinharias? Será que este Jesus ainda é motivo de espanto, de pavor, de escárnio ou rejeição quando entre nós é mencionado o Seu nome? Até que ponto tem-nos despertado o cuidado de uns para com os outros, como membros de um mesmo corpo, no sentido de que devemos anunciar que todos somos um neste mesmo Jesus que, segundo a própria Palavra de Deus, tornou-Se o nosso Mestre, e que é para Ele que os nossos olhos devem estar voltados, e não para nenhum outro? É mesmo neste Jesus que está a nossa liberdade, a nossa vitória, a nossa esperança, e expectativas de uma nova vida transformada por meio deste mesmo Espírito que esteve sobre este mesmo Jesus, e que em cada um de nós também pode operar maravilhas, porquanto ainda hoje se cumprem estas mesmas Escrituras? Até que ponto temos a sensibilidade de vermos que em cada ato deste mesmo Jesus há sempre oportunidades de aprendermos alguma coisa? Que os ensinos deste nosso Mestre nos sirvam de reflexão para uma possível revisão de vida, de atitudes e de conceitos dentro de nós, e assim como Ele cresceu em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens, que nós, que nos consideramos crentes em Cristo, também possamos crescer em desenvolvimento intelectual, social e espiritual, e oferecer-Lhe os nossos melhores dons, ou seja, o nosso amor fraternal, para o benefício do Seu povo que, do mesmo modo, deve crescer como um corpo íntegro, são e santo para louvor, honra e glória do Seu nome e, assim, pela graça, podermos constatar a realidade da Sua salvação dia após dia dentro de nós.
REFLEXÃO DE HOJE
“Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijem com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.” – 1Coríntios 12:12-14,18-27,31
LEITURAS DE HOJE
Salmo 36; Amós 3:1-8
1Coríntios 12:12-31; Lucas 4:14-21
NOTAS
[1] Lucas 1:1-4; Efésios 6:15-17; Hebreus 4:12; 12:15-17; 7:25; 10:24,25; 13:22; 1João 1:1-4; João 1:1; Gênesis 1:1
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1466, 1509
[2] Hebreus 11:1,2,6; Habacuque 2:4; Tiago 1:3; Romanos 5:3-5; 8:17-25
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 231-236
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1477, 1325
CALVINO, JOÃO. Comentário à Sagrada Escritura. Exposição de Hebreus. 1ª ed. em português. Trad. por Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Paracletos,1997. p. 295-308
[3] Atos 4:20; Amós 3:3,8; Salmo 36:1; Provérbios 1:7; 9:10; Salmo 111:10; Salmo 36:5,7-9,10, 1-4,12; Lucas 4:14-21; Isaías 61:1,2; 58:6;Lucas 1:51-53; Salmo 9:18; Lucas 2:52
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 637, 1187, 1185
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 529.Reimpressão
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1034. Reimpressão
sábado, 30 de janeiro de 2010
ESPERANÇA NOSSA
“(...) assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus. Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria” – Salmo 68:2,3
QUEM É QUE não gosta de festas? Obviamente que há festas e festas, ou seja, há festas de todos os tipos e para todos os gostos ou finalidades. Mas uma coisa é certa, há muita alegria, de um jeito ou de outro, e até mesmo muita gente, muita agitação, muita comida e bebida; tudo de acordo com seus convidados e promotores, tudo de acordo com o que essas ocasiões oferecem, além de se levar em consideração suas repercussões e outras decorrências. E as festas de casamento, então!... os noivos, os convidados, todo aquele cerimonial, aquela pompa, e um bom vinho, é claro!... tudo em consideração ao mais sublime amor que une duas pessoas, maritalmente falando, ou seja, o amor entre um homem e uma mulher, agora casados. Pena que, mesmo instituído por Deus, o casamento, muitas vezes, é acometido por situações que o desgasta, por traições, falta de experiência, de amadurecimento, por dificuldades de lidar ou de manter uma fidelidade entre as partes ou pela ilusão de achar que do lado de lá sempre é bem melhor ou que este amor dantes tão efusivo, agora já não é tanto assim, como se o amor - o verdadeiro amor - pudesse acabar um dia qualquer e que esse amor jamais estivera nos planos de Deus para nossa vida. É verdade tudo isso? O amor pode um dia acabar? Sem falar do amor de Deus para com o Seu povo, esse amor conjugal é tão levado a sério por Deus que para descrever o Seu imenso amor pelo povo de Israel o SENHOR nosso Deus, pela boca do profeta Isaías, compara Jerusalém como uma esposa chamada de a “Desamparada”, a “Assolada”, mas que, “todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá que no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois Meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo”, numa clara alusão à restauração dos abandonados e cumprimento da antiga promessa patriarcal de inúmeros descendentes, cujo cumprimento desta restauração, segundo os especialistas, pelo menos em parte, deu-se quando os remanescentes do Norte juntaram-se ao Sul, no governo de Ezequias, e depois do exílio. Afirmam também que quanto a esse objetivo final não há nenhuma dúvida, posto que mais uma vez é exposta a decisão do Servo de prolongar o Seu ministério até ser atingido o alvo desejado desta restauração de Israel, assegurando, assim, a salvação deste povo, embora rebelde, infiel e idólatra. Ainda assim, esta nação será governada com justiça e coroada com o favor visível de Deus. “(...) chamar-te-ão: ‘O Meu prazer está nela’, e à tua terra: ‘A casada’; porque o SENHOR Se agrada de ti, e a tua terra se casará. Porque, como o jovem se casa com a virgem, assim teus filhos se casarão contigo; e como o noivo se alegra da noiva, assim se alegrará de ti o teu Deus.”
Deus não Se comporta como os maridos, quando são traídos por suas mulheres. Estes não as acolhem de novo em sua casa nem as recebem de volta em seus braços nem as querem ver outra vez; jamais. Tudo se desmorona daí para frente. Quantos casamentos são destruídos quando um dos cônjuges adquire algum problema no que se refere à sua saúde física, mental ou moral; quando se envereda por outros caminhos, pelo mundo dos vícios, das drogas, do alcoolismo, e tantas outras dificuldades difíceis de serem sanadas, tais como o desemprego ou a infidelidade, por exemplo! A pessoa é jogada às traças, e lá se vão aqueles tão almejados sonhos e metas de felicidade a dois. O amor era tão lindo, e, de repente, transformou-se num inferno, em ódio por todos os lados, e para sempre. Isso será mesmo amor? Os israelitas, ao voltarem do exílio, ao encontrarem Jerusalém reduzida a ruínas, pensavam que Deus os rejeitara para sempre, já que antes era como uma princesa entre as províncias, e grande entre as nações, mas que se tornou como viúva, humilhada, por causa da sua infidelidade, da sua desobediência e rebeldia, como se oferecesse suas graças a muitos amantes - os outros deuses assírios e babilônios. Pensavam que nada mais poderiam fazer diante de tanto desânimo. Mas o amor de Deus não é como o amor dos homens. Não é inconstante, que age segundo as conveniências ou circunstâncias, que perde o seu entusiasmo tão facilmente, que não nos dá nenhuma segurança, nenhuma importância, nenhuma chance de reverter tal situação, mesmo sendo nós todos pecadores, vulneráveis e falíveis. Como o Edificador da Nova Jerusalém, não obstante a tantas traições, e mesmo agindo com justiça e juízo para com Seu povo, o SENHOR nosso Deus - cuja presença importa em salvação divina que não se harmoniza com as expectativas humanas, já que esta salvação se origina na livre decisão divina -, em contraste com as mãos sujas dos homens, estende as Suas mãos com amor e jamais repudia quem quer que seja, muito menos a Sua noiva, o Seu remanescente fiel que, por causa destes, a totalidade será preservada, não somente em Israel, mas em outras nações, como na parábola do joio contada por Jesus onde Deus retém o juízo imediato por causa dos eleitos que estão no mundo e que os justos têm que viver no meio dos ímpios, desde o começo. “Assim diz o SENHOR: Como quando se acha mosto num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de Meus servos, que não os destrua a todos.” Que tomemos tudo isso como exemplo quando nos tornamos infiéis a Jesus, nosso Senhor, quando nos devotamos inteiramente a nossas idolatrias ainda tão evidentes, às nossas paixões mundanas ainda tão desenfreadas, a nossos bens materiais em quem ainda depositamos tantas esperanças, mas que, na verdade, são nossos amantes que ainda nos exploram e nos dominam sem nenhuma piedade, levando-nos a derrocada final, se não formos amparados pelo nosso fiel e competente Advogado. Ou seja, se não formos poupados desta triste experiência da devastação provocada pelo pecado. Se não formos alcançados pela mensagem desta esperança salvadora operada por este amor imperecível deste nosso Deus, e intermediado pela poderosa mão do Senhor Jesus, o Cristo prometido, nosso amigo Consolador e Servo Fiel em comunhão com o Santo Espírito deste mesmo SENHOR nosso Deus.
Assim é que aqueles que não são povos de Deus tornar-se-ão filhos do Deus vivo numa transição das trevas para a luz, das ameaças de justiça divina para as promessas deste amor divino, literalmente cumpridas em Cristo e aplicadas à Sua Igreja - a Sua noiva; o verdadeiro Israel -, composta tanto por judeus quanto por gentios. Os especialistas lembram que, para os apóstolos, o remanescente de Israel étnico era, evidentemente, um modelo para o remanescente das nações - o que se aplicava àqueles aplica-se também a estes. Assim como a expressão “filhos do Deus vivo” pronunciada por Oséias sugere o tipo de relacionamento íntimo que Deus deseja ter com Israel - onde Deus deseja dar vida, em contraste com o relacionamento sem vida que Israel tinha com Baal -, assim também esse relacionamento vivo é, agora, fornecido em Jesus Cristo. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.” É o apóstolo Pedro na sua primeira carta, aplicando à Igreja os mesmos termos do Antigo Testamento aplicados a Israel, e afirmando a continuidade entre Israel daqueles tempos e a Igreja do Novo Testamento. O apóstolo ainda afirma que os crentes cristãos são a casa espiritual edificada em Cristo, ou seja, a Igreja como templo espiritual, destacando um nítido contraste entre o destino dos incrédulos e a posição dos eleitos. Assim, segundo os especialistas, Israel e a Igreja são representados como o único povo de Deus. E, ainda segundo os estudiosos, nesta continuidade essencial entre o Israel do Antigo Testamento e a Igreja do Novo Testamento, a misericórdia de Deus estende-se indistintamente, e de uma forma não meritória, tanto a judeus quanto a gentios. “Levante-Se Deus, e sejam dissipados os Seus inimigos; fugirão de diante dEle os que O odeiam. Como se impele a fumaça, assim Tu os impeles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus. Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. Cantai a Deus, cantai louvores ao Seu nome; louvai Aquele que vai montado sobre os céus, pois o Seu nome é SENHOR, e exultai diante dEle. Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no Seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca.” O salmista distingue muito bem quem é quem nesta vitória de Deus sobre Seus inimigos, e, como pano de fundo, a vitória do Senhor Jesus sobre as forças de Satanás durante a ascensão. É neste clima de muita alegria que Deus Se relaciona com Seu povo, como numa festa de casamento onde não pode haver nenhum clima de tristeza, já que Jerusalém, antes destruída e abandonada, torna-se novamente a esposa amada pelo seu Deus e, na sequência, a Igreja de Cristo, também vitoriosa como povo de Deus cuja “graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo”. Ou seja, todos os cristãos participam da graça da salvação por meio da fé. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” E neste contexto de celebração de uma festa de casamento Jesus realiza o Seu primeiro milagre, revelando que Ele veio para firmar uma nova aliança, manifestando ainda a Sua glória e proclamando a nova era messiânica; uma nova ordem mundial em que Jesus dá apenas um sinal da Sua grande obra que irá realizar como um esposo que celebrará as núpcias com a humanidade, um casamento perfeito, sem traições nem engodos outros, somente alegria, a felicidade da consolidação de uma espera de um Reino de Deus que os profetas tanto anunciavam como um banquete preparado com carnes gordas, tutanos gordos; uma festa em que se servem vinhos velhos e refinados, e iguarias finas. Reino este do qual também participamos com os nossos melhores dons, distribuídos pelo Espírito de Deus, que os reparte particularmente a cada um como bem entender, para o que for útil na comunidade cristã, sem nos considerarmos superiores aos demais, e nem a ninguém, sem promovermos competições nem despertarmos invejas, mas, sim, favorecermos a unidade do Corpo de Cristo, ou seja, a unidade da Sua Igreja, colocando-nos a serviço dos irmãos com aquela mesma humildade demonstrada pelo Cabeça da Igreja; para o bem comum, para o enriquecimento espiritual desta mesma Igreja. Que assim seja! Que o Senhor da obra nos capacite para tal como um digno convidado desta grande festa promovida para a honra e a glória do grande Rei, o Rei do Universo e Senhor da messe.
REFLEXÃO DE HOJE
“Levante-Se Deus, e sejam dissipados os Seus inimigos; fugirão de diante dEle os que O odeiam. Como se impele a fumaça, assim Tu os impeles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus. Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. Cantai a Deus, cantai louvores ao Seu nome; louvai Aquele que vai montado sobre os céus, pois o Seu nome é SENHOR, e exultai diante dEle. Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no Seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca. Ó Deus, quando saías diante do Teu povo, quando caminhavas pelo deserto, a terra abalava-se, e os céus destilavam perante a face de Deus; até o próprio Sinai foi comovido na presença de Deus, do Deus de Israel. Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de benefícios; o Deus que é a nossa salvação. O nosso Deus é o Deus da salvação; e a Deus, o Senhor, pertencem os livramentos da morte. Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de Seus inimigos e o crânio cabeludo do que anda em suas culpas. Celebrai a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte de Israel. Reinos da terra, cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor. Ó Deus, Tu és tremendo desde os Teus santuários; o Deus de Israel é o que dá força e poder ao Seu povo. Bendito seja Deus!” – Salmo 68:1-8,19-21,26,32,35
LEITURAS DE HOJE
Salmo 68; Isaías 62:1-5
1Coríntios 12:1-11; João 2:1-11
NOTAS
[1] 1Coríntios 13:7,8; Isaías 62:1-5; Oséias 1:10; Gênesis 13:16; 15:5; 26:24; 28:14; 22:17; 32:12; 1Pedro 2:10; 2Crônicas 30:11,18; 1Crônicas 9:3; Esdras 8:35; Isaías 49:14; 54:1,6,7
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1007
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 73. Reimpressão
[2] Isaías 65:1-25; Romanos 10:20; Lamentações 1.1; Romanos 9:11,12,25,26; 10:30,31; 11:6,17; Isaías 65:8; Mateus 13:29,30; Isaías 1:9; 56:6; Gênesis 18:22-33
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 855, 1120
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 221, 222
[3] Oséias 1:10; Romanos 9:25,26; 1Pedro 2:10; Êxodo 19:5; Isaías 43:21; Apocalipse 1:5,6; Salmo 68:1-6; Efésios 4:7-13; 2:5,8; Isaías 25:6; Mateus 22:4; 8:11
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1007, 1497
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 223-228
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1066, 1067. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 555-557. Reimpressão
McNAB, ANDREW. As Epístolas Gerais de Pedro - 1Pedro:Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1407, 1408. Reimpressão
QUEM É QUE não gosta de festas? Obviamente que há festas e festas, ou seja, há festas de todos os tipos e para todos os gostos ou finalidades. Mas uma coisa é certa, há muita alegria, de um jeito ou de outro, e até mesmo muita gente, muita agitação, muita comida e bebida; tudo de acordo com seus convidados e promotores, tudo de acordo com o que essas ocasiões oferecem, além de se levar em consideração suas repercussões e outras decorrências. E as festas de casamento, então!... os noivos, os convidados, todo aquele cerimonial, aquela pompa, e um bom vinho, é claro!... tudo em consideração ao mais sublime amor que une duas pessoas, maritalmente falando, ou seja, o amor entre um homem e uma mulher, agora casados. Pena que, mesmo instituído por Deus, o casamento, muitas vezes, é acometido por situações que o desgasta, por traições, falta de experiência, de amadurecimento, por dificuldades de lidar ou de manter uma fidelidade entre as partes ou pela ilusão de achar que do lado de lá sempre é bem melhor ou que este amor dantes tão efusivo, agora já não é tanto assim, como se o amor - o verdadeiro amor - pudesse acabar um dia qualquer e que esse amor jamais estivera nos planos de Deus para nossa vida. É verdade tudo isso? O amor pode um dia acabar? Sem falar do amor de Deus para com o Seu povo, esse amor conjugal é tão levado a sério por Deus que para descrever o Seu imenso amor pelo povo de Israel o SENHOR nosso Deus, pela boca do profeta Isaías, compara Jerusalém como uma esposa chamada de a “Desamparada”, a “Assolada”, mas que, “todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá que no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois Meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo”, numa clara alusão à restauração dos abandonados e cumprimento da antiga promessa patriarcal de inúmeros descendentes, cujo cumprimento desta restauração, segundo os especialistas, pelo menos em parte, deu-se quando os remanescentes do Norte juntaram-se ao Sul, no governo de Ezequias, e depois do exílio. Afirmam também que quanto a esse objetivo final não há nenhuma dúvida, posto que mais uma vez é exposta a decisão do Servo de prolongar o Seu ministério até ser atingido o alvo desejado desta restauração de Israel, assegurando, assim, a salvação deste povo, embora rebelde, infiel e idólatra. Ainda assim, esta nação será governada com justiça e coroada com o favor visível de Deus. “(...) chamar-te-ão: ‘O Meu prazer está nela’, e à tua terra: ‘A casada’; porque o SENHOR Se agrada de ti, e a tua terra se casará. Porque, como o jovem se casa com a virgem, assim teus filhos se casarão contigo; e como o noivo se alegra da noiva, assim se alegrará de ti o teu Deus.”
Deus não Se comporta como os maridos, quando são traídos por suas mulheres. Estes não as acolhem de novo em sua casa nem as recebem de volta em seus braços nem as querem ver outra vez; jamais. Tudo se desmorona daí para frente. Quantos casamentos são destruídos quando um dos cônjuges adquire algum problema no que se refere à sua saúde física, mental ou moral; quando se envereda por outros caminhos, pelo mundo dos vícios, das drogas, do alcoolismo, e tantas outras dificuldades difíceis de serem sanadas, tais como o desemprego ou a infidelidade, por exemplo! A pessoa é jogada às traças, e lá se vão aqueles tão almejados sonhos e metas de felicidade a dois. O amor era tão lindo, e, de repente, transformou-se num inferno, em ódio por todos os lados, e para sempre. Isso será mesmo amor? Os israelitas, ao voltarem do exílio, ao encontrarem Jerusalém reduzida a ruínas, pensavam que Deus os rejeitara para sempre, já que antes era como uma princesa entre as províncias, e grande entre as nações, mas que se tornou como viúva, humilhada, por causa da sua infidelidade, da sua desobediência e rebeldia, como se oferecesse suas graças a muitos amantes - os outros deuses assírios e babilônios. Pensavam que nada mais poderiam fazer diante de tanto desânimo. Mas o amor de Deus não é como o amor dos homens. Não é inconstante, que age segundo as conveniências ou circunstâncias, que perde o seu entusiasmo tão facilmente, que não nos dá nenhuma segurança, nenhuma importância, nenhuma chance de reverter tal situação, mesmo sendo nós todos pecadores, vulneráveis e falíveis. Como o Edificador da Nova Jerusalém, não obstante a tantas traições, e mesmo agindo com justiça e juízo para com Seu povo, o SENHOR nosso Deus - cuja presença importa em salvação divina que não se harmoniza com as expectativas humanas, já que esta salvação se origina na livre decisão divina -, em contraste com as mãos sujas dos homens, estende as Suas mãos com amor e jamais repudia quem quer que seja, muito menos a Sua noiva, o Seu remanescente fiel que, por causa destes, a totalidade será preservada, não somente em Israel, mas em outras nações, como na parábola do joio contada por Jesus onde Deus retém o juízo imediato por causa dos eleitos que estão no mundo e que os justos têm que viver no meio dos ímpios, desde o começo. “Assim diz o SENHOR: Como quando se acha mosto num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de Meus servos, que não os destrua a todos.” Que tomemos tudo isso como exemplo quando nos tornamos infiéis a Jesus, nosso Senhor, quando nos devotamos inteiramente a nossas idolatrias ainda tão evidentes, às nossas paixões mundanas ainda tão desenfreadas, a nossos bens materiais em quem ainda depositamos tantas esperanças, mas que, na verdade, são nossos amantes que ainda nos exploram e nos dominam sem nenhuma piedade, levando-nos a derrocada final, se não formos amparados pelo nosso fiel e competente Advogado. Ou seja, se não formos poupados desta triste experiência da devastação provocada pelo pecado. Se não formos alcançados pela mensagem desta esperança salvadora operada por este amor imperecível deste nosso Deus, e intermediado pela poderosa mão do Senhor Jesus, o Cristo prometido, nosso amigo Consolador e Servo Fiel em comunhão com o Santo Espírito deste mesmo SENHOR nosso Deus.
Assim é que aqueles que não são povos de Deus tornar-se-ão filhos do Deus vivo numa transição das trevas para a luz, das ameaças de justiça divina para as promessas deste amor divino, literalmente cumpridas em Cristo e aplicadas à Sua Igreja - a Sua noiva; o verdadeiro Israel -, composta tanto por judeus quanto por gentios. Os especialistas lembram que, para os apóstolos, o remanescente de Israel étnico era, evidentemente, um modelo para o remanescente das nações - o que se aplicava àqueles aplica-se também a estes. Assim como a expressão “filhos do Deus vivo” pronunciada por Oséias sugere o tipo de relacionamento íntimo que Deus deseja ter com Israel - onde Deus deseja dar vida, em contraste com o relacionamento sem vida que Israel tinha com Baal -, assim também esse relacionamento vivo é, agora, fornecido em Jesus Cristo. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.” É o apóstolo Pedro na sua primeira carta, aplicando à Igreja os mesmos termos do Antigo Testamento aplicados a Israel, e afirmando a continuidade entre Israel daqueles tempos e a Igreja do Novo Testamento. O apóstolo ainda afirma que os crentes cristãos são a casa espiritual edificada em Cristo, ou seja, a Igreja como templo espiritual, destacando um nítido contraste entre o destino dos incrédulos e a posição dos eleitos. Assim, segundo os especialistas, Israel e a Igreja são representados como o único povo de Deus. E, ainda segundo os estudiosos, nesta continuidade essencial entre o Israel do Antigo Testamento e a Igreja do Novo Testamento, a misericórdia de Deus estende-se indistintamente, e de uma forma não meritória, tanto a judeus quanto a gentios. “Levante-Se Deus, e sejam dissipados os Seus inimigos; fugirão de diante dEle os que O odeiam. Como se impele a fumaça, assim Tu os impeles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus. Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. Cantai a Deus, cantai louvores ao Seu nome; louvai Aquele que vai montado sobre os céus, pois o Seu nome é SENHOR, e exultai diante dEle. Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no Seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca.” O salmista distingue muito bem quem é quem nesta vitória de Deus sobre Seus inimigos, e, como pano de fundo, a vitória do Senhor Jesus sobre as forças de Satanás durante a ascensão. É neste clima de muita alegria que Deus Se relaciona com Seu povo, como numa festa de casamento onde não pode haver nenhum clima de tristeza, já que Jerusalém, antes destruída e abandonada, torna-se novamente a esposa amada pelo seu Deus e, na sequência, a Igreja de Cristo, também vitoriosa como povo de Deus cuja “graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo”. Ou seja, todos os cristãos participam da graça da salvação por meio da fé. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” E neste contexto de celebração de uma festa de casamento Jesus realiza o Seu primeiro milagre, revelando que Ele veio para firmar uma nova aliança, manifestando ainda a Sua glória e proclamando a nova era messiânica; uma nova ordem mundial em que Jesus dá apenas um sinal da Sua grande obra que irá realizar como um esposo que celebrará as núpcias com a humanidade, um casamento perfeito, sem traições nem engodos outros, somente alegria, a felicidade da consolidação de uma espera de um Reino de Deus que os profetas tanto anunciavam como um banquete preparado com carnes gordas, tutanos gordos; uma festa em que se servem vinhos velhos e refinados, e iguarias finas. Reino este do qual também participamos com os nossos melhores dons, distribuídos pelo Espírito de Deus, que os reparte particularmente a cada um como bem entender, para o que for útil na comunidade cristã, sem nos considerarmos superiores aos demais, e nem a ninguém, sem promovermos competições nem despertarmos invejas, mas, sim, favorecermos a unidade do Corpo de Cristo, ou seja, a unidade da Sua Igreja, colocando-nos a serviço dos irmãos com aquela mesma humildade demonstrada pelo Cabeça da Igreja; para o bem comum, para o enriquecimento espiritual desta mesma Igreja. Que assim seja! Que o Senhor da obra nos capacite para tal como um digno convidado desta grande festa promovida para a honra e a glória do grande Rei, o Rei do Universo e Senhor da messe.
REFLEXÃO DE HOJE
“Levante-Se Deus, e sejam dissipados os Seus inimigos; fugirão de diante dEle os que O odeiam. Como se impele a fumaça, assim Tu os impeles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus. Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. Cantai a Deus, cantai louvores ao Seu nome; louvai Aquele que vai montado sobre os céus, pois o Seu nome é SENHOR, e exultai diante dEle. Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no Seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca. Ó Deus, quando saías diante do Teu povo, quando caminhavas pelo deserto, a terra abalava-se, e os céus destilavam perante a face de Deus; até o próprio Sinai foi comovido na presença de Deus, do Deus de Israel. Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de benefícios; o Deus que é a nossa salvação. O nosso Deus é o Deus da salvação; e a Deus, o Senhor, pertencem os livramentos da morte. Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de Seus inimigos e o crânio cabeludo do que anda em suas culpas. Celebrai a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte de Israel. Reinos da terra, cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor. Ó Deus, Tu és tremendo desde os Teus santuários; o Deus de Israel é o que dá força e poder ao Seu povo. Bendito seja Deus!” – Salmo 68:1-8,19-21,26,32,35
LEITURAS DE HOJE
Salmo 68; Isaías 62:1-5
1Coríntios 12:1-11; João 2:1-11
NOTAS
[1] 1Coríntios 13:7,8; Isaías 62:1-5; Oséias 1:10; Gênesis 13:16; 15:5; 26:24; 28:14; 22:17; 32:12; 1Pedro 2:10; 2Crônicas 30:11,18; 1Crônicas 9:3; Esdras 8:35; Isaías 49:14; 54:1,6,7
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1007
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 73. Reimpressão
[2] Isaías 65:1-25; Romanos 10:20; Lamentações 1.1; Romanos 9:11,12,25,26; 10:30,31; 11:6,17; Isaías 65:8; Mateus 13:29,30; Isaías 1:9; 56:6; Gênesis 18:22-33
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 855, 1120
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 221, 222
[3] Oséias 1:10; Romanos 9:25,26; 1Pedro 2:10; Êxodo 19:5; Isaías 43:21; Apocalipse 1:5,6; Salmo 68:1-6; Efésios 4:7-13; 2:5,8; Isaías 25:6; Mateus 22:4; 8:11
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1007, 1497
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 223-228
MACLEOD, A. J. O Evangelho Segundo São João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1066, 1067. Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 555-557. Reimpressão
McNAB, ANDREW. As Epístolas Gerais de Pedro - 1Pedro:Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1407, 1408. Reimpressão
EXPECTATIVAS DE VIDA
“E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo” – Lucas 3:15
E AGORA, que as festas se findaram, as frestas se escancararam diante de nós, e estamos de volta à vida real? E agora, José? - como inquiria o poeta, talvez em outro contexto, mas que também nos leva a refletir sobre os nossos passos nesta vida. Agora é botar o pé na estrada, pegar todas as tralhas, os cacos que restaram e dar graças a Deus pela graça de estarmos vivos depois de todos os acontecidos, e também por mais um ano de tão árdua lida nesta tão insana, insípida e instigada lide. Agora, e sempre, é pegar a nossa cruz e seguir em frente, posto que é mais um tempo de pensarmos no que passou, no que erramos, no que acertamos, e no que vamos fazer daqui para diante, sendo que o mais correto é seguir a Jesus. Buscar primeiro o Reino de Deus, e a Sua justiça, que todas as outras coisas nos serão acrescentadas, e tudo irá bem em nossas vidas, e nenhuma ansiedade nos poderá interferir nesta nossa caminhada. “Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir”, exorta o apóstolo Paulo a Timóteo, mas que nos cai muito bem hoje em dia. Segundo ele, não é a comida que nos faz agradáveis a Deus, “porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta”, já que “o Reino de Deus é justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”, ainda segundo o apóstolo quando combate os conceitos materialistas dos judeus com relação ao Reino Messiânico. Nestes tempos em que ainda nos beiramos dos resquícios natalinos, e de um novo ano, ainda trazemos dentro de nós uma predisposição para uma vida nova, talvez inspirados por todo este clima, apesar de toda uma tendência materialista, e hipócrita, nesta sociedade assumidamente consumista. Haja vista os dias seguintes, os estragos noticiados pela mídia depois das tão famigeradas festas, do consumo exagerado de bebidas alcoólicas, e outras drogas, das comilanças, e outros excessos fatais!Vida nova em quê? Onde é que ficaram as lições daquela manjedoura? Será que esquecemos que mais um ano significa mais vidas para serem cuidadas? Mais cuidados para com nós mesmos, e para com o nosso próximo? Mais cuidados para com as ovelhas do Reino, e mais almas para serem curadas neste mundo tão destrambelhado, e, portanto, mais responsabilidades? Agruras, maus humores e outros cataclismos à parte, mas que tudo nos sirva de reflexão para estes tempos de tantas adversidades para que possamos aprender em meio a tantas diversidades, em consideração a todas as nossas expectativas, às nossas esperanças de um mundo melhor contra as abastanças deste mundo enquanto tantos outros passam fome, não só espiritual, porquanto a prosperidade do perverso é temporária. O salmista diz que os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão a terra. Que não nos invejemos dos néscios ao vermos a prosperidade dos ímpios, posto que verdadeiramente bom é somente o SENHOR nosso Deus para com os limpos de coração; e o próprio Senhor Jesus nos alerta que os mansos são bem-aventurados porque herdarão a terra.
E esta herança indica a nossa posição na família de Deus, e esta terra é a nova terra em que habita a justiça, segundo a Sua promessa, e Este Senhor é o mesmo Deus, ontem, hoje e sempre em Quem não há dúvidas nem especulações, e diante de Quem devemos manter a nossa reverência sempre em atitudes de altruísmo, humildade e submissão, porquanto o nosso modelo de mansidão é o próprio Senhor Jesus que Se submete à vontade de Seu Pai, portanto, em Quem devemos depositar toda a nossa esperança de salvação, desde já, e até mesmo para estes nossos dias aqui na terra onde o Seu Reino pronta e igualmente atua na medida da nossa fé e segundo a Sua própria vontade a que todos também devemos nos submeter imprescindivelmente. Se no campo espiritual nos é reservado tudo isso, e muito mais, no natural também Deus Se manifesta diuturna e sucessivamente em nossos dias, refletindo a Sua glória, poder e majestade na própria harmonia e rotina colocada por Ele no universo. Não é mais necessário reinventar a roda nem distribuir certos fenômenos a torto e a direito nesse mundo mágico e incrédulo em que o fantástico pulula escorrendo pelos dedos de nossas mãos, tendenciosamente apregoando que sem os quais Deus não Se manifesta e nem está no meio de nós. Balela pura! Literalmente, os estudiosos argumentam que o maior sinal e maravilha apresentados na Bíblia é o governo soberano do universo e a fidelidade de Deus para com o Seu povo, em razão do Seu pacto.
Hoje, assim como noutros tempos, vivemos de expectativas, ou melhor, de vãs expectativas, correndo atrás de estranhos sinais, e, longe das prioridades espirituais, desviamos o foco da nossa fé cristã para as riquezas deste mundo, para as coisas materiais, paras as coisas palpáveis, oportunistas, fenomenais. E, de braços dados com estranhas teorias, como as facilidades e prosperidades terrenas, baixamos o nível da nossa crença até o rés do chão ou bem mais abaixo ainda num claro desrespeito a um Deus absolutamente Soberano que é Santo e Forte, Maravilhoso e Conselheiro, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz que nos deixou o Seu Santo Espírito para que fôssemos templo dEle, e propriedade de Cristo, para nos levar com Ele, elevando-nos a um outro patamar, espiritual, de santidade como o dEle. Os especialistas afirmam que, como crentes cristãos, estamos sob o governo de Cristo, já que o Espírito que veio habitar nele é o Espírito de Cristo. No momento do nosso novo nascimento, nós, como crentes em Cristo, recebemos o Espírito, e todos os dons para a vida de serviço que aparecem consequentemente na nossa vida fluem desse batismo inicial no Espírito, porque, por meio desse batismo, mesmo como pecadores que somos, estamos unidos ao Cristo ressurreto. E mesmo que o nosso corpo físico esteja sujeito à morte e outras sequelas, a vida prevalece em nós, porque, se estamos unidos com Cristo, vivemos para Deus na esfera do Espírito. Isso não é uma simples distinção entre o físico e o espiritual em nossa vida como crentes, mas entre duas esferas de existência - insistem os comentadores -, ou seja, a vida física em um mundo caído, com sua morte física sempre presente; e a vida no Espírito, a participação na ressurreição de Cristo. E esta esperança não nos confunde “porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”, se não estivermos na carne, e se é que o Espírito de Deus habita em nós. “Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.” Será que diante disso realmente temos necessidade de outros deuses ou ídolos e de outros similares que só nos envergonham, confundindo-nos perante este nosso Deus historicamente vivo e verdadeiro? Será que ainda podemos duvidar dessa majestade, desse poder e domínio de um Deus que firmou o mundo, que criou e sustém todas as coisas, e que as forças do mal, da desordem e do caos não nos subjugarão - por mais investidas que possam despender? O SENHOR nosso Deus é bem maior do que todas estas coisas, e merece todas as honras e glória. Na Sua Palavra revelada está insistentemente confirmado que este Deus reina, e que toda a terra e povos devem se alegrar por isso. O Seu poder não se altera de acordo com as variáveis políticas deste mundo nem com a nossa própria vontade, a vontade dos homens. Seu reinado é eterno. O salmista nos convida, e também a todas as nações, a louvar este Deus por isso, chamamento este que teve seu significado esclarecido depois da morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Sim, devemos louvar este nosso Deus pelas Suas muitas bênçãos derramadas sobre nós todos os dias. Ou será que nem percebemos isso? Será que somos tão insensíveis, cegos e ingratos que nem percebemos que nEle estão depositadas todas as nossas esperanças de uma vida nova, todas as nossas expectativas de uma vida bem melhor que este modelito injusto, pervertido e pecaminoso? Deus só não oferece perspectivas muito alentadoras aos contumazes e inveterados pecadores. “Ele tem a pá na Sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.” Ou seja, Deus separará os bons dos maus. Estes serão queimados, sem comiseração, num fogo que nunca se extinguirá. No entanto, não deixa de ser um Deus eternamente misericordiosíssimo, pleno de paciência, de amor e de ternura, e que está sempre pronto para nos perdoar. Se formos tocados pelo Seu Espírito, e nos arrependermos das nossas faltas, Ele está sempre de braços abertos para nos resgatar, trazendo-nos de volta para Si como aquele pastor que cuida de sua ovelha ferida, e que sempre acolhe a que está perdida. De nossa parte, como crentes em Cristo – ou quando batemos no peito diante dos outros, convictos, principalmente diante daqueles que não professam a nossa mesma fé ou mesmo diante de pessoas de outras denominações religiosas -, será que também utilizamos destes exemplos e verdadeiramente os praticamos? Na nossa comunidade, será que sabemos entender os erros ou as diferenças dos outros? Somos compreensivos com as fraquezas do nosso próximo? Será que temos paciência para com eles, estimulando-os para que voltem para o bem, colaborando de um jeito ou de outro para que eles possam ser recuperados, mesmo à custa de sacrifícios de nossa parte? Até que ponto somos tolerantes para com os nossos opostos ou mesmo para com aqueles que são diferentes de nós em nível religioso, de comportamento ou mesmo de compleição física ou intelectual? Ou será que nos limitamos somente a criticar, a fofocar, constrangendo as pessoas? Em Jesus, como o Messias anunciado, é que esta figura se nos apresenta mais largamente como o Servo do Senhor, fiel e amado pelo Pai, enviado para o resgate de muitos pecadores. Até que ponto miramos nEle como exemplo em nossa vida, e O seguimos fielmente? Assim como na instituição da vida pública do Senhor Jesus os céus se abrem, e o Espírito de Deus aparece como uma suave figura de uma pomba, e igualmente se ouve uma voz que vem dos céus com que o Pai comprova com alegria a missão do Seu Filho predileto pela fidelidade que Lhe dedicou, também nós somos convidados pela Palavra deste mesmo Deus a identificarmo-nos com este Seu Filho, e, olhando a face dEle, tocarmos em frente a nossa caminhada e segui-lO sem reservas, assim como fez o próprio Cristo, e foi conduzido para a morte seguida de Sua ressurreição. Assim devemos levar a nossa cruz do jeito que somos, e nos considerarmos mortos para o pecado, posto que também seremos resgatados; seremos igualmente ressuscitados. “Vós, que amais ao SENHOR, odiai o mal. Ele guarda as almas dos Seus santos; Ele os livra das mãos dos ímpios. A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os retos de coração.” Estas são as nossas expectativas de vida, aqui e na eternidade, a nossa eterna e única esperança.
REFLEXÃO DE HOJE
“O SENHOR reina; regozije-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas. Nuvens e escuridão estão ao redor dEle; justiça e juízo são a base do Seu trono. Um fogo vai adiante dEle, e abrasa os Seus inimigos em redor. Os Seus relâmpagos iluminam o mundo; a terra viu e tremeu. Os montes derretem como cera na presença do SENHOR, na presença do Senhor de toda a terra. Os céus anunciam a Sua justiça, e todos os povos veem a Sua glória. Confundidos sejam todos os que servem imagens de escultura, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dEle todos os deuses. Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judá se alegraram por causa da Tua justiça, ó SENHOR. Pois Tu, SENHOR, és o mais exaltado do que todos os deuses. Vós, que amais ao SENHOR, odiai o mal. Ele guarda as almas dos Seus santos; Ele os livra das mãos dos ímpios. A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os retos de coração. Alegrai-vos, ó justos, no SENHOR, e daí louvores à memória da Sua santidade.” – Salmo 97:1-12
LEITURAS DE HOJE
Salmo 97; Isaías 49:1-7
Atos 8:14-17; Lucas 3:15-22
NOTAS
[1]Mateus 6:33;1Timóteo 4:8;1Coríntios 8:8; Romanos 14:17; Salmo 25:13; 37:9,11; 73:1,3; Provérbios 2:21; Isaías 57:13; 60:21; Mateus 5:5; Romanos 4:13
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1109
THOMSON, G. T., DAVIDSON, F. A Epístola aos Romanos: Introdução e Comentário.In:O Novo Comentário da Bíblia,vol. 2.(editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova,1963,1990.p.1181.Reimpressão
[2]2Pedro 3:13;Hebreus 11:16; 13:8;Salmo 19;Isaías 8:5-13,16-20; Mateus 12:39
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri:Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999.notas. p.1106
SOLANO PORTELA NETO, F. Avaliando as Manifestações Sobrenaturais.In:Fé Cristã e Misticismo.São Paulo:Cultura Cristã,2000.1ª ed. cap. 2. p.23 e 24
[3]Isaías 9:6;Romanos 5:5;8:9;1:4;1Coríntios 12:13;João 14:26;Atos 2:28;Salmo 96:1-13;97:1-12;98:1-9;99:1-9;18:1-50;Lucas 3:17;7:36-50;15:1-10,11;Salmo 97:10,11
Bíblia de Estudo de Genebra.Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri:Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999.notas.p.1256,1330,682, 684
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições,1996. p.80-84
KEVAN, E. F. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova,1963,1990. p.1033.Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia,vol. 1.(editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova,1963,1990. p. 585.Reimpressão
E AGORA, que as festas se findaram, as frestas se escancararam diante de nós, e estamos de volta à vida real? E agora, José? - como inquiria o poeta, talvez em outro contexto, mas que também nos leva a refletir sobre os nossos passos nesta vida. Agora é botar o pé na estrada, pegar todas as tralhas, os cacos que restaram e dar graças a Deus pela graça de estarmos vivos depois de todos os acontecidos, e também por mais um ano de tão árdua lida nesta tão insana, insípida e instigada lide. Agora, e sempre, é pegar a nossa cruz e seguir em frente, posto que é mais um tempo de pensarmos no que passou, no que erramos, no que acertamos, e no que vamos fazer daqui para diante, sendo que o mais correto é seguir a Jesus. Buscar primeiro o Reino de Deus, e a Sua justiça, que todas as outras coisas nos serão acrescentadas, e tudo irá bem em nossas vidas, e nenhuma ansiedade nos poderá interferir nesta nossa caminhada. “Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir”, exorta o apóstolo Paulo a Timóteo, mas que nos cai muito bem hoje em dia. Segundo ele, não é a comida que nos faz agradáveis a Deus, “porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta”, já que “o Reino de Deus é justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”, ainda segundo o apóstolo quando combate os conceitos materialistas dos judeus com relação ao Reino Messiânico. Nestes tempos em que ainda nos beiramos dos resquícios natalinos, e de um novo ano, ainda trazemos dentro de nós uma predisposição para uma vida nova, talvez inspirados por todo este clima, apesar de toda uma tendência materialista, e hipócrita, nesta sociedade assumidamente consumista. Haja vista os dias seguintes, os estragos noticiados pela mídia depois das tão famigeradas festas, do consumo exagerado de bebidas alcoólicas, e outras drogas, das comilanças, e outros excessos fatais!Vida nova em quê? Onde é que ficaram as lições daquela manjedoura? Será que esquecemos que mais um ano significa mais vidas para serem cuidadas? Mais cuidados para com nós mesmos, e para com o nosso próximo? Mais cuidados para com as ovelhas do Reino, e mais almas para serem curadas neste mundo tão destrambelhado, e, portanto, mais responsabilidades? Agruras, maus humores e outros cataclismos à parte, mas que tudo nos sirva de reflexão para estes tempos de tantas adversidades para que possamos aprender em meio a tantas diversidades, em consideração a todas as nossas expectativas, às nossas esperanças de um mundo melhor contra as abastanças deste mundo enquanto tantos outros passam fome, não só espiritual, porquanto a prosperidade do perverso é temporária. O salmista diz que os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão a terra. Que não nos invejemos dos néscios ao vermos a prosperidade dos ímpios, posto que verdadeiramente bom é somente o SENHOR nosso Deus para com os limpos de coração; e o próprio Senhor Jesus nos alerta que os mansos são bem-aventurados porque herdarão a terra.
E esta herança indica a nossa posição na família de Deus, e esta terra é a nova terra em que habita a justiça, segundo a Sua promessa, e Este Senhor é o mesmo Deus, ontem, hoje e sempre em Quem não há dúvidas nem especulações, e diante de Quem devemos manter a nossa reverência sempre em atitudes de altruísmo, humildade e submissão, porquanto o nosso modelo de mansidão é o próprio Senhor Jesus que Se submete à vontade de Seu Pai, portanto, em Quem devemos depositar toda a nossa esperança de salvação, desde já, e até mesmo para estes nossos dias aqui na terra onde o Seu Reino pronta e igualmente atua na medida da nossa fé e segundo a Sua própria vontade a que todos também devemos nos submeter imprescindivelmente. Se no campo espiritual nos é reservado tudo isso, e muito mais, no natural também Deus Se manifesta diuturna e sucessivamente em nossos dias, refletindo a Sua glória, poder e majestade na própria harmonia e rotina colocada por Ele no universo. Não é mais necessário reinventar a roda nem distribuir certos fenômenos a torto e a direito nesse mundo mágico e incrédulo em que o fantástico pulula escorrendo pelos dedos de nossas mãos, tendenciosamente apregoando que sem os quais Deus não Se manifesta e nem está no meio de nós. Balela pura! Literalmente, os estudiosos argumentam que o maior sinal e maravilha apresentados na Bíblia é o governo soberano do universo e a fidelidade de Deus para com o Seu povo, em razão do Seu pacto.
Hoje, assim como noutros tempos, vivemos de expectativas, ou melhor, de vãs expectativas, correndo atrás de estranhos sinais, e, longe das prioridades espirituais, desviamos o foco da nossa fé cristã para as riquezas deste mundo, para as coisas materiais, paras as coisas palpáveis, oportunistas, fenomenais. E, de braços dados com estranhas teorias, como as facilidades e prosperidades terrenas, baixamos o nível da nossa crença até o rés do chão ou bem mais abaixo ainda num claro desrespeito a um Deus absolutamente Soberano que é Santo e Forte, Maravilhoso e Conselheiro, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz que nos deixou o Seu Santo Espírito para que fôssemos templo dEle, e propriedade de Cristo, para nos levar com Ele, elevando-nos a um outro patamar, espiritual, de santidade como o dEle. Os especialistas afirmam que, como crentes cristãos, estamos sob o governo de Cristo, já que o Espírito que veio habitar nele é o Espírito de Cristo. No momento do nosso novo nascimento, nós, como crentes em Cristo, recebemos o Espírito, e todos os dons para a vida de serviço que aparecem consequentemente na nossa vida fluem desse batismo inicial no Espírito, porque, por meio desse batismo, mesmo como pecadores que somos, estamos unidos ao Cristo ressurreto. E mesmo que o nosso corpo físico esteja sujeito à morte e outras sequelas, a vida prevalece em nós, porque, se estamos unidos com Cristo, vivemos para Deus na esfera do Espírito. Isso não é uma simples distinção entre o físico e o espiritual em nossa vida como crentes, mas entre duas esferas de existência - insistem os comentadores -, ou seja, a vida física em um mundo caído, com sua morte física sempre presente; e a vida no Espírito, a participação na ressurreição de Cristo. E esta esperança não nos confunde “porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”, se não estivermos na carne, e se é que o Espírito de Deus habita em nós. “Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.” Será que diante disso realmente temos necessidade de outros deuses ou ídolos e de outros similares que só nos envergonham, confundindo-nos perante este nosso Deus historicamente vivo e verdadeiro? Será que ainda podemos duvidar dessa majestade, desse poder e domínio de um Deus que firmou o mundo, que criou e sustém todas as coisas, e que as forças do mal, da desordem e do caos não nos subjugarão - por mais investidas que possam despender? O SENHOR nosso Deus é bem maior do que todas estas coisas, e merece todas as honras e glória. Na Sua Palavra revelada está insistentemente confirmado que este Deus reina, e que toda a terra e povos devem se alegrar por isso. O Seu poder não se altera de acordo com as variáveis políticas deste mundo nem com a nossa própria vontade, a vontade dos homens. Seu reinado é eterno. O salmista nos convida, e também a todas as nações, a louvar este Deus por isso, chamamento este que teve seu significado esclarecido depois da morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Sim, devemos louvar este nosso Deus pelas Suas muitas bênçãos derramadas sobre nós todos os dias. Ou será que nem percebemos isso? Será que somos tão insensíveis, cegos e ingratos que nem percebemos que nEle estão depositadas todas as nossas esperanças de uma vida nova, todas as nossas expectativas de uma vida bem melhor que este modelito injusto, pervertido e pecaminoso? Deus só não oferece perspectivas muito alentadoras aos contumazes e inveterados pecadores. “Ele tem a pá na Sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.” Ou seja, Deus separará os bons dos maus. Estes serão queimados, sem comiseração, num fogo que nunca se extinguirá. No entanto, não deixa de ser um Deus eternamente misericordiosíssimo, pleno de paciência, de amor e de ternura, e que está sempre pronto para nos perdoar. Se formos tocados pelo Seu Espírito, e nos arrependermos das nossas faltas, Ele está sempre de braços abertos para nos resgatar, trazendo-nos de volta para Si como aquele pastor que cuida de sua ovelha ferida, e que sempre acolhe a que está perdida. De nossa parte, como crentes em Cristo – ou quando batemos no peito diante dos outros, convictos, principalmente diante daqueles que não professam a nossa mesma fé ou mesmo diante de pessoas de outras denominações religiosas -, será que também utilizamos destes exemplos e verdadeiramente os praticamos? Na nossa comunidade, será que sabemos entender os erros ou as diferenças dos outros? Somos compreensivos com as fraquezas do nosso próximo? Será que temos paciência para com eles, estimulando-os para que voltem para o bem, colaborando de um jeito ou de outro para que eles possam ser recuperados, mesmo à custa de sacrifícios de nossa parte? Até que ponto somos tolerantes para com os nossos opostos ou mesmo para com aqueles que são diferentes de nós em nível religioso, de comportamento ou mesmo de compleição física ou intelectual? Ou será que nos limitamos somente a criticar, a fofocar, constrangendo as pessoas? Em Jesus, como o Messias anunciado, é que esta figura se nos apresenta mais largamente como o Servo do Senhor, fiel e amado pelo Pai, enviado para o resgate de muitos pecadores. Até que ponto miramos nEle como exemplo em nossa vida, e O seguimos fielmente? Assim como na instituição da vida pública do Senhor Jesus os céus se abrem, e o Espírito de Deus aparece como uma suave figura de uma pomba, e igualmente se ouve uma voz que vem dos céus com que o Pai comprova com alegria a missão do Seu Filho predileto pela fidelidade que Lhe dedicou, também nós somos convidados pela Palavra deste mesmo Deus a identificarmo-nos com este Seu Filho, e, olhando a face dEle, tocarmos em frente a nossa caminhada e segui-lO sem reservas, assim como fez o próprio Cristo, e foi conduzido para a morte seguida de Sua ressurreição. Assim devemos levar a nossa cruz do jeito que somos, e nos considerarmos mortos para o pecado, posto que também seremos resgatados; seremos igualmente ressuscitados. “Vós, que amais ao SENHOR, odiai o mal. Ele guarda as almas dos Seus santos; Ele os livra das mãos dos ímpios. A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os retos de coração.” Estas são as nossas expectativas de vida, aqui e na eternidade, a nossa eterna e única esperança.
REFLEXÃO DE HOJE
“O SENHOR reina; regozije-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas. Nuvens e escuridão estão ao redor dEle; justiça e juízo são a base do Seu trono. Um fogo vai adiante dEle, e abrasa os Seus inimigos em redor. Os Seus relâmpagos iluminam o mundo; a terra viu e tremeu. Os montes derretem como cera na presença do SENHOR, na presença do Senhor de toda a terra. Os céus anunciam a Sua justiça, e todos os povos veem a Sua glória. Confundidos sejam todos os que servem imagens de escultura, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dEle todos os deuses. Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judá se alegraram por causa da Tua justiça, ó SENHOR. Pois Tu, SENHOR, és o mais exaltado do que todos os deuses. Vós, que amais ao SENHOR, odiai o mal. Ele guarda as almas dos Seus santos; Ele os livra das mãos dos ímpios. A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os retos de coração. Alegrai-vos, ó justos, no SENHOR, e daí louvores à memória da Sua santidade.” – Salmo 97:1-12
LEITURAS DE HOJE
Salmo 97; Isaías 49:1-7
Atos 8:14-17; Lucas 3:15-22
NOTAS
[1]Mateus 6:33;1Timóteo 4:8;1Coríntios 8:8; Romanos 14:17; Salmo 25:13; 37:9,11; 73:1,3; Provérbios 2:21; Isaías 57:13; 60:21; Mateus 5:5; Romanos 4:13
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1109
THOMSON, G. T., DAVIDSON, F. A Epístola aos Romanos: Introdução e Comentário.In:O Novo Comentário da Bíblia,vol. 2.(editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova,1963,1990.p.1181.Reimpressão
[2]2Pedro 3:13;Hebreus 11:16; 13:8;Salmo 19;Isaías 8:5-13,16-20; Mateus 12:39
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri:Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999.notas. p.1106
SOLANO PORTELA NETO, F. Avaliando as Manifestações Sobrenaturais.In:Fé Cristã e Misticismo.São Paulo:Cultura Cristã,2000.1ª ed. cap. 2. p.23 e 24
[3]Isaías 9:6;Romanos 5:5;8:9;1:4;1Coríntios 12:13;João 14:26;Atos 2:28;Salmo 96:1-13;97:1-12;98:1-9;99:1-9;18:1-50;Lucas 3:17;7:36-50;15:1-10,11;Salmo 97:10,11
Bíblia de Estudo de Genebra.Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri:Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999.notas.p.1256,1330,682, 684
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições,1996. p.80-84
KEVAN, E. F. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova,1963,1990. p.1033.Reimpressão
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia,vol. 1.(editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova,1963,1990. p. 585.Reimpressão
domingo, 13 de dezembro de 2009
ESTAMOS PRONTOS?
“(...) e o Mensageiro da Aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da Sua vinda?” –Malaquias 3:1b-2a
AINDA HOJE pessoas tidas como importantes entre os homens, tais como personalidades políticas ou religiosas, assim como representantes do empresariado e de reconhecidas entidades mundiais, dentre outras tantas atividades, quando planejam deslocar-se para outras localidades, cidades ou países em viagens de negócios ou por quaisquer outros interesses, estas pessoas costumam enviar, antecipadamente, ou seja, antes da presença delas nestes locais predeterminados, seus assessores, assim como outros técnicos específicos em determinadas áreas, que chegam nestes locais já cuidadosamente agendados para organizar o ambiente, preparar as pessoas daquele lugar para que a recepção não passe por nenhum vexame, emboscada ou outras surpresas desagradáveis, além de sondar todas as condições de segurança que possam comportar tal evento. Tudo tem que ser cuidadosamente planejado, e nos mínimos detalhes. Há sempre uma preparação e troca de agendas entre as partes envolvidas, e, se necessário, a divulgação pelos mais diversos tipos de mídia, que tem aí o seu papel vital dada a seriedade da tão planejada visita, assim como a importância da tão renomada personagem. Ou seja, para que os objetivos daquele evento sejam plenamente satisfeitos, e que este acontecimento seja um fato tão marcante tanto para o visitante como para o anfitrião a ponto de arrolar-se nas mais afamadas crônicas daquela região qual uma ocorrência histórica, e que ainda não se vincule estritamente àquele lugar, mas que igualmente se espraie a todo o resto do mundo. Vemos isso sendo muito bem aplicado quando se prepara a presença de superastros da música ou de outros tipos de arte, ou da intelectualidade, assim como também de chefes de Estado ou mesmo de outras ilustres representações da nossa própria comunidade. As notícias correm aos quatro cantos do mundo depois desta liturgia toda. Ainda hoje todos temos o cuidado e a curiosidade de querermos saber quem é que vem neste aparato todo tão bem divulgado pelos mais diversificados meios de informação, além das tietagens e fofocas, dos alaridos e de tamanha manifestação, mesmo diante de apupos das partes contrárias, como sempre. Assim também acontecia nos dias antigos. Os estudiosos afirmam que no Oriente Próximo era comum enviar mensageiros antes da visita de um rei com o objetivo de anunciar a sua vinda e de remover quaisquer dificuldades ou obstáculos no tocante ao bom andamento do tal evento acordado. Do mesmo modo, Jesus de Nazaré deve ser anunciado, e com o mesmo empenho, não como um rei qualquer deste mundo, com todos os podres poderes deste mundo, ou como um superstar qualquer envolto em glamoures mundanos, mas como o Messias, o Rei dos reis, o Rei do Universo, “o Ungido”, e líder designado por Deus para cumprir uma missão especial de redenção e libertação de um povo escolhido. Quantos de nós ainda não conhecemos esse Jesus de Nazaré como Ele realmente deveria ser manifestado dentro de nós ou como Ele vem sendo anunciado desde os tempos mais remotos, não Lhe reconhecendo nem Lhe dando o verdadeiro significado para nossas próprias vidas como Alguém que foi escolhido para uma importante missão, tal como a de salvador do mundo, ou seja, o nosso próprio Salvador ou como Aquele que, dentre tantos poderes, também tem plenos poderes de escolher-nos, livrando-nos dos tropeços desta vida incrédula? Será que ainda hoje muitos de nós continuamos fechando as portas dos nossos corações, dos nossos sentidos e das nossas mentes, propositadamente, não dando ouvidos a esse Mensageiro da Aliança? Ou será que ainda persistimos como aqueles ignorantes, comendo e bebendo, já que um dia morreremos, e pronto, nada mais, sem nenhuma esperança nas maravilhas da mensagem desse Messias há tanto tempo noticiado? Infelizes homens que somos, dentre todos os homens, se assim é que pensamos ou agimos!
Porém, eis que de repente diante de nós ainda se põe um mensageiro como predito pelos profetas Malaquias, Elias ou mesmo João Batista, assim como tantos outros, a seu tempo, anunciando a vinda do Senhor. “Mas quem suportará o dia da Sua vinda? E quem subsistirá quando Ele aparecer?” São as próprias Escrituras que nos alertam sobre este tão terrível e esperado dia. Até que ponto estamos todos nós preparados? Não que devamos espalhar medo por aí, mas a Bíblia diz que o SENHOR virá “como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros, e assentar-Se-á como fundidor e purificador de prata”, posto que mesmo que este Dia do Senhor seja como um dia de trevas e não de luz, o seu propósito será de purificar e não de destruir. Naqueles tempos, Malaquias pregava o julgamento vindouro a um povo que, embora estivesse passando pelas dificuldades dos anos que se seguiram ao exílio babilônico, e que havia impulsionado por altas esperanças, este mesmo povo acusava o SENHOR de injustiça; que Deus tinha prazer em praticar o mal, duvidando da justiça de Seu governo moral. É verdade que estas pessoas estavam passando por dificuldades. Estavam desiludidas. A prosperidade prometida não retornava. Ainda continuavam os roubos, as opressões, as violências contra os mais fracos, e faltavam-lhes as coisas mais indispensáveis para poderem sobreviver. Sofriam por causa da seca, das más colheitas e da fome, além de estarem cercados por inimigos que os impediam em cada oportunidade. Mas, daí, começarem a pôr em dúvida o amor de Deus, dizendo até que os praticantes do mal eram bons aos olhos dEle, e que não havia nenhum proveito na obediência a Seus mandamentos, e em andar penitentemente perante Ele, já que, segundo eles, eram os ímpios os que prosperavam, aí já é demais! Então, o profeta começou a responder-lhes, mostrando que tal ceticismo baseava-se na hipocrisia, posto que, se lhes cabiam as adversidades, estas haviam caído sobre eles, não a despeito de sua piedade, mas, antes, por causa dos seus pecados. Portanto, não poderiam esperar prosperidade se estavam apodrecidos em meio a um atoleiro de suas práticas pecaminosas. Assim, o profeta condenou os pecados daquele povo e convocou-o para que se arrependesse. Se purificassem sua adoração, se obedecessem à lei e pagassem seus dízimos na íntegra, então, o resultado seria as bênçãos de Deus na vida deles. Os especialistas afirmam que enquanto os críticos religiosos acusavam o SENHOR de injustiça, Deus respondia com a promessa de que Ele mesmo enviaria um mensageiro para preparar o caminho diante dEle e, então, retornar para Seu templo. Afirmam ainda que a presença divina em meio a um povo ímpio requer julgamento e purificação graciosa, pois Deus transformará o coração dos levitas e, estes, então, passarão novamente a oferecer corretamente seus sacrifícios. Mas o juízo será severo, e o SENHOR mesmo será a principal testemunha na acusação do Seu povo. Segundo Malaquias, Deus era o majestoso SENHOR dos Exércitos. Seus decretos e juízos eram irresistíveis. Seu amor era santo e imutável. Assim, raiaria o grande Dia do Senhor, dia esse que purificaria e vindicaria os piedosos e destruiria os ímpios, e que seria preparado com a vinda do profeta Elias. “Eis que Eu envio o Meu mensageiro, que preparará o caminho diante de Mim; e de repente virá ao Seu templo o Senhor, a Quem vós buscais; e o Mensageiro da Aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos”, nas palavras do próprio Malaquias cujas cenas proféticas foram arriadas até a vinda de João Batista. As palavras vívidas e poderosas dos profetas não mais foram ouvidas por cerca de quatrocentos anos, lembram os especialistas, destacando que estes tempos criativos deram lugar à era do aprendizado com os escribas e os sacerdotes que se tornaram os principais personagens religiosos.
No entanto, como se vê, Deus nunca nos esquece. Ele nunca abandona o Seu povo, até mesmo quando permanece em Seu silêncio. Mesmo estando cansado da nossa infidelidade e das nossas fraquezas, arrogâncias e tantos outros disparates que praticamos. Até mesmo em Seu silêncio Deus está falando conosco; pensando em nós, ou seja, trabalhando em nosso favor, posto que Seu amor não tem limites, mesmo não sendo os Seus pensamentos iguais aos nossos pensamentos. No momento oportuno, Deus nos estende a Sua poderosa mão, advertindo-nos dos perigos em que estamos sujeitos a atolar-nos até o pescoço ou resgatando-nos deste lamaçal, se persistirmos com os nossos equívocos, não acreditando nEle como o nosso melhor caminho, e única saída, desconstruindo, assim, a segurança de quem confia somente nEle. Nós só temos é que aprender a ouvi-lO. Mesmo envoltos em inumeráveis peripécias, Deus ainda intercede por nós, e se nos arrependermos de tudo o que aprontamos, Ele está sempre pronto para nos perdoar; para nos receber de braços abertos como um pai que recebe seu filho que estava perdido, mas que encontra o caminho de um convívio do seu verdadeiro lar. Os que confiam no SENHOR nunca se abalam, diz o salmista, porquanto permanecem em inabalável segurança. Somente Deus pode livrar o Seu povo. O nosso socorro está no nome dEle, que fez o céu e a terra e tudo o que neles há. São desmesuradamente incontáveis Suas intervenções em nosso favor, desde a manifestação da Sua salvação para com os exilados ao regressarem para a própria pátria, Jerusalém, até os dias de hoje, ou mesmo desde antes da fundação do mundo quando o divino Criador resolveu, pela Sua benignidade, compartilhar conosco as Suas abundantes riquezas da Sua graça, separando-nos única e exclusivamente para o louvor desta Sua glória, pois, se crermos, a veremos, e seremos libertados por Sua obra exclusiva e gratuita da qual somos apenas beneficiários por não podermos conquistá-la por meio das nossas próprias mãos, ou seja, das nossas próprias boas ações, mas por fé, apenas e tão somente, que, por sua vez, igualmente, é um dom de Deus. Fiel a Suas promessas de salvação e intervenções misericordiosas tão bem divulgadas pelos profetas, o SENHOR Deus fez descer Sua Palavra sobre João, filho de Zacarias, no deserto, fatos estes que é relatada com precisão a época em que aconteceram, denotando como Deus intervém na história, porquanto Ele mesmo na Sua absoluta soberania é Quem dita a própria história. Imbuído desse Espírito de Deus, João Batista iniciou seu ministério percorrendo toda a região do Jordão, reunindo multidões e conclamando ao batismo de arrependimento para o perdão dos pecados, embora, na verdade, João não concedesse perdão de pecados. Enquanto seu ministério era caracterizado pelo batismo assinalado pela água, o ministério dAquele que viria teria um batismo assinalado pelo Espírito Santo e pelo fogo. Segundo os especialistas, o perdão definitivo de pecados pertence à aliança que o Messias inauguraria, contrastando o batismo de João com água e o batismo do Messias com o Espírito Santo, também mencionado pelo próprio Jesus após a ressurreição. Salientam ainda que havia um paralelismo entre o batismo de João com água e o derramamento subsequente do Espírito Santo, no Pentecostes, sendo que o ritual que João introduzira teve como base as promessas dos profetas. Já o fogo refere-se ao poder purificador, enquanto a água é referente a seu poder limpador. Outros dizem que o fogo também significa um símbolo de juízo. Sua pregação era de radical condenação, denunciando os líderes religiosos como descendência de víboras, e negando que houvesse qualquer valor no simples fato de alguém ser descendente de Abraão, pois o fato de ser judeu não livrava ninguém do juízo vindouro. Segundo João, era necessário um novo começo, pois já chegara o tempo de clamar a nação inteira para dentre ela preparar um remanescente leal que estaria pronto para a iminente chegada dAquele que viria, e para o julgamento que Ele executaria. Também dizia que ele mesmo era um mero preparador do caminho para Aquele que viria. Declarava-se indigno de realizar para Ele o mais humilde serviço. Ao dar ênfase ao conceito da salvação de Deus, João citava Isaías, num sentido geral, como o chamado para preparar um caminho através do deserto para a chegada de um rei. E dizia à multidão que saía para ser batizada por ele: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.” E ainda: “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.” Anunciando que a vinda do Messias estava próxima, e que Ele viria para destruir os perversos e salvar aqueles que abandonassem o pecado, e voltassem para um novo caminho, João buscava uma mudança no coração das pessoas. Nem é preciso assinalar que Aquele que viria era o Senhor Jesus – o Messias que estava para vir depois dele. Se o ministério de João foi terminado abruptamente com a sua prisão por conta de Herodes, cujo pecado ele havia reprovado, nem por isso João Batista deixa de ser apresentado como o precursor do Senhor Jesus. Sua prisão ocasionou o início do ministério de Jesus Cristo na Galiléia, depois de ter sido batizado pelo próprio João – um ponto de partida para a pregação apostólica do Senhor Jesus. Os estudiosos lembram ainda que, na estimativa de Jesus, João Batista era o Elias profeticamente prometido em Malaquias, o qual haveria de vir e completar seu ministério de restauração nas vésperas daquele grande e terrível Dia do Senhor. O Senhor Jesus ainda o reputava como o último e o maior membro da sucessão profética. “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o Reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele”, diz o Senhor Jesus, subtendendo que um novo tempo começou com Ele. É esse Jesus que devemos anunciar, mesmo que tenhamos que passar por desertos e dar provas da nossa fé na esperança da Sua vinda em cada coração carente e na certeza de uma radical transformação na vida daqueles que crêem. Que saibamos esperar, e que estejamos prontos para esse dia tão ansiado, e que também o Espírito de Deus nos dê as ferramentas necessárias para nos aparelharmos e podermos proclamar que esse mesmo Jesus seja o único e soberano senhor de nossas vidas, até que Ele venha em glória e majestade.
REFLEXÕES DE HOJE
“Eis que Eu envio o Meu mensageiro, que preparará o caminho diante de Mim; e de repente virá ao Seu templo o Senhor, a Quem vós buscais; e o Mensageiro da Aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da Sua vinda? E quem subsistirá, quando Ele aparecer? Porque Ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-Se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça. E a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR como nos dias antigos, e como nos primeiros anos.” – Malaquias 3:1-4
LEITURAS DE HOJE
Salmo 125; Malaquias 3:1-4
Filipenses 1:3-11; Lucas 3:1-6
NOTAS
[1] Malaquias 3:1; Mateus 1:18; 16:16,20; 26:63,64; 27:22; Marcos 8:29-31; 14:61,62; Lucas 2:11,26; 9:20-22; 22:66-71; João 1:41; 4:25, 29; 7:26-29,31,41,42; 9:22; 10:22-30; Atos 2:36; 3:19-26; 4:26-30; 5:42; 9:20-22; 17:1-4; 18:28; 26:22,23; 1Coríntios 15:32; Isaías 22:13; 56:12; 1Coríntios 15:19
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1091, 1092, 1366, 1367
2] Malaquias 3:2; Amós 5:20; Malaquias 2:17-3:5; 4:5; Mateus 11:10,14; Marcos 1:2; Lucas 1:17; 7:27; João 1:23; 2:14,15; Isaías 40:3-5; 63:9; Habacuque 2:7
ADAMSON, J. T. H. Malaquias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 933, 934, 936. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1091
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 456
[3] Lucas 15:1-32; Salmo 125:1-5; 124:8; João 11:40; Efésios 2:7-10;Jeremias 31:34; Lucas 3:1-6; 1:5-17,80; Mateus 3:11; Marcos 1:8; João 1:33; Atos 1:5; Isaías 44:3; Ezequiel 36:25-27; Isaías 40:3-5; Lucas 3:18-20; Mateus 14:1-12; Marcos 6:14-29; 1:14-20; Atos 10:37; 13:24,25; 1:22; Malaquias 4:5,6; Marcos 9:13; Mateus 11:14; Lucas 1:17; 16:16
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 25-29
KEVAN, E. F. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1032, 1033. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1147, 1186
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 609, 610. Reimpressão
O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. por João Bentes. Editor org. J. D. Douglas. (editor em português R. P. Shedd).vol. 2. São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.832, 833. Reimpressão
AINDA HOJE pessoas tidas como importantes entre os homens, tais como personalidades políticas ou religiosas, assim como representantes do empresariado e de reconhecidas entidades mundiais, dentre outras tantas atividades, quando planejam deslocar-se para outras localidades, cidades ou países em viagens de negócios ou por quaisquer outros interesses, estas pessoas costumam enviar, antecipadamente, ou seja, antes da presença delas nestes locais predeterminados, seus assessores, assim como outros técnicos específicos em determinadas áreas, que chegam nestes locais já cuidadosamente agendados para organizar o ambiente, preparar as pessoas daquele lugar para que a recepção não passe por nenhum vexame, emboscada ou outras surpresas desagradáveis, além de sondar todas as condições de segurança que possam comportar tal evento. Tudo tem que ser cuidadosamente planejado, e nos mínimos detalhes. Há sempre uma preparação e troca de agendas entre as partes envolvidas, e, se necessário, a divulgação pelos mais diversos tipos de mídia, que tem aí o seu papel vital dada a seriedade da tão planejada visita, assim como a importância da tão renomada personagem. Ou seja, para que os objetivos daquele evento sejam plenamente satisfeitos, e que este acontecimento seja um fato tão marcante tanto para o visitante como para o anfitrião a ponto de arrolar-se nas mais afamadas crônicas daquela região qual uma ocorrência histórica, e que ainda não se vincule estritamente àquele lugar, mas que igualmente se espraie a todo o resto do mundo. Vemos isso sendo muito bem aplicado quando se prepara a presença de superastros da música ou de outros tipos de arte, ou da intelectualidade, assim como também de chefes de Estado ou mesmo de outras ilustres representações da nossa própria comunidade. As notícias correm aos quatro cantos do mundo depois desta liturgia toda. Ainda hoje todos temos o cuidado e a curiosidade de querermos saber quem é que vem neste aparato todo tão bem divulgado pelos mais diversificados meios de informação, além das tietagens e fofocas, dos alaridos e de tamanha manifestação, mesmo diante de apupos das partes contrárias, como sempre. Assim também acontecia nos dias antigos. Os estudiosos afirmam que no Oriente Próximo era comum enviar mensageiros antes da visita de um rei com o objetivo de anunciar a sua vinda e de remover quaisquer dificuldades ou obstáculos no tocante ao bom andamento do tal evento acordado. Do mesmo modo, Jesus de Nazaré deve ser anunciado, e com o mesmo empenho, não como um rei qualquer deste mundo, com todos os podres poderes deste mundo, ou como um superstar qualquer envolto em glamoures mundanos, mas como o Messias, o Rei dos reis, o Rei do Universo, “o Ungido”, e líder designado por Deus para cumprir uma missão especial de redenção e libertação de um povo escolhido. Quantos de nós ainda não conhecemos esse Jesus de Nazaré como Ele realmente deveria ser manifestado dentro de nós ou como Ele vem sendo anunciado desde os tempos mais remotos, não Lhe reconhecendo nem Lhe dando o verdadeiro significado para nossas próprias vidas como Alguém que foi escolhido para uma importante missão, tal como a de salvador do mundo, ou seja, o nosso próprio Salvador ou como Aquele que, dentre tantos poderes, também tem plenos poderes de escolher-nos, livrando-nos dos tropeços desta vida incrédula? Será que ainda hoje muitos de nós continuamos fechando as portas dos nossos corações, dos nossos sentidos e das nossas mentes, propositadamente, não dando ouvidos a esse Mensageiro da Aliança? Ou será que ainda persistimos como aqueles ignorantes, comendo e bebendo, já que um dia morreremos, e pronto, nada mais, sem nenhuma esperança nas maravilhas da mensagem desse Messias há tanto tempo noticiado? Infelizes homens que somos, dentre todos os homens, se assim é que pensamos ou agimos!
Porém, eis que de repente diante de nós ainda se põe um mensageiro como predito pelos profetas Malaquias, Elias ou mesmo João Batista, assim como tantos outros, a seu tempo, anunciando a vinda do Senhor. “Mas quem suportará o dia da Sua vinda? E quem subsistirá quando Ele aparecer?” São as próprias Escrituras que nos alertam sobre este tão terrível e esperado dia. Até que ponto estamos todos nós preparados? Não que devamos espalhar medo por aí, mas a Bíblia diz que o SENHOR virá “como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros, e assentar-Se-á como fundidor e purificador de prata”, posto que mesmo que este Dia do Senhor seja como um dia de trevas e não de luz, o seu propósito será de purificar e não de destruir. Naqueles tempos, Malaquias pregava o julgamento vindouro a um povo que, embora estivesse passando pelas dificuldades dos anos que se seguiram ao exílio babilônico, e que havia impulsionado por altas esperanças, este mesmo povo acusava o SENHOR de injustiça; que Deus tinha prazer em praticar o mal, duvidando da justiça de Seu governo moral. É verdade que estas pessoas estavam passando por dificuldades. Estavam desiludidas. A prosperidade prometida não retornava. Ainda continuavam os roubos, as opressões, as violências contra os mais fracos, e faltavam-lhes as coisas mais indispensáveis para poderem sobreviver. Sofriam por causa da seca, das más colheitas e da fome, além de estarem cercados por inimigos que os impediam em cada oportunidade. Mas, daí, começarem a pôr em dúvida o amor de Deus, dizendo até que os praticantes do mal eram bons aos olhos dEle, e que não havia nenhum proveito na obediência a Seus mandamentos, e em andar penitentemente perante Ele, já que, segundo eles, eram os ímpios os que prosperavam, aí já é demais! Então, o profeta começou a responder-lhes, mostrando que tal ceticismo baseava-se na hipocrisia, posto que, se lhes cabiam as adversidades, estas haviam caído sobre eles, não a despeito de sua piedade, mas, antes, por causa dos seus pecados. Portanto, não poderiam esperar prosperidade se estavam apodrecidos em meio a um atoleiro de suas práticas pecaminosas. Assim, o profeta condenou os pecados daquele povo e convocou-o para que se arrependesse. Se purificassem sua adoração, se obedecessem à lei e pagassem seus dízimos na íntegra, então, o resultado seria as bênçãos de Deus na vida deles. Os especialistas afirmam que enquanto os críticos religiosos acusavam o SENHOR de injustiça, Deus respondia com a promessa de que Ele mesmo enviaria um mensageiro para preparar o caminho diante dEle e, então, retornar para Seu templo. Afirmam ainda que a presença divina em meio a um povo ímpio requer julgamento e purificação graciosa, pois Deus transformará o coração dos levitas e, estes, então, passarão novamente a oferecer corretamente seus sacrifícios. Mas o juízo será severo, e o SENHOR mesmo será a principal testemunha na acusação do Seu povo. Segundo Malaquias, Deus era o majestoso SENHOR dos Exércitos. Seus decretos e juízos eram irresistíveis. Seu amor era santo e imutável. Assim, raiaria o grande Dia do Senhor, dia esse que purificaria e vindicaria os piedosos e destruiria os ímpios, e que seria preparado com a vinda do profeta Elias. “Eis que Eu envio o Meu mensageiro, que preparará o caminho diante de Mim; e de repente virá ao Seu templo o Senhor, a Quem vós buscais; e o Mensageiro da Aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos”, nas palavras do próprio Malaquias cujas cenas proféticas foram arriadas até a vinda de João Batista. As palavras vívidas e poderosas dos profetas não mais foram ouvidas por cerca de quatrocentos anos, lembram os especialistas, destacando que estes tempos criativos deram lugar à era do aprendizado com os escribas e os sacerdotes que se tornaram os principais personagens religiosos.
No entanto, como se vê, Deus nunca nos esquece. Ele nunca abandona o Seu povo, até mesmo quando permanece em Seu silêncio. Mesmo estando cansado da nossa infidelidade e das nossas fraquezas, arrogâncias e tantos outros disparates que praticamos. Até mesmo em Seu silêncio Deus está falando conosco; pensando em nós, ou seja, trabalhando em nosso favor, posto que Seu amor não tem limites, mesmo não sendo os Seus pensamentos iguais aos nossos pensamentos. No momento oportuno, Deus nos estende a Sua poderosa mão, advertindo-nos dos perigos em que estamos sujeitos a atolar-nos até o pescoço ou resgatando-nos deste lamaçal, se persistirmos com os nossos equívocos, não acreditando nEle como o nosso melhor caminho, e única saída, desconstruindo, assim, a segurança de quem confia somente nEle. Nós só temos é que aprender a ouvi-lO. Mesmo envoltos em inumeráveis peripécias, Deus ainda intercede por nós, e se nos arrependermos de tudo o que aprontamos, Ele está sempre pronto para nos perdoar; para nos receber de braços abertos como um pai que recebe seu filho que estava perdido, mas que encontra o caminho de um convívio do seu verdadeiro lar. Os que confiam no SENHOR nunca se abalam, diz o salmista, porquanto permanecem em inabalável segurança. Somente Deus pode livrar o Seu povo. O nosso socorro está no nome dEle, que fez o céu e a terra e tudo o que neles há. São desmesuradamente incontáveis Suas intervenções em nosso favor, desde a manifestação da Sua salvação para com os exilados ao regressarem para a própria pátria, Jerusalém, até os dias de hoje, ou mesmo desde antes da fundação do mundo quando o divino Criador resolveu, pela Sua benignidade, compartilhar conosco as Suas abundantes riquezas da Sua graça, separando-nos única e exclusivamente para o louvor desta Sua glória, pois, se crermos, a veremos, e seremos libertados por Sua obra exclusiva e gratuita da qual somos apenas beneficiários por não podermos conquistá-la por meio das nossas próprias mãos, ou seja, das nossas próprias boas ações, mas por fé, apenas e tão somente, que, por sua vez, igualmente, é um dom de Deus. Fiel a Suas promessas de salvação e intervenções misericordiosas tão bem divulgadas pelos profetas, o SENHOR Deus fez descer Sua Palavra sobre João, filho de Zacarias, no deserto, fatos estes que é relatada com precisão a época em que aconteceram, denotando como Deus intervém na história, porquanto Ele mesmo na Sua absoluta soberania é Quem dita a própria história. Imbuído desse Espírito de Deus, João Batista iniciou seu ministério percorrendo toda a região do Jordão, reunindo multidões e conclamando ao batismo de arrependimento para o perdão dos pecados, embora, na verdade, João não concedesse perdão de pecados. Enquanto seu ministério era caracterizado pelo batismo assinalado pela água, o ministério dAquele que viria teria um batismo assinalado pelo Espírito Santo e pelo fogo. Segundo os especialistas, o perdão definitivo de pecados pertence à aliança que o Messias inauguraria, contrastando o batismo de João com água e o batismo do Messias com o Espírito Santo, também mencionado pelo próprio Jesus após a ressurreição. Salientam ainda que havia um paralelismo entre o batismo de João com água e o derramamento subsequente do Espírito Santo, no Pentecostes, sendo que o ritual que João introduzira teve como base as promessas dos profetas. Já o fogo refere-se ao poder purificador, enquanto a água é referente a seu poder limpador. Outros dizem que o fogo também significa um símbolo de juízo. Sua pregação era de radical condenação, denunciando os líderes religiosos como descendência de víboras, e negando que houvesse qualquer valor no simples fato de alguém ser descendente de Abraão, pois o fato de ser judeu não livrava ninguém do juízo vindouro. Segundo João, era necessário um novo começo, pois já chegara o tempo de clamar a nação inteira para dentre ela preparar um remanescente leal que estaria pronto para a iminente chegada dAquele que viria, e para o julgamento que Ele executaria. Também dizia que ele mesmo era um mero preparador do caminho para Aquele que viria. Declarava-se indigno de realizar para Ele o mais humilde serviço. Ao dar ênfase ao conceito da salvação de Deus, João citava Isaías, num sentido geral, como o chamado para preparar um caminho através do deserto para a chegada de um rei. E dizia à multidão que saía para ser batizada por ele: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.” E ainda: “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.” Anunciando que a vinda do Messias estava próxima, e que Ele viria para destruir os perversos e salvar aqueles que abandonassem o pecado, e voltassem para um novo caminho, João buscava uma mudança no coração das pessoas. Nem é preciso assinalar que Aquele que viria era o Senhor Jesus – o Messias que estava para vir depois dele. Se o ministério de João foi terminado abruptamente com a sua prisão por conta de Herodes, cujo pecado ele havia reprovado, nem por isso João Batista deixa de ser apresentado como o precursor do Senhor Jesus. Sua prisão ocasionou o início do ministério de Jesus Cristo na Galiléia, depois de ter sido batizado pelo próprio João – um ponto de partida para a pregação apostólica do Senhor Jesus. Os estudiosos lembram ainda que, na estimativa de Jesus, João Batista era o Elias profeticamente prometido em Malaquias, o qual haveria de vir e completar seu ministério de restauração nas vésperas daquele grande e terrível Dia do Senhor. O Senhor Jesus ainda o reputava como o último e o maior membro da sucessão profética. “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o Reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele”, diz o Senhor Jesus, subtendendo que um novo tempo começou com Ele. É esse Jesus que devemos anunciar, mesmo que tenhamos que passar por desertos e dar provas da nossa fé na esperança da Sua vinda em cada coração carente e na certeza de uma radical transformação na vida daqueles que crêem. Que saibamos esperar, e que estejamos prontos para esse dia tão ansiado, e que também o Espírito de Deus nos dê as ferramentas necessárias para nos aparelharmos e podermos proclamar que esse mesmo Jesus seja o único e soberano senhor de nossas vidas, até que Ele venha em glória e majestade.
REFLEXÕES DE HOJE
“Eis que Eu envio o Meu mensageiro, que preparará o caminho diante de Mim; e de repente virá ao Seu templo o Senhor, a Quem vós buscais; e o Mensageiro da Aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da Sua vinda? E quem subsistirá, quando Ele aparecer? Porque Ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-Se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça. E a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR como nos dias antigos, e como nos primeiros anos.” – Malaquias 3:1-4
LEITURAS DE HOJE
Salmo 125; Malaquias 3:1-4
Filipenses 1:3-11; Lucas 3:1-6
NOTAS
[1] Malaquias 3:1; Mateus 1:18; 16:16,20; 26:63,64; 27:22; Marcos 8:29-31; 14:61,62; Lucas 2:11,26; 9:20-22; 22:66-71; João 1:41; 4:25, 29; 7:26-29,31,41,42; 9:22; 10:22-30; Atos 2:36; 3:19-26; 4:26-30; 5:42; 9:20-22; 17:1-4; 18:28; 26:22,23; 1Coríntios 15:32; Isaías 22:13; 56:12; 1Coríntios 15:19
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1091, 1092, 1366, 1367
2] Malaquias 3:2; Amós 5:20; Malaquias 2:17-3:5; 4:5; Mateus 11:10,14; Marcos 1:2; Lucas 1:17; 7:27; João 1:23; 2:14,15; Isaías 40:3-5; 63:9; Habacuque 2:7
ADAMSON, J. T. H. Malaquias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 933, 934, 936. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1091
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 456
[3] Lucas 15:1-32; Salmo 125:1-5; 124:8; João 11:40; Efésios 2:7-10;Jeremias 31:34; Lucas 3:1-6; 1:5-17,80; Mateus 3:11; Marcos 1:8; João 1:33; Atos 1:5; Isaías 44:3; Ezequiel 36:25-27; Isaías 40:3-5; Lucas 3:18-20; Mateus 14:1-12; Marcos 6:14-29; 1:14-20; Atos 10:37; 13:24,25; 1:22; Malaquias 4:5,6; Marcos 9:13; Mateus 11:14; Lucas 1:17; 16:16
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 25-29
KEVAN, E. F. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1032, 1033. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1147, 1186
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 609, 610. Reimpressão
O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. por João Bentes. Editor org. J. D. Douglas. (editor em português R. P. Shedd).vol. 2. São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.832, 833. Reimpressão
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
QUE NÃO NOS ENCONTREMOS DESPREVENIDOS
“Naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e Ele fará juízo e justiça na terra” – Jeremias 33:15
QUEM É QUE esteja passando por sérias e marcantes dificuldades, derrotas, ou calamidades em sua vida não se sinta desanimado, sem perspectivas, desamparado, sem alternativas, frustrado ou mesmo desesperado? Quem é que esteja ou mesmo ainda depois de ter passado por tais experiências não permaneça vulnerável em todos os sentidos, com os nervos à flor da pele, e com aquela sensação de que tudo e todos estejam jogando contra, do outro lado, e não se posiciona com desconfiança e preventivamente como quem tenta se desviar de corpos estranhos procedentes do espaço sideral que supostamente se arremessam em sua direção e que possam esmagar-lhe justamente a própria cabeça? Mesmo achando que é preciso ir à luta, dispondo de todas as suas garras, quem é que esteja passando por estas provações na sua própria pele não se coloca com aquela postura de gato escaldado que tem medo até de água fria? Quem é que por algum momento na vida, e por uma razão qualquer, já não passou por alguma situação de ser escaldado ou mesmo já não foi até fritado por adversários ou inimigos ou mesmo por aqueles que descaradamente se dizem seus amigos? Em toda a nossa vida somos corriqueiramente provados para sermos um dia aprovados. Mas que estas provas venham da parte de Quem tem autoridade para tal, para o nosso crescimento, seja natural ou espiritual – já que estas provações só nos fortalecem para lutarmos até o dia da vitória final –, não da parte de quem faz isso apenas por pura maldade ou vingança pessoal qual num filme de terror onde naquela cena o vilão investido de todo o seu lado mal maquiavelicamente faz os outros sofrerem horrores a seu bel-prazer apenas e tão somente para satisfazer a seu impulso propenso a malícias. Isso já é tentação; coisas do maligno. Até que ponto resistiremos a tais provações? Até que ponto estaremos expostos às mazelas de tanta astúcia como joguetes nas mãos de espertos? Até quando estaremos cegos diante de tanta opressão e outros tipos de escravidão desta geração? Provas e provações, tentativas e tentações, ou mesmo opressões, à parte, o próprio Senhor Jesus sofreu, foi tentado, Ele que é o Filho de Deus, o Cordeiro que foi imolado a nosso favor, para que pudéssemos mirar nEle e seguirmos em frente na certeza de que neste mundo todos temos aflições, só que estas não duram para sempre. Daí, ser o Senhor Jesus o nosso alvo, e somente em Cristo é que está a nossa salvação. Ele é o nosso leme, o nosso lume nestes nossos dias de escuridão. Ele é o nosso caminho, a verdade que nos liberta da escravidão deste mundo tão alienado. Se crermos em Cristo, temos vida, a vida eterna, e em abundância; não a morte eterna. Não há nada neste mundo que dure para sempre. Isto é certo. É o próprio Senhor Jesus que nos adverte: “Tenho-vos dito isto, para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o Mundo”. É o próprio Senhor Jesus que diz isso. Precisamos mais de outras garantias? A nossa paz está em Cristo, não nas coisas efêmeras deste mundo que logo se apodrecem – e nem deixam rastros –, se nós não nos alicerçarmos em solo firme e fértil, se não plantarmos uma boa semente que dê bons frutos, posto que “cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto”.
Embora nada aconteça sem a devida e soberana permissão divina, todos estamos sujeitos a sermos provados ou mesmo tentados, e as nossas provações têm lá os seus benefícios. Não que Deus tente alguém, muito menos pode ser tentado pelo mal; nós é que, devido às nossas fraquezas e enlevados por nossas cobiças, caímos nas lábias do maligno, e, mergulhando num beco sem saída, cavamos a nossa própria cova, se não formos alcançados pelo amor e a justiça deste Deus que é tardio em irar-Se, mas que está sempre pronto para nos perdoar, sem guardar nenhum rancor, já que Ele não tem nenhum prazer em ver ninguém sofrendo, muito menos em nos ver pecando e, consequentemente, não faz ninguém sofrer. Longe de ser Deus a origem das tentações, Ele é o autor e doador de todos os bens, confirmam os especialistas, destacando que, entre os conceitos de ser provado e ser tentado, há grandes diferenças. Deus prova o Seu povo, como um pai a seus filhos, e até com admoestações os corrige, mas nunca os tenta no sentido de estimular neles o pecado. As provações para a nossa fé podem dar ocasião para virem as tentações, contudo, as tentações não têm Deus como o seu autor. Ao destacar a importância de lidarmos com as nossas aflições do ponto de vista da nossa fé, Tiago, apóstolo e irmão do Senhor, em sua epístola, assinala as bem-aventuranças reservadas àquele que suporta a tentação, pois, quando for aprovado, receberá a coroa da vida, ou seja, a recompensa. Segundo os especialistas, passada a tentação, se o crente suportou a prova e ficou firme até o fim, recebe a coroa de vencedor, a coroa da vida – um prêmio especial oferecido aos que perseveraram na fidelidade, que não deve ser confundido com a vida eterna, que é dom gratuito de Deus àqueles que creem no Senhor Jesus Cristo na qualidade de Messias, como o seu único intercessor, e, portanto, seu único Salvador. Líder na Igreja de Jerusalém, e que também presidiu o Concílio de Jerusalém, Tiago assumiu uma posição de autoridade na Igreja; juntamente com Pedro e João, era um dos seus pilares, convertido quando se tornou uma testemunha ocular da ressurreição do Senhor Jesus, mas que foi barbaramente martirizado em razão da sua fé. Eusébio afirma que bateram nele com uma clava até a morte depois de ter sido atirado do parapeito do templo. Personalidade notável na historiografia do povo cristão, “o irmão do Senhor” escreveu sua carta entre o começo da perseguição que se difundiu na Diáspora e o ano de sua morte, tempo em que os crentes cristãos sofriam castigos e eram vítimas de opressão; estavam sendo provados – passavam por testes e sofrimentos por causa da fé. Escrita para encorajar e consolar estes crentes, o autor exorta-os mansamente e reconhece-lhes os sofrimentos morais por que passavam. Tiago começa assim a sua epístola: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações” – uma exortação para apreciar o sofrimento da perspectiva de confiança na soberania de Deus, como prova de filhos, e de ser a fé uma realidade. E termina assim: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” – numa clara dedução de que os santos precisam de paciência enquanto aguardam a prometida vindicação que Deus tem para o Seu povo. Dizem os estudiosos que Deus promete justiça para corrigir as formas prevalecentes da injustiça neste mundo, e que as provações podem ser recebidas como uma alegria singular quando existe o conhecimento de que elas são permitidas por Deus para um determinado propósito. “São provações na fé, dadas para que a perseverança seja desenvolvida. E, por recompensa, a perseverança produz maturidade no caráter cristão”, afirmam.
Dizem que Deus dá o frio conforme o cobertor. Ou será que não é mesmo o próprio Deus o nosso exclusivo cobertor quando nos sentimos desamparados, relegados ao relento em meio a uma flagrante apostasia no decorrer dos tempos? De implacável perseguidor de cristãos – e miraculosamente convertido – a exímio plantador de Igrejas, o apóstolo Paulo também foi martirizado por conta do seu importante e indiscutível trabalho missionário na promoção do Evangelho de Cristo. Assim como tantos outros, também resistiu às tentações, provou sua fé, e perseverou até o fim. Não foi à toa que sofreu perseguições e, depois de sua segunda prisão em Roma, foi decapitado. Com toda a sua experiência de quem combateu o bom combate, e guardou a fé, Paulo igualmente revestiu-se de toda a autoridade para advertir quem pensa estar em pé e que não se cuida para não cair, já que as tentações sempre querem nos forçar para que possamos nos afastar do modo correto de vida, acovardando-nos. Porém, Deus sempre guarda os Seus escolhidos neste particular, e se eles se apoiarem em Deus, encontrarão um meio para poder escapar, meio este que é mostrado pelo próprio Deus. “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” Se a história do povo cristão retrata a mesma história de homens destemidos que vão à luta em defesa daquilo que creem, destemidamente e até o fim, também ratifica a trajetória da Igreja de Cristo – uma Igreja militante, mas gloriosa; composta por homens e mulheres, mas sem mácula nem rugas; santa e irrepreensível. Uma Igreja feita por homens e mulheres, sim, mas que foram chamados por Deus para comporem o corpo de Cristo, desde os tempos bíblicos até os dias de hoje; um povo escolhido que, por mais sofredor que seja, e em qualquer lugar que esteja, lá também está o seu Redentor, a seu lado, como uma nuvem que o acompanha; como um farol que ilumina em todos os seus caminhos, mesmo que se for preciso passar por corretivos, mas lá está o seu Senhor que um dia o livrará. A esperança dos cristãos jamais será em vão. O Senhor jamais os trairá; jamais os confundirá. As Suas misericórdias e as Suas benignidades, que são desde a eternidade, serão sempre lembradas e postas em prática; nunca engavetadas. “Na verdade, não serão confundidos os que esperam em Ti; confundidos serão os que transgridem sem causa.” Diz o salmista, plenamente confiante na sua oração. Ainda hoje devemos seguir os passos dos líderes e mártires, os passos daqueles que não se amofinaram, mas perseveraram até o fim em nome de uma fé que remove montanhas, mesmo sob os mais diversos infortúnios, sofrimentos, provações ou privações, e até mesmo tentações, posto que nada por que passamos é por mera casualidade. O profeta Jeremias, considerado como o profeta dos infortúnios, e das ameaças, foi chamado para anunciar o julgamento de um povo idólatra que insistentemente era exortado a arrepender-se para evitar o castigo de Deus. Assim, é anunciado que o tempo de arrependimento havia cessado, já que o julgamento contra os israelitas estava decidido e é compreendido como a invocação da maldição final da aliança, e que o povo escolhido seria exilado para a Babilônia por não ter obedecido a seu Deus. De volta do exílio, este povo de Deus encontra-se em situação periclitante, desanimado, e até desesperado por ter perdido tudo e precisava reconstruir uma nova vida. Reconstruir a própria nação. Exigia-se vencer todas as dificuldades e mandar toda esta tristeza e desânimo para bem longe depois de serem golpeados por calamidades tão marcantes. É quando Deus aparece mais uma vez com Sua maravilhosa intervenção. Surpreendentemente, o profeta Jeremias traz boas notícias com previsões alegres: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa Palavra que falei à casa de Israel e à casa de Judá; naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e Ele fará juízo e justiça na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O SENHOR é a nossa justiça.” São promessas de paz e prosperidade; a repetição da restauração e futura felicidade de um povo que, até então, tudo havia perdido por conta da sua arrogância, teimosia e desobediência. Mas a compaixão de Iavé pelo Seu povo castigado e aflito apagará a mancha da rejeição lançada pelos que o observavam e pelo seu inimigo. A linhagem davídica será restaurada, e o Filho de Davi dominará com justiça, tal como outrora, a ponto de Jerusalém passar a ser chamada “O SENHOR é a nossa justiça”. E esta promessa foi cumprida num sentido espiritual, e muito mais amplo, não num sentido nacionalista estrito. E quem é esta raiz e esta geração de Davi? Os especialistas não têm dúvida: é o Senhor Jesus Cristo, posto que somente a Jesus Cristo é que se pode aplicar este título: “O Senhor justiça nossa”. Somente o Senhor Jesus pode estabelecer a paz e a justiça na terra, e estão chegando os dias nos quais Deus cumprirá todas as Suas promessas para o bem do Seu povo. Ainda hoje também passamos por situações semelhantes às que passaram os israelitas que voltaram recentemente da Babilônia. Ainda hoje deparamo-nos com injustiças, intolerâncias, escravidões das mais diversas modalidades, vícios, opressões, desencantos, fraquezas, desilusões, opressões, destruições, guerras, até mesmo dentro da nossa própria família, enfim, o maligno está deitando e rolando em nossa frente, e nós não fazemos nada, estamos desprevenidos, porque não acreditamos mais em nada; perdemos a nossa fé. E o que faremos diante de tudo isso? Onde está a nossa força, a nossa fé, a nossa coragem de irmos em frente e derrotar o inimigo? O nosso Deus é maior que tudo isso, basta crermos e fazermos a nossa parte que o Senhor Jesus virá em nosso socorro. Devemos praticar a nossa fé, e ter uma experiência com Deus, só assim tudo poderá mudar em nossa vida, posto que foi com Jesus de Nazaré, que resplandeceu a nossa estrela nas manhãs de nossa vida ou as nossas manhãs se resplandeceram com a luz de um novo dia; de um novo mundo dentro de nós. Ou seja, o Reino da Paz, o Reino de Deus, devolvendo-nos toda a nossa esperança numa mensagem de alegria diante de um mundo tão desesperançado, diante das forças do mal; daqueles que nos querem ver derrotados. A Igreja hoje, ao se alegrar com a primeira vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, antecipa, com esperança, festejando a Sua segunda vinda em poder e glória, pondo por terra todos os sistemas nacionais e grandes impérios, assim como o império do mal, estabelecendo a ordem das coisas neste universo caótico. Será o surgimento de um mundo novo, que já teve início com Jesus de Nazaré, o Renovo que vem brotando dia após dia em nossos corações. Que o Espírito de Deus faça brotar em cada um de nós este Renovo, despertando a nossa vigilância com o poder da oração, assim como os nossos sentimentos de amor para com o nosso próximo sem qualquer distinção. Que não nos encontremos desprevenidos, então. Guia-nos na Tua Verdade, e ensina-nos, pois Tu és o Deus da nossa salvação; por Ti estamos esperando todo dia. Amém.
REFLEXÃO DE HOJE
“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa Palavra que falei à casa de Israel e à casa de Judá; naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e Ele fará juízo e justiça na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O SENHOR é a nossa justiça.” – Jeremias 33:14-16
LEITURAS DE HOJE
Salmo 25; Jeremias 33:14-16
1Tessalonicenses 3:9-13; Lucas 21:25-36
NOTAS
[1] Gênesis 22:1-19; Hebreus 11:17,36;Tiago 1:2-4,12; Salmo 11:5-7; Apocalipse 2:10; Lucas 4:1-13; João 1:29,36; 1Coríntios 5:7; Apocalipse 5:6,12; 7:10; João 14:1,6; 16:33; Lucas 6:43-45
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1357, 1485, 1486, 1491
[2] Tiago 1:12-15; Gálatas 1:19; 1Coríntios 15:7; Atos 15; 12; Tiago 1:2; 5:8; Hebreus 12:5-8; Salmo 94:12; Romanos 5:3-6
MCNAB, ANDREW. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p.1388-1390. Reimpressão
[3] Atos 21:23ss; 1Coríntios 16:3ss; 2Coríntios 9; Romanos 15:25ss; 2Timóteo 4:7ss; 1Coríntios 10:12,13; Romanos 11:20; 1Coríntios 1:9; Salmo 125:3; 25:3,6; Jeremias 7:1-15; 19:10,11; Levítico 26:31-33;Deuteronômio 28:49-68; 24:4-7;Jeremias 33:14-16; Apocalipse 22:16; Isaías 13:10; Ezequiel 32:7; Salmo 25:5
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios – 1Coríntios.: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1206. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 14-21
CAWLEY, F. Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 766. Reimpressão
KEVAN, E. F. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1053. Reimpressão
QUEM É QUE esteja passando por sérias e marcantes dificuldades, derrotas, ou calamidades em sua vida não se sinta desanimado, sem perspectivas, desamparado, sem alternativas, frustrado ou mesmo desesperado? Quem é que esteja ou mesmo ainda depois de ter passado por tais experiências não permaneça vulnerável em todos os sentidos, com os nervos à flor da pele, e com aquela sensação de que tudo e todos estejam jogando contra, do outro lado, e não se posiciona com desconfiança e preventivamente como quem tenta se desviar de corpos estranhos procedentes do espaço sideral que supostamente se arremessam em sua direção e que possam esmagar-lhe justamente a própria cabeça? Mesmo achando que é preciso ir à luta, dispondo de todas as suas garras, quem é que esteja passando por estas provações na sua própria pele não se coloca com aquela postura de gato escaldado que tem medo até de água fria? Quem é que por algum momento na vida, e por uma razão qualquer, já não passou por alguma situação de ser escaldado ou mesmo já não foi até fritado por adversários ou inimigos ou mesmo por aqueles que descaradamente se dizem seus amigos? Em toda a nossa vida somos corriqueiramente provados para sermos um dia aprovados. Mas que estas provas venham da parte de Quem tem autoridade para tal, para o nosso crescimento, seja natural ou espiritual – já que estas provações só nos fortalecem para lutarmos até o dia da vitória final –, não da parte de quem faz isso apenas por pura maldade ou vingança pessoal qual num filme de terror onde naquela cena o vilão investido de todo o seu lado mal maquiavelicamente faz os outros sofrerem horrores a seu bel-prazer apenas e tão somente para satisfazer a seu impulso propenso a malícias. Isso já é tentação; coisas do maligno. Até que ponto resistiremos a tais provações? Até que ponto estaremos expostos às mazelas de tanta astúcia como joguetes nas mãos de espertos? Até quando estaremos cegos diante de tanta opressão e outros tipos de escravidão desta geração? Provas e provações, tentativas e tentações, ou mesmo opressões, à parte, o próprio Senhor Jesus sofreu, foi tentado, Ele que é o Filho de Deus, o Cordeiro que foi imolado a nosso favor, para que pudéssemos mirar nEle e seguirmos em frente na certeza de que neste mundo todos temos aflições, só que estas não duram para sempre. Daí, ser o Senhor Jesus o nosso alvo, e somente em Cristo é que está a nossa salvação. Ele é o nosso leme, o nosso lume nestes nossos dias de escuridão. Ele é o nosso caminho, a verdade que nos liberta da escravidão deste mundo tão alienado. Se crermos em Cristo, temos vida, a vida eterna, e em abundância; não a morte eterna. Não há nada neste mundo que dure para sempre. Isto é certo. É o próprio Senhor Jesus que nos adverte: “Tenho-vos dito isto, para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o Mundo”. É o próprio Senhor Jesus que diz isso. Precisamos mais de outras garantias? A nossa paz está em Cristo, não nas coisas efêmeras deste mundo que logo se apodrecem – e nem deixam rastros –, se nós não nos alicerçarmos em solo firme e fértil, se não plantarmos uma boa semente que dê bons frutos, posto que “cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto”.
Embora nada aconteça sem a devida e soberana permissão divina, todos estamos sujeitos a sermos provados ou mesmo tentados, e as nossas provações têm lá os seus benefícios. Não que Deus tente alguém, muito menos pode ser tentado pelo mal; nós é que, devido às nossas fraquezas e enlevados por nossas cobiças, caímos nas lábias do maligno, e, mergulhando num beco sem saída, cavamos a nossa própria cova, se não formos alcançados pelo amor e a justiça deste Deus que é tardio em irar-Se, mas que está sempre pronto para nos perdoar, sem guardar nenhum rancor, já que Ele não tem nenhum prazer em ver ninguém sofrendo, muito menos em nos ver pecando e, consequentemente, não faz ninguém sofrer. Longe de ser Deus a origem das tentações, Ele é o autor e doador de todos os bens, confirmam os especialistas, destacando que, entre os conceitos de ser provado e ser tentado, há grandes diferenças. Deus prova o Seu povo, como um pai a seus filhos, e até com admoestações os corrige, mas nunca os tenta no sentido de estimular neles o pecado. As provações para a nossa fé podem dar ocasião para virem as tentações, contudo, as tentações não têm Deus como o seu autor. Ao destacar a importância de lidarmos com as nossas aflições do ponto de vista da nossa fé, Tiago, apóstolo e irmão do Senhor, em sua epístola, assinala as bem-aventuranças reservadas àquele que suporta a tentação, pois, quando for aprovado, receberá a coroa da vida, ou seja, a recompensa. Segundo os especialistas, passada a tentação, se o crente suportou a prova e ficou firme até o fim, recebe a coroa de vencedor, a coroa da vida – um prêmio especial oferecido aos que perseveraram na fidelidade, que não deve ser confundido com a vida eterna, que é dom gratuito de Deus àqueles que creem no Senhor Jesus Cristo na qualidade de Messias, como o seu único intercessor, e, portanto, seu único Salvador. Líder na Igreja de Jerusalém, e que também presidiu o Concílio de Jerusalém, Tiago assumiu uma posição de autoridade na Igreja; juntamente com Pedro e João, era um dos seus pilares, convertido quando se tornou uma testemunha ocular da ressurreição do Senhor Jesus, mas que foi barbaramente martirizado em razão da sua fé. Eusébio afirma que bateram nele com uma clava até a morte depois de ter sido atirado do parapeito do templo. Personalidade notável na historiografia do povo cristão, “o irmão do Senhor” escreveu sua carta entre o começo da perseguição que se difundiu na Diáspora e o ano de sua morte, tempo em que os crentes cristãos sofriam castigos e eram vítimas de opressão; estavam sendo provados – passavam por testes e sofrimentos por causa da fé. Escrita para encorajar e consolar estes crentes, o autor exorta-os mansamente e reconhece-lhes os sofrimentos morais por que passavam. Tiago começa assim a sua epístola: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações” – uma exortação para apreciar o sofrimento da perspectiva de confiança na soberania de Deus, como prova de filhos, e de ser a fé uma realidade. E termina assim: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” – numa clara dedução de que os santos precisam de paciência enquanto aguardam a prometida vindicação que Deus tem para o Seu povo. Dizem os estudiosos que Deus promete justiça para corrigir as formas prevalecentes da injustiça neste mundo, e que as provações podem ser recebidas como uma alegria singular quando existe o conhecimento de que elas são permitidas por Deus para um determinado propósito. “São provações na fé, dadas para que a perseverança seja desenvolvida. E, por recompensa, a perseverança produz maturidade no caráter cristão”, afirmam.
Dizem que Deus dá o frio conforme o cobertor. Ou será que não é mesmo o próprio Deus o nosso exclusivo cobertor quando nos sentimos desamparados, relegados ao relento em meio a uma flagrante apostasia no decorrer dos tempos? De implacável perseguidor de cristãos – e miraculosamente convertido – a exímio plantador de Igrejas, o apóstolo Paulo também foi martirizado por conta do seu importante e indiscutível trabalho missionário na promoção do Evangelho de Cristo. Assim como tantos outros, também resistiu às tentações, provou sua fé, e perseverou até o fim. Não foi à toa que sofreu perseguições e, depois de sua segunda prisão em Roma, foi decapitado. Com toda a sua experiência de quem combateu o bom combate, e guardou a fé, Paulo igualmente revestiu-se de toda a autoridade para advertir quem pensa estar em pé e que não se cuida para não cair, já que as tentações sempre querem nos forçar para que possamos nos afastar do modo correto de vida, acovardando-nos. Porém, Deus sempre guarda os Seus escolhidos neste particular, e se eles se apoiarem em Deus, encontrarão um meio para poder escapar, meio este que é mostrado pelo próprio Deus. “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” Se a história do povo cristão retrata a mesma história de homens destemidos que vão à luta em defesa daquilo que creem, destemidamente e até o fim, também ratifica a trajetória da Igreja de Cristo – uma Igreja militante, mas gloriosa; composta por homens e mulheres, mas sem mácula nem rugas; santa e irrepreensível. Uma Igreja feita por homens e mulheres, sim, mas que foram chamados por Deus para comporem o corpo de Cristo, desde os tempos bíblicos até os dias de hoje; um povo escolhido que, por mais sofredor que seja, e em qualquer lugar que esteja, lá também está o seu Redentor, a seu lado, como uma nuvem que o acompanha; como um farol que ilumina em todos os seus caminhos, mesmo que se for preciso passar por corretivos, mas lá está o seu Senhor que um dia o livrará. A esperança dos cristãos jamais será em vão. O Senhor jamais os trairá; jamais os confundirá. As Suas misericórdias e as Suas benignidades, que são desde a eternidade, serão sempre lembradas e postas em prática; nunca engavetadas. “Na verdade, não serão confundidos os que esperam em Ti; confundidos serão os que transgridem sem causa.” Diz o salmista, plenamente confiante na sua oração. Ainda hoje devemos seguir os passos dos líderes e mártires, os passos daqueles que não se amofinaram, mas perseveraram até o fim em nome de uma fé que remove montanhas, mesmo sob os mais diversos infortúnios, sofrimentos, provações ou privações, e até mesmo tentações, posto que nada por que passamos é por mera casualidade. O profeta Jeremias, considerado como o profeta dos infortúnios, e das ameaças, foi chamado para anunciar o julgamento de um povo idólatra que insistentemente era exortado a arrepender-se para evitar o castigo de Deus. Assim, é anunciado que o tempo de arrependimento havia cessado, já que o julgamento contra os israelitas estava decidido e é compreendido como a invocação da maldição final da aliança, e que o povo escolhido seria exilado para a Babilônia por não ter obedecido a seu Deus. De volta do exílio, este povo de Deus encontra-se em situação periclitante, desanimado, e até desesperado por ter perdido tudo e precisava reconstruir uma nova vida. Reconstruir a própria nação. Exigia-se vencer todas as dificuldades e mandar toda esta tristeza e desânimo para bem longe depois de serem golpeados por calamidades tão marcantes. É quando Deus aparece mais uma vez com Sua maravilhosa intervenção. Surpreendentemente, o profeta Jeremias traz boas notícias com previsões alegres: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa Palavra que falei à casa de Israel e à casa de Judá; naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e Ele fará juízo e justiça na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O SENHOR é a nossa justiça.” São promessas de paz e prosperidade; a repetição da restauração e futura felicidade de um povo que, até então, tudo havia perdido por conta da sua arrogância, teimosia e desobediência. Mas a compaixão de Iavé pelo Seu povo castigado e aflito apagará a mancha da rejeição lançada pelos que o observavam e pelo seu inimigo. A linhagem davídica será restaurada, e o Filho de Davi dominará com justiça, tal como outrora, a ponto de Jerusalém passar a ser chamada “O SENHOR é a nossa justiça”. E esta promessa foi cumprida num sentido espiritual, e muito mais amplo, não num sentido nacionalista estrito. E quem é esta raiz e esta geração de Davi? Os especialistas não têm dúvida: é o Senhor Jesus Cristo, posto que somente a Jesus Cristo é que se pode aplicar este título: “O Senhor justiça nossa”. Somente o Senhor Jesus pode estabelecer a paz e a justiça na terra, e estão chegando os dias nos quais Deus cumprirá todas as Suas promessas para o bem do Seu povo. Ainda hoje também passamos por situações semelhantes às que passaram os israelitas que voltaram recentemente da Babilônia. Ainda hoje deparamo-nos com injustiças, intolerâncias, escravidões das mais diversas modalidades, vícios, opressões, desencantos, fraquezas, desilusões, opressões, destruições, guerras, até mesmo dentro da nossa própria família, enfim, o maligno está deitando e rolando em nossa frente, e nós não fazemos nada, estamos desprevenidos, porque não acreditamos mais em nada; perdemos a nossa fé. E o que faremos diante de tudo isso? Onde está a nossa força, a nossa fé, a nossa coragem de irmos em frente e derrotar o inimigo? O nosso Deus é maior que tudo isso, basta crermos e fazermos a nossa parte que o Senhor Jesus virá em nosso socorro. Devemos praticar a nossa fé, e ter uma experiência com Deus, só assim tudo poderá mudar em nossa vida, posto que foi com Jesus de Nazaré, que resplandeceu a nossa estrela nas manhãs de nossa vida ou as nossas manhãs se resplandeceram com a luz de um novo dia; de um novo mundo dentro de nós. Ou seja, o Reino da Paz, o Reino de Deus, devolvendo-nos toda a nossa esperança numa mensagem de alegria diante de um mundo tão desesperançado, diante das forças do mal; daqueles que nos querem ver derrotados. A Igreja hoje, ao se alegrar com a primeira vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, antecipa, com esperança, festejando a Sua segunda vinda em poder e glória, pondo por terra todos os sistemas nacionais e grandes impérios, assim como o império do mal, estabelecendo a ordem das coisas neste universo caótico. Será o surgimento de um mundo novo, que já teve início com Jesus de Nazaré, o Renovo que vem brotando dia após dia em nossos corações. Que o Espírito de Deus faça brotar em cada um de nós este Renovo, despertando a nossa vigilância com o poder da oração, assim como os nossos sentimentos de amor para com o nosso próximo sem qualquer distinção. Que não nos encontremos desprevenidos, então. Guia-nos na Tua Verdade, e ensina-nos, pois Tu és o Deus da nossa salvação; por Ti estamos esperando todo dia. Amém.
REFLEXÃO DE HOJE
“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa Palavra que falei à casa de Israel e à casa de Judá; naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e Ele fará juízo e justiça na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O SENHOR é a nossa justiça.” – Jeremias 33:14-16
LEITURAS DE HOJE
Salmo 25; Jeremias 33:14-16
1Tessalonicenses 3:9-13; Lucas 21:25-36
NOTAS
[1] Gênesis 22:1-19; Hebreus 11:17,36;Tiago 1:2-4,12; Salmo 11:5-7; Apocalipse 2:10; Lucas 4:1-13; João 1:29,36; 1Coríntios 5:7; Apocalipse 5:6,12; 7:10; João 14:1,6; 16:33; Lucas 6:43-45
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p.1357, 1485, 1486, 1491
[2] Tiago 1:12-15; Gálatas 1:19; 1Coríntios 15:7; Atos 15; 12; Tiago 1:2; 5:8; Hebreus 12:5-8; Salmo 94:12; Romanos 5:3-6
MCNAB, ANDREW. A Epístola Geral de Tiago: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p.1388-1390. Reimpressão
[3] Atos 21:23ss; 1Coríntios 16:3ss; 2Coríntios 9; Romanos 15:25ss; 2Timóteo 4:7ss; 1Coríntios 10:12,13; Romanos 11:20; 1Coríntios 1:9; Salmo 125:3; 25:3,6; Jeremias 7:1-15; 19:10,11; Levítico 26:31-33;Deuteronômio 28:49-68; 24:4-7;Jeremias 33:14-16; Apocalipse 22:16; Isaías 13:10; Ezequiel 32:7; Salmo 25:5
PROCTOR, W. C. G. As Epístolas aos Coríntios – 1Coríntios.: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1206. Reimpressão
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano C. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 14-21
CAWLEY, F. Jeremias: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 766. Reimpressão
KEVAN, E. F. O Evangelho Segundo São Lucas: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1053. Reimpressão
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
VEM, SENHOR JESUS!
“E então verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória. E Ele enviará os Seus anjos, e ajuntará os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu” – Marcos 13:26,27
QUEM É QUE por este mundo afora – e que esteja cônscio de sua plena lucidez ou sanidade mental –, sente prazer em conviver em meio a tantas catástrofes fenomenais sejam de ordem natural ou mesmo moral, tipo tsunamis que nos arrastam sem volta por um despenhadeiro sem fim ou coisa parecida? Ou mesmo quem é que consegue sobreviver em meio a tanta violência, traição, mortes ocasionadas por doenças incuráveis, por assassínios, tantas guerras, quais terremotos ou erupções vulcânicas que vão dizimando tudo por onde vão passando, sem nenhum rastro de compaixão nem qualquer outra sensação de alívio ou outro tipo de sensibilidade qualquer, e tudo mais? Apesar de hoje em dia tudo isso ser um fato tão corriqueiro que nem nos assusta mais como se consumasse um efetivo desarranjo das coisas, não somente da natureza como um todo, mas também do próprio ser humano em geral, no seu íntimo, na sua ética, no seu próprio relacionamento com os demais semelhantes, e com o seu próprio meio ambiente, assim como na própria sociedade, consequentemente. Como se já estivéssemos acostumados com tantos absurdos, ainda hoje somos confrontados por crises das mais diversas, e outras calamidades, que nos agitam, assustam, e também abalam as nossas famílias e o mundo inteiro. Ainda hoje somos desafiados a acharmos uma saída honrosa para tudo isso que, assim, de pronto, somos os únicos responsáveis, mas que, muita vez, ainda procuramos um bode expiatório como se nada disso nos atingisse e não acontecesse com nenhum de nós. Só acontece com os outros. Como neste mundo dos homens a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, certo tipo de gente vive por aí como se fosse intocável, confiando em si mesma como se nada lhe atingisse, como se não vivesse neste mundo dos pobres e mortais pecadores, como se fosse um deus, sem nenhum temor do Deus vivo e verdadeiro. Como se todas as desgraças fossem os outros. “Eu? Não é comigo, não. Dá licença que eu quero passar! Nada disso me atinge. Dá licença aí, meu!”, esquiva-se, rápida e descaradamente. Ô, coitado! Quem é que ainda consegue dormir em paz em meio a tudo isso, a esta confusão toda, e em meio a tanta covardia, sem se arrostar diuturnamente com todos os sinais de um mundo que está sendo dominado pelo maligno? Este mundo, um dia, terá seu fim? Quando estaremos livres de tanta aflição? Não que tais constatações não sejam abomináveis, horríveis, destruidoras, para não serem incansavelmente mencionadas ou insistentemente lembradas. Não que elas não devam ser contestadas nem que não sejam perturbadoras e tão aloucadamente terríveis. No entanto, nenhum de nós, quem quer que seja, está longe de passar por elas neste mundo.
Receios à parte, pois a nossa esperança é que toda esta nossa tristeza seja transformada em grande alegria, algum dia. E os crentes cristãos têm tudo para poderem acreditar nisso, posto que Deus atende todas as nossas aflições. O salmista Davi exorta-nos a louvar a Deus e a confiar somente nEle, testificando os grandes atos deste Deus na história, e em nossas vidas, tendo em vista a sua inesquecível experiência com Ele, já que Ele sempre ouve e responde às orações de Seu povo. “Engrandecei ao SENHOR comigo; e juntos exaltemos o Seu nome. Busquei ao SENHOR, e Ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores. Clamou este pobre, e o SENHOR o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias. Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nEle confia. Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos ao seu clamor. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve, e os livra de todas as suas angústias. Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas. Ele lhe guarda todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra. O SENHOR resgata a alma dos Seus servos, e nenhum dos que nEle confiam será punido.” Assim como o salmista, apesar de todas as nossas aflições, nós também não podemos desanimar quando tudo nos parecer fora de controle, posto que a bondade e o poder do SENHOR é que mantêm a força interna do crente em total segurança. Ele é o nosso Deus, o nosso refúgio e fortaleza. Ele nos acolhe e nos protege como um escudo debaixo de Suas asas. Está escrito que aquele que se acolhe nos braços de Deus permanece seguro do laço do perseguidor, da peste perniciosa, do terror noturno, e da mortandade que assola ao meio dia. “Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.” É isso, que tenhamos fé nEle, e prossigamos em frente, para o alto, sempre, que nada poderá nos abalar. Assim como uma ave-mãe compassiva protege os seus filhotes, como um Deus de perto – e não de longe –, e em toda a Sua onipresença e onipotência, somente o SENHOR é que pode nos trazer paz por mais complexas que sejam as nossas circunstâncias. Os que confiam em Deus não se abalam, continuam firmes, como o monte de Sião. “Assim como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o SENHOR está em volta do Seu povo, desde agora e para sempre.” Assim como as montanhas em derredor tinham sua importância para a defesa da cidade, e representavam a presença de Deus, assim também os eruditos afirmam que a fixidez e a imutabilidade dessa relação entre o SENHOR e Seu povo é semelhante a que existe entre uma cidade e suas redondezas. Ou seja, ultrapassa em muito a experiência de um indivíduo, pois dura para sempre. Por isso mesmo é que incansavelmente Deus deve ser louvado pelo amor de Suas obras maravilhosas; por Seus grandes atos de redenção. Como no passado, na nação de Israel, Deus os realizara – cujo maior exemplo, segundo os especialistas, seria o êxodo, quando Deus libertou Seu povo de seus opressores egípcios –, Deus ainda age na história, em conformidade com Seu caráter e Sua lei. Estes estudiosos nos lembram que através de Seus grandes atos históricos, as pessoas podem reconhecer a justiça de Deus, mas que estas maravilhas não fiquem só na nossa lembrança como um ato da memória, e, sim, que também envolvam devoção e obediência, pois devido aos nossos pecados, não merecemos a salvação da parte de Deus, porém, esta tem sua origem no eterno amor de Deus para com Seu povo. “Piedoso e misericordioso é o SENHOR; tardio em irar-Se, e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente ...”, e, assim, segue a Palavra de Deus capturando a maneira correta de aproximarmo-nos deste nosso SENHOR, que é Deus, e que, portanto, nos inspira reverência e respeito. “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os Seus mandamentos; o Seu louvor permanece para sempre.” Quer queiramos ou não, Deus cumprirá Suas ameaças contra os ímpios. No entanto, sempre há a esperança do perdão.
Falar desse amor de Deus é assunto que não se acaba nunca. Mas muito mais importante do que falar é praticar este amor, como o próprio Deus assim nos ordena, já que é o maior de todos os mandamentos. Amar a Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento, e de todas as nossas forças; e amar o nosso próximo como a nós mesmos, não é apenas um mero jogo de palavras bonitas que servem de pauta para nossas retóricas públicas, de palanques e de púlpitos, mas uma ordem prática de comando que tem que ser cumprida por todos nós, sem exceção alguma, principalmente para nós que tanto nos exaltamos por aí repetindo trechos bíblicos como se competindo com os demais, mas, que, na prática, estamos muito longe de seguirmos de fato este tão significativo ensino do Senhor Jesus. A Bíblia diz que Deus é amor, e que foi Ele que nos amou primeiro, por isso, nós também devemos amá-lO. “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou Seu Filho unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” Aquele cujo advento foi anunciado e em Quem foi acentuado o Seu poder por ser o próprio Messias tão esperado desde os mais remotos tempos, Este em cujos ombros carrega toda a plenitude de um governo próspero, ou seja, um reino eterno, de paz, prevalecem sobre Si a promessa e a certeza do livramento enviado pelo próprio Deus, assim como também um raiar de um novo dia para as nações oprimidas da terra que conhecerão o poder de Seu domínio e a inspiração deste Seu governo salvador e redentor, e em que a paz é o traço dominante nesse reinado. Os especialistas comentam que tão grande e poderoso é este Rei que um único título de majestade não basta para descrevê-lO, e entre os muitos nomes significativos que Lhe são dados está o de Deus Forte, segundo uma das maiores profecias messiânicas já anunciadas. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os Seus ombros, e se chamará o Seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Ainda segundo os eruditos, é manifestamente impossível relacionar tais palavras de majestosa profecia com qualquer outra pessoa que não seja o próprio Messias, e que através dos séculos a Igreja Cristã encontrou nelas os atributos iniludíveis do Rei vivo e vitorioso no coração dos homens, o único capaz de libertar e salvar a alma na sua situação desesperada e de conduzir o homem a um novo e melhor caminho de acordo com os mandamentos de Deus. E, depois de vencer a morte, vencendo as aflições deste mundo para servir-nos de exemplo, e nos salvar de nossos pecados, e de nos trazer as vitórias de um Reino promissor cujos frutos já estamos usufruindo desde já aqui nesta terra – o justo vive por fé –, é este mesmo Rei que virá como o Filho do Homem, na Sua segunda vinda, para levar os Seus eleitos, ou seja, a Sua Igreja gloriosa – aqueles que permaneceram firmes na sua fé até o fim, apesar de todas as contrariedades deste mundo, e de todas as tribulações que lhes foram permitidas passar, mas que foram derrotadas pela sua confiança neste Deus Todo-Poderoso; que foram salvos, principalmente pela graça deste Deus Soberano absoluto e misericordiosíssimo que escolhe quem bem Lhe entender para morar no céu com Ele. Desta vez, a Bíblia diz que o Filho do Homem virá em meio a toda aquela teofania, cercado de todos aqueles eventos de glória, poder e majestade que Lhe são devidos, e que depois disso tudo o mundo não será mais o mesmo. “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até os mesmos que O traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Mas quando virá este dia? O próprio Senhor Jesus, após alertar que passará o céu e a terra, mas que as Suas Palavras não passarão, afirma que daquele dia e hora ninguém sabe. “Nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.” Mas que o Senhor virá, isso sim. Virá para levar os Seus escolhidos. O próprio Senhor Jesus nos exorta a estarmos sempre vigilantes porque não se sabe quando chegará o tempo. O que é certo é que estas são palavras reconfortantes. O anúncio de que o reino do mal está chegando ao fim, e que o Filho do Homem reunirá e levará todos os Seus eleitos, livrando-nos definitivamente de todos estes cataclismos pelos quais já estamos cansados de tanto sofrer em todos os termos, até mesmo políticos, econômicos e sociais, que só nos levam a um duro teste de fé e de sobrevivência nestes tempos de tantos desafios em que muitos se resignam, outros até se revoltam, blasfemam e desanimam, julgando ter chegado o fim de tudo, até mesmo da própria fé diante de todos estes absurdos. Só mesmo a poderosa mão de Deus para nos resgatar desta confusão toda. Vem, Senhor Jesus, em toda a Tua glória e majestade! Vem buscar este Teu povo que tanto Te espera. Vem, Senhor Jesus, Rei do Universo; vem, a Tua Igreja Te espera! Vem, e salva o Teu povo. Aleluia, e amém!
REFLEXÃO DE HOHE
“Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas. E então verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória. E Ele enviará os Seus anjos, e ajuntará os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu. Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está próximo o verão. Assim também vós, quando virdes sucederem estas coisas, sabei que já está perto, às portas. Na verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam. Passará o céu e a terra, mas as Minhas Palavras não passarão.” – Marcos 13:24-31
LEITURAS DE HOJE
Salmo 111; Daniel 7:9.10
Apocalipse 1:1-8; Marcos 13:24-31
NOTAS
[1] João 16:33; Gênesis 16:11; 29:32; Salmo 34:1-8,15-17,19-22; Colossenses 1:24; Isaías 9:6; Romanos 5:1; Efésios 2:13-20; 2Timóteo 3:12; Romanos 8:37; 1João 4:4
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 636
[2] Salmo 126:1-6; 1Samuel 21:10-15; Salmo 91:3-8: Jeremias 23:23,24; Salmo 125:1-3; Isaías 54:10; Joel 3:17,18; 2Reis 6:17; Salmo 111:1-10; 44:1; 111:4b; Êxodo 34:6,7; Isaías 1:18; Marcos 2:5,7b; Salmo 34:7; 36:1; 128:1; 130:4
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.527, 528. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p.598,599, 681, 697,709
[3] Marcos 12:28-31; 1João 4:9,10,19; Isaías 9:1-7; Apocalipse 1:7,8; Danielo 7:9,10
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 478-482
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 697, 698.Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p.1171, 1172
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p.1017, 1018. Reimpressão
QUEM É QUE por este mundo afora – e que esteja cônscio de sua plena lucidez ou sanidade mental –, sente prazer em conviver em meio a tantas catástrofes fenomenais sejam de ordem natural ou mesmo moral, tipo tsunamis que nos arrastam sem volta por um despenhadeiro sem fim ou coisa parecida? Ou mesmo quem é que consegue sobreviver em meio a tanta violência, traição, mortes ocasionadas por doenças incuráveis, por assassínios, tantas guerras, quais terremotos ou erupções vulcânicas que vão dizimando tudo por onde vão passando, sem nenhum rastro de compaixão nem qualquer outra sensação de alívio ou outro tipo de sensibilidade qualquer, e tudo mais? Apesar de hoje em dia tudo isso ser um fato tão corriqueiro que nem nos assusta mais como se consumasse um efetivo desarranjo das coisas, não somente da natureza como um todo, mas também do próprio ser humano em geral, no seu íntimo, na sua ética, no seu próprio relacionamento com os demais semelhantes, e com o seu próprio meio ambiente, assim como na própria sociedade, consequentemente. Como se já estivéssemos acostumados com tantos absurdos, ainda hoje somos confrontados por crises das mais diversas, e outras calamidades, que nos agitam, assustam, e também abalam as nossas famílias e o mundo inteiro. Ainda hoje somos desafiados a acharmos uma saída honrosa para tudo isso que, assim, de pronto, somos os únicos responsáveis, mas que, muita vez, ainda procuramos um bode expiatório como se nada disso nos atingisse e não acontecesse com nenhum de nós. Só acontece com os outros. Como neste mundo dos homens a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, certo tipo de gente vive por aí como se fosse intocável, confiando em si mesma como se nada lhe atingisse, como se não vivesse neste mundo dos pobres e mortais pecadores, como se fosse um deus, sem nenhum temor do Deus vivo e verdadeiro. Como se todas as desgraças fossem os outros. “Eu? Não é comigo, não. Dá licença que eu quero passar! Nada disso me atinge. Dá licença aí, meu!”, esquiva-se, rápida e descaradamente. Ô, coitado! Quem é que ainda consegue dormir em paz em meio a tudo isso, a esta confusão toda, e em meio a tanta covardia, sem se arrostar diuturnamente com todos os sinais de um mundo que está sendo dominado pelo maligno? Este mundo, um dia, terá seu fim? Quando estaremos livres de tanta aflição? Não que tais constatações não sejam abomináveis, horríveis, destruidoras, para não serem incansavelmente mencionadas ou insistentemente lembradas. Não que elas não devam ser contestadas nem que não sejam perturbadoras e tão aloucadamente terríveis. No entanto, nenhum de nós, quem quer que seja, está longe de passar por elas neste mundo.
Receios à parte, pois a nossa esperança é que toda esta nossa tristeza seja transformada em grande alegria, algum dia. E os crentes cristãos têm tudo para poderem acreditar nisso, posto que Deus atende todas as nossas aflições. O salmista Davi exorta-nos a louvar a Deus e a confiar somente nEle, testificando os grandes atos deste Deus na história, e em nossas vidas, tendo em vista a sua inesquecível experiência com Ele, já que Ele sempre ouve e responde às orações de Seu povo. “Engrandecei ao SENHOR comigo; e juntos exaltemos o Seu nome. Busquei ao SENHOR, e Ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores. Clamou este pobre, e o SENHOR o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias. Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nEle confia. Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos ao seu clamor. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve, e os livra de todas as suas angústias. Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas. Ele lhe guarda todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra. O SENHOR resgata a alma dos Seus servos, e nenhum dos que nEle confiam será punido.” Assim como o salmista, apesar de todas as nossas aflições, nós também não podemos desanimar quando tudo nos parecer fora de controle, posto que a bondade e o poder do SENHOR é que mantêm a força interna do crente em total segurança. Ele é o nosso Deus, o nosso refúgio e fortaleza. Ele nos acolhe e nos protege como um escudo debaixo de Suas asas. Está escrito que aquele que se acolhe nos braços de Deus permanece seguro do laço do perseguidor, da peste perniciosa, do terror noturno, e da mortandade que assola ao meio dia. “Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.” É isso, que tenhamos fé nEle, e prossigamos em frente, para o alto, sempre, que nada poderá nos abalar. Assim como uma ave-mãe compassiva protege os seus filhotes, como um Deus de perto – e não de longe –, e em toda a Sua onipresença e onipotência, somente o SENHOR é que pode nos trazer paz por mais complexas que sejam as nossas circunstâncias. Os que confiam em Deus não se abalam, continuam firmes, como o monte de Sião. “Assim como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o SENHOR está em volta do Seu povo, desde agora e para sempre.” Assim como as montanhas em derredor tinham sua importância para a defesa da cidade, e representavam a presença de Deus, assim também os eruditos afirmam que a fixidez e a imutabilidade dessa relação entre o SENHOR e Seu povo é semelhante a que existe entre uma cidade e suas redondezas. Ou seja, ultrapassa em muito a experiência de um indivíduo, pois dura para sempre. Por isso mesmo é que incansavelmente Deus deve ser louvado pelo amor de Suas obras maravilhosas; por Seus grandes atos de redenção. Como no passado, na nação de Israel, Deus os realizara – cujo maior exemplo, segundo os especialistas, seria o êxodo, quando Deus libertou Seu povo de seus opressores egípcios –, Deus ainda age na história, em conformidade com Seu caráter e Sua lei. Estes estudiosos nos lembram que através de Seus grandes atos históricos, as pessoas podem reconhecer a justiça de Deus, mas que estas maravilhas não fiquem só na nossa lembrança como um ato da memória, e, sim, que também envolvam devoção e obediência, pois devido aos nossos pecados, não merecemos a salvação da parte de Deus, porém, esta tem sua origem no eterno amor de Deus para com Seu povo. “Piedoso e misericordioso é o SENHOR; tardio em irar-Se, e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente ...”, e, assim, segue a Palavra de Deus capturando a maneira correta de aproximarmo-nos deste nosso SENHOR, que é Deus, e que, portanto, nos inspira reverência e respeito. “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os Seus mandamentos; o Seu louvor permanece para sempre.” Quer queiramos ou não, Deus cumprirá Suas ameaças contra os ímpios. No entanto, sempre há a esperança do perdão.
Falar desse amor de Deus é assunto que não se acaba nunca. Mas muito mais importante do que falar é praticar este amor, como o próprio Deus assim nos ordena, já que é o maior de todos os mandamentos. Amar a Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento, e de todas as nossas forças; e amar o nosso próximo como a nós mesmos, não é apenas um mero jogo de palavras bonitas que servem de pauta para nossas retóricas públicas, de palanques e de púlpitos, mas uma ordem prática de comando que tem que ser cumprida por todos nós, sem exceção alguma, principalmente para nós que tanto nos exaltamos por aí repetindo trechos bíblicos como se competindo com os demais, mas, que, na prática, estamos muito longe de seguirmos de fato este tão significativo ensino do Senhor Jesus. A Bíblia diz que Deus é amor, e que foi Ele que nos amou primeiro, por isso, nós também devemos amá-lO. “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou Seu Filho unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” Aquele cujo advento foi anunciado e em Quem foi acentuado o Seu poder por ser o próprio Messias tão esperado desde os mais remotos tempos, Este em cujos ombros carrega toda a plenitude de um governo próspero, ou seja, um reino eterno, de paz, prevalecem sobre Si a promessa e a certeza do livramento enviado pelo próprio Deus, assim como também um raiar de um novo dia para as nações oprimidas da terra que conhecerão o poder de Seu domínio e a inspiração deste Seu governo salvador e redentor, e em que a paz é o traço dominante nesse reinado. Os especialistas comentam que tão grande e poderoso é este Rei que um único título de majestade não basta para descrevê-lO, e entre os muitos nomes significativos que Lhe são dados está o de Deus Forte, segundo uma das maiores profecias messiânicas já anunciadas. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os Seus ombros, e se chamará o Seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Ainda segundo os eruditos, é manifestamente impossível relacionar tais palavras de majestosa profecia com qualquer outra pessoa que não seja o próprio Messias, e que através dos séculos a Igreja Cristã encontrou nelas os atributos iniludíveis do Rei vivo e vitorioso no coração dos homens, o único capaz de libertar e salvar a alma na sua situação desesperada e de conduzir o homem a um novo e melhor caminho de acordo com os mandamentos de Deus. E, depois de vencer a morte, vencendo as aflições deste mundo para servir-nos de exemplo, e nos salvar de nossos pecados, e de nos trazer as vitórias de um Reino promissor cujos frutos já estamos usufruindo desde já aqui nesta terra – o justo vive por fé –, é este mesmo Rei que virá como o Filho do Homem, na Sua segunda vinda, para levar os Seus eleitos, ou seja, a Sua Igreja gloriosa – aqueles que permaneceram firmes na sua fé até o fim, apesar de todas as contrariedades deste mundo, e de todas as tribulações que lhes foram permitidas passar, mas que foram derrotadas pela sua confiança neste Deus Todo-Poderoso; que foram salvos, principalmente pela graça deste Deus Soberano absoluto e misericordiosíssimo que escolhe quem bem Lhe entender para morar no céu com Ele. Desta vez, a Bíblia diz que o Filho do Homem virá em meio a toda aquela teofania, cercado de todos aqueles eventos de glória, poder e majestade que Lhe são devidos, e que depois disso tudo o mundo não será mais o mesmo. “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até os mesmos que O traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Mas quando virá este dia? O próprio Senhor Jesus, após alertar que passará o céu e a terra, mas que as Suas Palavras não passarão, afirma que daquele dia e hora ninguém sabe. “Nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.” Mas que o Senhor virá, isso sim. Virá para levar os Seus escolhidos. O próprio Senhor Jesus nos exorta a estarmos sempre vigilantes porque não se sabe quando chegará o tempo. O que é certo é que estas são palavras reconfortantes. O anúncio de que o reino do mal está chegando ao fim, e que o Filho do Homem reunirá e levará todos os Seus eleitos, livrando-nos definitivamente de todos estes cataclismos pelos quais já estamos cansados de tanto sofrer em todos os termos, até mesmo políticos, econômicos e sociais, que só nos levam a um duro teste de fé e de sobrevivência nestes tempos de tantos desafios em que muitos se resignam, outros até se revoltam, blasfemam e desanimam, julgando ter chegado o fim de tudo, até mesmo da própria fé diante de todos estes absurdos. Só mesmo a poderosa mão de Deus para nos resgatar desta confusão toda. Vem, Senhor Jesus, em toda a Tua glória e majestade! Vem buscar este Teu povo que tanto Te espera. Vem, Senhor Jesus, Rei do Universo; vem, a Tua Igreja Te espera! Vem, e salva o Teu povo. Aleluia, e amém!
REFLEXÃO DE HOHE
“Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas. E então verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória. E Ele enviará os Seus anjos, e ajuntará os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu. Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está próximo o verão. Assim também vós, quando virdes sucederem estas coisas, sabei que já está perto, às portas. Na verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam. Passará o céu e a terra, mas as Minhas Palavras não passarão.” – Marcos 13:24-31
LEITURAS DE HOJE
Salmo 111; Daniel 7:9.10
Apocalipse 1:1-8; Marcos 13:24-31
NOTAS
[1] João 16:33; Gênesis 16:11; 29:32; Salmo 34:1-8,15-17,19-22; Colossenses 1:24; Isaías 9:6; Romanos 5:1; Efésios 2:13-20; 2Timóteo 3:12; Romanos 8:37; 1João 4:4
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 636
[2] Salmo 126:1-6; 1Samuel 21:10-15; Salmo 91:3-8: Jeremias 23:23,24; Salmo 125:1-3; Isaías 54:10; Joel 3:17,18; 2Reis 6:17; Salmo 111:1-10; 44:1; 111:4b; Êxodo 34:6,7; Isaías 1:18; Marcos 2:5,7b; Salmo 34:7; 36:1; 128:1; 130:4
M´CAW, Leslie S. Os Salmos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p.527, 528. Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p.598,599, 681, 697,709
[3] Marcos 12:28-31; 1João 4:9,10,19; Isaías 9:1-7; Apocalipse 1:7,8; Danielo 7:9,10
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 478-482
FITCH, W. Isaías: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 697, 698.Reimpressão
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil,1999. notas. p.1171, 1172
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd).São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p.1017, 1018. Reimpressão
terça-feira, 17 de novembro de 2009
QUE NOS AMEMOS UNS AOS OUTROS
“(...) o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” – Marcos 12:30,31
AH, O AMOR!... quem é que já não provou ou provará deste fruto e suas experiências, de um jeito ou de outro? Quem é que já não se expôs por conta destes seus próprios sentimentos? Quem é que já não se dispôs a tais provas? Ainda, e sempre, estas eternas e tão decantadas expressões manifestam-se em todos os tempos e lugares, mesmo que se nos pareçam muitas vezes esquisitas a nossos olhos, e, quem sabe, até aos olhos dAquele que traz em Si a própria essência de um amor sem par, sem fim, e sem fronteiras; de um amor sem exceção, e sem acepção de pessoas; de um amor que se nos parece loucura, e que nos foi ordenado que o praticássemos. Ou seja, que nos amássemos uns aos outros. Não que nos amassássemos uns aos outros, literalmente. Ninguém nos garante que, em busca do que priorizamos como de grande significância para nós mesmos, extasiados por um desejo intenso de domínio, pouco nos importando com os outros, não cometamos barbaridades. Trilhando pelos caminhos dos nossos próprios delírios, dominados por uma inexplicável e avassaladora insanidade, detonamos os outros, de qualquer jeito, desrespeitosamente, empurrando-os para bem longe de nós, do nosso convívio, pensando estarmos fazendo alguma coisa de bom, não se sabe para quem, hoje e sempre, e, acentuadamente, nestes tempos pós-modernos, por diversos ou sofisticados meios à nossa disposição, por mísseis ou por fuzis, carros-bomba, ou no corpo a corpo – na mão grande mesmo –, por socos e pontapés, facões ou facadas, porretadas e traições, pelo mais banal motivo ou até mesmo por uma certa limpeza étnica, por exemplo, e outras discriminações – e tudo mais que se possa imaginar. Arbitrariamente, tudo o que possa nos sobrepor aos outros. Este é o amor dos homens! Amor a quê? Amor a quem? A nós mesmos, apenas e tão somente? Às nossas próprias vaidades? Por vermos as coisas apenas sob a nossa própria ótica e cobiça, sob esta nossa deformação de conceitos e práticas, ou até mesmo de caráter, cometemos terríveis delitos – se é que existam delitos que não sejam terrivelmente abomináveis até para nós mesmos, quando portamos nossa sã consciência. Mas que espécie de amor é este que nós tanto celebramos ou exaltamos em prosas, cantos ou versos, e que, a despeito de tudo isso, nós ainda continuamos nos autodestruindo a nós mesmos, e também aos outros, até mesmo por razões fúteis? Que espécie de amor é este pelo qual, levados por ciúme, egoísmo, e poder, nós nos achamos no direito de oprimirmos as demais pessoas, como indivíduo ou como nação, como marido ou como mulher, como pais ou filhos, namorados ou vizinhos, ou mesmo como um transeunte qualquer, desconhecido, que passa ou é jogado pelas ruas, encharcadas por um sentimento anômalo de exploração como se tivéssemos o privilégio exclusivo sobre tudo e todos deste mundo ou sobre a intimidade alheia? Certamente, este é o nosso tipo de amor; o tipo de amor dos homens. Mas, será que, sinceramente, isto é mesmo amor? Para muitos de nós, isso pouco importa, desde que levemos vantagem em tudo. Desde que sejam satisfeitas as nossas vontades; as nossas atrocidades até então enrustidas. Apesar disso, desse tipo de amor, de tiranias, e, muita vez, de muita covardia – com raríssimas exceções, é claro –, é que são feitas as histórias dos homens, desde os mais pobres coitados das crônicas policiais aos ditos mais nobres, aos superpoderosos, ou aos que se acham donos de todo e de quaisquer poderes, aos que são protegidos por seus comparsas, ou àqueles conhecidos como os de colarinho branco, e que pululam as páginas dos jornais, ou os de cujos feitos estejam estampados nas mais afamadas enciclopédias mundiais.
Porém, diferentemente deste misto de amor e ódio, de guerra e de paz, neste jogo de poderes em que paradoxalmente nos chafurdamos, e, ao mesmo tempo em que somos o próprio alvo, quando não a própria vítima nestes eventos todos, confundindo-nos em tais conceitos num contexto de conflitos sem igual como numa novela que parece nunca ter fim, mas que arraigadamente fixamos tentáculos ao redor do mundo, ou de nós mesmos, a sabedoria divina nos ensina que o amor cobre todas as transgressões, ou melhor, uma multidão de pecados, enquanto que o ódio excita contendas, como se num alerta contra aqueles que rejeitam a mensagem de nos amarmos uns aos outros, ensinada desde o princípio. Por sua vez, o salmista diz que feliz é aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Ou seja, o amor não guarda registro de erros, mas perdoa em resposta ao perdão de Deus, segundo os especialistas, considerando que a história do mundo é a história do ódio, que teve início – e que serviu como padrão – desde o conflito entre Caim e Abel, posto que a maldade sempre odeia a bondade. Esta é a diferença que sempre existirá entre este mundo tão adverso e o povo de Deus, conforme enfatiza o apóstolo e evangelista João na sua primeira carta universal com base em toda a sua experiência de o único apóstolo sobrevivente, e já com sua idade avançada, quando escreveu esta epístola. Porém, como sempre, com todo o seu tom paternal, tanto no terreno da afeição, como no da autoridade que a caracteriza, e contrastando os filhos de Deus com os filhos de Satanás, ou o amor aos irmãos e o ódio ao mundo, o apóstolo destaca que Deus é luz, verdade e amor, e que este mesmo Deus foi revelado em Cristo para que pudesse comunicar a vida eterna àqueles que creem. Estes mesmos eruditos assinalam que o discípulo amado mostra aos leitores de sua carta que os ideais de pureza e amor são dons de Deus comunicados através da Sua autorrevelação, e que, ao mesmo tempo, eles só são reais quando estão em ação, assim como também esta realidade só é possível através do novo nascimento e do perdão dos nossos pecados. “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. Meus irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” Sábias palavras, e divinamente inspiradas, que, com seu estilo direto, provavelmente, sejam a última mensagem apostólica dirigida à Igreja inteira, sem nenhum endereço particular, e que resumem a beleza de uma carta universal. São palavras simples, práticas e claras. São pensamentos ricos e profundos que nos levam a uma atitude resoluta e responsável, a uma ação concreta, a uma tomada de posição sem nenhum vacilo, já que não devemos amar apenas da boca para fora, “de palavra nem de língua, mas por obra e em verdade”.
Ah, o amor!... sim, este amor de Deus... quão maravilhoso seria este mundo se todos o exercitássemos conforme exigem os Seus mandamentos! Quão seríamos muito mais felizes! Sim, porque este é um gesto que confere resultados, não unilateralmente, mas como numa via de mão dupla, dando e recebendo, plantando e colhendo, regando e frutificando, para a glória dAquele que um dia amou o Seu povo com amor eterno e com benignidade o atraiu a Si por meio de um projeto de restauração, de prosperidade e de paz. Este é o sonho que Deus tem reservado para cada um de nós. Sim, ainda hoje este projeto também está à nossa disposição para podermos empregar os dons de Deus em benefício dos outros – eis o resumo de todo o nosso dever e obrigação no exercício deste amor, posto que Cristo deu Sua vida por nós, por meio deste grande e gracioso gesto. Assim, também, ao alcançarmos algo da grandeza deste amor de Deus, a nós é imposto, igualmente, estarmos prontos a dar nossa vida pelos outros, assim, de pronto auxílio, por meio de nossas obras, tendo em vista a nossa fé. Como crentes cristãos, somos este povo que também navega nesta estrada da esperança, nesta via de duas mãos, na certeza desta nossa salvação, se temermos a este único SENHOR, não por medo, posto que Ele não é um deus de terror nem um deus enganador, que nos promete bem-estares, tranquilidades e paz, e não cumpre, ou que toma de volta, depois, traindo-nos com a Sua própria Palavra; escravizando-nos, humilhando-nos e destruindo todos os nossos sonhos, mesmo nós depositando nele toda a nossa confiança. Nada disso. O SENHOR nosso Deus não é um deus de balelas nem de oba-oba à moda dos homens e dos seus ídolos. Tampouco o Seu projeto de amor se assemelhe à cantilena dos homens, permeada de um sentimento fugaz, de segundas intenções, de emoções baratas, e efêmeras, chamuscada por declarações de afeto superficiais manifestadas apenas com os lábios, mas bem longe do coração. Sem nenhuma sinceridade. Também este amor não pode ser reduzido a meras expressões externas, ensaiadas, cheias de vãs e enfadonhas repetições, esboroando num vazio sem fim e sem nenhum efeito que possa nos edificar ou nos tonificar contra as hostes do inimigo. Só pode mesmo agradar o coração dAquele que nos chamou a aderirmos a um projeto de salvação que nos foi revelado na Pessoa do Seu único Filho, e nosso Senhor Jesus Cristo, com vistas à nossa plena felicidade, posto que prova de amor não há se não doarmos nossa vida à nosso irmão. E este amor é combinado com a nossa fé na unidade de Deus, que nos cobra obediência a Suas leis, não por medo, mas por amor, como diz o salmista. “Amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. Por isso, estimo todos os Teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda.” E mais ainda: “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos, e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos”. É isso, este amor de Deus nos faz andar por veredas retas e verdadeiras, longe das hipocrisias deste mundo, como um tesouro que devemos guardar lá dentro do fundo do nosso coração e comprometermo-nos com ele com toda a nossa alma e com todas as nossas forças, assim como também devemos fazer com que as nossas gerações futuras, nossos filhos, e os filhos dos nossos filhos possam igualmente amar a este mesmo Deus como o seu único Senhor, amando-O, obedecendo-Lhe, e dedicando-se inteiramente a Ele como seu único Salvador. Não é a toa que este amor mútuo, que pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente a comunicar-Se, posto que Ele é absolutamente bom, também aparece como a relação humana ideal, longe de ser uma utopia sentimental, posto que deve produzir ajuda prática a quem dela necessitar. Assim, o Senhor Jesus coloca-nos na dinâmica desta “lei régia”, deste grande mandamento, unindo duas escrituras para resumir o nosso dever como homens, nunca dantes interligadas desta maneira. Primeiro, o nosso amor para com Deus, depois, para com o próximo, amando este como a nós mesmos, num mundo onde muitos de nós dizemos que amamos a Deus, mas que desprezamos os demais, principalmente os mais necessitados, dentre tantos outros excluídos por outros quaisquer motivos. Também está escrito que se dissermos que amamos a Deus e odiarmos a nosso próximo, somos mentirosos, “pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a Quem não viu?” Por Sua vez, o Senhor Jesus também põe fim a qualquer discriminação ao declarar que o nosso próximo é qualquer pessoa, até mesmo o nosso inimigo; aquele que praticou o mal contra nós. Daí, só mesmo o amor consegue nos aproximar de Deus e dos homens. O amor cristão, fraternal, bem entendido, que tem sua nascente em Deus e se expande a todos os homens. Não as nossas enfadonhas cantilenas ou despropósitos.
REFLEXÃO DE HOJE
“Aproximando-se dEle [de Jesus] um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhes: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba Lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dEle; e que amá-lO de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-Lhe mais nada.” – Marcos 12:28-34
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:121-128; Deuteronômio 6:1-9
2Tessalonicenses 2:13-3:5; Marcos 12:28-34
NOTAS
[1] João 3:16; 15:12,13,17; 16:27; Romanos 5:8; 1João 3:1; Salmo 36:5-10; 145:9,15,
16; 104:21; Mateus 5:44,45; 6:26; 1Coríntios 1:18,25; Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9; 1Pedro 1:17; Tiago 4:1,2
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
[2] Provérbios 10:12; 1Pedro 4:8; Salmo 32:1,2; Romanos 4:7,8; Mateus 18:21,22; Tiago 5:20; 1Coríntios 13:4-7; 1João 3:10-15,18,23; Romanos 13:8
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1500, 1509, 1512
[3] 1Coríntios 13:1-13; 1Pedro 4:7-11; Jeremias 31:3; Deuteronômio 6:1-9; Salmo 119:127,128; 19:7-10; Mateus 22:37; Tiago 2:8; Levítico 19:18; 1João 4:20; Mateus 5:43-48
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 456, 457, 459-465
DRUMMOND, R. J. e MORRIS, Leon. As Epístolas de João, 1João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1434, 1435. Reimpressão
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 235. Reimpressão
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. por João Bentes. Editor org. J. D. Douglas. (editor em português R. P. Shedd). vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1963,1990. p. 71. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1015. Reimpressão
AH, O AMOR!... quem é que já não provou ou provará deste fruto e suas experiências, de um jeito ou de outro? Quem é que já não se expôs por conta destes seus próprios sentimentos? Quem é que já não se dispôs a tais provas? Ainda, e sempre, estas eternas e tão decantadas expressões manifestam-se em todos os tempos e lugares, mesmo que se nos pareçam muitas vezes esquisitas a nossos olhos, e, quem sabe, até aos olhos dAquele que traz em Si a própria essência de um amor sem par, sem fim, e sem fronteiras; de um amor sem exceção, e sem acepção de pessoas; de um amor que se nos parece loucura, e que nos foi ordenado que o praticássemos. Ou seja, que nos amássemos uns aos outros. Não que nos amassássemos uns aos outros, literalmente. Ninguém nos garante que, em busca do que priorizamos como de grande significância para nós mesmos, extasiados por um desejo intenso de domínio, pouco nos importando com os outros, não cometamos barbaridades. Trilhando pelos caminhos dos nossos próprios delírios, dominados por uma inexplicável e avassaladora insanidade, detonamos os outros, de qualquer jeito, desrespeitosamente, empurrando-os para bem longe de nós, do nosso convívio, pensando estarmos fazendo alguma coisa de bom, não se sabe para quem, hoje e sempre, e, acentuadamente, nestes tempos pós-modernos, por diversos ou sofisticados meios à nossa disposição, por mísseis ou por fuzis, carros-bomba, ou no corpo a corpo – na mão grande mesmo –, por socos e pontapés, facões ou facadas, porretadas e traições, pelo mais banal motivo ou até mesmo por uma certa limpeza étnica, por exemplo, e outras discriminações – e tudo mais que se possa imaginar. Arbitrariamente, tudo o que possa nos sobrepor aos outros. Este é o amor dos homens! Amor a quê? Amor a quem? A nós mesmos, apenas e tão somente? Às nossas próprias vaidades? Por vermos as coisas apenas sob a nossa própria ótica e cobiça, sob esta nossa deformação de conceitos e práticas, ou até mesmo de caráter, cometemos terríveis delitos – se é que existam delitos que não sejam terrivelmente abomináveis até para nós mesmos, quando portamos nossa sã consciência. Mas que espécie de amor é este que nós tanto celebramos ou exaltamos em prosas, cantos ou versos, e que, a despeito de tudo isso, nós ainda continuamos nos autodestruindo a nós mesmos, e também aos outros, até mesmo por razões fúteis? Que espécie de amor é este pelo qual, levados por ciúme, egoísmo, e poder, nós nos achamos no direito de oprimirmos as demais pessoas, como indivíduo ou como nação, como marido ou como mulher, como pais ou filhos, namorados ou vizinhos, ou mesmo como um transeunte qualquer, desconhecido, que passa ou é jogado pelas ruas, encharcadas por um sentimento anômalo de exploração como se tivéssemos o privilégio exclusivo sobre tudo e todos deste mundo ou sobre a intimidade alheia? Certamente, este é o nosso tipo de amor; o tipo de amor dos homens. Mas, será que, sinceramente, isto é mesmo amor? Para muitos de nós, isso pouco importa, desde que levemos vantagem em tudo. Desde que sejam satisfeitas as nossas vontades; as nossas atrocidades até então enrustidas. Apesar disso, desse tipo de amor, de tiranias, e, muita vez, de muita covardia – com raríssimas exceções, é claro –, é que são feitas as histórias dos homens, desde os mais pobres coitados das crônicas policiais aos ditos mais nobres, aos superpoderosos, ou aos que se acham donos de todo e de quaisquer poderes, aos que são protegidos por seus comparsas, ou àqueles conhecidos como os de colarinho branco, e que pululam as páginas dos jornais, ou os de cujos feitos estejam estampados nas mais afamadas enciclopédias mundiais.
Porém, diferentemente deste misto de amor e ódio, de guerra e de paz, neste jogo de poderes em que paradoxalmente nos chafurdamos, e, ao mesmo tempo em que somos o próprio alvo, quando não a própria vítima nestes eventos todos, confundindo-nos em tais conceitos num contexto de conflitos sem igual como numa novela que parece nunca ter fim, mas que arraigadamente fixamos tentáculos ao redor do mundo, ou de nós mesmos, a sabedoria divina nos ensina que o amor cobre todas as transgressões, ou melhor, uma multidão de pecados, enquanto que o ódio excita contendas, como se num alerta contra aqueles que rejeitam a mensagem de nos amarmos uns aos outros, ensinada desde o princípio. Por sua vez, o salmista diz que feliz é aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Ou seja, o amor não guarda registro de erros, mas perdoa em resposta ao perdão de Deus, segundo os especialistas, considerando que a história do mundo é a história do ódio, que teve início – e que serviu como padrão – desde o conflito entre Caim e Abel, posto que a maldade sempre odeia a bondade. Esta é a diferença que sempre existirá entre este mundo tão adverso e o povo de Deus, conforme enfatiza o apóstolo e evangelista João na sua primeira carta universal com base em toda a sua experiência de o único apóstolo sobrevivente, e já com sua idade avançada, quando escreveu esta epístola. Porém, como sempre, com todo o seu tom paternal, tanto no terreno da afeição, como no da autoridade que a caracteriza, e contrastando os filhos de Deus com os filhos de Satanás, ou o amor aos irmãos e o ódio ao mundo, o apóstolo destaca que Deus é luz, verdade e amor, e que este mesmo Deus foi revelado em Cristo para que pudesse comunicar a vida eterna àqueles que creem. Estes mesmos eruditos assinalam que o discípulo amado mostra aos leitores de sua carta que os ideais de pureza e amor são dons de Deus comunicados através da Sua autorrevelação, e que, ao mesmo tempo, eles só são reais quando estão em ação, assim como também esta realidade só é possível através do novo nascimento e do perdão dos nossos pecados. “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. Meus irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” Sábias palavras, e divinamente inspiradas, que, com seu estilo direto, provavelmente, sejam a última mensagem apostólica dirigida à Igreja inteira, sem nenhum endereço particular, e que resumem a beleza de uma carta universal. São palavras simples, práticas e claras. São pensamentos ricos e profundos que nos levam a uma atitude resoluta e responsável, a uma ação concreta, a uma tomada de posição sem nenhum vacilo, já que não devemos amar apenas da boca para fora, “de palavra nem de língua, mas por obra e em verdade”.
Ah, o amor!... sim, este amor de Deus... quão maravilhoso seria este mundo se todos o exercitássemos conforme exigem os Seus mandamentos! Quão seríamos muito mais felizes! Sim, porque este é um gesto que confere resultados, não unilateralmente, mas como numa via de mão dupla, dando e recebendo, plantando e colhendo, regando e frutificando, para a glória dAquele que um dia amou o Seu povo com amor eterno e com benignidade o atraiu a Si por meio de um projeto de restauração, de prosperidade e de paz. Este é o sonho que Deus tem reservado para cada um de nós. Sim, ainda hoje este projeto também está à nossa disposição para podermos empregar os dons de Deus em benefício dos outros – eis o resumo de todo o nosso dever e obrigação no exercício deste amor, posto que Cristo deu Sua vida por nós, por meio deste grande e gracioso gesto. Assim, também, ao alcançarmos algo da grandeza deste amor de Deus, a nós é imposto, igualmente, estarmos prontos a dar nossa vida pelos outros, assim, de pronto auxílio, por meio de nossas obras, tendo em vista a nossa fé. Como crentes cristãos, somos este povo que também navega nesta estrada da esperança, nesta via de duas mãos, na certeza desta nossa salvação, se temermos a este único SENHOR, não por medo, posto que Ele não é um deus de terror nem um deus enganador, que nos promete bem-estares, tranquilidades e paz, e não cumpre, ou que toma de volta, depois, traindo-nos com a Sua própria Palavra; escravizando-nos, humilhando-nos e destruindo todos os nossos sonhos, mesmo nós depositando nele toda a nossa confiança. Nada disso. O SENHOR nosso Deus não é um deus de balelas nem de oba-oba à moda dos homens e dos seus ídolos. Tampouco o Seu projeto de amor se assemelhe à cantilena dos homens, permeada de um sentimento fugaz, de segundas intenções, de emoções baratas, e efêmeras, chamuscada por declarações de afeto superficiais manifestadas apenas com os lábios, mas bem longe do coração. Sem nenhuma sinceridade. Também este amor não pode ser reduzido a meras expressões externas, ensaiadas, cheias de vãs e enfadonhas repetições, esboroando num vazio sem fim e sem nenhum efeito que possa nos edificar ou nos tonificar contra as hostes do inimigo. Só pode mesmo agradar o coração dAquele que nos chamou a aderirmos a um projeto de salvação que nos foi revelado na Pessoa do Seu único Filho, e nosso Senhor Jesus Cristo, com vistas à nossa plena felicidade, posto que prova de amor não há se não doarmos nossa vida à nosso irmão. E este amor é combinado com a nossa fé na unidade de Deus, que nos cobra obediência a Suas leis, não por medo, mas por amor, como diz o salmista. “Amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. Por isso, estimo todos os Teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda.” E mais ainda: “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos, e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos”. É isso, este amor de Deus nos faz andar por veredas retas e verdadeiras, longe das hipocrisias deste mundo, como um tesouro que devemos guardar lá dentro do fundo do nosso coração e comprometermo-nos com ele com toda a nossa alma e com todas as nossas forças, assim como também devemos fazer com que as nossas gerações futuras, nossos filhos, e os filhos dos nossos filhos possam igualmente amar a este mesmo Deus como o seu único Senhor, amando-O, obedecendo-Lhe, e dedicando-se inteiramente a Ele como seu único Salvador. Não é a toa que este amor mútuo, que pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente a comunicar-Se, posto que Ele é absolutamente bom, também aparece como a relação humana ideal, longe de ser uma utopia sentimental, posto que deve produzir ajuda prática a quem dela necessitar. Assim, o Senhor Jesus coloca-nos na dinâmica desta “lei régia”, deste grande mandamento, unindo duas escrituras para resumir o nosso dever como homens, nunca dantes interligadas desta maneira. Primeiro, o nosso amor para com Deus, depois, para com o próximo, amando este como a nós mesmos, num mundo onde muitos de nós dizemos que amamos a Deus, mas que desprezamos os demais, principalmente os mais necessitados, dentre tantos outros excluídos por outros quaisquer motivos. Também está escrito que se dissermos que amamos a Deus e odiarmos a nosso próximo, somos mentirosos, “pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a Quem não viu?” Por Sua vez, o Senhor Jesus também põe fim a qualquer discriminação ao declarar que o nosso próximo é qualquer pessoa, até mesmo o nosso inimigo; aquele que praticou o mal contra nós. Daí, só mesmo o amor consegue nos aproximar de Deus e dos homens. O amor cristão, fraternal, bem entendido, que tem sua nascente em Deus e se expande a todos os homens. Não as nossas enfadonhas cantilenas ou despropósitos.
REFLEXÃO DE HOJE
“Aproximando-se dEle [de Jesus] um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhes: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba Lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dEle; e que amá-lO de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-Lhe mais nada.” – Marcos 12:28-34
LEITURAS DE HOJE
Salmo 119:121-128; Deuteronômio 6:1-9
2Tessalonicenses 2:13-3:5; Marcos 12:28-34
NOTAS
[1] João 3:16; 15:12,13,17; 16:27; Romanos 5:8; 1João 3:1; Salmo 36:5-10; 145:9,15,
16; 104:21; Mateus 5:44,45; 6:26; 1Coríntios 1:18,25; Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9; 1Pedro 1:17; Tiago 4:1,2
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
[2] Provérbios 10:12; 1Pedro 4:8; Salmo 32:1,2; Romanos 4:7,8; Mateus 18:21,22; Tiago 5:20; 1Coríntios 13:4-7; 1João 3:10-15,18,23; Romanos 13:8
Bíblia de Estudo de Genebra. Trad. por João Ferreira de Almeida. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas. p. 1500, 1509, 1512
[3] 1Coríntios 13:1-13; 1Pedro 4:7-11; Jeremias 31:3; Deuteronômio 6:1-9; Salmo 119:127,128; 19:7-10; Mateus 22:37; Tiago 2:8; Levítico 19:18; 1João 4:20; Mateus 5:43-48
ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra. Ano B. Trad. por Comercindo B. Dalla Costa. São Paulo: AM Edições, 1996. p. 456, 457, 459-465
DRUMMOND, R. J. e MORRIS, Leon. As Epístolas de João, 1João: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 1434, 1435. Reimpressão
MANLEY, G. T. Deuteronômio: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 1. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo: Vida Nova, 1963, 1990. p. 235. Reimpressão
BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática. 3.ª ed. revisada. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 68, 69
O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. por João Bentes. Editor org. J. D. Douglas. (editor em português R. P. Shedd). vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1963,1990. p. 71. Reimpressão
SWIFT GRAHAM, C. E. O Evangelho Segundo São Marcos: Introdução e Comentário. In: O Novo Comentário da Bíblia, vol. 2. (editor em português R. P. Shedd). São Paulo:Vida Nova, 1963, 1990. p. 1015. Reimpressão
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